23.8.15

Dois Pequenos Milagres - Capitulo 9

Joe empurrou a cadeira para longe da escrivaninha, olhan­do para a tela do computador com uma mistura de raiva e frustração, e imaginou como iria encontrar uma casa onde todos pudessem viver enquanto resolviam aquela situação. Embora ele não tivesse uma ideia real de como resol­ver tudo. Joe precisaria ter algumas discussões bastante sérias com sua equipe, antes de fazer qualquer mudança radical, mas, enquanto isso... O telefone estava tocando.

— Gallagher.

— Alô? Quem está falando?

Joe olhou para o telefone em sua mão, percebendo que o atendera automaticamente.

— Humm... aqui é Joe Gallagher. Posso ajudar?

— Provavelmente não. Posso falar com Demi, por favor?

A voz era cautelosa, e ele olhou para a tela que mostra­va o número que estava chamando, vendo que era uma ligação internacional.

Seria Blake?

— Sinto muito, ela não está. Estou cuidando das meni­nas. Aqui é... ah... o marido dela.

— Eu imaginei. Aqui é John Blake. Ela está cuidando da casa para mim enquanto estou fora.

— Sim. Sim, eu entendo. Olhe, Demi estará de volta à uma hora, se você quiser falar com ela. Ela foi tomar um café com Jane.

— Ah. Certo. Bem, nesse caso ela provavelmente já está sabendo, mas eu telefonei para dizer a ela que não vou voltar. Bem, acho que não. Existem... um... motivos pessoais, e... bem, eu conheci alguém e vou morar aqui, e preciso conversar com ela sobre a casa. E o cachorro. Murphy.

Joe olhou para baixo; Murphy estava deitado a seus pés como de costume, e imaginou quais seriam os planos de Blake para o cachorro. Ele descobriu, para sua surpre­sa, que realmente se importava com o cão.

— Eu não imagino que você queira vender a casa para mim?

— Para você?

— Sim, por Demi. Nós estamos... — Diabos, ele detes­tava lavar a roupa suja em público, mas pensou que Blake já deveria saber sobre seus problemas conjugais, pelo me­nos superficialmente. — Nós estamos tentando resolver... ver se existe um modo...

— Ela concorda com isso?

— Oh, existem regras — disse ele com ironia. — Nós estamos na metade do período de experiência que dita "nenhum contato com o escritório", neste momento. Mas eu não posso simplesmente me afastar do trabalho, e te­nho procurado um lugar para me estabelecer aqui, com um escritório e uma pequena equipe, e uma casa com a minha família, para que eu possa passar a maior parte do tempo com ela. E não há nada.

— E você acha que poderia fazer isso com a minha casa?

— Espero que sim.

— As pessoas não gostam de modificações nas cons­truções originais na aldeia para moradia, mas, se o objetivo for negócios, geralmente concordam. E, se for para o seu próprio uso empresarial, elas podem ser bem cooperativas. Na verdade, eu já tenho alguns planos desenhados. Prova­velmente estão no armário. Você pode dar uma olhada neles.

— Então... isso significa que você consideraria a possi­bilidade de vender a casa para mim? — perguntou Joe, cuidadosamente.

— Eu não sei — disse o homem. — Tenho um proble­ma com isso. Pareço ter uma inquilina residente, e quero que ela fique feliz com seu novo senhorio, e preciso falar com ela.

Joe deu uma risada baixa.

— Oh, eu acho que ela ficaria feliz. Ela tem repetido que não quer se mudar e eu posso ver o quanto ela adora esta casa. E... há a questão do cachorro.

— Sim.

Joe sorriu, pensativo.

— Mas nós amamos Murphy, não é, amigão? — disse ele, acariciando as orelhas do cão, que começou a bater a cauda.

— Ele está aí com você?

— Ele sempre está comigo. Está deitado aos meus pés.

— E você ficaria com ele? Joe riu.

— Acho que Demi me mataria antes de deixar que algo acontecesse a Murphy. Além disso, ele é uma boa compa­nhia numa corrida.

— Oh, você corre? Ele adora correr. Ele sempre vai co­migo, quando saio.

