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12.10.15

Escolha - Capitulo 17 - Último


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JOE CONGELOU ao ver Demi pisar no átrio. Ele estava dizendo algo para Sveta, mas não conseguia se lembrar o quê. Não importava.

– Oi – disse, estendendo a mão para acompanhar Demi para dentro do apartamento. – Descansou?

– Sim – disse ela, embora tivesse desviado o olhar ao responder. – Obrigada.

– Tem comidas da delicatessen na cozinha. Você quer comer antes de se arrumar?

Ela foi direto para o corredor que levava à sala de imprensa.

– Não, obrigada. Não estou com fome.

Joe a seguiu, ficando desanimado quando percebeu que seu plano para a noite já estava indo para o ralo. Ele ouvia o tagarelar da equipe enquanto arrumavam a sala de imprensa, e pensava na comida na cozinha. Tinha comprado todas as coisas das quais Demi gostava na delicatessen Carnegie Deli, incluindo o molho russo e a salada de repolho para acompanhar o sanduíche de carne enlatada.

Demi virou a esquina, desapareceu de vista, e Joe cambaleou. De repente parou quando ficou claro para ele que seu “plano de mestre” em deixar Demi apaixonada, incluindo a noite completa programada, ótima iluminação e uma trilha sonora bastante épica, tinha deixado só uma coisinha de fora. A própria Demi.

Sveta se pôs diante de Joe, chicoteando o cabelo para trás em seu estilo dramático de sempre, em seguida lhe fez três perguntas-relâmpago sobre a festa do lançamento do livro desta noite.

Ele piscou para a mulher e permitiu que ela o arrastasse pelo corredor até onde a ação toda se encontrava. Quando ele entrou naquele hospício, teve um vislumbre de Demi no imenso espelho de maquiagem. Ela olhou para trás e seu olhar estava tão repleto de dor que Joe quase foi esmagado.

Ele havia percebido ontem à noite que sua decisão de se afastar da operação de seu grupo de mídia era grandiosa, mas ele estava prestes a dar esse salto? Não foi acima de um riacho murmurante, ele estava do outro lado das Cataratas do Niágara. Ele moldara para si um mundo formado inteiramente com suas regras, que servia apenas para ele, e todos os momentos de todos os dias eram moldados por Joe Winslow. A única coisa com a qual ele já se comprometera fora o blog, mas só quando precisou fazê-lo, e somente quando servira para o bem maior, que também tinha totalmente a ver com o trabalho dele, então não, ele nunca se comprometera de fato.

Era bom ser o rei. E, no entanto, como ele nunca tinha notado que também era incrivelmente solitário?

Rebecca. Ela era boa; ele tinha de lhe dar crédito. Ela dissera que isso iria acontecer. Que estar certo só satisfazia até determinado ponto. Ele queria mais agora. Mais com Demi. Com a mulher sentada no centro de um redemoinho.

Mas Joe seria capaz de fazê-lo? Será que ele conseguiria modificar os caminhos necessários para realmente ser parte de um casal? Priorizá-la? Um conceito inovador, e o qual ele havia estragado na largada.

Ele estava tão absorto por seu gesto grandioso que tinha se esquecido de que estava prestes a pedir algo colossal àquela mulher. Ela possuía os próprios sonhos, os próprios objetivos, seu maravilhoso plano de cinco anos. Será que ela ao menos iria aceitar o que ele estava propondo? Talvez ele devesse esperar, pensar no assunto. Agir precipitadamente não era de sua natureza. Aquilo era uma loucura.

Joe voltou a se concentrar em Demi. Ela não tinha se afastado em tudo. Mas estava se saindo muito bem ao mascarar sua dor. Qualquer outra pessoa teria pensado que o sorriso era genuíno, que seus olhos brilhavam de emoção e expectativa. Mas ele já a tinha visto quando estava realmente feliz.

Para o inferno com isso. Ele ia entrar em ação.

– Posso ter a atenção de todos?

Não demorou muito para o grupo sossegar.

– Tem alguma coisa vindo aí. Nós não iremos ao evento de hoje à noite, então se vocês puderem encerrar o trabalho, ficarei muito grato.

Joe sabia que toda a equipe iria reagir, mas seu olhar se deteve à imagem de Demi no espelho. Ela parecia completamente confusa, mas ele não a manteria ali por muito tempo.

– Não se preocupem – sussurrou ele, em seguida pigarreou e falou com a equipe novamente: – Não se preocupem, todos vocês vão receber pelos trabalhos da noite. Há comida na cozinha. Levem-na com vocês. Eu nunca vou dar conta de acabar com ela sozinho. Obrigado a todos. Peço desculpas pelo transtorno.

Sveta mal piscou. Ela começou a recolocar as roupas de volta nas prateleiras, os sapatos nas caixas, certificando-se de que tudo estaria em ordem para o próximo evento. A equipe seguiu o exemplo, e uma vez iniciada a limpeza, foi uma questão de minutos até tudo estar em ordem.

Demi se levantou da cadeira de maquiagem. Pegou sua bolsa, pegou seu vestido vintage de marinheiro. Deus, ela estava linda. Joe não conseguia evitar a dor em seu peito. Ele desejava que ela dissesse sim mais do que desejara qualquer coisa na vida.

Joe estava ciente de que os membros da equipe estavam olhando para ele, para Demi, e de que estavam tentando limpar tudo o mais depressa possível. Ele não se importava.

Demi estava de cabeça baixa, porém sua coluna estava ereta e esguia enquanto seguia o pequeno grupo. À porta, Joe pegou a mão dela.

– Eu gostaria que você ficasse – disse ele. – Por favor.

Quando estavam a sós, e já não ouviam os passos dos outros, ela encontrou o olhar dele.

– O que está acontecendo?

– Eu tinha tudo planejado – disse ele. – Como se eu estivesse escrevendo uma pequena peça de teatro. Nós iríamos para a festa, mas ficaríamos até tarde. Eu convenceria você a voltar aqui comigo. Eu tinha também um plano B e um plano C, só para garantir. Teria sido ótimo. Muito dramático. – Ele olhou para ela com aqueles olhos verdes incríveis. – Mas tudo que realmente importa agora é o quanto quero te beijar.

– Nós não estamos indo para a festa do livro porque você quer me beijar?

Ele sorriu.

– Não – respondeu, então meio que se retraiu. – Mais ou menos.

– Oh – disse ela, como se tudo fizesse sentido. Um segundo depois, Demi balançou a cabeça. – Não entendo tudo isso. Joe, o que…

Ele a beijou. Não podia esperar nem mais um segundo. Honestamente, ele não queria mantê-la em suspense, isso não seria justo. Assim que finalizasse o beijo, ele lhe diria tudo.

Então ela retribuiu o beijo.

A primeira reação de Joe foi graças a Deus. Era daquilo que ele precisava. Demi em seus braços, em seus lábios. O gosto de seu chiclete de menta e o deslizar da língua dela o deixaram cheio de desejo.

– Joe – sussurrou ela, e foi como acender uma chama, o som de seu nome nos lábios dela. Ele deu um passo para mais perto dela. Joe teria adentrado no corpo dela se pudesse; em vez disso, ele a guiou de costa até Demi estar contra a parede, beijando-a como se sua vida dependesse disso.

Com um suspiro, ela jogou a cabeça para trás, a boca inchada, úmida e irresistível.

Ele se obrigou a desacelerar. O primeiro contato dos lábios foi suave, gentil. Carinhoso. Mas não foi o suficiente, e ele a puxou para si, a boca rija, ávida, desesperada quando o beijo se aprofundou em um emaranhado intenso de línguas e dentes que fez Joe gemer.

Libertando sua boca, Demi ofegava enquanto sua mãos delicadas desabotoavam a camisa de Joe. Os olhos dela estavam arregalados e selvagens enquanto ela se atrapalhava na tarefa e xingava.

– Demi…

Ela desistiu dos botões e foi para o cinto. Ele gemeu, mas não.

– Aqui não – censurou Joe bruscamente, e a abraçou, levantando-a para cima, inclinando-a levemente até ela envolver as pernas acima dos quadris dele. Ele só queria chegar no quarto, mas como sempre, não conseguiu resistir a beijá-la mais e mais. Ele cambaleava como um bêbado, tonto por causa de Demi, pela promessa de que estava por vir.

