Mostrando postagens com marcador Lento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lento. Mostrar todas as postagens

23.7.14

Lento - Capitulo 28 - Último

 
~

– EI, JONAS, tem alguém aqui que quer falar com você!

Joe ergueu os olhos do kit de primeiros socorros que estava repondo na sala de estoque, surpreso que um dos rapazes tinha voltado lá para procurá-lo. Ele não deveria estar trabalhando hoje. Tinha tirado o dia de folga por uma mulher que não confiava nele o bastante para acompanhá-la num casamento da família, muito menos para amá-la. Mas olhar para as quatro paredes de seu apartamento logo começara a enlouquecê-lo, e Joe havia ido à estação do corpo de bombeiros, determinado a organizar a sala de estoque e cuidar de alguma papelada.

– Quem é?

O homem, um dos bombeiros mais novos, arqueou as sobrancelhas.

E Joe soube.

Ele guardou as bandagens que estivera segurando no armário mais próximo, bateu a porta e foi para frente da estação. Demi estava do lado de fora, seu lindo cabelo escuro brilhando no sol de junho. Os braços estavam envoltos ao redor da cintura, e ela não estava no vestido sexy de madrinha, mas em saia jeans e blusa colorida.

O casamento, ele percebeu, devia ter sido adiado. Nenhuma surpresa ali. Joe não podia imaginar sua própria irmã se casando, se tivesse acontecido alguma coisa com o pai deles. Entretanto, considerando a identidade dos noivos, ele não tivera muita certeza.

– Ei – disse ele quando chegou ao lado dela. – Você está bem?

Demi inclinou a cabeça para trás e o olhou, um sorriso gentil brilhando nos lábios maravilhosos. – Eu estou bem.

– Seu pai?

– Ótimo também.

Então eles ficaram um silêncio. Ela fora lá para dizer alguma coisa... mas Joe não tinha a esperança de que fosse algo que ele quisesse ouvir. Que ela estava errada, tão errada, em colocar aquelas paredes auto protetoras ao redor de si mesma novamente. Que sabia que ele nunca a machucaria, e estava pronta para admitir que também o amava.

Mas ela não disse nada.

– Suponho que o casamento foi adiado?

Demi meneou a cabeça.

– Ah. Você... ainda precisa de um acompanhante?

– Sim – murmurou ela, então pigarreou. – Sim. Eu preciso de um acompanhante.

Joe passou uma mão frustrada pelo cabelo.

– Eu deixei meu smoking no meu apartamento. – Consultando seu relógio, ele acrescentou: – Ouça, eu vou lá buscar e...

– Não – interrompeu ela, pondo uma mão sobre a boca dele para calá-lo. – Eu não preciso de um acompanhante para um casamento, o qual não foi adiado. Sel cancelou o casamento. Para sempre.

Aquilo parecia uma das coisas mais inteligentes que a irmã dela já fizera.

Demi traçou a ponta do dedo sobre os lábios dele, então seu queixo e seu pescoço, antes de confessar:

– Mas eu ainda quero os próximos 14 dias que você me deve.

– O quê?

– E depois eu quero mais 14 mil dias.

O chão moveu-se sob os pés de Joe. Ou talvez fosse apenas seu coração girando freneticamente no peito. Porque aquilo parecia...

– O que eu preciso é de um acompanhante, ou melhor, de um companheiro de vida. Eu quero estar nos seus braços para sempre, Joe, e quero você nos meus – admitiu Demi, todas as tentativas de se proteger evaporando sob o céu brilhante de verão. – Eu o quero dormindo ao meu lado e andando ao meu lado. Andando comigo e me abraçando. Rindo comigo, chorando comigo e me impedindo de me congelar naquela mulher novamente.

– Eu amo aquela mulher – disse ele. – Eu a amei desde o começo. E amo esta também. Eu amo todas as partes suas, Demetria Lovato.

Aproximando, até que os corpos de ambos se tocassem, ela deixou todas as terminações nervosas de Joe em alerta, preenchendo sua cabeça com o cheiro doce, e seus ouvidos, com palavras ternas.

– Eu amo você também.

O sussurro de Demi fez o mundo de Joe girar de novo, tudo se encaixando no lugar, exatamente a onde pertencia. Tornando tudo o que ele sempre sonhara real e perfeito.

Demi ergueu-se na ponta dos pés.

– Eu o amo tanto e nunca quero perdê-lo. – Ela deu um sorriso de tirar o fôlego. – Eu finalmente me permiti acreditar nisso.

– Eu fico muito feliz – sussurrou ele, inclinando-se para lhe roçar os lábios com os seus. Ela envolveu-lhe o pescoço com os braços, beijando-o de volta, as línguas se encontrando com paixão, ambos distraídos do tempo, lugar e pessoas ao redor.

Quando o beijo finalmente acabou, ela não se afastou, permanecendo em seu abraço.

– Saiba que eu nunca o deixarei. Mesmo se o mundo acabar amanhã, e nós nunca mais nos virmos... eu jamais o deixarei.

Ela não precisou explicar aquilo. Ele entendeu completamente. Eles estavam unidos agora. Através de emoção e de palavras, e logo, Joe sabia, através de votos matrimoniais e família. Unidos para a vida.

– Demi, você não aprendeu naquela noite que nos conhecemos? – perguntou ele com um beijo provocante no queixo dela. – Eu também jamais a deixarei fugir de mim. – Então toda provocação desapareceu. – Eu prometo.

– Bem, então suponho que nós temos um acordo – murmurou ela, os olhos brilhando com a mais pura felicidade. – Porque eu sei que você não é um tratante.

Joe inclinou a cabeça para trás e riu para o céu. Sentia-se mais feliz do que algum dia se sentira, mais seguro da união dos dois do que já estivera de qualquer coisa na vida.

E estava grato... muito grato... ao destino ou a qualquer ser divino que fizera dele o homem que Demi escolhera naquela noite.

O homem que ela escolhera para a vida.
 
~

Ahh infelizmente é o fim dessa mini-fic!! :'( gostei muito de posta-la para vocês, é uma fic/adaptação muito perfeita, né??? mas ainda tem mais adaptações vindo, e as meninas que são do grupo no whats já sabe qual é pq eu dei um spoilerzinho outro dia por lá, acho que poucas viram, mas enfim... a próxima é do Bate-Parede!!! amanha eu posto a sinopse e o capitulo 1, ok?? Beijooos!! <3

Nes, eu não entendi o que vc quis dizer no seu comentário, sobre seguir, vc não esta conseguindo ler os capítulos? é isso??

22.7.14

Lento - Capitulo 27


~

CONSIDERANDO QUE estava de volta ao hospital por volta das 10h da manhã, Demi poderia muito bem ter ficado lá. Se não tivesse ido embora, se tivesse se curvado num dos sofás desconfortáveis para esperar até a hora das visitas, talvez pudesse ter adiado o momento inevitável quando tivera de destroçar seu próprio coração. Porque era isso que fizera com cada palavra que falara para Joe nas primeiras horas da manhã.

– Eu sinto tanto – sussurrou ela, esfregando as mãos nos olhos cansados, enquanto olhava para o relógio na sala de espera do hospital. Seu pai tinha permissão de receber duas breves visitas por hora, começando às 11h. Demi foi a primeira da família a chegar, até poderia ter ido um pouco mais tarde. Mas para quê? Não era como se tivesse dormido ou feito qualquer coisa em casa que não pudesse fazer ali. Preocupar-se. Chorar. Lamentar.

Se seus medos pelo pai não tinham conseguido esvaziar seu cérebro ou impedido que seus olhos se fechassem na escuridão de seu quarto, então sua tristeza por ter mandado Joe embora de sua vida certamente fizera o trabalho.

Ele não tinha ajudado. Tentara dissuadi-la a fazer o que ambos sabiam que Demi realmente não queria fazer. Mas no final, com lágrimas escorrendo pelo rosto, ela admitira que estava cansada demais, assustada e confusa demais para raciocinar com clareza, e ele parara de insistir.

Deixando-a mandá-lo embora de sua vida.

Demi não era tola. Sabia que ele apenas partira porque também estava preocupado com o pai dela... e com o estado emocional de Demi. Se não fosse por isso, eles provavelmente ainda estariam na garagem no subsolo de seu prédio, discutindo sobre se Joe a amava de verdade ou não... e se continuaria amando-a.

E se ela lhe permitiria isso ou não.

Engraçado, a única coisa que ele nem sequer questionara tinha sido os sentimentos dela. Joe tomava seu amor por ele como algo totalmente certo, apesar deDemi nunca ter falado as palavras.

Isso não importava. Não havia como esconder seus sentimentos. De Joe ou de ninguém.

– Mas isso é hoje – lembrou a si mesma, enquanto olhava o relógio se aproximar das 11h.

Amanhã, bem, seu coração talvez provasse ser tão inconstante e arbitrário quanto o de todos em sua família. E Joe merecia mais do que isso. Muito mais.

Ela o amava demais para querer machucá-lo dessa forma. Mesmo se machucasse a si mesma todos os minutos do dia, pelo resto de sua vida.

– Você está aqui! – exclamou a voz de uma mulher.

Quase temendo que pudesse ser Deborah, Demi não pôde evitar um suspiro de alívio quando viu o rosto pálido de Sel. Levantando-se, envolveu sua irmã num abraço apertado, olhando, sobre o ombro dela, para o corredor, a fim de certificar-se de que sua irmã tinha ido sozinha. – Você está bem?

Sel assentiu.

– Bem.

Elas se separaram.

– Você não parece bem.

– Ora, é claro que eu estou bem. E você?

Demi meneou a cabeça.

– Mas papai vai ficar bom.

– Eu sei. –Sel enfiou a mão dentro de sua loja de grife e tirou um pacotinho de lenços de papel, oferecendo um para Demi, então limpando embaixo de seus próprios olhos. – Você pode imaginar?

Olhos inchados em minhas fotos de casamento?

Demi ficou boquiaberta.

– Do que você está falando?

Sel ergueu o queixo, os lábios tremendo, então endireitou o corpo.

– Bradley e a família dele querem proceder com o casamento esta tarde.

– Não, você não pode fazer isso!

– Eles dizem que é exatamente o que papai desejaria.

Eles provavelmente tinham razão. O que não tornava aquilo certo.

– Eles também apontaram, de maneira lógica, que já foi tudo pago... a comida está preparada, as flores estão no lugar. Dúzias de parentes já vieram de outras cidades. E o próprio cirurgião de papai disse que ele ficará bem. Ele apenas não será capaz de entrar comigo na igreja... desta vez.

Desta vez. De alguma maneira, Demi tinha a impressão de que Sel estava repetindo palavras que alguma outra pessoa lhe dissera. E ela subitamente queria bater naquela pessoa por colocar tanta pressão... e culpa... nos ombros delgados de sua irmã.

– Não se case com ele. – As palavras saíram da boca de Demi, sem que seu cérebro tivesse se envolvido na decisão. Sua irmã não lhe pedira conselho... mas ela o deu, de qualquer forma, incapaz de conter-se. – Você sabe que ele não a fará feliz. Sabe que não o ama.

– Eu amei meu primeiro marido, e amei outros homens desde então. Talvez amar alguém que eu não ame seja exatamente a coisa certa a fazer. – Ela passou uma mão cansada sobre o rosto, parecendo tão exausta quantoDemi se sentia. – É melhor assim, Mad. Eu simplesmente não nasci para me apaixonar e continuar apaixonada. Filha do meu pai, suponho.

Como Demi podia argumentar contra aquilo, quando mandara Joe embora de sua vida pela mesma razão?

