7.7.15

O Sucesso Em Meus Braços - Capitulo 1

Demi Henderson odiava o Dia dos Namorados. Ela o considerava como uma manobra do comércio para elevar, ao máximo, o sentimento entre os casais e lucrar com isso. Todas aquelas bobagens de demonstrar sua afeição atra­vés de presentes, poderia funcionar para as pessoas que acreditassem no verdadeiro amor. Mas não para Demi. Ah, não. Ela já havia ultrapassado essa fase.

— Nós tivemos um grande movimento hoje, não foi?

Demi desviou a atenção da máquina de café e olhou para Anna, sua melhor funcionária e amiga, que se encon­trava do outro lado do balcão.

— O melhor do ano, eu suponho  respondeu com um sorriso esmaecido por conta do cansaço. Então recostou-se no balcão, pelo lado de dentro, e apoiou o peso do corpo em um dos pés, alternando em seguida para o outro, a fim de poder suportar a dor. As elegan­tes botas pretas de cano longo e saltos altos eram suas favoritas para percorrer o salão e atender às mesas do Melbourne's Docklands, um dos mais famosos cafés da região, mas, em matéria de conforto, deixavam muito a desejar.

— Acho que todos os cafés e restaurantes da cidade fi­caram lotados hoje — Anna declarou e, em seguida, acres­centou:  É bom saber que o romance ainda está esteja muito vivo no coração das pessoas.

Demi esforçou-se para não franzir o nariz diante da­quela última conotação.

— Com certeza, esse dia é muito bom para os negócios, mas, em minha opinião, não passa de uma grande hipocri­sia. Tanta pompa em um único dia e, no restante do ano, a maioria dos casais vive brigando ou acaba se separando.

Ela trabalhara no café durante os seis últimos Dia dos Namorados e testemunhara os casais murmurando juras de amor, os sorrisos felizes e, até mesmo, algumas pro­postas de casamento naquelas ocasiões.

Demi se sentia aliviada por ter-se distanciado de to­das aquelas fantasias sem sentido. Porém, ao observar o salão vazio e as chamas das velas dos castiçais quase apa­gadas, ela se recordou de ter-se sentido feliz em um Dia dos Namorados acontecido muito tempo atrás.

— Você é a única mulher que eu conheço que parece não se importar com esse dia  Anna confessou. E apontando um dedo, fingiu uma repreensão:  Não acha que está na hora de trocar a companhia daquele gato gordo que você tem em casa pela de um homem, para variar?

— Não nesta vida  Demi respondeu meneando a cabeça. Ela já havia sido atingida por uma das flechas do cupido e ainda tinha as cicatrizes para provar isso. — Além do mais, eu estou feliz no meu nicho. — Ambas ri­ram quando ela colocou na frente da amiga o porta-copos no qual estava impresso o logotipo do bar com as palavras Café Niche.  Viu? Está escrito bem aqui.

Anna balançou a cabeça.

— Você quer saber o que eu penso?

Demi se afastou para colocar um pouco de leite na máquina de café expresso e preparar um cappuccino para elas, antes de dar a noite por encerrada e fechar o bar.

— Não. Mas como você irá dizer de qualquer maneira, então vá em frente.

— Eu acho que o cupido adora desafios. E você, minha amiga, é apenas uma romântica rebelde. Não acha que ele tem meios de derreter esse gelo e fazer com que você se apaixone por alguém?

— Não tão cedo  Demi afirmou com falsa segu­rança. Ainda bem que Anna nem desconfiava do quanto ela estivera apaixonada por alguém e o que acontecera em um determinado Dia dos Namorados.  Eu gostei da ideia de ser considerada uma romântica rebelde. Isso me faz ter vontade de colocar botas pretas e de cano longo para trabalhar.

Anna espiou por cima do balcão para as botas que Demi usava.

— Ah, estou vendo que já fez isso.

— Pois é. E elas estão me matando!

Anna sorriu.

— Nunca conseguimos incrementar a aparência sem ter que suportar alguma dor  ela argumentou e apontou para o cinto apertado que continha argolas de metal e que envolvia os seus quadris largos.  Quem me dera eu pu­desse me vestir como vocêÉ claro que botas longas, saias justas e tops pareceriam ridículos em meu corpo.

— Você fica esplêndida na maneira como se veste, Anna  Demi assegurou, concordando silenciosamen­te que seu estilo esportivo de roupas jamais combinaria com o tipo físico da amiga.

