9.7.15

O Sucesso Em Meus Braços - Capitulo 4

Demi ficou confusa quando olhou o painel de controle do elevador.

— Isso não pode estar certo.  Ela murmurou para si mesma e considerou a hipótese de retornar para falar com o porteiro. De acordo com os números dourados exibidos no painel, só existia um apartamento no 88° andar. E era o de número 8.801. Mas no andar inteiro do suntuoso Eureka Towers só existiria um único apartamento?

Considerando que o prédio tinha 92 andares e o 88° fos­se o último destinado às residências, ela deduziu que se tratasse da cobertura. Seria possível uma cobertura ocupar o andar inteiro de um prédio daquele tamanho?

Apesar das dúvidas, ela decidiu apertar o botão que in­dicava o número 8.801 e se posicionou no fundo do cubí­culo enquanto se mirava nas paredes espelhadas do luxu­oso elevador.

Ou Joe havia conquistado uma imensa fortuna no ramo das construções ou ele estaria ocupando o apartamento de algum amigo. E, nesse último caso, Joe teria conseguido se infiltrar em círculos sociais muito eleva­dos, o que não seria o caso dela.

Demi se lembrava de ter lido alguma coisa por oca­sião da inauguração do Eureka Towers, o mais alto con­junto residencial do mundo, e que a cobertura estivesse avaliada em cerca de sete milhões de dólares.

Assim que as portas do elevador se abriram, ela saiu para o hall e depositou a sua mala no chão. Segurou o fô­lego diante do magnífico carpete na cor creme e bordado com símbolos dourados. As luminárias no estilo clássico ostentavam bases douradas e cúpulas de cristal.

Se apenas a entrada já era estonteante, ela imaginava como seria o apartamento.

Apertou a campainha da porta e aguardou enquanto alisava as saias com as palmas das mãos.

A porta foi aberta, e Joe surgiu com o mesmo sorriso que sempre a encantava.

— Oi, Demetria. Entre.

Demi se esforçou para conseguir mover as pernas. Os joelhos começaram a bambear no instante em que ela o viu trajando calça e camiseta pretas, que o deixavam ainda mais sexy. Quando ela passou por ele e sentiu o perfume cítrico da loção de barba que Joe acabara de usar, foi mais um golpe para suas pobres pernas.

— O apartamento é muito bonito, mas um tanto peque­no, não acha?  ela gracejou para aliviar a tensão.

Ele riu e apanhou a mala das mãos dela. Depois de fe­char a porta, repousou a mão que estava livre sobre as costas dela e gentilmente a forçou a caminhar com ele até o centro da enorme sala de visitas.

— Eu gosto do meu espaço.

— O apartamento é seu?  ela perguntou admirada, enquanto observava as portas largas e envidraçadas que conduziam ao terraço. A vista da cidade se descortinava como se fosse um presépio a céu aberto.

— Sim. Eu o comprei por ocasião do lançamento da obra.

Demi apertou os lábios para impedir-se de dizer o que estava pensando naquele momento. Como Joe po­deria sustentar um lugar como aquele?

— Você está curiosa, não está ele perguntou en­quanto apontava para um lugar no sofá para que ela se acomodasse.

— Sobre o quê Ela indagou casualmente enquanto se sentava no elegante estofado.

— Sobre como eu consegui o dinheiro para comprar a cobertura.

— Confesso que estou um pouco intrigada  ela ad­mitiu.

Joe acomodou-se ao lado dela e estendeu o braço ao longo do encosto do sofá.

— Está intrigada comigo ou com o fato de eu ter com­prado esse apartamento?

Incomodada com a proximidade dele, ela deu um longo suspiro. O perfume da colônia de barba misturada ao odor másculo quase a enlouqueciam. Por um instante, ela sen­tiu vontade de se aninhar nos braços dele e beijar-lhe a curvatura do pescoço, no ponto exato onde ela sabia que Joe adorava.

Demi poderia mentir ou fingir que a presença dele não a afetasse, mas ela sabia que essa não era a verdade.

— Ambos  ela revelou com sinceridade.

Ele ergueu o queixo dela com a ponta de dois dedos e forçou-a a encará-lo.

— Cuidado com as palavras, Demetria. Seu novo colega de apartamento pode formar ilusões se você disser que está intrigada com ele.

Embaraçada com o olhar insinuante de Joe, ela libe­rou-se da mão dele com um gesto gentil. Ela precisava fazer isso para livrar-se da tentação de acabar cometendo a loucura de jogar-se nos braços dele.

