26.1.15

Sem Limites - Capitulo 3 MARATONA 2/10

Amores, vcs que deixaram o email p Mari fazer o convite, deem uma checada nele para poder ter acesso ao blog, caso contrario o acesso continuará negado! Ok? 8 para o próximo? Vamos lá? Yay!
Amo vcs, xx
Bruna

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Mesmo sem janelas no quarto para me dizer se o sol já nascera, eu sabia que tinha dormido até tarde. Fui me deitar exausta, mas a longa viagem de oito horas e os passos na escada durante horas depois de eu ir para a cama me impediram de dormir. Eu me espreguicei, me sentei e estendi a mão para o interruptor na parede. A pequena lâmpada iluminou o quarto e estiquei o braço até debaixo da cama para pegar a minha mala.

Precisava de um banho. Se todo mundo ainda estivesse dormindo, eu poderia usar um dos banheiros sem ninguém perceber; mas Grant não tinha me mostrado onde ficava. Só me ofereceram o quarto, mas eu esperava que uma ducha rápida estivesse incluída no pacote.

Peguei uma calcinha limpa, um short preto e uma camiseta branca sem manga. Com sorte, conseguiria entrar e sair do chuveiro e começar a faxina antes de Joe descer.

Abri a porta que dava para a despensa, passei por entre as prateleiras que continham mais comida do que qualquer pessoa jamais poderia precisar. Girei a maçaneta da porta devagar e a abri. A luz da cozinha estava apagada e a única claridade vinha do sol forte que entrava pelas amplas janelas que davam para o mar. Se não estivesse tão apertada, eu teria parado um instante para admirar a vista. Mas a situação era urgente e eu precisava ir ao banheiro. A casa estava silenciosa. Copos vazios estavam espalhados pelos cômodos, junto com restos de comida e peças de roupa. Eu poderia limpar aquilo. Se me mostrasse útil, talvez me deixassem ficar ali até eu arrumar um emprego e receber um ou dois salários.

Abri lentamente a primeira porta que encontrei, com medo de ser um quarto. Era um closet. Fechei a porta e desci o corredor em direção à escada. Se os únicos banheiros fossem os das suítes, eu estava ferrada. A não ser que... talvez houvesse um banheiro para as pessoas usarem depois de passar o dia inteiro na praia. Afinal de contas, Henrietta também tinha que tomar banho e ir ao banheiro. Virei as costas e voltei para a cozinha e para as duas portas de vidro que eu vira abertas na noite anterior. Olhei em volta e reparei alguns degraus que desciam até debaixo da casa. Fui por ali.

Lá embaixo havia duas portas. Abri uma delas e vi paredes cobertas por coletes salva-vidas, pranchas de surfe e boias. Então abri a outra. Bingo.

Era um banheiro com um pequeno boxe. Sobre um banquinho havia xampu, condicionador e sabonete, além de uma luva de banho e uma tolha limpa. Que prático.

Uma vez limpa e vestida, pendurei a toalha e a luva no ferro da cortina do boxe. Aquele banheiro não era muito usado. Eu poderia usar a mesma toalha e a mesma luva a semana inteira e lavar no fim de semana. Se ficasse ali tanto tempo assim.

Fechei a porta depois de sair e subi os degraus. A maresia tinha um cheiro maravilhoso. Quando cheguei lá em cima, fiquei parada junto ao guarda-corpo e olhei para o mar. Ondas quebravam na praia de areia branca. Era a coisa mais linda que eu já tinha visto.

Mamãe e eu cogitávamos, um dia, viajar para ver o mar. Ela havia ido quando era menina e as suas lembranças não eram lá grande coisa, mas ela passara a vida inteira me falando sobre isso. Todo inverno ficávamos sentadas dentro de casa em frente à lareira e planejávamos a nossa ida à praia. Nunca conseguimos fazer essa viagem. Primeiro mamãe não tinha dinheiro, depois não tinha saúde.

Mesmo assim, continuávamos a planejá-la. Isso ajudava a manter o sonho vivo.

E agora ali estava eu, olhando para as ondas com as quais apenas sonhara. Não eram nossas férias de conto de fadas, mas eu estava ali vendo o mar por nós duas.

– Essa vista nunca fica velha. – A voz grave e arrastada de Joe me espantou.

Virei-me e o vi encostado no batente da porta. Sem camisa. Ai, ai, ai.

Não consegui articular palavras. O único peito nu de homem que eu já tinha visto fora o de Cain. E isso foi antes de a minha mãe ficar doente, quando eu tinha tempo para namorar e me divertir. O peito de 16 anos de Cain não exibia aqueles músculos largos e definidos, assim como ele também não tinha aquela barriga tanquinho que eu via diante de mim.

