15.1.15

Capitulo 6 - Maratona 5.6

Como prometido aqui vai mais um capitulo, e como eu sei que quase ninguém que costuma acompanhar a fic ainda está acordado eu vou ficar só nos 5 comentários mesmo. Beijooos *--*

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— O que você fez com Aaron?

Joe fez uma careta para o console frontal do carro onde a frequência do rádio milagrosamente transformou as ondas magnéticas na voz da mãe. O sistema de telefone sem fio do Chevy Tahoe deveria oferecer uma condução mais segura, mas ele não sabia o quanto era seguro dirigir ouvindo um sermão da mãe. Mantendo os olhos na estrada, ele disse: — Não sei do que você está falando.

— Aaron disse que não poderia vir a uma reunião de família que estou planejando se você viesse. Ele disse para perguntar a você se eu quisesse saber os detalhes.

— Agora não, mamãe. Estou chegando no prédio do meu apartamento novo nesse momento. Jake e os gêmeos me encontrarão para ajudar a transportar algumas coisas.

— Por que está se mudando para um apartamento quando já tem uma bela casa?

Ele entrou no estacionamento. — É apenas temporário. Espero conseguir fazer com que Demi veja que a vida de Ryan será melhor se eu participar dela.

— Bem, claro que será melhor se você participar. Quando poderemos conhecer Demi e o nosso neto?

— Estou trabalhando nisso, mamãe. Até a mediação no próximo mês, verei o que posso fazer para tentar resolver alguma coisa com Demi.

— Não consigo entender. Você estava no quarto do hospital quando o seu filho nasceu, como ela não vê que é um cara legal e confiável? Quero dizer, você não é exatamente Tom Hanks ou Bob Barker, mas tem carisma. Talvez ela esteja preocupada com o fato de ainda estar solteiro.

— Eu encararia isso como um elogio, mamãe, se Bob Barker não tivesse sido processado por seis mulheres do programa de TV dele.

— Isso é ridículo. Bob Barker foi considerado o apresentador de programas de TV mais popular em uma pesquisa nacional.

Joe riu ao estacionar em uma vaga e desligar o carro. — Vou acreditar em você. Preciso ir.

— Diga a Jake que encontrei os patins que ele estava procurando e aos gêmeos que o jantar estará pronto às sete.

— Patins?

— Jake tem um encontro com Candy neste fim de semana, mas eu não contei isso a você.

Joe ergueu os olhos para o céu. — Você ainda cozinha para os gêmeos? Eles não fizeram vinte e cinco anos recentemente?

— Todos vêm jantar aqui nas quartas-feiras. Todos menos você.

Droga. Ele esquecera novamente. — Irei na próxima semana, prometo.

— Vou cobrar isso de você. Não se esqueça de trazer uma fotografia de Ryan.

— Verei o que posso fazer. Falo com você depois, mamãe. — Rapidamente, ele apertou o botão para desligar antes que ela encontrasse mais um assunto, saiu do carro e fechou a porta.

A camada de nuvens desaparecera mais cedo do que o normal naquele dia. O sol aquecia o ar em torno dos ombros largos. O céu estava azul e sem nuvens, e não havia nem rastro da poluição de Los Angeles nem das nuvens de junho. Fechando os olhos, ele virou o rosto para o sol e respirou fundo enquanto alongava a perna, pois o joelho ficava um pouco rígido sempre que ficava muito tempo sentado.

Uma buzina soou quando dois caminhões entraram no estacionamento, um Ford marrom antigo e um Toyota de modelo mais novo. Os três irmãos dele tinham chegado. Os gêmeos, Cliff e Brad, eram donos de uma empresa de construção e estavam no caminhão mais novo, enquanto Jake os seguia no caminhão que pegara emprestado com o pai.

Cliff foi o primeiro a encontrar uma vaga e juntar-se a Joe. Com cerca de 1,90 m de altura, Cliff era o mais alto dos irmãos. Na quadra de basquete, ele fazia qualquer cesta parecer uma coisa fácil. Era também o único filho que tinha os cabelos claros e, por causa disso, todos implicavam com ele, comentando como a mãe sempre gostara muito do carteiro de cabelos castanhos.