— Conte-me como conseguiu este apartamento. Ou então me deixe adivinhar  ela sugeriu com um sorriso de diversão.  Você desistiu de ser um construtor para chefiar uma quadrilha de tráfico de drogas?

Ele meneou a cabeça.

— Você descobriu que é filho ilegítimo de Bill Gates? Joe repetiu o gesto negativo.

— Bem, então o que foi? Fale logo!

Curvando os cantos da boca, ele iniciou um sorriso len­to e provocante, capaz de disparar o coração dela.

— Nós nunca discutimos sobre o meu trabalho, nãé?

— Talvez isso acontecesse porque você gostava de ban­car o construtor arrogante  ela respondeu sabendo que ele iria lembrar-se de como ela costumava chamá-lo.

Ele estreitou o olhar.

— Eu bancava o construtor, nãé? Pois, apenas para esclarecer, eu lhe digo que esses anos serviram para que eu amadurecesse no meu trabalho.

— Está bem, você venceu. Agora me conte sobre o seu trabalho como construtor.

— Você já ouviu falar da B. A. Constructions? Ela balançou a cabeça.

— Não tenho certeza, mas o nome não me é estranho.

— Essa é a minha empresa. Você se lembra de quando foi feita a reforma no Melbourne Cricket Ground?

Ela acenou positivamente com a cabeça.

— Então. A minha empresa foi contratada para aquela reforma.

Naquele instante, Demi se deu conta de ter visto as manchetes nos jornais de que a B.A. Constructions havia vencido a concorrência para promover a mega reforma do ginásio de esportes da cidade.  Então B.A. significa as iniciais de Joe Andrews? Era você o extraordinário construtor de quem a mídia falava?  ela perguntou fascinada com a descoberta.

Ele deu de ombros.

— Bem, eu trabalhei duro e consegui contratos mi­lionários.

— Fico feliz por você  ela revelou com honestidade e instintivamente apertou uma das mãos dele em sinal de apoio.  Isso explica a compra da cobertura.

— Obrigado. Eu fiz tudo isso por nós. Eu não queria procurá-la antes de construir um futuro sólido para lhe oferecer  ele revelou enquanto acariciava o dorso da mão dela com o polegar.  Eu sei que prometi não pres­sioná-la e tenho a intenção de cumprir a promessa. Mas eu gostaria que você me dissesse o que pensa sobre tudo isso. Sobre nós.

Demi ficou pensativa. Ela estava cansada de enfrentar aquela batalha interna entre tentar afastá-lo e se sentir cada vez mais atraída por ele, de ficar insistindo em afir­mar para si mesma que a volta de Joe não a afetava. Ela revirou a mão que ele afagava com o polegar e entre­laçou seus dedos nos dele. Talvez devesse dar uma chan­ce para que eles se conhecessem melhor e ver no que isso os levaria.

— Você quer saber o que eu penso? Eu acho que você está louco em acreditar que nós podemos recomeçar de onde paramos.  Uma ruga profunda surgiu entre as so­brancelhas dele, e Demi ergueu a ponta de um dedo para alisá-la com suavidade;  Mas, apesar de todo esse tem­po, eu continuo achando-o atraente, divertido e intrigante.

Ele exibiu um sorriso satisfeito e devolveu:  E o mesmo que eu penso de você, com a diferença de que a considero mais sexy do que antes.

Para provar o que dizia, Joe inclinou a cabeça e bei­jou os lábios dela.

Demi sentiu o corpo inteiro esquentar ao provar o beijo dele. Ela esteve errada em pensar que havia se es­quecido de como se sentia quando Joe a beijava. O tem­po pareceu se dissolver naquele instante deixando fluir a potente atração que ainda existia entre eles.

Quando Joe interrompeu o beijo para estudar a rea­ção dela, ele ficou surpreso por vê-la sorrindo.

— Por que você está rindo? Por acaso minha técnica está precisando de reajustes?

Ela ergueu uma das mãos e afagou-lhe um lado do rosto.

— Sua técnica está melhor do que nunca.

— Ainda bem. Obrigado por me esclarecer.

O sorriso confiante de Joe revelava que ele sabia muito bem o quanto era talentoso em se tratando de beijo. Provavelmente estivesse esperando elogios.