— Então, você vai pensar no assunto?

— Precisamos estabelecer um preço justo. Você pode­ria providenciar isso... chamar alguns corretores locais para avaliar a casa? — Ele sugeriu dois nomes, e Joe os anotou.

— Dê-me o seu número, também. — Ele o escreveu ao lado dos nomes dos agentes, e completou: — Você pode me fazer um favor, John? Você poderia manter tudo isso em segredo e não contar nada a Demi, por alguns dias? Preciso de algum tempo para ver se isso vai funcionar.

— Se você vai ficar com o cachorro, o preço é negociável.

— John, ficaremos com ele de qualquer forma. Não posso imaginar ficar sem ele, e gosto da ideia de Demi ter um cachorro com ela, quando eu não estiver por perto. Eu estava falando do conselho municipal. Preciso ter uma resposta não oficial deles, algum tipo de acordo informal que garanta que eles serão favoráveis antes de eu poder seguir em frente, mas não quero dar falsas esperanças a Demi.

— Tudo bem, vou esperar até ter notícias suas. Mas preciso avisá-lo; eu conversei com Pete ontem à noite, e Jane pode ter dito a Demi que vou ficar aqui. Só para que você saiba.

— Certo. Vou tentar distraí-la, e dizer a ela que há tempo de sobra para pensarmos no assunto. Encontrarei uma for­ma. Devo pedir a ela que telefone para você, quando ela voltar?

— Se você puder. Obrigado. E dê um abraço em Murphy por mim.

Joe riu.

— Darei.

Ele desligou, olhou para o telefone por um minuto e então sorriu.

— Ora, Smurfs, parece que conseguimos uma casa. O que você acha disso?

O cão bateu a cauda no chão, e Joe encontrou o núme­ro do conselho municipal de planejamento, e ligou para lá. Dez minutos mais tarde, ele tinha a sua resposta não oficial, e era um "sim" cauteloso e sujeito a condições. Ele esmurrou o ar, verificou como estavam as meninas, preparou outro café, voltou para o estúdio e telefonou para Andréa.

— Precisamos marcar uma reunião — disse ele. — Te­nho algo para dizer a você. E quero Stephen lá.

— Para quando você quer marcar?

— Para esta tarde. Talvez.

— E quanto a Demi?

— Isso é por Demi. Estou tentando encontrar uma forma de podermos ficar juntos, e isso depende, de certa forma, de vocês. Você pode me fazer um favor. Ligue para ela e diga que eu preciso ir ao escritório para resolver uma crise gra­ve. Invente alguma coisa. Eu não me importo. Só não diga a ela do que se trata. Quero que seja uma surpresa.

*****

— Andréa?

— Oi, Demi. Olhe, detesto fazer isso com você, mas preciso de Joe de volta ao escritório o mais rápido possí­vel. Temos um problema, e ele é o único que tem todas as informações para resolvê-lo. Você sabe como ele é, guar­da tudo na cabeça.

— E não sei? Isso costumava me enlouquecer. Tudo bem. Eu o mandarei de volta a Londres. Você precisa falar com ele?

Joe estava olhando para ela com curiosidade, e ela sa­cudiu a cabeça em sua direção.

— Certo. Andréa. Obrigada. Eu direi a ele. Ela desligou e olhou novamente para ele.

— Andréa quer que você vá a Londres; houve um pro­blema. Aparentemente, você guarda muitas informações na cabeça, e eles não conseguem resolvê-lo. Agora, onde foi mesmo que eu já ouvi isso antes?

— Posso ir?

Ela fingiu dar um suspiro, mas, secretamente, estava deliciada. Demi queria telefonar para John, mas não queria que Joe soubesse, e se ele estivesse fora do caminho...

— Eu acho que você precisa ir, não é? Vá, Joe. Vá e acabe logo com isso.

— Você é maravilhosa. E eu sinto muito.