De algum modo eles chegaram ao quarto e tiraram suas roupas. Sem sutilezas, sem provocações. Simplesmente a necessidade de ficarem nus. Agora.

Como se deitaram na cama, Joe pegou as mãos de Demi e as guiou para acima da cabeça dela, ao mesmo tempo que se equilibrava em cima de seu corpo. Ele olhou para o rosto dela e viu uma nova vida.

HAVIA TANTA coisa no olhar de Joe que Demi ficou imóvel. Ela era uma causa perdida, já era, todo o bom senso que tinha fora varrido pela paixão e pela consciência do corpo de Joe. Quando ele sussurrou o nome dela, o mundo desacelerou, o ar vibrou com o calor e desejo.

A boca de Joe deixava beijos molhados e quentes pelo queixo de Demi, ao longo da clavícula. Do peito. Ele passou a língua em torno do mamilo e gemeu quando este enrijeceu para ele.

Ela deu um pinote, e ele fez de novo, se esticando para a gaveta para pegar um preservativo. Ele colocou a proteção com dedos trêmulos, e então se aninhou entre as pernas dela. A lua os banhava com uma luz cinza suave, tão luminosa que era o suficiente para Demi enxergar os detalhes do rosto de Joe, embora ela já conhecesse cada característica intimamente e fosse capaz de esculpir cada curva.

– Senti sua falta – sussurrou ele, mas suas palavras se transformaram em um gemido quando ele afundou dentro nela.

Demi fechou os olhos quando ele a preencheu e sua pulsação acelerou quando investiu ao encontro do impulso lento dele.

Eles pararam quando se viram incapazes de ir além, ofegando alto no quarto, mas logo já não era o suficiente mais, e ela empurrou de novo.

– Movimente-se – disse ela, apertando os braços dele, pressionando os seios contra o peito forte.

– Deus, sim – disse Joe, em voz tão baixa que mal superou o som dos batimentos cardíacos de Demi.

– Tão gostoso. – Ele segurava o rosto dela enquanto investia lentamente, beijando-a depois de uma pincelada lânguida da língua no lábio inferior dela.

Ela arfou com o choque da ternura dele. Estava pronta para o sexo frenético. Não para isso.

Joe deslizou suas mãos para os quadris de Demi e se rebolou, indo ainda mais fundo agora, e pensar era algo praticamente impossível. Jogando a cabeça para trás, ela arfou o nome dele, e ele investiu seus quadris como se cada vez fosse a última. Mais uma vez, o controle de Joe a estava deixando louca. Ela ouvia o próprio coração disparar em seus ouvidos, os murmúrios, gemidos e arfares de ambos misturados. Dela e dele.

Quando Joe deslizou seus dedos entre eles, mal precisou tocá-la. Houve longo momento de tensão naquele limbo insuportavelmente doce, pouco antes do baque, e então quando veio, quando o orgasmo a atravessou como um raio, Demi gritou e se agarrou a Joe como se ele fosse a única coisa real.

Ele não a soltou, e não parou. Entre os espasmos trêmulos, ele disse o nome dela sem parar, e quando o ritmo aumentou, sua voz ficou mais alta, até ele preenchê-la tão completamente e Demi senti-lo chegar ao ápice.

Finalmente Joe desabou ao lado dela, bem perto, e ela sentiu-se pequena e delicada contra o corpo úmido dele enquanto sua respiração se acalmava. Quando o pensamento retornou gotejando, tudo estava perfeito, tranquilo e nada mais. No entanto, o gotejar se transformou em um córrego, que trouxe o pânico juntamente à lucidez.

Ai, Deus, Demi havia feito. De novo. E piorou as coisas em um milhão de vezes. Ela devia ter ido embora enquanto podia, aproveitar um intervalo e sair correndo. Porque eles tinham feito amor. O som do nome dela na voz baixa dele estava gravado para sempre. Ela era um caso perdido.

Demi rolou para longe e saiu da cama, pegando seu vestido do chão. Se tivesse sorte, ainda poderia fazer uma fuga rápida e salvar alguma parte de seu coração.

A mão de Joe em seu pulso a impediu.

– Preciso ir – disse Demi com a voz trêmula e o coração pulsando.

– Não, por favor. Espere. – Ele puxou. – Por favor.

Ela suspirou antes de encará-lo.

– Agradeço tudo que você fez por mim, Joe, mas isso foi um erro. Você e eu sabemos disso. Eu não posso me iludir mais.

Não depois disso. Eu tenho que parar. Ponto final. Nada de festas profissionais com você, nada de barras laterais no blog, nada. Eu pisei em cima da linha de limite e não há retorno, exceto o que me leva para longe de você.

Ele sentou, sem libertar o pulso dela.

– Demi, por favor. Eu prometo que não vou impedir você se seu sentimento não mudar… dez minutos. Isso é tudo que estou pedindo.

Demi ainda estava nua, na verdade, o vestido estava apenas pendurado na mão dela e, por um momento, ela olhou para ele como se fosse algo que nunca tinha visto, mas não foi o vestido que a fez piscar. As coisas estavam ficando confusas de novo, e ela já havia passado tanto dos limites com Joe que tinha perdido todas as suas regras básicas. Não havia como fugir disso. Ela havia se apaixonado por ele. Nada poderia corrigir isso, exceto o tempo e a distância. Mas dez minutos? Ela poderia arriscar, certo? Mas só se não estivesse nua.

Joe a soltou, e então ela colocou o vestido. A calcinha estava jogada perto da porta, mas ela poderia pegá-la daqui a pouco. Agora, porém, precisava ouvir o que Joe tinha a dizer.

Demi sentou-se na cama, mas não pertinho dele. Se ele a tocasse, havia uma boa chance de o pouco de determinação que ela havia encontrado evaporar como fumaça.

– Sou toda ouvidos.

Ele assentiu, mas depois fez algumas manobras sob o lençol, que havia se transformado em um amontoado ao pé da cama. Passou a cueca pelos pés e sorriu pela sua façanha depois de vesti-la completamente.

Aquele sorrisinho não colaborou. Ficou claro que dez minutos eram nove minutos e 59 segundos muito longos. Ela devia ter fugido quando teve a oportunidade.

AGORA QUE Joe realmente ia contar a Demi sobre o plano, havia um indício de pânico envolvido. Ele sentou, reforçou as costas com um travesseiro arrumado às pressas, em seguida, encontrou o olhar dela. Daria na mesma mergulhar no fundo do poço.

– Tudo bem. Primeiro, preciso lhe fazer uma pergunta. Você se divertiu na sexta à noite? Quando perdemos a estreia?

Ainda parecendo um pouco emudecida, ela balançou a cabeça.

– Sim. Sim, eu me diverti.

– Você estava feliz?

Um lampejo de dor estava lá e se foi em um segundo.

– Sim. Muito.

– Eu também.

Demi olhou para ele como se ele estivesse louco, e Joe supôs que ela estivesse certa.

– Eu estava muito feliz naquela noite – disse ele. – Eu não dei a mínima para o tapete vermelho ou para o blog. Eu queria estar exatamente onde estava. Com você. Eu não esperava isso.

– Isso é… – Ela hesitou por um momento, as mãos subindo, caindo no colo. – Impressionante.

– Pode dizer essa palavra de novo. Eu nunca me senti assim com ninguém, há eras… na verdade, nunca. Gosto muito de você. – Era horrível não tocá-la. Errado. Ele abandonou o travesseiro e foi arrastando as pernas pela cama, realizando manobras de maneira desajeitada até eles estarem sentados lado a lado, se tocando. Até que ele segurou a mão dela. – Eu nunca senti vontade de conversar com ninguém do jeito que quero conversar com você. Tem sido uma revelação ir a festas esta semana. E trabalhar juntos, bem, droga, tem sido…

Joe perdeu a linha de raciocínio ao passo que Demi piscava para ele, boquiaberta, mais em choque do que em confusão. No entanto, quando ela endireitou os ombros e se inclinou para longe dele, Joe foi o único que ficou confuso.

