18.7.14

Lento - Capitulo 5 - Maratona 3.5

 
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– COM LICENÇA, srta. Lovato, há alguém aqui para vê-la.

Demetria ergueu os olhos de sua mesa quando sua assistente administrativa, Ella, espirou ao redor da porta parcialmente aberta de seu escritório. Ser endereçada como srta. Lovato indicava que sua jovem funcionária estava num humor estranhamente sombrio. Na maior parte do tempo, a mulher alegre e eficiente a lembrava de um compromisso, então fazia alguma piada rápida e espirituosa. Ella adorava deixar Demetria com um sorriso inapropriado no rosto quando algum visitante sisudo de negócios entrava em sua sala.

Desta vez, todavia, Ella soava sub julgada, quase intimidada, e usava uma expressão facial para combinar.

– Ah, não, é o congressista novamente? Eu disse ao homem que nós não íamos aumentar o limite de crédito dele.

A outra mulher balançou a cabeça em negativa.

– Não. É um estranho. – Pigarreando, ela piscou algumas vezes, como se tentando, fisicamente, sacudir seu humor confuso.

Após alguns segundos, sorriu. E quando começou a falar de maneira apressada, Demi percebeu que sua assistente real estava de volta ao prédio.

– Ouça, eu tenho de dizer que se este for um vendedor armando uma cilada, e ele realmente não conhecer você e realmente não tiver uma hora marcada, eu darei um jeito nele. Eu o tirarei daqui, sem problemas. Levarei o homem até a porta, o seguirei para o lado de fora, irei para algum lugar privado e lhe darei uma boa lição. Um sermão sobre aparecer no seu escritório sem hora marcada. – Com um misto de desejo e esperança na voz, acrescentou: – Isso provavelmente levaria horas e horas. Talvez o fim de semana inteiro.

Ella não era exatamente a funcionária de banco mais profissional do mundo, mas era, sem sombra de dúvida, sensata. O que significava que, quem quer que fosse o visitante de Demi, ele tinha de ser alguém capaz de transformar uma jovem mulher normal e equilibrada numa tagarela tola e excitada.

– Ah, não – sussurrou ela, sabendo quem estava do lado de fora da porta. Somente um homem que conhecera recentemente era capaz de tirar todas as células cerebrais da cabeça de uma mulher dentro de dois minutos depois que a conhecera.

Considerando que Demi sonhara com ele nas últimas duas noites... sonhos inspirados em Grey’s Anatomy, de ela sendo o recheio de um sanduíche triplo de McArdente, McSonho e McGigolô... deveria estar se sentindo em pânico. Era quase certeza que ele seria capaz de ler o embaraço de culpa em sua fisionomia no momento que a visse.

De alguma maneira, todavia, Demi só foi capaz de sentir ansiedade prazerosa e excitação. Mas sabia que tudo o que ele veria no seu rosto eram interesse e admiração por ele tê-la procurado... e a encontrado... tão rapidamente.

– Mande-o entrar – murmurou Demi, sabendo que tinha aproximadamente 30 segundos, o tempo que levaria para Ella sair lá fora e avisar ao Número 19 que ele podia entrar. Tempo apenas suficiente para tocar seu cabelo, alisar a blusa e cruzar as pernas.

Ela as descruzou e deslizou a cadeira para baixo da mesa, assim que ele entrou. Sua saia não era muito curta. Era perfeitamente profissional, na verdade. Mas a pose parecia muito... convidativa. Como se ela quisesse encorajá-lo sexualmente, informando-o de que ele era tudo o que estivera em sua mente desde o momento em que o conhecera.

O fato de que isso era verdade não mudava a sua decisão de optar por uma postura profissional, em vez de uma sedutora.

– Oi – disse ele. – Encontrei você.

– Assim parece, sr. Jonas.

– Prazer em revê-la... srta. Lovato. – Ele olhou ao redor do escritório desordenado, para as prateleiras cheias de livros e arquivos e para a pilha de documentos esperando a sua assinatura em sua caixa de entrada. Então olhou para a janela que dava vista para a cidade, uma das melhores vistas no edifício arranha-céu. Assobiando, murmurou: – Suponho que você tenha um emprego de verdade.

– O que o fez pensar que eu não tivesse?

Ele encontrou-lhe o olhar, sem falar nada.

– Certo – reconheceu ela com um sorriso relutante. – Eu não suponho que muitas das licitantes do leilão trabalhem muito mais do que em seus bronzeados.

– Mas você não tem um bronzeado. Significando que obviamente trabalha demais.

– Talvez eu tenha a pele muito clara, com tendência a queimar. – E ela não desfrutava de um daqueles dias preguiçosos de verão no barco de seu pai desde o último verão. Precisaria remediar isso.

