22.6.14

Emoção - Capitulo 12

 
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Atualmente
Chicago, 24 de dezembro de 2014

JOE ESTAVA na casa dos pais fora da cidade quando veio um telefonema dizendo que Chip fora levado ao hospital. A pessoa que ligou informou a ele que o senhor havia ido lá fora para ajudar depois de um acidente, e que o esforço para desatolar o carro da neve aparentemente lhe causara um enfarte.

O policial que ligou não tinha mais informações, mas aquilo foi o suficiente para fazer Joe retornar à cidade. Ele não tinha os números dos outros guardas consigo, nem poderia ter certeza de que eles conseguiriam entrar no escritório. Ele não fazia ideia se Chip ao menos havia trancado as portas principais quando saíra para ajudar o motorista, então alguém precisava ir até lá. E a bola sempre caía na mesa do chefe.

Ir dirigindo seria terrível, e ele já sabia que teria de passar a noite inteira no escritório. Felizmente Stella havia providenciado o sofá-cama. Além disso, ao passo que todos estavam decepcionados, especialmente sua irmã mais velha, que havia acabado de chegar com a família para passar as festas de fim de ano, Joe não podia negar que não se importava por abandonar toda aquela alegria natalina. Ele não conseguia parar de pensar em Demi, e quanto mais tempo permanecia ali, mas havia chances de alguém notar isso. Ele simplesmente não estava no clima para dar explicações a um pai ou sobrinho barulhento.

Eram quase 2h quando ele chegou lá. A viagem levara três horas exaustivas e estressante. Os arados mal eram capazes de dar conta da neve espessa… ele recebera alguns olhares de bronca de alguns dos motoristas quando os seguira pelos trechos recém-arados da estrada.

O estacionamento particular não estava arado, é claro, e Joe estava feliz por estar dirigindo um utilitário esportivo monstruoso com tração capaz de limpar as áreas com uns 30cm de neve. Estacionando, ele se agasalhou, então saiu, o corpo imediatamente golpeado pelo vento intenso. O vento uivava estranhamente na noite e a neve parecia estar se movendo em todas as direções, para cima, para baixo, para os lados. Não que desse para ver muita coisa diante do rosto, e Joe percebeu o motivo de repente.

Não havia luz. Em lugar nenhum.

Blecaute. Maravilha.

Felizmente, o prédio era bem isolado e muito quente. Ele tinha alguns cobertores extras para o sofá; ficaria bem durante a noite, e com sorte a energia estaria de volta de manhã. Se encurvando contra o vendo que tentava derrubá-lo a cada passo, Joe seguiu pela neve úmida até a entrada, encontrando as portas trancadas. Ele possuía uma chave mestra, e a usou para entrar. As luzes de emergência conferiam pouca iluminação ao saguão, e ele seguiu cuidadosamente até a mesa do segurança, sabendo que havia algumas lanternas industriais armazenadas ali. Pegando uma, ele seguiu para as escadas, marchando de volta pelos seis andares poucas horas depois de tê-los descido em disparada. Subir, definitivamente era mais demorado.

Assim que chegou ao seu andar, estava pronto para dormir.

Aparentemente ainda ia nevar por mais uns dias, então ele teria muito tempo para trabalhar. Agora, estava exausto, física e emocionalmente, e só queria dormir.

Uma vez dentro do escritório, em território familiar, Joe desligou a lanterna. Esperava que a luz retornasse no dia seguinte, mas se não acontecesse, desejava poupar a bateria.

Espreguiçando-se, ele tirou o casaco molhado e removeu os sapatos, então cruzou o escritório até a pequena área reservada.

Joe se movimentava cautelosamente; estava ainda mais escuro naquele canto, pois não havia janelas. Ele ainda conseguiu a façanha de bater na quina do sofá-cama, e murmurou um xingamento. Então, feliz pelo dia ter terminado, e por não poder ficar mais louco, ergueu as cobertas e se deitou.

Um barulho cortou o silêncio. Um suspiro baixo.

O que …?

O som o surpreendeu, colocando-o em vigília total. Esticando as mãos cuidadosamente, ele tateou o outro lado do sofá-cama… e sentiu um corpo sob as cobertas.

– Joe? –perguntou uma voz feminina delicada e sonolenta.

