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Faça Meu Jogo - Capitulo 4 (1/2)


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Dia dos Veteranos – 11 de novembro


Para: Jcampbell@campbelllagers.com

Enviada em: terça-feira, 10 de novembro de 2009

Assunto: Mais uma vez?

Joe…

Mais um feriado… O que diz? Quer me encontrar para uma brincadeirinha do Dia dos Veteranos, para brincarmos de soldado inimigo capturado versus interrogador implacável? Dem


Para: dememvoo@hotmail.com

Enviada em: terça-feira, 10 de novembro de 2009

Assunto: Re: Mais uma vez?

Afirmativo. Onde? Quando? J.

PS: Diga-me que eu vou ser o interrogador implacável.

SER INTERROGADO nunca fora tão divertido.

Deitado na cama no quarto do hotel em Cleveland, Joe observava enquanto a mulher mais sexy que ele conhecia emergia do banheiro. Ela estava enrolada em uma toalha branca, a pele escorregadia e avermelhada por causa da chuveirada fumegante que havia acabado de tomar. Provavelmente a pele também estava daquele jeito porque ele a tocara, saboreara, venerara durante a tarde inteira. E, embora ele já tivesse passado quase tantas horas de vigília dentro do corpo dela hoje quanto passara fora dele, Joe já a queria novamente.

Ele ainda não conseguia acreditar que aquilo tinha acontecido mesmo. Não o sexo… Deus, sim, o sexo aconteceria sempre que os dois estivessem em uma sala com uma superfície plana. Mas, sim, o fato de estarem juntos novamente de qualquer forma.

Joe havia tentado telefonar para Demi algumas vezes depois que eles se despediram em Chicago pela manhã, após o Dia das Bruxas. Ela não atendeu.

Nem respondera aos e-mails dele.

Por fim, ele teve de aceitar o fato de que ela havia falado sério: uma noite apenas. Ele teria de passar o restante de sua vida sabendo que a mulher mais desejável que ele já conhecera, e o melhor sexo que já havia feito, eram passado.

Ele tentou se convencer a retornar para sua vida real. Havia muita coisa necessitando de sua atenção: a empresa, a família, a própria casa. As responsabilidades pareciam pesar mais sobre suas costas toda vez que ele atendia ao telefone ou abria a porta de entrada.

Então, do nada, naquela manhã, um e-mail de Demi.

Joe não hesitou. Inventando uma reunião fora da cidade, jogou algumas coisas em uma bolsa, deixou seu cachorro na casa de um amigo e seguiu para Cleveland. Ele não precisou de mais detalhes além do nome do hotel e do tempo que ela levaria para chegar lá.

Não havia nada que poderia tê-lo impedido de fazer a viagem. Absolutamente nada poderia tê-lo impedido de aceitar o convite para pecar.

E, ah, como eles pecaram.

– Você sabe, eu posso ter mentido sobre os locais onde as ordens ultrassecretas foram escondidas. Eles podem não estar de fato dentro guitarra de Jimi Hendrix no Hall da Fama do Rock and Roll. Talvez você devesse me torturar novamente para arrancar a verdade de mim – ofereceu ele.

Alcançando sua bolsa, Demi pegou uma escova de cabelo de dentro dela e se virou para o espelho. Ela captou o olhar de Joe no reflexo quando começou a escovar os fios molhados.

– Desculpe. Não vou cair nessa. Eu não acho que qualquer outra pessoa teria aguentado aquela última rodada de… – Ela lambeu os lábios – … interrogatório.

Deus. Ele começou a ficar excitado novamente, só de pensar no assunto. A última rodada de interrogatório foi inesquecível.

Bem, para ser honesto, a tarde inteira tinha sido inesquecível.

Demi começara a desempenhar seu papel desde o minuto em que entrara pela porta do quarto do hotel. Joe era seu prisioneiro e era obrigado a obedecer às suas ordens. Ele entrou no clima, gostando da loucura nela.

