18.6.16

Paixão Inesperada - Epilogo


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Demi
Alguns meses depois...
— Não filha, você se senta ali, ao lado de Joe. — Mamãe me repreende quando faço menção em me sentar em algum lugar aleatório. Reviro os olhos e com um sorriso divertido vou me sentar no lugar escolhido por ela.
— Pessoal, venham logo, a ceia está na mesa. — Mamãe grita para os que ainda não vieram se sentar na enorme mesa posicionada no meio do jardim, nos fundos da casa.
Sei que pode parecer meio estranho uma ceia de Natal ao ar livre, mas contrariando o clima típico para essa época do ano, o Texas está sofrendo com uma onda de calor mais intensa que o normal, tornando a comemoração impossível em um lugar fechado.
Mas penso que deveríamos começar fazer nossas comemorações no lado de fora todos os anos, é muito mais agradável. Estou adorando ver a mesa enorme e farta, com tanta comida que quase não se pode ver a toalha por baixo, mas também, com todas as pessoas convidadas não poderia ser diferente. Não que eu esteja reclamando, estou adorando ter os nossos amigos e familiares reunidos.
Mamãe, Selena e Dani fizeram um ótimo trabalho com a comida, eu e Miley também ajudamos, e posso dizer com orgulho que pelo que eu provei, a minha parte ficou igualmente deliciosa. Além da comida e da companhia, o lugar foi enfeitado muito lindamente.
A nossa árvore ficou lá dentro, é claro, mas a decoração da casa e do jardim ficaram de tirar o fôlego. Como eu adoro essa época do ano.
Luzes pisca-pisca enfeitam toda a casa, além de se infiltrarem pelos galhos das árvores e dos arbustos.
Logo vejo Joe surgir de dentro da casa, ele está conversando animadamente com seu melhor amigo, conhecido também como “meu irmão idiota que foi perdoado”. Um sorriso enorme toma conta do meu rosto quando vejo o pequeno embrulho de quase um aninho usando um vestidinho cor de rosa em seu colo. Não adianta, Joe é um pai tão coruja, não importa quantas vezes eu diga que ele vai acabar estragando-a sempre carregando-a no colo, basta eu virar as costas e ele pega Jessica nos braços.
Mas sinceramente, eu amo isso. Ver ele com nossa filha só faz com que eu me apaixone cada dia mais por ele. Não poderia pedir um pai melhor para a minha pequena Jessica. Ele é sempre tão carinhoso com ela, ele a ama de uma forma que enche meu coração de amor pleno e puro, tão forte que sempre me provoca lágrimas. E ela o adora, quando ele chega do trabalho e vai vê-la, ela abre os bracinhos e os agita freneticamente, fazendo diversos barulhos que Joe jura ser ela falando ‘papai’. Ele que vá sonhando, sua primeira palavra será ‘mamãe’.
Joe sorri quando se aproxima e vê que eu o observo. Ele vem e se senta ao meu lado, segurando nossa filha meio sonolenta nos braços.
Acaricio as bochechas macias de Jessica e ela segura meu dedo indicador com sua mãozinha pequena e gorducha, soltando um bocejo. Ela é a coisinha mais linda que eu já vi. Puxou meus cabelos claros, mas seus olhos são azuis como os do pai.
Nessa noite especial, muitos dos nossos amigos e parentes estão conosco, e enquanto eles vão se aproximando e sentando-se em qualquer lugar, deixando mamãe com uma expressão desesperada – que me faz rir – Trey, um menininho adorável de três anos para entre Joe e eu e fica encarando Jessica em silêncio.
Ele é filho dos nossos novos vizinhos, Wayne e Amy Callahan, que compraram um pedaço de terra a alguns quilômetros de nós, cinco meses atrás. Trey ficou fascinado por Jessica desde o momento em que nós fomos com ela até sua casa para desejar boas vindas à família Callahan. Wayne e Amy não demoraram muito para conquistar a simpatia tanto dos Lovato quanto dos Jonas, e nossas famílias se tornaram amigas.
Sempre que Jessica está presente, Trey fica rondando quem quer que esteja com ela no colo. Uma vez ele insistiu que queria segura-la, quando Amy disse que era melhor não, afinal ele era só uma criança e Jessica ainda era muito pequena e frágil, ele lhe disse:
“Por favor, mamãe. Ela é tão bonita, prometo cuidar direitinho dela”.
Jessica foi então para o seu colo, e ele a segurou em seus bracinhos e olhou no fundo dos seus olhos e sorriu.
A partir desse dia Amy e eu sempre brincávamos com a possibilidade deles acabarem se apaixonando quando ficassem mais velhos, claro que não falávamos a sério, mas Joe não gostou nada disso mesmo assim. Não por fazer alguma objeção a Trey ou a sua família, mas por puro ciúmes da filha.
“Não fale uma coisa dessas nem brincando. Jessica não vai namorar”.  Ele disse quando eu comentei pela primeira vez sobre como Trey parecia hipnotizado por nossa filha, eu nada disse, apenas sorri. Doce ilusão.
Não posso nem imaginar a tortura que será para Joe quando ela crescer e os meninos começarem a se interessar por ela, ou pior, quando ela começar a se interessar por eles.
— Oi Trey, tudo bem, campeão? — Pergunto bagunçando lhe os cabelos.
— Aham... — Ele esconde as mãos atrás das costas e balança o corpinho timidamente. — Posso pegar ela?
— Ah sinto muito, mas a Jessica está dormindo agora, vamos deixar ela no colo do pai por enquanto e depois do jantar você a segura, pode ser?
Ele me olha decepcionado e assente, então se afasta cabisbaixo.
— Ele é um amor, parece gostar tanto da Jessica. Tenho a sensação que eles serão grandes amigos e talvez...
— Não comece, amor. — Joe diz me cortando e eu sorrio.
Finalmente todos já estão à mesa. Todos os Lovato e os Jonas, inclusive Holly e seu novo namorado, Fernando, que foi seu psicólogo enquanto ela estava internada e acabou se apaixonando por ela. Meus avós e os de Joe, os pais de Dani, meus tios e tias e primos, Mitchie e Aaron – que estão noivos! – e Jason, Wayne, Amy, o pequeno Trey e o seu irmão, Tyler. Todos reunidos para celebrar o Natal.
Joe deita Jessica em sua cadeirinha de bebê e a coloca entre nos dois. Papai se levanta e pede silêncio, pede que todos juntemos as mãos e oremos.
Ele faz uma oração/discurso, agradecendo a Deus pela oportunidade de poder reunir aqueles que são importantes em nossas vidas. Agradecendo a minha recuperação total e a saúde de Jessica, agradecendo a paz e harmonia que se instaurou em nossas famílias, agradecendo nossos amigos antigos e os recém-chegados. E encerrando com um pedido que essa alegria nos acompanhe por muitos e muitos anos.
— Amém. — Todos dizem em uníssono.
Papai faz as honras e corta o peru enorme com molho de cranberry, distribuindo um pedaço para cada um. Sirvo-me com purê de batatas, bolinhos assados, legumes, além de é claro, um suculento e generoso pedaço de peru.
Como sempre acontece em uma família grande, o barulho das conversas é ensurdecedor. Um grupinho conversa sobre algo aqui, outro grupo conversa sobre outro assunto ali, e pronto, a deliciosa bagunça está feita.
Estamos todos conversando animadamente depois do jantar, esperando alguns minutos para fazer a digestão e finalmente comer a sobremesa.
Adivinha o que mamãe preparou? Isso mesmo, torta. Dessa vez de abóbora, como manda a tradição.
— Com licença...Humm...Com licença. — Uma voz se eleva e se sobrepõe a todas as outras, ficamos em silêncio imediatamente e olhamos curiosos para Nick.
— Eu gostaria de falar algumas palavras. — Ele diz com um sorriso no rosto. Todos nos ajeitamos em nossos lugares e o encaramos estaticamente.
— Primeiramente, queria dizer o quanto estou feliz por estar aqui reunido com a minha família e com nossos amigos. Queria agradecer Joe e Demi por terem sidos compreensivos comigo e terem perdoado as burradas que eu fiz, queria agradecer a minha esposa linda por ter sido paciente comigo e por me aguentar todos esses anos. Queria agradecer a todos vocês por fazerem parte da minha vida, mas acima de tudo, gostaria de agradecer a Deus... — Ele estende a mão para Selena, ela a segura e se levanta, ficando ao lado do marido. — Por ter colocado essa linda mulher no meu caminho, e apesar das dificuldades, por ter me abençoado com a felicidade de ser pai.
Nesse momento o caos – de um jeito bom – se instala na mesa. Todos se olham, sorriem e falam ao mesmo tempo.
— Oh meu Deus, Selena, você está grávida? — Mamãe pergunta colocando a mão na boca e se levantando para abraça-la.
— Você vai ser vovó de novo, mãe. — Nick diz com um sorriso enorme. Todos nos levantamos e vamos aos poucos dar os parabéns aos mais novos papais do pedaço.
Estou imensamente feliz por Nick e Selena, depois de descobrir o tumor de Selena e dela fazer a cirurgia, todos ficamos com muito medo que ela não conseguisse engravidar. Eles ficaram todos esses messes tentando e agora, finalmente, eles vão realizar o sonho de ter um filho.
“Ah meu Deus, eu vou ser titia”.
Dou um abraço apertado em Selena e depois em Nick.
— Parabéns, Selena. Quantas semanas? — Pergunto.
— Seis. — Ela responde com um sorriso do tamanho do Texas, não, do tamanho da Rússia, e esfrega a barriga.
— Estou tão feliz por vocês, Selena. Será que vai ser uma menininha para fazer companhia para a Jessy? — Pergunto passando a mão em sua barriga.
— Será? Eu estou tão feliz que não pensei sobre se eu quero um menino ou uma menina. Nick quer os dois. — Ela diz rindo.
A euforia que a notícia da gravidez de Selena provocou se segue, e quando Miguel pede a atenção de todos, mamãe já começa a balbuciar sobre mais um netinho.
— Calma, Dianna. Miley não está grávida. Não está, não é amor? — Ele pergunta para ela fingindo preocupação e todos rimos.
— Não, mas também temos uma novidade para vocês. — Ela diz se aconchegando nos braços de Miguel.
Eles se olham com um sorriso apaixonado e parecem se esquecer de nós, ficamos encarando-os com expectativa e então finalmente eles dizem juntos.
— Vamos nos casar. — Uma série de gritinhos, palmas e exclamações se seguem. Mamãe parece radiante, acho que nunca a vi tão feliz.
Também, com tanta notícia boa, quem não ficaria assim?
Corro para abraçar minha irmã e lhe dar os parabéns. É aquela confusão, todos querendo abraça-los ao mesmo tempo, no meio disso tudo mamãe começa a chorar, então Miley chora junto com ela, Selena também vai na onda e quando vou ver eu também estou derramando lágrimas de felicidade.
Essa noite com certeza vai ficar marcada em minha memória com uma das mais felizes da minha vida, claro que nenhuma memória vai superar a do dia do meu casamento e o dia em que vi pela primeira vez minha pequena Jessy. Ou quando vi Joe a fazendo dormir pela primeira vez, ah sim, aquele dia foi emocionante e feliz além dos níveis imagináveis.
Nossa comemoração se estende noite adentro, presentes são trocados, histórias de infância são contadas, os sorrisos e risadas são fáceis e os corações de todos estão em paz. Essa noite quase parece algo mágico, daquelas que só se encontra nos finais felizes de livros.
Ao passar das horas, nosso grupo vai diminuindo, quando Amy e Wayne decidem que está na hora de ir embora, Trey começa a chorar.
— Mas Jessy e eu estamos brincando, não quero ir para casa. — Ele diz na sua voz melodiosa de criança e faz um biquinho.
Na verdade ele está brincando sozinho, Jessy é tão pequena ainda que só fica olhando para ele com seus grandes olhos azuis, mas Trey parece não se importar que Jessy ainda não consegue responder as perguntas que ele faz para ela, ou que ela não possa correr com ele.