– Estou feliz – disse ela. – Estou mesmo. E talvez em breve eu possa voltar a bordo, porque o que você me proporcionou… mas preciso me concentrar nos meus objetivos. Principalmente agora que eles mudaram. Nem tenho certeza do que quero exatamente, mas sei que é importante manter meu olho na recompensa e não me deixar distrair. E desculpe, Joe, mas você é a maior distração do planeta.

– Não, não. Espere, Demi. Não decida ainda. Porque também estou falando sobre mudar. Para melhor, espero. Olha, a última coisa que quero no mundo é marginalizar seus sonhos. Eu acredito em você. Você é uma escritora talentosa, tem um bom olhar para os detalhes e para a moda. Você será bem-sucedida, não importa o que resolva fazer, e boa parte do que quero fazer é apoiá-la do jeito que eu puder.

Ela respirou fundo.

– Tudo bem…

– Resolvi abrir mão do cargo de editor do NNY.

– O quê?

Ele sorriu por causa da altura com que a palavra ecoou no quarto iluminado pela lua.

– É hora de assumir novos desafios. Que não envolvam celebridades ou supermodelos ou desfiles de moda. Eu não tenho ideia do que isso vai parecer. Só que não vai ser o que foi.

– Oh – falou Demi novamente, e Joe praticamente conseguia enxergar a mente dela lutando para dar sentido ao que ele estava dizendo, reorganizando tudo o que sabia sobre ele. Diabos, jogando tudo pela janela.

Ele acariciou o rosto dela com as pontas dos dedos. Queria muito que ela lhe dissesse sim.

– Nós formamos um bom par. Somos um bom par. Combinamos. Quero explorar isso. Juntos. Ao mesmo tempo que nós dois descobrimos nosso lugar no mundo individualmente. Porque tenho certeza de que estou apaixonado por você.

DEMI PENSOU em se beliscar. Mas quando encarou os olhos de Joe, acreditou nele. Ele a amava. – Oh, meu Deus – disse ela.

Ele riu.

– Sim.

– Você me ama? Eu?

Joe assentiu.

– Não tenho certeza que vou ser bom nisso. Você sabe que primeira vez e tal…

Ela engoliu em seco enquanto lutava para fingir que não estava surtando.

– Tudo bem. Você é muito bom em todo o restante. Acho que você vai aprender rapidinho.

– Obrigado – agradeceu ele.

Era a vez de Demi tocar, de acariciar o braço de Joe antes que ele lhe acariciasse a bochecha. Isso ajudou muito. Ela precisava de terra firme e senti-lo era familiar e agradável.

– Você tem certeza disso? Tem certeza mesmo?

– Ah, sim. Estou dentro.

– Isso é loucura. Nem mesmo é uma vida que eu poderia ter imaginado, e quando eu tinha sete anos eu queria ser um unicórnio.

Joe riu quando a puxou para si, quando seus lábios capturaram os dela e Demi sentiu o sorriso e a empolgação dele. Ela estava nas nuvens, nos braços do rei que logo abdicaria ao trono de Manhattan, e para o inferno com o unicórnio. Ela era Demi, e não trocaria isso por nada nesse mundo.

Ela pensou em suas amigas da troca de pratos congelados da St. Mark’s, e em como todas ficaram esperançosas e temerosas quando pegaram um cartãozinho de troca. Demi mal podia esperar para lher dizer para não desistir. Nunca. Tudo era possível. Qualquer coisa.

No dia seguinte…

HuffPost – Cultura: Joe Winslow se demite!

New York Post: Hoje, na coluna social… É o fim do Naked New York?

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Joe Winslow

Editor-Chefe / CEO na Naked New York Media Group

Estudou Administração / Marketing na Universidade de Harvard

Mora em: Manhattan

♥ Em um relacionamento sério

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HEY GENTE FELIZ DIA DAS CRIANÇAS PORQUE TODOS NÓS TEMOS UMA CRIANÇA INTERIOR.
Último capítulo da fic :( Mas não fiquem desanimados, que já já, vem mais um.
Um beijo enorme pra todas vocês.
xoxo

13.9.15

Faça Meu Jogo - Capitulo 11 - Último


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Dia dos Namorados – 14 de fevereiro

JOE DESEJAVA que o único dia do ano reservado para os amantes ocorresse em março. Teria ajudado muito se pudesse falar com São Valentim e trocá-lo de lugar no calendário com São Patrício, no dia 17 de março, só desta vez. Talvez os fabricantes de cartões de felicitações não fossem gostar, nem as indústrias de flores ou chocolates, mas ele realmente ia gostar de um mês extra antes da chegada do grande dia do romance e do amor: todas as coisas que ele possuía há alguns dias, antes de Demi ir embora de sua casa.

Todas as coisas que ele pretendia ter novamente. Com ela.

Tinha sido infernal vê-la partir. Mas no instante em que Joe entrou na cozinha e a viu triste, com uma expressão resignada, ele soube que ela estava caindo fora. Não podia fazer nada senão permitir que ela fosse, não por causa daquela besteirada do “se você ama muito alguma coisa, deixe-a ir. Se voltar, é porque era sua. Se não voltar, é porque nunca foi sua”, mas porque ele a conhecia bem o suficiente para saber que não adiantava tentar convencê-la a não ir embora.

Quando Joe foi para o segundo andar, ele teve breves esperanças de que ao vê-lo encarar a situação calmamente, embora por dentro ele fosse uma massa revolta de raiva, frustração e desejo, ela fosse perceber que estava cometendo um erro e mudar de ideia. Ouviu-a subindo para recolher suas coisas, e aguardou no banheiro, não debaixo do chuveiro, mas de pé do outro lado da porta fechada. Meio que se perguntando se ela ia bater.

Quase certo de que ela não o faria.

Ela não bateu.

Por mais forte que fosse, Demi não era do tipo que tomava decisões importantes no calor do momento. Ela era do tipo que se recolhia-pensava-avaliava-daí-avançava-cautelosamente.

Joe só queria ser capaz de dar mais tempo a ela para sentar-se em Chicago, pensar, avaliar, antes de voltar para ele. É por isso que teria sido melhor se o Dia dos Namorados fosse dali a um mês.

Com um mês para pensar sobre isso, Joe sabia, sem sombra de dúvida, que Demi telefonaria, mandaria e-mails ou apareceria à porta dele.

Talvez não por razões emocionais.

Não para compromisso e casamento e uma vida inteira juntos. Mas só porque ela o desejava, e então lhe enviaria um convite para ir a Washington para fazer o joguinho de senador e assessora ousada. Sexo. Não amor. Ela era tão sexualmente viciada nele como ele era nela, e no prazo de 30 dias ela estaria morrendo de vontade do tipo de intimidade quente, selvagem que os dois tinham dividido desde o primeiro dia.

Então, sim. Ela telefonaria, ou mandaria um torpedo.

E ele iria.

Tudo bem. Ela podia usá-lo para satisfazer suas necessidades mais profundas, porque Joe sabia que ele ia ser preenchido com a mesma fome por ela. E o jogo iria recomeçar.

Entretanto ele iria, principalmente, porque no fundo sabia que qualquer dia desses Demi descobriria finalmente que o amava também.

Ela o amava, e disso Joe não tinha nenhuma dúvida. Demi simplesmente não havia reconhecido ainda. Ou então ela viera com um milhão de razões para justificar porque a coisa toda não iria funcionar e optara por não se permitir amá-lo.

Tudo bem também. Ele não precisava que ela dissesse as palavras. O sexo era o suficiente para entrelaçar suas vidas até que ela estivesse preparada, e em um mês, ela estaria morrendo por isso.

– Maldito seja você por ter nascido em fevereiro, São Valentim – murmurou Joe.

Porque ao passo que 30 dias teriam sido suficientes para reverter o jogo, cinco podiam não ser suficientes. No curto espaço de tempo desde que fora embora, Demi pode ter ficado um pouco nervosa, mas ela era teimosa. Provavelmente iria segurar a situação por mais tempo que isso, não importando o quão incrível tivesse sido o sexo entre eles durante as noites em que ela dormira na cama dele.

Joe não tinha escolha, no entanto.