Demi era agressiva e exigente. E extremamente sexy.

Ela insistira para ele tirar a roupa.

Ameaçando puni-lo caso não cooperasse, ela o instruíra a sentar-se em uma cadeira ao lado da cabeceira da cama.

Meio curioso, e mais que meio excitado, ele concordou com as condições dela. Queria ver até onde ela iria, o que exatamente Demi tinha em mente. Então ele dera sua palavra a ela, jurando que não se levantaria da cadeira, independentemente do que ela dissesse ou fizesse.

Ele tinha certeza de que seria capaz de cumprir a promessa. Estava absolutamente certo disso. Dissera a si mesmo que não iria se levantar, nem mesmo se o quarto estivesse pegando fogo.

No entanto o quarto pegou fogo. Ou, pelo menos, Demi fez parecer que pegou, preenchendo o lugar com um calor tão intenso que Joe pensou que sua pele fosse descolar dos ossos.

Foi necessário cada grama da força de vontade dele para permanecer imóvel, apenas observando. Porque, com pura malícia nos olhos, Demi tirara as roupas lentamente e se acomodara confortavelmente na cama, bem na frente dele. E então começou a dar prazer a si mesma com muita minúcia.

Ver as mãos dela se movimentando sobre aquele corpo incrível, sendo apenas um observador, incapaz de participar, foi exatamente a tortura que Demi previra. Joe começou a suar, a ofegar, a se enrijecer e a cerrar os punhos em busca de controle.

Não contente em apenas afagar os seios nus ou investir delicadamente seus longos dedos sobre sua fenda reluzente, ela de fato surgiu com um vibrador. E ele teve de ficar sentado ali, calado, quase morrendo, enquanto ela usava o brinquedinho para chegar ao clímax… três vezes.

Então, ainda ordenando a Joe para ficar quieto e deixar o controle por conta dela, Demi subiu em cima dele e se encaixou em sua ereção, recebendo-o profundamente dentro de seu corpo, controlando todos os movimentos, cada investida, cada estocada. Em determinado momento ela até mesmo virou ao contrário, montando-o como uma vaqueira, e sorrindo o tempo todo para seu reflexo no mesmo maldito espelho que ela estava usando agora.

Ele tinha certeza de que despejaria ao menos um galão quando Demi finalmente permitisse que ele ultrapassasse os limites com ela. E aquilo foi só o começo.

– Você é incrível.

– Deve ser Síndrome de Estocolmo – brincou ela. – Você está enfeitiçado por sua sequestradora, certo?

– A-hã. – Enfeitiçado. Boa palavra.

Talvez até mesmo à beira da obsessão.

– Não se preocupe, vai passar.

Ele duvidava muito disso.

– Acho que não.

O sorriso dela desvaneceu um pouco diante do tom intenso dele, e ela desviou o olhar enquanto se ocupava terminando de escovar o cabelo. De repente Joe se perguntou se ele havia tocado num ponto sensível.

– Você pode dizer que gosta de tudo de mim, mas aposto que há certas partes que prefere. – Ela contraiu os lábios, lembrando-o de tudo o mais que eles tinham feito até então. A segunda rodada da tortura de Demi tinha envolvido sua boca deliciosa.

Ele amara oferecer sexo oral na primeira vez deles. No entanto Joe nunca tinha contemplado o quão alucinante seria quando ela colocasse os lábios em torno de sua ereção. E então ela o levou ao limite repetidas vezes, deixando-o mais próximo possível do clímax, e em seguida, recuando, resfriando as coisas.

Joe segurou o quanto pôde, gostando daquele lado selvagem e ousado dela. Isso sem mencionar os adoráveis lábios e a língua de Demi sugando-o até fazê-lo se esquecer de quem era. Finalmente, porém, a coisa foi longe demais, e Joe soube que não podia esperar por muito tempo mais. Então ele exerceu seu papel no jogo, dando a ela a “informação” que Demi vinha querendo.

