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14.4.15

Sonho Realizado - Epílogo

Joe apanhou duas taças de champanhe da travessa de um garçom e caminhou pela multidão procurando por Demi. As peças de arte exibidas na galeria entusiasmavam os convidados que haviam comparecido à inauguração. Esse não era o caso de Demi e Joe. Eles estavam apenas aproveitando um passeio à noite. Fazia muito tempo que não tinham a oportunidade de saírem sozinhos para um passeio romântico. Mais precisamen­te, desde o nascimento de Will, quatro meses antes. Assim que ele avistou Demi num canto do salão, sentiu o coração se acelerar. Mesmo depois de dois anos de casados, Joe ainda se emocionava quando olhava para a esposa.
Quando Demi o viu, abriu um largo sorriso. O sentimen­to era mútuo e ambos sabiam disso. Ela havia conseguido recuperar seu peso ideal um pouco depois do nascimento do filho deles. Contudo, Demi ainda se queixava de que algu­mas roupas já não serviam como antigamente. Joe lhe dis­sera para que comprasse novas roupas se quisesse, mas para ele, Demi ficava linda de qualquer maneira.
Porém, naquela noite, ela estava incrível com um vestido preto e os cabelos loiros presos no alto da cabeça.
— Enfim consegui chegar! — Joe exclamou com um sorriso zombeteiro e entregou uma das taças de champanhe para Demi.
Ele mal havia provado a bebida quando viu Holden se aproximando acompanhado de uma morena exuberante.
— Que surpresa! — Holden exclamou. — Eu tinha a im­pressão de que a entrada nesta inauguração era permitida apenas para os que fossem convidados.
— Holden! — Laura falou espantada.
Holden a ignorou e, dirigindo-se a Joe, prosseguiu:
— Eu não sabia que este tipo de exposição fosse atraente para alguém como você O’Donnel. Mas como Demi co­nhece um pouco de arte, acho que ela poderá lhe explicar alguma coisa.
— Para sua informação... — Demi começou. Porém, Joe a impediu:
— Deixe para lá! Vamos embora.
Eles já estavam se preparando para sair quando Holden falou em tom de sussurro:
— Este champanhe é da melhor qualidade. Parece que o patrocinador dos artistas não poupa despesas. Ouvi dizer que ele enriqueceu com reformas de prédios.
— É verdade — Demi concordou. — Ele é um homem rico, mas você nunca acreditaria nisso se visse como ele é simples. — Ela sorriu para Joe e completou: — Além dis­so, ele é bonito e incrivelmente sexy.
Holden franziu o cenho.
— Espere um minuto... Está querendo dizer que...
Mas Joe já estava segurando Demi por um braço e forçando-a a se afastar.
Ela espiou por cima de um ombro e avisou:
— Sinto muito, não posso esperar. Eu e meu marido te­mos outro compromisso.
Holden permaneceu estacado enquanto via Demi se afastar e um ponto de interrogação surgia em sua mente.

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                      E aqui acaba mais uma história. Espero que tenham gostado como eu gostei de postá-la para vocês. Se tiver bastante comentários posto já a próxima história.
                       xoxo Nathi

13.4.15

Sonho Realizado - Capitulo 12 (último)