Era 14 de fevereiro, e o romântico dentro dele simplesmente não podia deixar o dia passar sem ao menos dar sua melhor cartada de sedução. Pela primeira vez ele estava apaixonado pela mulher certa no Dia dos Namorados. Precisava fazer alguma coisa a respeito.

E era por isso que ele estava sentado em um avião que agora aterrissava no aeroporto O’Hare, em Chicago. Tinha reservado o melhor quarto que poderia conseguir de última hora em um hotel exclusivo da cidade. Hoje à noite, ele queria estar lá com ela, lembrando-a de que Demi tinha feito a escolha certa ao aparecer.

Ou ele terminaria sentado sozinho no quarto, jogando uma caixa de chocolates no lixo, observando as pétalas de rosas murchas espalhadas pela cama e desejando que não ter desperdiçado uma caixa de champanhe devidamente derramada na banheira. Sem mencionar as ostras que já tinha encomendado ao serviço de quarto.

Ele foi definitivamente esperando pela primeira opção.

Felizmente, ele tinha um cúmplice em seu plano para atrair Demi para uma noite de romance sexy. Por mais que odiasse fazê-lo, Joe entrara em contato com tia Jean e pedira a ela para ligar para a Clear-Blue Air, afinal ela era a pessoa mais indicada para pedir informações sobre a agenda de Demi. A tal mulher de quem ela falava muito bem, Ginny, fora extremamente útil, seja porque gostasse de sua tia-avó ou porque amasse seu empregador. Talvez uma combinação de ambos.

Pelo que a mulher dissera, Joe tinha algumas horas antes de Demi voltar para Chicago, vindo de Cincinnati. Algumas horas para chegar ao quarto, montar o cenário, então telefonar para ela e perguntar se Demi tinha coragem de vê-lo novamente tão cedo.

Entretanto pedir diretamente talvez não fosse adiantar. Desafiá-la, provavelmente sim.

Todas essas coisas se agitavam na mente de Joe enquanto ele seguia o longo fluxo de passageiros desembarcando até o terminal. Mais um pensamento lhe ocorreu também: se isso não funcionasse, ele simplesmente teria de voltar no mês seguinte para participar das festividades de São Patrício e visitar alguns pubs de Chicago. Demi ficaria muito linda usando um chapéu de duende. Ou sexy demais se só usasse o chapéu e mais nada.

Sorrindo diante de tal ideia, Joe não seguiu para o ponto de táxi, mas, sim, para os escritórios da Clear-Blue Air. Ele dissera a Ginny que daria uma passadinha quando chegasse, só para marcar território e certificar-se de que a agenda de Demi não tinha mudado. Ele provavelmente poderia ter telefonado para pegar essa informação, mas desconfiava que a mulher quereria falar com ele pessoalmente.

Falando em ligar… telefone.

Enquanto caminhava, ele pegou o celular no bolso e discou. Uma olhadela nas barras na telinha e Joe confirmou que estava sem sinal. Então talvez Ginny não fosse uma romântica incurável secretamente, apenas estivesse acostumada ao serviço telefônico instável dentro do aeroporto. Porém, ela podia ser ambos.

Ao passar pela segurança, que tinha o nome de Joe na lista de visitantes autorizados para a ala de escritórios, ele seguiu as instruções que Ginny lhe dera. O aeroporto era imenso, ele sempre soubera disso. Mas nunca tinha imaginado a quantidade de espaço que o público nunca via. O corredor parecia continuar por blocos e mais blocos.

Claro que o escritório da Clear-Blue Air era no final do referido corredor.

Ele acelerou os passos quando percebeu que horas eram. Tinha imaginado que aquela missão iria demorar alguns minutos… Ele já havia descido do avião há meia hora.

Quando finalmente estava a poucos metros da porta, notou ela sendo aberta por dentro. Ele deu um passo para sair do caminho, a fim de deixar a pessoa passar, não prestando muita atenção. Pelo menos, não até que uma mulher emergiu. A mulher que ele não queria ver, pelo menos não até esta noite.

– Ah, que inferno – murmurou ele quando todos os seus planos viraram fumaça.

Demi o fitou, os olhos arregalados, boquiaberta, muda. Ela provavelmente temia que ele tivesse se transformado num perseguidor psicopata.

– Ei – disse ele baixinho, perguntando se ela se enfiaria de volta no escritório para evitá-lo por completo.

Em vez disso, ela fez algo muito mais chocante. Algo que o tirou do eixo.

Sem uma única palavra, Demi largou a bolsinha de viagem que carregava durante a noite, deu um passo em direção a Joe, jogou os braços ao redor do pescoço dele e o beijou como se não o visse há pelo menos… um mês.

ELE ESTAVA ali. Ela não conseguia acreditar que ele estava realmente ali, que ele tinha vindo até Chicago para vê-la no Dia dos Namorados.

Ao beijar Joe, sentir o calor do corpo dele, inalar seu aroma e reviver todos os prazeres de sua boca, ela flagrou lágrimas lhe inundando os olhos. Ela o amava, sentia saudade dele. E tinha finalmente encontrado o homem que poderia lhe oferecer a liberdade para voar quando ela precisasse, mas que estaria sempre esperando quando ela retornasse. Ou então ele simplesmente iria atrás dela.

Finalmente, o beijo terminou, e Demi sorriu para ele.

– Você veio.

– Claro que vim. – Balançando a cabeça e semicerrando os olhos em confusão, ele disse – Você deveria estar em Cincinnati.

Uma punhalada rápida de preocupação a fez perguntar:

– Ai, Deus. Você não esperava que eu estivesse aqui? Você não veio aqui para me ver?

Ele jogou a cabeça para trás e riu, apertando os braços ao redor da cintura dela.

– Sua doida, é claro que vim aqui para te ver. Mas eu tinha um plano grandioso de sedução tramado, e você não me deu mais do que uma hora para chegar no hotel e definir tudo.

– Há um sofá no meu escritório – disse ela, o tom seco. – Para você e para mim, não precisaria de mais nada.

– É verdade. – Ele se inclinou e lhe beijou a testa, murmurando: – Mas quero te dar mais que isso.

Ela suspirou, virando-se para que o rosto macio roçasse no rosto com a barba por fazer dele.

– Acho que está tudo bem então. A mesa de Ginny fica bem em frente à minha porta.

– Então vamos ao hotel.

Soou ideal para Demi. Ansiosa para ir, para ficar a sós com Joe em algum lugar para que pudesse contar a ele todos os pensamentos selvagens que passavam por sua cabeça, e os sentimentos mais ousados prestes a fazê-la explodir emocionalmente, ela escorregou dos braços dele e se abaixou para pegar sua bolsa. Ele tomou a bolsa dela, colocando-a sobre o ombro, junto à dele.

Ela não discutiu; a bolsa não era exatamente um fardo porque não estava muito cheia. Havia uma camisola de seda vermelha, um par de meias sete oitavos. Apenas as necessidades básicas. Não o que ela normalmente embalava para viagens de trabalho, porque ela definitivamente não ia para Cincinnati depois de dar de cara com Joe. Ah! Não era de se admirar que Ginny tenha ficado olhando para o relógio e a atrasando com perguntas idiotas. Ela estava preocupada em não deixar Demi voar para Pittsburgh já que Joe estava voando para Chicago.

– Então por que você não está em algum lugar acima de Ohio? – Ele quis saber enquanto caminhavam em direção ao terminal, o braço de Joe em volta da cintura dela, os quadris e coxas roçando a cada passo.

– Outra pessoa pegou meu voo – disse ela a ele. – Está muito frio em Ohio.

Mesmo rindo daquilo, considerando que estava um frio de lascar ali em Chicago, Joe sacudiu a bolsinha dela. – Então para onde você estava indo?

Houve uma pitada de divertimento na voz dele, como se já soubesse a resposta. Bem, é claro que ele sabia. Ele sabia que ela estava indo vê-lo. Ele não tinha percebido isso até chegar ali, obviamente, mas assim que a vira, assim que Demi jogara os braços ao redor dele e o beijara com todo amor que sentia, como Joe poderia não perceber que ela gostaria de estar com ele exatamente neste dentre todos os feriados?