Contudo, em vez de dar fim à tortura, puxando-o para si de modo que Joe pudesse terminar as coisas no doce canal entre as pernas dela, Demi finalizou o jogo com sua boca. E ela nem mesmo dera a ele a chance de bancar o sujeito educado – ou de seguir o padrão de um filme pornográfico –, permitindo que ele retirasse antes de chegar ao fim da contagem regressiva.

Selvagem. Erótica. Intensa.

Ela era cada fantasia sua. E tão longe de sua vida real como uma mulher poderia ser.

Era a mulher de seus sonhos. E tão longe de sua vida real quanto uma mulher poderia estar.

Ele afastou violentamente aquela ideia. Porque embora não tivessem conversado quase nada até então, ele não achava que os sentimentos de Demi em relação ao que estavam fazendo, e ao que iriam fazer, tinham mudado. Um caso de uma noite havia evoluído para um caso de feriado. Ele só não sabia o quão longe no calendário ela desejava ir. Poderia ser o banquete de Ação de Graças dele, ou seu presente de Natal derradeiro. E se o destino fosse gentil, talvez seria ela a pessoa a pintar seus ovos de Páscoa.

Ou eles poderiam ter esta noite e nada mais. Nunca mais.

Não saber a resposta disso o deixava louco, tanto de um jeito bom quanto de um jeito ruim. A possibilidade de a coisa acabar ali o deixava desesperado para tê-la, tomá-la e possuí-la, tanto quanto possível.

Não acabou. Isto não pode ser tudo.

– Estou com fome – disse ela.

Afastando para bem longe os pensamentos sobre o dia seguinte, Joe sabia que tinha de focar nessa noite. Ele rolou para sentar-se na borda da cama. Uma coisa era certa: precisava comer a fim de ter forças para passar o restante da noite do jeito que pretendia.

– Eu também. Por favor, me diga que fui bonzinho o suficiente para conseguir mais que pão e água.

– O que acha de mingau frio?

– A-hã. Preciso de proteína. Deixe-me levar você para jantar.

Demi ficou boquiaberta, mas rapidamente se recompôs. Depois de hesitar, ela murmurou:

– Não sei…

– Eu preciso de algo para me dar força. De que outro modo poderei ter esperanças de resistir a você?

Ela virou um pouco a cabeça e desviou o olhar.

– Resistir a mim? É isso que você chama de resistir?

– Vamos lá, pegue leve comigo. É meio complicado dizer não a uma mulher quando ela está com seu pênis dentro da boca.

Impressionante. Eles tinham feito as coisas mais intensas um com o outro, mas Joe jurara ter visto um leve rubor no rosto de Demi ao ouvir as palavras dele. E ela ainda não estava olhando para ele.

Constrangimento? Parecia loucura, considerando tudo que eles tinham partilhado. Além disso, a inquietação dela não começara depois do comentário grosseiro dele, e sim quando ele sugerira que saíssem para comer. Ou talvez alguns minutos antes disso, quando ele admitira estar enfeitiçado por ela.

– Vamos ficar aqui. Podemos pedir serviço de quarto – insistiu ela.

Demi participara de joguinhos de sexo com ele durante a tarde toda, mas não queria ir a qualquer coisa que se assemelhasse a um encontro?

Interessante.

Joe se levantou e foi até Demi, colocando as mãos nos quadris dela e lhe dando um beijo na nuca.

– O serviço de quarto será no café da manhã – sussurrou ele. – Esta noite, porém, vamos sair daqui um pouquinho.

Ela ainda parecia insegura. Como se, agora que o joguinho tinha acabado, agora que eles não eram mais personagens e estavam conversando sobre algo tão simples como comida, ela não sabia o que dizer, como agir.

Ou quem ser.

– Nós dois sabemos que nossos encontros não se tratam disso…

– Olhe, não a estou pedindo em casamento, certo? – disse ele, forçando uma risada evasiva. – A gente só vai jantar. Comer juntos, não é uma declaração do relacionamento. Dividir uma refeição não eleva isto a algo mais que o caso de duas noites que você resolveu que poderíamos ter.

