18.7.14

Lento - Capitulo 6 - Maratona 4.5

 
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– EU ACHO que seu pai gosta de mim.

Joe não precisava ouvir o gemido irritado que Demetria Lovato emitiu para saber que ela não estava feliz sobre aquilo. Ainda podia visualizar a mortificação na fisionomia dela quando o pai, o muito famoso Patrick Lovato, praticamente a empurrara porta afora com seu “encontro” para almoçar, depois de oferecer a Joe um forte aperto de mão e um sorriso amplo.

Engraçado, ele pensara que encontrar pessoalmente um dos homens mais ricos de Chicago teria sido uma experiência um pouco intimidadora. Patrick Lovato podia não ser conhecido no mundo inteiro, mas não havia uma pessoa em Chicago que não ouvira falar sobre o milionário filantrópico, um homem que era famoso por seus trabalhos beneficentes, assim como por sua vida amorosa tempestuosa.

No entanto, Joe não se sentira intimidado. Talvez porque tivesse visto muitas cenas de acidente, ajudado inúmeras vítimas de crime, respondido a muitas tragédias, que percebia que todo dinheiro do mundo não significava absolutamente nada quando se tratava de deter uma bala ou evitar voar através do vidro quebrado da frente de um carro.

Todo mundo sangrava igual... vermelho. Não existia algo como sangue azul. Motivo pelo qual, talvez, ele também se sentisse totalmente à vontade com sua conquista de Demetria Lovato, a quem as páginas sociais gostavam de chamar de a Rainha do Gelo do Distrito Financeiro. Ele descobrira isso nos dois dias desde o leilão. Tinha feito alguma pesquisa.

Pessoalmente, ela não era nem um pouco fria. Confiante e um pouco inacessível? Com certeza. Mas não fria.

Profissionalmente? Bem, Joe não dava a menor importância para como ela era atrás da mesa sofisticada de trabalho. Ele não a queria por suas conexões com um grande banco de Chicago. Queria-a pela excitação que vinha sentindo em seu íntimo desde o instante que a avistara de trás das cortinas pretas, no leilão da outra noite. E queria saber o que estivera por trás da tensão e determinação dela, uma emoção que não havia sido capaz de disfarçar a inata sensualidade de Demetria.

– Não fique muito orgulhoso disso – replicou ela quando eles chegaram à esquina de Madison com State, dirigindo-se para o café mais próximo. – Apesar da reputação de homem de negócios, meu pai é um romântico incurável, que adoraria me ver casada. Ele ficaria feliz se um mímico embriagado e todo pintado viesse para me levar para almoçar, contanto que ele fosse solteiro e respirasse. – Eu detesto mímicos.

– Quem não detesta?

– Quero dizer, que tipo de criança pensa “quando eu crescer, eu quero pintar meu rosto e irritar pessoas como um meio de vida”?

Ela arqueou uma sobrancelha irônica.

– Alguém que quer ser palhaço?

– Acho que eu me sentiria melhor se meu filho dissesse que queria ser advogado.

– Nem pense nisso – murmurou Demi com um tremor exagerado.

– Eu nunca vi um bêbado, todavia. Talvez isso fosse divertido.

– Você obviamente não almoça no Clube Chicago com todos os advogados de defesa caríssimos.

– Eu estava me referindo aos mímicos – explicou Joe, gostando da conversa com ela, gostando das respostas inteligentes e daquele sorriso contido na boca bonita. O que mais queria agora era um sorriso amplo, que mostrasse as lindas covinhas e aquela risada leve que sabia estar escondida atrás dos lábios curvados e dos olhos brilhantes.

– Observá-los cair e não conseguir levantar dentro de sua caixa invisível seria divertido.

Aquilo finalmente funcionou, ele conseguiu fazê-la relaxar.

– Você está certo. – Um pequeno sorriso apareceu, finalmente abrindo-se naquele sorriso brilhante, completo com a evidência das covinhas. Deus, Demi tinha o tipo de sorriso que poderia parar o trânsito. Ela era feita para isso.

Entre outras coisas.

Sentindo-se ainda mais confiante sobre seu jeito sorrateiro de fazê-la almoçar com ele, Joe pegou-lhe o braço quando o semáforo abriu. Instinto. Bons modos em relação ao sexo feminino haviam sido incutidos em sua cabeça desde muito cedo.

Uma coisa boa... ela não se encolheu. Uma segunda coisa boa... ela também não recuou do toque.

Aquilo era alguma coisa pelo menos.

– Então seu pai é um romântico incurável? – A imagem não combinava com o “magnata implacável” que os jornais diziam que ele era.