– Para onde você acha, bonitão?

– Daytona? Com certeza é um lugar mais quente.

– Não é tão quente quanto Pittsburgh.

Ele parou quando ela confirmou, tomando-a nos braços para beijá-la outra vez. Desta vez não foi doce e suave, mas profundo e ávido, como se estivesse pensando nela desde o minuto em que Demi saíra da casa dele, desejando-a por todo esse tempo.

Ou talvez ela estivesse projetando os próprios pensamentos e sentimentos. Tanto faz. Tudo que Demi sabia era que a boca doce de Joe estava cobrindo todos os milímetros da sua, e que ela não queria que acabasse.

Finalmente, porém, porque a porta do escritório se abriu e vozes nas proximidades se intrometeram, o beijo acabou.

– Vamos sair daqui – sussurrou ela, entrelaçando o braço no dele e guiando-o de volta ao terminal. – Acho que precisamos conversar.

Entretanto ainda não. Demi não queria ter qualquer conversa profunda e importante enquanto eles caminhavam pela área pública do aeroporto. Estava repleta de viajantes frenéticos para chegar a seus destinos, resmungando diante das longas filas na parte da segurança.

Já que fizer “Desculpe, fui uma idiota e eu te amo” estava fora de cogitação, Demi preencheu o tempo com algo um pouco menos pessoal.

– Você não vai acreditar no telefonema que recebi esta manhã. – Ela pretendia contar quando o encontrasse na casa dele esta noite. Pelo menos, se ele a deixasse entrar.

Não que isso fosse capaz de impedi-la. Já sabia que uma das janelas dele não travava direito: felizmente o visitante de Las Vegas não tinha percebido isso.

– De quem?

– Do policial Parker. Acho que ele ficou muito curioso para descobrir por que um bandido de meia-tigela nos seguiria até Chicago e depois até a Pensilvânia, caso ele não tivesse realmente derrubado a joia que tinha roubado.

Joe a fitou com interesse.

– Será que ele tem alguma teoria sobre o que aconteceu?

– Sim. Acontece que o dono da loja aparentemente era tão desprezível quanto o bandido. Nosso amigo Teddy realmente derrubou sua sacolinha naquela noite, bem à porta da loja. O proprietário encontrou e a escondeu, e em seguida entrou em contato com a seguradora. Parker conseguiu fazê-lo confessar a coisa toda.

Joe assentiu, aparentando tanto alívio quanto sentia por causa daquela notícia.

– Então não temos de nos preocupar mais com o Sr. Lebowski.

– Correto. – Sorrindo, ela acrescentou: – O que significa que você não tem de trocar seu gnomo de jardim por uma Magnum .357.

Ele riu, e um silêncio camarada caiu novamente entre eles. E permaneceu quando chegaram ao carro dela e entraram, sem dizer muita coisa, uma vez que Joe já tinha dito a Demi o nome do hotel onde ficariam hospedados. Era como se ele já soubesse que ela queria dizer muita coisa a ele, e não quisesse que a conversa começasse até que estivessem completamente a sós. Ela não queria distrações causadas por espectadores curiosos, ou pela necessidade de manter as mãos no volante.

Além disso, um pouco de silêncio era bom. Ela precisava de tempo para colocar tudo em palavras.

Demi havia achado que teria algumas horas antes de chegar à porta de Joe, em Pittsburgh, armada com um copo de café em uma das mãos e um saquinho de chá na outra. “Café ou chá?” Parecia uma boa fala de abertura. Arrancar um sorriso dele poderia garantir que ele não iria bater a porta na cara dela por ser uma bruxa tão covarde, que fugira dele na outra manhã sem lhe dar a polidez de uma explicação.

Finalmente eles chegaram ao hotel.

Ela assobiou enquanto caminhavam pelo saguão, devidamente impressionada. O sujeito fez um belo esforço para montar aquele pequeno refúgio de feriado.

– Não fique muito empolgada – murmurou ele enquanto se aproximavam da recepção. – Eu só fiz a reserva ontem. Eles provavelmente estão desesperados para tirar proveito de cada otário que conseguirem no feriado, de modo que pode acabar dormindo em uma caminha dentro do armário do zelador.

Demi riu, mas sinceramente, ela não se importava. Contanto que eles pudessem ficar a sós e houvesse uma cama por perto, tudo bem para ela.

Poucos minutos mais tarde, quando eles chegaram ao seu quarto, ela percebeu que Joe não precisava se preocupar. Nenhum deles estava rindo enquanto caminhavam para dentro e olhavam em volta. Apesar da reserva de última hora, o quarto era lindo, com uma enorme cama macia, mobília elegante e grandes janelas que davam para baixo na movimentada Avenida Michigan. Ela não tinha dúvidas de que ele pagara várias vezes a taxa do que teria sido em qualquer outra noite do ano.

– Nada mau – admitiu ele.

– É incrível – sussurrou ela, não se referindo exatamente ao quarto, mas a um fator nele.

Joe obviamente tinha sido específico com seus pedidos, porque havia centenas de pétalas de rosas vermelhas espalhadas em cima da cama luxuosa.

– Qual jogo vamos fazer aqui? – Ela quis saber, de repente um pouco cautelosa e desconfiada.

Aquilo parecia coisa de lua de mel. E ao mesmo tempo em que reconhecia mentalmente que não podia deixar Joe ir embora sem dar mais uma chance aos sentimentos que tinham um pelo outro, Demi não estava nada preparada para alianças e véus brancos.

Mentirosa.

Tudo, talvez aquele pensamento tivesse cruzado sua mente. Mas só no esquema “um dia, possivelmente”.

Definitivamente nada para breve.

Joe leu a expressão dela com precisão.

– Não se preocupe, se eu quisesse brincar de lua de mel, eu teria levado você a um daqueles lugares em Poconos, com camas em formato de coração e banheiras em formato de taça de champanhe.

Ela lhe deu um soquinho no braço, respondendo instintivamente:

– Nós não vamos passar nossa lua de mel na Pensilvânia!

Só depois que as palavras saíram é que Demi percebeu o que tinha dito. E reconheceu as implicações.

Vendo o calor nos olhos de Joe, ergueu a mão.

– Espere. Não foi isso que eu quis dizer. Eu não estou dizendo…

– Quer ficar de boca fechada? – pediu ele com doçura, com ternura. Daí ergueu a mão para acariciar o rosto dela, roçar o polegar na bochecha. – Apenas pare de pensar nisso, pare de falar sobre isso e me ame.

Foi simples assim.

Ela assentiu, ficando na ponta dos pés para pressionar os lábios contra os dele. Com a mesma doçura, o mesmo carinho. Quando o beijo terminou, ela manteve os braços ao redor do pescoço dele, olhando para o rosto bonito.

– Eu te amo.

– Eu sei.

Ela o beijou novamente.

– Eu não deveria ter ido embora no outro dia sem confessar isso.

– Eu entendo por que você o fez.

Franzindo a testa, ela baixou os braços e, lentamente, sentou-se na beirada da cama, tomando cuidado para não atrapalhar as pétalas.

– Você sabe?

Ele puxou uma cadeira e sentou-se mais perto dela, apoiando os cotovelos nos joelhos, as mãos balançando entre as pernas entreabertas. A expressão era séria quando como ele disse:

– Todas as dificuldades que você certamente acha que enfrentaremos podem ser contornada. Minha família, sua família, nossos empregos, nossas casas. Toda essa coisa de geografia que não ensinam mais nas escolas.

Joe não precisava prosseguir. Demi já tinha percebido que nenhum daqueles problemas realmente importava. Podiam ser contornados. Na verdade, ela já tinha falado com seu tio sobre modificar seu horário de trabalho, para que pudesse, conforme Jazz sugerira, decolar de fora de Pittsburgh.

Tio Frank havia sido incrivelmente favorável depois de descobrir o motivo.

Incentivando-a a não deixar que seu mau exemplo a levasse a uma vida tão solitária quanto a dele, ofereceu-se para fazer o que fosse necessário para acomodá-la.

– Joe, eu…

– Deixe-me terminar, por favor. – Ele deu um sorrisinho como se desnudando completamente seu coração para ela.