Antes que pudesse falar mais alguma coisa, todavia, Selena olhou para o relógio.

– Vamos. Ela não pode nos criticar por entrar primeiro quando nem mesmo se importou de aparecer na hora.

Demi nem precisou perguntar de quem sua irmã estava falando. Eram 11h, Deborah não estava lá, e ninguém as impediria de ir para o lado de seu pai.

Chegando ao quarto dele e abrindo a porta, Demi prendeu a respiração. Ela esperara que ele parecesse à beira da morte. Pálido e exausto, fraco, cheio de fios e sondas e cercado por máquinas.

Ele estava cheio de fios e sondas e cercado por máquinas, e parecia cansado e pálido... mas não estava à beira da morte, em absoluto. Em vez disso, ao vê-las paradas junto à porta, ele sorriu e levantou uma mão, devagar.

– Minhas meninas.

Elas correram para o lado dele e choraram como bebês. As duas. A rainha do gelo e a rica mimada,

cada uma sentada de um lado do pai, segurando as mãos dele e soluçando.

O que logo deixou Jason Turner entediado.

– Basta. Eu estou bem. Parem ou vocês irão ensopar meus lençóis. Se as enfermeiras acharem que eu molhei esta cama, eu nunca mais poderei aparecer num evento de levantamento de fundos para um hospital.

Fungando, Demi conseguiu um sorriso.

– O que está acontecendo? Eu estou louco por notícias – disse ele, tentando soar normal, embora sua fraqueza fosse revelada pela suavidade da voz e pelas linhas de fadiga e dor no rosto dele. – Tudo está bem – disse Demi. – Tudo ótimo – concordou sua irmã – O casamento?

Sel o fitou, e Demi leu a angústia ali.

– Você vai dar prosseguimento a isso, não vai? Não ouse deixar este aqui... – seu pai gesticulou para seu próprio corpo fraco – impedi-la de se casar. – Então, olhando para o teto, em vez de para a noiva, acrescentou: – Se você quiser realmente se casar com ele, isto é.

Sel arfou em surpresa. Demi, que sabia que seu pai estava tendo dúvidas, não se surpreendeu.

– Se você não quiser, sinta-se livre para usar a fraqueza de seu velho pai como uma desculpa para sair de toda essa confusão.

Selena apenas fitou seu pai, os olhos enormes no rosto pálido, não falando uma única palavra. Seu pai não pressionou.

– Pobre Deborah, ela não está aqui?

– Eu tenho certeza de que ela estará aqui a qualquer minuto – disse Demi. – Nós apenas nos aproveitamos do fato de termos chegado um pouco antes de Deborah.

– Talvez.

– Ela estava preocupada – admitiu Selena, embora de forma relutante.

– Eu sei que estava. – Fechando os olhos e afundando mais a cabeça no travesseiro, ele murmurou:

– Não a julgue... eu não tenho sido muito gentil com aquela mulher.

Lembrando-se do que a madrasta delas tinha falado... sobre o marido encorajá-la a ter um caso...

Demi só pôde trocar um olhar significativo com Selena.

– Psiu, está tudo bem. – Sel acariciou o cabelo grisalho de seu pai.

– Eu não a amo, sabe? – Com os olhos fechados, as palavras não passavam de um sussurro, como se ele estivesse falando mais consigo mesmo do que com elas. – Eu não tenho certeza quem disse isso, mas é verdade. A única coisa pior do que estar num casamento sem amor, é estar em um onde existe amor de apenas um dos lados. Algo que eu já deveria ter aprendido a essa altura.

– Pare com isso. Ela sabia o que estava fazendo – murmurou Demi, mais preocupada com a saúde de seu pai do que com as emoções de sua madrasta. – Além do mais, você é capaz de amar, papai. Apenas olhe para nós. Não há dúvida, na mente de Selena ou na minha, de que você nos ama tanto quanto nós o amamos.

Um tipo diferente de amor... mas ela não permitiria que o pai mergulhasse em auto recriminação, não quando ele precisava se recuperar.

Suas palavras pareceram surpreendê-lo. Ele abriu os olhos.

– Ah, é claro que eu sou capaz de amar, querida. – As mãos frágeis deslizaram pelo cobertor fino do hospital, de modo que ele pudesse segurar uma mão de cada filha. – Eu amei muito.

E frequentemente.

– Esse é o problema, sabem? – acrescentou ele, os dedos se afrouxando, como se o esforço de apertar as mãos delas fosse grande demais. – Como muitas outras pessoas em minha família... sua avó, que viveu sozinha por décadas, meu irmão, sempre procurando por aquela que ele tolamente deixou escapar... eu estou à mercê de meu próprio coração. – Ele deu um tapa leve no peito. – O qual é, talvez, um pouco mais fraco do que eu imaginava.

– O que você está dizendo? – perguntou Sel, em confusão visível.

Ele sorriu para sua filha mais velha, que compartilhava seus brilhantes olhos azuis.

– Eu gostava de sua mãe, mas nós éramos jovens. Nenhum de nós entrou no relacionamento pelas razões certas.

Selena assentiu, concedendo o ponto. – Eu sei.

– E eu apreciei muitos relacionamentos com outras mulheres ao longo dos anos. – Então ele olhou para Demi e seus olhos umedeceram, como se lágrimas estivessem ameaçando. – Mas a verdade é que, nós, Turner, somos capazes de apenas um amor verdadeiro.

Demi arfou. Nunca ouvira seu pai falar desse jeito, nem uma única vez durante seus 28 anos. E embora, por um breve momento, tivesse se perguntado se a medicação o confundira, teve de reconhecer que o olhar dele era claro, a voz, apesar de fraca, continha muita convicção.

– Essa é uma benção e uma praga em nossa família, mas é verdade. Nós só conseguimos amar uma vez. Um grande amor, para nunca ser esquecido, nunca ser substituído, nem mesmo se nós acabarmos completamente sozinhos. – Ele estendeu o braço e roçou uma mão trêmula no rosto de Demi. – Você parte meu coração e o preenche, cada vez que olho nos seus olhos e a vejo aí.

E subitamente, ela entendeu o que seu pai estava dizendo. A verdade que ele nunca admitira antes.

Seu pai não era culpado de amar muito brevemente ou de maneira muito superficial.

A grande tragédia da vida dele era ter amado tanto que nunca pudera dizer adeus.

– Vocês duas estão condenadas, lamento informá-las. Portanto, fiquem alerta, ouçam ao seu coração – disse ele, com um suspiro profundo. – E quando encontrarem o verdadeiro amor, saboreiem cada momento, não percam um segundo desta benção. Eu encontrei a outra metade do meu coração e passei 24 anos tentando preencher o tempo, até que eu possa estar com ela novamente.

Lágrimas escorreram livremente pelas faces de Demi. De todos os momentos que ela lamentara ter perdido sua mãe, este era o mais intenso.

Seu pai pegou a mão de Demi novamente, fitando-a com olhos tristes.

– Você encontrou o homem errado, querida... de novo e de novo, tentando tão arduamente e esperando que cada vez fosse melhor do que a última. – Então voltou sua atenção para Demi. – E você, minha doce garota, fechou-se completamente, nunca se permitindo acreditar que algum dia encontrará o homem certo.

– Ah, papai – sussurrou Demi, seu coração doendo por ele com cada palavra que ele falava.

Havia, ela sabia, um presente que podia lhe dar, para ajudar a diminuir a preocupação de seu pai, talvez para ajudá-lo a se curar. Apenas um segredo... porém, o mais importante da vida de Demi. – Você está errado, sabia?

Ele meramente esperou.

– Eu já o encontrei – murmurou ela, então inclinou-se para dar um beijo na testa de seu pai. Ele a olhou, vendo a verdade ali.

– Eu fico tão feliz – sussurrou seu pai. – Tão, tão feliz. – Então ele adormeceu, parecendo confortável e relaxado, a respiração tranquila e regular.

Demi e sua irmã olharam para seu pai, então se entreolharam através da cama. A dor que seu pai sofrera durante os longos anos solitários devia estar escrita claramente no rosto das duas irmãs. Elas até mesmo lamentaram por sua madrasta, a mulher que tivera a esperança de preencher o vazio do coração dele, que, até o dia de hoje, estava de luto por Magdalena.

Uma enfermeira entrou, informando que o tempo delas tinha acabado. As duas se levantaram ao mesmo tempo, cada uma abaixando-se para beijar o rosto de seu pai, antes de saírem do quarto, juntas.

– Eu tenho de ir – murmurou Selena, a voz tendo perdido aquele tom de ansiedade... assim como da tristeza e culpa que ela vinha carregando desde que chegara lá esta manhã. – Tenho um casamento para cancelar, e um noivo para rejeitar.

Incapaz de conter um sorriso, Demi pegou a mão de sua irmã.

– E eu tenho três palavras para falar para um homem incrível.

O amor de sua vida. Demi não tinha mais uma única dúvida sobre isso.
~

21.7.14

Lento - Capitulo 26

 
~

AQUELA NOITE foi uma das mais longas da vida de Demi. Ela, Selena e Deborah compartilharam uma trégua forçada na sala de espera do hospital, enquanto seu pai era operado.

Duas pontes de safena. E nenhuma delas imaginara que houvesse alguma coisa errada com ele, além de uma ocasional pressão alta.

Felizmente, Joe as manteve informadas sobre o que estava acontecendo. Ele serviu de intermediário entre o staff médico e a família. Sem mencionar uma presença confortante para Demi.

Contudo, ela não se permitiu apoiar-se muito sobre ele. Porque, embora estivesse preocupada com seu pai, não conseguia parar de pensar na conversa que eles tinham tido durante o trajeto para o hospital. As revelações horríveis, a tristeza, a amargura.

Todos os pensamentos felizes que tivera, 12h atrás, sobre como os Turner pareciam, finalmente, ter se livrado da falta de sorte no amor... se provavam estar errados. Sel e seu pai haviam admitido livremente que não estavam apaixonados pelas pessoas a quem tinham jurado... ou planejado jurar... amar até a morte. O que, em nome de Deus, estava errado com sua família?

E o que estava errado com ela também?

Bradley estava lá. Ele chegara logo depois delas. Apesar de ser um imbecil, na opinião de Demi, ele, pelo menos, oferecera qualquer conforto que pudesse dar a Sel. Apesar de não ser exatamente carinhoso, ele também não agia de forma crítica e desaprovadora.

Bem, talvez de forma desaprovadora, pelo menos, logo que fora apresentado para Joe. Mas o brilho crítico tinha finalmente desaparecido dos olhos dele.

– Espero que as notícias se espalhem – falou ela para Joe quando eles tiveram um momento em particular. – Eu farei tudo o que posso para me certificar de que todos saibam que Bitsy e Oliver são loucos. Considerando que todo mundo viu que você salvou a vida do meu pai, só um tolo acreditaria na história, de qualquer forma.

O que dizia muito sobre Bradley, que ainda acreditara naquilo, até que fosse confrontado com uma verdade que não poderia negar... a interação amigável de Joe com a equipe do hospital, que o conhecia pelo nome e pela reputação.

– Não se preocupe com isso. Eu não me importo.

– Eu me importo. Minha família causou muitos danos a você. – Demi ouviu o próprio tom de voz tenso e formal e quase odiou a si mesma por isso. Mas não podia relaxar. Porque, embora parte sua quisesse desesperadamente se apoiar em Joe, cair nos braços fortes e aceitar todo o conforto que ele tinha a oferecer, emocionalmente, ela não podia arriscar aquilo.

