14.4.15

Nosso Amor - Capitulo 1

O grego de 33 anos, presidente da Simonides Corporation, sur­preendeu o mundo corporativo casando-se com a desconhecida americana, de 26 anos, Gabriella Turner, em uma cerimônia dis­creta, em Milos.

As manchetes de agosto do Corriere della Sera pegaram Joe Jonas de calças curtas. Na cidade, ele comprou o jor­nal a caminho do almoço sem sequer sonhar com o que iria ler ao abri-lo. Com uma reação visceral, suas mãos agarraram as pontas do jornal com tanta força que o papel chegou a rasgar ao meio.

— Papa? O senhor está louco? — Seu filho de seis anos pa­rou de comer sua salada para olhar o pai.

— Não. — Joe se recompôs a tempo. — Rasgou por acidente.

— Podemos ir ao parque agora para jogar futebol?

— Em um minuto, Dino. Deixe eu terminar meu café primeiro.

***

Fontes próximas à família Simonides têm contatos estreitos com a imprensa, mas correu um boato de que o esquivo casal estaria em lua de mel no Caribe e não disponível para fotos ou comentários, até que chegue a hora certa.

Esperava-se que a antiga namorada do executivo grego, Demi, filha do magnata ateniense do jornal, Giorgios Liapis, se tornasse a noiva do brilhante executivo da Simonides. Com o surpreenden­te anúncio, a senhorita Liapis, de 27 anos, que comanda a seção mensal de estilo de vida do jornal de seu pai, desistiu do posto e saiu de cena. Sua localização é desconhecida no momento.¨
***

Uma mão gelada parece apertar os pulmões de Joe de for­ma que o impediu de respirar. Desde o início de julho, quando Demi retornou da Grécia, ele havia honrado seus desejos de não segui-la. Todos os dias esperava ouvir que ela e o grande Simonides estavam casados.

Quando Joe a conheceu, ele amaldiçoou a existência daquele homem e questionava Demi constantemente em relação aos sentimentos que ela nutria pelo homem com o qual preten­dia se casar. Aqueles sentimentos não a impediram de passar uma maravilhosa noite com ele, Joe pensou, furioso. Ele esperava e acreditava que aquela noite tivesse sido de estreme­cer as bases para ela também, e que tivesse apagado seu desejo de vingança por ele.

Mas essas manchetes provaram que ele havia apenas se ilu­dido. Por algum motivo, pensou que ela era a única mulher diferente do planeta.
***

Demi!

Eu sei que está surpresa em me ver.

Deline a abraçou.

É que eu achei que já tinha ido para Itália. Por que não me ligou dizendo que ainda estava em Atenas?

Eu... Eu não ousei — ela gaguejou.

Não ousou? — Com seus olhos castanhos, sua melhor amiga a olhou com preocupação. — Entre para conversarmos, Demi. Acabei de alimentar os gêmeos. Estão lá fora, no balanço do jardim. Leon vai ficar triste por não ter te encontrado. Ele saiu para trabalhar há alguns minutos.

Eu sei disso também. Cheguei mais cedo e propositada­mente esperei até que o carro dele se fosse.

Deline a guiava pela vila dos Simonides, mas, depois de ou­vir esse comentário, virou-se e colocou uma das mãos no braço de Demi.

No minuto em que vi seu rosto, notei que havia algo de muito errado. O que a está incomodando, Demi?

Meu maior medo nesse momento é de que os funcionários de sua casa saibam que eu vim aqui e mencionem isso a Leon. Ele não pode saber de forma alguma que eu estive aqui!

Palavras silenciosas fluíram entre elas. Deline já estava len­do as entrelinhas e desconfiava de que o motivo que trouxera Irina à vila fosse extremamente sério.

As empregadas só vão estar aqui na parte da tarde. A única pessoa pelas redondezas, no momento, é a governanta, Sofia. Vou encontrá-la agora mesmo e informá-la de que sua visita deve ser mantida em segredo. Ela é um membro valioso da equipe e é de confiança, tenho certeza. No entanto, vou deixar claro que, se algum dos outros funcionários ou o meu marido ouvirem que esteve aqui, ela vai ter problemas sérios.

Ninguém nunca teve uma amiga melhor.

Obrigada, Deline.

Elas se abraçaram novamente.

Já volto.

Assim que ela saiu, Demi andou até o jardim. Os gêmeos de cinco meses estavam no balanço, de frente um para o outro. Cada um tinha um brinquedo de plástico e pareciam perfeita­mente contentes, mas, quando viram Demi, seus bracinhos e pernas começaram a se mover mais rápido de entusiasmo.