Uma voz feminina familiar.

– Demi? – sussurrou ele, chocado.

Era ela mesmo? Ele conhecia aquela voz, e agora sentia o cheiro do perfume doce com notas de canela que ela sempre usava.

Ela murmurou algo e se remexeu, chegando mais perto, como se atraída pelo calor dele. Os olhos dele se adaptaram um pouco à escuridão, ele viu o rosto lindo dela. A pele macia, a mecha de cabelos escuros caindo na bochecha, a boca perfeita levemente franzida.

E ela havia dito o nome dele enquanto dormia.

O coração dele acelerou quando Joe percebeu que aquilo era real. Demi Lovato estava dormindo na cama dele, no escritório dele, em um prédio que deveria estar deserto. Aquilo não fazia absolutamente sentido nenhum, e provavelmente era a última coisa que ele esperava que acontecesse. Considerando o quão ela estivera determinada a fugir sem nem mesmo conversar com ele mais cedo, parecia mais provável deitar naquela cama e encontrar o verdadeiro Papai Noel.

Ele começou a pensar freneticamente nas situações que poderiam tê-la feito pousar ali. Ela precisou voltar depois de o prédio fechar… quando ele foi embora às 19h30, não havia mais ninguém, exceto o guarda. Ele não fazia ideia de por que ela havia retornado. Talvez tivesse esquecido alguma coisa? Qualquer que fosse o motivo, Chip teve de deixá-la entrar, provavelmente a reconhecendo daquela tarde.

Além disso… o quê? Ela se oferecera para ficar no prédio quando ele fora levado pela ambulância? Aquilo soava incrivelmente absurdo, e o policial que havia telefonado não mencionada nada disso.

As portas. Droga. Quando o mecanismo de trancas era acionado, elas não podiam ser abertas sem as chaves, nem mesmo por dentro. Chip saíra para ajudar o motorista, deve ter trancado antes de sair.

– Você foi trancada aqui dentro – sussurrou ele, compreendendo de repente.

E ela não tinha como pedir ajuda. O prédio era famoso por seu sinal ruim de celular, mesmo na melhor situação climática, e o sistema de telefones era alimentado por energia elétrica, então os telefones normais não teriam funcionado. A internet estaria sem sinal também, é claro, além do mais, todos os computadores no edifício eram protegidos por senha.

Ele quase conseguia imaginar Demi esmurrando as portas, tentando chamar a atenção de alguém. Porém, com a noite escura, a neve em redemoinhos e a ausência de gente se aventurando lá fora, aquilo deve ter parecido uma proposta desesperada. Ela deve ter se dado conta de que ficaria presa até o dia seguinte.

Então, como Cachinhos Dourados, encontrou uma cama e se enfiou nela.

Ele ficou feliz por não ter seguido seu primeiro instinto, que seria se pôr de pé e berrar: “Quem está dormindo na minha cama?”

Demi Lovato é quem está dormindo na sua cama.

Ele sorriu. Quais eram as chances de aquilo acontecer? Seis anos atrás, naquela mesma data, ela dormira na cama dele também.

Lembrando-se de tudo naquela noite, enxergando os paralelos, Joe teve mesmo de rir baixinho. Se ele fosse um sujeito mais espiritualizado teria visto aquilo como a mãozinha do destino. Mas, como um realista, sabia que a culpa era da nevasca, do blecaute e de um ótimo sistema de segurança.

No entanto, aquilo não significava que ele estava grato para diabo por tudo, contanto que Chip fosse ficar bem. Porque presa como estava com ele naquele prédio, não seria fácil para Demi sair da vida dele outra vez.

Ele mal podia esperar até de manhã para ver o quanto havia nevado. Para saber por quanto tempo eles ficariam presos ali.

E o que Demi teria a dizer a respeito.
 
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Oi meus lindos!! estou pensando em fazer uma maratona da mini-fic, vocês querem??? se quiserem começo imediatamente!!

Comentem <3

5 comentários:

  1. simmmmm por favor to viciada nessa mini fic

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  2. Siiiiiim eu quero maratona :)
    Capítulo ficou um arraso como todos aliás :)
    Fabíola Barboza

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  3. eu queroooooooooooooooooooooooooooo

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