8.7.15

O Sucesso Em Meus Braços - Capitulo 3

Demi apertou ou lábios enquanto girava a chave de fenda para tentar consertar a porta do refrigerador pela terceira vez.

A ferramenta escapou da sua mão e foi parar no chão. Ela praguejou em tom baixo e recolheu a chave de fenda, colocando-a de volta no kit de ferramentas de cor rosa e projeta do especialmente para as mulheres independentes.

— Será que o problema é a chave de fenda ou a especialista que a está manejando?  Anna comentou com zombaria.

Demi fulminou a amiga com o olhar e declarou:

— Eu nunca disse que era especialista.

— Não? Então por que comprou a caixa de ferramentas? Aparentemente ela só serve para pendurar quadros na parede.

Demi soprou o ar com força para desabafar.

— Eu odeio ter que chamar um profissional para fazer um conserto tão insignificante!

— Acontece que se não fizer isso logo, nós perderemos todo o suprimento de pão de queijo que está no refrigera­dor  Anna murmurou enquanto mantinha a ponta de um dedo sobre o lábio inferior.  Você conhece alguém que pudesse nos tirar desse sufoco?

Sim. Demi sabia de alguém que pudesse fazer isso. E o cartão dele estava mofando num bolso do jeans há mais de uma semana. Ela não tinha a intenção de ligar para Joe, embora seu coração ficasse sobressaltado a cada vez que um executivo entrava no bar, e ela imaginava que poderia ver aquele sorriso lindo e os magníficos olhos azuis mais uma vez. A verdade era que ela deveria ter jo­gado fora aquele cartão. E Demi já havia tentado fazer isso, apenas que não se lembrava de qual era o jeans que estava usando na noite em que se encontrara com Joe na confeitaria. Ela possuía uma grande quantidade de cal­ças jeans e talvez aquela que tivesse usado naquela noite já tivesse sido lavada. Então o próprio destino teria se en­carregado de destruir o cartão.

Só que não era dessa maneira que o destino havia resol­vido o assunto. No instante em que Demi decidiu tirar a poeira das mãos batendo as palmas contra o jeans que usava, sentiu que havia algo dentro do bolso traseiro da calça.

O cartão que Joe lhe entregara!

Se ela acreditasse em conto de fadas, diria que estava começando a viver um deles. Ela precisava da força de um homem para consertar a porta do refrigerador e, sem querer, descobrira o cartão dele. E ligar para Joe seria como a história deveria terminar.

Só que Demi não acreditava em contos de fadas.

— E então? Você se lembra de alguém que pudesse chamar?  Anna insistiu em tom de desespero.

Demi ficou pensativa. Não. Ela não conhecia nin­guém que pudesse vir consertar a porta do refrigerador naquela hora da noite. Mas, se ela quisesse que seus clientes costumeiros pudessem desfrutar do pão de queijo mais famoso da região, não teria outro jeito a não ser ligar para Joe. Anna sabia do relacionamento que ela tivera com ele no passado, exceto sobre o casamento. Uma vez que Demi não havia tido interesse em trocar o seu nome nos documentos pessoais, ela preferiu omitir o fato de que Joe Andrews fosse seu marido. Ela contara para a ami­ga sobre o encontro que tivera com ele na confeitaria, po­rém revelara apenas a conversa que tiveram sobre a refor­ma da casa. Nada mais. Não havia propósito em entrar nos detalhes, já que Joe não ficaria em Melbourne por muito tempo.

— Calma, garota! Eu vou ligar para Joe e saber se ele pode vir até aqui agora.

Anna exibiu um sorriso malicioso de quem não estives­se acreditando naquela postura casual.

— Boa ideia. Eu tenho certeza de que Joe deve ser muito habilidoso com suas ferramentas.

Demi balançou a cabeça e não conseguiu impedir-se de rir com a insinuação maldosa da amiga.

Apanhou o cartão do bolso da calça e se dirigiu para o telefone posto sobre o balcão do bar.

A amiga a seguiu e postou-se ao lado dela, com o olhar lotado de curiosidade no cartão que Demi segurava.

— Por que você não termina de conferir a mercadoria que chegou hoje? Depois pode ir para casa. Eu ficarei bem.

— Eu tenho certeza de que ficará bem — Anna afirmou com uma última espiada no cartão.  Joe vai saber li­dar com a ferramenta certa.