Em uma segunda-feira chuvosa do mês de junho, o divórcio de Demi chegou ao final. Ela seguiu para a Corte acompa­nhada apenas de seu advogado. Ela não quis que Joe esti­vesse presente e também não seria preciso levar Emily. Holden nem mesmo requereu o direito de poder visitar a fi­lha. Quando o juiz proferiu a decisão, Demi não sentiu ou­tra emoção que não fosse a de alívio. Parecia que estava vi­vendo um momento surreal enquanto encarava o homem que havia sido seu marido e pai de sua filha. Provavelmente eles não se veriam muito no futuro, embora o direito de visita ti­vesse sido declarado mesmo sem ser pedido. Conforme ha­via sido previamente acordado, Holden ficaria com o aparta­mento, a mobília e alguns outros imóveis que eram de pro­priedade do casal. Em compensação, Demi deveria receber uma quantia razoável em dinheiro. Não se tratava de uma soma muito grande, embora seu advogado a tivesse aconse­lhado a exigir mais. Mas Demi temia que, se fizesse isso, o processo se prolongaria por tempo indeterminado. E o que mais lhe importava seria livrar-se logo de todo aquele estres­se emocional.
A conta conjunta bancária e os investimentos foram repar­tidos em proporções iguais. Embora Demi tivesse recusado a pensão alimentícia, ela receberia uma quantia mensal para ajudar na educação de Emily. Holden desistira do ridículo pedido do teste de paternidade e concordara em depositar um fundo destinado a custear um curso universitário para a filha, que seria usado no momento oportuno. O juiz determinou a custódia em favor apenas de Demi. E isso não era surpresa porque Holden não fazia nenhuma questão de compartilhar a guarda da criança. As visitas foram acertadas para um fim de semana a cada três semanas e os feriados seriam alternados. Demi não estava nem um pouco preocupada com aquela determinação, uma vez que Holden deixara bem claro que não tencionava exercer seu direito de pai.
Emily estava com quase seis meses de vida e o primeiro dente acabava de despontar. Ela babava e sorria ao mesmo tempo. Era linda, saudável e alegre. O bem mais valioso na vida de Demi. E o fato de que Holden escolhera não dividir essa preciosidade era problema dele. Quando saiu do tribu­nal, estava chovendo forte e Demi havia se esquecido de levar um guarda-chuva. As pessoas passavam apressadas pela calçada e alguns mantinham jornais sobre a cabeça. Demi se abrigou embaixo do toldo de uma loja próxima e, depois de retirar o celular da bolsa, ligou para Joe.
— Oi, sou eu.
— Está tudo acertado.?
— Sim. Acabei de sair do tribunal.
— E está chovendo muito, não é? Ela deu uma risada sonora.
— Sobre o que você está falando? O dia está lindo e enso­larado. Pelo menos no meu coração. Acabei de me tornar uma mulher livre outra vez.
— Tem certeza disso? Porque eu tenho uma pergunta para lhe fazer.
Demi levou a mão ao peito de maneira inconsciente.
— Que pergunta?
— Que tal se você vier se encontrar comigo aqui no meu apartamento? Fica muito próximo do tribunal. Eu deixei um champanhe na geladeira para comemorarmos.
Aquela não era bem a pergunta que Demi esperava ouvir. Mesmo assim, não deixou que isso lhe arrefecesse a alegria.
— Acho a ideia maravilhosa. Mas você está no seu apar­tamento? E quanto a Emily?
— Não se preocupe, eu pedi para Garrett e sua namorada Amanda cuidarem de Emily por algumas horas.
*****
Quando Joe abriu a porta de entrada do apartamento, ficou espantado com a elegância com que Demi estava vestida. Ele nunca a vira trajando um vestido tão sexy. E não era ape­nas isso, ela parecia confiante e determinada. Ele a convidou para entrar e gesticulou para que se acomodasse no sofá. De­pois de trancar a porta, Joe se acomodou ao lado dela.
— Você quer que eu abra o champanhe agora? — ele per­guntou.
— O champanhe pode esperar. Primeiro eu quero lhe di­zer algumas coisas.
— Que coisas?
— Eu liguei para Garrett para saber como estava Emily, e ele me disse algo que me intrigou.
— Como o quê?
— Seu irmão me contou que você lhe disse que seus dias de incerteza estavam acabados. E que o crédito era meu. Você poderia me esclarecer o que quis dizer com isso?
— Com certeza. Mas não agora. Primeiro existe algo que começamos outro dia e não conseguimos terminar.
Antes que ela dissesse mais alguma coisa, Joe inclinou a cabeça e tomou-lhe os lábios com paixão. Depois se levan­tou do sofá, e com um movimento rápido ergueu-a em seus braços e caminhou com ela até a suíte master.
Joe a deitou sobre a cama e começou a despi-la, pri­meiro pelas sandálias. Demorou-se algum tempo observan­do os tornozelos perfeitos que ele tanto admirava. Quando Demi deu um gemido ansioso, ele se apressou em libertá-la das roupas. Depois fez -o mesmo com as próprias vestes. Quando, finalmente, ambos estavam nus e excitados, ele so­brepôs seu corpo ao dela e iniciaram uma troca de carícias e beijos alucinantes.
Quando o desejo se intensificou, eles fizeram amor com as luzes acesas para que pudessem assistir a expressão de suas faces e antecipar o momento glorioso em que atingis­sem o ápice e liberassem os instintos reprimidos por tanto tempo. Alguns momentos depois, quando estavam relaxados e o ritmo cardíaco retornava ao normal, Joe girou o corpo na direção dela e, fincando um cotovelo no colchão, ampa­rou a cabeça na palma da mão e revelou:
— Eu a amo, Demi.
— Eu também amo, Joe — ela confessou enquanto revirava o corpo para encará-lo. — Certa vez você me disse que precisava de tempo para tornar a pensar em casamento. Acredita que esse tempo já passou?
— Hum-hum.
— E acha que sou a mulher certa para você?
Mas que droga! Ele pensou. Ela estava roubando a cena e estragando sua surpresa.
— Acho que você está se precipitando — ele avisou.
— Ah, é isso o que você acha? — ela perguntou e se sen­tou na cama sem nem mesmo se importar em cobrir-se com um lençol. Sentia-se muito frustrada para pensar em qual­quer outra coisa. — Pois saiba que eu estou decidida a acei­tar o emprego em San Diego. Eu e Emily precisamos de um lugar melhor para morar.
— E quando foi que decidiu isso?
— Bem, ainda não decidi, mas acho que será o melhor a fazer.
— Então espere para ouvir a minha oferta. — ele se er­gueu e vestiu as calças. Depois atirou a camisa na direção dela e avisou: — Vista isso e venha comigo.
Ela fez o que ele disse e o seguiu por um extenso corredor. Demi não entendia o que estava acontecendo. Um pouco antes ele dissera que a amava, e imaginava que Joe iria pedi-la em casamento. Agora ele pretendia que ela conheces­se o apartamento?
Joe abriu uma das portas que ficava no lado esquerdo do corredor e anunciou:
— Este escritório é um dos meus recintos preferidos. A vista da janela é fantástica. O ambiente é espaçoso e existem inúmeros gabinetes para os arquivos. Quando você iniciar sua própria agência de publicidade, se é isso que realmente deseja, poderá trabalhar aqui. Dessa maneira não precisará ficar longe de Emily o dia inteiro. E também poderíamos contratar uma babá.
— Joe...
— Por favor, não diga nada. Apenas espere o que tenho para lhe dizer. — E enlaçando a cintura dela, ele a levou para conhecer outro aposento.
Antes de girar a maçaneta, ele avisou:
— Eu posso mandar redecorá-lo, se preferir.
Quando ele abriu a porta, Demi arfou emocionada. As paredes do quarto estavam pintadas em uma suave tonalida­de rosa, todo perfeitamente mobiliado com as comodidades necessárias para um bebê. Um urso parecido com aquele que ele havia comprado algum tempo atrás estava acomodado no berço.
— Acho que eu tenho uma queda por ursos de pelúcia — ele revelou com um sorriso no instante em que perce­beu que ela olhava para o brinquedo. — Por isso comprei mais um. Nós poderemos manter o original junto à mobília que você comprou no quarto da casa que reservei para Emily. E aquele eu faço questão de deixá-la decorar. Demi espiou ao redor e perguntou com espanto:
— Quando foi que encontrou tempo para fazer tudo isto?
— Nas vezes em que eu chegava em casa tarde da noite — ele declarou e encolheu os ombros. — Eu queria deixar tudo pronto para que quando chegasse o momento certo e eu pudesse lhe fazer a pergunta que estava em minha mente há muito tempo.
— Oh, Joe!
— Eu a amo há muito tempo, Demi. E também amo Emily. Ela é uma parte de você.
— E nós o amamos também — Demi revelou enquanto as lágrimas começavam a jorrar de seus olhos.
Ele estendeu as mãos e afastou as lágrimas que rolavam pelas faces dela.
— Eu quero que sejamos uma família de verdade. Case-se comigo, Demi. Eu prometo que a farei feliz.
— Você já me faz feliz, Joe.
Ela se abandonou nos braços dele e novas lágrimas se for­maram em seus olhos inundados de felicidade. E quando ele a beijou, Demi sabia que o futuro que ambos planejavam finalmente começava a acontecer.