— Você só está sendo gentil  Anna afirmou com um sorriso e depois provou a bebida que Demi acabava de servir.  Huum... Está delicioso. Essa é uma ótima ma­neira de encerrarmos a noite antes de fecharmos o bar.

— Eu combinei com um empreiteiro de obras para se encontrar comigo aqui no café e discutirmos sobre algu­mas reformas que pretendo executar no meu apartamento. Por isso, preciso aguardar até que ele chegue. Por que você não termina o cappuccino e vai para casa? Eu posso fechar o bar.

— Tudo bem, a patroa é quem manda. Você quer que eu apague algumas luzes antes de sair e revire a placa de horário da porta para desencorajar novos clientes?

— Não se preocupe Anna, eu cuido disso. Tenha uma boa noite.

*****

Assim que a outra saiu, Demi caminhou até o painel central onde se encontravam os interruptores das luzes do salão. Espiou o relógio grande posto em uma das paredes e torceu para que o empreiteiro não demorasse muito a chegar.

Ela precisava que a reforma fosse feita o mais rápido possível, e todos os profissionais que havia consultado antes haviam lhe fornecido um orçamento astronômico. Na certa, eles estariam tentando tapeá-la apenas por que estavam tratando com uma mulher.

Demi odiava aquele comportamento machista. Ela não teria chegado onde estava hoje sem ter sido forte, in­dependente e centrada em suas metas.

Ela desligou dois dos interruptores para diminuir as lu­zes do salão e já estava com o dedo posicionado em mais um botão, quando percebeu que um homem entrava pela porta da frente.

Ótimo. Finalmente ele chegou. Ela pensou enquanto desligava os demais interruptores e mantinha, em uma das mãos, o molho de chaves para fechar a porta depois que saíssem. Eles poderiam discutir o assunto a caminho do apartamento.

Contudo, assim que ela se aproximou da porta e obser­vou de perto o homem que acabara de entrar, sentiu o co­ração disparar com o susto, e as chaves escaparam de sua mão, produzindo um ruído metálico ao caírem no chão.

Trajando um jeans desbotado e uma camiseta na cor cinza, ele mantinha uma postura casual. Os olhos eram da mesma cor da camisa, e os lábios sensuais exibiam o sor­riso encantador de sempre. O sorriso que ela nunca conse­guira esquecer, por mais que tentasse.

Esquecer-se dele era o maior desafio que ela enfrenta­ra naqueles últimos seis anos. Contudo, no minuto em que Joe Andrews curvou os lábios e ostentou aquele lindo sorriso, ela se sentiu como se tivesse sido transpor­tada de volta no tempo, para a primeira vez em que ela vira aquele incrível sorriso em um determinado Dia dos Namorados... Para o tempo em que ele dispensava total atenção para ela... Para o tempo em que eles eram loucos, um pelo outro.

Rever Joe, depois de todos aqueles anos, provocou um turbilhão de lembranças na mente de Demi. Tardes quentes de verão e piqueniques românticos ao lado de um tranquilo riacho. Compartilhar um cachorro-quente no banco traseiro de um Ford antigo enquanto assistiam o pôr do sol. As longas caminhadas de mãos dadas à sombra dos eucaliptos e o sorriso feliz em seus lábios enquanto um sentimento de amor acelerava o ritmo de seus cora­ções. As carícias e beijos trocados com a pura emoção do primeiro amor.

Ah, sim. A paixão que cultivara por Joe a levara a um patamar de emocionantes aventuras até ser deixada de lado e acabar devastada pela dor do abandono.

Ele lhe despedaçara o coração, e ela nunca mais queria se arriscar a sentir aquele sofrimento outra vez.

— Está tudo bem com você, Dem?

— Está se referindo ao momento atual ou aos últimos seis anos?

Tentando não demonstrar o quanto ela estava perturba­da com a presença dele e a forma carinhosa como apenas Joe costumava chamá-la, ela se inclinou para apanhar as chaves que haviam caído no chão. Porém ele teve a mesma ideia e no mesmo momento.

Por um instante, seus dedos se tocaram, e ela sentiu como se tivesse levado um choque elétrico, o que a fez recolher a mão muito depressa e quase perder o equilí­brio. Joe segurou o cotovelo dela para ajudá-la a se estabilizar, e isso foi o suficiente para sacudir-lhe os ins­tintos adormecidos.

— Ambos  ele respondeu enquanto estudava os olhos dela.