Demi revirou os olhos e protestou:

— Já chega de piadas com ferramentas, Anna. Vá em­bora, por favor.  Ela não queria fazer o telefonema na frente da outra por medo de que o olhar astuto da amiga percebesse-lhe a reação quando ela ouvisse a voz de Joe.

— Como quiser, chefa.  Anna ergueu as mãos em sinal de rendição.

Demi esperou até que Anna seguisse para o local onde era estocada a mercadoria e ligou para o celular de Joe.

O coração dela disparava a cada toque, até que a voz firme dele respondeu:

— Aqui é Joe Andrews falando.

— Oi, Joe. Sou eu.

Felizmente ele deu uma pausa antes de voltar a falar. Foi o suficiente para que ela desse um longo suspiro e as batidas aceleradas do coração se acalmassem.

— Oi, Dem! Estou contente que tenha me ligado.

Antes que ele julgasse que ela o estivesse procurando por uma razão diferente, Demi se apressou em dizer:

— Na verdade, eu estou ligando porque preciso da sua ajuda. A porta do refrigerador do bar está com problemas e é muito urgente que ela seja consertada. Eu tentei dar um jeito, mas não consegui. Será que você teria condições de vir até aqui para dar uma espiada nela?

— Claro! Apenas preciso terminar algumas coisas e es­tarei aí dentro de uns vinte minutos.

Demi notou que ele não parecia nem um pouco desa­pontado ou aborrecido. Ela deveria ter ficado aliviada mas não foi isso o que aconteceu. Em parte, Demi ficou frustrada por Joe não ter perguntado o motivo dela não tê-lo procurado por mais de uma semana e agora só procurara para pedir um favor.

— Ah, está ótimo. Obrigada.

— Por nada. Até logo.

Joe foi o primeiro a desligar, e Demi ficou olhando para o fone com a mente confusa. Se ele havia pro posto uma reconciliação, por que não ficara aborrecida pelo fato de ela não ter-lhe ligado durante todo aquele tempo?

Ela meneou a cabeça e devolveu o fone para a base enquanto recolocava o cartão no bolso da calça com a mão que estava livre.

*****

Joe guardou o celular e observou Mike terminar de fixar alguns pregos na parede do quiosque na beira da praia que eles estavam terminando de reformar.

Por fim, Demi o havia chamado, ele pensava. Depois de uma semana em silêncio, finalmente ela decidira ligar. Mas não era para marcar um encontro, como ele esperava que fosse, e sim, para pedir-lhe um favor.

Consertar a porta do refrigerador poderia ser feito por qualquer outra pessoa, mas ela o chamara. E isso signifi­cava uma de duas hipóteses: ou Demi queria vê-lo e estava usando o conserto do refrigerador como desculpa ou estava com medo de chamar um estranho que fosse lhe cobrar uma fortuna por um serviçà toa.

Ele inspirou profundamente o ar salino para tomar co­ragem de ver Demi outra vez.

Ela havia mudado muito. A garota tímida se transforma­ra em uma mulher confiante e de uma beleza estonteante. Contudo, isso nada tinha a ver com os sentimentos que ele nutria por ela desde a primeira vez em que a vira. Demi ainda era sua esposa, e ele iria lutar para reconquistá-la não importava o quanto lhe custasse. A lembrança dela lhe dera a força que ele precisava para vencer na vida profissional, e o que Joe mais queria era poder encontrá-la outra vez. E agora que finalmente a encontrara, ele não pretendia per­der a chance de reconquistar o amor de Demi.

Ela até podia ter agido como se fosse imune ao charme dele, mas Joe tinha visto o brilho nos olhos dela quando o reconheceu na primeira noite em que ele entrou na cafeteria. E também o tremor nas mãos dela quando ele to­cou-lhe os dedos.

Demi ainda não tinha aceitado o fato de ele tê-la abandonado e reaparecer em sua vida só depois de seis anos, porém Joe pretendia demonstrar que eles ainda poderiam ser felizes no futuro, da mesma maneira como foram no passado.

*****

Demi percorria o salão da cafeteria e começava a apagar as velas dos castiçais que ainda restavam acesas nas mesa enquanto ouvia uma melodia que era a preferida dela e de Joe no tempo em que eles ficavam abraçados no banco traseiro do Ford antigo e admirando o pôr do sol.

De repente, ela decidiu desligar o som. Se Joe chegasse naquele momento e ouvisse a música, poderia pensar que ela tivesse mudado de ideia quanto a concordar com uma reconciliação.

Ela terminou de apagar as velas e desligou a luminária fluorescente ostentada na frente da cafeteria. Depois soltou o cabelo e retornou para trás do balcão.