Cliff acenou com a cabeça em direção ao prédio de apartamentos. — Então, essa é a sua nova casa?

— Isso mesmo.

— É bem diferente da sua casa em Malibu.

— É apenas temporário. E é algo que preciso fazer.

— E o que é exatamente que você precisa fazer?

Jake e Brad se aproximaram em tempo de ouvir a resposta.

— Pretendo mostrar a Demi que sou um cara decente. Sabe, fazer com que

ela entenda que mereço participar da vida de Ryan.

— Nunca tinha percebido que você queria tanto ter um filho — comentou Jake.

— Ele não teve muita escolha no assunto, teve? — argumentou Cliff.

— Eu também não sabia como me sentiria sobre isso — disse Joe. — Mas, depois de segurar o meu filho nos braços, soube que não só precisava estar disponível para ele, como queria participar da vida dele. Quero vê-lo dando os primeiros passos e ouvir a voz dele quando disser as primeiras palavras. Quero ajudá-lo com o dever de casa e jogar bola com ele no parque. Quero ajudá-lo se ele decidir seguir algum esporte e quero conhecer os amigos dele. Quero participar de tudo.

Houve um longo silêncio.

Ele podia ver, pelo olhar dos irmãos, que dissera demais, mas não se importava. Alguma coisa sobre ser pai fizera brotar um lado meloso dele que ele não sabia que existia.

— E se Demi perceber que você é um cara legal, o que acontecerá? — perguntou Jake.

— Não faço a menor ideia.

Brad balançou a cabeça. — Que tipo de mulher manteria um pai afastado do filho? Há tantos pais ausentes lá fora e, quando você aparece, um cara que quer fazer parte da vida do filho, ela lhe dá as costas. Eu não consigo entender.

— Ela está confusa — disse Joe. — Pelo que entendi até agora, um incidente no passado a deixou um pouco amarga em relação aos homens. Não planejava ver o doador aparecer na porta da casa dela e é por isso que preciso mostrar a ela que Ryan precisa de mim. Não tenho a menor intenção de tirá-lo dela nem de transformar a vida de Demi em um inferno.

— É uma situação complicada — concordou Cliff.

— Como ela é? — perguntou Jake.

Joe se lembrou da primeira vez em que vira Demi. Tudo o que enxergara fora a barriga dela, pelo menos até que ela o beijasse. Não pensara muito sobre o beijo até aquele momento: olhos sexy, lábios cheios, rosto expressivo. — Ela é bonita. Cabelos brilhantes, dentes brancos perfeitos, não usa muita maquiagem.

— Não é o seu tipo, é? — perguntou Cliff.

— Eu não tenho um tipo — respondeu Joe.

Os três irmãos riram ao mesmo tempo.

Jake estalou os dedos. — Eu sei o que você precisa fazer.

Brad deu uma risada. — Isso vai ser bom.

— Faça com que ela goste de você — disse Jake. — Você sabe, faça com que ela o queira, flerte com ela, ofereça elogios, leve flores sem motivo algum. As mulheres adoram isso.

Joe soltou um grunhido. — Não quero influenciá-la.

— Está bem, faça o que quiser — disse Jake, dando de ombros. — Você pode usar a minha ideia como plano B.

— Nada nessa situação será fácil — disse Brad, enquanto Joe e Cliff se encaminhavam para o caminhão mais próximo e começavam a desamarrar as cordas em volta dos móveis.

— E se Demi decidir que você poderá participar da vida de Ryan? E, mais tarde, ela quiser que ele vá para uma escola pública...

— Só se for sobre o cadáver de Joe — comentou Cliff.

— E se ela fizer uma pequena tatuagem de bebê em Ryan? — continuou Jake, tentando criar discórdia.

— Ninguém faz tatuagens em bebês — disse Brad.

