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27.10.14

Um Pequeno Milagre - Epílogo


~

Nunca, nem por uma vez sequer, ela vacilou, ou duvidou.

Nem mesmo um pouquinho.

Apesar das previsões negativas de sua mãe, apesar do que ela lera sobre as "famílias agregadas" em um livro sobre psi­cologia infantil, que Demi acabara atirando na parede, nem por uma vez sequer ela pensou que o bebê deles iria mudar os sentimentos de Joe por Willow.

Porque sem Willow, eles não existiriam.

— Não falta muito agora — Joe apertou os ombros dela, deitada na mesa de cirurgia, com toda a paixão de um médico por uma paciente, mas era aquilo que ele fazia, às vezes. Eles haviam, somados, passado por três gestações, e todas haviam sido bem diferentes.

Aquela havia sido uma gravidez exemplar (descontando o grande ganho de peso que ela tivera), e tinha ido excepcional­mente bem até o último momento, mas depois de oito horas de trabalho de parto, respirando e fazendo força, o bebê ainda não queria nascer!

Ela trabalhara meio-expediente até o sétimo mês, porque escolhera assim.

Demi havia contado a Joe sobre a dor nas costas, e os tornozelos inchados e doloridos, mas quando tivera uma enxaqueca fortíssima, preferira conversar com o obstetra, e não com ele.

E Joe havia massageado seu estômago, e beijado sua barri­ga, e feito todas as coisas certas, durante toda a gravidez. Os dois tinham feito tudo certo. Incentivado um ao outro ao longo do caminho, e assegurado um ao outro que tudo daria certo.

— Eu estou com medo... — Ela não estava nem sequer se­dada, os médicos haviam sido tão mesquinhos a respeito da anestesia que ela estava pensando em escrever uma carta de reclamação. Do que adiantava ser a esposa de um médico? Uma epidural podia anestesiar seu abdômen, mas não aneste­siaria o cérebro dela.

— E se as coisas mudarem agora?

Não importa quão bem você a arrume e o quão segura você a mantenha, sua bagagem sempre viaja com você, e de vez em quando, você tem que pagar pelo excesso, ou observar impo­tente enquanto o pessoal da alfândega abre o zíper e exige que você explique o que uma barra de chocolate estava fazendo escondida no seu sutiã.

Como se você pudesse explicar como ela fora parar lá.

E como se você tivesse pensado em contrabandeá-la para o outro lado do mundo.

Só que você tinha.

— Eu não quero que nada mude — ela chorou.

— A mudança pode ser uma coisa boa — ele disse, tentan­do confortá-la.

Eram só os três, Joe, ela e Willow. E ela temia por eles, e temia pelo bebê que estava chegando, temia a mudança. Mas aquilo estava acontecendo, não importava se ela gostasse ou não.

— Eu estou com medo, Joe — ela disse novamente.

— Eu sei.

Ela podia ver lágrimas nos olhos verdes dele.

— Lembre-se de Willow... ela era tão pequena e estava tão doente... e olhe para ela agora.

Ela sabia que os médicos estavam fazendo a incisão, por­que o obstetra havia dito a ela, mas só tinha olhos para Joe. E podia ouvir o barulho, enquanto eles aspiravam o líquido amniótico, e ficou petrificada de medo.

— Como poderei amá-lo tanto quanto amo Willow?

— Espere para ver — ele disse, gentilmente. Era mesmo um menino.

Um menino gorducho, que os médicos seguraram por sobre os lençóis, com um narizinho achatado e uma testinha franzi­da, que gritou e chorou e esperneou até que eles o colocaram no bercinho.

— Não admira que eu tenha precisado de uma cesariana. — Demi tinha que sorrir, tinha que chorar, tinha que olhar para o bebê com admiração. E, claro, Joe fazia o mesmo.

Ele se aproximou do filho e olhou para ele, imprimiu a mar­ca dos pezinhos dele em sua camiseta, e voltou para o lado de Demi.

— Você precisa ver o tamanho dele! — Joe disse, espantado.

— Você entende agora porque eu gemia toda vez que ele chutava?

Ela ganhou um beijo rápido, quando eles trouxeram o bebê, todo embrulhado, mas ela também estava imobilizada, e não podia abraçá-lo. E havia gente demais em volta, para que ela chorasse de verdade.

— Vá com ele... — Demi disse para o marido.

As coisas ficaram um tanto confusas, dali em diante. Os médicos foram um pouco mais generosos com analgésicos agora, a incisão foi fechada e ela foi levada para a sala de re­cuperação, e depois para o quarto. E Demi se lembrava va­gamente de sua mãe chegando, e da mãe de Joe chegando, e de muito barulho...

E mais tarde, bem mais tarde, ela acordou.

E lembrou de tudo.

Ela não estava com medo dos sentimentos de Joe, nem um pouco. Tudo bem, talvez só um pouquinho... Mas ele estava de costas para ela e seu filho, e tinha uma agitada garotinha de um ano presa à sua cintura, e estava mostrando a lua para ela, e aquilo a deixou em paz, para olhar para seu novo bebê.

Ela estava com medo dos próprios sentimentos.

Ele era tão pequeno.

Um bebê grandão, mas tão novinho, e enrugado, e perfeito, e ela estava com tanto medo de não fazer as coisas certas. E então ele abriu os olhos... simplesmente olhou diretamente nos olhos dela, e exigiu que ela o amasse.

Ela o amaria muito em breve, só que estava realmente cansada.

— Logan...

Ela estava dolorida demais para segurá-lo no colo, e Joe o fez por ela, equilibrando Willow, ainda presa à sua cintura, enquanto pegava o filho nos braços e o entregava a ela.

— Bebê! — Willow se esqueceu, por um momento, do quanto estava cansada, deliciada com o irmãozinho, finalmen­te acordado, e com suas próprias cordas vocais, já que recen­temente começara a cantar.— Bebê, bebê, bebê! — E ela su­biu na cama, e por cima do cateter, chegando perigosamente perto de uma incisão cesariana, e então sufocou o irmão com beijos e germes, seguidos de mais beijos babados.

Depois, Logan ganhou um beijo do papai.

E então, Demi ganhou um beijo de uma Willow repenti­namente carente e chorosa.

Havia amor quase demais ao redor, Demi pensou, à beira das lágrimas também.

— Eu vou levá-la para casa — Joe disse a Demi.

Ele havia percebido as lágrimas nos olhos dela, e compre­endeu. Ele sabia quando ela precisava dele, mesmo quando ela não admitia. E sabia quando ela precisava ficar sozinha.

As parteiras entraram na hora em que ele estava beijando Demi, mas estava tudo bem, porque haveria tempo para mui­tos beijos mais tarde, ela precisava de mulheres experientes perto dela, agora.

Aquela noite era o momento de Demi conhecer Logan.

Joe compreendia isso.

Aquela noite era o momento para Demi descobrir que ti­nha muito a oferecer.

— Aperte o botão... — Ele entrou no elevador, e guiou a mãozinha de Willow para o botão "T", mas ela conseguiu er­rar e eles foram para a cobertura do prédio!

— Você é tão imprevisível quanto a sua mãe! — ele bufou.

— Papai! — Ela havia dito a palavra muitas vezes antes, mas disse de novo, começou a cantar, e continuou durante todo o caminho até o estacionamento, enquanto ele a colocava na cadeirinha, e a levava para casa. — Papai, papai, papai!

Ele era dela, e ela era dele, e que ninguém nunca dissesse nada em contrário.

Ele preparou o leite para ela, colocou Willow no berço, deu-lhe um beijo de boa-noite e ligou o móbile.

Depois, ele telefonou, para tios e tias, primos e primas, ami­gos e amigas, e apagou o texto que queria mandar para Demi, para não perturbar o sono dela, ele diria a ela pessoalmente, pela manhã.

Então, ele foi checar como estava Willow, mudou de ideia, e mandou o texto para Demi.

Willow dormindo. Dê um beijo no Logan. Eu amo você.

E no meio de uma tentativa frustrada de amamentar um bebê zangado e faminto, com seios doloridos, uma parteira sorriu e estendeu o telefone para Demi. Ela leu o texto, mas não o respondeu. Ele já sabia que ela o amava, e ela fez o que Joe havia pedido. Ela se inclinou e encostou os lábios na testinha franzida, acalmando a irritação do bebê, e sentiu o coração der­reter quando Logan se aconchegou mais a ela, e, depois de uma pequenina pausa, Demi começou a confiar novamente. Sen­tiu o peso doce de um novo bebê em seus braços, e queria aqui­lo, podia fazer o certo, estava fazendo o certo agora...