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                   Bem meninas, sinto informar mas esse é o último capítulo. Mas ainda temos o epílogo.
                   Boa leitura e não chorem.
                   xoxo Nathi

12.4.15

Sonho Realizado - Capitulo 11

As semanas que se seguiram foram muito cansativas para Demi, enquanto tentava se adequar a uma espécie de pro­gramação que fosse adequada tanto para ela quanto para Emily. A única pessoa com quem ela poderia contar quando suas forças chegavam ao limite da exaustão era Joe. Ele sempre estava por perto quando ela precisava tirar um cochicho ou tomar um banho. Seu único tempo livre acontecia quando já era tarde da noite. Mesmo assim, Demi sabia que se precisasse dele, bastaria ligar. Uma semana depois do nas­cimento de Emily, os pais de Demi foram conhecer a neta. Eles se hospedaram em um hotel modesto em Gabriel Crossing, e durante todo o tempo em que permaneceram no lugar, não faziam outra coisa do que reclamar. Felizmente não ficaram por muito tempo. Três dias ouvindo sobre o su­cesso de suas carreiras era mais além de suficiente para Demi. O único ponto positivo da visita deles foi o de que seus pais pareceram realmente entusiasmados com Emily. Não que eles ficassem literalmente "babando" por causa da neta.
Camille e Dwight não eram do tipo que se amarra em crian­ças. Contudo, eles pareceram mais animados do que ela ima­ginava. É claro que tinham aproveitado a oportunidade para reprovar a atitude dela em abandonar Holden, mas, aparente­mente, acabaram aceitando que Demi não iria mudar de idéia. Quando eles conheceram Joe, agiram de maneira cordial, mas não amigável. Assim como Holden, seus pais avaliaram Joe de acordo com a maneira simples como se apresentava e o consideravam como um homem que ganha­va o sustento através de trabalhos físicos. Eles teriam ficado surpresos se soubessem que Joe era um homem de negó­cios e muito bem-sucedido. Mas, Demi não via razão para lhes contar a verdade.
Quanto a Holden, ele nem mesmo tivera interesse em ver o bebê. Enquanto esteve no hospital, Demi havia li­gado para ele e fim de lhe contar sobre o. nascimento de Emily. Ela não estava com a mínima vontade de falar com ele, mas, como Holden era o pai de sua filha, Demi sabia que ele tinha o direito de saber. Ele fez as perguntas casu­ais de quanto o bebê pesava, se era saudável e outras coi­sas. No fundo, ela percebia que Holden não demonstrava nem um pouco de entusiasmo pelo fato de saber que era pai. Pelo menos, ele não mencionou nada sobre um possí­vel teste de DNA. Assim que ela encerrou a ligação, sen­tiu-se triste por Emily, contudo estava aliviada por Holden não querer fazer parte da vida delas. Holden não queria saber da filha, mas Demi sabia que Joe era louco por Emily.
Quando chegou a primavera, os sentimentos dele foram percebidos por Emily. Sempre que ele se aproximava do ber­ço, ela sorria e agitava as pernas e os braços com enorme excitação. Assim como Demi, a pequenina parecia saber que poderia contar com Joe sempre que precisasse. Em muitos aspectos, Demi, Joe e Emily pareciam uma famí­lia. Freqüentemente as pessoas pensavam que se tratava de uma família comum quando os viam juntos nas poucas vezes que precisaram comparecer ao pediatra na cidade. Demi e Joe compartilhavam suas refeições e ele a ajudava com o bebê. Eles agiam como uma família, mas não formavam uma família. Seus objetivos e aspirações pessoais eram diferentes e separados. E isso se tornou muito claro quando Joe de­cidiu retornar ao trabalho em Manhattan no final do mês de abril. Ele tinha um compromisso com o irmão e obrigações com a empresa.
Demi compreendia isso, da mesma maneira que entendia que Joe não estabelecerá nenhum compromisso com ela. Portanto, não lhe devia nenhuma obrigação. Ela imaginara que teriam um futuro juntos. Estava certa de que Joe desejasse se casar outra vez. Ele mesmo lhe dissera que pre­tendia se casar com a mulher certa quando se passasse mais algum tempo. Bem, o tempo havia passado e o divórcio dela estava praticamente concluído. Contudo, Joe não tocara nesse assunto. E agora que suas economias estavam acaban­do e as dívidas se amontoando, Demi decidiu que era tempo de pensar seriamente em conseguir um emprego. Ela precisaria contar para Joe o que havia decidido assim que o visse na manhã seguinte. Ele sempre tomava o café da manhã com Demi e insistia em dar a primeira mamadeira do dia para Emily, caso a pequena já estivesse acordada, antes de seguir para Manhattan. Nos dias em que o tráfego estava mais intenso ou ele precisasse ficar até mais tarde na cidade, o único momento em que ela o via era no café da manhã.
Demi sentia falta da companhia dele nas refeições e das longas conversas que costumavam ter. E o pior era que Joe despendia a maior parte do seu tempo nos fins de semana cuidando da casa. A reforma estava quase terminada e agora ele havia empregado três homens para acelerar os detalhes finais. Só restava colocar a placa de "vende-se" na fachada da casa. E então? O que ela faria quando a propriedade fos­se vendida?
Demi optou por não falar nada a esse respeito com Joe naquele instante. E enquanto ele alimentava Emily com a mamadeira, ela comentou:
— Estou decidida a procurar um emprego. Ele a encarou com espanto:
— Tão cedo?
— Emily já está com quase quatro meses. Acho que já passei mais tempo com ela do que a maioria das mães que precisam trabalhar fora de casa.
Enquanto ela se justificava, sentia o peito doer por preci­sar deixar a filha sob os cuidados de outra pessoa.
— Por onde pretende começar? — ele quis saber no ins­tante em que o bebê terminava a mamadeira e ele a erguia para repousá-la contra um de seus ombros para que ela pu­desse arrotar.
Demi assistia com assombro a maneira como a mão enorme promovia suaves pancadinhas nas costas de Emily para ajudá-la a expelir os gases estomacais.
— Conheço algumas agências em Manhattan e já preparei alguns currículos para enviar pelo correio.
Ele acenou positivamente com a cabeça.
— E ótimo que seja em Manhattan. Ela engoliu a saliva antes de revelar:
— Lilly está me aconselhando a aceitar a oferta de traba­lho em San Diego.
Joe interrompeu o que estava fazendo por um instante e perguntou:
— Você está pensando em considerar a opinião dela?
— Talvez — Demi respondeu pensativa. — Lilly se ofe­receu para cuidar de Emily enquanto eu estivesse no traba­lho. — O lado positivo da questão seria o fato de que Emily poderia estar nas mãos de alguém em que Demi depositava toda a sua confiança. E o principal obstáculo estava sentado bem na sua frente. Como ela poderia se afastar do homem que amava?
— Não tome nenhuma decisão ainda — ele ponderou.
— Em algum momento eu terei que fazer isso.
— Eu sei. Mas não agora. — Ele beijou o topo da cabeça do bebê e em seguida avisou: — Prometa-me que irá esperar mais um pouco.
Demi prometeu. E mais tarde lhe ocorreu que Joe não lhe dissera a razão pela qual ela deveria esperar um pouco mais.
*****
Quando Joe sabia que não conseguiria chegar a Gabriel Crossing em tempo para o jantar, ele sempre ligava para avisá-la. O celular de Demi tocou no instante em que ela estava acomodando Emily no bebê conforto e se preparava para começar o jantar.
— Oi, Demi, sou eu...