Cliff balançou a cabeça. — Não é verdade. O sobrinho de um amigo meu tem uma loja de tatuagens e fez uma tatuagem no filho dele.

— Demi não faria isso — disse Joe, apesar de ninguém lhe dar ouvidos.

— E se ela o colocar para fazer aulas de dança?

Jake fez uma expressão chocada. — Eles deixam garotos fazer aulas de balé?

— Nenhum sobrinho meu usará meia-calça — disse Brad.

Joe ergueu a mão. — Vocês estão se irritando à toa. Ryan não tem nem uma semana ainda. Além do mais, se o garoto quiser dançar, não vejo nada de mais.

Os três irmãos riram novamente ao ouvir aquilo.

Joe sentiu uma dor de cabeça aproximando-se.

— Ela está amamentando? — perguntou um deles.

Joe a vira alimentar Ryan com uma mamadeira e lembrou do comentário de Lexi sobre o bebê não gostar dos seios da mãe. — Eu acho que não.

— Eu ouvi a vovó dizendo à mamãe que espera que Demi esteja amamentando. Caso contrário, o bebê poderá não ser... muito esperto.

— Isso é ridículo — disse um deles. — Isso parece conversa de gente velha.

— Só estou dizendo o que ouvi.

— A única coisa em que consigo pensar como desvantagem da amamentação é um par de peitos caídos — declarou Brad.

— Definitivamente é uma desvantagem — concordou Jake.

— E Maggie? — foi a próxima pergunta. — Será que ela pretende amamentar?

— Primeiro acontece o casamento e depois vem o bebê — resmungou Joe. — Podemos começar a trabalhar agora?

— Ainda é um pouco sensível em se tratando de Maggie, pelo que vejo.

Joe terminou de tirar as cordas e encaminhou-se para a parte de trás do caminhão para abrir a porta traseira. — Aaron não tinha nada que ir atrás dela e é tudo o que tenho a dizer sobre o assunto.

Brad balançou a cabeça. — Você realmente está apaixonado por Ma, não é? Eu não acreditava nisso. Mas, agora que estamos nesse assunto, qual é o problema? Se estava apaixonado por ela, por que não foi atrás dela há muito tempo?

— Porque eu sabia que não era o único que sentia alguma coisa por ela.

Nós fizemos um maldito voto.

— Isso foi há quase quinze anos — disseram os três ao mesmo tempo.

— Éramos apenas garotos — acrescentou Cliff.

Jake sacudiu a cabeça como se Joe fosse um caso perdido.

Joe segurou em um dos lados do sofá e começou a puxá-lo para fora do caminhão. Jake correu e agarrou a parte do centro, enquanto que Brad saltou para dentro do caminhão para segurar a outra ponta do móvel.

— Você precisa deixar para lá o que sente por Maggie — disse Jake. — Ela e Aaron se amam e Aaron merece uma vida boa com o apoio dos irmãos.

— Ele não é nosso irmão.

Jake olhou para Joe. — Isso é mentira. Adivinhe só quem me ensinou a nadar.

— Foi Aaron — disse Jake, respondendo à própria pergunta. — Lembra-se do acidente de carro em West LA, o acidente sobre o qual as pessoas ainda comentam, que o motorista pegou no sono e quatro garotos morreram ao voltar para casa de Vegas? Eu nunca contei a ninguém, mas deveria ter estado naquele carro. Aaron ficou sabendo do que eu pretendia fazer e não me deixou ir. Ele ameaçou contar à mamãe. Fiquei furioso, com ódio dele por me deter. Mas eu não estaria aqui se não fosse por Aaron. Não me importo com o que os outros dizem. Ele é nosso irmão. É seu irmão também, mas, por algum motivo, você está com as ideias todas trocadas. Porque, se parasse para pensar longamente sobre aquela época, veria que entendeu tudo errado. Maggie nunca teria se apaixonado por você ou algum de nós como ela se apaixonou por Aaron. Mas, por algum motivo,

todos enxergam isso, menos você.

— Podemos começar a trabalhar agora? — perguntou Joe.

— Excelente ideia — disse um dos gêmeos.