Demi se ajoelhou ao lado de Kris, que havia feito uma cirurgia de coração tão bem sucedida que não parecia ter deixado o hos­pital recentemente. Ela beijou-lhe a bochecha e então virou-se em direção a Nikos. Ambos tinham lindos cabelos pretos e eram muito parecidos com Leon. A maioria das pessoas presumiria que Deline era mãe das crianças, pelo cabelo preto e a pele oliva.

Mas aqueles que conheciam o clã Simonides estavam cientes da escorregada de Leon durante um período difícil do casamento deles. Foi um erro de uma noite, num estado de embriaguez com Thea Turner, uma greco-americana, agora já falecida, que deu à luz seus belos filhos.

Inacreditavelmente, Deline, que eslava grávida de um filho de Leon, o amava o suficiente a ponto de perdoá-lo e aceitá-lo do volta. Eles agora eram uma família de quatro, com outro bebê a caminho.

Problema resolvido — ela anunciou assim que voltou apressadamente.

Se pelo menos isso fosse verdade...

Diga-me o que há de errado — Deline suplicou ao sentar no sofá.

Demi arregalou os olhos para sua querida amiga, que teria sido sua cunhada se o destino não tivesse chegado para mu­dar-lhes a vida.

Da noite para o dia, tudo mudou. O irmão gêmeo de Leon, Andreas, era com quem Demi achava que casaria. Porém, dois meses atrás ela foi a trabalho para Cinque Terre, na Itália, e conheceu outro homem. A atração e o sentimento entre eles foi tão forte que ela não quis deixá-lo.

Quando voltou para Grécia para contar a Andreas a verdade, ele não estava disponível por causa de alguma circunstância misteriosa. Demi logo entendeu que a meia-irmã de Thea, Gabi Turner, havia aparecido na cena e Andreas estava envolvido com ela. A próxima coisa que soube foi que Andreas se casou com a loira americana e saiu em lua de mel.

Demi Liapis, fale comigo!

Seu corpo começou a tremer.

Eu não sei como te contar isso.

O quê?

Você não vai acreditar. Eu não acredito.

É tão ruim assim?

Muito pior.

Você está morrendo?

Demi sabia que era uma pergunta séria.

Não, mas isso resolveria meu problema.

Sem avisar, Deline pulou a seus pés.

Isso nunca é a solução! — ela a repreendeu. — Eu iria di­zer que, a menos que uma doença incurável esteja a ponto de ti­rar-lhe a vida, nada mais que possa me dizer seria páreo para o que passei enquanto decidia se iria continuar com Leon ou não.

Então ouça isso. Estou grávida.

Deline ficou pálida.

Um filho de Andreas...

Depois de uma breve pausa.

Provavelmente — ela respondeu com uma voz trêmula.

A amiga arregalou os olhos, incrédula.

O que quer dizer com provavelmente?

O médico calculou as datas comigo. Ele tem noventa por cento de certeza de que é do Andreas, mas poderia ser de um outro. Oh, Deline, e se o bebê for de Joe?

Quem é Joe? — A perda de cor da amiga alarmou-a tanto, que fez com que voltassem para o sofá, onde ambas po­deriam sentar.

Joe é o homem com o qual eu passei todo o tempo enquanto estive na Itália escrevendo meu artigo para o jornal. Ele é bonito e... Oh, que confusão! — Demi deixou a cabeça cair sobre suas mãos em uma repentina sensação de desespero.

Há quanto tempo sabe que está grávida?

Eu me senti enjoada a semana passada inteira e finalmen­te fui à emergência ontem. Pensei que, talvez, pudesse ter pego uma gripe ou algo parecido. O médico me enviou para um gine­cologista obstetra que confirmou nesta manhã, antes de eu vir para cá. Estou com seis semanas.

Ela implorou ao médico para calcular as datas de novo e de novo. Quando deixou a Grécia rumo a seu trabalho para o jor­nal, na Itália, só havia dormido com Andreas, o homem que presumira que fosse se casar quando retornasse para Grécia.

Mas esses dez dias na Itália mudaram o curso da sua vida para sempre. Lá ela conheceu Joe e foi tomada de forma rápida por sentimentos que nunca havia experimentado ou sen­tido antes. Foi tão forte que ela estendeu sua permanência para ficar com ele e não teve vontade de voltar para a Grécia, ou para Andreas.

Os olhos de sua amiga encheram-se de lágrimas.

Oh, Demi. Não importa o que aconteça, você terá um bebê precioso.

Eu sei. — Uma umidade brilhou pelas bochechas de Demi. — Eu o quero mais do que qualquer coisa no mundo. — Queria que fosse de Joe, acrescentou silenciosamente.

Claro que quer. — Deline apertou-lhe o braço gentilmen­te. — O que você vai fazer?

Demi respirou fundo.