– Esqueça isso.

– Assunto delicado?

– O registro de relacionamento de meu pai não é exatamente romântico. Todavia, ele ainda sonha com rosas e contos de fadas, amor verdadeiro por toda parte, por mais impossível que isso possa ser.

Eles atravessaram a rua com o restante do fluxo da humanidade. Numa tarde de verão ensolarada, todo mundo saía para apreciar o calor do sol. E muitos deles faziam isso no Millennium Park. Era para onde Joe pretendia levar Demetria depois que eles comprassem um almoço. Achava que ela não era do tipo que fazia piquenique, especialmente no meio de um dia de trabalho, mas pretendia convencê-la, de qualquer maneira.

– Por que isso é impossível? – perguntou ele, quando eles chegaram à calçada oposta.

– O quê? – Ela o fitou em confusão, obviamente tendo esquecido o que acabara de falar.

Aquilo dizia muito. Principalmente, que ela não pensava sobre amor com muita frequência. Joe guardou a informação, sabendo que teria de conhecer esta mulher aos pouquinhos, parte por parte, porque isso era tudo o que ela permitiria, até que baixasse a guarda.

– Por que se apaixonar é impossível?

Ela suspirou, enquanto eles continuavam andando.

– Apaixonar-se não é o problema – murmurou ela. – É a parte de permanecer apaixonado que eu não acredito muito.

– Eu tenho dois pais, quatro avós e aproximadamente 50 tias, tios, primos e amigos que diriam que você está errada sobre isso.

Demetria finalmente virou-se para fitá-lo, um brilho cético surgindo nos grandes olhos castanhos. Foi quando ele soube... a mulher tinha sido ferida. Gravemente. A percepção causou uma dor profunda no âmago do bom sujeito que detestava imbecis que magoavam mulheres.

– E eu tenho um pai, uma irmã, algumas ex-madrastas, diversos primos, tias, tios e amigos que dizem que estou certa.

Ele ficou atônito.

– Nem um único casamento bem-sucedido na família?

Os cílios de Demetria baixaram sobre olhos subitamente tristes.

– Meus pais eram supostamente felizes.

Confuso, Joe esperou que ela continuasse.

– Minha mãe morreu quando eu era muito pequena. Meu pai uma vez disse que os anos que passou com ela foram os mais felizes de sua vida.

– Então esse tipo de felicidade é possível.

– Eles só estavam casados por cinco anos, antes de ela adoecer.

– Deus, como você é pessimista.

– E você é otimista?

– Ah, sim. Meu copo pode conter apenas cerveja, em vez de champanhe, mas está quase sempre metade cheio.

Joe tinha visto muita tristeza e tragédia em seu trabalho para se permitir sentir-se de qualquer maneira, exceto imensamente grato por todas as coisas boas em sua vida. Sua família, sua ótima infância, seu trabalho, seus amigos.

E agora... bem, agora talvez Demetria Lovato. Se ela apenas lhe permitisse se aproximar o bastante para descobrir.

– Então o que você quer comprar para almoçar? – perguntou ele, ainda não lhe contando que pretendia levá-la ao parque, de modo que ela pudesse relaxar, talvez baixar um pouco a guarda.

Ele queria ver a brisa do lago soprando no cabelo dela. Queria ver outro sorriso genuíno, talvez até o brilho de um pequeno interesse, como tinha visto naqueles bonitos olhos castanhos, no escritório dela. Exatamente como o brilho que Demetria obviamente vira na outra noite, quando eles haviam se conhecido.

Toda mulher detestava ser tratada como objeto, ele sabia disso. E Joe nunca... jamais... tratava qualquer mulher como um corpo sexy com uma cabeça pregada sobre este. Mas pausar para apreciar as curvas deleitosas desta mulher em particular tinha sido tão instintivo para ele quanto respirar o ar fresco de junho.

Ela notara. Ele vira que ela notara. Mesmo agora, as mãos de Joe se apertavam, e sua boca aguava diante do pensamento de observá-la rebolar naquele vestido azul de seda que ela usara.

Ele apostara que ela havia usado peças pretas de seda muito pecadoras sob o vestido. O pensamento de como seriam aquelas curvas inacreditavelmente sensuais, adornadas por lingerie sexy, foi o bastante para atiçar sua libido e lhe dar uma noite de insônia depois que ela partira.