Ele abriu a boca para argumentar, como se percebendo que ela começara a se afastar, a se retirar para trás da barreira que seguramente guardara seu coração por tanto tempo, mas a porta da sala de espera foi, de súbito, aberta. Vendo o cirurgião, um dos melhores da cidade... que havia ido para o hospital assim que soubera sobre a condição de seu pai... todos se levantaram num salto.

– A cirurgia foi muito bem-sucedida. Embora eu não queira ser precipitada, acho que é seguro dizer que sr. Lovato está no caminho da recuperação.

Estas foram todas as palavras que Demi ouviu, antes de lentamente voltar a se sentar. Os outros prestaram atenção em cada instrução, em cada detalhe que o médico estava oferecendo. Demi apenas rezou, agradecendo do fundo do coração, imaginando se seu anjo da guarda pessoal... a mãe que sempre imaginava que estava olhando por ela... tinha ouvido suas preces.

Sendo informados de que não poderiam ver Jason por diversas horas, eles decidiram ir para casa para o que restava da noite... apenas uma ou duas horas de escuridão. Logo, o dia do casamento de Selena, por tanto tempo esperado, chegaria.

Meu Deus, como a vida podia mudar num instante.

Uma das amigas de Deborah – não Bitsy – tinha aparecido para lhe oferecer uma carona. E Selena fora embora com o noivo, obviamente eles precisavam tomar algumas decisões sobre o casamento.

Francamente, Demi esperava que sua irmã cancelasse o casamento para sempre, em vez de apenas adiá-lo até depois da recuperação do pai delas. Mas sentia que Sel não faria isso. De um jeito ou de outro, Sel provavelmente se casaria com o homem.

Sua irmã parecia pronta para acreditar que não existia algo como amor verdadeiro. E mais, que talvez até mesmo houvesse alguma coisa errada com ela... alguma coisa errada com todos eles... que os tornava incapazes de sustentar a emoção.

Demi poderia ter lhe dito que aquilo não era verdade. Porque estava, sem sombra de dúvida, completamente apaixonada por Joe.

Por enquanto. Esse era o problema. Ela o amava agora.

E quanto ao dia de amanhã? Bem, apesar de suas esperanças, sonhos e desejos durante as últimas semanas, ela se lembrara da verdade... não acreditava em amanhãs, em felizes para sempre e em amor eterno.

Sim, amava Joe no momento presente. Mas no ano seguinte? Dentro de cinco anos? Alguém que ela já conhecera amara por uma vida inteira?

Não. Talvez no mundo de Joe isso acontecesse, não no seu. E Joe era bom demais para ter de viver com essa incerteza.

O que a deixava com uma única opção devastadora.

– Você está bem? – perguntou ele, após a longa jornada silenciosa de volta para o seu prédio. As ruas estavam desertas, e o silêncio dentro do carro tinha sido mais alto do que aquele do lado de fora.

– Eu estou bem – respondeu ela, uma vez que ele estacionou na sua vaga. – Obrigada por ter estado lá.

– Suponho que eu deveria deixá-la subir e dormir um pouco. Quer que eu venha buscá-la mais tarde nesta manhã, a fim de levá-la para o hospital?

Uma pergunta simples. Aquela que ele não fizera, todavia, era a que ambos estavam contemplando. Ela queria que Joe fosse embora?

– Joe, diga-me por que você concordou em me deixar “contratá-lo” por 30 dias. Por que não me contou a verdade?

Ele sorriu gentilmente, estendendo a mão para lhe afastar o cabelo dos olhos inchados pelo choro.

– Bem, primeiro, porque você disse claramente que não teria nada a ver comigo se eu não aceitasse o seu cheque.

Verdade.

– Mas também porque eu sabia que você nunca me daria uma chance de namorá-la como um sujeito normal. Teria de manter o controle... proteger-se. Continuar fingindo ser a rainha do gelo intocável.

Ele soava tão carinhoso, apesar de descrevê-la com um termo que Demi não pensava em referência a si mesma há dias.

– Eu vislumbrei uma chance de ver se alguma coisa real poderia acontecer entre nós, e agarrei-a, pretendendo lhe contar toda a verdade assim que achasse que você estava pronta para ouvir.

– Hoje. – Ela olhou para o relógio no painel. – Ontem.

– Bem, eu não sei se achei que você estava pronta. Mas decidi que precisava esclarecer as coisas. Não podia continuar com a farsa, não uma vez que eu tive certeza de como me sentia em relação a você.

Demi prendeu a respiração, querendo impedi-lo de continuar, com medo de ouvir as palavras.

Com mais medo ainda de não ouvi-las... de nunca ouvi-las saindo da boca de Joe.

Ela lamentaria isso até o dia que morresse.

– Eu amo você – declarou ele, tocando-lhe o rosto de leve e virando-o, de modo que ela lhe encontrasse o olhar. – Eu amo você, Demetria, e perdoe-me por ter sido desonesto.

Ela meramente observou. Não podia devolver as palavras, mesmo que estas estivessem gritando em coro dentro do seu cérebro.

– Esta noite foi ruim, e eu sei o que você está pensando. Que não pode confiar em mim, que talvez eu tenha lhe mentido pelas mesmas razões que Bradley mentiu para Selena e aberto o jogo pelos mesmos motivos também. Mas isso não é verdade. Eu a amo.

Ali, Demi o deteve. Ele não era, de maneira alguma, como o noivo de sua irmã. Ela ergueu uma mão, cobrindo-lhe a boca com os dedos.

– Não, eu não acho que você é como ele. Acredito em você. – Ela não podia lhe negar o resto que lhe devia. – E eu o perdoo. Sei que você não armou para me fazer de tola ou para me magoar, de nenhuma forma.

Ele hesitou, ainda esperando, tão sexy e vulnerável, ao mesmo tempo, enquanto aguardava as palavras que ela ia lhe oferecer.

Palavras que não viriam. Nem agora, nem nunca. Não quando Demi tinha o poder de feri-lo... amanhã, no ano seguinte. E não quando ela sabia que podia ser esmagada por uma dor avassaladora pelo resto de sua vida se Joe algum dia fizesse a única coisa que mais a machucaria... se parasse de amá-la.

– Eu o perdoo, Joe. Mas não quero vê-lo novamente.
 
~

Infelizmente a mini-fic está acabando mas assim que essa acabar eu já irei postar a sinopse da nova, ok?? Enjoy!!! Obrigada pelos comentários meninas <3
Vocês viram que eu postei um capitulo de A sexóloga ontem?? quase ngm comentou :((

Lento - Capitulo 25

 
~

CONHECENDO OS procedimentos hospitalares de cor, assim como sendo amigo de um dos sujeitos da equipe de resgate, Joe sabia que seria mais capaz de manter a família de Jason Turner informada do que qualquer outra pessoa. Portanto, de maneira alguma, iria deixá-las. De maneira alguma, iria deixá-la.

Não quando Demi precisava tanto dele.

Ele levou as três mulheres Lovato para o hospital, dirigindo o carro do sr. Lovato. Esperara levar Demi e a madrasta dela... mas ficara genuinamente surpreso pela decisão de Selena acompanhá-los também.

Se ela fosse sua noiva, Joe não a teria deixado sair do seu lado. Estaria abraçando-a, tranquilizando-a, dizendo que tudo daria certo... exatamente como vinha fazendo com Demi desde que os plantonistas da equipe de resgate tinham chegado e assumido as coisas. Em vez disso, pelo que ele soubera, o noivo de Sel não a apoiara, em absoluto. Na verdade, Bradley ordenara que ela ficasse calada. O homem severo chegara a censurá-la pelo comportamento histérico em relação ao idiota que começara tudo aquilo, Oliver, a quem Sel atacara depois que o pessoal da ambulância tirara seu pai do restaurante.

Joe entendia as ações de Selena.

Não entendia as ações do noivo.

Na mesma posição, Demi poderia ter se retirado atrás de sua parede gelada auto protetora, mas Selena não fizera isso. Ela gritara com o noivo, acusando-o de ser parcialmente responsável pelo o que acontecera. Ela se recusara a ir no carro com ele, subindo ao lado de uma Deborah chorosa e uma Demi de lábios brancos, em vez disso.

– Ele vai ficar bem, não vai? Por favor, diga que ele ficará bem – murmurou Deborah do banco de trás. Ela vinha repetindo estas palavras, com alguma variação, desde o momento que Joe começara a dirigir, ignorando o limite de velocidade com o máximo de segurança que conseguia.

– Eu tenho certeza de que sim – replicou ele, novamente. – Jason recebeu reanimação cardiopulmonar quase no segundo em que o coração parou. Os técnicos da ambulância foram capazes de reverter a situação de fibrilação, e ele tinha uma pulsação no momento que a ambulância partiu.

Uma pulsação fraca... não que ele fosse lhes contar isso. Porque qualquer pulsação era melhor do que se Jason Turner não tivesse respondido à desfribilação e tivesse tido de se submeter à reanimação cardiopulmonar durante todo o caminho para o hospital.

– Graças a Deus – sussurrou Deborah.

– Sim. Mas não graças a você – retrucou Sel.

Joe respirou fundo. Estivera esperando por isso... esperando pelo momento que as acusações começassem. Demi estava silenciosa, seus lábios se movendo, como se estivesse rezando para o pai. O choque de Sel tinha passado, agora ela estava procurando alguém para culpar. Na verdade, procurando mais alguém para culpar, considerando que já atacara Oliver e gritara com o futuro marido.

A mulher era tão diferente da irmã.

– Selena, por favor, não faça isso – murmurou Demi, do banco da frente. Joe estendeu o braço e pegou-lhe a mão, apertando-a. Não queria que ela passasse por mais estresses agora. Endossou o pedido dela.

– Agora não é hora para isso.

– Quando é a hora? Depois que ela o enterrar, vestir sua roupa preta de viúva e sair para se prostituir por aí?

– Cale-se – disse Deborah. – Eu não preciso lhe dar explicações. Você não tem ideia do que está falando.

– Ah, você quer dizer que meu pai não agarrou o próprio peito e teve um enfarto porque descobriu que sua esposa adorada de um ano o estava traindo?

– Não é culpa dela – murmurou Demi. – Papai não suporta a visão de Oliver. Ele já estava passando mal antes de uma única palavra sobre Deborah.

Sabendo que Demi também devia se ressentir da madrasta, Joe se surpreendeu pela defesa. Mas então, Demi conhecia a irmã melhor do que ninguém. Provavelmente o único modo de acalmar Selena fosse tentando diminuir a raiva justa dela.

– Bobagem. Ele caiu até que depois que Oliver anunciou para o salão inteiro que Deborah era uma traidora.

– Ele sabe – murmurou Deborah, soando cansada, e não interessada em brigar.

– O quê? – Demi virou-se em seu assento.

– Não que eu seja uma traidora, o que não sou. – Com sofrimento indescritível na voz, ela acrescentou: – Mas ele me disse que eu me sentisse livre para me tornar uma. – Deborah encontrou o olhar de Joe no espelho retrovisor. – Sinto muito, eu entendi que houve um engano sobre a sua identidade. – Então abaixou o olhar. – Ademais, eu não teria ido até o fim naquilo. Eu vi o jeito que você olhou para ele, Demi.

– Você falou para ele onde me encontrar – murmurou ela, do banco de passageiro.

A mulher deu de ombros.

– O que eu posso dizer? Uma romântica incurável, esta sou eu. – Então ela estragou aquilo, adicionando: – Eu sei que seu pai andava preocupado com você. Ele fala de você o tempo inteiro. Demetria isso, Demetria aquilo.

Havia uma nota dura na voz de Deborah, embora porque ela mostrava mais raiva em relação à enteada quieta e chorosa do que à enteada arrogante e intempestiva, Joe não podia entender.