Ele lhe deu um beijo de despedida, e foi apertas depois que Joe saiu que Demi percebeu que ele parecia bastan­te satisfeito em ir. Teria ele combinado tudo com Andréa, enquanto ela estava fora? Demi apanhou o telefone e ve­rificou a última chamada realizada, mas fora para Jane. O outro telefone estava no estúdio, e ela foi verificá-lo também.

Um número local, que ela não reconhecia. Demi apertou o botão de rediscagem e descobriu que era uma agência imobiliária.

- Desculpe-me, devo ter ligado para o número errado — disse ela, e desligou novamente o telefone, sorrindo.

Então, Joe estava procurando uma casa, não era? Que interessante. Bem, ela teria que se certificar de que ele não fizesse nada apressadamente. E ela sempre poderia vetar qualquer coisa que ele sugerisse, se John estivesse dispos­to a vender. Ela só precisava descobrir.

Demi telefonou para ele.

— Ei, seu cavalo velho, acho que preciso lhe dar os parabéns!

— Ah, Jane lhe contou. Sim, e obrigado.

— Então, presumo que você esteja feliz?

— Oh, sim. O nome dele é Ryan, ele tem 42 anos e é arquiteto. Tem uma casa maravilhosa, e quer que eu viva com ele. E vamos ter uma cerimônia. Se você puder vir, ficaremos felicíssimos.

— Oh, John! Estou tão feliz por você! — disse ela, seus olhos se enchendo de lágrimas. Ele era um homem tão bom, e merecia a felicidade. — Murphs vai sentir sua falta, mas não quero que você se preocupe com ele. As meninas o adoram, e eu não suportaria me separar dele, e você não o terá de volta mesmo que queira!

John deu uma gargalhada.

— Está tudo bem. Ryan tem cachorros, ou seja, ainda te­nho minha parte de pelos de cachorro na comida. Sinto-me realmente em casa.

Ela riu, e mordeu os lábios.

— John, preciso lhe pedir algo. Meu... humm... meu marido está de volta. Joe. Ele me encontrou. Eu não ima­ginei que seria tão difícil me encontrar, e não estava me escondendo, na verdade, só estava evitando a questão... Mas ele está de volta, e nós estamos tentando encontrar um modo de seguir adiante juntos. E eu quero que tenha­mos uma casa, aqui no interior, perto dos meus amigos, porque eu sei que ele vai precisar viajar a negócios. E eu estava pensando, se você nos vender a casa, teríamos as cocheiras... e ele poderia ter um escritório ali.

— Sim.

— O quê?

— Sim, eu venderei a casa. E claro que sim, se isso a fizer feliz.

— Oh. — Aquilo fora rápido. — Mesmo?

— Mesmo. E fico muito feliz em saber que vocês estão juntos novamente. Só de ouvir você falar sobre ele duran­te o último ano já me dava a certeza de que vocês deviam ficar juntos. Você obviamente o ama muito e, se isso aju­dá-la a encontrar um modo de superar os problemas, estou com você até o fim.

— Oh, John, obrigada. Nem posso lhe dizer o que isso significa para mim. — Ela sentiu uma onda de excitação percorrê-la, começando lá no fundo e se espalhando até que todo o seu corpo estava tomado por ela. — Vamos ter que mandar avaliar a casa. Eu posso telefonar para alguns corretores.

— Não se incomode. Tenho um amigo aí que tem uma agência. Ele conhece bem a casa, e nos dará um preço justo, e eu ficarei feliz com ele, se vocês também ficarem. Vou conversar com ele.

— Certo. Tudo bem, claro. — E aquilo significava que ela não teria o trabalho de tirar Joe do caminho. — Avise-me quando você tiver falado com ele. E, se você telefonar e Joe atender, não diga nada a ele, por favor. Quero que seja uma surpresa.

John riu.

— Certo. Ligarei para você quando tiver um preço. Como estão as minhas meninas?

— Lindas. E impossíveis. Joe precisou instalar um portãozinho nas escadas, porque elas engatinham por todo lugar, e Ava está tentando andar. E eu preciso ir, John, porque ela está tentando pular o cercadinho! Falo com você em breve. Amo você.

— Também amo você, querida. Cuide-se.