— Por falar nisso — Joe disse a Jake —, mamãe pediu para avisar que ela encontrou os patins que você queria, os que precisa para o encontro com Candy neste fim de semana.

Brad soltou um assovio. — Candy Baker? A malvada?

— A mesma Candy que fugiu com as suas roupas quando estava se trocando para a aula de educação física na escola? — perguntou Cliff.

— Não é nada demais — respondeu Jake. — Encontrei com ela na rua um dia desses.

Cliff coçou o queixo. — Patins? As pessoas ainda usam isso?

Todos riram, exceto Jake, é claro. E Joe, porque estava ocupado demais tentando entender por que os irmãos eram tão cegos e esquecidos quando se tratava dele e de Maggie, e de tudo o que tinham compartilhado. Que diabos, ele, os irmãos e Maggie ficavam juntos todos os dias, o dia inteiro, naquela época. Joe não se lembrava de uma vez sequer em que Aaron e Maggie tivessem passado mais do que alguns minutos juntos. O único motivo pelo qual Joe não fora atrás de Maggie fora o voto — o voto que, percebia agora, ele fora o único a levar a sério.

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Os quatro levaram cerca de uma hora para encher o novo apartamento de dois quartos com uma cama de casal, um armário, um sofá, uma mesinha de café e uma TV plana de quarenta polegadas. O apartamento tinha geladeira, lava-roupas e secadora. Joe abriu a geladeira e passou latas de chá gelado para os irmãos.

— Como assim? — perguntou Cliff. — Não tem cerveja?

— Talvez na próxima vez — disse Joe ao abrir a lata.

— Ele está tentando dar um bom exemplo enquanto morar aqui — relembrou Brad.

— Você precisa de alguns quadros. Tenho um pôster antigo da Pamela Anderson que você pode pendurar acima da TV. Mas quero de volta quando sair desse apartamento.

Joe os ignorou e foi para o quarto novo, o que tinha a cama e o armário, mas, mais importante, o que tinha os analgésicos que estavam guardados na mala. Ele não gostava de tomar analgésicos. Na verdade, ele os evitava sempre que podia. Mas depois de levantar sofás e mesas e de

subir e descer escadas sem parar, o joelho direito parecia que estava pegando fogo. Na semana anterior, o médico se oferecera para injetar esteroides no joelho machucado para aliviar a dor, mas Joe achou melhor deixar que ele guardasse as agulhas para alguém que precisasse mais delas. Ele lidara com dores piores do que aquela durante a carreira no futebol e um pouco de dor de vez em quando não o deixaria fora de combate. O futebol era a vida dele. O futebol lhe dera uma casa confortável, pagara a hipoteca dos pais e, apesar de Jake não saber disso, o futebol pagaria a universidade do irmão. Não, ele não deixaria que alguns analgésicos arruinassem tudo pelo que lutara tanto.

— Está sentindo dor novamente?

Joe engoliu a pílula e tomou outro gole do chá gelado antes de se virar para Connor, que estava encostado no batente da porta observando-o.

— Estou bem — disse Joe ao examinar o irmão mais velho de perto, surpreso ao vê-lo, pois Connor raramente aparecia. Quando isso acontecia, normalmente usava roupas brancas e um uniforme de laboratório, pois trabalhava uma quantidade ridícula de horas como médico. Connor era o bonitão da família e Joe e os irmãos gostavam de implicar com ele por causa da aparência. Naquele dia, Connor usava um terno escuro e uma gravata de seda azul.

— Estou feliz por ter aparecido — disse Joe. — Tem algum encontro especial?

Connor respondeu com um meio sorriso. — Nada de encontros. Eu estava em uma conferência perto daqui. Mamãe disse que você precisava de ajuda para carregar móveis, mas parece que já cuidaram de tudo.

— Agradeço mesmo assim. Como estão as coisas?

— Tudo bem — disse Connor. Ele acenou com a cabeça em direção à mala no armário. — Se precisar de ajuda para se livrar dessas pílulas, basta me avisar.