– Eu te amo. E depois que conversamos na outra noite no carro, percebi que a vida é muito frágil para não ser passada com a pessoa que se ama.

Ela compreendia. Tinha pensado a mesma coisa na manhã em que fora embora… só que ela escolhera o caminho covarde de fugir para não ter de lidar com qualquer dor, perda e sofrimento. Ela acabou tudo e fugiu. Joe era muito mais ousado, mais disposto a arriscar o futuro em prol das coisas boas que ele poderia ter hoje.

Esse tipo de coragem emocional no mínimo dava a ele o direito de saber toda a verdade.

– Eu não fui embora porque estava com medo por mim, mas porque estava com medo por você.

– O quê?

– Não quero magoar você, Joe. Eu te amo muito. Acabei acostumada à ideia de que estou destinada a machucar os homens porque não sirvo para relacionamentos.

Ele balançou a cabeça.

– Isso é loucura, você não…

– Eu sei disso agora. Sentada em casa nas últimas noites, fazendo uma retrospectiva mental, percebi que todos os relacionamentos fracassados para os quais eu não era feita tinham uma coisa em comum.

– O quê?

– Eles não foram com você.

Ele a tomou nos braços, colocando-a em seu colo. Demi o abraçou, absorvendo o calor e a essência dele, então disse:

– Como um relacionamento amoroso pode funcionar quando apenas uma pessoa está realmente apaixonada?

– Não pode.

– Exatamente. E uma vez que percebi isso, uma vez que reconheci que eu nunca fui apaixonada por ninguém até agora, eu finalmente relaxei. Livrei-me da culpa, do remorso, da vergonha.

Ele a apertou.

– Você não tem nada do que se envergonhar.

– Diga isso às redes sociais – murmurou ela. Mas Demi rapidamente afastou tal pensamento. Não havia espaço para a escuridão agora, só havia luz e felicidade, paixão e possibilidades. Amor.

– Não há nada de errado comigo – admitiu ela, para ambos. – Eu apenas não me apaixono com facilidade.

– Nem eu.

– O que significa que nenhum de nós vai cair fora facilmente, certo?

Ele a beijou no topo da cabeça, prometendo:

– Nenhum de nós vai cair fora, de jeito nenhum.

Ele não tinha como saber disso.

Ninguém sabe de uma coisa dessas. Mas Demi acreditava nele. Com todo seu coração, com todos os instintos que possuía, ela acreditava nele.

– Não posso prometer que não serei insensível e egoísta às vezes – alertou ela. – Não posso dizer que eu nunca vou fazer algo egoísta e que nunca vou magoá-lo.

– Bem – respondeu ele, depois de pensar um pouco: – Não posso dizer que sempre vou me lembrar de baixar o assento do vaso sanitário ou de não espremer o tubo de pasta de dente pelo meio.

Ela riu baixinho.

Ele pensou um pouco mais.

– Eu não posso prometer que vou deixar você me algemar da próxima vez que brincarmos de polícia e ladrão… mas posso concordar com alguns lenços de seda.

Ela riu mais, como se soubesse o que aquilo significava para ele. Então Joe ficou mais sério.

– Não posso dizer que nunca vou trabalhar até tarde. Ou que algumas vezes não vou querer ficar sozinho com meus pensamentos. Em alguns dias do ano meu humor vai ficar sombrio e eu não vou querer falar sobre isso.

Percebendo a mesma pitada de tristeza que ouvira na voz dele na outra noite, Demi compreendeu.

Totalmente.

– Tudo bem. Mas não posso prometer que não vou tentar sequestrar você do trabalho de vez em quando para que eu possamos voar para Aspen e esquiar um pouco.

Ele sorriu.

– Isso soa bem. Especialmente porque não posso prometer que não teremos de lidar com uma das minhas irmãs de TPM, surtando e telefonando no meio da madrugada porque teve uma briga com o namorado e precisa de uma carona.

A família de Joe fazia parte da vida dele. Demi sabia disso. E a maneira como ele se importava com eles era uma coisa de que ela mais gostava dele. Ainda assim, a lembrança do primeiro encontro com os familiares dele se intrometeu. Mordiscando o lábio, ela perguntou:

– Será que todos eles me odeiam?

– Não! Nem um pouco. Na verdade, duas de minhas irmãs apareceram na minha casa ontem à noite me perguntando por que eu ainda não tinha vindo até aqui para reconquistar você.

Ela deu um suspiro de alívio. Embora não quisesse admitir, a ideia de um casamento tinha, de fato, rondado sua mente uma ou duas vezes. Ela imediatamente deu uma de Demi e começou a se preocupar sobre como seria ter damas de honra que a odiavam em sua festa de casamento.

Além disso, tinha Jazz. E sua irmã, Abby. Ai, Deus…

Não pense nisto isso agora.

– Também devo informar que minha mãe ligou para pedir desculpas e me pediu para lhe dizer que, apesar de seu comportamento naquela primeira noite, ela não seria uma sogra perversa. O que é verdade… Ela tem andando triste ultimamente, mas nunca foi agressiva ou tentou interferir na minha vida. Eu é que sempre fiquei cuidando da vida deles.

– Isso é porque você é um homem muito bom – sussurrou ela.

Um homem realmente bom, sexy e divertido.

Um homem que ela merecia.

Pela primeira vez, Demi se permitiu acreditar que era possível. Que poderia fazer o homem certo feliz. Ela o merecia, sim.

Joe era aquele homem certo.

Embora as pétalas de rosa acenassem, e ela estivesse louca para se livrar de suas roupas e tirar a roupa de Joe, assim ele poderiam expressar seu amor da forma mais básica e sensual possível, teve de acrescentar mais uma coisa. Mais uma promessa de que pretendia manter:

– Eu nunca vou fugir de você, Joe.

– Claro que vai. – Ele sorriu com ternura. – Mas eu sempre irei atrás de você.

~
Acabou... Mas amanhã tem história nova.
Comentem o que acharam dessa fic.
Bjinhos xoxo

22.7.15

O Sucesso Em Meus Braços - Capitulo 12 - Último

Demi tinha apenas acabado de tomar um banho e ainda estava com uma toalha enrolada na cabeça quando o celu­lar tocou. Ela consultou o identificador de chamadas e fi­cou alarmada ao verificar que se tratava do número da sua cafeteria, que já deveria estar fechada naquele horário. Talvez fosse o alarme automático que estava conectado ao seu celular. Anna havia mencionado que tinha acontecido um problema com o alarme enquanto Demi esteve fora.

Que ótimo!, ela exclamou em pensamento. Passara o dia inteiro tentando acalmar a tontura por causa da dife­rença de fuso horário e agora que pretendia relaxar depois de um banho, precisava ir até o Café Niche e verificar o que estava acontecendo. Ela adorava o Niche, mas em momentos como aquele, Demi desejaria não ser a única proprietária do café.

Ela retirou do armário um conjunto de moletom que costumava usar em suas aulas de ioga e uma jaqueta com capuz para colocar por cima do agasalho. Depois de ves­tir-se, ela apanhou seu molho de chaves e saiu apressada na direção do café.

As luzes dos painéis de neons que refletiam sobre a rua elevou-lhe o ânimo. A agitação das noites na cidade de Melbourne fora a principal razão que a atraíra para morar ali.

Sim, Melbourne sempre fora o seu grande sonho. Mas será que ali era o lugar onde ela deveria prosseguir com sua vida?

Bem, isso dependeria do que o seu sexy marido deci­disse fazer.

Demi se dirigiu para a porta dos fundos do bar e a abriu. Entrou no salão e aguardou que o alarme disparas­se. Mas nada aconteceu.

— Mas que droga!  ela praguejou em voz baixa. Será que o aparelho havia quebrado outra vez?

Antes que ela alcançasse, o interruptor para acender as luzes, ela ouviu um ruído num canto do salão e sentiu os pelos da nuca se arrepiarem de medo. Então distinguiu um vulto que caminhava na direção dela em plena escuridão. Com a adrenalina jorrando como louca em suas veias, Demi foi para trás do balcão e apanhou uma das facas que estavam em uma gaveta. Com a mão trêmula, mante­ve a faca segura e esperou que o intruso se aproximasse. Ela lembrou-se dos roubos que estiveram acontecendo na região, onze meses antes, e por causa disso, tivera que se mudar para o apartamento de Joe. Com o coração na boca e a pulsação acelerada, Demi olhou aterrorizada para o vulto que se aproximava cada vez mais. Até que reconheceu o rosto de Joe.