Enquanto isso, tentava acalmar a tensão que sentia a saber que Joe logo estaria ali. Afinal, não se tratava de um encontro amoroso e sim de negócios.

Demi decidiu verificar o nível de grãos que havia na máquina de café para distrair a mente. Com um suspiro desanimado, ela repousou a testa contra a máquina por um instante.

E Joe tinha que chegar bem naquele momento!

Ela ouviu o som de pancadas na porta e girou a cabeça na direção da entrada do bar e viu as feições preocupadas dele através do vidro.

Demi moveu-se rápido pelo salão e destrancou porta.

— Você está bem?  ele perguntou alarmado.

— Sim  ela respondeu com um sorriso. Depois que ele entrou, ela tornou a trancar a porta.  Eu apenas esta­va tentando uma maneira diferente de verificar o nível dos grãos na máquina de café.

Ele exibiu um sorriso duvidoso, mas o que ela poderia lhe dizer? Que estivesse com a mente atordoada pelo fato de ter que encará-lo outra vez?

— E como você passou a semana?  ele perguntou arqueando uma sobrancelha.

Demi percebeu a insinuação nos olhos azuis de Joe. Ele deveria estar aborrecido por ela não ter-lhe ligado du­rante todos aqueles dias.

Ela clareou a garganta com um ruído e declarou:

— O bar esteve movimentado, e eu não tive um minuto de descanso.

— Ah, entendi.  ele concordou em tom de quem não estivesse acreditando naquela desculpa esfarrapada. — Pode me mostrar onde está o problema com o refrigerador do bar?

Sentindo o rosto esquentar pelo embaraço, Demi concordou com um gesto de cabeça e liderou o caminho na direção do balcão. Sem querer, ela tropeçou nos próprios pés e quase perdeu o equilíbrio. Joe a segurou pela cin­tura e impediu que ela caísse.

— Você está bem?

— Sim. Obrigada.  Era só o que lhe faltava, ela pen­sou. Sentir as mãos fortes dele em sua cintura e o calor do corpo másculo tão próximo ao dela.  O refrigerador é aquele  ela apontou com um dedo para poder se livrai logo dos braços que a deixavam fora de controle.

Joe a libertou e por um instante, Demi sentiu falta do calor do corpo dele.

Ela o observou enquanto Joe examinava de perto a porta do refrigerador. O jeans apertado denunciava a mus­culatura perfeita das pernas masculinas, e a camiseta de algodão azul evidenciava o torso poderoso e os braços fortes.

Demi engoliu a saliva por diversas vezes. Fazia mui­to tempo que ela não sentia aquela atração pelo corpo de um homem. Ela preferiu ignorar seus instintos de mulher durante os seis últimos anos e concentrar a atenção apenas no trabalho.

— Você me disse que havia tentando fazer o conserto então supus que teria as ferramentas necessárias e, por isso, não trouxe as minhas  ele revelou, interrompendo os devaneios dela.

— É verdade  Demi concordou e foi buscar a caixa de ferramentas, voltando logo em seguida.

— Ela é cor-de-rosa!  ele exclamou em tom divertido.  Eu nunca vi uma caixa de ferramentas cor-de-rosa

Ela revirou os olhos com indignação e abriu a caixa. Apanhou a chave de fenda que havia utilizado antes e ofereceu para ele.

— Acontece que você só trabalha com homens. Se empregasse mulheres, estaria cansado de ver caixas de ferramentas cor-de-rosa  ela afirmou e empinou o nariz.

— Pode ser  ele duvidou enquanto apanhava a chave de fenda que estava sobre a palma estendida de uma das mãos dela. Os dedos dele tocaram-lhe a pele por um se­gundo, e Demi sentiu como se tivesse levado um cho­que elétrico, cujas faíscas se refletiram por toda a exten­são do braço. Ela se esforçou para não recolher a mão antes que ele pegasse a ferramenta.

— Estou impressionado  ele declarou.

— Com a caixa de ferramentas cor-de-rosa?

— Não. Com o fato de você saber exatamente qual o tipo de chave de fenda que deveria ser usada no conserto.

— Bem, eu não sou tão tola quanto pareço. Sei distin­guir muito bem quando é preciso usar uma chave Phillips ou outra qualquer.

— Pois é. Estou vendo isso.  Demi sabia que ele a estava provocando. Era o que Joe costumava fazer desde o primeiro encontro deles. E ela gostava daqueles desafios.  Estava pensando se você poderia usar suas habilidades em reconhecer ferramentas e me entregar um alicate.

