29.8.14

Atraído - Capitulo 25 - Maratona 1.5

 
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Entro na sala de Demi como um soldado invadindo a praia na Normandia. Ela está em sua mesa escrevendo apressada no seu bloco de notas.

– Voltei. Sentiu saudades?

Ela não olha para cima.

– Desesperadamente.

Sarcasmo é o mecanismo de defesa mais antigo que existe. Eu continuo.

– Sabia que estava te ganhando. O que me fez levar vantagem? Irmã B.?

Demi se afasta da mesa e cruza as pernas. Ela está usando sapatos novos. Não tinha reparado antes. Sapato boneca preto com salto alto e uma tira no tornozelo. Bom. Deus. Eles são a combinação perfeita de sensual e meigo. Doçura e sexo. E meu pobre e omisso pau se convulsiona quando imagino todas as coisas fantásticas – e semi-ilegais – que eu poderia fazer com ela naqueles sapatos.

Nunca tive um fetiche, mas estou pensando em começar a ter um.

A voz de Demi me afasta de meus pensamentos impuros.

– Não. Foi a visita da sua irmã, na verdade. Sutileza não existe na sua família, não é?

Oh-oh. Estava com medo disso.

– Alexandra tem problemas psicológicos profundos. Ela é instável. Você não devia se importar com o que ela diz. Ninguém na minha família se importa.

– Ela parecia completamente lúcida quando esteve aqui.

Eu encolho os ombros.

– Doença mental é uma coisa complicada.

Seus olhos piscam, cheios de dúvida.

– Você não está falando sério, está?

Merda. Sem mentiras.

– Na verdade, ela nunca foi diagnosticada. Mas suas ideias sobre justiça e vingança são loucas. Imagine a Deloris… com uma década a mais de experiência para aperfeiçoar suas técnicas.

O rosto de Demi relaxa, compreensivo.

– Ah.

Sim. Seja bem-vinda ao meu mundo, queridinha.

– Ela me trouxe café – diz Demi. – Posso bebê-lo?

Nós dois olhamos para o copo do Starbucks, desconfiados.

Quando tinha treze anos, leiloei um par de lingerie da Alexandra no vestuário masculino. Usados. Quando ela escutou alguns boatos, levou numa boa. Nunca deixou que os outros soubessem que ela sabia. Depois ela batizou meu cereal com laxantes que tinham sabor de chocolate. Eu não saí do banheiro por uns três dias.

Sei que ela não está planejando algo assim contra Demi, mas mesmo assim…

– Eu não beberia.

Ela acena e afasta o copo.

– O que achou da Mackenzie? Queria muito estar aqui quando você a conheceu.

Seu sorriso é afetuoso e verdadeiro.

– Achei ela maravilhosa.

– Você vai gostar de saber que ela usou sua calculadora comigo, quando a encontrei lá embaixo.

Ela abre um largo sorriso.

– Que bom.

Eu balanço a cabeça e Demi diz:

– Entendo por que Alexandra criou a Jarra do Palavrão, parece que você passa muito tempo com Mackenzie.

– O que quer dizer?

Ela encolhe os ombros.

– Ela fala como você. Não é todo dia que você escuta uma menina de quatro anos falar que o Príncipe Encantado é um idiota, que está apenas atrapalhando a Cinderela.

Essa é minha menina.

– Xingar faz bem pra alma.

Demi abafa uma risada. E ela está tão atraente que não me controlo e me abaixo sobre a cadeira, prendendo-a entre meus braços. Acabou a conversinha. Vamos voltar aos negócios.

– Venha dar uma volta comigo.

Minha voz está baixa. Persuasiva.

– De jeito nenhum.

E completamente ineficaz.

– Vamos lá, Demi, só por um minuto. Quero te mostrar algo.

Ela bufa.

– O que você fez? Contratou os Ringling Brothers pra fazer um show no saguão? Organizou uma passeata em minha homenagem?

Eu rio.

– Não seja ridícula. Eu não faria isso.

Demi se mostra um pouco duvidosa.

– Ok, você tem razão – eu, com certeza, faria isso. Mas não hoje.

Ela me afasta e se levanta. Eu a deixo.

– Você está assustada? – pergunto. – Está com medo de não conseguir se controlar quando estiver sozinha comigo?

Para pessoas como eu e Demi, um desafio é como uma prostituta em uma convenção de viciados em sexo. Não há quase nenhuma chance de recusar algo.

– Se você quis dizer que temo acabar te matando caso não haja nenhuma testemunha pra depor contra mim, então a resposta é “sim”. Embora, tenho que admitir, vinte anos de pena parece um pequeno preço a se pagar no momento.

Você acha que ela curte a preliminar verbal tanto quanto eu? Ela deve gostar, porque é muito boa nisso.

