27.12.14

Capitulo 9 - MARATONA 4/10


DEMI

Na segunda-feira cheguei em casa logo depois do trabalho, pois tinha entrado de férias na faculdade. Passava um pouco das dezenove horas e encontrei minha mãe e Juliane na sala.

- E então, como passou o dia?

Observei seu rosto. Os hematomas tinham ficado pretos e o inchaço diminuíra um pouco. Juliane respondeu:

- Com dor.

- Não melhorou nada?

- Um pouco.

- Foi ao dentista hoje?

- Sim, mamãe me levou para fazer o orçamento.

Sentei na beira do sofá, suspirando:

- E quanto ficou essa brincadeira?

- Quatro mil e oitocentos reais.

Arregalei os olhos. Passei a mão pelo cabelo, nervosa.

- Tudo isso?

Ela deu de ombros. Fiquei pensando como arrumaria dinheiro para pagar aquilo. Por fim me levantei, cansada. E notei que minha mãe tinha um sorrisinho satisfeito nos lábios. Lancei um olhar a Juliane, que também não parecia preocupada, até mesmo um pouco alegre, apesar de tudo.

- O que houve?

- Nada! – Minha mãe exclamou na hora, corada, trocando um olhar cúmplice com a caçula. Fiquei logo desconfiada.

- O que vocês estão aprontando?

- Por que está perguntando isso? – Juliane me encarou.

- Parecem muito felizes para toda essa tragédia. Nem sei como vamos pagar por seus dentes. Não tenho esse dinheiro.

- Vou dar meu jeito.

- Que jeito? Você não trabalha.

- Tenho meus meios.

Fiquei ainda mais nervosa e franzi o cenho, indagando:

- Veja se não vai se meter em mais confusão, está ouvindo, Juliane?

- Sim, mamãe. – Debochou e acabou rindo com Tereza.

Eu me senti uma palhaça ali, preocupada, cansada, cheia de contas para pagar, enquanto elas ficavam vendo televisão e se divertindo com a minha cara. Irritada, fui para meu quarto. Não ia me estressar com aquilo nem correr como uma desesperada para me endividar e pagar dentes novos para Juliane. Tão logo o fizesse, ela sairia correndo de novo atrás de homens

ricos.

Na terça-feira cheguei em casa depois das oito da noite, pois tinha dado um problema na linha férrea e os trens estavam um horror. Tinha sido um dia extremamente cansativo no trabalho também. Dei graças a Deus por não precisar ir à faculdade pelo menos por um mês.

Só queria chegar em casa e descansar. Entrei na sala e ouvi risadas da minha mãe. Estava no sofá, ela em um e Juliane em outro, ambas tomando sorvete. Mas não foi isso que me surpreendeu e sim a enorme televisão fininha de tela plana, de 51 polegadas, que estava sobre a mesa. Era tão grande que nem cabia na estante. Passava um filme e elas riam.

Bati a porta, meus olhos fixos na tevê. Quando as olhei, entendi as risadinhas do dia anterior. As duas me encararam sorrindo.

- O que é isso?

- Uma televisão. – Debochou Juliane.

Engoli em seco, sem paciência, o sangue subindo. Minha mãe disse logo: - Foi um presente.

- De quem?

- Joe. – Juliane me olhava com atenção. – Acho que ele ficou com pena da nossa tevê e

...

- Você vai devolver. – Avisei, começando a tremer.

- Nem morta! – Arregalou o olho bom.

- Não vai mesmo! – Emendou Tereza, me olhando de cara feia. – Mandou de presente pra mim! É minha!

- Vocês não tem vergonha? – Perdi a cabeça, furiosa, jogando minha bolsa no sofá. – Jogaram indiretas aquele dia! Só faltaram pedir descaradamente!

- Mas para ele não é nada! – Juliane completou, amansando um pouco. – E não pense que há algum interesse sexual nisso. Saí com ele só algumas vezes e Joe me explicou que não me ama. Acho que deve ficar livre para se interessar por outras pessoas, sabe? Somos só amigos!

- E tem mais. – O sorriso de Tereza se ampliou. – Ele pagou o tratamento dentário da Ju.

Todinho! Já mandou o dinheiro para a conta dela.

Eu não podia acreditar. Respirei fundo, tentando me acalmar. Olhei para minha irmã. - Me passe o número dele.

- Para quê?

- Eu quero falar com ele, Juliane.

- Nem pensar! Vai querer devolver a tevê e o dinheiro, mas não pode! Não são seus!

- Quero o número dele! – Exigi, com muita raiva.

- Não! E não! – Gritou.

- Não vai devolver nada! – Emendou minha mãe, histérica.

- Como vocês podem ser assim, sem vergonhas! Pelo amor de Deus, isso é um absurdo!

Esse homem não é nada nosso!

- Ele foi namorado da Ju! Ainda deve ser apaixonado por ela!

- Não, mãe. – Juliane negou rapidamente, me lançando um olhar, explicando: - Somos só amigos! É que Joe é uma pessoa muito boa e generosa! Só quis nos ajudar, viu onde vivemos, o meu estado e ...

- Não precisamos de esmolas! Juliane, me dá o telefone dele agora! – Estava a ponto de perder a cabeça.

- Não! – Gritou decidida.

Eu tentei me controlar, mas tremia, um véu vermelho parecia ter descido sobre os meus

olhos. Peguei minha bolsa no sofá e me dirigi para a porta.

- Aonde você vai, Demi? Está maluca? Demi!

Ignorei minha irmã e saí. Não pensei que estava cansada, com fome e que já era tarde. Voltei à estação de trem e peguei o primeiro rumo à Central do Brasil. Lá eu desci e peguei um ônibus para a Zona Sul. Desci No Leblon, perto do prédio onde Joe morava. Já passava das dez da noite quando falei com os porteiros e eles ligaram para o apartamento dele.

Esperei impaciente. Não estava mais tão furiosa, mas a raiva ainda fervia baixa dentro de mim, como em banho-Maria. Quando o porteiro liberou a entrada para mim, fui decidida a deixar umas coisas bem claras com Joe Adam.

6 comentários:

  1. Uhu é agora que o bicho pega.... continuaaaaa.....

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  2. Meu Deus!!!
    O Bicho vai pegar!! Joezinho meu bem aguenta que a Demi tá chegando. Acho que vai rolar um beijo no próximo capítulo.
    Posta logo!!! Preciso de mais!! Não acredito que o próximo capítulo será o último da maratona de hoje :,(((

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  3. Eita.. Agora a porra ficou séria..
    Maaiss..

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  4. Postaaaaaa Logooo Estou Amando a história *-*

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  5. Vc quer me matar, continua por favor! !!

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