— Claro que eu posso, espertalhão.  Ela apanhou um alicate da caixa e entregou para ele. Dessa vez, to­mando o cuidado de não esbarrar nos dedos dele. E aca­bou frustrada quando deu certo. Demi não conseguia entender a indecisão que se passava em seu interior. De­sejava uma coisa e esperava por outra. E se não tomasse cuidado, acabaria por concordar em dar uma chance para Joe.

— Estou quase conseguindo  ele murmurou enquan­to dava um último aperto com a ajuda do alicate,  Pron­to, está terminado.  Ele a fitou com um sorriso e devol­veu-lhe as ferramentas.

— Obrigada. Notando a força que você precisou fazer, eu jamais teria conseguido consertá-la.

Ele dobrou um braço e exibiu a musculatura com uma piscadela divertida.

— O que seria das mulheres se não fosse a força dos homens?

Ela precisou se esforçar para conter a vontade de tocar naqueles músculos poderosos e acariciá-los.

— Aceita um café ela ofereceu enquanto se afasta­va rapidamente para próximo da máquina de café expres­so e escapava da tentação.

Demi já havia tomado a decisão de não contatar Joe a não ser para assinar os papéis de divórcio. Mas agora que o vira outra vez, seus sentimentos estavam abalados. As lembranças que eclodiram na noite em que ela o en­contrara na confeitaria estavam mais intensas, e ela não sabia como fugir da atração que Demi continuava sen­tindo pelo único homem que amara na vida.

— Aceito sim, obrigado  Joe anunciou enquanto se acomodava no lado de fora do balcão.

— Expresso ou quer provar a especialidade da casa?

— Como é feita essa especialidade?  ele quis saber.

— Uma parte de café e cinco partes de leite. Depois batido na coqueteleira com alguns cubos de gelo.

— Parece bom. Acho que vou prová-lo.

Enquanto ela estava de costas para ele e operava a máquina para extrair uma dose de café, aproveitou para perguntar:

— Quanto lhe devo pelo conserto da porta do refri­gerador?

— Nada.

Ela revirou o corpo e o encarou:

— Nãé justo, eu tenho que lhe recompensar pelo trabalho.

— Pretende me recompensar?

Demi não gostou nem um pouco do brilho que ele exibiu nos olhos ou da maneira como seus lábios se cur­varam em um sorriso diabólico.

— Então está bem  ele prosseguiu.  Poderá me re­compensar com um jantar.

Oh não!, ela exclamou em pensamento. Um jantar sig­nificava ficar sentada na frente dele e ter que suportar a intensidade daqueles olhos azuis e o sorriso magnífico que estava sempre presente nos lábios sensuais de Joe.

Ele era tão carismático que ela mal podia resistir àque­les trinta minutos, quanto mais despender uma noite ao lado dele e depois ir sozinha para casa.

— Eu prefiro acertar essa conta em dinheiro  ela insistiu.

— Não. Ou é o jantar ou eu vou processá-la por falta de pagamento.

— Você está brincando, nãé ela perguntou, mas sabia que se tratava de outra das piadas dele para provocá-la.

Joe deu de ombros.

— Talvez. Mas eu não aceito o pagamento a não ser que seja através de um jantar. E você poderá escolher o lugar, já que irá pagar por ele. Só quero que saiba que não me sinto confortável com a ideia de aceitar que você pa­gue pela refeição.

— Por quê? Você gosta de bancar o homem machista?

— Não. Eu gosto de ser o homem cavalheiro que trata a esposa da maneira correta.

O tom de voz baixo e rouco como ele falava não deixa­va dúvidas de como ele gostaria de tratá-la. Naquele ins­tante, ela tomou uma decisão que provavelmente se arre­penderia mais tarde, mas que não conseguiu resistir:

— Está bem. Eu concordo com o jantar.

— Ótimo. Amanhã à noite está bom para você?

Ela pensou em dar uma desculpa de que iria consultar sua agenda. Mas do que isso adiantaria? Joe se mos­trara tão solicito em vir consertar o refrigerador e, se o que ele esperava como recompensa fosse apenas um jan­tar, ela não poderia negar-lhe essa cortesia.

Quem é que Demi pretendia enganar com esse pen­samento?

Estava mais do que óbvio que um simples jantar não era o que Joe tinha em mente. Ele a queria como sua esposa outra vez.