– Está gostando da vista?

Seu tom de quem estava achando graça não me escapou. Pisquei os olhos e tornei a erguê-los para o sorriso de ironia nos seus lábios. Droga. Ele tinha me pegado secando o seu corpo.

– Não quero interrompê-la. Eu mesmo estava gostando – continuou ele antes de dar um gole na xícara de café que segurava.

Senti o meu rosto ficar quente; sabia que devia estar vermelha feito um pimentão. Eu me virei de novo e tornei a olhar para o mar. Que vergonha. Eu estava tentando fazer com que aquele cara me deixasse permanecer ali por um tempo. Ficar babando por ele não era a melhor estratégia.

Uma risada baixinha atrás de mim só fez piorar as coisas. Ele estava rindo de mim. Que ótimo.

– Ah, você está aí. Senti a sua falta na cama quando acordei.

A voz feminina dengosa vinha de detrás de mim. A curiosidade me venceu e eu me virei. Uma menina só de calcinha e sutiã se aconchegava a Joe e corria uma unha comprida e cor-de-rosa pelo seu peito. Não podia culpá-la por querer tocar aquilo. Eu própria estava bem tentada.

– Está na hora de você ir – retrucou ele, tirando a mão dela do próprio peito e se afastando. Vi quando ele apontou para a porta da frente.

– Como é? – rebateu a menina. Pelo ar de incompreensão no seu rosto, ela não esperava por isso.

– Você conseguiu o que queria vindo aqui, gata. Queria que eu te comesse. Conseguiu. Agora já deu para mim.

Sua voz fria, dura e neutra me espantou. Será que ele estava falando sério?

– Você só pode estar de sacanagem! – disparou a menina, batendo o pé.

Joe balançou a cabeça e tomou mais um gole do café.

– Você não pode fazer isso comigo. Ontem à noite foi incrível. Você sabe que foi.

Ela estendeu a mão para o braço dele e ele rapidamente se esquivou.

– Eu avisei ontem à noite quando você chegou implorando e tirando a roupa... A única coisa que iria acontecer seria uma noite de sexo. Só isso.

Prestei atenção na menina. Sua expressão era de pura raiva. Ela abriu a boca para protestar, mas tornou a fechá-la. Com mais uma batida do pé, voltou a passos firmes para dentro da casa.

Eu não conseguia acreditar no que acabara de ver. Era assim que pessoas daquele tipo se comportavam? A minha única experiência de relacionamento tinha sido com Cain. Embora nunca tivéssemos chegado a transar, ele sempre fora cuidadoso e gentil comigo. Aquilo era duro, cruel.

– Então, dormiu bem? – perguntou Joe como se nada tivesse acontecido.

Eu me obriguei a desviar os olhos da porta pela qual a menina havia saído e o examinei. O que passara pela cabeça dela para ir para a cama com alguém que tinha deixado bem claro que não haveria nada além de sexo? Tudo bem, ele tinha um corpo de causar inveja a modelos... e aqueles seus olhos eram capazes de levar uma garota a fazer loucuras. Mas ainda assim. Era muito cruel.

– Você faz isso sempre? – perguntei antes de conseguir me conter.

Joe levantou a sobrancelha.

– O quê? Perguntar às pessoas se elas dormiram bem?

Ele sabia o que eu estava perguntando. Estava desconversando. Não era da minha conta. Para ele me deixar ficar ali, eu precisava ficar na minha. Abrir a boca para repreendê-lo não era uma boa ideia.

– Transar com garotas e depois jogá-las fora feito lixo? – retruquei.

Fechei a boca, horrorizada com as palavras que acabara de ouvir ecoar na minha mente. O que eu estava fazendo? Tentando ser posta na rua?

Joe pousou a xícara na mesa ao seu lado e se sentou. Recostou-se e esticou as pernas compridas. Então tornou a me encarar.

– E você, sempre mete o nariz onde não é chamada? – rebateu.

Eu queria ficar brava com ele. Queria, mas não consegui. Ele tinha razão.

Quem era eu para julgá-lo? Nem conhecia aquele cara.

– Não, em geral, não. Desculpe – falei e entrei depressa.

Não queria dar a ele uma chance de me expulsar também. Eu precisava daquela cama debaixo da escada por pelo menos duas semanas.

Comecei a recolher os copos vazios e as garrafas de cerveja. Aquela casa precisava de uma faxina e eu podia fazer isso antes de sair para procurar emprego. Só torci para ele não dar festas como aquela todas as noites. Mas, se desse, eu não iria reclamar... e quem sabe? Depois de algumas noites talvez conseguisse dormir com qualquer barulho.