— Eu estou bem.  Ela mentiu. Como poderia estar bem quando o homem da sua vida lhe havia abandonado sem dar explicações e agora reaparecia, do nada, no Dia dos Namorados, que representava para ela o aniversário da data em que lhe entregara o coração?  O que você está fazendo aqui?  Demi perguntou no instante em que ele lhe entregava as chaves que havia recolhido do chão.

— Eu queria ver você.

Ela ficou chocada, quando notou a sinceridade nos olhos dele. Sim, ele estava dizendo a verdade.

Demi podia não ter visto Joe nos últimos seis anos, mas nunca se esqueceria de como podia desvendar os sentimentos dele através da mudança de tonalidade do brilho naqueles olhos azuis.

O tom índigo indicava alegria, do tipo que ele demons­trava durante as doze semanas que desfrutaram juntos. O cobalto revelava honestidade. E Demi acreditara em Joe quando lhe dissera que ela era a mulher da vida dele. E quando o tom se tornava semelhante ao de uma genciana, representava a paixão e o desejo quando eles compartilhavam momentos íntimos.

Sim. Ela se lembrava de cada mudança de tonalidade que Joe exibia naqueles olhos fantásticos durante os três meses mais felizes de sua vida.

Então ele fora embora sem nenhuma explicação.

Por qual motivo os olhos dele faiscavam em tom cobalto agora? Seria pela razão de não querer que ela vis­se a verdade na cor dos seus olhos que ele partira sem avisá-la?

Odiando a emoção que sentia pelo toque da mão dele em seu cotovelo, Demi desvencilhou o braço e inter­rompeu o contato. Será que ela ainda não tinha aprendi­do a lição de que Joe Andrews não era um homem confiável?

— Bem, se você veio para me ver, então já viu. Por que não vai embora agora?

Ele alargou o sorriso.

— Não vai ser tão fácil livrar-se de mim, Dem. Eu sei que mereço o seu desprezo, mas...

— Só o meu desprezo?  ela respondeu com insinua­ção enquanto brincava com o molho de chaves passando-o de uma mão para a outra.

— Prossiga, Dem. Desabafe. Ponha para fora toda a sua mágoa.

— Não me tente, Joe  ela respondeu com since­ridade. Demi gostaria de lhe dizer o quanto se sentira humilhada e como o procurara por mais de um ano para que ele esclarecesse o motivo pelo qual ele a abandona­ra. Também queria lhe contar que jamais conseguira deixar que outro homem se aproximasse dela por medo de envolver-se e sofrer outra vez. Ou então, o melhor seria expulsá-lo e nem mesmo ouvir o que ele tinha para dizer.

— Eu sei que você não quer me expulsar, Dem.

Ótimo, ela pensou. Agora ele até podia ler o que se pas­sava na mente dela. E o pior era que Joe estava certo. Por mais que ela desejasse que ele saísse por aquela porta e nunca mais retornasse, uma grande parte de seu ser cla­mava por saber onde ele estivera durante todo aquele tem­po e a razão pela qual destruíra o relacionamento perfeito que eles desfrutavam.

— Você não sabe mais como eu sou ou o que eu quero  ela anunciou com a voz firme e notou um brilho de mágoa nos olhos dele.

— Mas eu gostaria de saber. Por que não conversamos um pouco?

— Estou fechando o bar.

Ele ergueu uma sobrancelha e espiou para as lâmpadas que ela já havia apagado.

— Eu posso ver isso, mas precisamos ter uma conversa.

— Não. Não precisamos  ela protestou. Se ela per­mitisse que ele explicasse as razões por tê-la abandona­do, talvez isso aliviasse a mágoa que ainda sentia. Porém não poderia se arriscar a perdoá-lo e reatar o relaciona­mento. Ela construíra uma nova vida durante aqueles seis anos. Uma vida independente, na qual não precisava de nada nem de ninguém. E gostaria de mantê-la da maneira como estava.

Ele ergueu uma das mãos e acariciou com suavidade uma das faces coradas de Demi.

Ela estremeceu ao sentir o toque daqueles dedos fortes em sua pele. Lembrava-se muito bem de como era sentir a mão dele explorando as curvas do seu corpo e no quanto isso a excitava. E também da maneira como ele a introdu­zira em um mundo de prazeres que ela desconhecia.

— Eu não vou aceitar um não como resposta  ele anunciou enquanto recolhia a mão.