Só sei de uma coisa: o que eu não vou fazer. Andreas nunca vai saber que o filho que estou carregando na barriga é dele. Vou a outro obstetra hoje para ter uma segunda opinião. Preciso ter certeza.

É o que eu iria sugerir, que fosse a outro médico. Isso é muito importante.

Oh, Deline... Eu quero tanto que Joe seja o pai.

Mas se o próximo médico lhe disser a mesma coisa...

Se disser, ainda assim vou me recusar a magoar Andreas e Gabi. Você e Leon tiveram que viver esse pesadelo quando ele te deu a notícia de que seria pai dos gêmeos de Thea. Não quero começar outro pesadelo para eles. Estão em lua de mel fazendo planos para o futuro. Não farei isso com eles.

Deline ficou sentada, balançando a cabeça, sem acreditar.

Quero ter minha lua de mel com Joe. Quero poder dizer-lhe que estou grávida de um filho dele. Às vezes me per­gunto como você lidou com tudo isso, Deline. Fiquei tão arra­sada por você. — Os gêmeos eram adoráveis, mas deveriam ser de Deline e Leon.

Nunca vou me esquecer que você estava ao meu lado. — A voz dela estremeceu.

Não quero trazer o passado de volta e te magoar. Só não posso fazer isso com eles. — Deline se levantou.

A verdade tem seu jeito de revelar-se. E se tudo ficasse em segredo até que anos se passassem? Não tenho certeza de que nosso casamento pudesse aguentar tal golpe. Pelo menos, esta­mos lidando com a verdade desde o início, antes mesmo do nascimento de nosso próprio bebê. E Leon tem sido tão bom para mim... Inacreditavelmente gentil e compreensivo. Pacien­te, sabe?

Demi entendeu.

Acredite em mim, estou grata das coisas terem se resolvi­do tão bem. Mas pense, Deline... Talvez Gabi já esteja grávida. Estou com medo de a história se repetir.

Sua amiga suspirou.

Minhas notícias não seriam um maravilhoso presente atrasado de casamento para os dois, depois que voltassem do Caribe? Não posso fazer isso.

Um dia ele vai descobrir e, quando isso acontecer... — Deline tremeu. — Eu conheço Andreas. O irmão de Leon é uma pessoa nobre e vai sempre se importar com você, mas se escon­der essa informação dele e então ele descobrir... Especialmente depois do que ele fez para certificar-se de que Leon ficasse jun­to dos filhos. — Ela sacudiu a cabeça mais uma vez. — Tenho medo por você, Demi.

Posto dessa forma, Demi também tinha. Ela limpou a garganta.

Existe uma forma de lidar com isso de maneira que ele nunca descubra. Foi disso que vim falar com você.

O quê? Mudar para outro planeta?

Não para tão longe. Depois que voltei da Itália, larguei meu emprego no jornal. Meu plano era ter terminado com An­dreas antes. Voltei para Riomaggiore para ficar com Joe. É para lá que vou agora. O que espero é que o que disse seja sincero e que ainda queira casar comigo.

Ainda? Quer dizer que, em dez dias, chegaram ao ponto de ele te pedir em casamento? — Deline falou horrorizada. — Não que você não seja a mulher mais bonita e a mais inteligen­te que eu já conheci. Qualquer homem gostaria de tê-la, mas se ele soubesse sobre Andreas...

Parece complicado, eu sei. Ele não perguntou, exatamente. Mais ou menos saiu. Mas quando parti, não pude dar-lhe uma resposta até que conversasse com Andreas primeiro, e sabe o que aconteceu depois. Ele ficou completamente envolvido com Gabi.

Quando ele me contou sobre ela, passei a ver que eu e An­dreas nunca fomos apaixonados, caso contrário Gabi não teria roubado o coração dele da mesma forma que Joe roubou o meu. Joe me alertou dizendo que se eu fosse adiante com esse casamento, não iria dar certo. Naquele dia me arre­pendi de meu erro... Ele estava certo.”

Deline olhou para ela antes que uma expressão estranha sur­gisse em seu rosto.

Que tipo de homem faria você se apaixonar completa­mente em dez dias a ponto de querer casar e desejar que o filho que está carregando fosse dele?

Demi evitou olhá-la nos olhos.

Vamos lá! Me diga.

O nome dele é Joe Jonas. Ele é um solteiro ir­reverente, italiano até a raiz dos cabelos. Falando em cabelos, os dele são encaracolados, selvagens e longos. Ele tanto anda quanto dirige, usa seu Fiat para longas distâncias. — Demi sor­riu ao lembrar. Tudo muito diferente da vida luxuosa em que foi criada na vila, com carros chiques, serviços de limusine e heli­cópteros.

Ele foi designado para levar a mim e meu fotógrafo a um passeio na fábrica de licor, em La Spezia, onde trabalha. En­quanto ele me colocava no carro, disse que gostava dos meus 1,73m, era próximo à altura dele. ‘Há mais para agarrar.’