– Não precisa fazer isso. Henrietta vem amanhã.

Joguei as garrafas que tinha recolhido na lixeira e olhei para ele. Joe estava outra vez em pé no vão da porta, olhando para mim.

– Só pensei que poderia ajudar.

Joe deu um sorriso torto.

– Eu já tenho empregada. Não estou procurando outra, se é isso que está pensando.

Fiz que não com a cabeça.

– Não, eu sei. Só estava tentando ser prestativa. Você me deixou dormir na sua casa ontem.

Joe se aproximou e ficou parado em frente à bancada, com os braços cruzados na frente do peito.

– Sobre isso… a gente precisa conversar.

Ai, droga. Lá vem. Uma noite era tudo que eu iria conseguir.

– Está bem – respondi.

Joe franziu o cenho para mim e senti o ritmo da minha pulsação se acelerar.

Ele não tinha notícias boas para me dar.

– Eu não gosto do seu pai. Ele é um aproveitador. Minha mãe sempre tende a arrumar homens assim. É um talento dela. Mas eu acho que você já sabe isso sobre ele. Então estou curioso: por que você veio pedir a ajuda dele se sabia como ele era?

Minha vontade era responder que não era da conta dele. Só que o fato de eu precisar da sua ajuda fazia com que fosse. Eu não podia esperar que ele me deixasse dormir na sua casa sem saber de nada. Ele merecia saber por que estava me ajudando. Eu não queria que ele pensasse que eu também era uma aproveitadora.

– Minha mãe acabou de morrer. De câncer. Três anos de tratamento custam caro. A única coisa que tínhamos era a casa que a minha avó nos deixou. Tive que vender a casa e todo o resto para pagar as contas de hospital da minha mãe. Não vejo o meu pai desde que ele nos abandonou, cinco anos atrás. Mas ele agora é o meu único parente. Não tenho mais ninguém a quem pedir ajuda. Preciso de um lugar para ficar até conseguir um emprego e receber alguns salários. Aí vou arrumar a minha própria casa. Minha intenção nunca foi passar muito tempo aqui. Sabia que o meu pai não iria querer que eu ficasse. – Soltei uma gargalhada dura e insincera. – Mas jamais imaginei que ele fosse fugir antes de eu chegar.

O olhar firme de Joe continuava grudado em mim. Aquelas eram informações que eu preferiria que ninguém soubesse. Costumava conversar com Cain sobre como o abandono do meu pai me zera sofrer. A perda da minha irmã e do meu pai tinham sido difíceis para mim e para minha mãe. Aí Cain precisou de mais e eu não pude ser quem ele precisava que eu fosse. Tinha que cuidar da minha mãe doente. Havia deixado Cain livre para sair com outras meninas e se divertir. Eu era só um peso para ele. Nossa amizade permaneceu intacta, mas eu percebi que o menino que um dia pensara amar tinha sido apenas uma emoção infantil.

– Sinto muito pela sua mãe – disse Joe, por fim. – Deve ser duro. Você disse que ela passou três anos doente. Desde que você tinha 16?

Respondi que sim, sem saber muito bem o que mais dizer. Não queria a pena dele. Só queria um lugar para dormir.

– Você está planejando arrumar um emprego e uma casa para morar.

Não era uma pergunta, ele estava só repassando o que eu acabara de dizer. Por isso não respondi nada.

– O quarto debaixo da escada é seu por um mês. Nesse tempo você precisa arrumar um emprego e juntar dinheiro suficiente para alugar um apartamento. Destin não fica muito longe daqui e o custo de vida lá é mais acessível. Se os nossos pais voltarem antes disso, imagino que seu pai poderá ajudar você.

Soltei um suspiro de alívio e engoli o bolo que bloqueava minha garganta.

– Obrigada.

Joe olhou na direção da despensa que conduzia ao quarto em que eu estava dormindo. Em seguida, tornou a olhar para mim.

– Tenho umas coisas para fazer. Boa sorte na caça ao emprego.

Afastou-se da bancada e foi embora.

Eu não tinha gasolina na picape, mas tinha uma cama e 20 dólares. Fui depressa até o quarto pegar a minha bolsa e as minhas chaves. Precisava arrumar um emprego o quanto antes.

9 comentários:

  1. Perfeito!!!!
    Arrogante esse Joe hein?!
    Posta mais!!!

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  2. To amando muito essa fic, demais!!!
    Tá se tornando meu vício!
    Postaaaaaaaaa!!!!!!

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  3. Até quando ele vai ficar arrogante assim? Ele podia ajuda-la a arrumar um emprego né? Continua..

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  4. Que arrogância jovem.
    Posta mais.
    Continua bloq. :(

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