Ela meneou a cabeça com desolação. Ele era teimoso demais para que ela conseguisse se livrar assim tão fácil.

— Está bem  finalmente ela concordou.  Eu posso preparar um café para você, e esse será o tempo que terá para conversar comigo. Depois terá que ir embora  ela avisou enquanto retornava até o quadro de força para rea­cender as luzes do salão.

— Ótimo. Poderá aproveitar para colocar toda a sua amargura no meu café Ele ironizou com um sorriso e a seguiu até o balcão do bar. As mãos enfiadas nos bolsos do jeans e uma confiança de que conseguiria derreter o gelo que ela usava como couraça.  Você deveria ser mais gentil com os clientes.

— Você nãé um cliente e sim...  Ela se interrompeu por medo de tocar naquele assunto. Afinal, por que deve­ria abrir a porta do passado e ameaçar a vida que lutara para construir?

— Continue  ele insistiu.  O que eu represento para você?

— Você sabe  ela falou com os dentes cerrados e um olhar fulminante, o que não causou muito impacto, a jul­gar pelo largo sorriso que ele ainda mantinha nos lábios.  E acho melhor você me dizer logo como deseja o seu café, antes que eu me arrependa e coloque você para fora daqui neste mesmo minuto.

Ele riu divertido ao vê-la zangada.

Aquela era a maneira como Joe sempre reagia. En­frentava as situações com um sorriso nos lábios. Era o tipo de pessoa que enxerga o copo meio cheio em qual­quer situação. Demi adorava essa qualidade dele. Ali­ás, havia muitas outras coisas que ela admirava nele, o que tornara mais difícil tentar esquecê-lo naqueles últi­mos seis anos.

— E então? Como quer o seu café ela perguntou, mantendo os dentes cerrados.

— O de sempre, por favor.

— Certo.  Ela se dirigiu para a máquina expressa e, só então, percebeu que havia cometido um grande erro. Sem querer, ela revelara que se lembrava de como ele pre­feria o seu café. Aquele não era um bom começo para Demi, já que ela pretendia demonstrar que já tinha es­quecido o passado.

Ela estava tão distraída que nem mesmo notou a pre­sença de dois homens que acabavam de entrar pela porta principal.

— Eu vou ocupar uma das mesas para conversar com dois conhecidos meus. Será que poderia preparar um cappuccino para eles, Dem?

A voz dele alertou-a, e Demi girou a cabeça para consentir com um gesto. Depois permaneceu por um tempo observando o corpo musculoso que se afastava na direção de uma mesa num canto do salão. Ouvi-lo cha­má-la de Dem a fizera recordar-se de uma manhã de sá­bado, quando ela trabalhava na cafeteria de seus pais, e um jovem desconhecido se sentou do outro lado do bal­cão. Depois de olhar para o crachá que ela usava na blu­sa, ele perguntou:

— Será que poderia me servir um expresso extraforte com dois sachês de açúcar, Dem?

Os olhos azuis dele e o sorriso cativante a fascinaram. E aquele fora o primeiro passo para que ela se apaixonas­se pelo construtor nômade que levara seu coração e seu orgulho junto com ele quando partira.

*****
— Como estão indo os planos? — Joe perguntou as­sim que se acomodou na mesa em que os outros dois homens ocupavam.

Por um instante, espiou Demi, que estava de costas para o salão enquanto prestava atenção na máquina de café expresso.

Ela havia mudado muito, ele pensou. O cabelo curto e eriçado tinha sido substituído por uma trança longa que se estendia pelo centro das costas até quase a linha da cintu­ra. Havia apenas um brinco em cada orelha, no lugar dos três que ela costumava usar. A constituição magra do cor­po, que ele lembrava muito bem, agora estava com curvas mais acentuadas.

Contudo, a maior mudança que ele notara fora em sua personalidade. A garota alegre e espontânea por quem ele se apaixonara havia se transformado em uma mulher fria e confiante, que não teve nenhuma dificuldade em de­monstrar o quanto ele não era bem-vindo.

Não que Joe esperasse algo diferente. Depois de tê-la abandonado, ele sabia que esse seria o tratamento mereci­do. Entretanto, ele não tivera escolha. E ao observá-la gerenciando o bar, que era o sonho de Demi, ele teve a certeza de que havia tomado a decisão certa.

Joe ainda tinha esperanças de reconquistá-la. A julgar pelo brilho nos olhos castanhos quando ela o reconheceu, a maneira como reagiu ao seu toque e o fato de se lembrar de como ele gostava do café significava que Demi não o havia esquecido.