Era realmente bastante simples.
O amor cresce, se você deixar.
~

aqui ta o epílogo e agr oficialmente acabou :c vou sentir sdd e vcs? amei essa história ♥ comentem para a sinopse! Beijos, Bruna.

26.10.14

Um Pequeno Milagre - Capítulo 13 (Último)


~

— O que está acontecendo, Belinda? — Joe só conseguiu falar com Belinda às cinco horas da tarde da segunda-feira. Ela o havia evitado durante todo o dia, e, obviamente imagi­nando que ele já havia ido para casa, entrou na sala e ia se vi­rando para sair quando Joe a impediu.

— Nada.

— Eu preciso saber por que você não atendeu às suas cha­madas na sexta-feira à noite.

— Eu realmente sinto muito por aquilo. Sinceramente, eu estava me sentindo tão mal que...

— Belinda, eu cobri você, mas não vou ser tapeado — ele avisou.

— Ele ainda está casado. — Belinda desabou, ao admi­tir. — Eu descobri no sábado à noite... aquele garoto todo machucado...

Joe franziu o rosto.

— Era o filho dele.

— Oh, Belinda.

— Eu liguei para a casa dele, mas acabei falando com a esposa... eu reconheci o sobrenome, e depois ela o chamou ao telefone... — Ela mal conseguia articular as palavras, de tanto chorar. — Eu simplesmente não consegui ficar no hospital e vê-la, encará-la. Você deve achar que eu já deveria estar acos­tumada com esse tipo de coisa agora...

— Acostumada com o quê?

— Decepção. — Ela mal podia acreditar na mudança que se operara nela, da mulher confiante e extrovertida que ele conhecia. — Estou tão envergonhada.

— Envergonhada? — ele perguntou, espantado.

— Eu me sinto uma completa idiota — Belinda admitiu. — Eu sabia que ele era um homem ocupado, e por isso inven­tei desculpas para ele... que ele estava no trabalho, ou com os filhos... acho que dei a ele um milhão de motivos para justifi­car por que só podia passar tão pouco tempo comigo.

— A culpa não é sua — Joe disse, e não era culpa de Demi, também. Se a exuberante, experiente Belinda podia ser enganada, que chance Demi tivera? — Você só esta­va... — ele sacudiu os ombros, sentindo-se desconfortável, já que analisar emoções não era seu ponto forte — tentando ser feliz...

— Como todos nós — respondeu Belinda. — Mas nós aca­bamos magoando várias pessoas enquanto isso. — Ela tomou um gole de café. — Eu me sinto uma completa idiota — ela disse novamente, em desespero.

— Ele é o idiota — Joe insistiu.

— Não é assim que parece, do meu lado. — Ela deu a ele um sorriso triste. — Eu vou ficar bem... só preciso me recupe­rar, lamber as feridas.

— Eu posso imaginar.

— Mas vou chegar lá. — Belinda respirou fundo. — E vou sair para o mundo de novo muito em breve...

Joe percebeu que jamais entenderia algumas pessoas, ele nunca compreenderia alguém que tivesse sido tão magoado e estivesse disposto, em pouco tempo, a falar sobre começar de novo, abrir o coração, só para quebrá-lo mais uma vez.

Porquê?

Mas ele suspeitava que estava começando a descobrir a res­posta. Era ele, na verdade, quem era o idiota, ele percebeu aqui­lo ao dirigir para casa, naquela noite.

Havia todas aquelas pessoas lá fora, procurando a felicida­de, fugindo da solidão, enquanto ele tivera tudo, não apenas uma vez, mas duas, bem ao alcance dele. Ele simplesmente havia tido medo demais de se magoar de novo, para seguir em frente e aceitar o que lhe era oferecido.

Ele queria um mundo que viesse com garantia total de se­gurança, e como aquilo era impossível, bem, ele havia se afas­tado do planeta. Havia feito uma meia tentativa de seguir em frente com sua vida, mas de acordo com as suas próprias re­gras de segurança. Ele preferia ter um relacionamento sexual a um relacionamento afetivo, e quanto menos significado a relação tivesse, melhor, porque não havia como se machucar. E nada de filhos nem de sentimentos envolvidos, por favor, porque aquilo também podia machucar. Tanto quanto pais bio­lógicos aparecendo do nada...

Mas ficar sozinho machucava mais que o medo de amar.

E agora, ele a havia perdido, também.

Ao chegar à sua rua, Joe viu-se preso no trânsito enquanto um pequeno caminhão de aluguel encostava ao lado dos apar­tamentos, pronto para levá-la para longe dele. Ele viu o carro dela na garagem, e sabia que ela estava em casa, organizando a mudança para a casa dos pais, naquele final de semana. Ele sabia que se ela fosse mesmo morar com os pais, a perderia para sempre.

Ele finalmente percebeu que aquele era o seu momento.

Que um momento era tudo o que qualquer pessoa tinha.

E ele precisava começar a viver o momento. Respirou fun­do e se encaminhou para a porta dela.
***

— Este não é um bom momento, Joe.

Ele podia ouvir o choro de Willow, enquanto ela tentava fechar a porta.

— Preciso falar com você.

— E eu preciso alimentar meu bebê! — Ela abriu a porta, com uma expressão zangada no rosto. —Então, eu espero que você aguente ficar na mesma sala que ela, enquanto diz o que quer que tenha a dizer.

Os gritos de Willow estavam ficando cada vez mais altos, quando Joe entrou no pequeno apartamento dela. Tudo o que pertencia a elas já se fora: o berço, as flores, os tapetes, a tábua de passar perto da parede. Apenas a mobília sem graça perma­necera, e enquanto ele a seguia pela casa, percebeu que até mesmo a cozinha estava vazia, tudo o que restava era uma chaleira, uma jarra e um aquecedor de mamadeiras.

— Estou indo, Willow... — Ele podia ouvir a tensão na voz dela, ainda que ela tentasse disfarçar, pelo bebê. — O micro­-ondas já foi, com a mudança... — Ele observou enquanto ela testava a temperatura do leite em seu pulso, e colocava a mamadeira de volta na água, e então, ela estourou: — Eu só vou dar a mamadeira dela e vou embora. Eu decidi ir antes do final de semana. Não há motivo para eu ficar aqui agora.

— Não vá embora.

— Que diabos você quer, Joe? — ela perguntou, cansada.

— Você.

— Bem, eu sinto muito, mas já estou comprometida... — Embora ela estivesse na sala, Demi tinha que gritar para ser ouvida, por causa do choro de Willow. — É não escolheria nada diferente.

— Eu não quero nada diferente — ele disse, desesperado.

— Ela não vai desaparecer, Joe. E eu não vou fingir que ela não existe só para dormir com você algumas vezes por semana!

— Eu quero Willow também... — Ela não tinha ideia do quanto era difícil para ele dizer aquilo, não tinha ideia do ter­ror daquela admissão, e zombou dele.

— Oh, então você pretende tolerá-la, para poder ter a mãe dela.

— Não, eu vou tentar de verdade. Eu a quero também — ele disse novamente.

— Esqueça, Joe!

— Jen estava grávida quando morreu. — Uma dor real exi­gia respeito. Uma dor real podia ser sentida, e ouvida, e reco­nhecida, mesmo quando não sabemos como, porque até mes­mo Willow ficou em silêncio. — Ela estava mais ou menos no mesmo estágio que você quando Willow nasceu.

— Você deveria ter me contado — Demi disse, chocada.

— Como? — Joe sacudiu a cabeça. — Esse não é o tipo de coisa que se menciona casualmente numa conversa, especial­mente porque você estava grávida... — ele deu um pequeno sorriso — e não precisava ouvir isso.

— Não — ela admitiu que ele tinha razão. Ela já estava tendo dificuldades suficientes.

— Eu quis contar a você depois que Willow nasceu... mas... eu perdi meu bebê, Demi, e não podia fazer isso com você. Fazer você ter medo de perder o seu, também.

— Como aconteceu?

— Uma hemorragia subaracnoide. Simples assim — ele estalou os dedos, e aquilo a fez dar um pulo, mas o gesto pare­ceu apropriado. Ela havia aprendido sobre aquilo na faculda­de, uma dor de cabeça aguda, súbita... e teve vontade de cho­rar, mas não era direito dela, naquele momento.