Os olhos dela brilharam, surpresos, como se Demi não tivesse imaginado o quanto era fácil decifrá-la.

Joe deu de ombros.

– Eu não sou idiota, está bem? Sei o que você quer e o que não quer. E aceitei isso quando apareci aqui hoje.

Ela ainda hesitava.

– Sem pressão, sem significados ocultos, é só comida – disse ele, persuadindo-a com tanto cuidado quanto se estivesse oferecendo um pedaço de pão a um pássaro silvestre. – Você pode escolher para onde vamos. Contanto que seja um lugar que sirva carne vermelha, eu aceito.

Ela mordeu o lábio, então finalmente disse:

– Você considera pepperoni carne vermelha? Porque eu estou com muita vontade de comer uma pizza.

Ele quase suspirou de alívio. Tanto por ela ter dito sim, quanto por ela não ser uma daquelas mulheres que gostavam de mordiscar cenourinhas e pedaços de alface e chamar isso de refeição.

– Perfeito.

Ela conseguiu dar um sorriso fraco.

– Você diz muito isso.

– Você é muito isso.

Ele encontrou o olhar dela no espelho. Demi não exatamente se desvencilhou da pressão suave para adentrar num território mais íntimo, pessoal, que ultrapassava os limites dos joguinhos sensuais entre eles. No entanto os músculos sob a pele sedosa retesaram levemente. O suficiente para avisar a Joe que ele deveria recuar.

Ele o fez.

– Dê-me dez minutos para eu tomar um banho.

Soltando-a com delicadeza, ele caminhou em direção ao banheiro, imaginando que Demi precisava de uma oportunidade para se recompor. Diabos, ele também. Porque nos últimos minutos lhe ocorrera, num baque, que apesar de ter ficado mais íntimo de Demi do que de qualquer outra mulher em sua vida, ele não sabia muita coisa a respeito dela.

Claro, sabia que gostava dela. Sabia que tinha um ótimo senso de humor, que era inteligente e trabalhadora. Sabia que pouco antes de chegar ao clímax, ela emitia um som estridente e adorável que vinha do fundinho da garganta.

Tirando isso… ele não sabia muito mais. Havia estado no apartamento dela, em um condomínio no centro antigo de Chicago, mas mesmo tendo visto onde ela morava, isso não oferecera muitas respostas sobre sua vida pessoal.

Demi não tinha animais de estimação, nem plantas, nem fotografias, nada que personalizasse o apartamento dela de jeito algum. Ao entrar nele, Joe soube imediatamente que era apenas um lugar para ela comer, dormir e relaxar… não era realmente o que se poderia chamar de lar.

Então talvez aquela saidinha para jantar, sem encenações, sem insinuações… sem sexo… seria uma coisa boa. Talvez fosse hora de dar um passo para trás, abandonar a simulação e realmente conhecer as pessoas de verdade por trás dos jogos.

Demi podia até não gostar, talvez até não querer isso. Mas Joe queria. Porque ele tinha a sensação de que a mulher por trás da ousada sedutora era alguém que ele realmente queria conhecer melhor.

QUANDO ENTRARAM em um restaurante italiano nas proximidades, recomendado pelo maitrê do hotel, Demi se flagrou começando a suar. E não apenas porque o Sr. Gostosura estava andando tão pertinho atrás dela, a mão apoiada possessivamente em seu cóccix.

Aquilo estava muito parecido com um encontro. Parecido demais com um encontro. E ao mesmo tempo em que ela gostava muito de Joe Campbell, namorá-lo não tinha sido parte do acordo. Um encontro tornava aquilo muito real, quando tudo que ela havia combinado desde o início era apenas uma fantasia. Um caso de uma noite que de algum modo havia se transformado em dois.