Eu o escutei cochichando para ela uma vez:
“Não vejo a hora de você falar e andar, Jessy. Vamos correr e brincar o dia inteiro, você vai ser minha melhor amiga, não vai?”
Se Trey fosse filho único, até poderia achar que esse apego com Jessica fosse carência, mas ele e o irmão Tyler se dão bem e vivem brincando, acho que ele simplesmente ficou encantado com Jessica.
Joe decide que é melhor irmos para casa também, Jessica parece exausta e admito que foram emoções demais hoje e eu também estou cansada.
Então nos despedimos de todos e seguimos para o carro.
— Não acredito que Selena está grávida, estou tão feliz por eles. — Comento enquanto Joe arruma a cadeirinha com Jessica no banco detrás.
— Eu sei, eles merecem depois de tudo o que passaram com a doença de Selena. Fico feliz que Nick vai poder ter a alegria de ser pai, assim como eu. — Ele fecha a porta e espio pela janela Jessica dormindo.
— E Miley vai casar.
— Essa noite realmente foi cheia de notícias boas. Quase achei que Kevin iria se levantar e dizer que Dani estava grávida também.
— Essa fazenda ficaria cheia de crianças.
— Talvez possamos contribuir com mais uma ou duas crianças. — Um sorriso lento e safado surge em seus lábios, ele me puxa pela cintura e acaricia meu rosto gentilmente antes de me beijar apaixonadamente.
Envolvo meus braços em seu pescoço e lhe dou total acesso, sua língua brinca com a minha e eu mordo seu lábio inferior, fazendo-o soltar um gemido baixo e torturado.
— Vamos logo para casa, quero deitar minha linda esposa em nossa cama e fazer amor com ela o resto da noite. — Ele sussurra para mim, fazendo meu corpo se arrepiar.
— Será um prazer lhe atender, Sr. Jonas. — Ele me dá mais um beijo antes de abrir a porta do carro para que eu entre.
Seguimos pela estrada de terra iluminada apenas pelos faróis do carro, a fazenda linda que Joe comprou não fica muito distante daqui, apenas alguns quilômetros, fica no meio do caminho entre a fazenda da minha família e a dos Callahan.
— Eu já disse o quanto te amo hoje? — Joe pergunta tirando a mão do câmbio e entrelaçando seus dedos nos meus.
— Não o suficiente. — Brinco com ele.
— Bem, então tenho que me esforçar mais. — Ele pisca para mim. — Que tal eu te mostrar o quanto eu te amo quando chegarmos em casa?
— Promessas, promessas... — Digo revirando os olhos.
— Ah Demi, assim você vai acabar levando umas palmadas. — Ele diz com a voz baixa e sedutora.
— Mais promessas, Sr. Jonas, espero que você tenha mesmo a intenção de cumpri-las. — Ele me lança um olhar cheio de luxúria e um sorriso malicioso.
— Eu vou cumprir cada uma, Sra. Jonas, cada uma. — Suas palavras lentas e sugestivas me aquecem, aperto sua mão e levo-a até a boca, dando-lhe um beijo.
Um sorriso preguiçoso se forma em meus lábios. Essa é a vida que eu sempre quis, esse é o tipo de felicidade que eu tanto ansiava.
Graças a Deus que eu aceitei aquela proposta.
                                                                   Fim...                                           ...ou quase...
Eu sei que vocês estão curiosos sobre o que aconteceu com Eva, Vince e Aletta. Não se preocupem, eu não iria embora sem lhes satisfazer essa curiosidade.
Bem, vocês acreditariam se eu dissesse que Vince e eu meio que nos tornamos amigos? Pois é, eu sei, não nos falamos todos os dias, ou visitamos a casa um do outro – até porque ele não mora mais no Texas – mas depois de tudo o que aconteceu na minha vida, percebi que não adiantava de nada guardar rancor ou magoa em meu coração. É claro que a situação é complicada, mas eu o perdoei de coração e às vezes nos falamos por telefone, ele está morando em Nova York e – pasmem – ele conseguiu realizar o grande sonho de jogar no New York Giants. Ele está no começo da carreira, mas já está chamando bastante atenção da mídia, e das mulheres. Parece que Vince não tem jeito mesmo, ele é visto a cada semana com uma mulher diferente. Acho que esse simplesmente é o jeito dele, e eu só posso desejar que ele seja muito feliz com a vida que escolheu para si.
Claro que Joe não gosta muito dessa amizade entre Vince e eu, sempre que os Giants vencem e ele liga para mim perguntando se eu assisti o jogo, Joe fica puto, sai da sala e vai brincar com Jessy.
Mas Joe sabe que ele é o único homem na minha vida, e essa minha relação com Vince é apenas uma amizade que foi construída tendo como base o carinho que sobreviveu a toda a magoa do passado.
É muito mais fácil esquecer, perdoar e deixar o passado no passado quando se esta casada e extremamente feliz, as minhas memórias com Vince são apenas isso, memórias. Nem boas ou ruins. São o que são e já não influenciam minha vida de forma alguma.
Quanto a Aletta, bem, sinceramente não sei muito sobre ela e não faço questão de saber. Por causa do acidente e da minha gravidez, tive que tirar uma licença da faculdade, ainda não voltei a estudar, mas espero logo poder recomeçar de onde eu parei e me formar.
A última vez que eu escutei sobre ela foi através de Miley, parece que um dos caras com que ela dormiu tinha AIDS e Aletta levou um baita susto achando que poderia estar infectada também e que iria morrer. Acabou que ela está bem e saudável, mas sabe como são as más línguas da UTD, o boato de que ela tinha AIDS se espalhou por todo o campus e ninguém quis mais chegar perto dela, como se AIDS fosse igual gripe e pudesse passar através de um espirro. Não adiantou nada ela dizer que tinha feito o exame e tinha dado negativo, ela ainda sofre preconceito como se realmente estivesse doente. Deve estar sendo horrível, mas espero que isso sirva para ela mudar e aprender que nem sempre aqueles que estão na farra com você, podem ser considerados seus amigos.
E quanto a Eva, bem, me desculpem mas esse é um assunto que não gosto muito de falar. Vocês me entendem, não é? Mas posso, com tremendo alivio no coração, dizer que sua ação desesperada e hedionda teve consequências. Ela foi capturada, transferida para a prisão da
Califórnia e felizmente, só vai poder sair quando a minha pequena Jessy tiver seus próprios filhos.
É, parece que teremos muitos e muitos anos de paz e alegria pela frente.
Sei que eu não sou uma personagem de um livro e minha vida não é uma história de conto de fadas, mas me permitam terminar com uma frase que eu acho que se encaixa muito bem na minha vida ao lado de Joe e da minha filha...
“E viveram felizes para sempre!”

16.6.16

Paixão Inesperada - Capitulo 31 - A Fragilidade da Vida


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Demi
Um mês depois...
Sinto um aperto no peito ao observar Joe sentando em sua mesa encarando fixamente um ponto invisível. Como eu gostaria de poder fazer algo para anima-lo um pouco, tirar essa carga de raiva e desânimo de cima dele, mesmo ele tendo todo o direito de se sentir dessa forma, odeio ver o olhar derrotado em seu rosto.
Mesmo que Charlie tenha conseguido tirar o vídeo de Joe de circulação rapidamente, o pouco tempo em que ele ficou no ar, foi o suficiente para fazer alguns estragos.
Joe perdeu o emprego na Townsend. Eles disseram que não poderiam manter um funcionário, especialmente um que ocupa um alto cargo dentro da empresa, depois de um escândalo desse gênero, eles não queriam a figura de Joe ligada a marca deles. Joe acha que o fato dele ter perdido o contrato com Carlson Thompson, também ajudou seus superiores a tomarem a decisão de o mandarem para o olho da rua.
Joe ficou extremamente infeliz, porque além dele amar seu emprego, nós estamos planejando um casamento e vamos ter um bebê.
“Pior hora para se perder o emprego” ele disse. Tentei tranquiliza-lo e lhe dizer que não precisamos fazer nada de extraordinário para o casamento, que poderíamos cancelar várias das coisas que planejamos fazer e que são, de fato, descartáveis. Faríamos uma cerimônia simples e familiar.
Ele não gostou nada disso, disse que eu não deveria me preocupar porque tinha uma boa quantia guardada e que ele queria que eu tivesse o casamento dos meus sonhos. Ele parecia tão transtornado, que não me incomodei em lhe dizer que as fantasias do casamento dos meus sonhos nunca envolveram um vestido caro, uma comida fina ou uma decoração luxuosa. Minhas expectativas sempre estiveram voltadas ao noivo, o homem que estaria me esperando no final do corredor.
Joe atingiu todas as expectativas e com certeza as ultrapassou. Ele é tudo o que eu poderia querer.
Aproximo-me dele e quando Joe me vê, ergue o olhar e me dá um sorriso fraco.
— Minha linda. — Ele estende a mão para mim e eu me sento em seu colo. Seus braços fortes aquecem meu corpo e eu descanso minha cabeça em seu peito.
— Como está nossa pequena Winifred?
— Urgh...De todos os nomes que você tem usado, esse é o pior. — Ele ri e eu fico feliz ao ouvir esse som, fico mais feliz ainda por ter sido eu quem provocou essa reação nele.
— É um belo nome.
— É horrível, Joe. Nossa filha sofrerá bulling na escola.
— Sofrerá? Então você desistiu e vai assumir que eu estou certo?
— Nunca, ainda acho que é um menino. — Digo encarando-o nos olhos e sorrindo com um misto de confiança e zombaria.
Ele me abraça e ficamos algum tempo em silêncio, apenas escutando nossas respirações. Apoiada em seu peito, escuto o reconfortante bater do seu coração, que junto com o meu, se ajustaram para baterem em sincronia, como se fossemos um só.
— Acho melhor você ir para a cama, precisa descansar.
— Só se você for comigo. — Digo.
— Acho que vou ficar aqui mais um pouco. — Levanto a cabeça e encaro-o seriamente nos olhos.
— Odeio ver você assim, meu amor. Sei que essa situação toda envolvendo o...Bem, eu sei como você deve estar se sentindo, mas não desanime. Tudo vai dar certo no final, você vai ver.
— Queria ter o seu otimismo...Eu perdi meu emprego, milhões de pessoas por todo o pais me viram fazendo coisas das quais eu me arrependo, incluindo seus colegas...
— Já disse para você não se preocupar com eles, eu não ligo para os comentários maldosos, você também não deveria.
— E tem seus pais.
— Eles não viram o vídeo.
— Mas agora eles sabem da existência dele, o que para mim é suficiente.
— Eles foram muito compreensivos.
— Eu sei, mas isso não diminui a vergonha que eu sinto. Aposto que eles devem estar tão orgulhosos do homem que vai casar com a filha deles. — Ele diz sarcasticamente.
— Hey... — Seguro com ambas as mãos seu rosto. — Não fale assim. Você é um homem honesto, inteligente, de bom coração, carinhoso com sua família e comigo, é claro que você é alguém de quem se deve ter muito orgulho. Eu sei que eu tenho, e nossa filhinha também terá.
Vejo seus olhos se enxerem de emoção, ele me trás para mais perto e me aperta firme contra seu corpo.
— Eu te amo tanto. Vocês duas são tudo para mim.
— Não se preocupe, eu sei que logo você vai arrumar outro emprego. Você é brilhante. — Digo encorajando-o.
— E se eles não me quiserem por causa do escândalo?
— Então são eles que vão sair perdendo. — Ela dá uma risada fraca e depois suspira.
— Ah Demi, não sei o que eu faria sem você, meu amor.
Joe
Nunca fui uma pessoa muito paciente, sempre quis ter tudo na hora, por isso essa espera está me matando. Porque eles não ligam logo? Mesmo que seja para me recusar, assim pelo menos eu teria uma resposta.