— Eu cheguei à casa e a encontrei... — E então, ele se cor­rigiu, porque não era exatamente Jen a fonte do problema, ele a havia amado a havia perdido e sentiria saudade dela para sempre. Mas, quanto a isso, ele havia superado, estava quase chegando ao ponto da aceitação. — Não, eu cheguei à casa e as encontrei. Ela foi enterrada dentro de Jen, e eu nunca pude segurá-la no colo, nunca consegui chorar a morte dela, e não sei por onde começar.

— Você acabou de fazer isso.

Ele assentiu, fechou os olhos com força, e pressionou os dedos contra eles, enquanto as imagens passavam em sua men­te como um carrossel, e ele tentava fazer com que parassem.

— Conte-me — ela implorou.

— Não posso — ele disse, porque era a verdade. — Eu não quis amar você, Demi, mas amo, e não quero amar Willow, mas sei que amarei. Eu estou com tanto medo de perder você...

— Mas você já me perdeu, Joe. — Ela ainda estava zan­gada, muito zangada com ele. — Você não quer se apaixo­nar com medo de que algo aconteça, e então prefere se afas­tar de nós...

— Eu estou aqui agora.

— Metade de você! — Demi exclamou. — E a outra me­tade está presa em um lugar onde ninguém mais pode ir. Joe, Willow e eu merecemos mais do que isso.

— Eu posso dar mais do que isso — ele prometeu.

— Quando? — Demi exigiu, e Joe não conseguia acredi­tar no que ouvia.

— O que você está pedindo, Demi?

— O seu amor — Demi disse, e seu coração estava se partindo, mas ela estava resolvida a ser muito, muito forte.

— Eu acabei de dizer. Eu disse que amo você...

— Não, Joe.

— E eu vou amar Willow.

— Não. — Ela estava decidida.

— Eu não sei o que você quer, Demi! — Era Joe quem estava zangado agora, ele jamais havia sido mais franco, mais honesto, nunca revelara seu coração desde que Jen morrera, e agora sabia o motivo. — O quê? Você quer que eu diga que amo Willow?

— Qualquer um pode dizer isso — ela observou.

— Tudo bem? — Ele pegou a mamadeira. — Eu devo se­gurá-la no colo, alimentá-la?

— Eu sou perfeitamente capaz de fazer isso.

— O quê, então? — Joe exigiu saber, porque não sabia o que ela queria dele, não sabia que teste estava na mente dela e que ele precisava passar.

— Eu quero que você se permita amá-la. — Ela só estava conseguindo confundi-lo ainda mais, porque ele iria amá-la, com o tempo, ele sabia que o amor iria aparecer. — E quando você fizer isso, nós estaremos esperando por você.

— Eu não entendo você, Demi.

— Bem, eu não entendo você. — Ela apanhou a mamadeira, caminhou até a sala e pegou Willow no colo, alimentando-a em silêncio, enquanto ele observava da porta.

— Você não pode exigir amor imediato — protestou ele.

— Posso — respondeu Demi, imediatamente. — Ela já tem um pai que é um total fracasso, e não precisa de outro por perto, esperando que o amor apareça.

— Você é impossível! — ele grunhiu.

— Na verdade, eu sou bastante direta — ela respondeu cal­mamente. — Diga tchau para o Joe. — Ela se levantou, segu­rou a mãozinha de Willow e acenou para ele. — Nós o vere­mos quando ele estiver pronto. —Ela colocou Willow no carrinho e cobriu a menina. — Agora, se você me der licença, preciso terminar a mudança.

— Isso é tudo? — ele perguntou, incrédulo.

— Isso é tudo — ela confirmou.

— Eu vim até aqui, contei-lhe tudo, disse a você que a amo e que farei tudo o que puder por Willow, e não é o bastante? — Ele se aproximou dela e olhou-a nos olhos. — Não é o bastante para você?

— Não.

Ela estava segura do que dizia, e ele sabia disso, mas não compreendia.

— Eu não entendo você, Demi — ele disse, impotente, e a beijou no rosto. — Eu vou embora.

— Por favor.

— Eu nunca irei entender sua mãe — ele disse, olhando para Willow. Joe acariciou-lhe o rostinho e, novamente, foi Willow quem o olhou nos olhos, da mesma forma que havia feito quando havia nascido, e na manhã seguinte. E mais uma vez, Joe fechou os olhos, só que desta vez, ele os abriu de novo, e ela ainda estava lá, sorrindo, esperando pacientemente que ele a amasse.

Ele não queria fazer aquilo, sentia-se como se estivesse morrendo, e de fato, tinha certeza de que teria sido mais fácil morrer.

— Ela foi feita para você, Joe — Demi disse suavemen­te, ao lado dele, olhando para a filha e compreendendo o mun­do agora. — Porque você jamais teria feito isso sozinho, ja­mais teria feito isso de novo.

Ela estava certa, e em algum lugar, bem lá no fundo, algo finalmente fez sentido. Porque mesmo com Demi, se não fosse por certa mocinha que nascera pelas mãos dele, debaixo de uma árvore, ele jamais teria corrido aquele risco novamen­te, jamais, jamais teria arriscado ter outro filho. E estava arris­cando agora.

Ele olhou para aquela pequenina e nova vida, e se lembrou de todo o amor, de toda a esperança, de toda a promessa que ele havia tido um dia...

— Ela nunca chegou a nascer. — Aquilo provavelmente não fazia o menor sentido para Demi, mas era tão vital para ele. Ele podia sentir o rostinho de Willow, macio como uma pétala de flor, e parecia que estava se esvaziando por dentro.

Ele ainda queria correr, mas não havia praia longa o bastante, nem um universo que pudesse conter a dor que o dividia no meio.

— Não houve certidão de nascimento, e nós não tínha­mos escolhido um nome... —Não lhe parecera certo batizar a filha sem Jen.

Ele jamais pudera separar as duas, e sofrera por Jen e pelo bebê, mas nunca as havia realmente separado, e nunca se per­mitira sofrer apenas pela filha.

— Ela nunca chegou a nascer.

— Mas ela existiu — Demi disse, sua voz ali, bem ao lado dele, e seu braço em volta de Joe. E se ele a havia ajuda­do antes, ela o estava ajudando agora. — Ela ainda existe.

— Daisy.

Ele acariciou o rostinho de Willow, e finalmente deu um nome para a filha que deveria ter tido. E da mesma forma que havia cortado o cordão umbilical de Willow, Willow o deixara cortar o de sua filha, suas pequenas mãozinhas em forma de estrela segurando as suas, enquanto a dor o envolvia. Seguran­do Willow, ele conseguia segurar seu próprio bebê, pressio­nando os lábios contra seu rostinho macio, era como se ele estivesse beijando Daisy por um momento, e então ele pôde deixá-la ir, e descansar com sua mãe.

— Eu amo você — ele disse para Willow, que estava lá agora, mas não foram somente palavras, ele sentiu o que dizia, também. Ele a segurou junto a si, mas não a pegou no colo simplesmente, finalmente, Joe se permitiu amá-la, finalmente se permitiu ter esperança, e prometeu a ela, em silêncio, que sempre estaria ao lado dela. — E amo sua mãe, também.

— Ela sabe disso — disse Demi.

— Não vá morar com os seus pais. — Segurando no colo a filha dela, ele se virou para Demi. — Venha para casa.

E era realmente sua casa, embora ela jamais houvesse mo­rado lá, a casa dele já era também a dela.

— Eu já arrumei toda a mudança. — Ela estava sorrindo e chorando ao mesmo tempo, e se sentia tão, mas tão orgulhosa, e segura, também, e pela primeira vez em muito tempo, abso­lutamente certa do que fazia.— É melhor eu telefonar para a minha mãe e contar a ela. Ela deve estar vindo para cá logo.

— O que será que ela vai dizer?

— Provavelmente, vai ficar aliviada. — Demi riu. — Eu não sou a pessoa mais fácil de conviver.

— Eu mal posso esperar — ele murmurou.

Joe não queria que ela ficasse — não — que elas ficassem naquele apartamento velho e vazio por mais um minuto sequer. Ele as queria em casa, com ele, o lugar onde elas pertenciam. As caixas, o bercinho, as malas e a banheira do bebê, o carro, tudo podia esperar até depois, então, Demi telefonou para Rita, e Joe arrumou uma pequena mala para Willow, e eles desceram a rua empurrando o carrinho, mas desta vez como uma família.