— Ah... Já sei que não virá para o jantar.
— Sinto muito. Estarei ocupado por mais algum tempo. Espero que ainda não tenha começado a preparar a refei­ção.
Ela anotou mentalmente que deveria colocar as costeletas de porco de volta no freezer antes que descongelas­sem.
— Não se preocupe. Eu sei como a sua programação de trabalho é imprevisível. — O que estava se tornando uma constante nos últimos dias, ela pensou com desgosto.
— Não será sempre assim — ele respondeu como se sig­nificasse uma promessa. — Estou trabalhando em algo mui­to importante e grandioso.
Ela sorriu ao perceber o entusiasmo na voz dele. Demi sabia o quanto Joe gostava do que fazia.
— Quer me contar sobre isso?
— Quero. E pretendo fazer isso assim que for possível. Trata-se de uma surpresa.
Demi permanecia acordada na cama, embora Emily já estivesse profundamente adormecida no berço. Ela ouviu o barulho do motor do carro de Joe indicando que ele havia chegado. A luz intensa dos faróis do Porsche ilumi­nou seu quarto por um instante. Logo depois a escuridão tornou a prevalecer no ambiente. Ela espiou para o visor do relógio digital posto na mesinha de cabeceira e desco­briu que já passava das 11h da noite. Sabendo que Joe já havia retornado, ela se revirou na cama e afundou a cabeça no travesseiro. Talvez agora conseguisse dormir. De repente, Demi ouviu o som de pancadas suaves na porta de entrada e ergueu-se da cama em um salto. Vestiu um robe e se apressou a atender o chamado. No caminho, acendeu a luz da sala. Tratava-se de Joe, como ela já imaginava. Ele parecia exausto. A camisa amarrotada por conta do longo dia de trabalho e das horas despendidas ao volante.
Demi o recebeu com um sorriso e um abraço apertado.
— É por isso que eu gosto de vir para casa todos os dias j:—ele brincou.
— E é por isso que eu gosto que você volte para casa to­dos os dias — ela afirmou no mesmo tom. — Eu tenho um vinho excelente guardado no refrigerador. Nós poderemos desfrutar dele enquanto nos acomodamos no sofá e você me conta sobre o seu dia.
Demi recuou um passo para que ele entrasse e depois trancou a porta. No momento em que passou por ele com a intenção de seguir para a cozinha, Joe a segurou por um braço, forçando-a a estacar. Seus corpos se trombaram. Ele a enlaçou pela cintura e a aprisionou em seus braços.
— O vinho pode esperar, Demi — ele sussurrou en­quanto roçava os lábios na curvatura suave do pescoço fe­minino.
O contato dos lábios dele contra a pele sedosa era sentido por Demi como se fosse uma brasa despertando a chama dos instintos reprimidos há muito tempo. De repente suas bocas estavam unidas e desejosas de um prazer maior. O lon­go tempo de espera impulsionou Demi e ela o provocou beliscando-lhe o lábio inferior com a ponta dos dentes. Ele gemeu e moveu as mãos para o nó do cordão que prendia o robe que ela usava e o desatou. Em seguida, afastou a peça pelos ombros roliços deixando que ela deslizasse até o chão. As palmas imensas alisaram por um instante o tecido de seda da camisola que ela ainda usava antes de despi-la pela cabe­ça. Em instantes, Demi se dava conta de que se encontrava nua diante dele, exceto pelas calcinhas rendadas que ainda vestia. Ela já havia quase recuperado o peso que tinha antes da gravidez, porém estava ciente de que a anatomia do seu corpo nunca mais seria a mesma depois de ter gerado uma criança. A cintura estava mais grossa e o abdômen já não era tão firme e plano.
Com as faces coradas, ela murmurou: — Joe, eu...
Notando-lhe o embaraço, Joe ergueu-lhe o queixo com a ponta de um dedo e assegurou:
— Você é linda, Demi. Absolutamente linda!
A sinceridade das palavras dele e o brilho de excitação que Joe exibia no olhar a tranqüilizaram e Demi se sentiu confiante outra vez.
Ela começou a desabotoar a camisa dele. A cada botão que libertava, repousava um beijo ligeiro no vão que ficava desco­berto. Logo depois, a camisa estava jogada por cima das rou­pas dela no chão. Demi começou a libertar o cinto da calça dele quando Emily chorou.
— Por um instante eu havia me esquecido de que tínha­mos companhia — ele murmurou com um sorriso e depois liberou um suspiro desanimado.
Demi apanhou o robe do chão e o vestiu novamente.
— Não se preocupe. Eu não demorarei muito para acal­má-la. Por que você não prepara as taças de vinho enquanto eu cuido de Emily? — Antes que se afastasse, ela insistiu: — Não vá embora, Joe.
Ele sorriu.
— Nem pense nisso! Estarei bem aqui quando você retornar.
Depois de embalar o bebê por quase duas horas, Emily finalmente adormeceu e Demi retornou para a sala. Con­forme lhe prometera, Joe a esperava. Apenas que ele estava sem a camisa e os sapatos e profundamente adormecido no sofá. Duas taças de vinho permaneciam intocadas sobre a mesinha de centro.
Mas ele cumprira sua promessa. Demi encontrou uma maneira de se ajeitar junto a ele no assento estreito do sofá e acomodou a cabeça em um canto da almofada que ele usava como travesseiro. Embora ele permanecesse dormindo, ela sentiu o braço dele enlaçá-la. Joe agia de maneira proteto­ra até durante o sono.
— Eu te amo — Demi sussurrou antes de fechar os olhos e dormir também.
*****
Quando Joe acordou o dia já estava amanhecendo. Ele não ciência imediata de onde se encontrava, contudo, sabia muito bem quem estava dormindo a seu lado. Ele se remexeu com cuidado para não acordá-la, mas Demi murmurou algo ininteligível e se aninhou no peito desnudo de Joe. Ele sentiu o coração dar um salto. Aquilo era exatamente o que desejava sentir pelo resto de sua vida. Joe já tinha certeza disso desde o nascimento de Emily, mas estava aguardando que o tempo passasse enquanto colocava seus planos em ação.
Ele pensara em todos os detalhes com muito cuidado. A reforma da casa estava quase completa e ele pretendia se mudar de volta para o seu apartamento na cidade. Porém não tinha intenção de vender a casa. Da mesma maneira como não pretendia viver em Manhattan sem Demi e o bebê. Eleja havia providenciado para que o aposento reser­vado para hóspedes no apartamento fosse perfeitamente adequado para ser transformado no quarto de Emily. Isso também seria feito em um dos quartos da casa, onde ele pretendia que servisse para os passeios ocasionais da famí­lia nos finais de semana.
Joe queria pedir Demi em casamento. Até já havia comprado o anel de noivado. Apenas estava esperando que o divórcio dela se concluísse. Ele inclinou a cabeça e deposi­tou um beijo suave na testa dela. Na noite anterior, se ele não tivesse caído no sono, eles teriam feito amor. Só de pensar nisso, Joe sentiu os instintos se alertarem. Ele suspirou fundo e tentou controlar a excitação. Talvez fosse melhor que isso não tivesse acontecido. Já que haviam esperado tan­to tempo, não custaria esperar até que ela estivesse legal­mente separada. E até que Emily estivesse sob os cuidados de uma babá confiável. Ele queria que tudo acontecesse da maneira mais perfeita. Era o que Demi merecia e não me­nos. Naquele instante, Demi girou o corpo para o lado con­trário de maneira que suas nádegas ficaram praticamente coladas à volumosa virilidade. Ele fechou os olhos e deu um gemido de angústia. Praguejando em pensamento contra as próprias regras de planejamento, Joe optou por resistir à tentação e abandonou o sofá. Mas teve o cuidado de não acordar.

