19.7.14

Lento - Capitulo 13 - Maratona 1.10

 
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JOE TERIA adorado passar o dia inteiro na cama com Demi. Todavia, muito cedo no dia seguinte, depois de uma noite repleta do ato de amor mais intenso de sua vida, ele olhou para o relógio sobre o criado-mudo e soube que tinha de ir. Seu turno começava em duas horas, e ele ainda precisava pegar um táxi para ir ao estacionamento onde tinha deixado sua picape. Então teria de passar em casa, tomar um banho e pegar seu equipamento.

Além disso, Demi já havia tirado a tarde anterior de folga, para ir ao jogo de beisebol. Joe duvidava que pudesse convencer aquela mulher de ficar mais um dia longe do trabalho, embora ela precisasse muito de uma folga.

Ele detestava acordá-la, mas certamente não ia embora sem se despedir. Mesmo sabendo que não podia se atrasar, ainda não pôde evitar observá-la dormir por mais um momento.

Os longos cílios de Demi descansavam em suas faces, os lindos lábios vermelhos pelos beijos estavam entreabertos enquanto ela respirava suavemente. O sol começava a surgir, brilhos de luz aparecendo no horizonte, além das janelas que iam do chão ao teto no quarto de Demi. Enquanto ele a observava dormir, os raios dourados do sol viajaram gradualmente para o outro lado do quarto, caindo sobre a cama, enviando mechas para o cabelo dela e iluminando-lhe o lindo rosto.

Não havia rainha do gelo ali. Ela parecia tão quente e sensual quanto um anjo de verão.

– Demi? – sussurrou ele, inclinando-se para roçar um beijo suave no canto dos lábios dela. – Eu tenho de ir.

Ela passou de um sono profundo para total consciência num instante, os olhos se abrindo. Olhando para o teto, Joe podia quase ver as engrenagens girando no cérebro de Demi, enquanto ela se recordava das coisas loucas e selvagens que eles tinham feito juntos na noite anterior. Finalmente, umedecendo os lábios, ela virou a cabeça para fitá-lo.

– Joe.

– Esperando alguma outra pessoa? – perguntou ele com uma risada.

Joe inclinou-se para lhe dar um beijo de bom-dia, mas Demi afastou-se antes que ele pudesse fazer isso. Ela moveu-se para a extremidade da cama, levantou-se, então olhou para o próprio corpo nu.

Usava nada, além da luz do sol.

Infelizmente, aquele estado de nudez não durou muito. Pegando um penhoar de seda do armário, ela vestiu-o. Amarrou a faixa ao redor da cintura e cruzou os braços, não lhe dando um único olhar.

Demi estava obviamente sofrendo do embaraço da manhã seguinte. Por essa razão, ele não teve coragem de provocá-la sobre cobrir o que ele vira muito na noite anterior.

Finalmente, ela falou:

– Eu... hum... preciso me arrumar para ir trabalhar. – Gesticulando em direção ao corredor, acrescentou: – Há outro banheiro no fim do corredor, se você quiser tomar um banho também.

Joe franziu o cenho, percebendo que aquele não era apenas um caso de timidez. Demi estava tentando desesperadamente retomar o controle de tudo, pôr sua vida de volta em sua ordem natural. Ela abrira mão daquele controle... na verdade, permitira séria desordem... na noite anterior, entregando-se a ele, corpo e mente. Agora, na luz fria do dia, queria voltar atrás.

– Eu tomarei um banho em casa – murmurou ele, honestamente não sabendo como proceder. Pela primeira vez desde que a conhecera, estava perdido sobre como lidar com aquela mulher.

Então lembrou-se de seus pais, avós e de todos os outros casais bem-sucedidos que já conhecera.

Eles tinham uma coisa em comum... a habilidade de dar e receber. Estar no comando e recuar.

Ele conseguira o que queria na noite anterior. Talvez fosse hora de deixar Demi ter o que quisesse, mesmo se isso significasse permitir-lhe construir aquelas barreiras ao seu redor novamente.

Ele as transporia mais uma vez. A noite anterior provara isso.

Subitamente parecendo abalada, Demi disse:

– Ah, acabei de lembrar, nós deixamos a sua picape...

