16.10.14

Um Pequeno Milagre - Capítulo 1


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Um novo dia.

Um novo começo.

Mais um.

Caminhando pela praia, Joe Jonas estava com a ca­beça baixa e perdido demais em seus pensamentos para real­mente notar o magnífico céu cor-de-rosa sobre as águas calmas da Baía de Port Phillip. Ele havia sido aceito como residente da Emergência no Hospital Melbourne's Bay View e estaria lá em algumas horas para começar seu primeiro dia de traba­lho. Só que não havia o nervosismo típico do primeiro dia enquanto ele avançava ao longo da praia, afinal, ele tinha tido muitos recomeços antes. Esse seria seu quarto emprego nos três anos desde a morte de Jennifer... não, agora eram quase quatro anos. O aniversário da morte dela estava se aproximando e Joe temia essa data. Tentando e falhando em não pensar sobre ela, tentando e falhando em não pensar constantemente sobre como a vida deveria ser, se eles tives­sem tido tempo de vivê-la. Se ele tivesse se estabelecido no Melbourne Central, se a vida para ele não tivesse mudado tão dramaticamente, agora ele estaria se candidatando a car­gos de consultor. Mas permanecer lá não havia sido uma op­ção. Havia lembranças demais para ele. Após seis meses de tentativas, Joe havia percebido que não podia continuar tra­balhando no mesmo local onde um dia trabalhara com sua esposa e tinha aceitado, depois alguma autoanálise, que as coisas nunca mais seriam as mesmas. Elas nunca mais pode­riam ser as mesmas. Então, ele havia se mudado para Sidney, o que pareceu certo por um tempo, mas após 18 meses, bem, aquele sentimento de inquietação tinha começado novamen­te e ele mudou-se para outro hospital, em Sidney. Só que... era a mesma melodia, apenas numa canção diferente. O lugar era ótimo, as pessoas também...

Mas simplesmente não funcionou sem Jen. Então, ele havia voltado para Melbourne, mas desta vez para um bairro afastado, e era bom estar de volta, mais perto de sua família e novamente entre seus velhos amigos.

Não, ele não estava nervoso sobre este recomeço. A dife­rença era que, desta vez, estava ansioso por ele, pronto para ele, até mesmo animado com a perspectiva de seguir em fren­te. Já era tempo.

Ele tinha decidido viver perto da praia e fazer caminhadas rápidas ou correr toda manhã... Mas no terceiro dia após a mudança ele havia apertado o botão "soneca" de seu desperta­dor algumas vezes!

Joe aumentou a velocidade e começou a correr, sua estru­tura musculosa escondendo sua destreza, e bem rapidamente ele alcançou seu destino: a casa na qual ele estava de olho havia algumas semanas.

Enquanto cumpria seu período de aviso prévio em Sidney, Joe fizera a viagem até lá para encontrar um lar perto do hos­pital. Procurando pela internet e conversando por telefone com corretores de imóveis, ele havia se deparado com várias possibilidades a serem visitadas durante o final de semana, pois estava determinado em conseguir uma casa antes de co­meçar seu novo trabalho, percebendo que, se fosse o dono de uma propriedade, talvez se mostrasse mais inclinado a acomo­dar-se por mais tempo.

O corretor tinha mostrado a ele um apartamento típico de solteiro, um novo empreendimento junto à praia, com vista maravilhosa para a baía e a cidade. Era claro e arejado e tinha todos os confortos modernos com a vantagem de uma grande varanda, o que seria bom quando ele recebesse a visita de ami­gos ou da família. Ele realmente tinha tudo, e Joe quase o comprara naquele mesmo dia, mas, enquanto esperava, na va­randa, que o corretor separasse os documentos, Joe viu casa ao lado. Ela era mais antiga e se projetava um tanto a mais para dentro da praia que o bloco de apartamentos. O jardim, que tinha acesso direto à praia, era um oásis verde coberto de ervas comparado com a varanda de assoalho enfeitado e pare­des claras onde ele estava. Em vez de olhar para a magnífica praia, Joe ficou encantado com o jardim do quase vizinho. Um enorme salgueiro projetava sua sombra em grande parte dele, havia um escorregador, um balanço e uma cama elástica ali, mas o que realmente chamou a atenção de Joe foi o barco estacionado junto à lateral da casa. Um homem por volta de seus 40 anos que jogava água no barco com uma mangueira olhou para cima e acenou quando eles saíram para a varanda, e Joe balançou a cabeça rapidamente num cumprimento, não percebendo que o homem na verdade estava acenando para o corretor e não para ele.

— Logo estarei com você, Doug — o corretor gritou, então, se sentou junto a uma mesa de vidro bem posicionada, colo­cando em ordem documentos e demais papéis e finalmente localizando o contrato.