— Amanhã à noite está bom para mim  ela concor­dou e agitou a coqueteleira com vigor. O som produzido pelos cubos de gelo se chocando com o metal parecia se­melhante ao caos emocional em que ela se encontrava.

— Eu virei apanhá-la às 20h, está bem?

Demi ficou pensativa. Se ela aceitasse que ele viesse buscá-la, isso lhe causaria tamanho pânico na noite se­guinte que era capaz de Demi se esconder no quarto dos fundos da cafeteria para poder fugir dele.

Ela serviu a mistura que acabava de preparar em dois copos altos e colocou um deles na frente de Joe.

— Eu não sei a hora certa em que poderei fechar a ca­feteria. Acho melhor eu ir até o seu apartamento quando estiver liberada dos clientes.

Joe experimentou o café e aprovou a mistura erguen­do um polegar no ar.

— Está certo  ele finalmente concordou.  Eu a es­perarei em casa. Não existe nada mais sexy do que uma mulher cavalheira.  Joe ironizou com outro de seus encantadores sorrisos.

Demi notou que, aos poucos, ele conseguia derrubar as muralhas que ela havia erguido como proteção. E a ideia de ficarem juntos outra vez era muito tentadora, principalmente agora que ambos estavam mais maduros e conscientes. Será que ela estaria pronta para assumir aquele risco? O fato era que quanto mais tempo ela passa­va Joe, mais sentia a possibilidade de tornar a se apai­xonar por ele. Até seria fácil recomeçar o casamento deles outra vez. O difícil seria esperar que ele compreendesse o fato de que ela nunca poderia dar-lhe um filho.

— Bem, agora que já entendemos, que tal falarmos so­bre a reforma do seu apartamento?

— Eu já contratei outro empreiteiro.

— Verdade?

Ela baixou o olhar para o copo que mantinha nas mãos a fim de evitar o olhar dele. Ela não podia contratar Joe. Não quando sua intenção era a de livrar-se dele antes que se apaixonasse de novo e acabasse magoada. E agora, se ela tivesse bom-senso, deveria pagar o jantar prometido e encerrar os encontros com ele de uma vez por todas.

— Sim. E a reforma já está quase terminada.

— Certo. Mas se precisar de alguma coisa, lembre-se de que estarei por perto.

— Obrigada. Mas acho que não será preciso.  Ela consultou o relógio de pulso e avisou:  Se não se impor­ta, eu preciso fechar o bar e descansar. Amanhã será um dia atribulado para mim.

— Tudo bem.  Ele terminou o café de maneira apres­sada e ofereceu:  Você quer que eu a acompanhe até em casa? Ouvi dizer que a vizinhança está lotada de maus elementos durante a noite.

Ela sorriu.

— Não se preocupe. Eu não vou sair para lugar nenhum. Estou dormindo no quarto que fica nos fundos do bar até que a reforma do meu apartamento esteja terminada.

— Está brincando?  ele perguntou com espanto. — Eu não vou permitir que você prossiga dormindo aqui. Um serralheiro me contou que a maioria dos bares e res­taurantes da região já tiveram as portas arrombadas du­rante a noite. Inclusive, ele foi chamado, nesta manhã, para trocar as fechaduras do bar que serve sushi no outro quarteirão.

— É mesmo? Eu não fiquei sabendo. E eles levaram muito dinheiro?

Joe se aproximou dela e a segurou pelos ombros.

— Eles não apenas roubaram todo o dinheiro que havia no caixa, como também esfaquearam uma das cozinheiras que havia chegado cedo para adiantar os preparativos do almoço.

— Ah, não!  Ela cobriu o rosto com as mãos ao saber que uma violência tamanha havia acontecido ali perto. — E ela está bem?

— Ela foi levada para o hospital, e o seu estado parece grave. É por isso que eu não quero que fique aqui, não importa o que tenha a me dizer.

Demi recuou um passo para se livrar das mãos dele e endireitando os ombros avisou:

— Eu ficarei bem. Estou acostumada a cuidar de mim mesma. Além disso, existe um alarme na cafeteria.

Ele estreitou os lábios diante da teimosia dela.

— E você acha que não havia um alarme na casa do sushi? Ou nos outros bares e restaurantes que foram arrombados?  Ele passou a mão pelo cabelo e asseve­rou as feições.  Aqueles bandidos esfaquearam a moça mesmo depois de terem roubado o dinheiro. Tra­ta-se de criminosos frios que sentem prazer em ferir as pessoas. Eu não quero que fique aqui sozinha. Você não tem alguma amiga com quem possa ficar por alguns dias?