– Eu tive esperança de que, se você encontrasse alguém, se ocupasse com algum tipo de vida pessoal, talvez seu pai tivesse uma coisa a menos sobre a qual se estressar. Minha esperança era que ele parasse a incessante preocupação com você.

Então o objetivo dela não tinha sido exatamente altruísta.

– Você é tão prepotente – criticou Sel. – Não acredite numa palavra disso, Mad. É tudo mentira.

– Eu não sou mentirosa. Sou uma mulher de 44 anos que não tem sexo há seis meses, cujo marido encorajava-a a sair e encontrar isso em outro lugar, porque ele não tem mais interesse.

Ah, esta era uma conversa da qual Joe não queria fazer parte. Não que houvesse alguma maneira de escapar daquilo.

Julgando pelos olhos arregalados de Demi e pela palidez do rosto, ele não achou que ela quisesse ouvir a história também. Agora que as palavras tinham começado, todavia, Deborah não parecia com pressa de fechar a boca.

– Você imagina como é tentar continuar sendo a esposa feliz quando seu pai não quer me tocar?

– Você é louca – disse Sel.

– É verdade – replicou Deborah. – Da última vez que tivemos sexo, ele me chamou pelo nome de outra mulher. E porque eu sou muito sensível e fiquei magoada com isso, ele decidiu que nós não deveríamos nem mesmo tentar ter esse tipo de casamento.

– Ele ama você – sussurrou Demi.

– Não, querida, ele não me ama. – Agora não havia engano no desgosto vindo da boca da mulher. Mais uma vez, dirigido a Demi, não a Selena, que acabara de chamá-la de louca. – Ele disse que me amava, mas querer estar apaixonado por alguém não é o mesmo que amá-los. Seu pai não sente nada por mim além de afeição. Ele quer apenas uma companhia e uma ocasional parceira de dança. – A voz dela baixou para um sussurro: – Eu pensei que pudesse ser o bastante, um casamento amigável, porém sem amor. – Suspirando profundamente, acrescentou: – Ora, talvez eu tenha acreditado que pudesse mudá-lo, embora nenhuma outra mulher tenha sido capaz disso.

Os olhos de Demi, já molhados de lágrimas derramadas previamente, piscaram com rapidez. Como se inconsciente de que estava fazendo aquilo, ela afastou os dedos dos de Joe e uniu as mãos no colo.

Ele não se ofendeu. O assunto sexo em relação a um pai era ruim o bastante. Saber que o pai podia ser frio, que podia estar num casamento sem amor... bem, Joe nem queria pensar em como isso seria. Para Demi ou para a irmã dela.

– Então não me julgue – continuou Deborah. Ele olhou pelo espelho retrovisor, vendo que agora ela estava falando com Selena novamente. – Não quando você está prestes a fazer a mesma coisa.

– Eu não sei sobre o que você está falando.

– É claro que sabe, querida. Por favor, não finja que eu estou errada. Eu sei como é quando um casal finge estar apaixonado. Você e Bradley não se amam. Pelo menos, no meu casamento, um de nós está apaixonado.

– Sel? – sussurrou Demetria, desta vez, virando-se totalmente no assento. Ela parecia que tinha sido golpeada, pela milésima vez em uma hora. A dor que Joe viu nos olhos dela o golpeou também.

– Isso não é verdade. Você o ama, não ama?

Silêncio. Quando Joe deu uma olhada para trás, viu Selena olhando para a irmã, lágrimas ainda escorrendo pelo rosto... lágrimas que derramava pelo pai. Não por si mesma e pelo futuro que aparentemente tinha escolhido.

– Você me disse...

– Eu pensei que o amasse – replicou a irmã mais velha. – Eu queria amá-lo. Principalmente porque achei que ele me amasse, e eu seria louca em não sentir o mesmo. – Sel olhou pela janela. – Os negócios da família de Bradley não estão indo bem, e ele precisa de dinheiro. Contou-me isso dois dias atrás... falou que não era honroso casar-se comigo sem me contar sobre sua situação financeira.

Demi não parecia pronta para conceder o ponto.

– Certo. Ele deveria ter esclarecido tudo mais cedo, porém ele lhe contou. Então Bradley a ama, e quer uma união em termos abertos e honestos.

Sua irmã riu suavemente. Assim como a madrasta delas. Como se as duas soubessem alguma coisa básica, alguma coisa inegável, e algo que Demi ainda não tinha entendido.

Deus, se dependesse de Joe, ela nunca entenderia. Ou pelo menos, não acreditaria naquilo. Não que as duas mulheres pareciam estar tentando lhe contar.

– Não, ele só teve medo de que eu descobrisse depois do casamento e me divorciasse. Bradley me chamou para uma reunião com os pais dele, onde todos eles me informaram que a nossa seria uma parceria maravilhosa, que me consideravam muito adequada, apesar de minha... como a mãe dele chamou isso? Apesar de minha vivacidade exuberante. – Ela fungou, e Joe não precisou olhar no espelho de novo para ver as lágrimas.

– Aquela bruxa – disse Demi. – E Bradley... ele é um covarde.

– Apenas um homem – murmurou Deborah. – Como qualquer outro homem.

Ah, por favor, ignore-me. Eu não estou aqui.

– Eu não fiquei feliz com a desonestidade.

– Posso imaginar por que não – disse a mulher mais velha. – Quem quereria um relacionamento baseado em mentiras?

– Cale-se – exclamou Sel.

Demi intercedeu novamente.

– Por que vocês não terminaram tudo? Você realmente o ama?

– Não. Mas obviamente não posso confiar em minhas próprias emoções. E um casamento lógico, resultando de reflexões cuidadosas, me parecia uma boa proposição. Ainda parece.

– Não é – declarou Deborah.

– Eu estou falando com a minha irmã.

Ah, como Joe esperava que as garras não saíssem para fora novamente.

Demi balançou a cabeça.

– Ah, não, Sel, você não pode. Diga-me que não irá levar isso adiante.

Antes que ela pudesse responder, eles chegaram ao hospital. Todas as mulheres no carro se inclinaram para frente, suas expressões de medo e ansiedade. Joe quase parou na entrada de emergência, por hábito, mas lembrou-se, no último minuto, de ir para a porta da frente.

– Entrem – falou Joe para elas. – Eu vou estacionar e encontro vocês lá dentro.
Demi mal o olhou. Ainda parecia em estado de choque, atônita pelas revelações feitas durante o curto trajeto de carro.

Ele estava preocupado com Jason Turner. Muito preocupado. No momento, todavia, poderia estrangular a esposa e a filha de Jason por terem exposto seus dramas pessoais – e ódio pelos homens – bem na noite que Demi estava vivenciando sua própria crise.

Antes que ela descesse do carro, ele pegou-lhe a mão, silenciosamente pedindo que Demi fosse forte. Que não se entregasse ao pessimismo que tinha sido incutido em sua cabeça.

– Demi, eu...

– Obrigada por nos trazer – disse ela, desviando os olhos, a voz calma. – Eu tenho de ir.

Ele não gostava do humor de Demi. Nem um pouco. Mas não havia nada que pudesse fazer. Não agora, não até que ela descobrisse se o pai ia sobreviver ou morrer.

Depois disso, todavia, Joe pretendia terminar a conversa que eles haviam começado antes do jantar. E reverter qualquer dano que as duas mulheres na família tinham causado.
 
~

Lento - Capitulo 24

 
~

ENQUANTO JOE a conduzia em direção ao elevador, alguns minutos mais tarde, depois do anúncio chocante de Selena, Demi o sentiu silenciosamente oferecendo apoio, embora também estivesse tenso e zangado, sem dúvida, disposto a criar problemas e provocar uma briga.

– Eu sei que você provavelmente não me quer por perto no momento – disse ele, o tom de voz grave, o maxilar rígido. – Mas eu não a deixarei entrar na toca do leão sozinha. Terminaremos a nossa conversa assim que isso acabar.

Ele mantinha o tom de voz baixo, para impedir que Sel, que andava alguns metros à frente, os ouvisse.

– Eu quero você por perto, Joe. – Quero tanto que me assusta. Ela admitiu isso para si mesma... mas não para ele por enquanto. Não podia lhe dar tanto poder, não ainda, não até que eles tivessem terminado sua conversa. Embora Joe provavelmente presumisse que ela queria que ele a apoiasse apenas esta noite, não era isso.

Ela o queria em sua vida. Apesar de tudo.

Talvez até mesmo por causa de tudo. Porque Demi não podia negar que, apesar de mortificada e furiosa, também estava mais do que um pouco aliviada pelo fato de que Joe não ficara por perto por dinheiro. E apaixonar-se por um homem maravilhoso que salvava pessoas era muito mais fácil do que se apaixonar por um que fazia sexo por dinheiro.

Talvez ele realmente pudesse ser o homem de seus sonhos.

Mas ele também é um homem que mentiu. Portanto, não se encha de esperanças.

– Eu mal posso esperar para ver aquele cretino.

– Eu não ligo a mínima para Oliver. Ele é um nada. – Franzindo a testa, ela acrescentou: – E não pense, por um minuto, que você precisa me “proteger”. O homem não vale o esforço respiratório que seria necessário para derrubá-lo.

– Veremos – murmurou ele.

Homem das cavernas. A intenção ainda era doce, mesmo se inteiramente desnecessária. Demi podia lidar com seu ex. Podia lidar com quase qualquer coisa.

Exceto com Joe abandonando-a. Especialmente antes que ela descobrisse tudo o que precisava saber.

– Você está bem?

Ele não estava se referindo a Oliver, e ambos sabiam disso.

– Eu ainda quero uma explicação – sussurrou ela. – E nós teremos essa conversa. Mas não posso odiá-lo, quando tudo começou por causa dos dramas tolos de minha família e quando houve um terrível mal-entendido.

Era verdade. Demi se sentia humilhada por ele ter deixado que ela acreditasse que o “comprara” por um mês. Definitivamente queria saber por quê. Mas como podia ficar zangada quando Joe a fizera mais feliz nas últimas duas semanas do que ela havia sido em sua vida inteira?

Vendo sua irmã chegar ao elevador e apertar o botão impacientemente, Demi pôs uma mão na manga de Joe, detendo-o, e virou-se para olhá-lo. Ele observou-a com olhos ternos, uma expressão amorosa no rosto. Amorosa.

Ele não falara em amor. Não alegara que esta era a emoção que o fizera se passar por... ah, Deus, ainda não podia acreditar na confusão que acontecera... um gigolô. Joe era um típico homem de família maravilhoso e divertido, cheio de consideração. Como ela pudera acreditar naquela suposta profissão, por um minuto, depois que passara a conhecê-lo?

Uma vez que tinha começado a amá-lo?

– Obrigada por ter me contado a verdade. Por não esperar até o fim dos 30 dias.

– Perdoe-me por ter esperado 13 dias – admitiu ele. Joe ergueu uma mão para o rosto dela. Tocou-lhe a face, acariciou-lhe o cabelo, alisou-lhe as sobrancelhas com o polegar, como se quisesse memorizá-la. – Obrigado por não me expulsar da sua vida. Eu...

– Vocês dois vão ficar parados aí ou estão vindo?

Demi suspirou, viu sua irmã olhando para eles, com impaciência, de dentro do elevador, segurando a porta aberta com uma mão delgada, e forçou um sorriso.

– Esta noite – Demi falou para Joe, quando eles recomeçaram a andar –, tudo será esclarecido. Sem mais segredos. Então resolveremos o que fazer sobre isso.