— Ela está no mercado? — Joe perguntou.

— Desculpe?

— A casa ao lado. Ela está à venda?

— Ainda não — disse o corretor com um sorriso reservado. — Sente-se, Dr. Jonas, e verificaremos os detalhes do contrato.

— Mas ela vai estar à venda? — Joe insistiu.

— Talvez. Embora, realmente, ela não tenha nenhuma das características que o senhor especificou. Aquela casa precisa de várias reformas, ainda tem a cozinha original e o jardim está uma selva.

Só que Joe não estava ouvindo, e o corretor de repente teve aquela sensação deprimente e terrível de que ele estava per­dendo o controle de venda que julgava certa.

— O conjunto de apartamentos recebe manutenção regular, possui academia de ginástica e piscina com raia para os inqui­linos — ele ressaltou, reforçando o que presumiu serem os benefícios de viver ali para esse sujeito solteiro de aparência vigorosa, com título de doutor. Ele tivera tanta certeza que pouca necessidade de manutenção era a chave para esta venda. Ele estava errado.

Joe estava se dando conta rapidamente que grande neces­sidade de manutenção seria ótimo par ele!

Estes eram um jardim e uma casa onde ele poderia se es­quecer de si mesmo, perdido em preocupações sobre conser­tos da casa e em passar óleo nas tábuas do deck. E que tal um barco? Seria muito melhor preencher o tempo livre que tinha reformando a casa ou ao ar livre, passeando de barco na baía, do que confinado às linhas modernas e polidas daquele aparta­mento ou queimando sua energia interminável numa piscina com raia! Pela primeira vez em muito tempo, Joe se viu inte­ressado em algo que não era trabalho, e encarando a casa, ele quase podia vislumbrar um futuro, um verdadeiro futuro... Por isso, em vez de fechar negócio e se mudar para o luxuoso pré­dio de apartamentos, para o aborrecimento óbvio do corretor, Joe assumiu o risco: colocou seus móveis num depósito e alugou uma das unidades de decoração barata no outro extremo da rua, preparado para esperar pacientemente até que a casa estivesse à venda.

Foi realmente vantajoso, Joe pensou naquela manhã, en­quanto caminhava ao longo do caminho de acesso à praia até a frente da casa. Em um curto espaço de tempo, o mercado imobiliário despencara e as incorporadoras estavam tendo problemas para vender os apartamentos de luxo. O preço já havia caído alguns milhares, assim, se nada acontecesse com a casa...

À Venda por Leilão

Ele viu a placa e deu um sorriso ao ler que o leilão seria em breve, na verdade, em apenas algumas semanas. E havia uma "visita para inspeção" prevista para o fim de semana. Cami­nhando de volta para a praia, desta vez ele prestou atenção no magnífico céu e na quietude da manhã, nas gaivotas sentadas como patos na água tranquila, no cão que correu para a água e as afugentou. E então ele a viu, em pé no oceano vítreo, a água na altura de seus joelhos, pernas afastadas e alongando-se, suas mãos estendidas em direção ao céu. Ela ficou parada e manteve a posição para depois, vagarosamente, abaixar seus braços. E começou a fazer tudo de novo. Deus! Joe revirou os olhos. Ele estava em grande forma e tentava de maneira vaga se manter assim, confiando principalmente em caminhar mi­lhares de quilômetros dentro da Emergência do hospital e en­tão esgotar-se com natação, mas isso que a mulher estava fa­zendo era "Nova Era" demais, aquele tipo de atividade feita para saudar o dia, ou coisa parecida... Por favor!

Ainda assim, Joe admitiu que havia alguma coisa de espe­tacular sobre sua falta de inibição, e algo sobre ela fez Joe sorrir enquanto caminhava.

E então, ela se virou e o sorriso dele desapareceu quando ela se inclinou... dobrou-se em duas na verdade. Joe viu o abdômen inchado dela e percebeu que ela estava grávida e visivelmente com dor. Ganhando velocidade, caminhou rapi­damente pela areia, tentando não parecer muito afobado, já que aquilo também poderia apenas ser parte da rotina de exer­cícios dela. Mas não era, ela estava caminhando com visível desconforto para fora da água rasa, ainda curvada num ângulo estranho, e Joe começou a correr, até alcançá-la na beira do mar. Ele viu os cachos escuros no alto da cabeça dela enquan­to ela, ainda dobrada, agarrava seus próprios joelhos.

— Você está bem? — Joe perguntou, preocupado.

— Ótima — ela gemeu, e então olhou para ele. Os olhos dela eram cor de âmbar, usava grandes brincos prata e estava rangendo seus dentes muito brancos. — Ioga idiota!