Suspirando aliviada, ela repousou as mãos sobre o bal­cão e arfou repetidas vezes.

— O que você está fazendo aqui? Quase me matou de susto!

Joe sorriu.

— Desculpe-me por tê-la assustado. Eu pretendia lhe fazer uma surpresa.

— E pode apostar que conseguiu fazer isso!  ela ex­clamou com a voz mais irritada do que pretendia.

O sorriso dele desapareceu dos seus lábios ao perceber o quanto Demi estava zangada.

Ela suavizou a expressão do rosto e contornou o balcão do bar para poder cumprimentá-lo.

— Desculpe-me a grosseria. Eu fiquei apavorada quan­do me lembrei dos roubos que já aconteceram pela vizi­nhança. Na verdade, estou muito feliz por ver você.

— É mesmo?

Ele estudou o rosto dela e aguardou pelas respostas que ele desejava saber.

— Quando você não respondeu ao meu e-mail, eu considerei que tivesse decidido prosseguir com a sua vida.

— Eu estava lhe dando o tempo que você precisava para pensar a nosso respeito.

— Acontece que antes...

— Não existe o antes e sim o agora  ele declarou e avançou um passo coma se fosse abraçaria e depois se arrependeu.

Tudo o que Demi queria era que ele a abraçasse e nunca mais a deixasse partir. Porém ainda havia alguns pontos que ela desejava esclarecer.

— Eu tenho muita coisa para lhe contar Joe  ela revelou com um brilho de alegria nos olhos que foi capaz de reacender as esperanças dele.

— Teremos tempo para isso  ele avisou e finalmente a abraçou. Os lábios se tocaram, e um beijo repleto de saudades e paixão aconteceu.

Demi sonhara muito tempo com esse beijo enquanto estava na Europa. Por isso, se ancorou nos ombros dele e correspondeu à carícia com toda a força do seu ser. As línguas se provocavam e as mãos exploravam o corpo um do outro em uma ansiedade louca de sufocar o desejo re­primido por tanto tempo. Entretanto, ela interrompeu o beijo em um determinado momento, porque precisava lhe contar sobre o milagre que havia acontecido e que muda­ria o rumo das suas vidas para sempre.

— Eu preciso lhe contar uma coisa Joe.

— Então eu acho que devemos nos sentar, já que insis­te em ter uma conversa comigo  ele sugeriu com um sorriso enquanto começava a afagar o cabelo dela.  Ei! Você cortou o cabelo?

— Você levou muito tempo para perceber isso  ela falou em tom provocativo.

Joe acoplou o rosto dela entre as imensas palmas e lançou um olhar de aprovação.

— Ficou excelente!  A ternura que ele exibia no olhar era mais convincente do que as palavras.  Você está mais bonita ainda!

Demi poderia dizer o mesmo de Joe, porém ela não era muito boa quando se tratava de elogios. Contudo, ele lhe parecia magnífico desde o cabelo revolto até as solas do calçado que usava. Depois de ter viajado por Paris, Roma. Milão e Veneza e ter visto inúmeros homens muito bem vestidos e atraentes, ela poderia garantir que nenhum deles se comparava à beleza da musculatura bem definida do corpo de Joe, assim como do contorno perfeito do seu rosto ou do sorriso incomparável e o brilho dos olhos azuis com reflexos acinzentados, que tinham a capacidade de mudar de cor conforme o humor dele.

Capturando as mãos dele, ela avisou:

— Eu realmente preciso lhe dizer algo antes que eu morra de ansiedade  ela insistiu.

Ele apertou as mãos dela como se estivesse com medo de que ela se afastasse outra vez.

— Eu não pretendo ir para lugar algum se é isso o que está pensando.  Ela brincou ao notar o nervosismo dele.

— Quer dizer agora ou para sempre?

— Isso irá depender de você.

Joe asseverou as feições e livrou as mãos dela.

— Você sabe o que eu sinto por você, mas estou decidi­do a nunca mais pressioná-la. Você já teve tempo sufi­ciente para pensar e fez o que achava que deveria fazer. E eu ainda estou aqui. Mas quero que saiba de uma coisa, Demetria. Eu não estou disposto a passar o resto da minha vida esperando por alguém que não me ame o suficiente para compartilhar seus problemas comigo. Por isso, acho me­lhor dizer logo o que você tem em mente.

O que ele lhe dizia era muito justo, ela pensou. Mas por onde deveria começar?

No instante em que ela procurou pela ponta do rabo de cavalo para começar a torcer e se deu conta de que ele não existia mais, Demi teve a ideia de começar o assunto pelo motivo de ter decidido cortar o cabelo.

— Eu decidi cortar o meu cabelo quando estava em Roma. Exatamente vinte minutos depois de ter recebido uma graça divina.

Ele ergueu uma sobrancelha e a olhou com ceticismo. O que tudo isso tinha a ver com o problema deles?

— Eu estava sentada em um café próximo da Piazza e comecei a pensar que tudo aquilo que eu estava fazendo para me afastar de você estava errado. Sem você, não ha­via nada que me divertisse naquela viagem.

Ele franziu o cenho, e a expressão em seu rosto bonito estava ainda mais confusa.

— Mas essa viagem não era tudo o que você queria?

— Sim. Pelo menos a princípio. Eu estava tão obceca­da com a ideia de lhe retornar o favor que acabei ignoran­do o fato de que o seu sonho sempre fora o meu também.

— Eu ainda não entendo aonde você quer chegar. Por acaso está se referindo ao fato de que deseja tentar ter um bebê?

Ela apertou os lábios antes de dizer:

— É muito tarde para isso.

Houve um silêncio e uma tensão no ar. Joe estreitou os olhos e arriscou:

— Está tentando me dizer que...

— Sim. Eu estou grávida!

Os olhos acinzentados de Joe se arregalaram com o choque. Ele ergueu a mão direita e roçou o queixo por alguns momentos.

— Grávida? Mas...

— Inacreditável, nãé?

Joe permaneceu imóvel. Sentia-se incapaz de mover um músculo sequer.

— Eu não posso acreditar nisso! Acho que estou so­nhando. Você tem certeza? Nós vamos ter um bebê?

— Pode apostar. O laboratório já confirmou a minha suspeita.

Demi ostentou um sorriso de felicidade e aguardou que ele a erguesse no ar e rodopiasse com ela no salão, como sempre fazia para comemorar alguma vitória.

Porém, para surpresa dela, Joe se recostou no balcão e assumiu uma postura de seriedade.

— Então foi por isso que você voltou? E não porque descobriu que me amava e que queria prosseguir com nosso casamento em nome desse amor? Você voltou por que descobriu que estava grávida e necessitava do meu apoio, nãé?

— Não! Isso nãé verdade!  ela exclamou em tom de desespero.  Eu voltei por sua causa! Por que eu o amo! O bebê significa um presente dos céus, um precioso milagre, mas eu já havia decidido voltar para você quando descobri que estava grávida.  Demi sentia o coração bater como louco dentro do peito. Ela jamais se perdoaria se perdesse o marido por causa de um mal entendido. — Eu te amo, Joe. E prometo que não haverá mais viagens e nem essa história de colocar os seus sonhos na frente dos meus. Desta vez, serão os nossos sonhos que nos con­duzirão. E isso é tudo o que eu quero. E quanto a você?

Após alguns minutos, que mais pareceram uma eternida­de, Joe aliviou o semblante e segurou a mão de Demi. Depois, gentilmente, entrelaçou seus dedos nos dela.

— Venha comigo. Eu vou lhe mostrar o que eu quero.

Com os nervos à flor da pele, Demi se deixou condu­zir pelo marido até um canto distante do salão, onde havia uma mesa reservada para ocasiões especiais. Ela conser­vava aquele canto discreto no salão para servir os recém-casados que costumavam frequentar o bar por oca­sião da lua de mel. A mesa ficava protegida dos olhares indiscretos por dois painéis com estampas floridas e havia dois sofás brancos e macios, um de cada lado da mesa.