O sorriso penetrante do italiano ressoou junto com as pala­vras faladas em um inglês com sotaque forte. Insuportável, ar­rogante, mas com aqueles olhos azuis perfurando você através de seus cílios pretos.

Todo nosso encontro foi completamente louco, Deline. O tempo inteiro eu estava lá, ele passou cada minuto comigo. Nós rimos, comemos, caminhamos e conversamos. Eu nunca con­versei tanto com ninguém na minha vida. Eu acho que nenhum de nós dormiu.

Fizemos trilhas, jogamos, passeamos. Ele comprou flores e pequenos presentes para mim. Tomamos banho juntos. Ele... me enfeitiçou.”

Um homem orgulhoso de seu 1,83m e de seus músculos rígi­dos, bonito como os deuses. A antítese do politicamente correto.

Demi se demonstrou cautelosa.

Ele era católico, embora não muito devoto, ele admitia com um sorriso libertino. Ela não tinha uma religião em particular. Demi acreditava em mulheres emancipadas que poderiam ser poderosas em um mundo corporativista.

Ele tem uma opinião sobre tudo e não tem medo de expressá-la.

Joe não é um adorador do dinheiro. Se ganhasse o su­ficiente em seu emprego, já ficava feliz, a ponto de deixar que outro lidasse com o pesadelo de ser um executivo. Demi veio de uma família endinheirada. Poderia definir toda a existência de seus pais como sendo de riqueza.

Joe desviou o caminho para me mostrar seu vilare­jo. Nossas caminhadas pelas montanhas levaram o dia todo por­que ele parava a todo instante para me beijar. Em minha última noite terminei em seu apartamento, em Riomaggiore. Era bem pequeno e mobiliado de forma simples. Ele me preparou uma refeição italiana de matar.

Bebemos vinho e dançamos na varanda até escurecer. Quando ele me pegou e me carregou para o quarto, pareceu in­teiramente natural. Eu parei de pensar em por que esses sentimentos irresistíveis me dominaram. Antes de eu voar de volta para Grécia, ele me disse algo completamente ridículo.

O que foi? — Deline havia observando e escutado verti­ginosamente.

Nós somos opostos em todas as formas concebíveis, Signorina Liapis. Acho que devemos nos casar.

Demi...

Ele também me chocou. Ele gostava de fazer isso normal­mente.

E o que você disse a ele?

Desde o início, sabia como as coisas eram para mim, que eu amava Andreas Simonides há muito tempo e esperava me casar com ele em breve.

Como ele lidou com isso?

Ele riu de mim. “Ama? Se vocês se amassem de verdade, já teriam se casado e não estaria aqui comigo.”

Demi inclinou a cabeça.

Tenho que te dizer, Deline. Aquelas palavras me afetaram, porque eu percebi que ele estava falando a verdade. Andreas e eu estávamos à deriva. Se eu sentisse por ele o que senti por Joe, sempre que possível, não deixaria de ficar com ele dando preferência à minha carreira. Joe continuava ati­rando as verdades em mim. “O que é amor, na verdade? Uma palavra. Pode significar qualquer coisa que queira no momento. E depois pode não significar nada.”

Eu perguntei-lhe se não acreditava no amor. Ele deu de om­bros e fez aquela coisa italiana com as mãos e braços e então disse: ‘Eu acredito em formas de amor. Quem poderia não amar uma criança, por exemplo?’

Quando disse a ele que era impossível conversar sobre isso ele disse: ‘Por quê? Por eu não me conformar com sua ideia equivocada de perfeição ou te digo o que você está acostumada a ouvir? Já deu uma boa olhada em si mesma?’

Deline sacudiu a cabeça.

Não acredito que ele ousou.

Ele ousou muito mais do que isso. “Senhorita Liapis”, ele disse. “Você é como os gansos que voam em bifurcação, frescos e serenos, com sua família bem estruturada, do modo como foi ensinada, cuidadosa para que não seja desviada por outras espé­cies de pássaros ou por desastres naturais. Devo admitir que seria fascinante assistir ao que aconteceria se, ao menos uma vez, você tomasse um curso diferente e assumisse o controle de suas asas.”

Ele não disse isso! — Deline exclamou.

Ah, disse e a afirmação dele foi como um ferrão. Quando começou a fazer amor comigo, não queria que parasse. Mais do que tudo no mundo, queria descobrir seu poder. Ele era um tipo de estranho virtual, até então nada nele parecia estranho. Tudo que fizemos parecia certo. Foi como se tivesse conhecido mi­nha alma gêmea.