Até agora não recebi nenhuma ligação de nenhuma das três empresas nas quais eu deixei meu currículo. Talvez eu devesse começar a procurar emprego nas empresas menores, o salário não seria tão bom, mas pelo menos eu não estaria desempregado.
Tomo mais um gole do meu uísque e tento não deixar meus pensamentos irem pelo caminho sombrio que eles parecem tanto quererem seguir.
“Espero que ela sofra muito na prisão”.
Fecho os olhos e tento pensar em qualquer coisa, menos na raiva que eu sinto de Eva. Eu prometi para mim mesmo que não iria mais pensar nela, mas é difícil quando o ódio que cresce em meu coração parece se enraizar cada vez mais.
Eu quero tanto destruir essa mulher, tanto. Mas Demi me fez prometer que eu não deixaria o ódio tomar conta, e eu estou tentando profundamente.
Assim que ouço o toque do meu celular, atravesso a sala com três longas passadas e o pego, na pressa, esqueço-me de ver o nome no visor.
— Alô?
— Joe, sou eu. — Sinto uma pontada de decepção ao ouvir a voz de Charlie Spencer do outro lado.
— Ah oi, Charlie.
— Ainda bem que eu te encontrei, preciso falar com você agora mesmo. — O tom de urgência em sua voz me alerta que algo não está certo.
— O que aconteceu, Charlie?
— É sobre Eva...Ela fugiu da cadeia essa manhã.
Demi
Meu celular toca pela quinta vez só essa manhã, não preciso olhar o visor para saber quem é.
— Oi amor. — Digo revirando os olhos.
— Oi, onde você está agora? — Joe pergunta com aquele tom protetor e preocupado que assumiu há três dias, quando descobrimos que com a ajuda de seu advogado, Eva havia conseguido fugir da cadeia.
— Estou na mesma loja que estava quando você me ligou há uma hora. — Digo passando pela sessão de carrinhos.
— E está tudo bem?
— Sim, tudo na mais perfeita ordem, não precisa se preocupar.
— Não sei não, acho melhor eu ir te encontrar, podemos fazer as compras juntos.
— E a sua entrevista, como fica?
— Que se dane a entrevista, prefiro ficar ao seu lado e me certificar que você e nossa princesa vão ficar bem.
— Joe, sinceramente, acho que você está se preocupando demais, amor.
— Como você pode estar tão calma? Aquela maluca está solta por aí, Deus sabe onde e planejando Deus sabe o que.
— Eva pode ser maluca, mas ela não é burra. Acha mesmo que ela correria o risco de ficar por aqui e ser presa novamente?
— E Miley, ela não pode ficar com você? — Esfrego a testa e solto um suspiro frustrado.
— Você já perguntou isso, lembra? Ela tem as suas próprias coisas para resolver.
— E a sua mãe, ela não pode te acompanhar?
— Joe, até mamãe achar alguém para traze-la até Dallas e até ela chegar aqui, eu já terminei as minhas compras.
— Mas e se...
— Não se preocupe, ok? Estou quase terminando por aqui, comprei umas roupinhas lindas. — Digo acariciando minha barriga com a mão livre.
Estou com 15 semanas e minha barriga já está bem grandinha e redonda, adoro ficar passando a mão por ela.
— Tudo bem, só tome cuidado. E me avise quando estiver voltando.
— Tudo bem, não se preocupe comigo. Se concentre em arrasar nessa entrevista, você vai conseguir o emprego, você é o melhor. — Quando ele responde, sinto o sorriso em suas palavras.
— Vou fazer o meu melhor, obrigado acreditar em mim, amor.
— Eu sempre acreditei em você, Joe, sempre. Tenho muito orgulho de você, amor. Te amo.
— Eu também te amo, muito. Vou desligar, acho que está chegando minha vez.
— Tudo bem, até logo.
— Até logo...Ah, diga a nossa pequena Gina que papai mandou um oi.
— Ok, eu digo. — Digo com um sorriso bobo se formando em meus lábios. Se Joe já é tão carinhoso agora, imagine depois que esse bebê nascer. Ele será um pai maravilhoso.
Desligo o telefone e continuo andando pela enorme loja para crianças. Isso é muito divertido, estou adorando andar por esse lugar e ver as roupinhas, os sapatinhos e os brinquedos e imaginar que logo o meu bebezinho vai estar em meus braços e o apartamento de Joe vai estar cheio de brinquedos jogados pelo chão.
Joe disse que queria comprar uma fazenda em Wills Point, uma de preferência ao lado da dos nossos pais, onde nossos filhos teriam muito espaço para correr e muitas árvores para subir, mas agora que ele perdeu o emprego, acho que não será possível. Bem, eles sempre terão a casa dos avós para fazerem isso.
Como ainda não sabemos o sexo do bebê, e eu estava conversando com Joe e tentando convence-lo que seria uma boa ideia esperarmos o dia do parto para descobrir, comprei muitas coisas que servem tanto para menina como para menino.
Mas admito que a sessão para meninas me chamou a atenção, e apesar de eu achar que é um menino, não pude resistir e comprei um vestidinho pelo qual me apaixonei assim que coloquei os olhos nele.
É um vestidinho de verão de manga e com babadinhos na saia, é cheio de bolinhas e tem um laço rosa na frente.
Depois de comprar várias roupinhas e alguns sapatinhos, vou até o caixa pagar por minhas compras. É nessa hora que meu celular toca de novo.
— Oi, amor, estou pagando pelas compras agora mesmo e devo estar em casa em no máximo quinze minutos.
— Ótimo, vá para casa direto e me espera lá, ok?
— Ok, aconteceu alguma coisa? — Pergunto estranhando sua voz.
— Não, não foi nada, é só que...Não sei, estou com uma sensação ruim no peito, um mau pressentimento. Me prometa que você vai pegar o carro e vai direto para casa.
— Eu prometo, mas eu não estou de carro.
— O que, porque não? — Ele parece irritado.
— A médica me aconselhou a fazer um pouco de caminhada, lembra? Não tinha intenção de vir até tão longe, mas aí eu vi essa loja e tinha umas coisinhas tão lindas na vitrine que eu...
— Tudo bem, termine aí e vá direto para casa. Nos encontramos lá...Ah merda, tenho que ir, acabaram de me chamar. Te amo, se cuide.
— Também te amo, boa sor... — Ele desliga. Encaro a tela do celular com a testa franzida. Joe tem estado meio sobrecarregado nesse últimos dias, por causa da fuga de Eva e da pressão imposta por ele mesmo de conseguir um trabalho tão bom quanto o seu anterior.
Entrego o dinheiro a moça e com um sorriso faceiro pego as sacolas e saio da loja.
Ando pelas causadas lotadas de Dallas com o sorriso da mulher mais feliz do mundo. Daqui cinco meses e uma semana eu vou estar sofrendo provavelmente a pior dor da minha vida, mas tenho certeza que vai valer a pena quando eu estiver segurando meu filho ou filha nos braços, com meu marido ao meu lado.
Não vejo a hora desse mês passar e o dia do meu casamento finalmente chegar.
Paro na beira da calçada enquanto espero o sinal para pedestres mudar de vermelho para verde.
Assim que o homem verde aparece para mim do outro lado da rua, piso na faixa de pedestres. Escuto um barulho alto e olho para o lado, um carro preto vem em alta velocidade. Não me preocupo já que o sinal está fechado para ele e continuo atravessando a rua. Quando o barulho do motor não diminui, muito pelo contrário, parece aumentar, olho para o lado de novo.
O carro preto está muito rápido, com pavor percebo que não vai dar tempo dele parar, ele vai me acertar.
Tento correr, mas não há tempo para que eu desvie. O carro vem com toda a sua velocidade e força destrutiva e me acerta.
Sinto uma dor insuportável da cintura para baixo quando a frente do carro acerta minhas pernas. O impacto faz com que eu passe rolando pelo para-brisa e voe por cima do carro, as sacolas se soltam de minhas mãos e solto um grito, ou pelo menos acho que tentei gritar enquanto estava voando no ar e logo em seguida caindo em direção ao asfalto duro.
Caio de costas com força, minha cabeça bate no chão e uma dor aguda se junta aquela que sinto em minhas pernas, sinto algo molhado escorrendo de minha cabeça, sinto gosto de sangue na boca.
“O que acabou de acontecer? Eu fui...Eu fui atropelada?”
Minha visão fica turva e a luz vai diminuindo, não consigo pensar, minha cabeça dói muito.
“Onde eu estou? O que aconteceu?”
Não consigo me concentrar em nada, meu corpo todo dói como se eu tivesse caído dentro de uma colheitadeira. Não consigo respirar, dói demais.
Escuto alguns gritos, mas estão abafados, muito longe.
“Será que estou sonhando?”
A luz vai diminuindo cada vez mais, e a última coisa que eu vejo antes dela sumir por completo e eu mergulhar na escuridão, é um vestidinho com laço rosa caindo em câmera lenta no chão.
Joe
A porta do elevador se abre, e eu com um sorriso no rosto e um buquê de flores nas mãos, entro no apartamento ansioso para contar a novidade para Demi.
Eu consegui o emprego. Ela vai ficar tão feliz e orgulhosa de mim.
— Amor? Cheguei. — Grito e minha voz ecoa pelo apartamento vazio. Estranho.
Fecho a porta atrás de mim olhando o apartamento com um vinco na testa. As luzes estão apagadas e tudo parece estar exatamente como eu deixei antes de sair.
— Demi, baby... — Acendo as luzes. — Amor? — Nada. Apenas o silêncio.
Vou até nosso quarto, mas está vazio. Banheiro, também vazio. Cozinha, idem.
Deposito o buquê em cima da mesa da sala de jantar e afrouxo a gravata. Que estranho, já era para Demi estar em casa, onde será que ela se meteu?
Pego meu celular para ligar para ela e solto uma maldição quando percebo que me esqueci de ligar o aparelho depois que sai da entrevista.
Assim que a tela volta à vida, sou bombardeado com dezenas de notificações de ligações e mensagens perdidas. Antes que eu possa verificar cada uma, o aparelho começa a tocar.
JAX chamando...
— Oi, Kevin. — Atendo.
— Joe? Graças a Deus, estou igual a um louco atrás de você.
— Acabei de chegar em casa, aconteceu alguma coisa? — Pergunto preocupado com o tom de desespero em sua voz.
— Ah Joe, eu nem sei como te contar o que aconteceu. É a Demi, irmão.
Meu sangue gela na hora e tenho que me apoiar na mesa.
— O que aconteceu com ela? Ela está bem? E a minha filha? Fale de uma vez, Kevin. — Digo angustiado.
— Joe, a Demi está no hospital, ela foi...Ela foi atropelada. — Suas palavras não passam de sussurros, mas é como se ele tivesse as gritado para mim.
Seguro a mesa com força e sinto como se tivesse acabado de levar um soco no estômago, não consigo respirar.
— Joe? Joe, ainda está aí?
— Estou aqui, Kevin. Pelo amor de Deus, me fale como ela está. — Digo sem fôlego, ainda lutando para conseguir respirar.
— Não sabemos, ninguém nos disse nada. Ligaram para nós há meia hora dizendo que ela tinha dado entrada no hospital, viemos correndo para cá, mas até agora não nós deram mais nenhuma informação. Dianna e Eddie estão desesperados.
— Como assim não deram informações? — Solto alguns palavrões e corro para a porta. — Estou indo para aí agora, tente descobrir como ela está, por favor. Preciso saber se ela e a minha filha estão bem. — Chamo o elevador e limpo as lágrimas que escorrem de meus olhos.
— Tudo bem, vou tentar descobrir algo, venha o mais rápido possível, tem um detetive aqui querendo falar com você.
— Um detetive? — Que porra um detetive quer falar comigo agora?
— É, o motorista que acertou Demi... — Escutar essas palavras faz com que eu me curve com a dor em meu coração. — Fugiu sem prestar socorro, as pessoas do local chamaram a ambulância e a policia.