– Não tem problema. Eu pegarei um táxi para ir até o estacionamento. Ele imaginou, por um segundo, se ela lhe diria para não se incomodar em fazer isso.

Demi não disse nada.

Certo. O interlúdio definitivamente acabara. Hora de ir embora, deixá-la reunir os pensamentos e começar a planejar a próxima vez.

– Quando eu posso vê-la novamente?

Ela apertou o tecido do penhoar nas laterais.

– Novamente?

– Nunca ouviu falar de um segundo encontro?

– O nosso não foi exatamente um primeiro encontro para mim.

Joe não pôde conter um sorriso confiante.

– Eu espero muito que não.

O queixo de Demi se ergueu.

– Foi para você?

Joe não hesitou.

– Sem chance. Ontem à noite foi... bem, alguma coisa que eu nunca esperei. Mas algo pelo que estou muito grato. – Olhando para o relógio, ele praguejou e começou a recolher suas roupas do chão. – Mas eu realmente tenho de ir. Há pessoas contando comigo.

Ele achou as suas coisas e começou a se vestir, finalmente fitando-a, para vê-la congelada no mesmo lugar, o rosto pálido, os olhos estreitos, como se tivesse ficado olhando com raiva para as costas dele.

– Você está zangada com alguma coisa? – perguntou ele, largando a calça jeans e aproximando-se.

– Não. Não seja tolo. O sol está um pouco ofuscante, nada mais. – Demi pigarreou. – Acabe de se vestir. Nós dois temos lugares para estar.

Alguma coisa estava seriamente errada. E se Joe já não tivesse pedido ao seu tenente para mudar seu turno do dia anterior, de modo que pudesse ir ao jogo, consideraria encontrar alguém para cobri-lo. Como era, não havia tal opção. Restavam apenas 90 minutos.

Ele vestiu o jeans.

– Vamos nos encontrar... depois de amanhã?

– Você está ocupado até lá, presumo? – perguntou ela num tom de voz gelado.

– Sim. Tenho de trabalhar pelas próximas 48 horas. – Ele tinha um turno de 24 horas, então um de 12, com um plantão em casa entre os dois turnos, onde teria de estar disponível para qualquer emergência. A última coisa que queria era ocupar-se, fazendo alguma coisa incrível com esta mulher, e ser chamado, sendo obrigado a abandoná-la no meio de alguma situação prazerosa, deixando ambos excitados e insatisfeitos.

– Entendo.

– Eu a levarei para jantar. – Subitamente lembrando-se do que acontecera no pub, Joe puxou sua carteira do bolso traseiro do jeans. – Falando nisso, eu preciso pagá-la de volta por ontem à noite. Que cavalheiro eu fui.

Ela acenou uma mão no ar.

– Não seja ridículo.

– Eu não sou machista – disse ele –, mas você gastou 25 mil dólares, e o mínimo que eu posso fazer é pagar algumas asas de frango e cerveja.

O sorriso de Demi era tenso, e não suavizou os lindos olhos castanhos.

– Esse não foi o mínimo que você pôde fazer. Você fez muito mais do que isso, ontem à noite, pelos meus 25 mil dólares. Vamos considerar que estamos quites.

Joe levou um segundo para entender o que ela estava implicando, e quando entendeu, sentiu um misto de divertimento com irritação.

– Ah, é lisonjeiro que você pense que eu valho tanto, mas não me pagou todo aquele dinheiro para que eu passasse a noite em sua cama.

– Não, eu paguei uma caridade.

Por uma noite na cama com ele. Ela não disse isso. A implicação era clara.

Ele decidiu que tal agressividade se devia à própria insegurança de Demi, e não apontou o fato de que ela acabara de chamá-lo de prostituto.

– Você está sendo ridícula.

– Por que você passou a noite de ontem na minha cama?

A mulher tinha uma memória muito seletiva. Ainda bem que ele suspeitava que ela merecesse esse esforço.

– Porque, como eu já lhe disse, eu queria você. Fim da história. – E eu ainda a quero.

– Certo. – Assentindo com um gesto de cabeça e erguendo o queixo, Demi admitiu: – Eu também queria você. Mas agora acabou, e realmente acho que deveríamos parar por aqui, enquanto é tempo. Ele ficou boquiaberto.

– O quê?