Em um raro momento de melindre, Demi mordeu a isca e fez algo tolo ou até perigoso a fim de provar que ele estava errado sobre ela, antes de voar de volta para Atenas. Ela tinha ficado chocada em seu âmago, desde o instante em que ele concordou em mostrá-la as redondezas e fotografar, ela o quis levar a sério, mas estava com medo.

Demi se levantou.

Depois da consulta com o novo médico esta tarde, vou voltar e dizer para Joe que ele estava certo sobre tudo. Minha ida lá vai provar que eu tomei um rumo diferente e que quero ficar com ele. Temos essa atração intensa e essa conexão. Vai ser libertador poder admitir. Se ele falou sério quanto à se casar, eu também quero.

E o que vai dizer sobre o bebê?

A verdade. Tudo que os médicos me disseram. Ele tem o direito de saber tudo, incluindo o fato de que Andreas conheceu outra pessoa também. Se ele não puder me perdoar por voltar para terminar com Andreas, então não é o homem que eu pensava que fosse. — Ela mordeu os lábios. — Se ele não estiver sendo verdadeiro sobre o casamento, então terei que deixar a Europa.

E para onde iria?

Não tenho ideia.

Oh, Demi. Estou assustada por você.

Eu também, estou petrificada.
***


Venha, Dino. Você consegue.

Estou com medo, papa.

Joe conseguia ver o medo nos olhos castanho-escuros do filho. Seu garoto de seis anos e tamanho médio chegava ape­nas até a borda da piscina do hotel, mas não conseguia pular em seus braços. Nenhuma chantagem o seduzia.

Então, o que gostaria de fazer antes de irmos embora?

Não quero ir embora. Quero morar aqui em Riomaggiore com você.

Quando Dino disse isso, seu pequeno tom de desamparo atingiu Joe.

Você sabe que não pode, Dino. Venha. Vamos andar até a praia e apreciar os barcos.

Certo — ele concordou com tristeza.

Você gostaria de fazer um passeio e pegar alguns peixes?

Não, quero apenas observar. — Dino alegou que amava água, mas quando chegava até ela não conseguia aproveitar. A partir de agora, Joe esperava que seu filho superasse al­guns de seus medos mas, desde que sua ex-esposa, Mila, se casou novamente seis meses atrás e mudou-se de Florença para Milão, os medos pareceram piorar.

Vamos! — Ele o levantou sobre os azulejos. Quando am­bos já estavam vestidos com suas camisas e chinelos, Joe segurou a mão de Dino e os dois desceram os degraus após a área da piscina que levava ao mar.

Amanhã era o último dia das férias de verão de uma semana do menino. Tinha pouco de tempo de sobra antes que pegasse o carro e o levasse de volta para Milão. E então restaria um fim de semana por mês de visitação, que começaria novamente na se­mana de dezembro. Ficar longe do filho tanto tempo o matava.

Antes de Mila se mudar para Milão, Joe fazia aquela viagem uma vez por mês para Florença, onde ela morava com a sua família e Dino desde o divórcio. Ele havia encontrado um pequeno hotel localizado perto do Boboli Gardens, de onde ti­nha a vista da cidade de Michelangelo. O cenário encantador se tornara a segunda casa para ele e Dino.

O hotel em que se hospedou em Milão não tinha cara de casa para eles, e nem Milão em si, mas regras eram regras e tinham sido estabelecidas de forma concreta. Para ficar com o filho da maneira como queria, Joe tinha recebido apenas uma se­mana no verão e outra em dezembro, antes do Natal.

Nada mudaria até que Dino completasse 18 anos, a menos, claro, que Joe se casasse novamente. Tal eventualidade aborreceria em vários aspectos um pequeno universo de pessoas.

Depois de deixar que seu pai ditasse um casamento malfada­do da primeira vez, estava avesso a casar novamente. Sua única opção era esperar até que Dino tivesse idade suficiente para plei­tear a mudança das regras de visitação. Então Joe iria para uma corte superior e apelaria da decisão. Ele tinha esperanças de que aquele dia chegasse antes de que Dino virasse um adulto.

Mais tarde, enquanto andavam pelos rochedos do Via Dell’Amorre, entre Riomaggiorre e Vernazza, seu filho gritou.

Olhe, papa. O sol caiu no mar.

Você acha que assusta os peixes ver uma enorme luz bri­lhar debaixo da água?

Isso trouxe o primeiro sorriso da tarde aos lábios de Dino.

Não. Você é engraçado.

Joe olhou para o garoto. Ele era a alegria de sua vida.

Está cansado depois de toda essa nossa caminhada? Quer que eu te carregue nos ombros por esses degraus mais íngremes?

Não acho que sejam íngremes. — Ele marchou atrás do pai e então se virou: — O que é íngreme?

O riso saiu espontaneamente de Joe.