Ela era uma criança tão boazinha, e dormiu por algumas ho­ras muito necessárias, enquanto Joe e Demi se beijavam, e faziam as pazes, e choravam um pouco também, e quando Demi finalmente adormeceu em seus braços, Joe ficou acorda­do, só para poder sentir o calor da pele dela. E quando ele ouviu Willow, que estava começando a se mexer no carrinho, sentiu finalmente o que faltara em sua vida por todos aqueles anos.

Paz.

Uma paz que não fora perturbada pelo choro de Willow, que permanecera, enquanto Demi tagarelava incessantemen­te ao preparar a mamadeira, e entregava a ele um pacotinho zangado, porque decidira que em vez de alimentar a filha ela mesma, ele podia muito bem fazer isso, enquanto ela aprovei­tava o spa no seu novo banheiro!

Paz, enquanto alimentada, trocada e contente, Willow era colocada de volta no carrinho e Joe montava o mobile para ela.
***

Paz. Perfeita paz, Demi ponderou, deitada no spa, os dedos de seus pés enrugados com a água quente, pensando em como ele amava as duas, mãe e filha. Ela olhou para a paisagem gloriosa na janela e viu um futuro maravilhoso, também.

— Case comigo! — Demi gritou para o silêncio.

— Eu estava para sugerir a mesma coisa — Joe disse, pa­rado na porta, rindo. — Nós poderíamos nos casar na praia, onde nos conhecemos...

— Presumo que isso seja um "sim"?

— É um sim... — Joe olhou para a praia lá fora, e quase podia vê-los, ver o casamento deles, Demi segurando Willow, o celebrante, as famílias e os amigos reunidos em volta, e qua­se podia ver Jen, com Daisy no colo, sorrindo. E aquilo era uma bênção, uma bênção muito esperada, poder pensar nelas, nas duas, e sorrir.

— Oh, bem, se você insiste... — Ela riu.

Perdido em pensamentos, ele não fazia ideia do que ela es­tava dizendo.

— Como?

— Eu acho que não há como convencer você do contrário... — Ela deu um suspiro dramático. — Acho que é melhor você entrar aqui e me atacar.

Ele jamais comparara as duas, porque não havia compara­ção possível, ele nunca poderia imaginar duas mulheres mais diferentes, e mesmo assim, amava ambas. Mas foi então, quan­do ele menos esperava, que ele teve o sinal que queria, aquele que estava esperando, o sinal de Jen, porque, por um segundo, ele podia jurar que a ouvira rir, podia jurar que a ouvira, dei­xando-o ir graciosamente, incentivando-o a prosseguir e viver uma vida maravilhosa.

E Joe riu, também.

Riu, ao entrar na banheira e juntar-se a Demi, para fazer exatamente o que ela ordenara.
Atacá-la.
~

Aqui está, o último! Relaxem, ainda temos o epílogo hgasdf' se vcs comentarem bastante eu posto hj, ok? Mari e eu pensamos em começar a nova fic amanhã... Portanto, comentem! Essa fic vai deixar sdds ♥ E não, não tem segunda temporada :/ mas a próxima fic é maravilhosa! Vocês n perdem por esperar haha' Beijos, amo vcs ♥
Bruna

25.10.14

Um Pequeno Milagre - Capítulo 12


~

— Joe Jonas.

Ela não ouviu o telefone tocar, apenas a voz de Joe quando ele o atendeu.

— Belinda Hamilton está de plantão neste final de semana. Não, eu a vi, ela estava no hospital mais cedo. — Ela sentiu os lençóis se movendo, Joe levantando da cama, ouviu o som do chuveiro ligado antes que a conversa estivesse terminada, e dois minutos depois, Joe, ainda molhado do banho, estava ao lado dela, vestindo os jeans.

— Eu preciso ir ao hospital.

— Algum problema?

— Talvez, Belinda não está atendendo às chamadas. — Ele a beijou e aquilo a confortou, mas de forma quase sin­cronizada, no momento em que ele saiu, as horas de sono dela terminaram, porque Willow acordou. Demi desceu as escadas e preparou uma mamadeira para a menina, e então a colocou na cama para alimentá-la. Foi a mamada noturna mais fácil da vida de Willow, a mamadeira estava vazia em poucos minutos, e ela adormeceu novamente. Willow mere­cia um abraço por ser uma menina tão boa, pensou Demi, e arrumou os travesseiros, aconchegando-se à filha e deter­minadamente ignorando a voz de sua mãe em sua cabeça, que lhe dizia que ela não deveria deitar-se na cama com o bebê.

E foi aquela cena que Joe encontrou quando voltou para casa. Depois de lidar com o problema no trabalho, ele passara no posto de gasolina, comprara suprimentos e estava pronto para cair na cama de novo. Durante o caminho de volta, tudo havia parecido lógico, e ele se sentira tão seguro. Ele havia ido até a casa de Belinda. Certo de que ela estava em casa, ele havia esmurrado a porta, e sentira uma pontada de medo, o mesmo medo que sentira quando chegara à casa e encontrara Jen. A casa silenciosa, e uma sensação horrível de que algo estava errado.

— Belinda! — ele gritara. — Eu vou chamar a polícia se você não abrir a porta.

— Desculpe! — A porta se abriu, e ele viu que os olhos dela estavam inchados de tanto chorar. — Eu não posso ir trabalhar.

— O que aconteceu? — ele perguntou, espantado.

— Você pode cobrir por mim hoje?

— Claro.

— Você pode ligar para a recepção do hospital e pedir a eles que avisem a você, se houver algum problema?

— Vou fazer isso agora — Joe disse, impedindo que ela fechasse a porta, quando ela tentou dispensá-lo. — Belinda, o que está havendo?

— Infecção intestinal.

— Não me venha com essa! — ele exclamou.

— Por favor, Joe.

Não era da conta dele. Desde que ela estivesse bem, era o que importava, mas o coração dele ainda estava acelerado quando ele entrou em casa, o gosto metálico do medo perma­necia em sua boca, e ele tomou um copo de água e mais outro antes de subir as escadas.

E então ele viu as duas na cama, enrascadas como duas gatinhas, dormindo tão tranquilamente, tão perfeitas e ino­centes. Mas ele havia se reconectado com o passado naque­la noite, havia sentido o gosto do medo novamente ao bater à porta de Belinda, e talvez aquele, Joe decidiu, tivesse sido o sinal que ele pedira a Jen. Talvez aquilo tivesse sido um aviso.

Demi se mexeu, acordou, e viu Joe sentado na beirada da cama.

— Como estão as coisas?

— Movimentadas. Eu tive que resolver algumas pendên­cias, já que eles não conseguiram encontrar Belinda.

— Isso não é típico dela — Demi comentou, franzindo a testa. — Você acha que ela está bem?

— Ela está bem — disse Joe. — Bem, não exatamente. Eu passei pelo apartamento dela no caminho de volta. Ela disse que está com infecção intestinal, mas eu acho que... — Ele não terminou. A vida pessoal de Belinda só dizia respeito a ela, e não devia ser comentada. — Não importa.

Demi sentiu que havia acabado de ser relegada a um se­gundo plano, sabia, embora fosse algo quase indefinível, que o que ela mais temia, perder o que acabara de encontrar, já havia acontecido.

— Eu vou colocar Willow de volta no carrinho. — Ela pen­sou que Joe iria pegar o bebê no colo, mas ele não o fez, então Demi levantou da cama e foi para o quarto de hóspedes, onde acomodou a filha no carrinho. Como Willow acordou e come­çou a resmungar, ela levou o carrinho de volta para o quarto de Joe, e encostou-o em um dos cantos enquanto ele se despia e ia para a cama.

Ela levou alguns minutos para acalmar Willow, e quando ela voltou para a cama, Joe estava dormindo. Ou fingia dormir.

Ela ficou olhando para as chaves e para o telefone dele, e para o pequeno embrulho de papel do posto de gasolina, saben­do o que ele continha e percebendo que eles não precisariam.

E ficou pensando no que poderia ter acontecido para mudar tanto as coisas em tão pouco tempo. Ela disse a si mesma que estava imaginando coisas, que estava exagerando.