Pela primeira vez desde que ele começara a falar no carro, Joe parecia relaxado. Talvez até esperançoso.

– Combinado.

Então eles entraram no elevador. A fisionomia fechada de Sel dizia que ela ainda estava furiosa. Suspeitando que Sel estivesse chateada porque Bradley não a apoiara naquilo, de todas as noites, Demi reconheceu exatamente o que eles enfrentariam no andar de cima.

Seu ex dissimulado e traidor não era um grande problema. Pelo menos, não para ela. Mas havia também algumas mulheres que pensavam que o homem segurando seu braço fosse um corpo ardente à venda.

– Que noite – exclamou Demi, enquanto o elevador subia.

– Sim – concordou ele.

– Suponho que você não me perdoaria se eu fugisse, hum? – perguntou ela para Sel.

Para sua surpresa, a expressão de sua irmã não foi imediatamente indignada. Em vez disso, Selena murmurou:

– Eu a quero lá. Mas entenderei se você não for capaz de lidar com a situação. Eu fugiria se estivesse no seu lugar.

– Ah, ela pode lidar com isso. Nós dois podemos – disse Joe. Passando um braço ao redor dos ombros de Demi, puxou-a para mais perto, confirmando sua declaração e anunciando sua proteção. Sorriu para ela. – É melhor não desperdiçarmos energia lidando com pessoas que não significam absolutamente nada para nós.

– Eu gosto dele – disse Sel, dando o que parecia ser seu primeiro sorriso verdadeiro da noite.

Considerando que sua irmã tinha sido sua parceira no crime, Demi achou que ela também deveria saber a verdade.

– A propósito... Joe não é quem nós... o mundo, as mulheres naquele leilão... pensávamos que ele fosse.

Sua irmã fez uma careta, não acreditando naquilo.

– Não importa, baby – disse Joe.

– Sim, importa – continuou Demi, seu tom de voz prático finalmente chamando a atenção de sua irmã. – Houve um erro de impressão nos programas. Eu acho que o “playboy internacional” foi o último solteiro. Joe é paramédico. Um trabalhador de uma equipe de resgate, que não está à venda por preço algum. – Ela sorriu para ele, impressionada pela sensação maravilhosa que falar as

palavras em voz alta lhe causava, reconhecer a verdade e apreciar os sentimentos decorrentes de tal verdade.

– Ah, meu Deus – exclamou Sel –, você está falando sério. – Os olhos azuis se arregalaram. – Quer dizer... você ofereceu... ele não é...

– Não – replicou Joe. – Definitivamente não.

– Eu sinto muito. – Então ela o estudou por um momento. – Mas você tem de admitir que poderia ser.

Rindo, ele gesticulou uma mão no ar, dispensando o comentário.

– Esqueça isso. Nenhum pedido de desculpa é necessário. Suspeito que ter sido confundido com um prostituto pode ter sido a melhor coisa que já me aconteceu.

E para Demi.

Ela se apaixonara quando acreditara que havia uma fila de mulheres ricas o perseguindo. Saber que Joe era um herói de natureza bondosa, bem, acabava com qualquer dúvida que ela ainda pudesse ter sobre ele.

Quase. Ainda havia, é claro, um sussurro no fundo de sua mente, relembrando-a que ela não deveria acreditar em amor verdadeiro ou felicidade eterna. Apesar do fato de que agora, pelo menos, sentia-se cercada destas emoções.

Sel amava o noivo, e ele a amava. Seu pai amava a esposa... certo, ela não se encaixava bem no exemplo porque, pelo que Demi sabia, Deborah era uma megera que não o merecia. Mas, esperançosamente, a mulher tinha ficado apavorada pelos seus lances no leilão.

Assim Demi esperava. Seu pai certamente parecia amá-la. Ele não mostrava sinais de que estava perdendo o interesse, embora eles estivessem casados por um ano e tivessem namorado por quatro anos antes disso.

Então talvez todos os Turner estivessem mudando. Até mesmo ela.

Eles chegaram ao saguão do piso superior, e enquanto Sel as conduzia para fora do elevador, Demi olhou para dentro da abertura arcada do salão privado do restaurante e enrijeceu. Oliver era um idiota por estar ali quando sabia que ela iria. E ela nem podia imaginar o que seu pai devia estar sentindo, sabendo quão furioso ele ficava apenas diante da menção do nome de seu ex. – Tudo vai ficar bem – relembrou Joe num sussurro.

– Fique perto.

– Eu não deixarei que ele incomode você.

– Eu não ligo a mínima para ele – murmurou ela. – Mas se Bitsy Wellington puser uma mão em você, eu posso cortá-la com uma faca de carne.

Ele jogou a cabeça para trás e riu, parecendo bem-humorado, másculo e sexy quando eles entraram no restaurante.

Todo mundo parou de falar. Todas as pessoas mais velhas... seu pai, suas tias, amigos da família... estavam sorrindo, provavelmente pensando que Demi encontrara o homem certo finalmente. E era quase certeza que todas as mulheres no lugar a invejavam.

Demi manteve o braço no dele, silenciosamente anunciando que Joe era seu.

Eles foram recebidos com uma série de apresentações, então rapidamente sentaram-se um pouco antes que o jantar começasse. Dando um suspiro de alívio, porque as coisas tinham ido bem até agora, Demi observou cada detalhe, especialmente a disposição dos lugares.

Suspeitava que acontecera um rearranjo antes que eles tivessem chegado. Ela e Joe não estavam sentados com o grupo nupcial, mas a uma mesa lateral, com alguns amigos da família, em linha direta da visão da mesa de Bitsy e Oliver.

Ah, sim. Alguém tinha trocado os cartões dos nomes. Graças a Deus.

Infelizmente, não houvera saída para Sel, que enviava olhares tão óbvios para Oliver que era incrível que ele não tivesse tido o bom senso... sem mencionar a cortesia... de levantar-se e ir embora. Mas então, ele não mostrara nenhum desses traços antes desta noite... por que começaria agora?

– Fico pensando como papai está se controlando – sussurrou ela, o olhar se voltando para o homem mais velho. Ele parecia bem externamente, sorrindo e conversando com os parentes do noivo. Mas Demi o vira enviar mais do que alguns olhares duros na direção de Oliver, e cada vez que ele fazia isso, seu rosto se tornava um pouco mais vermelho.

– Ele não parece muito bem – replicou Joe. Então, estreitando os olhos, virou o pescoço para observar melhor as pessoas da mesa principal. – A loira, ao lado dele, é a sua madrasta? – A própria. – Ela soava muito amarga?

– Ela parece familiar.

– Ela tentou comprar você, lembra?

– Não... é outra coisa... Ah, Deus, agora eu lembro. – Joe inclinou-se para mais perto, obviamente percebendo que sua exclamação alta tinha chamado a atenção de algumas pessoas ao redor deles. – Foi ela quem me contou como encontrar você.

Demi não entendeu.

– Naquela noite, depois que você foi embora, eu estava tentando localizá-la. Eu lhe contei que uma mulher me falou seu nome e onde você trabalhava.

– Deborah? Você está brincando? Eu pensei que fosse Sel!

– Foi Deborah, definitivamente.

Que inesperado. Talvez puro embaraço tivesse incitado as ações da mulher mais velha. Essa era a única explicação na qual Demi podia pensar.

Olhando para a mesa principal, ela notou o jeito rígido que sua madrasta estava sentada ao lado de seu pai. Deborah ergueu sua taça, olhou para o vinho tinto dentro, então bebeu tudo, gesticulando para o garçom, a fim de pedir mais.

Tão infeliz. Tão, tão infeliz.

Tão infeliz, Demi teve de admitir, quanto sua irmã parecia estar. Demi, tinha um sorriso forçado nos lábios. E, embora ela estivesse sentada ao lado de Bradley, eles não se tocavam. De maneira alguma.

– O que está acontecendo aqui? – sussurrou ela.

– Eu não sei. Só sei que ela me disse como encontrar você. Então apesar de ela ter tentado me comprar como um pedaço de carne, estou pronto para beijar a mulher.

Demi pôs a mão sobre o braço de Joe, que descansava na extremidade da mesa. Sorrindo para uma das madrinhas, que os observava com curiosidade da mesa principal, avisou num sussurro: – Faça isso, e talvez seja você quem receba a ponta daquela faca de carne.

– Com ciúme? Esse é um bom sinal, certo? Talvez fosse.

– Eu não vejo a hora de sair daqui – admitiu ele, e Demi sabia que Joe não estava se referindo à celebração estranhamente tensa. – Isso está quase acabando, certo?

Os garçons já tinham tirado os pratos do jantar e estavam trazendo sobremesa. Os brindes e discursos haviam acontecido antes que eles chegassem, e alguns presentes de casamento tinham sido abertos. Então, sim, felizmente, aquilo estava no fim. Não houvera uma única oportunidade para que Oliver ou Bitsy falasse com eles. Se dependesse de Demi, eles estariam fora dali antes que os dois convidados indesejados tivessem a chance.

– Com certeza.

Por alguns minutos, Demi pensou que tivesse conseguido o que queria. Quando a sobremesa acabou e todos se preparavam para ir embora, uma fila improvisada se formou perto da saída. Sel e o noivo, assim como os pais de ambos, estavam agradecendo os convidados. A pequena multidão, sem pressa de partir, demorou-se em cada despedida, bloqueando a porta.

Gemendo pelo atraso, por diversos motivos, Demi permaneceu silenciosa enquanto esperava poder escapar. Finalmente, havia apenas poucas pessoas entre ela e seu pai, que estava perto da porta.

– Quase lá – sussurrou ela. Mas eles não conseguiram.

– Não vai nem sequer me cumprimentar? Oliver.

A coluna de Demi enrijeceu. Ela forçou-se a fingir que não tinha ouvido, focou-se apenas no rosto do pai, sem mencionar na maldita porta.

Joe, por sua vez, não fez isso. Com o braço circulando-lhe a cintura, de maneira possessiva, ele olhou, por sobre o ombro, para o outro homem.

– Não, ela não vai. Portanto, vá embora.

Com um sorriso brincando nos lábios, Demi deu um passo à frente, tentada a pular as despedidas e ir embora. Sel entenderia. Mas ela não permitiria que este imbecil a expulsasse da festa de sua própria irmã.

– Ora, vamos lá, Demi, isso é infantilidade.

Sentindo Joe ficar tenso, ela murmurou:

– Esqueça isso, ele não vale a pena.

Apesar de alto, seu ex não chegava nem perto da forma física de Joe. O que somente provou que ele era um idiota pelo o que fez a seguir.

– Jesus, Demi, você não vai nem me olhar? Irá se esconder atrás deste homem contratado a noite inteira?

Arfando, ela virou-se, observando tanto o desdém no rosto bonito de Oliver quanto o divertimento venenoso de Bitsy Wellington. Obviamente a mulher – pelo menos, dez anos mais velha do que Oliver – conseguira o que tinha ido buscar. Drama sórdido.

– Baby, como você disse, ele não vale a pena – murmurou Joe, pondo uma mão sobre o ombro dela. – Não o deixe me usar para atingir você. – Ele deu um olhar gelado para a forma impecável de Oliver. – Eu não dou a mínima para o que um traidor mentiroso e patife como este pensa.

Atrás de si, Demi ouviu alguém tossir, engasgar ou rir. Seu pai. Ele ouvira. E gostara do que Joe tinha dito. Ah, Deus, e se o pai tivesse escutado tudo?

– Você tem razão – concordou ela, rapidamente, puxando o braço de Joe. Eles precisavam sair de lá. Agora. – Vamos.