— Filho da puta, ele atropelou uma mulher grávida e simplesmente a deixou jogada na rua? É bom que descubram logo quem é, para que eu possa mata-lo.
Dou um soco na parede do elevador com toda a minha força, uma raiva misturada com desespero toma conta de todo o meu corpo. Estou com medo, mas estou com tanta raiva de quem quer que seja esse motorista, que juro que poderia mata-lo com minhas próprias mãos.
— Joe, por favor, se acalme.
Saio pelo lobby e corro até meu carro, a adrenalina correndo junto com o sangue por minhas veias.
— Estou indo, me dê dez minutos.
— Não dirija igual a um lou... — Ele começa a dizer, mas encerro a chamada.
Ligo o carro e saio dirigindo igual a um louco, como Kevin mesmo falou.
O desespero vai se infiltrando cada vez mais, e começo a imaginar diversos cenários, um mais horrível que o outro.
E se ela perder o bebê? E se ela morrer?
“NÃO! Deus, não, por favor, não leve nenhuma das duas, eu imploro!”
Sinto uma dor insuportável no peito e tenho que levar a mão até o coração. Só de imaginar seu corpo sem vida...Piso mais fundo no acelerador, tenho que chegar até elas.
Constantemente esfrego meus olhos para dispersar as lágrimas e conseguir enxergar a estrada a minha frente. Esse maldito hospital nunca pareceu tão longe.
Exatamente sete minutos depois, paro o carro no estacionamento do hospital. Pulo para fora batendo a porta e corro para a porta de vidro automática que não para de se abrir para que o fluxo de pessoas entre e saia. Vejo Kevin me esperando do lado de fora.
— Kevin. — Chamo-o e corro até meu irmão.
— Joe. — Ele abre os braços e me puxa de encontro a si.
— Descobriu algo, como ela está? — Agarro seus ombros e olho angustiado no fundo dos seus olhos. O que eu vejo lá não é bom, não é nada bom. Antes mesmo dele abrir a boca eu já sei que não será uma boa notícia, então começo a chorar em seu ombro.
— Sinto muito, Joe, mas...O estado dela é grave. Não falaram nada mais que isso e que ela está...No centro cirúrgico.
— Cirurgia? Porque ela precisa de cirurgia? O que está acontecendo, Kevin? — Me agarro a ele como se meu irmão fosse aquele que está me impedindo de afundar e me perder na imensidão escura de um oceano tempestuoso.
— Eu não sei, eu não sei.
— E a minha filha? — Ele parece não ter coragem de me dizer que não sabe se ela está bem ou não, então apenas balança a cabeça.
— Oh Deus, por quê? Por quê?
— Sei que é difícil, mas tente se acalmar. Vamos subir e nos encontrar com os outros, quem sabe conseguimos mais alguma notícia. — Ele me escorra para dentro do hospital, eu apenas sigo-o, estou com muita dor agora para saber em qual direção estou indo.
Ela tem que ficar bem. Elas tem que ficarem bem.
Isso deve ser um pesadelo. É, isso é um pesadelo, só pode ser. Aquele Deus tão bondoso sobre o qual mamãe me falava quando criança, não pode ter me dado Demi apenas para depois tira-la de mim.
Ele não me daria a felicidade de ter criado um outro ser humano com a mulher da minha vida, apenas para me tirar os dois assim.
Seria me pedir para aguentar uma dor impossível. Eu simplesmente não posso, não consigo seguir em frente sem elas.
As primeiras pessoas que eu vejo na sala de espera, são Nick e Selena, eles estão abraçados em pé em um canto e Nick está com uma cara, que se possível, deve estar pior do que a minha.
Dianna está sentada com os ombros caídos, derrotados, e o rosto vermelho e os olhos inchados de tanto chorar. Eddie está ao seu lado consolando-a, mas sua situação não está muito melhor que a da esposa.
Miley está com Miguel ao seu lado, ela parece perdida, como que sem sua gêmea ao lado, ela não soubesse o que fazer a seguir. Dani está com ela.
Um homem baixo e gordo em um canto observa qualquer movimento com olhos de águia. Deve ser o tal detetive que Kevin mencionou.
Mamãe e papai também estão aqui, e apesar de desde garotinho minha mãe ter sido minha fortaleza, aquela a quem eu sempre corria quando precisava de colo, dessa vez eu corro para os braços de meu pai.
— Pai. — Chamo, ele levanta o olhar e assim que me vê, abre os braços.
Abraço-o forte e começo a chorar novamente.
— Ela vai ficar bem, meu filho.
— Como você sabe? Você falou com o médico? — Pergunto com esperança que nesse tempo com Kevin lá embaixo, eles tenham ficado sabendo de algo.
— Não, sem notícias ainda, mas temos que pensar positivo, ter fé.
— Ah pai, eu não sei o que eu vou fazer se algo acontecer a elas. — Soluço em seu ombro.
— Shhh, não diga nada. Ela vai ficar bem, ela e o bebê, você vai ver. — Ele passa a mão em meus cabelos, igual quando eu era criança, e isso de alguma forma me reconforta um pouco.
Seus braços me soltam e são substituídos pelos de mamãe.
— Ah mãe. — Agarro-a e puxo-a para mim.
— Calma, meu menino, calma. — Escuto o choro em suas palavras.
— Ela está em cirurgia, mãe.
— Eu sei, filho.
— Isso não é bom, quer dizer que ela não esta bem. Quer dizer que eu posso perde-la. — Enterro meu rosto em seu pescoço.
— Você não vai, Demi é forte e vai passar por essa, você vai ver.
Escuto alguém limpar a garganta atrás de nós e me viro, o mesmo homem baixo e gordo está me olhando sem graça, mas ainda sim com um olhar duro e profissional.
— Desculpe-me, sei que esse é um momento delicado, mas preciso lhe fazer algumas perguntas.
— Deixe-o em paz, não vê que ele está sofrendo? — O instinto protetor de mamãe está em alerta total e ela grita com o detetive.
— Desculpe-me Sra. Jonas, mas eu preciso falar com seu filho, quanto mais rápido eu puder falar com ele, mas chances temos de conseguir prender o responsável por fazer isso com a Srta. Lovato.
— Tudo bem, mãe, eu falo com ele. — Digo para ela enquanto enxugo o rosto e tento me acalmar.
— Eu sou o Detetive Gordon Race. — Ele diz estendendo a mão depois que chegamos a um canto longe o suficiente para que ninguém escute nossa conversa.
— Joe Jonas.
— Sr. Jonas, quando foi a última vez que você falou com sua noiva? — Ele pergunta levando a mão até o casaco e pegando algo, espero ver um bloquinho e uma caneta, mas ele tem um pequeno gravador na mão.
— Algum problema se eu gravar nossa conversa? — Ele pergunta com uma sobrancelha levantada quando vê que eu observo o pequeno aparelho em sua mão.
— Não.
— Então, quando foi?
— Hoje, eu liguei para ela um pouco antes de ir fazer uma entrevista de emprego. Ela disse que estava terminando de fazer compras e que iria para casa logo em seguida.
— Entendi. Olha, Sr. Jonas, eu vou ser honesto com você. A policia não está tratando desse caso apenas como um caso de atropelamento e negligência, temos motivos que nos levam a crer que a sua noiva sofreu uma tentativa de homicídio.
— Homicídio? Porque vocês acham isso?
— Várias testemunhas do atropelamento, relataram que o carro veio deliberadamente para cima dela, sem tentar frear ou desviar.
Levo a mão a boca e me apoio na parede atrás de mim.
— O Senhor sabe de alguma desavença ou alguém que poderia querer fazer mal a Srta. Lovato?
Fecho os olhos e sou transportado novamente para aquele dia no julgamento.
“Ela jurou se vingar...Foi ela, só pode ter sido Eva. Vou mata-la”.
— Eu sei quem foi, foi ela.
— Ela quem, Sr.?
— Eva McKenna Thompson. — Digo seu nome com nojo e raiva.
— A ex-esposa do milionário Carlson Thompson?
— Sim, ela.
— Desculpe-me, mas como ela se encaixa nessa história?
— Ela vazou um vídeo comprometedor meu como vingança. Eu a processei e ajudei a descobrir que ela estava desviando dinheiro, então ela foi presa e jurou que iria se vingar de mim. Ela sabe que não há melhor maneira de me atingir que indo atrás da pessoa que eu mais amo.
— Entendo, mas ela não está presa? Como ela poderia...
— Ela fugiu, alguns dias atrás com a ajuda do seu advogado. — Vejo o detetive Race ficar levemente pálido.
— Vou tomar as devidas providências agora mesmo, se foi ela quem tentou matar sua noiva, vamos pega-la. Com licença. — Ele guarda o gravador no bolso e some de vista com passos apressados.
Não acredito que Eva foi capaz de fazer algo assim, mas se não foi ela, quem mais poderia ter sido? Com certeza foi ela quem mandou que atropelassem Demi, talvez ela mesma tenha dirigido o carro.
Espero que o detetive Race a ache logo, eu vou estrangula-la com minhas próprias mãos.
— Joe. — Mamãe me chama, uma enfermeira está parada no meio deles dizendo algo, vou até ela correndo.
— A Srta. Lovato está no centro cirúrgico e infelizmente não há muito que eu possa dizer agora.
— Nos diga qualquer coisa, por favor. — Nick implora com lágrimas no rosto.
— Bem... — A enfermeira nos lança um olhar de pena e parece se decidir se nos conta algo ou não. — Seu estado é grave. Ela perdeu muito sangue, bateu a cabeça com muita força o que acabou causando uma lesão, quebrou duas costelas e uma delas acabou perfurando o pulmão... — Sinto os braços de Kevin me envolverem, me apoio nele para não cair no chão. Sinto-me doente e pronto para desmaiar. — Quebrou uma perna e possivelmente...Fraturou uma vértebra. Sinto muito, estamos fazendo o melhor que podemos.
— Oh Deus, não. — Dianna chora e abraça Eddie. Nick chora nos braços de Selena, Miguel consola Miley e eu sinto todo o meu mundo desmoronando.
“Aquela maldita acabou com Demi. Ela a machucou de um jeito, mas eu vou machuca-la muito mais. Eva vai me pagar”.
— Sinto muito, assim que tiver mais notícias, eu lhes informo. — Ela diz e se vira.
— Espere... — Peço tão baixo que ela não me escuta. — Espere, e a minha filha? — Pergunto ainda apoiado em Kevin, como se eu fosse um moribundo.
Ela se vira e me dá um olhar triste.
— Sinto muito, mas não posso dizer mais nada, em breve o doutor deve vir falar com vocês.
Em breve...Gostaria de achar essa enfermeira e lhe perguntar qual a sua noção de em breve, pois parece que já se passou uma eternidade e ninguém se dignou a vir falar conosco.
Não consigo ficar parado, ando de um lado para o outro, sempre me recompondo apenas para em seguida me sentir quebrando novamente.
A sala de espera mergulha em um silêncio perturbador e sombrio, de repente se ouve um choramingo dolorido, é Miley ou Dianna, mas sempre tem alguém perto o suficiente para consola-las imediatamente, então elas se acalmam e o silêncio volta a reinar.
Às vezes escuto alguns gemidos angustiados e me viro para ver qual pobre alma atormentada que o soltou, então percebo que fui eu.
O detetive Gordon Race não apareceu, espero que ele esteja atrás de Eva nesse exato momento, uma enfermeira passa e eu a agarro e exijo saber sobre Demi, ela me olha como se eu fosse louco e apenas me responde que ela ainda está em cirurgia. Com horror descubro que se passou apenas uma hora.
Deus, parece que faz semanas que estou aqui esperando por notícias.
— Como ela está? — Uma voz recém-chegada chama a atenção de todos, me viro e vejo aqueles cabelos ruivos malditos.
Por um momento acho que estou enganado, mas não, ele está aqui, ele realmente teve coragem de vir até aqui. Como ele ficou sabendo o que aconteceu?
— O que você está fazendo aqui? Vá embora. — Grito para que Vince vá.