– Ontem à noite foi maravilhoso, Joe. Mas não acho que nós nos encontraremos de novo.

Bastava de dar tanto espaço a Demi. Andando os poucos metros necessários para alcançá-la, ele segurou-lhe o queixo na mão, forçando-a a encará-lo.

– O que está errado?

Ela escapou do toque.

– Nada está errado. Eu apenas não posso lidar com isso. Com as... dificuldades desta situação. Então precisamos acabar tudo aqui e agora. – Finalmente descruzando os braços, Demi passou uma mão cansada sobre os olhos. – Eu não posso imaginar vê-lo sob... circunstâncias profissionais.

– Jesus, espero que não. Eu não quero vê-la machucada.

– Obrigada – murmurou ela. Então enrijeceu novamente. – Mas não posso vê-lo pessoalmente também. Porque, por mais que eu diga que sou moderna e posso lidar com qualquer coisa, isso

acabaria me perturbando.

Lá estava aquele traço pessimista. Ele estivera se perguntando quando retornaria. Demi tinha esse aspecto tão enraizado em sua personalidade que ele ficara surpreso que ela havia sido capaz de abandonar seu desdém por romance tempo o bastante para dormir com ele.

– Adeus, Joe – disse ela, não lhe dando uma chance de responder. Em vez disso, ela virou-se, andou para o seu banheiro, entrou e fechou a porta com firmeza.

Desista. Volte para o round três.

Mas ele não deu ouvidos à voz em cabeça. Não desta vez. Acabou de se vestir, calçou as botas, então bateu à porta do banheiro.

– Eu estou indo embora agora. Mas quero que você saiba que isso não acabou.

Ouvindo o chuveiro ser ligado do lado de dentro, ele bateu mais forte.

– Droga, Demi, pelo menos, diga que você irá conversar comigo sobre isso, em alguns dias.

Ela não saiu do banheiro. Mas respondeu. E o que falou chocou tanto Joe que ele não pôde fazer seu cérebro funcionar por vários segundos.

– Não, eu não posso fazer isso. Uma vez foi suficiente. Não posso ir para cama com você novamente, imaginando a cama de quem você acabou de deixar e quanto ela lhe pagou para você estar lá.

Pagou a ele?

– Eu não estou criticando o jeito que você vive, mas francamente, Joe, não tenho condições de mantê-lo. Financeiramente, sim. Emocionalmente, todavia, não tenho esse tipo de moeda para gastar. Agora, por favor, vá embora.

Joe olhou para a porta fechada, boquiaberto, andando de costas para dentro do quarto, até que suas pernas colidiram com a cama. Ele sentou-se ali, ainda atônito.

Demi achava que ele fazia sexo por dinheiro. Apesar do que ele lhe dissera sobre desejá-la desde o primeiro instante que a vira, ela verdadeiramente acreditava que ele passara a noite anterior lá como uma espécie de pagamento doentio pelo dinheiro que ela gastara no leilão. Demi ignorara completamente tudo o que ele lhe dissera, tudo o que eles haviam compartilhado. Não acreditara que ele sentira alguma coisa real e genuína por ela.

– Em que tipo de mundo você vive, moça? – murmurou ele, baixinho, ainda olhando para a porta fechada. Então olhou ao redor do quarto branco e prateado, frio como o resto da cobertura. E lembrou-se do tipo de mundo no qual Demi vivia.

Um mundo onde qualquer coisa podia ser comprada por um preço, incluindo pessoas, incluindo sexo. Onde amor não existia ou, pelo menos, não durava.

Um mundo que não tinha absolutamente lugar para alguém como ele.
 
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Maratona começando agora!!!! Beijoos <3

4 comentários:

  1. Eu aqui querendo um Joe desse e a Demi rejeitando ele!!! Rsrsrsrsrsrsrsrs
    Posta mais?!
    Ta perfeito!

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  2. Cara, Demi foi mega dura com o Joe. Mas aposto que isto tem haver com a biografia do Joe no panfleto que as duas malucas deve ter trocado. Espero que eles se encontrem novamente, e que a Demi não seja tão durona.
    Beijos!

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  3. estou completamente apaixona, li stripped e blackout em dois dias e fiquei triste porque tenho que esperar cada att dessa kkkkk esperando o proximo loucamente..
    Sam xx

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