Talvez ele estivesse mesmo dormindo, e não apenas fingin­do. A vista da cama era mágica, e deveria tê-la acalmado, quando ela se deitou ao lado dele, mas não acalmou.

Eles haviam concordado em ir devagar, jantares e encon­tros, e o sexo certamente não havia sido um problema. Mesmo inexperiente como era, Demi sabia com certeza que o que havia compartilhado com Joe era muito mais do que ela ja­mais esperara ou imaginara. Então, o que estava acontecendo de errado entre eles?

Embora agir de forma fria e sofisticada não fosse exata­mente o seu forte, embora ela quisesse abraçá-lo, acordá-lo com o beijo que o corpo dela exigia que ela lhe desse, rolar na cama macia e sentir os braços dele ao redor dela, Demi resis­tiu à tentação.

Aquilo era importante demais para julgar mal. Então, ela levantou da cama, com relutância, e verificou como estava Willow, ainda adormecida, antes de aproveitar o momento de paz para tomar um banho, porque se permanecesse deitada certamente quebraria àquele silêncio tenso.

Ele ficou deitado, imóvel, à beira de tomar uma decisão. Joe sabia que ela estava acordada, sabia que ela estava espe­rando por ele, sabia que a noite passada a havia deixado con­fusa. Ele estava confuso, também.

Com Willow no quarto, ele não conseguira pregar o olho. Não eram as pequenas fungadas da menina que o mantinham acordado, era o silêncio que o atormentava.

Ele atravessou o quarto, verificou se ela ainda estava res­pirando, e é claro que estava. De fato, quando ele olhou para Willow, ela imediatamente abriu os olhos e sorriu para ele.

Mas Joe lutou para retribuir o sorriso. Em vez disso, ele tentou voltar para a cama, mas ela o tinha visto agora, e estava começando a chorar.

Deus, ele esperava que Demi não demorasse muito no banho. Joe desceu as escadas, fez café para os dois e preparou a mamadeira de Willow, rangendo os dentes quando o choro dela ficou mais forte, e imaginando se Demi já teria saído do chuveiro quando ele voltasse para o quarto.

Esperando que ela tivesse saído.

Ele voltou para o quarto, e colocou a mamadeira e as xíca­ras em uma mesinha, tentando ouvir por detrás da porta do banheiro, ele percebeu que o chuveiro ainda estava ligado. Será que ela não estava ouvindo Willow chorar?

Certamente que estava!

Joe olhou para o carrinho, pegou a chupeta do bebê e colo­cou-a em sua boca, mas Willow cuspiu-a, revoltada, com os olhos fixos nele, as lágrimas escorrendo, como se estivesse pedindo a ele para pegá-la no colo. E ele tentou, dizendo a si mesmo para fingir que estava no trabalho, onde ele operava no piloto automático, mas não estava funcionando.

Ele queria pegá-la no colo, e até mesmo colocou as mãos no carrinho, pronto para fazê-lo... mas se afastou, e tentou ba­lançar o carrinho em vez de segurar o bebê, rezando para Demi sair do chuveiro e vir acalmar a filha.

De que diabos ele tinha tanto medo?

Irritado consigo mesmo, Joe andou pelo quarto. Ele iria até lá, pegaria o bebê no colo, e acabaria logo com aquilo. Foi então que ele ouviu o bip do telefone de Demi.

Dean

Ele não leu a mensagem, mas sentiu um arrepio, como uma sombra, como um grande pássaro preto no céu, que pudesse, num voo rasante, tirá-las dele a qualquer momento...

— Willow! — Ainda molhada, enrolada em uma toalha, Demi correu para o carrinho, pegando a filha no colo, sentin­do seu rostinho quente e vermelho e voltando os olhos acusa­dores para ele. — Ela estava soluçando!

— Eu ia bater à porta e chamar você — ele disse, patetica­mente.

— Bater? — Demi olhou para ele, de boca aberta. — Você nem pensou em pegá-la no colo?

— Eu estava fazendo café — Joe disse, na defensiva. — E a mamadeira dela.

O que parecia bastante lógico e razoável, percebeu Demi, mas bebês não eram nem lógicos, nem razoáveis, e Willow precisava de colo.

— Você pode segurá-la para mim? — A voz de Demi tra­zia uma ponta de desafio. — Eu preciso me vestir...

— Eu preciso tomar banho e me vestir também — Joe mentiu. — O hospital acabou de ligar, eu preciso ir trabalhar.

— Joe... — Para alguém normalmente tão emotiva, a voz de Demi estava assustadoramente calma. —Eu não estou pedindo a você que a alimente nem que a troque, eu estou pe­dindo a você para segurar Willow por dois minutos.

— Desculpe. — Ele sacudiu a cabeça. — Eu tenho que me arrumar.

— Joe? — Ela não conseguia acreditar, não conseguia acreditar na maneira com que ele estava agindo.— Eu não estou lhe pedindo que...

— Olhe — Joe interrompeu — ela não é minha... — Ele não terminou, sua boca se fechou, antes que aquela manhã se tornasse um pesadelo, mas Demi terminou por ele.

— Não é sua o quê? Não é problema seu? — Ele não quise­ra dizer aquilo, mas era mais fácil concordar do que explicar. — Deus. — Demi deu uma risada seca. — Eu realmente sei escolher cretinos, não é?

Joe não respondeu, e ela continuou:

— O que exatamente você queria dizer com ir devagar, Joe? Que quando ela fosse para a faculdade nós poderíamos ir morar juntos? — ela disse, sarcasticamente.

— O pai de Willow acabou de mandar uma mensagem...

— Não ponha a culpa disso nele! — Demi retrucou. — Você está estranho comigo desde a noite passada. — Quando ele não respondeu, ela perguntou novamente: — O que você queria dizer com ir devagar, Joe?

— Eu não sei.

Ela olhou para a filha, a pessoa mais importante do mundo para ela, e soube o que precisava fazer.

— Eu não vou fazê-la passar por isso. — Willow estava co­meçando a choramingar. O colo de sua mãe era um lugar bom, mas seria ainda melhor com a mamadeira. — Eu deveria ter ouvido você desde o começo. Você não quer filhos, e eu tenho um bebê. — O telefone dela fez outro bip, e Demi rangeu os dentes. Que diabos Dean poderia querer?

— É melhor você ver o que o pai dela quer! — Joe já esta­va perdendo a paciência. Ela estava certa, Willow merecia coi­sa melhor do que ele, e a única forma de aquilo acontecer era terminar tudo, terminar de verdade. — Afinal, ela é responsa­bilidade dele.

— Correção! — Demi cuspiu, odiando-o demais naquele momento para chorar. — Ela é minha responsabilidade. Ele não respondeu, simplesmente foi para o chuveiro.

— Você pode até ficar feliz de se livrar de mim e de Willow, Joe — ela gritou para as costas dele. — Mas não faz ideia do que acabou de perder. — Ele fechou a porta atrás de si e soube, porque conhecia Demi, que ela teria partido quando ele saís­se do banho, que ela não ficaria ali para discutir. Ele ligou o chuveiro no máximo e rezou para que ela fosse embora logo, porque apesar da água abafar o som do choro de Willow, não abafaria o som do choro dele.

Não era Willow o problema dele.

Ele se sentou no chão do chuveiro e segurou a cabeça entre as mãos.

O problema era a sua própria filha.
***


Era uma dor como Demi jamais havia experimentado.

À rejeição não era somente a ela, ela podia lidar com isso, já havia lidado com isso no passado, e poderia lidar novamente agora. Era a rejeição a Willow que a machucava, uma dor tão aguda quanto a de uma ferroada, mas que não desaparecia.

Seria aquele o preço da maternidade? Que o homem de seus sonhos pudesse sé afastar dela tão facilmente? Bem, que fosse assim, então.
***

— Quanto tempo você vai demorar? — Sua mãe estava para­da à porta, segurando Willow no colo.

— Eu não sei — Demi estourou. Depois de semanas in­sistindo para que Demi falasse com o pai de Willow, agora que o momento chegara, sua mãe estava exigindo prazos! Será que ela não percebia o quanto aquilo era difícil? — Tem mamadeiras prontas na geladeira.

— Você vai voltar para buscar Willow, não vai? — Aquilo nem sequer merecia resposta, e Demi rangeu os dentes. — Talvez você devesse levá-la...