— Você está tendo uma contração? — Ele a estava exami­nando, mas não quis se aproximar e colocar a mão na barriga dela. Ele achou que precisava se apresentar primeiro. — Meu nome é Joe, e eu sou médico.

— E o meu é Demi... — Ela respirou fundo, e relaxou, aos poucos. — E eu não estou tendo uma contração, é só uma câimbra.

— Você tem certeza? — ele insistiu.

— Certeza absoluta! — Ela se esticou e estremeceu, pas­sando a mão no lugar onde sentira a pontada.— São essas bobagens de "Nova Era". — Ele não pôde evitar um sorriso e, então, ela também sorriu. — De acordo com meu obstetra, isso deveria relaxar tanto a mim quanto ao bebê. Só que é mais provável que acabe nos matando.

De repente, Joe foi catapultado para o passado de novo. Exatamente como acontecia quase todos os dias, e todas as noites. Não todo o tempo, como antes, mas, já que haviam se passado quatro anos, com frequência demais.

— Bom, já que você está bem... — Ele não terminou a frase e se virou para ir embora. Mas de repente, ela estava segurando a barriga com as duas mãos, e expirando longa e lentamente.

— Isso — disse Joe, com firmeza — não é uma câimbra.

— Não. — Ela fechou os olhos e desta vez ele colocou a mão no abdômen dela, sentiu o estiramento fraco ao redor do útero. Manteve a mão ali até que passasse, satisfeito em verificar que aquilo nada mais era do que uma contração Brazton-Hicks.

— É só o bebê praticando para o grande dia. — Ela sorriu. — Sinceramente, eu estou bem.

— Você tem certeza? — ele pressionou.

— Absoluta.

— Se elas se tornarem mais fortes, ou ficarem...

— Mais regulares, eu sei, eu sei. — Ela deu a ele um enor­me sorriso. O sol estava alto agora e ele podia ver a cor bron­zeada dela e seu rosto sardento. Ela realmente tinha um sorriso incrível. — Bem, de qualquer modo, obrigada — ela disse.

— Sem problema.

Ela se virou e começou a caminhar ao longo da praia, na mesma direção que ele deveria ir, então, ele começou a cami­nhar atrás dela e meio que a observava para ter certeza que não ia parar de novo, mas ela agora parecia bem. Ela vestia short branco e uma camiseta regata branca justa, e tinha curvas por toda parte. Joe sentiu um leve desconforto quando ela virou a cabeça para trás.

— Eu não estou seguindo você. Eu moro lá em cima — ele explicou.

— Que legal! — Ela diminuiu o ritmo da caminhada. — Onde?

— Num dos apartamentos pequenos ali no fim da praia.

— Desde quando? — ela perguntou.

— Desde o final de semana.

— Então nós somos vizinhos. — Ela sorriu. — Eu sou Demi Mitchell, moro na Unidade 3.

— Joe, Joe Jonas. Estou no número 22.

— Então, você está do lado calmo. — Demi revirou os olhos.

— Você tem certeza disso? — Joe disse, levantando uma sobrancelha. — Certamente não foi calmo nas últimas duas noites. Brigas, festas...

— Isso não é nada comparado aos meus vizinhos — ela retrucou.

Eles estavam lá, na frente da fileira de unidades de um dor­mitório que era um tanto de feiura num cenário tão encantador.

Sem dúvida, um dia uma incorporadora jogaria tudo no chão e construiria um prédio luxuoso ou um hotel, mas agora elas eram apenas umas fileiras de unidades velhas e bastante degradadas, que ofereciam aluguel barato e acesso à praia, e estavam cheias de mochileiros procurando um canto por algu­mas semanas e o eventual inquilino comum, o que era obvia­mente o caso de Demi.

Ao chegarem à unidade dela, ficou claro que ela se destaca­va das outras, a pequena faixa de grama na frente havia sido aparada e havia vasos de girassóis na pequena entrada. Ficava claro que aquilo era um lar.

— Obrigada novamente pelo seu interesse. — Ela deu um grande sorriso. — E se você precisar de uma xícara de açúcar...

Ele riu.

— Eu saberei aonde vir.

— Eu ia dizer que você terá que bater na porta ao lado. O médico acabou de me colocar numa dieta.

Ele riu novamente e acenou um adeus. Dirigindo-se para a sua unidade, entrou, ligou a cafeteira elétrica e observou em torno de si o interior sombrio antes de dirigir-se para o chu­veiro fraco, imaginando se ele jorraria água quente ou fria essa manhã.