– De alguma forma, eu desconfio que você passe 12 horas aqui dentro e apenas acena para o sol de sua janela.

Homem esperto. E um que estava se sentindo em casa no momento, sentando-se do outro lado de sua mesa, sem ser convidado. A sala de Demi pareceu quase encolher ao redor dele, como se o grande corpo masculino tivesse sugado todas as partículas excedentes de ar, deixando os dois confinados em intimidade.

Graças a Deus, havia a mesa. Se a mesa não estivesse entre eles, Demi poderia ter ficado tentada a deslizar sua cadeira para mais perto, até que os joelhos deles se tocassem. Ou suas coxas. Ou suas bocas.

Pare com isso.

– Por que você me abandonou?

– Por que você me perseguiu?

– Ha. Eu fiz uma pergunta complicada, e você me fez uma pergunta muito simples. – Joe sorriu. – Eu a persegui, porque lhe devo um encontro e não sou tratante.

Aquilo era tudo. Ele não era tratante. Bem, Demi não se sentia especial, como uma jogadora comum de pôquer, esperando o pagamento de uma nota de 5 dólares?

– Agora sua vez.

– Sua pergunta não é necessariamente complicada. – Ela arqueou uma sobrancelha e conseguiu um tom de voz entediado. – Talvez eu tenha abandonado você porque não estivesse interessada.

Com o sorriso ainda confiante, ele imediatamente descartou aquela possibilidade.

– Vinte e cinco mil dólares falam de muito desinteresse.

– É por uma causa digna.

– Então por que você não deu o lance em outra pessoa mais cedo na noite e foi embora imediatamente?

– O que o faz pensar que eu não dei lances antes? Talvez você fosse minha penúltima chance de fazer uma diferença, então eu ofereci um valor ultrajante.

– Você não deu lances em ninguém mais. – Ele inclinou-se em direção à mesa, apoiando os cotovelos sobre a superfície. – Admita. – A posição revelou músculos poderosos contra a camiseta desbotada que abraçava os bíceps fortes. Era quase impossível tirar os olhos da pele lindamente bronzeada contra o tecido preto. Demi honestamente não achava que já tinha visto um homem com uma constituição física mais incrível pessoalmente.

Sabia que nunca dormira com um.

A maioria das vezes em que Demi fizera sexo tinha sido com rapazes magros da faculdade, que queriam qualquer mulher que pudessem conseguir... especialmente herdeiras ricas... ou com homens de negócios sem graça que ela conhecera em seu círculo usual. Aqueles homens... homens como Oliver, seu ex-namorado, quem Demi mandara embora de sua vida um ano e meio atrás... eram levemente bronzeados por seus jogos de tênis nos fins de semana ou ocasionais torneios de golfe. Ou, no caso de Oliver, por suas viagens para esquiar, com seu “melhor amigo” Roddy.

Que Roddy era apelido de Rhonda, uma amiga de 20 anos, em vez de um amigo, ele tinha se esquecido de esclarecer. Demi descobrira da maneira difícil quando decidira lhe fazer uma surpresa no fim de semana. Encontrara Oliver com a garota, no quarto dele.

Não havia esquis envolvidos, mas o bastão dele estava em plena atividade.

Ela reprimiu a memória, reconhecendo que, nos diversos meses que tinha namorado o homem, nunca olhara para ele e sentira o desejo que sentia pelo homem sentado do outro lado de sua mesa. Joe Wallace possuía o tipo de corpo sólido e poderoso que as mulheres sonhavam que existia, mas que nunca esperavam ver na vida real.

E ela o cobiçava. Como ele a cobiçara na outra noite.

– Eu não acho que você tenha dado lances para qualquer outro homem – murmurou ele suavemente. – Eu observei-a de trás da cortina por um longo tempo.

Sentindo uma bolha de ar se alojar no centro de sua garganta, Demi esforçou-se para engoli-la, mas não teve muito sucesso.

Ele a estivera observando. Olhando para ela. Com todas as mulheres altas, magras e elegantes no salão, ela lhe chamara a atenção... e aparentemente a conservara.

Em alguns contextos, ouvir um homem dizer que a estivera “observando” poderia causar calafrios de desgosto numa mulher. Mas aquilo não causava. Assim como o olhar ardente de desejo de Joe Jonas não lhe causara desgosto na noite em que eles haviam se conhecido.

Em vez disso, mais uma vez, ele parecia tão... honesto. Aberto sobre seus sentimentos. Joe soava tanto confiante quanto quase surpreso por sua própria admissão, como se não tivesse pretendido revelar seu interesse imediato nela, mesmo se a sua presença ali no escritório de Demi confirmasse tal interesse.