— Obrigado pela oferta — disse Joe —, mas estou bem. O joelho está muito melhor. Na verdade, estarei completamente novo antes de começar a pré-temporada. — Joe não se preocupou em explicar que tinha o mesmo frasco de pílulas havia tanto tempo que estavam quase vencidas. Sabia que o irmão tinha a tendência a achar que qualquer pessoa que tomasse algo mais forte do que uma aspirina simples tinha problemas de vício. Dois anos antes, Connor perdera a mulher para as drogas e nunca mais fora o mesmo. Joe não via finalidade alguma em esclarecer o assunto. De que adiantaria? Em vez disso, ele conduziu o irmão para fora do quarto e pelo corredor curto que levava à sala de estar.

— Então, agora que se mudou para um apartamento do tamanho do quarto principal da sua casa em Malibu, o que vai acontecer a seguir? — perguntou Connor.

— Agora, vou viver um dia de cada vez e torcer pelo melhor.

— Olha, mamãe! É o Hollywood!

Ninguém se preocupara em fechar a porta da frente. Joe riu quando viu a cabecinha coberta de cachos olhando para dentro do apartamento novo. — Olá, Lexi, como vai?

— Quem é essa? — perguntou Connor.

— É a filha de Satã — disse Joe baixinho.

Connor inclinou a cabeça para olhar melhor para a garotinha. — Ela parece uma garota bem doce.

Joe deu uma risada. — Não me entenda mal. A garota é ótima, é a mãe...

Sandy alcançou a filha e olhou para dentro do apartamento antes que ele conseguisse terminar a frase.

— Ela não parece com Satã — disse Connor baixinho.

— Não se pode julgar um livro pela capa — disse Joe. — Nunca se esqueça disso.

— Desculpe — disse Sandy, enquanto lutava com sacolas e pacotes e, ao mesmo tempo, tentava pegar o braço de Lexi antes que a filha entrasse no apartamento de Joe.

Tarde demais.

Cliff estava na cozinha guardando pratos e utensílios, enquanto Brad instalava a televisão. Jake estava sentado no sofá tomando o chá gelado e só sobrou Connor para ir até a porta e ajudar Sandy com os pacotes.

— Estou bem — disse ela.

— Não tem problema — disse Connor, pegando as sacolas mesmo assim.

Lexi puxou a perna da calça de Joe. — Quer desenhar? Tenho lápis de cera novos.

Joe se ajoelhou sobre o joelho saudável para que o topo da cabeça de Lexi ficasse na altura do peito dele. — Você está com sorte. Meu irmão, Jake, adora colorir. — Joe apontou para o sofá onde Jake estava sentado.

Lexi não perdeu tempo e levou os lápis e o caderno de colorir até ele.

Jake ficou pálido quando a criança sentou no colo dele e acomodou-se. Lexi abriu o caderno de colorir com animais e colocou o dedo sobre a primeira imagem que viu. — Primeiro o leão. Ele rosna alto. — Lexi rosnou

algumas vezes e sorriu, orgulhosa de si mesma.

Sandy ficou parada na porta e balançou a cabeça. — Desculpe, ela é rápida demais para mim hoje em dia.

— Jake não se importa — disse Joe. — Ele era o melhor em colorir na época do jardim de infância.

O olhar que Jake lançou na direção de Joe dizia que o irmão daria o troco mais tarde.

— Ahhhh — disse Lexi a Jake. — Eu gosto de você.

Jake forçou um sorriso ao pegar o lápis que Lexi enfiou na mão dele e começou a colorir.

Sandy olhou em torno do apartamento. — Então, qual de vocês mora aqui? — perguntou ela a Joe.

— Joe alugou o apartamento por alguns meses — respondeu Brad.

— É mesmo? E Demi sabe disso?

— Ainda não. — Joe acenou em direção a Jake, tentando mudar de assunto. — Sandy, gostaria de apresentar alguns dos meus irmãos. Jake é o que está colorindo. Cliff está na cozinha desempacotando algumas coisas e Brad é o cara que está mexendo na televisão. — Os três a cumprimentaram com um aceno ou um olá. — O cara bem vestido com as suas sacolas é Connor.