— Eu vim por que eu preciso saber como ela está. — Seus olhos vermelhos indicam que ele estava chorando. Foda-se, eu não tenho pena.
— Você não tem nada que saber dela, vá embora agora. — Dou passos longos e ansiosos para chegar logo até ele e descontar toda a minha frustração em sua cara, mas braços fortes me seguram, viro o rosto e vejo Nick.
— Hora e lugar errados. — Ele diz.
— Eu só quero saber como ela está, por favor. —Sua voz falha e uma lágrima escorre por seu rosto.
— Ela está muito mal, ela está em cirurgia e esses médicos malditos não me dizem se eu vou perde-la ou não. — Grito com raiva para ele, grito tão alto que tenho certeza que os pacientes e médicos nos outros andares também escutaram.
— Agora você já sabe, vá embora. — Como se para me provocar, ele caminha e se senta em um lugar vago.
— Filho da... — Kevin dá um puxão em meu braço.
— Ele só está preocupado com ela, como todos nós. Apenas ignore-o.
Estou prestes a agarrar Vince pela camisa e joga-lo para fora daqui, quando um homem vestido com uma roupa de cirurgião aparece, ele está sem luvas e sem a máscara e sua cara é indecifrável.
— Familiares da Demi Lovato? — Como resposta todos nos aproximamos e o cercamos, olhando com expectativa.
— Nós fizemos tudo o que pudemos, mas a situação dela é muito complicada. Estamos tentando de tudo para salvar ela e o bebê...A paciente teve uma parada respiratória na mesa de cirurgia, eu não sei se conseguiremos salvar mãe e filho, nem mesmo se conseguiremos salvar a mãe. Sinto muito.
Eu caio. A dor da queda é amortecida pelo meu próprio estado de torpor. Minha visão fica nublada, os sons ao meu redor vão diminuindo, ficando abafados.
— Joe? Joe? — Escuto alguém chamando meu nome, não faço a mínima ideia de quem seja.
Vejo um vulto se ajoelhando na minha frente, mas não consigo distinguir quem é.
— Joe? Você está me escutando? — A voz que chega aos meus ouvidos é lenta, distorcida.
— Acho que ele está em choque. — Uma voz feminina diz, acho que foi mamãe.
Vejo tudo ao meu redor em câmera lenta e como se fosse um borrão, a única coisa que está clara em minha mente são as palavras do médico.
“A paciente teve uma parada respiratória na mesa de cirurgia, eu não sei se conseguiremos salvar mãe e filho, nem mesmo se conseguiremos salvar a mãe”.
Se conseguiremos salvar mãe e filho...Mãe e filho...Mãe e filho...
“Eu vou perde-las, eu vou perder as duas pessoas mais importantes da minha vida. Elas vão morrer e eu não posso fazer nada para impedir”.
Sinto algo estranho, uma escuridão tomando conta do que sobrou do meu coração.
Sinto que minha vida está lentamente escapando de mim, como a areia que escorre por entre os dedos, como a poeira que é tão facilmente carregada pelo vento, como o tempo que nos escapa sem que possamos fazer nada. Sinto toda a minha força e vontade de viver fluindo para longe de mim, sinto como se nunca mais fosse ser feliz de novo.
Então eu desmaio, mas eu preferia que estivesse morrendo, porque eu me recuso a viver em um mundo sem Demi e a nossa bebezinha.
Sinto minha cabeça girando e a boca seca, abro os olhos lentamente. Estou em um quarto que eu nunca vi antes, iluminado apenas pela luz do abajur ao lado da cama.
Escuto um bipe e vejo uns aparelhos estranhos ao meu lado. Esfrego os olhos e reparo que tem alguém deitado no pequeno sofá do outro lado do quarto.
Mamãe.
Sento-me e à medida que a tontura vai passando, a dor excruciante da realidade destroça meu coração.
— Demi... — Choramingo seu nome.
Deus, eu desmaiei. Por quanto tempo fiquei desacordado? A cirurgia já acabou? Será que eu estou respirando enquanto Demi está em algum lugar dura, fria e sem vida? Ou os médicos conseguiram salva-la?
— Demi...Demi... — Chamo seu nome como se fosse uma oração. Mamãe desperta ao ouvir meus lamentos.
Pulo para fora da cama. Onde estão minhas roupas? O que é isso em meu braço?
Tiro a agulha que estava transportando algo diretamente para minha corrente sanguínea e vou procurar minhas coisas.
— Filho? — Mamãe pergunta com a voz sonolenta.
— Onde estão minhas roupas, mãe? Preciso sair daqui, preciso vê-la, mesmo que ela esteja...Morta. — Começo a chorar e passo a mão freneticamente pelo pescoço, tentando me livrar dessa coisa invisível que me sufoca.
— Calma, filho, por favor, sente-se.
— Não, não posso. Quanto tempo eu fiquei aqui? A cirurgia já acabou?
— Já, filho, a cirurgia acabou.
— Eles salvaram Demi? — Pergunto me aproximando dela.
— Sim, ela precisa de muito descanso, mas eles conseguiram salva-la.
— E a minha filhinha, mãe? Eles salvaram ela? — Pergunto em um sussurro.
Mamãe coloca as mãos em meu rosto e vejo lágrimas em seus olhos, mas então ela sorri.
— Sim, eles conseguiram, meu filho. Eles salvaram as duas.
Não consigo acreditar em suas palavras, não pode ser, Deus, muito obrigado.
Abraço-a forte e ambos choramos, mas dessa vez de alivio.
Mal posso acreditar, ela não morreu, eles conseguiram, eles salvaram as duas. Bendito sejam esses médicos, eles as salvaram.
Mesmo com essa boa notícia, meu coração ainda encontra-se nas sombras, a dor e angustia da possibilidade de perder as duas foi real demais para ir embora tão rapidamente.
— Eles conseguiram, mãe? Mesmo? Demi está bem, e o bebê?
— Sim, meu filho. Ela está em observação e ainda não pode receber visitas, mas ela conseguiu, eu disse que Demi era forte. Eu disse, meu menino.
— Ah, mamãe...Eu não sei o que eu faria se ela tivesse morrido.
Mamãe me arrasta para o sofá onde ela estava dormindo e faz com que eu me deite com a cabeça em seu colo.
— Pronto, meu menino, pronto, pode chorar. Coloque tudo para fora. — Ela diz acariciando meus cabelos.
— Fiquei com tanto medo... — Digo soluçando em seu colo.
Depois de ficar sem lágrimas, levanto-me e tiro a roupa de hospital que alguém colocou em mim e visto as minhas próprias.
— Eu preciso vê-la, mãe. Só assim eu vou conseguir acreditar que ela está bem mesmo.
— Ela não pode receber visitas, meu filho.
— Não me importa, eles tem que me deixar entrar.
— Eles não deixaram nem Dianna e Eddie.
— Mas eu sou o noivo dela.
— E eles os pais. Acalme-se, tome um café e coma algo, você ficou apagado por umas seis horas.
— Seis horas? — Pergunto surpreso.
— Sim, eles te deram um calmante. Parece que quando estavam te trazendo para cá, desmaiado, você acordou e começou a gritar. Eles acharam melhor te dopar.
— E o detetive Race, alguma novidade da parte dele?
— Filho, porque não conversamos sobre isso depois? Vamos nos concentrar no fato de que Demi e o bebê estão vivos e vão ficar bem, ok?
— Ok, mas eu vou vê-la. — Abro a porta do quarto e mamãe vem apressada me seguindo pelo corredor.
Vejo um médico parado ao lado de uma porta analisando uns papeis em uma prancheta.
— Oi, eu preciso ver minha noiva, ela acabou de sair da cirurgia.
— Quem é a sua noiva? — O médico levanta os olhos dos seus papeis e me pergunta.
— Demi Lovato.
— A moça grávida que foi atropelada? — Faço que sim com a cabeça. — Sinto muito, mas ninguém pode vê-la por enquanto.
— Mas eu preciso vê-la.
— Ela nem está consciente, assim que ela estiver liberada para receber visitas, a família será informada.
— Mas... — Mamãe segura meu braço e me puxa.
— Você ouviu o médico, filho. Vamos esperar até que ela possa receber visitas. Venha, vamos nos encontrar com os outros antes que alguém perceba que você não está mais no quarto.
Muito cansadamente arrasto meus pés e voltamos para a sala de espera. Todos estão com as expressões melhores, mais confiantes, porém ainda preocupadas.
Dou um abraço forte em papai, Eddie e Dianna. Ninguém foi embora durante o tempo que eu fiquei apagado, com exceção de Vince.
Graças a Deus alguém foi sensato o suficiente e o fez ir embora, não teria forças ou paciência para aguentar sua presença.
Sento-me no sofá de dois lugares e faço algo que eu odeio, mas que é a única opção. Eu espero.
E espero, e espero e espero.
Horas se passam, mamãe me traz comida e café, mas não consigo comer nada, simplesmente não consigo fazer nada até que eu veja com meus próprios olhos que Demi está bem.
Mais uma eternidade se passa, sinto meus olhos pesados, meu corpo esgotado assim como minha mente.
Miguel levou Miley para casa para tomar um banho e descansar um pouco, papai achou melhor levar mamãe também. Ela queria que eu fosse junto, mas o único jeito de eu sair daqui, é quando Demi receber alta. Caso contrário, eu não vou arredar o pé desse lugar.
Apoio os cotovelos nos joelhos e descanso a cabeça em minhas mãos, fecho os olhos e tento não começar a chorar novamente de frustração.
Sinto a presença de alguém na minha frente. Abro os olhos e levanto a cabeça, vejo Nick segurando dois copos de plástico da Starbucks.
— É para você. — Ele diz me estendendo um dos copos. Olho em seus olhos e não vejo mais nenhum vestígio do ódio que eu vi na última vez que nos falamos.
— Obrigado. — Pego o copo fumegante e sinto o cheirinho de café, dou um gole e queimo a língua.
— Posso me sentar? — Ele aponta para o lugar vago ao meu lado.
— Tanto faz. — Digo dando de ombros.
Ele se senta e toma seu café em silêncio. Quando eu finalmente começo a achar que ele não vai dizer nada, ele começa:
— Sei que eu fui o pior melhor amigo do mundo, assim como o pior irmão. Apesar de achar que estou pedindo muito, espero que um dia você e Demi possam me perdoar.
Viro-me para ele e vejo arrependimento em seu olhar, e dor.
— Acho que é meio tarde para isso. — Digo.
— Eu sei que eu fui um completo idiota... — Dou uma risada sarcástica.
— Completo idiota é muito, muito pouco. Você me espancou, ameaçou, tentou me afastar da sua irmã, contou para ela coisas nojentas sobre mim, falou mal da minha filha e disse que eu e Demi estávamos mortos para você. — Ao escutar minhas palavras, um tremor percorre seu corpo e ele abaixa a cabeça, envergonhado.
— Eu não quis dizer aquilo, eu nunca quis que você ou Demi estivessem...Deus, eu sei que aquilo foi horrível. Você imagina como eu me senti culpado quando aquilo que eu disse quase se tornou verdade hoje? Eu não sei o que faria se perdesse minha irmã.
— O que você quer Nick? — Minha voz sai mais ríspida do que eu pretendia.
— Eu quero meu melhor amigo de volta, eu quero minha irmãzinha de volta, eu quero ter a oportunidade de brincar e mimar o meu sobrinho ou sobrinha.
— Sobrinha, é uma menininha.
— É? Uma menina? — Vejo seus olhos cheios d’água e ele me dá um sorriso tímido.
— Sim, e ela vai ser linda como a mãe.
— Tenho certeza que sim. Eu quero tanto fazer parte da vida de vocês, agora eu vejo como agi de uma forma horrível. Por favor, me perdoe por não enxergar que você realmente amava minha irmã. Eu me senti tão traído e com tanta raiva e com ciúmes. Eu não sei o que deu em mim, eu me arrependo profundamente de tudo o que eu fiz e disse, Joe.