— Você acha que eu estaria dormindo em uma cama de campanha nos fundos do bar se tivesse alternativa?

A resposta sarcástica escorregou dos lábios dela antes que Demi tivesse tempo de pensar.

Que ótimo! Agora ele sabia que ela não tinha amigos. E a verdade era que... Bem, fora Anna, que morava em um quarto de pensão, Demi não podia contar com ninguém mais.

Ela gostava que as coisas fossem dessa maneira. Ela decidira se isolar da sociedade desde quando viera para Melbourne. Ela não confiava em ninguém e assim seria mais fácil esquecer Joe, os pais e o bebê que ela nunca teria. Seu maior desafio era o de tornar o Café Niche o lugar mais aconchegante que a cidade já tivesse visto.

— Então só existe uma soluçã Joe falou com de­terminação.  Você vai ficar no meu apartamento.

— De jeito nenhum!  ela exclamou indignada. De­pois se arrependeu e suavizou o tom de voz:  Obrigada pelo oferecimento, mas...

— Não existe outra saída, Dem. Você não está segura aqui, e eu não permitirei que fique. Vai ficar comigo até que a reforma termine e ponto-final.

— Simples assim?  ela perguntou cruzando os bra­ços contra o peito e erguendo o queixo. Odiou a atitude dominadora de Joe, embora estivesse contente com a preocupação que ele demonstrava com a segurança dela.

— Ouça, Dem. Isso não precisa ser complicado.  Ele estendeu as mãos com as palmas voltadas para o alto, como se estivesse querendo demonstrar que não havia nenhuma segunda intenção no que estivesse lhe pedindo. — Eu não quero pressioná-la e não se trata de nenhum plano para forçá-la a ficar comigo. Apenas estou preocupado. E se isso a fizer sentir-se mais segura, eu prometo que agirei apenas como um amigo enquanto você estiver em meu apartamento.

Amigo? Se o fato de ela ficar algumas horas ao lado de Joe já era difícil, como seria dormir sob o mesmo teto que ele?

Ela não podia fazer isso.

Contudo, ela sabia que poderia confiar em Joe. Ele sempre fora um homem de palavra e não estaria insistindo em protegê-la se não estivesse preocupado com a segu­rança dela.

O Café Niche poderia significar muito para ela, mas nem por isso, Demi deveria colocar sua vida em risco.

Ela fitou os olhos dele e observou os reflexos do brilho em tom cobalto. Portanto, só existia uma resposta que se­ria a mais sensata:

— Está bem. Eu aceito a sua oferta.

Joe suspirou aliviado.

— Ótimo. Está pronta para irmos?

— Eu preciso finalizar algumas coisas. Por que você não vai na frente e eu o encontro logo mais em seu apar­tamento?

— Prefiro esperá-la.

— Não se preocupe, eu ficarei bem. Ainda é cedo e há muitas pessoas andando pela rua. Só preciso de um tempo para poder pensar nos preparativos que preciso deixar pronto para amanhã cedo.

— Tem certeza?

Ela assentiu.

— Sim. Eu o encontrarei logo mais.  Ele permaneceu com uma expressão de dúvida, e ela insistiu:  Pode ir. Eu prometo que não vou demorar.

Após um momento, ele concordou:

— Está bem, mas me ligue se precisar de alguma coisa, está bem?

Com um sorriso comovido pela superproteção que ele demonstrava, Demi garantiu:

— Fique tranquilo. Eu ligarei se for preciso.

— Certo. Anote o meu endereço.  Assim que ela apa­nhou uma caneta e um pedaço de papel, ele ditou:  Eu moro no Eureka Towers, em Southbank, apartamento 8.801.

Demi o acompanhou até a porta de saída da cafeteria, e ele se despediu com um beijo ligeiro no rosto dela.

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YAY Continuem nesse ritmo. Próximo só amanhã.
xoxo

5 comentários:

  1. Essa história está demais, mal começou e já estou a adorar :) Tenho pena que Demi não possa ter filhos, mas quem sabe um milagre pode acontecer quando ela se juntar a Joe...

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  2. Essa historia é perfeita posta mais

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  3. Eu também espero que um milagre aconteça.... estou animada com essa história dela ir para o apartamento dele... posta logo por favor!!!!

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  4. Eu também espero que um milagre aconteça.... estou animada com essa história dela ir para o apartamento dele... posta logo por favor!!!!

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  5. doida para o que vai acontecer no apartamento dele................ Posta Logo!!!

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