E apenas dois. Era isso, essa noite tinha de ser a última. A vida era complicada demais, e Joe era um sujeito muito incrível para Demi se envolver mais. Ele era muito estável, muito sólido, muito bonzinho.

Ela… não era. Demi não era um bom partido. Ela servia apenas para sexo, ah, sim, ela era boa em flertes e casos tórridos, mesmo que não tivesse arranjado tempo para algo assim nos últimos meses.

Mas namoro? Romance?

Relacionamentos?

Não, não. Ela era a bruxa que partia corações. A pessoa que entrava em pânico e caía fora sempre que alguém tornava a coisa um pouco séria demais ou tentava amarrá-la no lugar em vez de deixá-la viver sua vida em voo, do jeito que ela havia feito nos últimos dez anos.

Isto não é um encontro romântico. É só comida, para que a gente possa ganhar mais energia para fazer muito mais sexo louco e descompromissado.

– Dá para relaxar, por favor? – murmurou Joe enquanto seguiam a recepcionista, uma morena cinquentona usando um vestido com saia bufante que tinha gritado algo em italiano quando passaram pela porta vaivém. – É só uma pizza, pelo amor de Deus.

Demi deu um suspiro longo e trêmulo, tentando manter a postura firme. Embora fosse difícil fazê-lo quando os dedos de Joe estavam em cima dela.

– Esta mesa está boa? – perguntou a mulher mais velha quando chegaram a uma mesinha íntima para dois.

– Está ótimo – murmurou Joe.

Graças a Deus ele não disse perfeito.

Quando dizia aquela palavra, ele despertava muitas associações. Às vezes, deixava Demi incrivelmente excitada, às vezes, tensa demais.

Com a sua toalha de mesa com estampa xadrez vermelho e uma garrafa de Chianti servindo de castiçal para uma vela que pingava cera, a mesa parecia aquela em que a Dama e o Vagabundo tinham dividido um prato romântico de espaguete. Só precisavam de um par de cantores italianos com um acordeão e um violino para fazer uma serenata para eles.

Deus, aquilo era um encontro romântico, sim.

Demi quase saiu correndo. Se Joe já não tivesse puxado sua cadeira e a acomodado gentilmente no assento, ela provavelmente teria feito isso.

Não teria sido a primeira vez. Um sujeito com quem ela se envolvera, apesar de todas as advertências, certa vez dissera estar apaixonado por ela. E Demi correu para o aeroporto, entrou em um voo para Paris e ficou afastada por duas semanas.

Não era surpresa alguma ele encher a cara e telefonar para ela até hoje.

Mas talvez desta vez possa ser diferente. Porque ele é diferente.

Joe era tão diferente. Tão divertido, sexy e brincalhão. Ousado e imaginativo. Ele a fazia sentir-se diferente, de um jeito que nenhum homem tinha feito.

Demi suspirou profundamente, afastando aqueles pensamentos. A maneira como ele a fazia sentir-se não podia ser uma coisa boa. Não quando ele a deixava tão confusa, desequilibrada, insegura.

Completamente diferente da Demi.

– Obrigado – disse Joe enquanto tomava o assento do lado oposto dela e sorria para a recepcionista. Apesar de ser pelo menos 20 anos mais velha, ela se envaideceu um pouco, como qualquer mulher faria sob a atenção de um homem tão bonito quanto seu acompanhante.

Acompanhante. Não companheiro.

– Vocês são daqui? – perguntou a mulher.

Joe balançou a cabeça.

– Só estamos visitando a cidade.

– Excelente! Ao contrário do que podem pensar, Cleveland é um ponto turístico maravilhoso. Muito romântico – disse a mulher, meneando as sobrancelhas. – Há muitas coisas para um jovem casal apaixonado fazer.

Demi abriu a boca para responder, mentiras e negações borbulhando nos lábios. Eles estavam apenas brincando ali… apenas duas pessoas loucamente compatíveis fazendo joguinhos indecentes. Nada além disso.