Ela sorriu e olhou para todos eles, menos Connor. Joe ficou surpreso ao vê-la tímida, apesar de nunca ter imaginado que ela tivesse uma célula sequer que fosse tímida.

— Você disse "alguns dos seus irmãos"? — perguntou ela. — Há mais deles?

— Há mais três — disse Connor. — Garret, Lucas e Aaron. E duas irmãs, Rachel e Zoey.

— Sua mãe deve ser uma mulher e tanto. Eu já tenho trabalho mais do que suficiente com uma.

— Ela é — disseram os irmãos em uníssono.

Joe achou que Sandy parecia uma pessoa diferente naquele dia. Parecia relaxada, como se tivesse baixado a guarda. Ou talvez tivesse feito as pazes com o fato de que ele fazia parte do panorama e seria melhor se todos tirassem o melhor proveito disso.

Ela olhou por sobre o ombro e disse: — Ah, olhe, lá está Demi. Vamos, Lexi, está na hora de ir embora.

Joe passou pelos convidados e encaminhou-se para a porta, de onde viu Demi subindo a escada até o apartamento dela. Ela levava Ryan em um pequeno berço.

Ele a cumprimentou quando ela chegou ao topo da escada. — Olá.

Ela parou no último degrau. — O que você está fazendo aqui?

— Eu moro aqui agora. — Ele apontou para o apartamento.

Ela olhou na direção para onde ele apontava e viu Sandy rodeada de homens. — O que Sandy está fazendo lá?

— Ela e Lexi vieram dizer olá. Eu esperava que você pudesse fazer o mesmo. — Ele levantou um dedo. — Um minuto do seu tempo, é só o que peço, o suficiente para que meus irmãos vejam o sobrinho deles.

Demi passou por ele e colocou o berço no tapete em frente ao apartamento dela para que pudesse procurar as chaves na bolsa. — Você não deveria ter se mudado para cá. Não acredito que tenha usado um golpe tão baixo.

Joe não respondeu. Não queria discutir com ela porque, a verdade seja dita, sabia que Demi não gostaria da ideia. Em vez disso, ele observou Ryan tentando colocar a mão minúscula na boca. Fazia apenas alguns dias desde que vira o filho e parecia que Ryan dobrara de tamanho. — Ei, garotinho — disse ele ao se abaixar para falar com ele. — Você está crescendo muito depressa, hein?

Os dedos de Ryan se fecharam em torno do polegar de Joe. O garoto cheirava a talco de bebê e mamadeira. — Olhe só isso. Ele já consegue agarrar com força. Um dia, você jogará futebol, igualzinho ao seu pai, não é?

Demi desapareceu dentro do apartamento e largou a bolsa sobre a mesa com um baque surdo.

Ela voltou para onde ele estava sobre Ryan e cruzou os braços sobre o peito. — Um minuto — disse ela. — É tudo o que conseguirá. E Ryan não será jogador de futebol quando crescer.

Levou um momento para que ele registrasse o que ela dissera. O comentário sobre futebol o distraíra. Mas, mais importante que isso, ele não esperara que Demi concordasse com o pedido de apresentar Ryan aos irmãos.

Ele se levantou, achando melhor andar logo e tirar vantagem do humor dela. Mas, antes que pudesse pegar o berço, Demi se abaixou e pegou Ryan nos braços.

Joe a seguiu de perto quando ela se encaminhou para o apartamento dele.

Ryan começou a chorar.

— Esse é o Ryan? — perguntou alguém quando Demi entrou no apartamento.

Brad chegou primeiro ao lado de Demi. — Posso segurá-lo?

— Não acho que seja uma boa ideia — disse Joe.

— É claro que pode. — Ela colocou Ryan nos braços do irmão dele. — Assim. — Ela mostrou a Brad como posicionar o cotovelo. — Você pode usar o braço para apoiar a cabeça dele. Isso, assim mesmo.