— Mãe! — Não era um estouro desta vez, mas um pedido para que ela parasse de se preocupar, de interferir... e então, Demi entendeu, teve a resposta da pergunta com que lutava havia semanas, não, meses, agora. Sete semanas como mãe, e Demi estava começando a compreender como as coisas funcionavam, aquela preocupação interminável, dolorida, duraria mais do que a gravidez, mais do que os primeiros dias ou meses. Ela estava condenada, para a vida inteira, a sentir aquele temor pela filha, da mesma forma que ocorria com sua própria mãe. E quando sua voz voltou, estava mais gentil, mais razoável, mais amistosa, até. — Eu não vou desfilar com Willow na frente dele, ele nem se­quer pediu para vê-la. Eu só vou ver o que ele quer.

— O que você quer?

— Eu não sei — Demi admitiu. — Algum tipo de pai para Willow, eu suponho...

— E se ele a quiser de volta? — Era a primeira conversa real que elas tinham em anos, e Demi estava finalmente pronta para responder honestamente.

— Ele me perdeu há muito tempo, mãe. Eu só vou me en­contrar com ele pelo bem de Willow.

— Tenha cuidado — Rita disse, e Demi assentiu.

— Não se preo... — As palavras morreram em seus lábios, e Demi sorriu. — Tudo bem, preocupe-se à vontade, mas você realmente não precisa. O que quer que ele tenha a dizer, Willow e eu vamos ficar bem.
***


Olhando para ele novamente, Demi se sentiu mais velha, e talvez, possivelmente, um pouco mais sábia.

Não havia mais nada daquele pico de adrenalina que ela sentira, como aluna, a cada vez que ele entrava na sala de aula, ela não enrubesceu quando ele falou, nem esperou ansiosa por cada palavra dele, Querendo ou não, ela havia verdadeiramen­te amadurecido, e podia ver Dean exatamente como ele era agora: uma triste caricatura de homem, que havia abusado da ingenuidade dela, que havia tirado vantagem da paixão perfei­tamente normal que ela sentira, quando era ele quem deveria ter pensado melhor.

As regras existiam por um motivo.

Foi um encontro muito rápido, e nem um pouco agradável. Ele queria certificar-se de que sua vida perfeita não estava para acabar, e de que Demi não iria, de repente, mudar de ideia e bater na porta dele, uma certeza que ela ficou bem feliz de dar a ele!

— O que você vai dizer a Willow? — ele perguntou, des­confiado.

— A verdade — Demi olhou para ele, friamente. — Pro­vavelmente, uma versão mais positiva. Eu vou omitir a parte em que você se ofereceu para pagar por um aborto, mas ela vai crescer sabendo a verdade. E quando ela tiver idade suficiente, o que ela vai fazer com essa verdade será decisão dela, Dean.

E então, não havia mais nada a dizer, absolutamente nada, è ela não se importava mais.

Demi se levantou e saiu da cafeteria, respirou fundo, e respirou fundo de novo. Até que finalmente ela se acalmou, e conseguiu deixar Dean no passado, de uma vez por todas. Ela colocou um pé na frente do outro, e repetiu o processo, continuou a colocar um pé na frente do outro, e percebeu que estava andando.
Caminhando e prosseguindo com o resto de sua vida.
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Aqui, meus amores <3333 Estão gostando msm da fic ♥ Ela já está bem no finzinho, esse é o penúltimo capítulo... Comentem para o próximo! Beijos, amo vcs ♥
Bruna.

Um Pequeno Milagre - Capítulo 11


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Demi não se importava mais com o filme, de repente, ela queria vê-lo, e se virou no sofá, de modo que as pernas dele tiveram que prender as dela para evitar que ela caísse. Ele po­dia ver os lindos olhos dela brilhando na escuridão, e queria protegê-la, inclusive de si mesmo, mas por Deus, ele também queria beijá-la, mergulhar de cabeça naquele prazer, e ao mes­mo tempo tinha que deixar as coisas bem claras.

— Nós vamos devagar.

— Eu sei.

E então, ele podia beijá-la, beijá-la de verdade, desta vez, e ela podia beijá-lo também, um beijo lento e delicioso que não era estranho, apenas exigiu um pouco de ajuste, porque ela estava abaixo dele e mal equilibrada. Ele a puxou contra si um pouco, e a perna nua dela ficou presa entre as dele, vestidas em um jeans apertado, e enquanto a língua dele deslizava para dentro de sua boca, enquanto seus lábios se apertavam com mais força, Demi percebeu que se quisesse permanecer no sofá teria que entrelaçar a outra perna à dele.

Ele cheirava como Joe... como o primeiro beijo, mas desta vez ela se sentia sensual, em vez de cansada, se sentia viva, em vez de esgotada, e se sentia desejada, em vez de protegida.

Ela estava ficando tonta.

Ela estava mordendo o lábio inferior de Joe, sua pequena mão passeava pelas costas largas dele, e a sensação do jeans áspero dele em sua virilha...

— Demi... — Ele se afastou um pouco, enquanto ela se apertava mais ainda contra ele. — Eu pensei que estávamos indo devagar!

— Não com esta parte — ela murmurou.

Eles se beijavam como adolescentes, sem uma intenção real: só que, diferente do resto de seu corpo, o braço de Joe começou a ficar dormente, então, ele a virou, de forma que ela ficasse deitada de costas, e ele pudesse ficar por cima dela, seus cotove­los afundando no sofá, enquanto ele a beijava profundamente.

Aquele não era um beijo perigoso, porque eles não planeja­vam progredir para nada mais sério naquele momento. De cer­ta forma, os dois sabiam disso, mas mesmo assim, precisavam de uma confirmação verbal.

— Nós não podemos — disse Joe, quando a coxa de Demi deslizou por entre suas pernas, e a mão dela escorregou para dentro de sua camiseta, acariciando-lhe as costas e sen­tindo a maciez de sua pele, a firmeza de seus músculos, e ela arqueou o corpo contra o dele. — Eu não tenho nada aqui comigo.

— Eu sei — ela arfou. — Mas eu coloquei um DIU...

— Não. — Ele parou, então, porque ela era preciosa demais para correr riscos. — Você não pode confiar apenas nisso.

— Então, vamos continuar só com os beijos... — A boca de Demi estava colada à dele, e seu corpo era uma massa vi­brante de desejo sob o dele. Já era muito mais do que apenas um beijo, mas Deus, como era bom.

— Eu acho que podemos ir um pouco além disso — ele prometeu. A mão dele estava afastando a blusa dela agora, os seios dela macios e quentes sob seus dedos. Isso era tão mais do que um beijo, enquanto os dedos dele acariciavam os seios dela com habilidade.

Ela sempre havia considerado seus seios inúteis, e agora eles eram como pequenos fracassos murchos, já que ela era incapaz de amamentar Willow, mas agora, eles cresciam sob os dedos dele, e a sensação da boca e da língua de Joe sobre eles era sublime.

Ela apertou o corpo ainda mais contra o dele, podia sentir a ereção dele, e queria chegar mais perto...

— Joe... — ela murmurou, suavemente. — Ela podia sen­tir pequenos espasmos de prazer em seu estômago, e aquilo a alarmou, porque ele a estava virando de lado e ela não tinha para onde ir, exceto o encosto do sofá, com o peso maravilho­so de Joe sobre ela. A mão dela deslizou para o zíper dos jeans dele, e ela sentiu sua solidez, ouvindo-o gemer. — Joe... — ela não sabia por que continuava a repetir o nome dele, mas não conseguia evitar. Seus dedos começaram a abrir a fivela pesada do cinto de Joe, mas a mão dele a interrompeu.

— Não, isto é só para você — ele disse. Ele não tinha a intenção de bancar o mártir, também estava perdido, mas bem lá no fundo queria que ela soubesse que aquele momento po­dia ser só dela, que podia ser simples assim...

Ele a estava beijando com força, um beijo molhado e deli­cioso, e tão profundo que ela não queria se mover, nem respi­rar novamente.

Haveria algum lugar melhor do que aquele sofá, com ela? Joe estava se sentindo com 18 anos de novo, mas não havia sido tão bom assim, naquela época.