– Você é um empregado contratado, portanto, mantenha sua boca fechada – falou Oliver para Joe.

Oliver devia ter bebido demais... estava agitado, e a voz estava definitivamente enrolada. Sem mencionar que ele parecia ter perdido seu próprio senso de autopreservação, se não notava que Joe, apesar do tom de voz casualmente insultante antes, estava por um fio no seu controle.

Ainda inconsciente do perigo, Oliver acrescentou:

– Ora, Demi, você poderia ao menos falar comigo. Eu não sabia que a tinha mimado tanto, ao ponto de você ter de pagar por sexo desde então. Se eu soubesse que estava tão apaixonada por mim, teria tentado mais arduamente fazê-la me perdoar.

Joe explodiu. Com um gemido audível, afastou-se de Demi, agarrando Oliver pela frente do paletó.

– Vamos. Lá fora. Imediatamente.

Bitsy gritou, aparentemente percebendo que os jogos cruéis que ela fazia, às vezes podiam acabar mal. Outros no salão se viraram para ver o espetáculo. Demi nem mesmo conseguiu encontrar suas cordas vocais para deter o que estava prestes a acontecer, em parte porque estava abalada pela acusação ofensiva de Oliver, e, em parte, porque estava pasma diante da violência sendo extravasada do homem mais doce e terno que ela já conhecera.

– Tire suas mãos de mim. Ela paga você para sexo, não para protegê-la.

– Seu desgraçado... – O braço de Joe voou em preparação, mas antes que ele enviasse um soco, outro homem se colocara entre seu punho cerrado e o rosto de Oliver.

Seu pai.

– Meu jovem, você é a criatura mais rude e asquerosa que eu já conheci – gritou Jason Turner, o rosto vermelho, saliva espirrando dos lábios. – Como ousa falar essas coisas de minha filha?

– Talvez porque sejam verdadeiras? Pergunte para ela. Pergunte-lhe se ela não está ao lado do prostituto que sua própria esposa tentou comprar, três semanas atrás.

Ah, não. Ah, não, não, não!

Tudo tinha saído de controle tão rapidamente que Demi nem mesmo tivera tempo de processar a situação. O rosto dele estava cor de beterraba, a respiração cada vez mais ofegante. Joe partiu para cima de Oliver, e logo os dois estavam rolando no chão, lutando. Deborah veio correndo, gritando com Bitsy, que se encolheu de medo. Sel também chegou, parecendo pronta para chutar o rosto de Oliver, se Joe não fizesse um bom trabalho. Nenhuma chance disso acontecer. O noivo agarrou a noiva, falando que ela o estava embaraçando, e os pais dele se apressaram para assistir à cena, horrorizados.

Mas Demi só tinha olhos para seu pai, ah, Deus, seu pai.

– Papai? – sussurrou ela, tocando-o, vendo a respiração dele se tornar mais dificultada, o rosto ficar mais e mais vermelho.

Jason tentou dispensá-la com um gesto fraco, então seu braço esquerdo caiu na lateral, os dedos se contraindo em espasmos, enquanto o ombro desmoronava. Ele levantou a outra mão em direção ao peito, dobrando-se na altura da cintura, lutando para respirar.

– Papai! – gritou ela, tentando segurá-lo quando ele começou a cair.

Aqueles que não estavam prestando atenção à briga começaram a sussurrar em preocupação, enquanto Demi caía com seu pai no chão. Ela ajoelhou-se ao lado dele, tocando-lhe o rosto vermelho... de repente percebendo que ele não estava mais ofegante. Não estava respirando, em absoluto.

– Não... Sel!

Sua irmã virou-se, finalmente percebendo o que tinha acontecido. Empurrou a mão do noivo, que a segurava, e aproximou-se. Deborah também veio, os olhos arregalados em choque, a boca aberta em horror. Ela ajoelhou-se ao lado do marido, despreocupada com seu vestido de grife e com a audiência.

– Alguém faça alguma coisa. Chamem uma ambulância. Rápido – gritou ela.

Demi levantou a cabeça, lágrimas escorrendo por suas faces, quando a imagem de seu pai deitado ali, sem vida, sem respirar, imprimiu-se em sua mente. Encontrou os olhos de Jake, prendeu-os, não precisando falar uma palavra.

Ele não hesitou.

– Saíam todos do caminho – gritou ele, se aproximando e ajoelhando-se.

– Não toque nele – disse Deborah. – Você vai piorar as coisas.

Joe ignorou-a, rasgando a camisa do pai de Demi para abri-la na frente, inclinando-se para ouvir o peito dele.

– Ele sabe o que está fazendo?

– Sim – assegurou Demi à outra mulher. – É isso que ele faz. O emprego verdadeiro de Joe. Ele sabe exatamente o que está fazendo. – Então ela olhou para Joe, já inclinando a cabeça de seu pai para trás, soprando ar dentro da boca dele, depois fechando as mãos para administrar compressões ao peito do homem mais velho.

– Por favor... – sussurrou ela, apenas para que ele ouvisse.

Demi não pôde formar mais nenhuma palavra, nem precisou. Joe entendia.

Não havia absolutamente nada que ele não faria para salvar a vida do pai dela.
 
~

Postando mais um para não causar um ataque cardíaco nas leitoras. hahaha

Lento - Capitulo 23

 
~

ELES CHEGARAM atrasados. Bem atrasados, considerando que tinham dormido, e não acordado até 20 minutos antes da hora do início do ensaio. Joe dirigira o carro de Demi o mais rapidamente possível, mas eles ainda pararam no estacionamento da igreja às 19h45.

– Ah, droga – sussurrou Demi, vendo todos os carros lá. Então num tom de voz esperançoso, acrescentou: – Eu não vejo o conversível de Sel. Talvez ela não tenha chegado ainda.

Ou talvez ela tivesse ido com o pai, com o noivo ou com qualquer pessoa que participaria do ensaio, pensou ele. Não que tivesse falado isso em voz alta.

Quando eles entraram e viram o pai de Demi, muito ansioso, apressando-se para encontrá-los, com expressão de expectativa, Joe percebeu que Demi estivera certa.

– Selena está com vocês?

– Não. – Demi olhou em direção ao grupo de pessoas reunido na frente da igreja, então para trás e para as portas fechadas por onde eles tinham acabado de entrar.

– Por favor, diga-me que sua irmã não vai fazer isso de novo.

– De novo? – sussurrou Joe, antes de se lembrar do casamento prévio e do noivado rompido. Ou noivados?

– Você ligou para ela? – perguntou Demi.

– É claro. Todos ligaram.

– Onde está Bradley?

– Ele também estava atrasado – disse Jason Turner. Finalmente notando a presença de Joe, o homem ofereceu-lhe um sorriso amigável, parecendo satisfeito por ver Demi em seu braço, apesar da óbvia ansiedade. – Bradley chegou 15 minutos atrás e foi direto à sala do padre, sem falar com ninguém, nem mesmo com os pais dele.

Aquilo soava estranho. Os sentidos de Joe se tornaram alerta. Mas quando ele ouviu a porta atrás deles se abrindo e viu a expressão aliviada no rosto de Jason Turner, e no de Demi, concluiu que talvez seus instintos estivessem errados. Desta vez.

– Mil desculpas! – exclamou a noiva, uma loira alta e magra que não podia se parecer menos com Demi. – Houve um problema com a lagosta para amanhã, então eu tive de lidar com algumas questões das fontes e fogos de artifício.

Lagosta, fontes e fogos de artifício? Aquilo era um casamento ou um banquete numa residência oficial?

– Bradley está aqui? – perguntou ela, o tom de voz endurecendo.

– Sim, é claro – respondeu o pai, pegando-lhe o braço e conduzindo-a para frente da igreja. – Não se preocupe, ele também se atrasou.

– Eu sei – disse ela.

Vendo o modo como a coluna de Selena enrijeceu, os ombros se tornaram retos e a cabeça se ergueu, como se ela estivesse se preparando para uma situação difícil, ele não pôde deixar de se

sentir intrigado pelo humor não muito feliz da noiva. Aquilo parecia ser mais do que simples irritação.

Nem o pai nem a irmã de Selena, que pareciam aliviados, notaram. Especialmente quando a noiva andou para frente da igreja, esperando... e tendo sucesso... que a pequena multidão se abrisse diante dela.

Sim. Por tudo o que Demi tinha falado, Sel parecia ser exatamente a mulher egocêntrica que ele visualizara. Ela provavelmente fizera todos esperarem, de propósito, apenas para que pudesse realizar sua grande entrada.

Durante o breve ensaio, todavia, enquanto observava do fundo da igreja, Joe começou a se perguntar sobre aquela tensão oculta que não pudera evitar perceber. Não de todo mundo. Demi parecia bem... ótima, na verdade. Estava linda, ainda brilhando pelo ato de amor deles, como ele soubera que ela ficaria. Também parecia genuinamente feliz pela irmã e magnífica andando ao longo do corredor da igreja.

Deus, as imagens que aquilo punha em sua cabeça. Mesmo se estar ali, entre todas aquelas pessoas ricas, que provavelmente ganhavam seu salário anual em um dia, deveria instigá-lo a correr para o lado oposto.

Ora, eles poderiam achar uma solução. Ele amava Demi. Suspeitava que ela também o amasse. Isso era o que importava... a única coisa que importava. Ele apenas precisava continuar se lembrando disso.

Embora a atenção de Joe permanecesse na mulher que ele acompanhara naquela noite, ele definitivamente sentia algumas vibrações vindas do casal de noivos. A risada de Selena parecia quase exuberante demais, o humor, mais forçado do que alegre. E o noivo tinha pouco, ou nada em absoluto, a dizer.

Sim. Sem sombra de dúvida, alguma coisa estava acontecendo, embora talvez isso só fosse visível para uma pessoa de fora, que não tinha nada a perder no evento da alta sociedade que ocorreria na noite seguinte.

No carro, no caminho para o jantar, Joe vociferou suas observações para Demi.

– O quê? Você está brincando? Selena está muito feliz.

Ela não lhe parecera feliz. Então novamente, talvez para a irmã de Demi, o sorriso tenso fosse típico, talvez os olhos dela nunca brilhassem, e a postura relaxada demais dos ombros fosse resultado da fatiga pela loucura do casamento.

Mas ele duvidava disso.

– Não acredito que eu me esqueci de apresentar você – murmurou ela, soando genuinamente chateada. – Eu retificarei isso assim que nós chegarmos ao hotel.

O hotel que pertencia ao pai do noivo, lembrou Joe.

– Sim, não se esqueça de apontar sua madrasta também, certo? Quero me certificar que eu esteja pronto para lidar com ela... somente em caso de necessidade.

– Eu lhe disse, eu já a avisei que você estaria lá.

Ela fizera isso, a caminho da igreja. Felizmente, não tinha sido um problema, porque a madrasta da noiva não se incomodara de aparecer. Outra coisa que fizera a boca da noiva se comprimir. Deborah iria, contudo, segundo o pai de Demi, estar presente no jantar.

– Ela e eu não tivemos tempo de conversar mais do que poucos minutos na outra noite, mas eu a avisei. – Demi apertou os lábios. – Deborah não vai falar nada que meu pai tenha a chance de ouvir.

Isso a colocaria em sérios problemas.

– Eu sei – murmurou ele, apesar de sua mente já ter mudado de direção. Joe não se importava nem um pouco com a madrasta de Demi, além do fato de que ele não quereria ver Jason Turner, de quem já gostava, magoado.

Também não se importava com o que ninguém mais – a madrasta ou qualquer socialite rica e mimada que pudesse aparecer no casamento, no dia seguinte, e lembrá-lo do leilão – pensasse ao seu respeito.