Ele é profissional em fazer mulheres se sentirem dessa maneira, uma pequena voz em sua cabeça relembrou-a.

– Eu até mesmo comecei a pedir ao universo que permitisse que fosse você quem me ganhasse – admitiu ele.

Demi riu, sabendo exatamente o que ele queria dizer. Nos últimos tempos, Selena vinha falando sobre a magnificência do mais recente best-seller de autoajuda, O Segredo. Ela jurava que aquele era o motivo pelo qual agarrara seu último noivo, um famoso dono de hotéis em Chicago, que era gentil, um pouco enfadonho, porém mais rico do que um barão do petróleo.

– Você não me parece do tipo que precisa de algum segredo quando se trata de conquistar uma mulher, sr. Jonas.

– Eu obviamente preciso descobrir um segredo... sua identidade. Felizmente, como Cinderela, você deixou uma pista para trás.

– Eu acho que estava com ambos os sapatos nos meus pés quando cheguei em casa.

– Seu cheque. Com a sua assinatura.

Franzindo o cenho, ela cruzou os braços e recostou-se em sua cadeira.

– Eles lhe deram o meu cheque?

– Apenas uma rápida espiada. Então uma estranha me contou o resto que eu precisava saber.

Quanta gentileza da estranha.

Honestamente, todavia, considerando que ela estava nervosa e excitada, sua pulsação acelerada, seu coração batendo em descompasso, talvez aquilo tivesse sido uma gentileza. Demi não saía com um homem por um longo tempo. A última cena com seu ex-namorado a deixara cética em relação a doces promessas de qualquer homem. As palavras finais de Oliver... quando ele insistira que eles ainda podiam formar uma grande parceria com o dinheiro dela e as conexões da família dele, sem “emoções” íntimas atadas... tinham se repetido em sua mente muitas vezes desde então.

Ela era uma candidata adequada para a posição de esposa de Oliver, com uma linhagem aceitável e muito dinheiro. Uma grande perspectiva de negócios. Nada mais.

– Todo mundo conhece todo mundo em seu círculo social, não é?

– É o maior pequeno lago do mundo.

– Que tédio.

– Você não tem ideia.

– Então venha nadar do lado de fora do recife comigo. Talvez você não seja cercada por peixes tropicais coloridos, mas às vezes, a velha truta simples pode ser divertida.

Demi não pôde evitar rir novamente. O homem era engraçado. Como se ele pudesse ser qualquer coisa simples.

– Sabe, ultimamente, eu tenho ficado no raso.

– Tédio duplo. Vamos, arrisque-se.

Não. A parte rasa do lago estava boa para ela. Ali, Demi poderia seguramente ignorar quaisquer pensamentos sobre sua vida pessoal. Juntamente com horas insanas de trabalho, ela vinha lidando com as usuais crises na família, incluindo o casamento iminente de Sel. Os eventos sociais que frequentava eram mais uma questão de cortesia e profissionalismo do que de prazer, e os homens que conhecia nesses lugares sempre caíam em duas categorias... os tediosos e apropriados ou os interesseiros, que viam sinais de dólar na sua testa.

O primeiro tipo nunca podia despertar seu interesse. O segundo lhe causava repulsa. Nenhum deles tinha sido capaz de fazê-la considerar nadar naquelas águas do romance de novo. Ela simplesmente não estivera interessada.

Até agora.

Sim, até agora. Este homem a fazia pensar, tornando-a consciente de si mesma pela primeira vez em séculos. Por isso, pelo menos, Demi lhe devia um agradecimento. Porque, apesar de não ter a menor intenção de deixar qualquer coisa acontecer entre ela e seu companheiro pago, pelo menos, começara a imaginar se deveria aceitar mais alguns convites, sair mais e talvez conhecer outra pessoa que pudesse causar descompasso em seu coração e suor em suas palmas. E talvez até mesmo alguma sensação entre as suas pernas.

Demi tinha guardado seu coração, disposta a alguma satisfação física, mas nunca a permitir que seu coração fosse ferido. Contanto que mantivesse isso em mente, seria possível que tivesse algum tipo de vida sexual novamente.

Com ele.

– Não – sussurrou ela. Não com ele. Porque, embora a carreira de Joe pudesse ser uma vantagem, considerando o tipo de caso sem elos, apenas com prazer físico, que Demi tinha em mente, sua reação a ele já era muito pessoal, muito forte e muito íntima para que ela se sentisse confortável. Ele a fazia rir e corar e causava suor em suas palmas. E ela não podia ter cem por cento de certeza que os sentimentos dele eram sinceros, e não apenas evidência de quão bom ele era naquilo que fazia.

Por conseguinte, Joe Jonas estava fora de questão, como um caso passageiro em potencial.