— Eu não sei se consigo te perdoar, Nick.
— Eu entendo, mas será que você pode tentar?
— Eu não sei. Eu não estou com cabeça agora para pensar sobre isso, estou preocupado com Demi e estou louco de vontade de vê-la e abraça-la, estou focado nela e na minha filha, e em fazer a pessoa que fez isso com elas pagar. Não tenho tempo para você agora.
— Tudo bem, eu entendo. — Ele diz tentando disfarçar a magoa. — Eu não mereço mesmo o seu perdão, mas eu vou torcer para consegui-lo. Quando você estiver pronto, se você estiver pronto, sabe onde me encontrar.
Ele se levanta e vai se sentar com Selena no outro lado da sala. Dou mais um gole em meu café e continuo esperando e esperando e esperando.
— Eu já conversei com Demi, ela estava confusa e não se lembrava muito bem do que tinha acontecido. Ela perguntou pelo bebê e logo depois por você. Mas Joe, tem algo que você precisa saber antes de entrar lá dentro.
— O que?
— Demi não está sentindo as pernas.
— O que? Ah meu Deus. — Porque ninguém nos disse isso antes? Dianna e Eddie vão ficar arrasados.
— Mas acalme-se, não temos motivos para achar que a lesão será permanente. Será preciso acompanhamento constante e muita fisioterapia, mas as chance dela estar cem por cento em poucos meses é muito grande.
— Como ela reagiu quando percebeu que não estava sentindo as pernas?
— Incrivelmente, ela reagiu bem. Muitos pacientes se desesperam e é necessário seda-los, mas Demi compreendeu tudo o que dissemos para ela e ela sabe que se se esforçar, poderá voltar a andar normalmente.
— Posso vê-la agora doutor? — Não consigo esconder a ansiosidade em minha voz.
— Pode sim. — Ele me dá um sorriso e faz sinal para que eu entre.
Abro a porta lentamente, não sei porque mas estou com medo, meu coração está quase saltando para fora do peito.
Entro no quarto com receio, assim que a vejo deitada na cama, imóvel, eu congelo no lugar.
— Joe? — Sua voz fraca, não mais que um fiapo, me chama e todo o controle que eu estava tentando manter vai embora pela janela. As lágrimas vêm com força como um tsunami e eu corro até ela.
— Meu amor, meu amor. — Paro ao seu lado e me dói profundamente o coração ao vê-la cheia de hematomas e toda imobilizada devido a violência da batida que a machucou tanto.
— Joe, não chore. — Seguro sua mão e beijo cada um dos seus dedos.
— Eu achei que iria te perder. — Escondo o rosto com vergonha por estar chorando igual uma criancinha.
— Mas eu prometi não te deixar nunca, lembra? — Ela me dá um sorriso fraco, demostrando o quanto está cansada.
— Lembro, meu amor, eu lembro. — Digo e então beijo seus lábios. — Posso te abraçar? — Pergunto quando me afasto.
— Com cuidado. — Ela responde.
Hesitantemente envolvo meus braços nela, tenho vontade de esmaga-la contra mim, mas tenho que me contentar apenas com um abraço sem graça e superficial. Minha mão escorrega até sua barriga e eu a acaricio.
— Como está nossa pequena Jessica?
— Jessica? Eu gostei desse nome.
— É o primeiro da minha lista que você gosta. — Digo sorrindo.
— É o primeiro que é bonito. — Ela diz e eu rio.
— Eu senti tanto medo, achei que iria perder vocês duas. Eu nunca quero sentir isso de novo, nunca. É o pior sentimento do mundo, o desespero e o medo que eu senti hoje vão me assombrar para o resto da vida.
— Eu estou aqui, eu estou bem, quebrada mas bem. E não vou a lugar algum.
— Eu te amo tanto, Demi.
— Eu também te...Oh.
— O que foi? — Pergunto preocupado quando ela leva a mão até a barriga e faz uma cara estranha.
— Acho que ela se mexeu. — Demi diz com um sorriso enorme no rosto.
— O que? Deixa eu sentir. — Tiro sua mão e substituo com a minha. Demi ri da minha reação.
— Ainda é cedo para isso, mas eu juro que senti algo.
— Não estou sentindo nada. — Reclamo.
— Acho que você não vai conseguir sentir, só eu.
— Mas eu quero senti-la.
— Calma, logo ela vai estar chutando como um bom jogador de futebol, você vai ver.
— Eu amo tanto ela. Minha pequena Jessy. — Acaricio sua barriga e lhe dou um beijo.
— Eu estou tão cansada, acho que vou dormir. — Demi diz com os olhinhos já se fechando.
— Você dormiu por horas, fique acordada e fale comigo. — Peço egoistamente.
— Não consigo, amor. Fique aqui comigo, segure minha mão enquanto eu durmo.
Seguro sua mão e beijo seu rosto.
— Eu não vou a lugar nenhum, quando você acordar eu vou estar aqui. Prometo.
Vejo Demi adormecer, puxo uma cadeira e me sento ao seu lado, segurando sua mão e acariciando sua barriga.
E pensar que eu poderia ter perdido isso. Mas Deus ouviu minhas preces, ele não as levou de mim, eu nunca vou esquecer o que Ele fez, o presente que ele me deu.
Eu vou ser eternamente grato por esse milagre em minha vida.

14.6.16

Paixão Inesperada - Capitulo 30 - O Maior Dos Amores


~

Joe
Dois meses depois...
— Como estão os preparativos, amor? — Seguro o celular entre o ombro e a orelha enquanto uso as duas mãos para fazer uma curva acentuada. — É? Ótimo! Você sabe que pode me passar mais coisas para fazer, não é? Não quero que você fique sobrecarregada com o casamento, o bebê, a faculdade e tudo o mais. Prometo fazer tudo direitinho e não estragar nada. — Rio com sua resposta.
— O que? Ah sim, já cuidei dos convites, pode ficar tranquila...Sinto muito, mas hoje não vai dar. Tenho um almoço com Charlie...Sim, sim, não se preocupe. Eu aviso se eles mudarem a data da audiência...Não, eu já disse que não quero você lá, amor...Não interessa, quero você e minha princesinha o mais longe possível daquela maluca...Tudo bem, nos falamos mais tarde. Te amo. — Encerro a ligação com a sensação que eu ainda vou ter algum trabalho para convencer Demi a não me acompanhar a audiência de Eva. Apesar de Demi insistir que seu testemunho é necessário, temos tantas provas contra Eva que Charlie acredita não ser necessária a sua presença. Decisão da qual eu assino embaixo.
Conseguimos juntar provas suficientes da chantagem de Eva, além do dossiê recheado que Will me entregou e que por sua vez, entreguei a Charlie que o anexou nas acusações contra Eva. Acontece que na investigação muito bem realizada por meu amigo, muitas coisas sujas do passado de Eva foram desenterradas, além das coisas mais recentes, como por exemplo, o fato dela estar fraudando documentos e desviando dinheiro da empresa do marido. Depois de dois meses de enrolações, a justiça finalmente será feita e ainda essa semana Eva será julgada, e segundo Charlie, condenada a pagar pelo que fez. Mas de qualquer forma, ela já recebeu o que merecia. Depois da suspeita levantada contra ela, pelo o que eu fiquei sabendo, uma bela de uma investigação muito mais minuciosa do que a de Will, foi feita pelos acionistas da Thompson Reuters Company. Carlson pediu o divórcio e a deixou com uma mão na frente e outra atrás. Não sei se essa parte é verdade, mas parece que ele a humilhou e a expulsou de casa, sem deixar que ela levasse suas joias, roupas ou nada que fosse de valor. E agora além do meu processo contra ela, ainda há o da própria T. R. Company. É, a situação de Eva não é muito promissora.
Charlie – que é um excelente advogado por sinal – conseguiu uma ordem na justiça para apreender todas as cópias da filmagem, e graças a Deus, os pais de Demi não sabem de sua existência, muito menos outras pessoas.
Chego a Townsend e vou direto para meu escritório, tenho que me esforçar para me concentrar em meus afazeres e não no almoço que terei com Charlie para esclarecer algumas últimas coisas antes da audiência.
Entrelaço meus dedos nos de Demi e entramos no consultório. Como nas outras vezes, falamos com a recepcionista, Demi lhe entrega um papel que ela destaca e depois carimba e vamos nos sentar na sala de espera.
Essas cadeiras desconfortáveis e estreitas são perfeitas apenas por um motivo; Demi tem que praticamente sentar em meu colo para não invadir o espaço da pessoa que senta no seu outro lado.
Passo meu braço por seus ombros e a abraço, enfio meu nariz em seus cabelos e inalo o familiar e reconfortante perfume. Ela já tem cheiro de lar, meu lar.
Espalmo minha mão em seu estômago e faço movimentos circulares e gentis. Depois de vários e vários minutos que pareciam não passar nunca, o nome de Demi foi chamado e nós entramos para falar com a médica.
Como sempre eu não entendo nada, Demi balança a cabeça concordando e eu apenas fico olhando para a médica me pergunta o que diabos ela quer dizer. Ela examina Demi, faz perguntas de como ela tem estado desde a última consulta e enfia aquele negocia dentro dela. Meu Deus, já começo a ter calafrios quando ela pede que Demi coloque o avental e deite com as pernas abertas, quando ela pega aquele negocio e coloca uma camisinha e um gel e enfia no meio das pernas da minha mulher, eu juro que posso desmaiar, toda vez.
— Como você espera assistir o parto se não consegue nem assistir a um exame de ultrassom transvaginal, papai? — A médica pergunta com um sorriso brincalhão nos lábios. Essa mulher tem zombado de mim desde a primeira vez que eu vim aqui com Demi.
“Quem é que disse que eu vou assistir o parto? Gritaria mais que Demi quando a hora chegasse.”
Ela continua o exame e não parece ter nada fora do normal, nem com Demi nem com o bebê. Não consigo segurar minha ansiedade, apesar de Demi já ter tentado me explicar que vai demorar algumas semanas ainda, mas quero ouvir o que a médica tem a dizer, por isso lhe pergunto:
— Doutora, você não pode ver se é menino ou menina com esse aparelho aí? — Pergunto apontando para a enorme coisa que ela retira de dentro da minha futura esposa.
— Ainda é cedo demais, papai. Existe procedimentos para descobrir o sexo da criança já com 8 semanas de gravidez, mas o mais recomendado é esperar até a 16ª semana.
— Então vamos ter que esperar quase dois meses? — Demi intervém.
— Se vocês quiserem ter certeza, então sim.
— Não precisamos desse procedimento, já sabemos que é uma menininha. — Digo me aproximando de Demi e lhe fazendo um carinho na testa.
— Ah, mais um pai vidente, que divertido. — A médica diz. Estou falando, ela não perde uma oportunidade de zombar de mim.
Demi tem permissão para se vestir e voltamos a nos sentar na mesa de frente para a doutora, que agora escreve algo em alguns papeis de receita.
— Aqui está, querida. Tudo está normal, mas gostaria que você tomasse essas vitaminas. — Ela entrega as receitas. — Uma é logo quando você acorda e outra uma hora antes do jantar. Não há necessidade de você voltar antes que daqui um mês, mas caso aconteça qualquer coisa nesse período, sinta-se a vontade para me ligar ou vir aqui.
— Muito obrigada, doutora. — Demi levanta-se e elas trocam um aperto de mão.
Nos despedimos e seguimos para o carro. Pego as receitas da mão de Demi e tento me lembrar qual a farmácia mais perto.
Demi
Sei que Joe não deve estar nada feliz, e apesar de estar apreensiva, acho que o certo a fazer é ir assistir essa audiência.
Não sei muito bem que roupa usar nesse tipo de ocasião, então coloco uma calça preta, uma blusa de seda e um blazer.
Demorei para conseguir convencer Joe a me levar junto, foi necessário uma boa tática de persuasão, mas finalmente, meio de mau humor, ele cedeu.