Ele esperava que o apartamento dela fosse melhor que o dele. Era um pensamento estranho para aparecer de repente em sua cabeça, mas ele só esperava que fosse melhor, isso era tudo. Com certeza, do lado de fora ele era extremamente bem cuidado. Talvez o marido dela o tivesse pintado. E ele tinha esperanças de que a mobília dela fosse mais bonita do que a fornecida pelo senhorio. Ainda assim, isso não compensaria o barulho...

Saindo do chuveiro, ele podia ouvir seus vizinhos brigan­do novamente, e para Joe, quanto mais cedo fosse o leilão, melhor.

Ele fez um pouco de café e sorriu novamente enquanto co­locava colheres de açúcar nele.

Ela não precisava fazer dieta, ela era curvilínea, sim, mas estava grávida.

Ele pensou naquele traseiro arredondado adorável, reque­brando pela praia na frente dele, e apenas a imagem dela, tão clara em sua memória, deixou-o sobressaltado, então, ele ime­diatamente voltou sua mente para pensamentos mais práticos.

A taxa glicêmica dela estava provavelmente alta. Ela deve­ria estar no sétimo mês de gravidez, ou quase isso...

Ele forçou-se a empurrá-la para fora de sua cabeça, e não iria permitir-se outro pensamento com ela, mas mesmo assim, sentiu-se desconfortável quando, dirigindo pela escorregadia entrada de sua garagem, viu Demi regando seus girassóis e acenando para ele.

Ele acenou de volta, um tanto relutante. Joe não gostava de acenar para os vizinhos ou, apesar de sua brincadeira, aparecer para pedir açúcar, ou procurando bater papo. Se ela não pare­cesse precisar de ajuda na praia, ele teria continuado direto na caminhada, fechado. Era exatamente como ele gostava que as coisas fossem.

Uau!

À medida que ele dirigia passando por ela, Demi podia sentir seu rosto ficar vermelho mesmo enquanto ela, ah, ace­nava tão despreocupadamente.

Ele. Era. Lindo!

Lindo! Bem acima de 1,80m com ombros largos, as pernas dele eram grossas e sólidas como as de um jogador de rúgbi, e aquele cabelo castanho e um tanto longo caindo pesado sobre seus olhos enquanto ele a encarava na praia, já a fazia querer acariciá-los. E quanto àqueles olhos verdes... Por que diabos não havia médicos como aquele onde ela trabalhava?

Então, ela parou de sentir-se com 24 anos e solteira e se lembrou que havia jurado manter homens afastados pela pró­xima década, no mínimo. E também, em algumas semanas ela iria ser mãe.

Engraçado, por um momento ela havia esquecido. Con­versando com Joe, batendo papo enquanto caminhavam, por um momento ela havia esquecido que estava grávida, e tinha apenas se sentindo como, bem, como uma mulher nor­mal! O que ela era, claro, não havia nada mais feminino ou normal do que uma gravidez. Mas naquela manhã ela havia fantasiado e corado, e dito todas as coisas erradas na frente de um homem muito sexy. Demi tinha suposto, embora ela não tivesse lido ou alguém tivesse dito isso, que o "botão fantasia" ficava desligado durante a gravidez, que se entra­va num estado de reclusão hormonal no qual os homens não eram atraentes, e você não flertava ou mesmo olhava duas vezes. E por seis meses havia sido daquele jeito...

E ficaria daquele jeito, Demi disse a si mesma com firme­za. Não que ela devesse se preocupar. Um chute vigoroso de seu bebê a lembrou que naquele assunto ela não tinha escolha, dificilmente ela era candidata a qualquer tipo de romance.


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Oiii!!! é a Mari aqui :) desculpa não estar postando aqui no blog, mas eu estou um pouco ocupada esses dias, mas enfim, espero que vcs estejam gostando da Bru, ela agora é uma das ADMs do blog e é muito fofa *--* por favor, a tratem muito bem, ok?? dgasjhdjsad
Anony, eu sei que pode ocorrer de que uma outra pessoa possa já ter postado essa fic e vc possa já ter lido, mas acontece que muitos outros possam ainda não ter lido...

Para quem ainda não leu, aconselho a vcs lerem pq a historia é muito linda e muito fofa e para quem gosta de bebês, irá amar essa historia <3

Beijooos <3


6 comentários:

  1. Aah ta muito booa.. posta mais *-*

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  2. CHEGUEI POVO! \o/
    demorei, mas cheguei, né? hsuehuseh
    eu já tô vomitando arco-iris com essa fic, mds <33
    quero namoro, casamento, e mais filhos por favor '3'
    ~ esperando ansiosamente pelo próximo ~
    besitos! >..<

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  3. Q fofo *-*
    Quero mais

    -Nathalia-

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