– Não? – perguntou ele, obviamente ouvindo seu sussurro. – Está falando sério? – Antes que ela pudesse dizer sim, ele continuou rapidamente: – Porque, mesmo se você não tivesse a intenção de comprar um encontro e estivesse apenas apoiando uma instituição de caridade – murmurou ele, o tom de voz indicando que acreditava apenas parcialmente naquilo –, eu não entrei nisso dessa maneira. Concordei com um encontro e estou tentando cumprir a minha parte da barganha aqui.

– Sua barganha...

– Eu fiz uma promessa para os organizadores do leilão, e minha promessa é como meu aperto de mão. Meu pai me daria uma surra se eu não cumprisse uma promessa. Portanto, é isso que eu farei.

Você goste disso ou não. Ele não disse as palavras, mas ela as ouviu da mesma forma.

Demi percebeu que ele a estava desafiando a não cumprir a sua parte do acordo. E seu espírito competitivo foi instigado. Ela podia ter crescido numa mansão, mas o dono daquela mansão tinha sido Jason Turner, quem tinha suas mãos financeiras espalhadas sobre metade da cidade e seus dedos tocando a outra metade. Ele as mantinha lá por perspicácia e força de vontade. Outra coisa que Demi herdara de seu pai.

Suspeitava que os pais deles se dariam bem.

– Certo, nesse caso, eu também cumprirei a minha parte na barganha – declarou ela, encontrando-lhe o olhar.

– Você não se arrependerá. – Os olhos de Joe escureceram ainda mais enquanto ele a estudava, o olhar indo de seu cabelo para seu rosto, então para sua boca e pescoço, numa expressão que parecia mais apreciativa do que predatória.

Demi já estava arrependida. Como tinha se permitido dizer sim?

Ela abriu a boca a fim de estabelecer algumas regras para o “encontro” deles. Seria breve, platônico e completamente livre de romance, sem sombra de dúvida. Ela pretendia encontrá-lo no campo de beisebol e ir embora logo depois do jogo. E aquilo seria o fim de tudo.

Sem toques. Sem olhares sexys. Sem aquelas brincadeiras engraçadas, que faziam as tolas covinhas de seu rosto aparecerem. E de agora em diante, suas palmas permaneceriam secas. Assim como suas partes privadas.

Antes que pudesse falar qualquer coisa, todavia, os dois se assustaram quando a porta da sala de

Demi foi aperta abruptamente.

– Demi, eu preciso lhe falar sobre... ah, desculpe. Eu não sabia que você estava com alguém. Sua secretária não está do lado de fora, e sua agenda está vazia neste horário.

Demi levantou-se tão depressa que sua cadeira deslizou para trás e bateu contra a parede. Seu pai tinha acabado de entrar na sala, carregando um envelope e usando sua expressão “Nós temos um problema”, que geralmente significava que eles não almoçariam naquele dia.

No entanto, ele logo esqueceu seu problema, enquanto olhava com curiosidade para Joe Jonas. Talvez porque não houvera nenhum compromisso marcado em sua agenda eletrônica. Talvez porque o homem de cabelo escuro estivesse sorrindo muito intimamente para ser um cliente pedindo um empréstimo. Talvez porque Demi estivesse tão agitada. Ou talvez porque a tensão no seu escritório estivesse tão grande quanto as pilhas de acordos pré-nupciais e notificações de divórcio de seu pai.

– Papai! – exclamou ela, perguntando-se como seu dia podia ter se tornado confuso tão rapidamente. Mais nenhuma palavra saiu de sua boca. Seu cérebro parecia ter esvaziado, talvez porque a única razão pela qual ela fora ao leilão de solteiros tivesse sido para manter a esposa de seu pai longe da cama deste homem.

Joe se levantou, poupando-a de ter de falar alguma coisa. Mas quando ele falou, Demi duvidou que ele tivesse lhe feito algum favor.

– Eu não sou um cliente – disse ele, sorrindo para o homem mais velho, confortável e à vontade, enquanto estendia uma mão. – Eu sou o encontro de Demetria, e estou aqui a fim de levá-la para almoçar.
 
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Oii, me passei no tempo um pouquinho pq estava lendo um capitulo da fic que eu estou acompanhando e tbm estava conversando com a Lena no whats, mas está ai, Aproveitem!!! daqui a pouquinho tem mais, eu amo postar para vocês <3

5 comentários:

  1. Cheguei!!!! To no cap 1, to lendo.... n entendi nada do prólogo, quem é penny e janice???? kkkkkkk vou ler o cap 1 agora bjs e calma ai kkkk

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  2. Amei *-*
    Continua
    Fabíola Barboza :*

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