Demi merecia a verdade. Ele soubera disso há dias. Porém aquilo nunca estivera mais claro do que naquele momento antes que eles fizessem amor esta noite, quando tinham se entreolhado e silenciosamente falado as palavras que nenhum deles ousara vociferar em voz alta.

Ele a amava. Não havia mais cautela, mais qualificações, não havia mais dúvidas. Não podia mais se esconder atrás da ideia protetora de que estava “se apaixonando por ela” ou que sentia que podia existir algo entre eles, ou até mesmo que achava que poderia amá-la. Amava-a. Ponto final.

E a expressão de Demi esta noite, sem mencionar cada momento que eles haviam compartilhado nos últimos dias, dizia-lhe que ela também o amava. Se ela o amava o suficiente para superar o fato de que ele a deixara acreditar numa mentira, Joe não sabia. Tudo o que sabia era que, sentindo-se do jeito que se sentia, não podia continuar algo que considerava moralmente desonesto. Embora eles estivessem quase no hotel e não houvesse tempo, ele descobriu que não era capaz de continuar a mentira. Não poderia entrar naquele jantar, com diversos amigos e membros da família de Demi, sob termos tão desonestos.

– Eu preciso lhe falar, Demi – começou Joe, os olhos na estrada. – Antes que cheguemos lá, você precisa saber de algumas coisas.

Ela enrijeceu no assento. Ele não precisava ver para saber disso, a atmosfera no carro mudou com a súbita tensão de Demi. Deus, ela estava tão acostumada a ter o tapete puxado de baixo de seus pés que provavelmente estivera se preparando para a ocorrência de alguma coisa ruim.

Joe tentou manter as coisas leves no começo.

– Espero que você tenha dinheiro na sua conta, porque seu cheque será depositado a qualquer momento agora.

Ela riu.

– Acho que eu não corro o risco de o cheque ser devolvido por falta de fundos.

– Mas certifique-se de guardar o canhoto do cheque. Você irá precisar dele na época do Imposto de Renda.

– Por quê? – A mão de Demi moveu-se para a perna dele. – Eles permitem deduções para... isto agora?

Joe cobriu-lhe os dedos com os seus, erguendo-os para a sua boca, a fim de beijá-los.

– Não. Porque eu doei para o programa beneficente Dê um Natal a uma Criança.

Os dedos de Demi ficaram tensos contra sua boca, mas ela não recolheu a mão. Ah, doce Demi. Ele sabia o que ela estava pensando, o que estava se perguntando. Ficaria zangada? Esperançosa?

– Eu lhe disse para fazer o que você quisesse com o dinheiro. – Ela não parecia fria, apenas alerta, já sabendo que havia mais.

– Por nada neste mundo, eu aceitaria dinheiro para estar com você.

– Joe...

Ele a interrompeu:

– Deixe-me esclarecer. De maneira alguma, eu algum dia aceitaria dinheiro para estar com qualquer mulher. Mas especialmente com você.

Com aquilo, ela recolheu a mão. Eles tinham parado num semáforo a alguns metros do hotel, e Joe a olhou. Demi estava estudando-o, as sobrancelhas unidas em confusão, o corpo tenso. – Eu não estou entendendo.

Então ele lhe contou.

– Eu não sou quem você pensa que eu sou. Não sei como aconteceu, mas alguém trocou as identidades no leilão. Eu não sou o solteiro 19, sou o número 20.

– O quê?

– Quero dizer, eu sei que era o décimo nono. Mas não era minha biografia que estava impressa sob minha foto no programa. Não era minha vida. Não sou o homem que você foi lá naquela noite para encontrar. – Ignorando o fato de que o semáforo tinha aberto, ele insistiu para que ela entendesse. – Não era eu, Demi.

Ela levou alguns segundos, mas quando compreensão a preencheu, foi de maneira instantânea, e Demi arfou em perplexidade.

– Ah, meu Deus.

– Sim.

– Você não é...

– Não...

– Eu o confundi com um...

– Hã-hã.

– Seu nome é Joe Jonas? – Ela ainda parecia atordoada.

– É claro que sim. Eu sou o homem que você passou a conhecer desde aquela noite. A única coisa que você não sabe é que sou um paramédico para a cidade de Chicago... não um playboy internacional e amante das mulheres.

– Ou um prostituto.

Atrás deles, alguém buzinou, e ele finalmente percebeu que estava prendendo o trânsito. Pôs o carro em movimento, avistando o hotel alto à frente deles. Demi permaneceu silenciosa, recostada contra o assento, enquanto ele estacionava na garagem, em vez de entregar o carro ao manobrista.

Aquela conversa não acabara. Eles tinham se atrasado para o ensaio, poderiam se atrasar para o jantar também.

Demi esperou até que o carro estivesse parado numa vaga de canto, no subsolo, antes de voltar-se para ele com a acusação que Joe esperara.

– Você mentiu para mim.

– Eu sei. – Ele não tinha defesa.

– Deixou que eu acreditasse nisso. Deixou que eu fizesse papel de tola e assumisse coisas horríveis sobre você.

Ele estendeu o braço para tocá-la, mas Demi recuou.

– Eu sei. Mas não desde o começo. Pode me chamar de burro, mas foi só quando a encontrei no barco, e você explicou como “sabia” tudo ao meu respeito, que percebi o que estava acontecendo.

Finalmente parecendo mais angustiada do que zangada, ela murmurou:

– Sinto muito. Deus, que ofensa terrível. Como eu devo ter parecido exigente e mimada.

– Acredite, naquela primeira manhã, as coisas que você disse... eu nunca havia ficado tão furioso na vida. Sem mencionar atônito quando você fez sua proposta naquele dia no barco. Até que me contou quem presumia que eu era e por quê.

– E depois? O que aconteceu depois? – perguntou ela, chegando à parte mais importante. A parte onde Joe precisaria fazê-la entender por que ele fizera aquilo e fazê-la acreditar nos seus sentimentos sinceros agora.

Mas antes que ele pudesse abrir a boca para falar uma única palavra, alguém bateu à janela do lado do passageiro. Surpresos, Joe e Demi olharam para fora e viram a noiva, mordendo o canto da boca, parecendo insegura e infeliz, nem um pouco uma mulher prestes a se casar com o homem de seus sonhos.

– Droga – disse ele. – Nós precisamos terminar esta conversa.

– Eu sei.

– Pode dizer a ela que nós necessitamos de mais alguns minutos?

Demi abriu a janela.

– Oi, Sel. Você pode nos dar...

– Eu preciso falar com você.

Ah, Deus. Ele tinha a impressão de que a noiva estava prestes a confessar alguma coisa. Ela parecia agitada, obviamente aborrecida, e mais nervosa do que estivera na igreja.

– Sinto muito, Demi, mas há duas pessoas no andar de cima que você não vai querer ver. – Ela olhou para o outro lado do carro e viu Joe, deu-lhe um sorriso breve, então focou na irmã novamente. – Eu poderia torcer o pescoço do meu sogro. Eu estava esperando para avistar seu carro, de modo que pudesse avisá-la. Que bom que vocês decidiram parar aqui. Assim nós temos um minuto.

– O que aconteceu? Quem está lá em cima?

– Bitsy.

– Eca.

– Eu sei. Ela estava jantando no restaurante. Acho que ela conhece a família de Bradley. De qualquer forma, sr. Kent a avistou e convidou-a para se juntar ao grupo, o que, é claro, encantou Deborah.

Demi olhou para Joe.

– Bitsy é uma das amigas de minha madrasta. Ela... hum, estava lá. Naquela noite.

– Ah, isso está ficando cada vez melhor – murmurou ele.

– Não, está ficando pior – disse Selena. – Porque Bitsy não está sozinha. Está acompanhada, a velha assanhada. Nenhum de nós percebeu quem era até que eles se sentassem. Eu pedi que Bradley se livrasse deles. – Selena meneou a cabeça. – Mas ele disse que a família de Bitsy e a dele são amigos há anos e que não ia fazer alguma coisa tão rude. – Ela desviou o olhar. – Nem mesmo quando eu lhe supliquei.

Joe percebeu que Sel estava magoada pela recusa do noivo em atender ao seu pedido... o que fez com que ele começasse a gostar dela, talvez um pouquinho. Pelo menos, por se preocupar com Demi. A única coisa que ele ainda não entendia era quem era aquela segunda pessoa indesejada.

– Eu aposto que a bruxa fez isso de propósito – murmurou Selena. – Não posso acreditar que ela não sabia que nosso jantar de ensaio aconteceria aqui. E não há nada que Bitsy aprecie mais do que criar problemas e recostar-se para assistir à explosão.

Demi estava obviamente perdendo a paciência.

– Fez o quê? Com quem Bitsy está, Sel? Fale de uma vez.

– Com Oliver, Demi. Ele e Bitsy estão sentados no piso superior do restaurante, onde todos estão esperando você... vocês dois.
 
~

Lento - Capitulo 22 - Maratona 10.10

 
~

O ENSAIO do casamento começava às 19h, com o jantar acontecendo logo em seguida, num bom restaurante em um dos hotéis da família do noivo. Eram 17h agora. Eles deveriam sair a qualquer minuto, a fim de chegar no horário, considerando o trânsito de sexta-feira à tarde na cidade.

Em vez disso, no instante que Joe saiu do elevador, e entrou na casa dela, Demi pulou sobre ele. Literalmente. Correu para os braços dele, envolveu-lhe a cintura com as pernas e começou a dar beijos frenéticos em sua boca.

– Eu senti tanta saudade sua – sussurrou ela, quando pausou para tomar fôlego... e lhe permitiu fazer o mesmo.

– Eu também. – Rodeando-lhe a cintura com um braço, segurando-lhe o traseiro com a outra mão,

ele seguiu o corredor em direção ao quarto. Beijou-lhe o queixo, a lateral do pescoço. – Talvez cheguemos atrasados.

– Sel nunca chega na hora para coisa alguma em sua vida – replicou Demi, deixando seu penhoar curto de seda escorregar pelos ombros e braços. Ela poderia ter se arrumado para a noite, como Joe, que estava num terno azul-marinho, camisa branca e gravata. Em vez disso, quando começara a colocar a lingerie que comprara para usar sob seu vestido novo, apenas conseguira visualizar Joe o removendo. E então não tinha se incomodado de acabar de se vestir. – Ela atrasou uma hora em seu primeiro casamento.

Chegando ao quarto de Demi, Joe jogou-a no meio da cama, observando, com olhos brilhantes e vorazes, quando o penhoar caiu completamente, revelando o sutiã de renda preta, cinta-liga e meias de nylon pretas.

– Então suponho que Sel não irá se importar se nós chegarmos alguns minutos atrasados para o ensaio.

Demi deitou-se na cama, uma perna estendida, a outra dobrada no joelho, num convite. Com uma das mãos descansando na barriga, a outra alisando as longas mechas de cabelo solto, ela deu-lhe um olhar travesso que não deixada dúvidas do que queria.

– Somente alguns minutos?

– Depois de três dias e meio sem você, eu quero pelo menos alguns minutos em seu interior – murmurou Joe, removendo o paletó e colocando-o sobre uma cadeira. – Podemos não ir ao ensaio esta noite?

Ela meneou a cabeça.

– Eu gostaria que pudéssemos. Mas eu sou a madrinha, lembra?

– Então nós... obtemos uma pequena satisfação agora, depois voltamos aqui esta noite e nos amamos até a hora de sair para o casamento amanhã.

Demi tremeu diante da rouquidão na voz dele, a qual falava de desejo feroz.