Quase reto e inclinado.

Às vezes acho que vou cair.

Então vai subindo primeiro. Se começar a tombar, estarei aqui para te segurar.

Eu não vou cair, veja!

Suas pernas fortes correram degraus acima pelo caminho ventoso que levava ao apartamento de Joe. Dino tinha ca­belos castanhos escuros e olhos castanhos como a mãe. O estilo de seu corpo era como o de Joe e tinha sido herdado da linha dos Valsecchi.

Claro que Joe achava o filho tão brilhante quanto ele e tão bonito quanto a avó, sua mãe. Os Antonellos tinham nariz empinado e mandíbula firme e tudo isso em Dino era perfeito.

Vou apostar corrida com você até nossa casa — ele gritou antes de começar a correr pela última parte do caminho até o apartamento saltando do rochedo. A varanda deles dava para o Mediterrâneo e passaram muito tempo olhando os barcos e os banhistas pelo telescópio. Quando o céu estava claro, eles con­seguiam ver a constelação entre as estrelas.

Dino correu ao redor da porta de entrada com Joe logo atrás. Para surpresa dele ouviu o filho dizer: “Buonasera, signorina.” Eles tinham visita. Andando ao redor das buganvílias roxas, o coração dele disparou quando avistou a mulher que ele nunca esperava ver novamente. Seus pensa­mentos rodopiaram.

À luz do fim da tarde, seu cabelo preto cintilante caía como uma cortina até a parte central dos ombros dela, cobrindo a ca­miseta sem manga. De pé, com aquelas longas e maravilhosas pernas parcialmente escondidas pelas dobras da saia branca, o impacto de Demi Liapis para os sentidos de Joe nunca fora mais potente.

Buonasera — ela falou com um discernível sotaque grego.

Quem é você? — Dino perguntou, mas já nesse momento seus olhos assustados, pretos como gargantas de papoula, ti­nham encontrado os de Joe. Quando ele descobriu que ela não conseguia entender o italiano de Dino, entrou em cena, mas tinha que ter cuidado com o que diria a ele. Tudo chegaria aos ouvidos da mãe do menino.

Essa é Demi Spiros de Grécia, Dino — ele explicou. — Ela não fala nossa língua. Isso quer dizer que temos que falar inglês com ela.

Mas eu não sei muitas palavras.

Tudo bem. Faça o melhor que puder, o que aprendeu. Va­mos descobrir o quanto seu tutor é bom.

Certo. — Dino se virou e estendeu-lhe a mão. — Olá se­nhorita Spiros. Eu sou Dino e esse é meu papa.

Ela olhou assustada ao ouvir o nome de solteira de sua mãe sendo usado e Joe sabia que ela estava chocada por descobrir que ele tinha um filho. Mas Demi se recuperou o suficien­te das duas surpresas e sorriu para ele.

Olá, Dino. Como vai?

Estou bem, obrigado.

Quantos anos tem?

Seis. E você?

Ela riu suavemente.

Tenho 27.

Dino — Joe sussurrou em italiano. — Nunca per­gunte a uma mulher sua idade.

Ele mordeu o lábio.

Tudo bem — ela disse para Dino, tendo entendido sem precisar de tradução. — Você é um menino muito esperto e edu­cado. — Ela levantou os olhos para Joe com uma pergun­ta neles e ele viu um brilho de alguma coisa indecifrável; ansie­dade, talvez. Ele decidiu esclarecer.

Quando você veio para Riomaggiore há dois meses, meu filho estava com a mãe dele e seu padrasto em Milão. Sou di­vorciado há cinco anos.

Entendo. — Ela o analisou atentamente. — Seria ousadia dizer que ele é adorável e que um dia crescerá e será ainda mais bonito que o seu reservado pai?

Alguma coisa nela estava diferente. Ele ainda tinha que des­cobrir o que era.

Quer dizer tão reservado quanto a quase Signorina Simonides? De acordo com os jornais ela não tem estado disponível desde que o executivo viajou com sua nova noiva americana.

Ele pensou que ela fosse enrubescer, ou pelo menos desviar o olhar. Em vez disso ela disse:

Touché!

Sua falta de ultraje foi tão surpreendente quanto intrigante.

Dino virou-se para ele.

Papa? Ela pode entrar?

Você gostaria disso?

Sim, ela é legal.

De acordo.

Então, vou perguntar a ela. — Joe lançou-lhe um olhar. — Dino quer saber se você gostaria de entrar.

Demi ponderou o convite por um instante.

Se não for interferir em seus planos.

Signorina Spiros gostaria de entrar — ele sussurrou para Dino, então virou-se para destrancar a porta.

***

Demi entrou mas ficou com medo de seu coração estar batendo alto demais, a ponto de Joe poder ouvir. Depois de passar a última noite de sua viagem de negócios lá, dois meses atrás, ela conhecia bem o apartamento.