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                    Gente desculpa a demora, estava fazendo um trabalho pro colégio e esqueci de postar :p
                    Bom aqui está mais um capítulo. Tem mais um capítulo + epílogo.
                                                                        xoxo Nathi

Sonho Realizado - Capitulo 10

Joe seguiu até a caixa de correio na beira da estrada para apanhar a correspondência. Junto aos vários postais de Natal se encontrava um envelope endereçado a Demi com o timbre da Shaw Advertising Agency de San Diego, na Califórnia. Ele uniu as sobrancelhas com preocupação e ainda permanecia com o cenho franzido quando chegou à cabana.
— Esta carta acabou de chegar para você — ele avisou e lhe entregou o envelope antes mesmo de entrar na sala.
Demi reparou no logotipo da empresa e esboçou um sorriso.
— Oh, Lilly é fantástica! Ele fez uma cara de espanto.
— Lilly trabalha com publicidade?
— Não. Acontece que o marido dela tem amizade com um dos sócios dessa empresa e Lilly deve ter conseguido que ele fizesse uma boa recomendação a meu respeito.
— Quer dizer que está pensando em conseguir uma vaga nessa empresa?
No fundo, Joe tinha esperanças de que ela negasse aquela intenção. A Califórnia ficava muito distante de Nova York e, apesar dos modernos meios de transporte, ainda lhe soava como se o lugar ficasse no outro lado da galáxia.
— Eu vou precisar de um emprego depois que o bebê nas­cer. Minhas economias não irão durar para sempre.
A resposta dela o alarmou:
— Mas você me disse que pretendia iniciar sua própria agência de propaganda!
— É verdade. Talvez eu faça isso algum dia. — Ela alisou o ventre volumoso e depois prosseguiu: — Mas trata-se de um sonho e os sonhos não pagam as contas.
— Quem disse que esse sonho não pode se transformar m realidade? Quando eu e meu irmão começamos a nossa empresa, não tínhamos nada além dos planos e ambições.
— Você realmente acredita em mim, não é?
— Sim. Você é uma pessoa esperta, criativa e organizada. — E muitos outros adjetivos que ele poderia enumerar com facilidade. — Pode conseguir realizar esse sonho. E existem maneiras de conseguir um crédito bancário para começar.
Ela concordou com um gesto de cabeça.
— Talvez algum dia.
— E por que não agora?
— Mesmo presumindo que eu conseguisse o empréstimo, tendo que cuidar do bebê, não me restaria tempo e nem energia suficientes para administrar a agência com sucesso. Talvez algum dia — ela repetiu. E dessa vez com entonação mais decidida.
***