No horário combinado, desço e encontro Joe dentro de sua caminhonete me esperando. Quando ele me vê, sai e abre a porta para mim.
— Oi, meu amor. — Digo dando-lhe um beijo. Pela expressão em seu rosto, posso dizer que ele não está nem um pouco confortável com essa situação.
— Oi. — Ele diz simplesmente.
— Ah Joe, não fique com essa cara.
— Que cara?
— Que cara? — Imito sua voz grossa e tento fazer graça, mas ele não sorri. — Essa cara que você está agora.
— Eu não queria que você fosse, eu já disse isso. — Ele diz ficando emburrado como uma criança.
— Mas acontece que eu vou, então trate de tirar essa carranca do rosto. — Digo entrando no carro e fechando a porta.
Ele entra no carro e dá a partida, o caminho todo até o Tribunal é feito em silêncio. Posso sentir a tensão que emana de Joe. Ele está nervoso por ver Eva novamente, e eu também estou, confesso.
Quando chegamos lá, a primeira pessoa que encontramos é Charlie, o advogado que está defendendo Joe nesse caso de chantagem.
— Joe.
— Charlie. — Eles trocam um aperto de mãos.
— Lembra-se da minha noiva, Demi?
— Ah sim, mas é claro, como esquecer uma jovem tão linda. — Ele diz beijando minha mão. — Como vai a gravidez?
— Muito bem, obrigada.
Joe e Charlie conversam e usam termos legais que eu desconheço, então logo estou por fora e deixo de prestar atenção ao que se está sendo dito. Observo o grande e elegante saguão onde aguardamos o julgamento, ele é todo decorado em cores escuras, os barulhos das solas dos sapatos que se chocam contra o mármore do piso parecem trovões.
Logo um homem na faixa dos 40 e poucos anos, bem apessoado, charmoso e com uma presença imponente entra no saguão acompanhado de três homens igualmente intimidantes.
— Aquele é Carlson Thompson, o ex marido de Eva e o dono da empresa na qual ela estava desviando dinheiro. — Joe me esclarece em tom sussurrado.
— E também o homem que fez a burrada de dispensar um contrato com vocês só porque a esposa o convenceu. — Complemento enquanto observo o Sr. Thompson de longe. Como um homem com um charme e uma aura de poder assim como ele, pode se deixar influência por uma mulher como Eva? Mesmo ela sendo sua esposa e advogada na época, ele deveria ter sido mais esperto e visto que ela estava errada.
— Exatamente...Amor, tem certeza que você não quer ir para casa com a Serena e descansar?
Olho-o com uma sobrancelha levantada e cruzo os braços.
— Serena?
— Sim. É que eu fiz uma lista de nomes de menina que eu acho bonito, aí resolvi começar a testar.
— Eu acho que além dessa criança começar desde cedo a desenvolver transtorno de personalidade múltipla, também vai desenvolver um trauma, porque você vai ficar chamando por nomes de meninas, sendo que nosso bebê é um menino. — Joe ri e envolve os braços em minha cintura.
— Você não acredita mesmo no meu sexto sentido de pai, não é?
— Hey, são as mulheres que tem sexto sentido.
— Vai ser menina. — Ele diz confiante.
— Vai seu um menino. — Digo.
— Quer saber, não importa. De qualquer forma, seja o que for, teremos que rapidamente fazer outro bebezinho para aquele que errar o sexo. Aí você fica com um menino e eu com uma menina.
— Ah é? E quantos outros filhos você pretende fazer comigo? — Pergunto laçando seu pescoço e puxando sua boca para perto.
— Pelo menos cinco. — Ele responde me pegando de surpresa.
— Cinco? Não, três está bom.
— Quatro. — Ele tenta negociar.
— Três. — Digo balançando a cabeça.
— Tudo bem, três. — Ele diz revirando os olhos e fingindo estar bravo. Eu rio dele e Joe me dá um beijo. Quando começo a me esquecer de onde estamos e o beijo começa a se aprofundar, um limpar de garganta no separa.
— Vai começar. — Charlie diz desconfortavelmente, sem nos encarar nos olhos.
— Tudo bem, obrigado.
— Chegou a hora. — Digo com um misto de ansiedade e medo.
— Tem certeza que você não...
— Joe...Não. — Ele revira os olhos, dessa vez de verdade, e seguimos Charlie para a sala onde testemunharemos qual será o destino de Eva.
Um pouco hesitante eu entro na sala, até que Joe me tranquiliza dizendo que Eva ainda não está presente.
Joe se recusa a sentar ao lado do seu advogado e de Carlson e seus homens, vamos nós dois nos sentar nas cadeiras reservadas ao público, como essa não é uma sessão aberta não há mais ninguém presente, nem mesmo a imprensa. Aposto que Carlson fez tudo em seu poder para que essa história não vazasse na mídia.
Não precisei nem vê-la, para saber que ela havia entrado na sala. De repente o ar ficou mais pesado, meu coração começou a bater rapidamente e um calafrio percorreu meu corpo. Logo em seguida, Eva passou com um homem – que suponho ser seu advogado – a ladeando. Impecável como sempre, ela usa um terninho preto com lapelas de seda, que combina com seus longos e sedosos cabelos negros. Ela parece uma viúva negra, pronta para injetar seu veneno.
Um brilho de surpresa passa em seus olhos azuis claros quando ela me vê sentada ao lado de Joe, mas logo é substituído por divertimento, como se ela estivesse achando tudo isso muito engraçado. Um teatro, um circo, uma palhaçada.
Um sorriso lento desliza em seus lábios e ela se dirige para seu lugar. Não sem antes eu perceber o olhar que ela e Carlson trocam. As coisas não estão em um estado amigável entre eles, e imagino que não tinha como ser diferente, depois do que ela fez.
Não demora muito para que a audiência comece. As próximas duas horas passam lentamente e são extremamente exaustivas, mas tento acompanhar tudo o que se está sendo dito.
Depois de um intervalo de meia hora, onde podemos esticar as pernas e comer algo rapidamente, voltamos para escutar a sentença.
O promotor se pronuncia e enrola um monte até dizer qual é a decisão final. Quando ele profere a palavra ‘culpada’ Eva parece realmente surpresa. Ela achou mesmo que iria se safar dessa? Mesmo com o melhor dos advogados, era uma causa perdida, depois de todas as provas...
Seu advogado lhe segura pelo braço e sussurra lhe algo que imagino que seja um alerta para que se controle.
Eva é condenada há passar sete anos na cadeia, podendo fazer um terço dessa pena em liberdade, caso haja bom comportamento, e realizando trabalhos comunitários.
Eu achei uma pena leve, mas Eva não parece compartilhar da minha opinião, pois ela se levanta dando um tapa na mesa e começa e gritar, indignada por ter que ir para a cadeia. Carlson também se manifesta, expressando seu descontentamento com o que ele chamou de “absurdo”. Pela raiva em seus olhos, Eva passaria a vida toda presa.
Seu advogado tenta acalma-la e logo os seguranças são chamados para conte-la. Depois de agredir um dos seguranças, ela é algemada e arrastada para fora da sala.
Joe e eu nos levantamos quando os dois homens puxam-na pelo mesmo corredor no qual ela entrou com aquele sorriso prepotente e o queixo erguido em superioridade.
Procuro pela mão de Joe atrás de conforto, e ele envolve seus braços em minha cintura.
— Você vai me pagar, Joe. Você vai me pagar. — Ela grita, parecendo mais do que nunca, louca. Os seguranças tentam arrasta-la para fora, mas ela resiste com uma força e determinação impressionantes. — Vocês dois, você e essa sua vadia. Guarde bem minhas palavras, putinha, você vai me pagar. — Instintivamente minha mão vai protetoralmente até minha barriga, que com um pouco mais de oito semanas, está levemente saliente.
Eva segue com os olhos o meu movimento, ela olha com choque o pequeno volume em meu estômago e depois olha diretamente em meus olhos.
— Vocês dois vão se arrepender. Você vai se arrepender, eu vou acabar com a felicidade de vocês, eu vou destruí-los. — O olhar cego por vingança e a expressão diabólica que ela carrega em seu rosto me fazem tremer e Joe me abraça mais apertado. — Eu vou me vingar... — Essas são suas últimas palavras antes que Eva seja arrastada para fora, e seus gritos não passem de ecos de um mau presságio.
Minhas aulas de hoje terminaram e decido almoçar em casa mesmo, Aletta nunca está nesse horário por lá então devo ter um pouco de sossego.
Faz uma semana desde o julgamento de Eva, e eu ainda não consigo tirar da cabeça os seus gritos histéricos jurando vingança. Joe tentou me tranquilizar, disse que ela nada pode fazer detrás das grades, mas acho que só agora estou começando a me sentir mais tranquila.
Abro a porta do apartamento e a primeira coisa que vejo é a bolsa da minha insuportável colega de quarto jogada no chão.
O que diabos ela faz aqui? Aletta nunca para em casa, um dos motivos de ter sido consideravelmente fácil continuar vivendo no campus.
Assim que fecho a porta ela surge do nada atrás de mim, me dando um susto.
— Até que enfim você chegou. — Ela diz cruzando os braços na frente do corpo e com um brilho estranho no olhar.
— O que você está fazendo aqui? — Pergunto.
— Eu moro aqui também, sabia? — Ela diz sarcasticamente.
— Você sabe o que eu quis dizer. Você nunca está em casa para o almoço. — Digo passando por ela, deposito minhas chaves no balcão e retiro meu casaco.
— Eu sei, mas eu estava querendo muito falar com você.
— Alguma coisa com relação ao apartamento? Não me diga que você vai sair daqui! — Digo com animação e uma pontada de esperança.
— Não é isso. — Ela revira os olhos e faz um som grotesco com a garganta.
— Então fale logo, não tenho o dia todo. — Descanso as mãos na cintura.
— Me diga uma coisa, o seu noivo se chama Joe Jonas, não é?
— Sim, por quê?
— Ah, eu só queria ter certeza. Sabe, tá rolando um vídeo muito...Revelador dele na internet. — Ela pega seu celular do bolso da calça, clica na tela e vira o aparelho para mim.
Gemidos sexuais enchem a sala vindos do pequeno aparelho em suas mãos. Não tenho nem tempo de alertar a mim mesma para virar o rosto, meus olhos parecem ser puxados para a tela onde o vídeo que Eva fez de Joe está passando.
Levo a mão até a boca para impedir que um grunhido de dor me escape por entre os lábios. Claramente é Joe, muito mais novo, mas é ele. Meu noivo está de joelhos em uma cama com mais um homem e três mulheres. Ele investe contra uma mulher de quatro enquanto ela faz sexo oral em outra.  
Os gemidos são altos, frenéticos, obscenos, pura luxúria.
— Desligue isso. — Digo apertando os olhos com força e virando a cabeça.
— Pela sua reação você ainda não tinha visto, eu presumo. — Os gemidos continuam a chegar até meus ouvidos. Tampo-os com ambas as mãos tentando inutilmente não escuta-los.
— Desligue isso, agora. — Grito para ela, mas Aletta não para o vídeo. Um gemido em particular fica mais alto e desesperado. Uma das mulheres deve estar chegando ao orgasmo.
“Ah meu Deus!”
Corro até meu quarto e fecho a porta com força, mas ela bate no pé de Aletta e volta para trás, batendo na parede com força.
— Me deixe em paz. — O vídeo ainda está passando em seu celular e não quero nem imaginar o que eles estão fazendo agora, mas os gemidos são muito sugestivos.
— Eu não consigo parar de ver esse vídeo, e aposto que muita gente também. Agora sim eu entendo o porquê você dispensou Vince para ficar com esse cara, ele é demais. Deve ser tão melhor que Vince na cama. Como eu gostaria de passar uma noite com ele...
— Cala a boca. — Grito para ela. — Cala essa maldita boca, sua vadia. — Arranco o celular de sua mão e jogo com toda a minha força na parede. Ele se choca contra a parede e depois se desmonta no chão.
Aletta me olha chocada e fica furiosa.