— Olhe só isso! — exclamou Brad. — Ele parou de chorar.

— Ele não gosta da mãe dele — disse Lexi ao pegar outro lápis da caixa ao lado de Jake.

— Isso não é verdade — disse Sandy à filha. — O que foi que eu lhe disse sobre isso?

— Você disse que não tem problema porque muitos bebês não gostam da mãe deles.

— Eu não disse isso. — Sandy olhou para Demi e deu de ombros, como se pedisse desculpas.

Demi pareceu determinada a ignorar todo mundo ao continuar a ajudar o irmão de Joe com Ryan.

Um nó se formou na garganta de Joe. Qual era o problema dele? Toda vez que ficava perto de Demi e do filho, uma onda de emoções o invadia.

Cliff e Connor estavam em volta do bebê, sorrindo e fazendo caretas para Ryan. — Você fez um bom trabalho — disse Connor para Joe depois de olhar rapidamente para Ryan.

— Ele não fez nada — disse Demi.

Ela estava furiosa por ele ter alugado o apartamento, não havia a menor dúvida.

Cliff riu com o comentário dela. — É incrível como essa história de doação funciona. Não demorará muito para que as mulheres não precisem mais dos homens.

— Você sabe o que dizem — comentou Jake. — Não se pode viver com eles e não se pode viver sem eles.

Sandy fez uma careta.

— É o que mamãe diz ao papai há anos — disse Brad antes de começar a fazer sons ridículos para o bebê.

Demi sorriu com as bobagens de Brad, um sorriso genuíno que mostrou a Joe que ela começava a aceitar os irmãos dele. Pelo menos, um deles.

— Ganhei lápis novos, Demi! — gritou Lexi no ouvido de Jake, fazendo com que ele se encolhesse.

— Você é uma garota de sorte — disse Demi. — O que está fazendo?

— Brincando com o meu amigo novo.

— Muito bem — disse Sandy, balançando a cabeça e tentando não parecer que estava se divertindo. — Acho que está na hora de irmos embora.

— Lamento pelo atraso — Demi disse a Sandy. — Você sabe como o trânsito é horrível nessa hora do dia.

— Não se preocupe. Lexi sempre consegue achar alguma coisa para fazermos.

— Eu preciso ir — disse Demi. — Foi um prazer conhecer vocês todos.

— Antes de ir — disse Brad —, mamãe ficaria eternamente grata se você levasse Ryan a um churrasco na casa dela no próximo fim de semana. Todos nós estaremos lá.

Joe notou o olho de Demi se contrair, um sinal certo de que ela se sentia desconfortável. Ele vira o mesmo movimento no dia em que aparecera na porta dela inesperadamente.

— Não acho que seja uma boa ideia — disse ela.

— Lexi pode andar de pônei — comentou Cliff.

Lexi largou o lápis e gritou o mais alto que conseguiu: — Pônei!

— E Jake estará lá — Joe disse a Lexi, fazendo com que ela pulasse no colo de Jake enquanto batia as mãos de puro prazer, o que resultou em uma careta do irmão.

— Seus pais têm um pônei? — perguntou Sandy.

— Eles têm uma fazenda de pôneis — respondeu Connor.

— Mamãe adoraria se vocês aparecessem para o jantar no domingo — Cliff disse a Sandy, deixando claro que ela e a filha também estavam convidadas.

Brad assentiu. — E não aceitaremos um não como resposta.

7 comentários:

  1. Demi tem de deixar de ser tão tímida, os irmãos de Joe parecem ser uns amores :)

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  2. Vai ser interessante a Demi ir à casa dos pais de Joe e encontrarem-se lá todos, incluindo o Aaron e a Maggie :)

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  3. Nem consigo dormir porque quero ler a história e fico clicando no botão do refresh!!!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Também quero muito ler mais um capítulo desse história, hoje não largo este blog..

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  5. Descobri este blog através do blog da Sexóloga e meu deus tanto um como o outro têm histórias fantásticas, estou a adorar :D

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