Demi andou pelo corredor até a porta que fora aberta para ela. Quando esteve lá antes, Joe tinha dito que ali era o quarto de hóspedes, mas havia passado direto pelo cômodo e carregado Demi para o quarto dele.

Dentro, ela viu muitos outros brinquedos, mas o que chamou sua atenção foram os porta-retratos. Alguns pequenos, na mesi­nha de cabeceira, e dois grandes, na parede. Neles estavam Dino e o pai, em diferentes momentos e estações.

Demi passou por uma das fotos onde apareciam na torre de um castelo, no inverno. Pai e filho eram tão atraentes em seus aparatos de esqui, ela sorriu.

Gosto dessa aqui.

É na Svizzera.

Suíça? — ela perguntou. Quando ele assentiu com a cabe­ça ela disse: — Você gosta de castelos?

Joe estava de pé, parado na porta. Ele traduziu para o filho.

Ela quer saber se você gosta de castelos.

Dino olhou para ela seriamente.

Sim.

Você tem algum soldado? Ou deveria dizer cavaleiro?

O filho olhou para o pai em busca de ajuda. Depois de outra tradução Dino disse:

Eu tenho um... Quarenta.

Quarenta? — Ela suspirou com um sorriso. — Isso é molto!

Quando ela falou a palavra em italiano, Dino riu e correu até um baú grande que ele abriu para mostrar-lhe todos os cavalei­ros de brinquedo que estavam dentro. Ela pegou um com a ar­madura completa e segurou para examinar de perto antes de devolver.

Você tem aqui um exército incrível de guerreiros — Joe traduziu, fazendo com que Dino vibrasse. Ele era uma gracinha.

Vamos para a sala — seu anfitrião sugeriu. Demi passou por ele e sentiu seu olhar percorrer-lhe de cima a baixo. — Está com fome ou com sede?

Nenhum dos dois, obrigada. Comi no Hotel Lido antes de vir para cá. É onde estou hospedada enquanto estou aqui.

Veio para Riomaggiore de trem?

Não, de avião até Genoa. Depois, aluguei um carro.

Ela andou pelo apartamento até a mesa da cozinha. Um dos jogos, de macacos saltitantes, não precisava de tradução. Demi queria um pouco mais de tempo para organizar seus pensamen­tos, então abriu a caixa. Quando ela sorriu para Dino, o menino deu a volta pelo outro lado da mesa para ajudar a montar o brinquedo. Ele parecia ávido para jogar.

Depois que ela sentou, Joe escolheu um lugar na ponta da mesa e eles começaram o jogo. Por meia hora lutaram para fazer os macacos segurarem nas árvores que rodopiavam. Dino ensinou-lhe a dizer scimmia para o macaco.

Demi, de fato, interessou-se pelo jogo, fazendo com que Joe entrasse na competição. Dino soltou um riso agudo, se­guido por Demi. As coisas continuaram, com cada um por si e Joe acrescentando seu sorriso à diversão. Logo, todos os macacos estavam caídos na mesa ou estirados no chão.

Enquanto ela ajudava a guardar o jogo, verificou o relógio. Já estava ali tempo suficiente. Já era hora do filho dele estar na cama. Até então, Joe não havia dito nada de natureza pes­soal em frente a Dino, mas obviamente não o faria. Demi não sabia absolutamente nada sobre a dinâmica entre ele e sua ex-esposa, ele nem tinha mencionado seu casamento na última vez que esteve lá. A dúvida levantou a hipótese de que talvez ela não conhecesse Joe tão bem quanto imaginava. E se ela tivesse julgado aquele relacionamento de forma totalmente equivocada? Ela andou ao redor da mesa e colocou a mão no ombro de Dino.

Obrigada por me deixar jogar. Agora tenho que ir. Buona-notte, Dino.

No instante seguinte ele correu até o pai, disparando uma saraivada de italiano. A conversa aconteceu antes que Joe a olhasse, espantado.

Meu filho não quer que vá. Eu disse a ele que levaríamos você até seu hotel.

É muito gentil de sua parte, mas não é necessário.

Sinto muito, mas é — ele voltou com uma voz de autori­dade. — Agora que está escuro, uma mulher bonita como você, sozinha aí fora, numa noite de verão, é alvo de qualquer ho­mem, dos 14 aos 100 anos de idade.

Demi tentou reprimir um sorriso.

Somente 100?

Suas sobrancelhas pretas se ergueram.

Você ficaria surpresa.

De fato, ela não estava. Novo ou velho, os homens eram to­dos iguais na Grécia, mas talvez não tão únicos e fascinantes como o italiano na frente dela.