Ela me rodeia, deixando a mesa entre nós.

– Olha, Joe, eu tenho um cliente novo. Já te falei isso. Você sabe como é. Não posso permitir essas… distrações agora.

Eu levo isso como um elogio.

– Eu te distraio?

Ela bufa.

– Não foi isso que quis dizer.

Depois seu rosto muda de expressão. Ela começa a implorar.

– Você tem que parar com isso – suas mãos acenam no ar. – Com essa missão que está planejando. Esquece isso. Por favor.

Quando Steven tinha onze anos, ele bateu em uma árvore durante uma brincadeira no quintal e abriu a testa. Enquanto estiver vivo, nunca me esquecerei do som dele implorando, suplicando para sua mãe não levá-lo ao hospital. Porque ele sabia que precisava de pontos. Pontos são uma bosta. Em qualquer idade.

Mas Janey Reinhart não cedeu. Ela o levou de qualquer jeito. Pois, apesar de Steven estar muito assustado – apesar de não ser o que ele queria –, ela sabia que era o que ele precisava.

Está entendendo aonde quero chegar com isso?

– A bola está no seu campo, Demi. Te disse isso desde o começo. Você quer que eu desapareça, então tudo o que tem a fazer é aceitar sair comigo no sábado.

Ela morde o lábio. E olha para a mesa.

– Tudo bem.

Como assim?

Claro, eu adoraria. Comê-la assim.

Beleza – não é hora para brincadeiras.

– Perdão? Você pode repetir, por favor?

Seus olhos encontram os meus. Eles parecem hesitantes, mas conformados. Como alguém esperando na fila para uma montanha-russa. Determinada a ir, mas sem saber direito em que merda se meteu.

– Eu disse que sim. Vou jantar com você no sábado.

É oficial. Preparem-se. O inferno congelou.

– Depois de conversar com sua irmã, percebi algumas coisas…

Que você me ama? Que precisa de mim? Que não consegue viver sem mim?

– Acho que você precisa de um término, Joe.

Ah não. Não quero término. Tudo menos a porra do término.

Término é uma palavra pronta que as mulheres inventaram para que possam repensar algo e conversar sobre isso – até a morte. E depois de ter sido abençoado e enterrado, o término lhes dá uma desculpa para que possam cavar a porra da pessoa e conversar sobre isso – um pouco mais.

Homens não fazem isso. Nunca.

Está acabado. Cortinas fechando. Fim.

Esse é a porcaria do término que precisamos.

– Término?

Ela anda até mim.

– Acho que as coisas entre nós começaram e acabaram muito rápido, e aí você não teve tempo de entender. Talvez, se passássemos um tempo… se conversássemos longe do escritório… você entenderá que, depois de tudo que aconteceu, o melhor que podemos fazer é sermos amigos.

Tenho certeza de que ela quer dizer que não teremos uma amizade colorida. E isso não vai funcionar para mim.

Um homem não pode ser amigo de uma mulher pela qual ele está interessado. Não mesmo. Porque, em algum momento, seu pau irá dominar. Vai andar e conversar como o homem de sempre, mas – como um daqueles pobres coitados infectados por aquelas criaturas sugadoras em Alien – não será ele. A partir disso, cada movimento, cada gesto, será realizado a fim de se conseguir o objetivo do pau. Que, com certeza, não terá porra nenhuma a ver com amizade.

Além disso, já tenho amigos: Matthew, Steven e Jack. Não quero comer nenhum deles.

– Amigos?

Ela não nota minha aversão à ideia ou não está nem aí.

– Sim. Deveríamos sair como colegas de trabalho. Semelhantes. Não em um encontro. Mais como se fosse uma reunião de negócios entre colegas.

Negar é um ato poderoso. Mas, a essa altura, aceito qualquer coisa.

– Então, você está me dizendo que vai sair comigo no sábado?É isso?

Ela hesita e depois acena.

– Sim.

– Perfeito. Não precisa falar mais nada. Te busco às sete.

– Não.

– Não?

– Não. Eu te encontro.

Interessante.

Eu falo devagar.

– Demi, sei que você não saiu com muita gente, levando em conta que o idiota que você chamava de namorado te pediu em casamento antes de você começar a usar sutiã, mas em casos como este, o cara, no caso, eu, deve te pegar em casa. É uma tradição.

Viu como seus lábios se apertam? Como seus ombros ficam em posição de defesa? Ah claro, ela está pronta para brigar.

– Eu acabei de te falar que isso não será um encontro.

Eu encolho meus ombros.

– Palavras.

– Vamos dizer, hipoteticamente, que seja um encontro. Seria um primeiro encontro. E eu nunca deixaria um homem que não conheço vir até meu apartamento me buscar para um primeiro encontro.

Passo minha mão pelos cabelos.