Três semanas depois do Ano-Novo e dois dias antes da data prevista para o nascimento do bebê, Demi sentiu as primei­ras contrações. E já passava da meia-noite. Felizmente a alta pressão sangüínea tinha sido apenas conseqüência do estres­se e o tempo restante da gestação havia transcorrido sem maiores problemas. Até sentir o primeiro espasmo que a for­çou a curvar o corpo para aliviar a dor. Demi acreditava estar preparada para enfrentar o parto. Sentia-se muito ansio­sa para finalmente encarar o bebê que havia transformado sua bexiga em um verdadeiro "saco de pancadas" nos últi­mos meses. Ela já havia escolhido os nomes: Will ou Emily, dependendo do sexo.
Demi já havia cuidado dos presentes que recebera no chá de bebê que sua amiga Lilly tinha organizado. A reunião acontecera na sala de visitas da casa de Joe, que era mais espaçosa e ele gentilmente se oferecera para colaborar. Demi ficou surpresa com a presença de suas antigas cole­gas de trabalho, bem como de alguns vizinhos de prédio em que ela morava com Holden. Sua mãe não comparecera, mas até aí, não havia nenhuma surpresa. Camille telefonara para informar que infelizmente não poderia comparecer ao chá do bebê por causa de uma conferência em Salt Lake City que ela não poderia deixar de participar. Joe convidara a mãe e ela fora. Talvez mais por curiosidade do que cortesia. Grace, a irmã dele, também havia comparecido. Demi adorou conhecê-las, apesar das toneladas de perguntas que as duas lhe fizeram. Provavelmente estavam preocupadas por causa do envolvimento de Joe com ela. Mas o envol­vimento entre eles permanecia cada vez mais platônico por causa do estado adiantado da gravidez de Demi e dos vaga­rosos passos do divórcio. Eles ainda compartilhavam as re­feições e faziam caminhadas quando o tempo permitia. Po­rém Joe nunca mais a beijara da mesma maneira como havia feito aquele dia na cabana.
O chá do bebê tinha sido simples, mas especial. Lilly conta­ra o tempo todo com a ajuda de Joe. No dia seguinte, depois que a Sra. O'Donnel e Grace haviam partido para suas casas e Lilly seguido para o aeroporto, Demi e Joe despenderam mais de uma hora desempacotando os presentes que o bebê recebera. Joe reagia com uma expressão de alegria a cada vez que Demi exibia alguma peça de roupa minúscula ou co­bertores macios com estampas de bichinhos. Mais tarde, ele se ofereceu para montar o berço e a cômoda que ela encomendara e que já havia sido entregue um mês antes.
Até aquele momento, Demi estivera perfeitamente segu­ra de que estava preparada para quando chegasse o momento de dar à luz. Porém, à medida que as horas passavam e as contrações se repetiam, ela começava a ficar assustada.
— Oh, Deus! Acho que eu não vou aguentar! — ela ex­clamou quase gritando no instante em que outra contração começou.
O pânico aumentava de acordo com a intensidade da dor. Demi começou a respirar de acordo com a técnica que havia aprendido nas aulas do método Lamaze, ministradas em Gabriel Crossing. A cidade era muito pequena, e por isso ela tinha sido avisada que quando chegasse o momento do parto deveria se socorrer do Hospital de Danbury, que ficava em uma cidade próxima. Ela pensou em chamar Joe, uma vez que ele insistira que a levaria para o hospital quando chegas­se o momento. Porém ela não gostaria que ele a acompa­nhasse. Demi havia assistido a um nascimento em um ví­deo que lhe fora mostrado durante as aulas de preparo para o parto. Tratava-se de algo maravilhoso e um verdadeiro mila­gre da natureza. Mas não seria a imagem que ela gostaria de deixar gravada na mente do homem com quem tinha espe­ranças de tornar a amizade em algo mais concreto.
Ela espiou através da janela e decidiu que a viagem até Danbury não levaria muito tempo. Contudo, o remanescente da tempestade de neve que havia caído no dia anterior e ain­da cobria o solo, deixaram-na temerosa de se aventurar em uma estrada. A pequena distância entre a cabana e a porta dos fundos da casa de Joe estava coberta de neve, e deve­ria ter a espessura de pelo menos meio metro.
Demi jamais teria condições de caminhar até lá. Por isso, apanhou o telefone e discou o número da casa dele.
Joe atendeu no terceiro toque:
— Alô!
— Sou eu, Demi.
— Oi, Demi. Amanhã está bonita, não é? Pensei em apa­nhar a câmera e fotografar algumas folhas congeladas no po­mar. O que acha? Está disposta a me acompanhar?
— Eu... — Foi só o que ela conseguiu dizer antes de afas­tar o fone para gemer diante de uma nova contração, caso contrário, ele poderia pensar que o ruído se tratasse de algo erótico.
Diante do silêncio, Joe percebeu que deveria estar acontecendo alguma coisa errada e então perguntou:
— Está tudo bem com você, Demi?
— Não. Estou te... tendo... contrações!
— Agora?! — ele exclamou com incredulidade e quase tão assustado quanto ela. Mas reagiu de maneira valente. — Fique calma, querida. Estarei aí em um minuto.
Joe não mentiu quanto ao tempo que demoraria. Demi mal havia recolocado o fone na base quando o viu sair apressado pela porta dos fundos da casa. Esquecera até de vestir o casaco e calçar os sapatos.
— Como você está? — ele perguntou quase sem fôlego assim que entrou na cabana.
— Bem, mas apavorada — ela admitiu. — Acho que eu não vou conseguir suportar isso.
— Claro que você vai conseguir, querida!
Aquela era a segunda vez que Joe a chamava de "querida". Ela observou e se sentiu feliz com o carinho com que ele a tratava.
— Há mulheres tendo bebês o tempo todo. Por isso não existe razão para ficar assustada. Certo?
— Certo — ela concordou e deixou escapar um longo sus­piro. As palavras dele não eram tão confortantes quanto a sua presença. Com Joe ao seu lado, ela se sentia mais segura. Durante todo aquele tempo em que se conheceram, ela aprendera uma coisa importante com Joe: Demi podia contar com ele sempre que precisasse.
— Você já tem uma mala pronta? Ela gesticulou na direção do quarto.
— Está no armário de roupas.
— Por que você não liga para o médico enquanto eu cuido do resto?
— Está bem.
Demi deixou uma mensagem na secretária eletrônica do ginecologista e depois vestiu o casaco. Joe retornou em tempo de ajudá-la a calçar as botas. Enquanto ela se acomo­dava em uma cadeira, ele fincou um joelho no chão e segu­rou um dos pés dela na palma de uma das mãos.
— Sei que não é o momento certo de mencionar uma coi­sa dessas, mas eu tenho uma verdadeira admiração pelos seus tornozelos.
Com as pernas estendidas, Demi podia avistar os pés por cima do ventre volumoso.