Seu coração ficou aquecido quando Dino segurou-lhe a mão e a conduziu para fora, passando por muitas flores que cresciam por todos os lados. A Fiat azul clarinha estava quase invisível. Joe havia estacionado na parte de trás do apartamento, a fim de deixar espaço para outros carros, os quais, como ela ob­servou na primeira vez, eram raros no vilarejo.

Enquanto esperava ao lado de Dino, o pai do garoto ligou o carro e o afastou da parede para que eles pudessem entrar. Dino entrou atrás e prendeu o cinto em sua cadeirinha. Joe se inclinou até a porta do passageiro para abrir para Demi e, então, deram a partida.

Ele dirigia na velocidade normal, mas as curvas perigosas e as viradas íngremes da estrada fizeram parecer que eles esta­vam indo rápido demais, passando por casas pintadas de laran­ja, rosa e amarelo.

Você está tão nervosa quanto antes — ele disse, em um lom grave. — Não se preocupe. Poderia dirigir por esses roche­dos com os olhos vendados.

Ela acreditava nele, mas tinha que admitir que ficara aliviada quando chegaram ao estacionamento do hotel. Antes que ela pudesse se mexer, a mão dele largou a marcha e se sobrepôs à dela, esquentando seu braço.

Vou levar Dino embora para a mãe amanhã. Venha comi­go e então poderemos conversar.

Até Milão?

Não é tão longe.

Demi não olhou para ele.

Você acha que seria uma boa ideia? Sabe o que quero dizer.

Está preocupada com minha ex-esposa? Não fique. Se levar você comigo fosse um problema, não teria sugerido. Você veio me ver, não veio?

Ela não podia negar isso.

Dino gosta da sua companhia — ele continuou falando e ela respondendo.

Seu filho é como toda criança. Ficam felizes com qual­quer um que dê atenção a eles.

É verdade, mas você fez dele um amigo quando passou um tempo olhando as coisas no quarto e perguntou sobre o cas­telo. É a foto preferida dele. Com você nos acompanhando no caminho, a viagem vai virar uma aventura excitante para ele.

Ele apertou os dedos dela um pouco mais forte, antes de deixá-la ir.

Preciso dizer quanto tempo esperei para estar com você novamente? Dois meses pareceram uma eternidade. Natural­mente, não espero que tenha sido o mesmo para você. Caso contrário, não teria voltado para a Grécia, me deixando sem esperança de vê-la novamente.

Joe não tinha a menor ideia da profundidade dos senti­mentos de Demi. Mas quando ela discutiu seus planos com Deline, não sabia que ele tinha um filho. A existência de Dino al­terava a situação drasticamente.

Mesmo assim, as palavras de Joe informaram-na de que nada havia mudado para ele, pessoalmente. Aquela minúscula janela de oportunidade ainda estava aberta para que eles conversassem. Se ela não tivesse aceito seu convite, poderia estar sabotando a chance de salvar sua vida e a do bebê que crescia dentro dela.

O segundo o médico que visitou não estava tão convencido de que o bebê era de Andreas. À medida que ele explicou a gravidez e a concepção, mostrou que as regras não eram rígidas e rápidas. Era tão possível que fosse de Andreas quanto de Joe e ninguém, de fato, poderia dizer a ela, com certeza, prin­cipalmente por ela ter dormido com Andreas duas vezes. Ne­nhum médico poderia ter cem por cento de certeza baseado em alguns encontros fugazes. A agonia pesava muito em Demi, mais a cada dia, e ela sabia que teria que conversar com Joe sobre a situação. Se ao menos pudesse ter certeza que o bebê era dele!

Quando quer partir para Milão?

Vamos pegar você às nove.

Demi assentiu com a cabeça.

Como se diz amanhã em italiano?

Quando ele disse, Demi olhou sobre os ombros.

Domani, Dino. — Ela saiu do carro e foi em direção ao hotel.

                             -------------------------------------------------------------------------------
                 Aqui está o primeiro capítulo da nova história. Espero que gostem.
                 xoxo Nathi

6 comentários:

  1. ja sei que vai ser perfeita como sempre!!! *-*

    ResponderExcluir
  2. Ja to amando a fic e espero que o bebe seja do Joe, essa fic tem jeito de que vai ser das boas.... posta mais :*

    ResponderExcluir
  3. Adorei o primeiro capítulo... não entendi a parte da vingança.... e quanto ao filho dele achei a coisa mais fofa.... ela vai contar ou não ao Joe sobre a gravidez? Ou vai deixa-lo descobrir sozinho? Vai ter maratona? Continua.....

    ResponderExcluir
  4. Ansiosa...posta mais

    ResponderExcluir
  5. Eba !!!! Adorei capítulo gigantão!!!!! Postaaa maissssssss

    ResponderExcluir