– Combinado.

Joe tirou a gravata, em seguida, levando muito mais tempo do que o necessário para uma tarefa tão simples.

– Você está lento demais – protestou ela.

– Eu disse uma pequena satisfação, não uma quantidade infinitesimal.

Incrível, pensou ela. Mesmo quando desesperado, o homem possuía uma paciência agonizante.

– Apresse-se – ordenou ela, contorcendo-se na cama.

– Sem chance. Nós não estamos com tão pouco tempo que me apressarei em alguma coisa que venho fantasiando há dias.

Fantasiando com ela quando eles não estavam juntos? Era bom saber. Mas isso não serviu para amenizar o calor louco que se espalhava por seu corpo inteiro.

– Você nunca ouviu falar numa “rapidinha”?

– Sim. E eu quero uma. Talvez amanhã, na recepção do casamento. – Joe arqueou as sobrancelhas. – Quer me encontrar na chapelaria do salão?

Ah, ele era perverso. Tão perverso. Apenas o pensamento daquilo enviou mais um milhão de ondas de eletricidade para o lugar sensível entre suas coxas.

– Isso é muito tentador – admitiu ela com sinceridade. – Mas sabendo como será difícil ficar segura dentro do meu vestido, eu não acho que irei querer removê-lo no meio do grande evento.

Ele alcançou o primeiro botão de sua camisa, abrindo-o com lentidão deliberada, antes de descer os dedos para o próximo, observando-a observá-lo.

– Eu estaria lá para ajudá-la... a colocá-lo de volta.

Depois que ele a levasse ao topo do mundo, sem dúvida.

– A menos que você leve um pé de cabra em seu smoking, para espremer tudo dentro do vestido, e fita adesiva forte para prendê-lo no lugar, eu acho que isso será impossível. – Como era, ela teria de comprar alguma geringonça pegajosa que lhe desse algum apoio. A ideia de colar filme plástico em seus seios parecia ridícula, e Demi já temia aquilo.

A alternativa, todavia, era pior. De maneira alguma, iria ao casamento sem sutiã.

– Talvez eu não queira você usando aquele vestido perto de outros homens. – Joe uniu as sobrancelhas bonitas e parou de desabotoar a camisa.

Com ciúme? Isso era possível? Uma pequena onda de excitação a percorreu com o pensamento.

– Eles irão ver o vestido. Você será o único a não vê-lo quando eu o remover.

– Suponho que terei de me consolar com isso. – Ele fitou-lhe as pernas. A meia de nylon. A cinta-liga. A minúscula calcinha preta. – Voltando à nossa “rapidinha”. Talvez você não precise se preocupar sobre o seu vestido. Use o que está usando agora. – Sorrindo com puro desejo, ele acrescentou: – Sem a calcinha. Eu levantarei seu vestido e a tomarei contra a parede do closet, desafiando-a a não gritar.

Demi gemeu, suas pernas tremendo, pronta para gritar neste momento.

– Eu perderia o desafio.

Ele pareceu distraído de sua agonia, ainda fazendo tudo devagar, excitando-a palavra após palavra, olhar após olhar, nem mesmo a tendo tocado desde que a derrubara sobre a cama. Mas, pelo menos, voltara a trabalhar naqueles malditos botões.

Visualizando o interlúdio que ele propusera, Demi murmurou:

– Você pode imaginar tentar sair da chapelaria do salão e agir normalmente depois?

– Você vai fazer isso esta noite no jantar.

Confusa, Demi apenas o olhou.

Uma expressão de incrível ternura surgiu no rosto de Joe, e Demi perdeu o fôlego ao pensar que tal emoção era dirigida a ela.

– Ah, querida, você não tem ideia de como fica sua aparência depois que fazemos amor. Felicidade fica estampada no seu rosto por horas depois.

Bom Deus. Palavras tão doces. Algum homem já a tocara com apenas um sussurro do jeito que Joe a tocava?

Fácil de responder. Nunca.

– Esta noite, no ensaio, você terá aquele sorriso suave no rosto e aquele brilho especial nos olhos. Sua pele estará corada, e seus movimentos parecerão um pouco lentos e sonhadores, como se seu corpo estivesse lá, mas todas as outras partes suas... coração, mente e alma... estivessem... bem aqui.

Demi fechou os olhos, não querendo que ele visse o que ela suspeitava que houvesse neles. O brilho de lágrimas... e muitas emoções genuínas. Talvez até o amor que ela finalmente admitira, mesmo que somente para si própria, que sentia por esse homem.

Finalmente, sentindo-se capaz de falar... e olhar para ele... Demi os reabriu. – Joe, estou tão feliz por ter conhecido você.

– Eu também – admitiu ele.

Eles se entreolharam, trocando emoções não faladas, e naquele momento, Demi soube que o relacionamento deles tinha se transformado em alguma outra coisa. Ela só não sabia no quê. E, para sua total surpresa, não ficou totalmente apavorada pela percepção.

Porém não havia tempo para analisar aquilo agora. Certamente, não tempo o bastante para que eles conversassem sobre o assunto.

Comprimindo os lábios, Demi focou sua atenção no corpo ainda vestido de Joe.

– Voltando ao nosso tempo limitado, se você não remover as suas roupas, eu irei rasgá-las do seu corpo.

– Então eu não terei nada para usar esta noite – disse ele, dando de ombros. – Portanto, suponho que você terá de ser paciente.

Como ele podia enlouquecê-la tanto, entretanto ainda permanecer no controle, somente agora removendo a camisa e jogando-a de lado? Lá estava ela, deitada como uma modelo de revista masculina, vestida num conjunto sexy de lingerie, e o homem nem mesmo abrira seu cinto. – Há alguma coisa que eu possa fazer para você ir mais depressa?

Ele meneou a cabeça.

– Talvez eu deva começar sem você.

– Talvez você deva.

Aquele era um desafio. E talvez até mesmo um pedido sexy.

Demi aceitou, levando as mãos para cima, deixando os dedos traçarem um caminho preguiçoso por seus seios. Ela roçou um bico, já rijo e sensível contra a renda preta. Então desceu uma alcinha do sutiã, liberando um dos seios para a visão de Joe e para o seu próprio toque.

Ele gemeu. E talvez tivesse removido o cinto um pouco mais rápido.

– Humm – murmurou ela, usando dois dedos para brincar com o próprio mamilo.

Querendo ver mais daquele desejo desesperado na fisionomia dele, Demi abaixou a outra alça, então virou o sutiã, colocando o fecho para frente, e abriu-o completamente.

– Você tira o meu fôlego cada vez que eu a olho – sussurrou Joe, devorando-a com aquele olhar.

Mas ainda estava de calça.

– Sabe o que eu sempre quis experimentar, Joe? – perguntou ela, brincando com os dois mamilos agora.

– Estou com medo de perguntar.

Sabendo como Joe era fascinado por seus seios, ele tinha razão de sentir medo.

Ela sentou-se, escorregou para a beira da cama e envolveu as pernas dele com as suas. A aspereza da calça masculina contra a meia de nylon sedosa aumentou o nível da sensação.

Demi estendeu os braços para o cós da calça de Joe, desabotoou-a, então desceu o zíper lentamente. A ereção viril arqueou-se contra sua mão, mas isso não a deteve. Ele observou-a com olhos estreitos, como se estivesse se perguntando o que ela ia fazer.

Demi lhe dera prazer com a boca muitas vezes e sabia que ele adorava. Também sabia que era isso que ele esperava.

Não era o que ele ia receber.

Abaixando a cueca, juntamente com a calça, sobre os quadris e nádegas firmes de Joe, Demi soprou de leve naquela pele sedosa. Mas em vez de prová-lo, aproximou-se. O bastante para que seus mamilos roçassem contra os pelos da barriga dele, para sentir a pulsação frenética quando o sangue de Joe correu pelas veias.

– Bom Jesus – exclamou ele com um gemido, finalmente entendendo a intenção dela.

Circulando-o com uma mão a fim de agarrar-lhe o traseiro, Demi o abraçou mais apertado, aninhando a ereção masculina entre seus seios grandes, formando um canal macio e quente para ele. Joe foi incapaz de resistir, os músculos se flexionando nas mãos dela, a pélvis se inclinando, o membro rijo deslizado contra seu corpo, como se ele estivesse enterrado em seu interior.

– Demi. – Arfando, ele entrelaçou os dedos no seu cabelo, e ela o fitou, umedecendo os lábios, gemendo de prazer enquanto ele continuava suas investidas preguiçosas.

– Eu nunca imaginei que isso pudesse ser tão bom – sussurrou ela, admitindo estar tentando alguma coisa nova.

A percepção pareceu excitá-lo ainda mais, e Joe inclinou a cabeça para trás, os músculos do pescoço se estendendo.

Demi não tinha muita certeza quão longe aquele tipo de coisa podia ir. Conhecendo Joe, ele não estava perto de atingir o clímax. Nem ela era altruísta o bastante para abrir mão de tê-lo em seu interior. Mas gostava daquilo. Muito. Gostava especialmente do fato de que ele parecia estar perdendo um pouco daquele controle férreo, as mãos fortes se apertando no cabelo dela, a respiração ofegante.

– Eu preciso da coisa real agora, baby – murmurou ele, abaixando as mãos nos ombros dela e empurrando-a sobre as costas.

– Que bom – sussurrou ela, querendo-o com desespero.

Mas em vez de subir em cima dela, Joe permaneceu parado entre suas coxas abertas. Ele pegou um preservativo do bolso da calça, abriu-o e protegeu-se.

Soltando a cinta-liga com movimentos hábeis dos dedos, removeu-lhe a calcinha e jogou-a para longe, então deslizou os dedos dentro do centro molhado de Demi.

Ele pareceu perder os últimos vestígios de controle ao encontrá-la totalmente excitada e pronta para tomá-lo.

– Eu não acredito que estou fazendo isso sem lhe dar mais – disse ele, soando quase desesperado.

– Por favor, apenas me tome – pediu ela.

Joe não a fez suplicar novamente. Ergueu-lhe as pernas completamente, até que os calcanhares delgados descansassem em seus ombros largos e desnudos. Segurando-lhe os quadris e levando o centro úmido na sua direção, penetrou-a com uma força repentina e chocante.

Demi gritou diante do poder daquilo, tão preenchida por ele que não achou que algum dia se sentiria inteira novamente se ele parasse de fazer amor com ela.

Joe congelou.

– Demi? Você está bem?

Uma mão grande foi para seu rosto, o polegar traçando seus lábios entreabertos. Ela mordeu-o de leve, já movimentando o corpo em direção a ele, avidamente exigindo mais, quando ele começou a se retirar.

– Contanto que você não pare, eu estou bem.

– Nesse caso, suponho que eu não vou parar.

Ele recuou, investiu novamente, a firmeza do chão sob seus pés lhe dando incrível controle. Demi foi incapaz de fazer qualquer coisa, exceto amar cada investida, gemer quando Joe acelerava o ritmo, chorar quando ele diminuía.

E finalmente, quando ele levou uma mão entre os dois corpos e acariciou-lhe o clitóris inchado, gritar sua liberação, momentos antes que Joe obtivesse a dele.

Somente então ele abaixou-se e cobriu-lhe o corpo com o seu, ambos caindo num sono repentino e inesperado, ainda unidos de todas as maneiras possíveis.
 
~

Fim da maratona, mais tarde eu posto mais um, agora não vou poder postar muito rápido pq, essa fic já esta acabando e eu ainda n acabei de adaptar uma nova, então... eu vou tentar agilizar com a outra, mas eu n prometo nada. Beijooos <3