— Eles parecem inchados.
— Mas são lindos assim mesmo. — Ele repousou um bei­jo ligeiro no tornozelo esquerdo de Demi e apanhou uma das botas dela que estavam próximas.
— Meus pés também estão inchados — ela acrescentou no instante em que Joe tentava introduzir o pé dentro da bota de couro.
De repente um pensamento a abalou: já fazia mais de uma semana que não raspava as pernas.
— Oh, meu Deus! Não posso ir assim para o hospital! Joe ergueu os olhos e afirmou:
— Você pode, sim! Você consegue! — ele repetiu inter­pretando de maneira errada o motivo daquele pânico re­pentino.
— Você não está entendendo. Eu não posso ir para o hos­pital sem raspar as minhas pernas.
— Escute, Demi — ele começou a falar em tom pa­ciente, mas Demi começava a menear a cabeça com con­vicção. Parecia que o problema mais importante do mo­mento seria a aparência das pernas em vez de se preocupar com as contrações.
— Eu não vou a lugar nenhum até que minhas pernas es­tejam perfeitamente raspadas — ela teimou.
— Está bem! — ele exclamou com um suspiro contrariado.
— Eu sei que você está pensando que eu estou sendo pa­tética, mas... — Ela não terminou a frase. Demi sabia que queria sendo patética. Mesmo sabendo disso, não estava dis­posta a abrir mão de que suas pernas estivessem "decentes" quando chegasse ao hospital.
Joe se ergueu e ajudou Demi a chegar ao banheiro.
— Pronto. Agora faça isso logo para que possamos ir embora.
— Aonde você vai? — ela perguntou quando viu que ele se afastava.
— Estava pretendendo deixá-la à vontade. Por quê?
— Eu não conseguirei fazer isso sem a sua ajuda.
Joe ficou confuso por um momento.
— Está me pedindo para raspar suas pernas?
— Por favor. — E apontando um dedo para o próprio ab­dômen, justificou o óbvio. — Eu levaria séculos para conse­guir fazer isso sozinha.
— Eu não sei se...
— Tenho certeza de que você conseguirá — ela assegurou com um sorriso enquanto se acomodava na banqueta que costumava usar para o banho. — O aparelho e o gel de espu­ma estão no gabinete da pia.
Depois de apanhar os itens que ela lhe pedira, Joe estendeu uma toalha no chão para que ela pusesse os pés e se colocou de joelhos na frente dela. Ergueu uma das per­nas dela e espalhou o gel por toda a extensão da pele por onde deveria deslizar a gilete. Em instantes, ele completou o trabalho.
— Você é muito bom nisso! — ela se admirou.
— Bem, é uma questão de prática. Ela o olhou com espanto.
— No meu rosto, é claro — ele procurou esclarecer me­lhor e ambos riram.
Joe apanhou uma toalha limpa para retirar os resíduos do gel das pernas dela e depois recolheu a toalha estendida no chão para colocá-la dentro do cesto de roupas sujas.
Por fim, ele a ajudou a calçar as botas e falou com um sarcasmo fingido:
— E agora? O que vem em seguida? Um corte de cabelos?
— Muito engraçado — ela respondeu fazendo uma careta divertida.
Joe ficou feliz em ver que Demi exibia uma feição um pouco mais descontraída.
O medico ligou de volta e queria saber por quanto tempo ela estava sentindo contrações. Depois de ter desligado o aparelho, Demi disse para Joe.
— Ele acha melhor que eu vá até o hospital.
— Então vamos embora! — Ele apanhou a mala e saiu na rente. — Fique na porta que eu vou apanhar o carro, está bem?
— Só mais uma coisa, Joe — ela pediu e abafou um riso. — Você ficaria mais elegante se calçasse as botas.
Joe baixou os olhos para os pés e só então se deu conta de que estava usando apenas as meias de lã grossa com as quais costumava dormir no inverno.
Ele sorriu.
— Essa é uma boa ideia.
— E não se esqueça do casaco.
— Está bem. Acho que eu estava tão apressado que nem me importei em reparar como me vestia.
— Você também está nervoso?
Nervoso, assustado e uma dúzia de outras coisas. Era como Joe se sentia. Porém, como não queria deixá-la insegura, ele improvisou um sorriso e declarou: — Não estou nervoso e sim ansioso. Afinal, vou conhecer aminha segunda garota preferida. No hospital, Demi prosseguiu em trabalho de parto du­rante o dia inteiro. Ao cair da noite ela estava exausta. E Joe também. Ele permaneceu ao lado dela na sala de parto e procurava acalmá-la enquanto lhe afagava as costas. Ele aprendeu da maneira mais difícil a não oferecer a mão para que ela a segurasse enquanto sofria as contrações. Demi nunca lhe parecera uma mulher muito forte em termos físi­cos, porém quando os dedos dela circulavam os dele nos mo­mentos cruciais, praticamente os esmagavam. Faltou pouco para que Joe gemesse em voz alta. Em uma das vezes em que ela libertou a mão dele, Joe a friccionou discretamen­te para tentar restabelecer a circulação.
— Será que está tentando compartilhar um pouco de sua dor comigo? — ele gracejou, mas ela estava tão concentrada com o próprio sofrimento que não entendeu a brincadeira.
— O que disse?
— Não foi nada. Esqueça.
Pouco depois das sete da noite, o médico entrou na sala para examiná-la e Joe disfarçou o embaraço ocupan­do-se em ajeitar os travesseiros para que ela se acomodasse melhor.
— Ainda vai demorar — o médico avisou e sugeriu: — Por que vocês não vão dar um passeio até o hall de entrada? Pode ser que uma caminhada acelere o processo. Eu tornarei a examiná-la daqui a uma hora e quem sabe teremos mais sorte?
Foi o que eles fizeram. Quando o médico retornou já pas­sava das nove da noite, mas a dilatação do colo do útero ha­via progredido menos de meio centímetro. Pelo que parecia, a noite seria longa. Os sinais vitais do bebê estavam sendo monitorados cuidadosamente e o médico não parecia preo­cupado. Mas Joe estava. Ele procurou uma das enfermei­ras e perguntou:
— Será que ainda vai demorar muito? Demi já está exausta e eu não sei se ela aguentará esperar por muito tem­po. — Ou mesmo ele. Joe não suportava mais vê-la sofrer daquela maneira e não poder fazer nada para ajudá-la.
A enfermeira sorriu e procurou tranquilizá-lo:
— Talvez mais uma hora ou duas. É difícil afirmar. Os bebês têm uma programação própria. Mas não se preocupe. Sua esposa está se saindo muito bem e antes do que imagine seu filho ou sua filha estará aqui com vocês.