— Você fez a barba  Demi comentou enquanto corria os dedos através da pele macia e sentia falta da aspereza que normalmente estava presente e que ela tanto adorava.

— Sim. Apesar de representar uma causa perdida. Ela já estará crescida antes do amanhecer.

Ela recolheu a mão e roçou os lábios na mandíbula for­te, aproveitando para inalar o perfume da pele máscula que evocava as lembranças de um tempo distante.

— Você ainda tem o poder de me enlouquecer  Demi murmurou com a voz enrouquecida.

— E o que você pretende fazer a respeito disso?

Ela endireitou os ombros e se afastou um pouco para poder estabelecer uma distância maior entre eles. Fica­va difícil raciocinar sentindo o calor de corpo dele tão próximo.

— O que acha de irmos devagar? Eu não quero que você pense que o fato de eu ter aceitado ficar em seu apar­tamento signifique que eu concordei com uma reconciliação. Ainda não tenho certeza se é isso o que eu quero. Eu entendo os motivos que você alegou para ter-me abando­nado, mas não significa que eu concorde com eles. Você fez o que achava certo na ocasião, mas acontece que mui­ta coisa mudou durante esse tempo. Eu mudei...  ela hesitou e balançou a cabeça para afastar a recordação tris­te das cirurgias que lhe tiraram a possibilidade de ter fi­lhos.  Por isso, se você concordar com a situação de sermos apenas amigos enquanto eu estiver aqui, então tudo bem. Eu só não posso lhe fazer promessas.

— Eu sempre admirei a sua sinceridade, Demetria.

— Isso significa que aceita a nossa condição de amigos?

— Sim. Mas o que acha começarmos apenas com um namoro?

— Amigos não namoram. Além disso, você já está abu­sando da sorte uma vez que tenho que lhe pagar um jantar.

Ele sorriu e, capturando uma das mãos dela, beijou-lhe a palma.

— O jantar significa uma recompensa por eu ter con­sertado o seu refrigerador, o que é muito diferente de um encontro romântico.

Ela engoliu a saliva só de pensar em ter um encontro ro­mântico com Joe. Ele possuía um carisma que era impos­sível de resistir. Então por que Demi estava tão insegura?

Filhos.

Aquele era o problema que sempre vinha à tona quando ela pensava em aceitar a proposta de Joe. Será que ele continuaria interessado em recuperar o casamento deles se soubesse que ela não poderia lhe dar filhos?

A ideia de ser rejeitada outra vez lhe provocou um frio na barriga. Ela não suportaria passar por tudo aquilo de novo.

Só que Demi não era mais aquela menina tola e ino­cente. Quem sabe desta vez ela fosse capaz de conduzir o relacionamento de uma maneira madura e racional?

Com esse pensamento, ela ergueu-se do sofá e estendeu a mão para ele.

— Vamos, Joe. Está na hora de eu lhe pagar aquele jantar.

— Por que a pressa?  ele perguntou enquanto se le­vantava do sofá.

— Quanto mais cedo nós sairmos, mais tempo você terá para me convencer a namorá-lo.

Ele a suspendeu nos braços e rodopiou com ela pela sala. Ela sorriu divertida. Aquela fora a mesma reação que Joe tivera no passado quando ela concordara em se ca­sar com ele.

Assim que ele a colocou de novo em seus próprios pés, Demi entristeceu o semblante. Joe tinha sig­nificado a vida para ela... Antes de desaparecer. E ela não poderia simplesmente esquecer o passado e se ati­rar nos braços dele, não importava o quanto ele a fizes­se sorrir.

— O que acha de aproveitarmos o próximo fim de se­mana, no caso de eu convencê-la a namorar comigo?

— Eu preciso colocar em dia a contabilidade da lan­chonete. Por isso, estarei ocupada nos próximos fins de semana. O primeiro que terei livre será em junho.

— Então você terá muito tempo para se acostumar com a ideia.

— No caso de você me convencer, é claro  ela o pro­vocou. Depois enlaçou o pescoço largo e erguendo-se na ponta dos pés deu um beijo ligeiro nos lábios dele.  E você sabe que isso não será uma tarefa fácil.

Joe repousou a testa contra a dela e avisou:

— Eu acredito no meu poder de persuasão.

-----------------------------------------------------

Mais um capítulo pra vcs. Amanhã tem mais, bjinhooos

3 comentários:

  1. Adoro quando fica esse clima de provocação entre eles... estou adorando!!!!! Continua.....

    ResponderExcluir