Aquele ambiente romântico que Demi idealizara sempre era disputado pelos casais que estavam de passa­gem por Melbourne.

Quando eles se aproximaram da mesa, Demi desco­briu que havia dois castiçais no centro da mesa, um balde com gelo e, dentro dele, ò seu champanhe favorito. Um vaso de flores e taças de cristal aguardando para serem utilizadas.

— Quem preparou essa mesa?  ela perguntou enquan­to Joe se ocupava de acender as velas dos castiçais.

— Anna  ele respondeu. Em seguida, apertou o bo­tão de um controle remoto, e a música preferida deles começou a tocar.

Joe ajudou-a a se acomodar em um dos sofás e de­pois de depositar um beijo ligeiro nos lábios dela, sen­tou-se no lado oposto ao dela.

— Você ainda não me disse o que você quer  ela in­sistiu.

Joe retirou do bolso uma pequena caixa e a colocou sobre a mesa. Depois deslizou o objeto pela superfície lisa até que ficasse na frente dela.

— Se você abrir essa pequena caixa, acho que terá uma resposta.

Demi se apressou em desatar o laço de fita na cor rosa que envolvia a pequena caixa e, depois de retirar o papel de presente, a abriu.

Ela ficou desapontada ao descobrir que se tratava de um chaveiro que continha uma única chave e um adorno que imitava uma xícara de café em miniatura.

— E só uma chave!  Demi exclamou.  O que significa isso?

Joe sorriu.

— Acontece que nãé uma chave qualquer. Ela serve para abrir outra caixa. E dizendo isso, ele apanhou outro pacote do bolso e entregou para ela.

Demi olhou para a nova caixa acondicionada com papel de presente e outro laço de fita, dessa vez, na cor verde.

— Se isso significa algumas daquelas surpresas feitas para ser vendidas no Dia dos Namorados, eu lhe asseguro que...

— Apenas abra a caixa, Demetria.

Apesar do protesto, ela não tinha alternativa a não ser a de abrir a próxima surpresa. Ficou ainda mais surpresa ao descobrir que dentro dela havia apenas um mapa.

— Acho que eu ainda estou sob o efeito da diferença de fuso horário, porque não consigo entender nada do que está acontecendo. Para o que serve esse mapa?

Com mais um de seus sorrisos devastadores, Joe apanhou o mapa das mãos dela e o abriu sobre a superfície da mesa.

— Eu vou explicar. Talvez isso a ajude a esclarecer al­gumas coisas.  Ele apontou para um enorme X traçado com a ponta de um lápis vermelho.  Está vendo essa marca?  ela assentiu com um gesto de cabeça, e ele prosseguiu.  Esse mapa representa a cidade de Melbourne e o X marcado com o lápis vermelho identifica onde fica o Café Niche.

— Huum... Ainda não estou entendendo nada.

Joe pediu que ela se concentrasse no dedo indicador que ele mantinha sobre o mapa. Então moveu o dedo des­de o ponto assinalado em vermelho até outro ponto do mapa onde havia um X traçado com um lápis azul.

— Esse sinal feito comum lápis azul representa o lugar onde fica Barwon Heads.

— Ah...

— Você levará aproximadamente 85 minutos se quiser ir do ponto assinalado com o X vermelho até o ponto as­sinalado com o X azul. Nãé tão longe assim, se alguém desejar desfrutar do melhor de dois mundos: um lugar tranquilo com vista para o mar e outro com uma boa dose de agitação.

Quando Demi finalmente conseguiu entender que Joe estava propondo que eles morassem na casa em Barwon Heads e ela prosseguisse administrando sua cafeteria, ela não conseguiu conter a alegria. Ergueu-se do sofá e depois de contornar a mesa se atirou nos braços do marido.

Ele a acomodou sobre seu colo e com um sorriso esplendoroso declarou:

— Acho que a sua atitude revela que você gostou da ideia.

Ela deu um soco carinhoso no peito dele e simulou uma zanga.

— Quer dizer que você já tinha planejado tudo isso, mesmo antes de eu lhe dizer como eu me sentia?

— Com certeza  ele afirmou com um sorriso de triunfo.

— Mas o que o fez mudar de ideia? Você nem mesmo respondeu ao meu e-mail!

Afastando o cabelo dela para trás das orelhas, ele am­parou o rosto miúdo entre suas mãos poderosas e a fitou com um imenso carinho.

— Trata-se de uma tática. Eu a pressionei e não adian­tou nada. Então decidi fazer o oposto e demonstrar indife­rença. E aqui está você comigo. Então acho que a artima­nha funcionou.

Ela abriu a boca para protestar e pedir que ele nunca mais bancasse o indiferente com ela, mas Joe a impediu de falar colocando dois dedos sobre os lábios dela.

— Mas, só para que saiba, aquela foi a primeira e a úl­tima vez que eu deixo você ficar longe de mim.  Colan­do sua testa na dela, ele murmurou:  Entãé isso, Demetria. Nós pertencemos um ao outro.

Com um suspiro, ele afastou a cabeça enquanto Demi tentava segurar as lágrimas de alegria que ameaçavam jor­rar de seus olhos.

Joe segurou as mãos dela entre as dele e propôs:

— Minha linda, forte e independente Demetria, você acei­ta se casar comigo outra vez? Promete que ficaremos juntos na saúde e na doença? Promete que encherá aque­la casa de crianças se Deus nos abençoar com essa gra­ça? Promete que ficaremos juntos até o fim de nossas vidas?  Eu prometo  ela murmurou num sussurro enquan­to as lágrimas lhe inundavam o rosto.

Joe colocou uma caixa na frente dela. Só que, dessa vez, foi ele quem abriu apequena caixa. Demi nunca havia usado uma aliança de casamento e, no instante em que viu o fantástico anel cravejado de minúsculos diamantes, ela deu um grito de alegria.

— Ah, Joe!

Ele retirou a joia da caixa e a colocou no dedo de Demi e repousou um beijo na mão delicada e estremecida.

— Agora eu acredito que você esteja certa de que dese­ja passar o resto dos seus dias comigo, nãé?

— Eu nunca tive tanta certeza de uma coisa quanto a de que desejo ser a sua esposa até o fim da minha vida.

Joe abriu o champanhe e ofereceu uma taça para ela.

— Então vamos brindar ao nosso amor e a um feliz Dia dos Namorados.

— Você sabe que eu sempre considerei o Dia dos Na­morados apenas como uma manobra do comércio?

— Talvez. Apesar de que eu nunca tenha sido um ho­mem dado a romantismos, eu sou obrigado a admitir que o Dia dos Namorados tem um sentido especial para mim. Foi num dia como esse que nos conhecemos e também num dia como esse que eu a procurei novamente. E está sendo em um dia como esse que eu fiquei sabendo que serei pai e que estamos vivendo um novo recomeço de nossas vidas juntos.

Ela sorriu.

— E você ainda tem a coragem de dizer que não seja um homem romântico?

— Bem, se você está dizendo isso...

— Você quer ouvir uma coisa engraçada?

— Não. Acho que estou mais para pensar em outras coisas do que ouvir piadas.

— Eu vou lhe dizer mesmo assim. Acho que acabo de mudar a minha opinião sobre o Dia dos Namorados. Afi­nal, o cupido tem as suas razões para atirar suas flechas nos corações das pessoas.

— É mesmo? Então vamos brindar a isso  ele sugeriu. Depois do brinde, eles provaram o champanhe enquan­to trocavam olhares jubilosos.

Joe tomou os lábios dela, e Demi cerrou as pálpebras para poder desfrutar melhor do beijo especial do seu marido.

No instante em que ela abriu os olhos novamente, ela captou a imagem do cupido que estava gravada na faixa posta na entrada do café. E com certeza, a piscada que ela imaginou que ele lhe tivesse dado teria sido um efeito da brisa soprando sobre o banner.

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E eles viveram felizes para sempre. 
The end.
Espero que tenham gostado dessa história, ela é uma das minhas preferidas.
Já estão prontas para outra??
xoxo