No entanto, antes que qualquer resposta pudesse emergir, Joe segurou a mão dela e a apertou em cima da mesa. A recepcionista balançou a cabeça em aprovação, em seguida, virou-se para cumprimentar alguns recém-chegados que estavam à entrada.

– Você ia inventar uma história ultrajante, não ia? – perguntou ele, liberando a mão dela casualmente, pegando um guardanapo e abrindo-o sobre o colo.

– Como sabe?

– Você está negando?

– Claro que não. Só estou me perguntando como você sabe.

– Ah, acredite, eu estou começando a compreender como sua mente funciona. Romance, amor… essas palavras não fazem parte do seu vocabulário, certo?

Ela assentiu uma vez.

– Certo.

A anfitriã tinha deixado uma cesta de palitinhos de pão na mesa, e Demi pegou um, mordiscando levemente a extremidade, sem se esmerar mais na resposta, mesmo sabendo que Joe provavelmente esperava que ela o fizesse. Aquele tipo de conversa era para encontros românticos. Aquilo era apenas uma… pausa para a nutrição.

– Então… que tipo de história você ia contar? – Ele parecia genuinamente curioso.

– Sei lá. – Pensando, ela bateu o dedinho no queixo. – Você é uma testemunha contra a máfia num programa de proteção e eu sou sua guarda-costas?

– Você obviamente não é uma guarda-costas muito boa se sair por aí tagarelando sobre eu ser uma testemunha.

– Eu não disse que era boa. Talvez eu seja um tanto estúpida, como em um daqueles filmes péssimos.

– Hum, é possível. – Ele olhou ao redor do restaurante, as mesas cheias de pessoas com o tipo físico muito parecido com o da recepcionista multiétnica, Rosalita. – Mas isso pode não ser uma boa ideia neste lugar. Acho que metade dos comensais aqui são de uma geração vinda da Sicília. Eu posso acabar apanhando.

– Tem alguma ideia melhor?

– Coelhinha da Playboy e magnata?

– Vá sonhando. – Lançando um olhar travesso, ela acrescentou: – Além disso, eu não acho que você ficaria muito bem com orelhinhas de coelho.

Ele riu alto. Antes que pudesse responder, no entanto, um garçom apareceu e encheu dois copos de água, deixando-os ao lado dos cardápios intocados. Um silêncio desconfortável decaiu, uma vez que o adolescente com cara de tédio se foi.

Finalmente, Joe quebrou o silêncio.

– Então… Por que não ficamos com uma piloto de Chicago que está saindo com um homem empresário de Pittsburgh?

Ela bufou, forçando-se a permanecer casual quando sua primeira reação à ideia de ser apenas quem eles realmente eram lhe dava mais pânico.

– Entediante.

– Você continua usando essa palavra… eu não acho que isso signifique o que você acha que significa.

Encantada por ele ter citado uma frase de um de seus filmes favoritos, A princesa prometida, com sotaque espanhol, ela disse:

– Benfeito.

– Uau, temos algo em comum? Um filme ao qual nós dois assistimos?

Ela fez um gesto em direção à mesa e à vela.

– Se tivéssemos o mesmo gosto por filmes, você saberia o quanto fico apavorada pela possibilidade de um italiano aparecer aqui e começar a cantar “Bella Notte”.

– Pelo menos me diga que eu me daria bem como o Vagabundo nessa.

Algo no tom impostado dele, além do fato de ele saber exatamente do que ela estava falando, fez Demi relaxar e oferecer seu primeiro sorriso genuíno desde que tinham chegado.

– Eu sou um pé no saco, eu sei.

Duvido que você iria entender.

– Eu poderia. Por que você não tenta?
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O que estão achando da história até agora? Eu particularmente amo essa história <3
xoxo

3 comentários:

  1. Parece ser uma história muito bonita. Demi não está a dar muita chance a Joe para se conhecerem melhor, mas compreendo que ela esteja com medo de ser magoada novamente

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