— Veja você mesmo.  Dirk, o marceneiro, abriu a planta de um projeto sobre a mesa.  O arquiteto fez as mudanças que você pediu no quarto de hóspedes. O que acha?

Joe examinou as linhas finas que demonstravam a mudança no projeto e o número de anotações ao lado. Analisar plantas havia se tornado uma rotina para ele des­de que fundara a BA Constructions, que agora se transfor­mara em uma das mais importantes empresas construtoras da Austrália.

— Está ótima  Joe declarou no instante em que Demi se aproximou da mesa e serviu os cappuccinos para os homens que conversavam com ele.

Assim que ela se afastou, Dirk inalou o delicioso odor do cappuccino antes de comentar.

— Eu lhe disse que Demi serve o melhor café da re­gião. Eu e Mike costumamos vir até aqui quando quere­mos saborear um bom cappuccino.

— É verdade. Foi o que você me disse.  Joe não podia revelar para Dirk o quanto ele o ajudara com aquela informação quando ele chegara a Melbourne uma semana antes. Ele mal tinha começado sua busca por Demi quando Dirk lhe avisara onde poderia desfrutar de um bom café. Mais ainda, ele lhe revelara que Demi estava precisando de um empreiteiro para produzir algumas re­formas em seu apartamento. Tinha sido um puro golpe de sorte que ele não tinha a intenção de desperdiçar. Ele pas­sou a semana se preparando para aquele encontro. Caso Demi se recusasse a falar com ele de maneira pessoal, ainda restaria o assunto profissional.

— Eu já volto.  Joe se desculpou com os homens ao notar que Demi apontava para a xícara que acabava de colocar sobre o balcão.

— Aqui está seu café expresso extraforte e dois sachês de açúcar.

— Que rapidez! Parece que está querendo se livrar logo de mim!

Ela esboçou um sorriso irônico.

— Bem, acho que você não perdeu a habilidade de ler os meus pensamentos.

— Pode apostar. Quer fazer um teste? Ficaria surpresa com o que eu poderia dizer sobre o que você está pensan­do neste momento.

Ela meneou a cabeça e afirmou:

— Beba o seu café. O seu tempo está se esgotando.

Com um sorriso de diversão, ele ignorou o café e colo­cou os dedos indicadores contra as têmporas e estreitou os olhos.

— Ah... Deixe-me ver... Você está pensando no quanto está cansada depois de um dia de trabalho e não vê a hora de sair daqui.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Não acha que isso está óbvio?

Ele prosseguiu na brincadeira.

— Espere aí! Também estou vendo que você está pen­sando em mim, mas não quer ouvir o que eu tenho a dizer porque não quer reviver o passado. Acho que está com medo de encarar o fato de que éramos felizes juntos e na possibilidade de dar uma chance para que isso aconteça novamente.

Com um dedo trêmulo, ela tocou num canto do pires e sentenciou:

— Beba o seu café e depois vá embora. Por favor.

Joe percebeu o tremor nas mãos dela. Demi poderia estar agindo como se não desse a mínima para ele, mas as emoções falavam mais alto.

— Não até que tenhamos uma conversa.

Ela repousou as mãos na cintura e desabafou:

— Acho que não me deixará em paz até que eu concor­de, nãé?

— Isso mesmo.

— Teimoso como sempre  ela murmurou meneando a cabeça.

— É bom saber que você se lembra de muitas coisas a meu respeito.

Ela deu de ombros.

— Minha mente tem o hábito de armazenar informa­ções inúteis. Não leve isso para o lado pessoal.

— Não farei isso  ele respondeu com um sorriso zombeteiro. Eles sempre agiam da mesma maneira. Joe tentava conquistá-la com suas brincadeiras, e ela reagia como se isso não estivesse funcionando, até que acabasse concordando com o que ele queria.  O que acha de con­versarmos enquanto você desfruta de uma torta de choco­late na confeitaria ao lado?  Demi ergueu as sobran­celhas com surpresa, e Joe aproveitou a chance. Moveu o corpo para frente e sussurrou:  Nãé só você que se lembra de certas preferências. Aposto que ainda é louca por torta de chocolate.