Ele estava abrindo o zíper dos shorts de Demi, puxando-os pelo quadril. Enquanto ele apertava o corpo dela contra o seu, sua boca passeava pelo pescoço dela, beijando-a, tentan­do se lembrar de não deixar nenhuma marca, porque era a úl­tima coisa de que ela precisava, indo para a casa da mãe. Ele estava feliz de não ter um preservativo em casa, porque queria tanto simplesmente mergulhar nela. Ele estava segurando os quadris dela agora, guiando-a contra sua ereção, ainda escon­dida seguramente sob seus jeans. Joe pensou que explodiria com a pressão deliciosa que aumentava, mas estava determi­nado a não deixar isso acontecer, porque mesmo naquele mo­mento, ele estava pensando nela. Porque Demi estava perdi­da em si mesma, saboreando a experiência e compensando por tudo o que havia perdido, aqueles pequenos espasmos de pra­zer dentro dela estavam aumentando, como a música de uma orquestra. Ela podia ouvir um murmúrio, e percebeu que era ela, murmurando enquanto contornava a cintura dele com as pernas, chegando ao clímax sócom um beijo, e só para ele.

— Willow... — ela balbuciou, sentindo-se como se estives­se bêbada, quando o som estridente do choro de seu bebê a trouxe de volta para um lugar maravilhoso. O beijo dele deu-lhe as boas-vindas, lentamente, até que ela percebeu que po­dia, de fato, respirar, e depois, com as pernas trêmulas e toda desarrumada, ela ficou de pé na frente dele, puxando os shorts para cima novamente, mais do que um pouco envergonhada, mas ao mesmo tempo relaxada.

E então ela sorriu para ele, aquele sorriso maravilhoso, e ele sorriu de volta, e ela decidiu que mesmo que aquele abraço fosse tudo o que ela podia ter por enquanto, já era mais do que suficiente. Aquele momento havia sido, simplesmente, a me­lhor coisa que já acontecera a ela.

Joe jamais havia esperado sentir algo novamente. Com o passar dos anos, ele havia tentado, e durante as últimas sema­nas, ele havia resistido, mas sentimentos não ouvem a voz da lógica.

Finalmente, ele estava começando a acreditar.

Havia duas taças no escorredor, e o som dos passos dela ecoou pelas escadas enquanto ela descia ao encontro dele depois de acalmar Willow, e havia essa presença adorável que enchia cada cômodo da casa. Pela primeira vez em anos, ele podia vislumbrar um futuro, não feito de tijolos ou jardins, ou de horas preenchidas com trabalho, mas de horas, e noites, junto dela.

Talvez ele pudesse se acostumar com isso.

— Oi. — Ela estava de pé na cozinha, as mãos para trás das costas, os cabelos longos e castanhos quase negros, com a bai­xa iluminação da sala. Os olhos dela estavam brilhando, e ela estava sorrindo de um jeito provocante, que exigia cautela.

— Como está Willow? — ele perguntou.

— Dormindo, de novo — disse Demi. — Como você está?

— Bem — ele disse, porque era verdade. Ter Demi por perto estava fazendo com que ele se sentisse maravilhosamen­te bem.

Deus, ela estava linda, de pé ali> simplesmente sorrindo, com o rosto enrubescido, os olhos brilhando e o botão dos shorts ainda aberto.

Ele estava excitado novamente, e se virou, fazendo um grande espetáculo ao lavar as duas taças, para dar a si mesmo um pouco de tempo para se recuperar.

Ela caminhou até ele e beijou-o na boca, e ele retribuiu o beijo, seus braços envolvendo-lhe a cintura, as mãos molhadas e ainda cheias de sabão segurando-a, mas ela não o abraçou de volta, apenas continuou beijando-o.

— Qual mão você prefere? — Ela interrompeu o beijo e sorriu para ele maliciosamente.

Ele franziu a testa.

— O que você está aprontando?

— Qual mão? — ela repetiu.

Joe estava sorrindo e franzindo a testa ao mesmo tempo. Ele estava começando a ter uma ideia de para onde aquilo estava indo, mas decidiu ignorá-la, porque havia descartado a hipótese com determinação.

— Esquerda ou direita? — Demi provocou.

— Esquerda.

Ela ofereceu a ele a mão que estivera atrás de suas costas, sem revelar o que estava escondido nela.

— Abra.

Joe abriu os dedos dela, e viu a pequena embalagem pratea­da, a chave para o paraíso, e ficou muito tentado a agarrar a oportunidade.

— Demi...

— Antes que você diga qualquer coisa — ela riu — eu nem sabia que os tinha. Eu ganhei uma sacola de amostras grátis do hospital, e estava procurando por uma pomada contra assaduras para Willow... — Ela não tinha que explicar mais nada, e ele sorriu e a interrompeu, puxando-lhe a outra mão e abrindo-a, para revelar o mesmo conteúdo.

— Isso é trapaça — Joe disse.

— Por quê?

— Porque eu não posso perder.

— Talvez você mereça ganhar.

Deus, desde a morte de Jen, sexo para Joe havia sido ape­nas... sexo. Bom, ruim, ou indiferente, era tudo o que havia sido. Mas com Demi?

Ele olhou para aqueles olhos cor de mel, seu corpo carre­gado de eletricidade com a lembrança do antes e a possibili­dade do depois, o gosto do beijo dela ainda em seus lábios.

— Eu não quero apressar você — ele disse, com a voz meio rouca.

— Eu quero que você me apresse — ela murmurou em res­posta, Como ela poderia explicar a ele como ele a fazia se sentir diferente? Sexo havia sido um mistério para Demi até que ela conhecera Dean, e mesmo assim, tudo o que ela havia tido com ele fora completamente diferente do que havia expe­rimentado com Joe até então. Com Dean, havia sido um ato lógico, planejado. Eles reservaram um hotel para uma noite de sexta-feira, e ela havia se preparado para a ocasião durante toda a semana, o nervosismo aumentando como a maré, da mesma forma que a decepção depois do fato.

Mas naquela noite, com Joe, seu corpo apertado contra o dele, beijando-o, ignorando o filme como dois adolescentes se agarrando no cinema, ela tivera mais consciência do pró­prio corpo do que em toda a sua vida, do êxtase de um beijo, e da intimidade de duas pessoas bloqueando o mundo lá fora e não deixando ninguém mais interferir. Não era nem lógico, nem planejado. E ela certamente não estava em forma, nem bronzeada!

Mas tudo parecia certo.

— Você sabe que eu estou me mudando de volta para casa, Joe, e nós não vamos poder nos ver com tanta frequência, mas só por esta noite...

— Você tem certeza?

Ela ficou tentada a dar uma resposta cínica, mas pensou melhor, olhando para aqueles olhos verdes tão lindos, e não havia outra resposta possível, era assim que deveria ser, aquilo era tudo o que importava, porque era Joe quem estava ali, e ela sempre, sempre o desejara. Agora, finalmente, ela podia tê-lo. A simples ideia de que ele queria construir algum tipo de futuro com ela, independentemente de como aquilo iria acon­tecer, a deixava atônita.

— Totalmente — disse Demi. — Embora... — Ela fechou os olhos.

— Diga-me — ele pediu.

— Eu não quero decepcionar você.

— Você jamais poderia me decepcionar — ele disse, enfa­ticamente.

— Oh — ela deu uma risadinha seca —, eu posso surpreender você.

Ela podia ser mãe, mas tinha pouco mais experiência sexu­al do que uma ameba, e a maior parte dessa experiência havia sido adquirida naquela noite, na sala da casa de Joe.

Ele a beijou até eles chegarem ao quarto, e continuou de­pois, mas aquilo não acalmou os nervos dela.

Enquanto Demi corria para o banheiro, Joe aproveitou o momento... para virar rapidamente a foto de Jen para a parede.

Demi estava de pé em frente ao espelho, falando consigo mesma e amaldiçoando sua falta de preparação para o que es­tava para acontecer. Ela não se depilava havia semanas, e, por mais magra que estivesse, graças a Willow havia partes de seu corpo que estavam bastante flácidas, de um modo que ela ja­mais vira antes. Mesmo que Joe assegurasse a ela que não a estava comparando com a esposa, Demi estava, imaginando os tops esportivos perfeitos de Jen, em comparação com o seu, um desbotado sutiã de maternidade.

Ela respirou fundo, reuniu coragem e voltou para o quar­to, onde Joe estava esperando por ela. Ela tremeu de nervo­sismo e pensou em celulite enquanto se despia, dividida en­tre a vergonha e o desejo, mas então Joe começou a beijá-la de novo, suas mãos acariciando-a, parecendo não se impor­tar com o estado pós-gravidez do corpo dela. Aparentemente gostando do que via, como Demi logo percebeu. Então, por que desperdiçar duas mãos tentando se esconder, quando ha­via quase dois metros de um corpo de homem pressionado contra o dela?