Joe sentia que esta noite não seria muito melhor, embora a aparência de Demetria não pudesse estar mais diferente do que no dia que ele a conhecera. Hoje, vestida em sua armadura de mulher de negócios... um blazer azul-claro, uma blusa de seda, uma saia curta o bastante para mostrar um par de pernas magnífico, mas não curta o bastante para causar uma parada cardíaca num homem... ela parecia inteiramente no controle. Não havia sinal da mulher sexy e quase impulsiva que gastara uma pequena fortuna por uma noite com ele. Esta havia sido substituída pela mulher de negócios com modos impecáveis.

A profissional calma e imperturbável ainda era incrivelmente ardente. E a ideia de tentá-la a esquecer os bons modos e a reserva e enlouquecer... com ele... já fazia sua calça parecer mais justa do que estivera nesta manhã.

Ela era uma contradição... a donzela gelada e a mulher sexy em azul meia-noite. Ele queria as duas.

Muito.

– Nós realmente não precisamos continuar esta fachada.

– Que fachada?

– Este... almoço improvisado. Obviamente, você foi induzido, pela situação, a fazer a oferta, quando meu pai apareceu.

Joe sorriu.

– A melhor parte é que você foi induzida a aceitar.

O rosto dela corou um pouquinho, mas Demi acenou uma mão no ar, como se espantando um pequeno inseto incômodo... ou aquele pequeno detalhe incômodo... de qualquer forma.

– Seja qual for o caso, o escritório de meu pai fica no vigésimo andar. Ele não está observando para se certificar de que nós estamos realmente saindo num “encontro”.

– Não considere isso um encontro – murmurou ele. – Vamos chamar de um simples almoço. Apenas uma reunião de planejamento, de modo que possamos combinar um verdadeiro encontro romântico. As costas de Demetria enrijeceram.

– Este também não será um encontro romântico.

– Que nome você daria para isso?

– Uma reunião planejada.

– Soa frio. Que tal uma experiência compartilhada entre dois amigos?

– Nós não somos amigos.

– Talvez sejamos no momento que sairmos juntos. Hoje, esperançosamente, seria um começo desta amizade.

– Vamos chamar isso de um... arranjo de negócios.

– Arranjo de negócios? – Joe não pôde conter uma risada, imaginando se ela fazia alguma ideia do que estava implicando. – Sabe, em alguns círculos, uma mulher pagando uma grande soma de dinheiro para que um homem a leve para sair, dizendo que ela queria um arranjo de negócios, poderia ser interpretado como alguma coisa muito perversa.

Ela parou, virando a cabeça para fitá-lo. Atrás deles, um executivo impaciente xingou, mas seguiu o trânsito de pedestres quando este se separou numa bifurcação. Os olhos escuros de Demetria se tornaram quase pretos, apesar do dia ensolarado de junho.

– Não há nada perverso sobre isso, sr. Jonas. Eu não estou no mercado para nada desse tipo.

Bem, ele certamente esperava que não. Não somente porque não tinha interesse nesta espécie de jogo, mas também porque, de jeito algum, aquela mulher algum dia precisaria pagar um homem para passar tempo com ela. Qualquer homem iria querer estar com Demi, apesar da parede auto protetora de gelo que ela mantinha firmemente ao redor de si mesma. E não apenas por causa do dinheiro ou linhagem dela, ou pelo lindo pacote exterior.

Havia uma mulher apaixonada, sorridente e feliz dentro de Demi. Ele sabia disso.

– É claro que não.

Ela continuou como se não o tivesse ouvido.

– Eu fui àquele leilão porque queria um bom Natal a algumas crianças carentes. Ter de compartilhar uma noite com você foi inteiramente acidental.

Erguendo uma sobrancelha, Joe teve de perguntar:

– Por que você não podia simplesmente enviar um cheque pelo correio?

Ela abriu a boca, mas fechou-a em seguida. E pela primeira vez desde que tinha colocado os olhos nela, de trás daquela cortina, Joe percebeu que a mulher estava completamente perturbada. Sem fala. Ele finalmente conseguira abalá-la.

Mas não se deleitou em tal fato. Em vez de atormentá-la com aquilo, Joe apenas segurou-lhe o braço e continuou andando, olhando-a de vez em quando e vendo, pelo jeito que os lábios delicados se moviam, que ela estava mentalmente compondo uma resposta. Mesmo que fosse tarde demais para dar uma.

Joe não pôde evitar um pequeno sorriso. Ia adorar ver esta mulher perder sua concha auto protetora, mesmo se ele levasse alguns golpes no processo.

Por Demi Lovato, definitivamente valia a pena.
 
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3 comentários:

  1. Ameeei *-*
    Joe pela Demi vale até sair na rua pelado! Vale tudo
    Continua
    Fabíola Barboza :*

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  2. estou apaixonada por está história, pfvr posta logo

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