Esposa. Filho ou filha. Aquelas palavras deixaram Joe tão contente que ele não se preocupou em revelar a verdade. Ele deixou que a enfermeira prosseguisse pensando que já tivesse o que ainda almejava. Joe desejava que Demi fosse sua esposa e o bebê, seu filho, ainda que não fosse o pai biológico. Quem sabe isso acontecesse de verdade e eles se tornariam sua família? Naquele exato instante, Joe teve a certeza de que estava apaixonado por Demi sem nem mesmo terem tido um relacionamento convencional. Apenas caminhavam de mãos dadas e Joe havia beijado os lábios dela somente por duas vezes. Era muito diferente do que havia acontecido com Helena. Contudo, estava dis­posto a esperar que Demi se recuperasse do parto. E não era apenas isso. Ela havia sido negligenciada por seus pais e depois por Holden. Demi já havia progredido bastante, mas ainda faltava um pouco para que todas as feridas se curassem por completo. Enquanto isso, Joe formulava planos para o futuro.
***
Próximo da meia-noite, finalmente a dilatação parecia per­feita e Demi estava pronta para dar à luz ao bebê. Joe tinha se encaminhado para a sala de espera a pedido de Demi. Entretanto ela sentiu falta dele nos momentos cruciais que antecederam ao nascimento da criança. E então perce­beu que não se tratava de precisar apenas do apoio dele. Era mais que isso. Ela o amava. Eu estou apaixonada por Joe! Ela exclamou interiormente enquanto fazia força para ajudar no parto. E no momento exato em que o bebê abandonou seu ventre, Demi já estava plenamente convencida dos seus sentimentos por Joe. Apaixonara-se por ele desde o dia em que Joe comprara aquele urso de pelúcia. Talvez até antes disso. Ele a tratara com tanto carinho por todos aqueles meses que as pequenas gentilezas se acumularam de tal ma­neira que acabaram provocando com que seu coração trans­bordasse de amor.
— É uma menina! — o médico exclamou e ergueu o bebê no ar para que Demi a visse.
Uma menina... Justamente o que Joe sempre dissera que ela teria. Através de uma nuvem de lágrimas, Demi abriu os braços para receber a pequenina.
— Minha Emily...! — ela sussurrou. Ali estava sua filha, por fim, o milagre que ela tanto esperara.
Seria possível que existisse outro milagre a aguardando na sala de espera?
Um pouco mais tarde, quando Demi já havia sido transferida para o quarto com o bebê, ela pediu à enfer­meira:
— Será que você poderia fazer o favor de encontrar Joe O’Donnel e lhe dizer que ele estava certo? Ele já sabia todo o tempo que eu teria uma menina.
A enfermeira assentiu com um sorriso.
— Claro. Eu direi isso a ele. Ou então você mesma pode­rá contar-lhe. Não prefere que eu o convide para entrar no quarto? Eu sei que ele tem andado de um lado para o outro na sala de espera como se fosse um tigre enjaulado. Está enlouquecendo o pessoal que trabalha na recepção.
Demi queria ver Joe mais do que tudo, mas estava preocupada com sua aparência. Passou as mãos pelos cabelos emaranhados e tentou ajeitá-los.
— Como estou? — ela perguntou à enfermeira.
— Como alguém que acabou de dar à luz uma linda e saudável menininha. Está maravilhosa. — E com um sorriso completou: — Todas as mães são maravilhosas!
Aquilo não era exatamente o que Demi esperava ouvir, mas a alegria superou a vaidade e ela concordou:
— Está bem. Eu prefiro que peça a ele para entrar.
Minutos depois, Joe entrava pela porta e exibia um sor­riso radiante. Porém os anéis escuros ao redor dos olhos e as laces escurecidas pela barba por fazer, revelavam o quanto ele estava cansado. Demi sentiu o coração sobressaltar-se assim que o viu. Oh, sim... Ela tinha mais do que certeza de que estava apaixonada por ele.
— Olá, mamãe! — Joe exclamou enfiando a cabeça no vão da porta.
— Eu mesma — ela afirmou com um sorriso.
— A enfermeira me disse que você quer que eu conheça alguém.
— É verdade. — Demi acenou para que ele entrasse e gesticulou com a cabeça na direção do bebê que dormia a seu lado. — Esta é Emily.
— Emily? — Ele alargou o sorriso enquanto contornava a cama para poder ver o bebê de perto. — Eu não lhe disse que se tratava de uma menina?
— Pois é. Você disse.
Joe serenou as feições no instante em que apreciou o rosto da pequenina que estava envolvida em um lençol na cor pastel com finíssimas listras brancas e um gorro de lã rosa. Ela dormia profundamente e a enfermeira havia asse­gurado para Demi que a menina estava bem e que dormiria por muito tempo.
— Ela é linda! — ele exclamou. — E se parece muito com você.
— Os olhos dela são azuis — ela revelou orgulhosa. — E os cabelos são claros. — Demi removeu o capuz rosa para exibir o rufo macio e sedoso que cobria o topo da cabeça do bebê.
Joe sorriu e colocou a ponta do dedo indicador no quei­xo minúsculo, fazendo com que o lábio inferior de Emily se abrisse.
— Você viu isso? Parece que ela está sorrindo — ele falou animado.
— Você quer segurá-la?
— Está brincando? — Ele sorriu satisfeito e as covinhas surgiram novamente nas bochechas masculinas. — É o que eu mais gostaria de fazer neste momento!
Joe ergueu o bebê e o segurou nos braços. A palma de ma das mãos amparava com cuidado o pescoço e a cabeça de Emily. Demi havia visto Joe atuando com as ferra­mentas pesadas na reforma da casa e lhe parecia impossível que ele pudesse agir com tanta delicadeza. Esse era Joe. Poderoso quando precisasse usar a força física e gentil quan­do fosse necessário.
Enquanto segurava o bebê, ele aproveitou para se sentar na beirada do colchão.
— Emily parece leve como uma pluma. Qual é o peso dela? — ele quis saber.
— Três quilos e meio.
— Perfeito! — E erguendo a parte inferior do cobertor, Joe analisou os dedinhos do pé de Emily. — São lindos! Você fez um trabalho perfeito, Demi.
Todo o desgaste emocional e as incertezas dos últimos meses estavam plenamente recompensados para Demi.
— Ela é um tesouro — Demi afirmou com um suspiro.
— Tanto quanto você. — Joe inclinou a cabeça e re­pousou um beijo reverente na testa de Demi. — Como está se sentindo depois de tantas atribulações?
— Cansada e ao mesmo tempo animada. Eu deveria dor­mir, como fazem todas as mães depois do parto, mas tenho medo de fechar os olhos e descobrir que ainda estou na cabana e o nascimento de Emily foi apenas um sonho.
— Ela é real, Demi. E está aqui mesmo.
— E quanto a você?
— O que quer dizer?
— Você também é real?
Ele sorriu, mesmo sem ter entendido completamente a es­tranha pergunta.
— Eu não vou a lugar algum, se é o que quer saber. Por isso, feche seus olhos e durma.
E foi o que ela fez. Com Joe sentado ao seu lado e com Emily nos braços, Demi se sentia perfeitamente segura. Por isso, fechou os olhos e se permitiu desfrutar de algumas horas de sono.


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                    Mais um capitulo pra vocês. Comentem.
                    xoxo Nathi