– Isso não faz nenhum sentido. Você me conhece. Fizemos 69. Tenho certeza que você me conhece pra caralho.

– Bom, essas são minhas condições. Se você não consegue cumprir, podemos esquecer tudo…

– Espera, espera. Não precisamos nos precipitar. Eu desisto. Você pode me encontrar no meu apartamento. Às sete. Em ponto.

– Beleza.

– Mas também tenho algumas condições.

Ela fica indignada.

– Não vou transar com você!

Tento fingir que estou surpreso.

– Estou ofendido. Sério. Quem disse algo sobre sexo? Eu nunca colocaria sexo como parte de nosso acordo.

Depois sorrio.

– É opcional. As roupas também.

Ela revira os olhos.

– Só isso?

– Não.

– O que mais você quer?

Ah, amorzinho. Se ela soubesse. Apesar de que, provavelmente, é melhor que ela não saiba. Não quero que ela fuja.

– Quero quatro horas. Pelo menos. Sem interrupções. Quero conversa, um jantar com aperitivos entrada e sobremesa. Quero vinho, dança…

Ela levanta a mão.

– Sem dança.

– Uma dança. Isso não é negociável.

Ela olha para o teto, ponderando suas opções.

– Tudo bem. Uma dança – ela aponta os dedos para mim. – Mas se suas mãos chegarem perto da minha bunda, eu te largo lá.

Agora é minha vez de analisar.

– Bem, tudo bem. Mas caso você se recuse a cumprir qualquer uma das minhas condições, tenho o direito a uma repetição.

Ela espera um momento. Seus olhos se retraem com desconfiança.

– Você vai me deixar em paz, por completo, até o sábado? Sem padres chegando pra dar um oi? Sem esculturas de gelo derretendo na porta da minha sala?

Eu sorrio, com malícia.

– Será como se não nos conhecêssemos. Como se eu nem trabalhasse aqui.

Tem uma grande chance de eu não estar por aqui. Estarei muito ocupado.

Demi assente.

– Ok.

Eu lhe estico minha mão. Ela a aperta e diz:

– Combinado.

Eu viro sua mão gentilmente e a beijo – como fiz na noite em que nos conhecemos.

– É um encontro.

Já entrou em uma sala para conseguir algo, mas quando você estava lá, acabou esquecendo o que queria? Bom. Então você vai entender porque eu me viro e começo a sair da sala.

Até que a voz de Demi me para.

– Joe?

Eu olho para ela.

– Sim?

Seu rosto está abatido.

– Eu não… eu não curto machucar as pessoas. Então, não fique esperançoso por algo no sábado.

Antes que consiga abrir minha boca, um vulto pela janela chama minha atenção. E eu não consigo acreditar que quase me esqueci. Sem palavras, ando até Demi e seguro sua mão. Levo-a até a janela e fico atrás dela, com minhas mãos em seus ombros.

Encosto minha boca em sua orelha. Minha respiração lhe deixa arrepiada. Em um bom sentido.

– Muito tarde.

Queria que fosse simples. Algo que teria escrito numa árvore ou pichado em uma parede, se fôssemos crianças. Mas eu precisava ser claro. Um manifesto. Precisava contar para Demi e para todas as mulheres do mundo que eu, Joe Jonas, não estou mais disponível.

Demi suspira quando vê.

Lá no céu, em grandes letras brancas, para toda a cidade ver:

Joe Jonas

+

Demi Lovato

PARA SEMPRE

Sempre fique por cima. Já te disse isso? Não? Bem, estou contando agora.

Não me importa se você é um empresário, um cantor ou um programa de televisão popular – deixe-os querendo mais. Nunca perca a oportunidade. Você pode sempre voltar mais tarde para dar bis, mas uma vez que eles tiverem enjoado de você, não há volta.

Eu beijo o topo de sua cabeça.

– Te vejo no sábado, Demi.

Quando saí de sua sala, ela ainda continuava olhando pela janela.

Não se preocupe: o show ainda não acabou. Ainda tenho alguns truques na manga, e sempre guardo o melhor por último. Você não vai querer perder isso por nada.

Vou direto para a mesa de Erin.

– Preciso que ligue para a florista. E para o fornecedor de comes e bebes. E marque uma reunião pra mim, hoje à noite, com aquela designer de interiores de quem falamos ontem.

Ela pega o telefone e liga.

– É pra já.

Sim, eu disse designer de interiores. Você não sabe para quê, não é?

É o grande final. Meu lance de vitória.

Você verá.

Na noite de sábado.


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Maratona começando agora... vou ter que sair, mas irei deixar os capítulos programados para a cada 1 ou 2 horas, espero que vcs comentem, a fic está no final, mas vem vários bônus antes da segunda temporada!! Beijooos <3

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