— Sua idiota, meu celular. — Ela vai ajuntar o aparelho quebrado do chão. — Você vai me comprar um novo.
— Eu disse para você parar. — Me defendo.
— Você é louca mesmo. Bem feito que esse vídeo tenha vazado, e sabe o pior? Ele está bombando na internet. Já tem mais de 600 mil visualizações, e olha que foi postado somente há 6 horas.
“Oh não! Cem mil visualizações por hora? Não acredito, isso não pode estar acontecendo. Como?”
— Eu já achava que ele era homem demais para você, mas depois de vê-lo em ação? Agora tenho certeza. Ele merece uma mulher como eu, ah sim, eu saberia dar um trato nele, pegar gostoso...
Antes que eu possa assimilar o que estou prestes a fazer, minha mão levanta e então desce com toda a força no rosto de Aletta, fazendo sua cabeça virar com violência e provocando um estalo alto.
Ela imediatamente esconde a marca vermelha da minha mão em seu rosto e me olha horrorizada. Ela não esperava esse tipo de reação de mim, confesso que eu também fiquei surpresa com a minha explosão.
— Cretina, você me paga... — Não fico para escutar o resto, saio correndo em direção à saída. Mas Aletta vem atrás de mim, ela está bufando de raiva. Ela agarra meus cabelos e sua mão vai em direção ao meu pescoço, consigo me desvencilhar, mas não sem antes receber um arranhão, que me faz gemer de dor.
Pego minha bolsa, quase derrubando o seu conteúdo na pressa de sair daqui. Desço as escadas correndo e me afasto o mais de pressa possível do prédio, olho para trás mas Aletta não me segue.
Percebo que estou soluçando e tremendo, mal consigo enxergar de tantas lágrimas que escorrem de meus olhos.
Agarro meu celular e ligo para Miley, tenho que digitar duas vezes porque tremo tanto que aperto o numero errado.
— Oi, sis. Como vai? — Ela atende animada.
— Miley... — Minha voz se quebra e ela assume um tom preocupado na hora.
— Demi, você está chorando? O que aconteceu?
— Ah Miley... — Choro e não consigo lhe dizer coisa alguma.
— Calma, sis. Respire. Me diga onde você está que eu vou te encontrar.
— Por favor, eu preciso de você... — Digo tampando a boca tentando conter os soluços.
Joe
Assim que saio da reunião ligo o celular e vejo que tem quinze chamadas perdidas de Miley e duas mensagens. Estranho.
Abro a primeira mensagem e está escrito:
Miley: Joe, onde vc está? Te liguei várias vezes, me ligue assim que puder!!
A outra tinha sido enviada sete minutos depois da primeira.
Miley: Joe, me ligue agora!!! É a Demi!!
Meu corpo todo gela e sinto um nó no estômago. A segunda mensagem foi enviada a mais de meia hora atrás.
“Merda, merda, merda! O que será que aconteceu com Demi?”
Vou apressadamente para minha sala e chamo Miley. Ela atende no segundo toque.
— Alô, Miley? Sou eu, o que houve? Demi está bem? É o bebê? — Minhas perguntas saem atropeladas.
— Calma, Joe. Ela está bem, por enquanto pelo menos.
— O que aconteceu? Quero falar com ela, passe o celular.
— Ela está dormindo agora, eu lhe dei um calmante.
— Porque diabos você lhe deu um calmante? Ela está grávida, não pode ficar tomando essas coisas. — Sei que Miley não tem culpa de eu estar nervoso, mas mesmo sem merecer grito com ela.
— Porque eu não sabia mais o que fazer, você não atendia o celular...Fiquei perdida aqui.
— O que aconteceu, Miley? — Pergunto andando de um lado para o outro da minha sala.
— Não sei ao certo. Demi me ligou chorando e muito nervosa, fui busca-la e ela estava chorando muito e com um arranhão...
— Um arranhão? Como assim um arranhão? Onde? Quem fez?
— Calma, Joe. É na lateral do pescoço, não sei quem fez, ela não disse coisa com coisa. Quando eu perguntei o que aconteceu, ela só ficou falando sobre um tal vídeo que foi parar na internet e “como ela conseguiu fazer isso?” — Suas palavras me fazem congelar no lugar, sinto algo estranho, uma tontura e enjoo. — Você sabe do que ela está falando?
— Miley, ela disse se viu o vídeo? — Pergunto com medo na voz.
— Ela não disse nada, mas acho que para ficar daquele jeito deve ter visto, não sei...O que está acontecendo, Joe?
— Por favor, Miley, fique com ela. Não a deixe sozinha, ok? E qualquer coisa me ligue, meu celular vai ficar ligado o tempo todo. Quando ela acordar me avise.
— Tudo bem, mas o que... — Desligo em sua cara.
“Deus, não! Demi viu o vídeo, ela tinha prometido, caralho! O que eu faço agora, ela me viu fodendo outras mulheres...Ao mesmo tempo.” Cubro a boca com medo que a bile suba.
“Foi ela...Foi Eva, aquela vadia desgraçada! Mas como?”
Uma raiva descomunal se acende dentro de mim. Meu vídeo está na internet, para todos verem. E o pior, Demi o viu.
“É tudo culpa daquela mulher. Maldita, maldita, maldita, mil vezes maldita!”
Começo a tremer de ódio e vejo vermelho. Vermelho de vingança, de sangue, quero estrangular Eva com minhas próprias mãos. Ela deu um jeito de colocar o maldito vídeo na internet, mesmo presa.
Sinto vontade de gritar, então grito. Sinto vontade de destruir tudo, então destruo. Jogo todo o conteúdo de minha mesa no chão; Papeis, telefone, pastas, meu computador, até mesmo o porta retrato de Demi. Pego a luminária e jogo contra o vidro da janela. Atiro as almofadas do sofá na parede, atingindo os quadros e os derrubando. Pego todas as decorações da estante e jogo no chão, na parede, em todas as direções. Quebro tudo, e minha raiva não diminui o suficiente.
— Maldita. — Grito com todas as minhas forças.
Quando não tem mais nada para que eu possa quebrar, me acalmo, respiro fundo e tento recuperar o fôlego.
— Por quê? Por que meu Deus? Eu só quero paz, só isso. Só quero ser feliz. — Sinto o desespero tomando conta e começo a chorar.
E agora? O que Demi vai dizer? Ela vai ficar com nojo de mim, eu sei que ela disse que nunca iria me abandonar...Mas e se ela tiver ficado muito chocada?
A porta da minha sala abre subitamente e minha secretária entra, parando assustada enquanto olha para todo o estrago que fiz.
— Senhor...
— Chame Will, e coloque Charlie Spencer no telefone...Agora! — Grito, fazendo-a dar um pulo.
— Sim, senhor. — Ela fecha a porta apressadamente com uma cara de medo.
Imagino que eu deva estar de dar medo mesmo.
Demi
Volto à consciência preguiçosamente. Sinto uma mão acariciando minha testa e meus cabelos, meus olhos tremem e estão pesados demais para abrirem.
— Demi, acorde. — Uma voz carinhosa me chama. — Acorde, minha linda.
Com algum esforço abro os olhos e vejo Joe sentado na beirada da cama, ao meu lado. As caricias que eu senti ao acordar vinham dele.
— Joe? — Pergunto meio grogue.
— Como você está, amor?
— Bem, eu... — Levanto-me e sento-me, tentando clarear minha mente confusa. Aos poucos minhas memórias vão voltando. — Joe, o vídeo... — Digo, minha voz saindo esganiçada pelo desespero.
— Eu sei, amor, eu sei.
— Ela disse que ia se vingar, ela disse...Oh Joe, já foi visto por muita gente, muita gente mesmo. — Sinto meus olhos marejarem.
— Eu sei, linda. Charlie já está tomando as providências para tentar rastrear a fonte e tirar o vídeo do ar.
— Ah meu Deus, minha cabeça. — Sinto uma dor no lado esquerdo. Escondo o rosto nas mãos procurando alivio para a dor.
— Demi... — Joe me chama com uma voz fraca. — Você viu, não viu? O vídeo. — A tristeza em sua voz esmaga meu coração. Olho para ele, mas não consigo responder, apenas balanço a cabeça. Aquelas imagens se repassando em minha mente, juro que ainda posso ouvir os gemidos. — Não. — Ele desvia o olhar e aperta o nariz, fechando os olhos com força. — Me perdoa, meu amor. — Ele balança a cabeça, inconformado.
— Sinto muito, eu não queria ver, mas...Aletta me pegou desprevenida, ela simplesmente me mostrou e eu fui incapaz de desviar o olhar. Mas não assisti até o final.
— Pelo menos isso. — Ela parece um pouco – bem pouco – aliviado. Me pergunto o que será que ele faz no final do vídeo? As coisas só devem ter ficado piores.
— Aquele pedaço de merda que você chama de colega de quarto é quem te mostrou o vídeo?
— Sim, eu fiquei sabendo que estava na internet por ela.
— Quem fez isso no seu pescoço? — Ele pergunta apontando para o meu lado direito, levo a mão e me encolho na hora que toco minha pele rasgada e dolorida.
— Foi ela, nós discutimos. Eu quebrei seu celular e lhe dei um tapa, ela puxou meus cabelos e me arranhou.
Joe levanta da cama e dá um soco na parede.
— Ela vai se arrepender. — Ele ameaça, sombrio.
— Não, Joe, é melhor...
— Você está bem?
— Sim.
— Tem certeza?
— Tenho.
— E Ivy? — Dou-lhe um sorriso triste, devido as circunstâncias, ao ouvir o outro nome que ele está testando para nosso bebê.
— Tudo bem com nosso bebê. — Acaricio minha barriga.
— Que bom. Vou pegar algo para cuidar do seu pescoço. Quer algo mais?
— Água, por favor.
— Claro. — Ele sai e dentro de poucos minutos está de volta.
Enquanto ele limpa meu arranhão com algo que arde, tento convence-lo de que estou bem e que não deve se preocupar.
— Estou bem, de verdade. Nós duas estamos.
— Ela vai pagar, isso não vai ficar assim...Mulher nojenta.
— Não. Deixe para lá.
— Como? Ela te bateu. — Ele diz indignado.
— Mas eu bati primeiro, eu perdi a razão quando levantei minha mão para ela. Vamos esquecer isso.
— Não sei se posso. — Ele solta um suspiro frustrado.
— Tente...Por mim. — Acaricio seu rosto.
— Tudo bem, vou tentar. Mas você não pode continuar mais morando com ela. — Ele diz irritado.
— Mas onde eu vou morar, Joe?
— Comigo, é claro. Logo vamos nos casar mesmo.
— Você está falando sério? — Só de pensar em trocar a companhia diária de Aletta por Joe, faz um sorriso brotar em meus lábios.
— Sim, a menos que...A menos que você tenha mudado de ideia, ou esteja repensando sobre nós...Você sabe, por causa do que você viu. — Ele abaixa a cabeça tristemente.
— Claro que não, eu te amo, nunca vou mudar de ideia. Se você estiver mesmo falando sério, eu aceito morar com você.
— Ah meu amor, isso vai ser perfeito. — Ele me dá um sorriso fraco, mas sincero, e me abraça.
— Eles tentam e tentam, mas nunca vão conseguir nos separar. Sua mãe tinha razão, nosso amor é o maior dos amores, Joe. Nada pode destruí-lo. — Sussurro com minha boca a apenas um suspiro de distância da sua.
— Deus, eu te amo tanto, você não faz ideia.
— Faço sim, porque eu te amo igual.
— Ah Demi...
— Me beije, Joe. — Ordeno e ele não demora em obedecer, junta seus lábios aos meus e por esse breve momento, enquanto nossas línguas se acariciam, esqueço de todos os problemas.  Imagino que ele e eu estamos na cabana nas montanhas, em Vermont. Que estamos à beira no lago, nos beijando, nos amando. Com apenas o céu e a natureza como testemunhas do nosso amor, que irá durar para sempre.