— Nós vamos bem devagar... — ele disse, deitando-a na cama cuidadosamente. Ele se deitou também, de frente para ela, e beijou-a. As pernas dele, agora sem os jeans, se entrela­çaram às dela, pernas longas, musculosas, e ela se viu, de repente, tremendo com uma mistura de excitação e medo, sen­tindo-se como se estivesse para virar a página de uma prova e rezando para ter estudado o bastante...

— Do que é que você está com medo? — ele perguntou, arqueando uma sobrancelha para ela.

— Eu não sei — ela sussurrou em resposta, fechando os olhos novamente.

Joe odiava o homem que havia tirado a autoconfiança dela, antes mesmo que tivesse tido tempo de se fortalecer. Odiava as dúvidas dela, mas ele tinha certezas suficientes para os dois. Mas o fato dela ter medo de algo tão maravilhoso o entristecia, também.

Ela estava tremendo de nervosismo quando ele a tomou nos braços. Aquilo era tão diferente de antes, porque desta vez ela sabia para onde as coisas estavam indo. Era tão adorável estar deitada ali com ele, tão grande e masculino... e todo dela. En­quanto eles se beijavam, ela explorava o corpo dele lentamen­te, suas mãos correndo pelos braços dele, sentindo-os sólidos e fortes. Depois ela acariciou seu peito, musculoso e ao mes­mo tempo suave. A boca de Demi acompanhou suas mãos, ela beijou a pele dele enquanto ele a acariciava e acalmava. Envolvida na proteção quente de pele e músculo e Joe, as mãos dela desceram pelos quadris dele e encontraram coxas sólidas. Ela podia senti-lo acariciando sua cintura e seus qua­dris, e então era a boca de Joe que a estava explorando, beijan­do seus seios, uma das mãos deslizando para baixo e tocando seu estômago em carícias circulares. Se houvesse um músculo sequer em forma ali, talvez ela tivesse pensado nisso e contra­ído a barriga, mas não havia, e de qualquer modo, Demi não estava realmente pensando, sua garganta apertada de nervosis­mo, enquanto a mão dele descia ainda mais. Então, ele a esta­va acariciando e ela deu pequenos gemidos, fingindo estar gostando, mas estava envergonhada demais para aproveitar o momento. Ele a beijou de novo, e ela parou de fazer todos os ruídos certos e o beijou de volta, concentrando-se no beijo, e tentou não resistir quando ele escorregou os dedos para dentro dele, enquanto seu polegar a tocava suave e ritmicamente. De repente, ela não conseguia mais respirar, tentou puxar o ar, e tentou novamente, fazendo o mesmo tipo de barulho de antes, mas agora ele vinha de um lugar diferente, de um lugar invo­luntário que também a fazia suspirar e gemer e esquecer de tudo o que não fosse Joe, e como ele a fazia se sentir.

Ela finalmente teve um homem em sua mão, pela primeira vez, explorando-o, sentindo-o deslizar por entre seus dedos, simplesmente tocando-o e experimentando, deliciada com o que havia encontrado.

Joe foi paciente até que não conseguiu mais se segurar. A inexperiência dela o preocupava, não por ele mesmo, mas por ela, ela confiava demais, era ingênua demais. Ele entregou o preservativo para ela, aquilo era algo que ela deveria saber como fazer. E foi ele quem acabou guiando os dedos desajei­tados dela, enquanto ela tentava colocar o preservativo nele, mas, ansiosa e nervosa demais, acabou rasgando-o.

— Nós só temos mais um! — ela choramingou, envergo­nhada com sua falta de jeito. Ela preferia que ele próprio colo­casse o preservativo, mas Joe foi insistente.

— Eu vou até o posto de gasolina se for preciso, e compro mais, se você rasgar este — ele grunhiu. Deus, ele esperava não precisar! A prática, às vezes, não garante a perfeição, mas um professor paciente ajudava, e Demi ouviu o gemido de prazer de Joe enquanto ela colocava o preservativo nele, len­tamente. Apavorada com suas unhas, ela desenrolou a camisi­nha com as palmas das mãos, e então ela o estava segurando carinhosamente, orgulhosa de seu trabalho, enquanto os dedos dele deslizavam ainda mais profundamente dentro dela.

— Eu não quero machucar você... — ele arfou. Ele estava, de repente, posicionado no lugar exato, e ela ficou tensa com expectativa e medo. Mas logo ele estava dentro dela, só um pouquinho, suas mãos segurando os quadris dela e ajudando-a a relaxar até que o medo se desvaneceu e ela permitiu que ele continuasse. Mas ele foi tão incrivelmente delicado, tão forte e seguro que só havia puro êxtase em ir devagar. Sempre hou­vera, no vasto repertório de exatas duas vezes dela, um mo­mento em que ela se perguntara "É só isso? E com isso que o mundo inteiro se importa tanto? E só isso que existe?"

Não, aquilo era tudo o que existia.

Tudo o que ela queria, e tudo o que ela queria ser...

Ele a estava deitando de costas agora, seu corpo esbelto mo vendo-se sobre ela, e era sublime... até que ela perdeu o ritmo, e Joe lidou com a situação facilmente.

— Fique parada. — As palavras dele eram um sussurro bai­xo em seu ouvido. Parada? Ela não deveria estar se mexendo? Certamente, ficar parada não era.

"Fique parada", ele disse novamente, e ela obedeceu. Ela simplesmente ficou ali, deitada, experimentando a sensação maravilhosa de tê-lo dentro dela, do cheiro dele ao redor dela, e ela realmente tentou ficar parada, mas seus quadris continu­aram a mover-se, e seu corpo continuou se arqueando para encontrar o dele.

"Fique parada...", ele repetiu, e ela tentou mais ainda, mas não conseguia, e de repente estava se movendo junto com ele, ajustando o ritmo, e Joe não estava mais lhe dizendo o que fazer, porque com aquela pausa ela finalmente acertara. Sem precisar de muito esforço, de repente, tudo ficara fácil.

Os lábios dela percorriam a pele do peito dele, e ela explo­rou-o com a língua, suas pernas entrelaçadas com as dele, e seus tornozelos tentando encontrar um apoio, mas ele era tão largo que ela mal conseguia. Foi então que ela sentiu algo mudando nele, algo que ela jamais esperara do reservado e reti­cente Joe, porque ele estava perdido naquele lugar mágico também. Não havia um modo de definir o que estava aconte­cendo, nada específico com o que medir a mudança, mas de repente, ele estava gemendo o nome dela e esquecendo a gen­tileza por completo. Demi o incentivava, não com palavras, mas com beijos em seu peito e com as mãos que deslizavam pelos quadris dele, puxando-o para mais perto. Ele estava to­talmente concentrado nela, tanto que ela se sentia tonta com a intensidade do foco total dele no prazer dela, até que ela atin­giu o clímax, um orgasmo profundo que o convidou a unir-se a ela. E ele o fez, sucumbindo, tremendo com a liberação, e levando Demi a um lugar onde não havia som nem silêncio, pensamento ou desejo, somente eles e o ritmo de seus corpos se encontrando e mentes se fundindo. Ela havia vislumbrado pura magia, e não queria voltar, nem deixar aquele lugar, nun­ca mais.

Ele a beijou enquanto ela se recuperava e voltava para o mundo real, e então Joe rolou para o lado e Demi estava subitamente assustada, com medo de perder o que quer que eles tivessem acabado de encontrar, com medo de se afastar daquele lugar. E ela o beijou. Deitando-se sobre ele, ela o bei­jou profundamente, sua mão acariciando-lhe o cabelo, num pedido silencioso para que ele não a deixasse, para que ele não retornasse para aquele lugar distante dentro de si mesmo, por­que ela havia visto o Joe real agora, havia visto os dois, tal­vez, vislumbrando a maravilhosa possibilidade de uma vida juntos, e não queria que aquilo desaparecesse.
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Oláa! Como vão? Eu vou bem... Desculpe a demora para postar, só consegui entrar aqui agr, hum... Respondendo a pergunta da Cassia, acredito que já temos sim! E ela é perfeita, n vou dizer mais nd para n estragar a alegria de vcs :x Comentem para o próximo, vou tentar postar mais um hj dependendo dos comentários ;) Beijos, amo vocês ♥
Bruna.