Demi ficou imobilizada com aquela revelação. Ela sentia vontade de sair correndo o mais rápido que suas pernas conseguissem levá-la, o mais longe possível da­quele homem e do fascínio que ele exercia sobre ela. Depois de tudo o que passara naqueles seis anos, ela de­veria dar meia-volta e sumir dali sem nem mesmo olhar para trás. No entanto, ela permanecia hipnotizada pelo brilho dos olhos azuis de Joe e seu divertido senso de humor.

— Vamos lá, Dem! Uma garota merece uma boa dose de chocolate depois de um dia estafante. E eu acho impor­tante que você escute o que eu tenho para lhe dizer.

— Está bem  ela concordou com um suspiro. Além do poder de persuasão de Joe havia algo que Demi realmente gostaria de saber: o motivo pelo qual ele a abandonara seis anos antes.

— Ótimo. Nesse caso, eu vou terminar logo este café, dispensar os homens e aguardar você fechar o bar.

— Ih... Eu acabo de me lembrar de que preciso aguar­dar o gerente de projetos da reforma que pretendo realizar em meu apartamento.

— Eu ouvi dizer que você estava precisando de um em­preiteiro de obras.

Ela olhou na direção dos homens que estavam acomo­dados na mesa e protestou:

— Dirk e Mike costumam frequentar o meu bar e, em uma oportunidade, eu pedi que eles me apresentassem um bom construtor, mas estou surpresa de que eles tenham comentado os meus planos com você!

Joe alargou o sorriso.

— Por que não deveriam? Eu sou o melhor gerente de projetos que eles conhecem. Pode perguntar a qualquer pessoa que lide com o mercado de construções.

Demi juntou as peças em sua mente. O fato de Joe conhecer os homens e aparecer em seu café. Ele lhe disse­ra que tinha vindo para vê-la, mas seria apenas por um motivo profissional? E era claro que se fosse isso, Joe tentaria contornar o que acontecera no passado se quises­se que ela o contratasse.

Será que Demi estava bancando a tola outra vez?

Joe notou que ela ficara pensativa, então argumentou:

— Eu sei o que você deve estar pensando, mas está en­ganada. Eu vim até aqui apenas para vê-la e falar com você. Quando soube que você estava precisando de um empreiteiro experiente, eu aproveitei a oportunidade para manter um trunfo no caso de que me expulsasse da sua frente no instante em que me visse.

Mais uma vez, Joe estava adivinhando os pensamen­tos dela. Demi pensou. Contudo, ainda que ele não es­tivesse ali apenas por interesse de negócios, isso não mu­dava o fato de que ele a tivesse abandonado no passado sem lhe dar explicações.

— Pense bem, Dem  ele prosseguiu.  Eu queria apenas falar com você, mas se puder ajudá-la com a refor­ma, será ainda melhor.

Ela ainda tinha tempo de recuperar o bom-senso e ex­pulsar Joe da sua vida. Mas essa seria uma maneira co­varde de resolver as coisas. E se havia algo que ela havia aprendido, desde quando chegara a Melboume com o co­ração partido e precisando reestruturar sua vida, era o fato de que era preciso encarar o medo de frente para poder vencê-lo. Além do mais, ela precisava urgentemente da reforma. Demi tinha vivido em uma espécie de caixa apertada enquanto investia seu dinheiro no bar. Agora que os negócios estavam indo muito bem, ela conseguira comprar o apartamento vizinho e pretendia expandir a área para obter mais conforto.

— Está bem. Eu o encontrarei na confeitaria em 45 mi­nutos.

— Eu estarei lá  Joe concordou e ergueu-se para dispensar os homens e deixá-la livre para fechar o bar.

Enquanto Demi terminava de se aprontar para en­contrar-se com Joe, um pensamento curioso lhe as­sombrava a mente: como ela se sentiria ao provar seu doce preferido junto com seu marido depois de todos aqueles anos?

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YAY! Fic novaaaaa! Eu adorei essa e espero que vocês gostem também. Comentem para o próximo capítulo ;)

5 comentários:

  1. MEU DEUS POSTA MAIS EU AMEI ESSA FIC

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  2. A fic mal começou e eu ja to amando posta mais

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  3. Já começou bem essa fic.......... Posta Logo!!!!

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  4. Meu Deus essa fic veio para destruir, como assim joe era marido dela e largou ela,que desgraçado,poderia aparecer um boy bem magia para demi fazer ciúmes,porque o joe merece isso

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  5. Estou surtando aqui de curiosidade ..... o que será que aconteceu pra ele abandona-la? Pelo amor de Deus posta logooo!!!

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