Demi resgatou Ava, apanhou o telefone novamente e co­locou-o no bolso, e em seguida pegou Libby no colo e car­regou as gêmeas para a sala de estar.

— Nada de escalar — ela lhes avisou, e, derrubando uma pilha de brinquedos no chão, sentou-se no sofá e te­lefonou para Jane, para contar-lhe as novidades.

*****

— Então, isso é o que eu pretendo fazer. E sei que é total­mente inesperado e, se não for isso que vocês quiserem, bem, irei compreender. Vou precisar de uma equipe com­petente e confiável no escritório de Londres, e não sei se seria realista realocar todos para o interior. No momento, só estou sondando as pessoas.

Andréa e Stephen estavam em silêncio. Eles pareciam atônitos, e Joe percebeu que fora rápido demais, dei­xando-se levar por uma onda de teorias mais uma vez, sem pensar nos efeitos que teria nas outras pessoas. Ele era bom naquilo, Joe pensou com desgosto, e sacudiu a cabeça.

— Desculpem. É uma ideia louca. Esqueçam.

— Na verdade, não, eu não quero esquecer — disse Stephen, subitamente recuperando a fala. — Nós não pre­cisamos ficar em Londres. As comunicações são inter­nacionais hoje em dia, e muito simples. E Dana tem fala­do muito sobre sair de Londres. Se não fosse pelo trabalho, nós já o teríamos feito. Mas, agora que temos o bebê, es­távamos conversando sobre comprar duas casas para que ela pudesse ir com o bebê para o interior, e eu me juntaria a eles sempre que pudesse. Mas isso pode ser ainda me­lhor. Isso pode realmente funcionar para mim.

Uau. Joe assentiu, pensativo, e desviou os olhos para Andrea.

— Algum comentário?

— Eu não posso me mudar. Minha filha vai ter um bebê em breve, e precisa de mim por perto. Ela tem uma deficiência física, e não vai ser fácil.

— E ela mora em Londres?

— Sim. Bem, no subúrbio. O marido dela é piloto de avião, e suas rotas saem do aeroporto de Stansted. Eles moram perto de Stratford, e eu posso visitá-los de metrô.

— Eles considerariam a ideia de se mudar? Stansted fica a apenas uma hora do vilarejo, provavelmente menos. Qua­renta minutos? Fica em Suffolk, na fronteira de Suffolk e Essex. Não é como se fosse a um milhão de quilômetros daqui. E eu me certificaria de que você recebesse uma ge­nerosa compensação pela transferência.

Ela franziu a testa.

— E eles?

— Todos vocês. O que for preciso, Andréa. Se precisar­mos transferir a operação inteira, principalmente levando em conta que quero diminuir o tamanho dela para algo bem mais administrável, para o bem de todos nós, eu pre­ciso das minhas pessoas chave.

— Eu só trabalho para você há seis meses, Joe. Como posso ser tão importante?

Ele deu uma risadinha.

— Você não faz ideia — disse ele, secamente. — Não sou um homem fácil para quem trabalhar.

Ela sorriu.

— Eu já tinha percebido. Você só precisa de geren­ciamento.

— É isso que Demi me diz. — Ele olhou rapidamente para o relógio. — Olhem, preciso voltar. Posso pedir para vocês pensarem no assunto? E, se acharem que conse­guem trazer os principais membros da equipe, marcare­mos uma reunião e discutiremos a mudança com o resto do pessoal. E eu não quero que Demi fique sabendo a res­peito disso até eu ter algo concreto para dizer a ela.

— E como poderemos entrar em contato com você? Ele deu um sorrisinho esperto para Andréa.

— Eu tenho um número novo de celular. Comprei o telefone no caminho para cá. Se você puder sincronizá-lo com o meu banco de dados, e também me conseguir um laptop com conexão sem fio com as mesmas informações, seria ótimo. Eu vou telefonar para Gerry em Nova York.

— Sim, e quanto a Nova York? — perguntou Andréa, e ele sorriu de novo.

— Direi a você depois que eu falar com Gerry.

— Ele não pode se mudar para Suffolk. Joe riu.

— Não, Stephen. Mas ele pode comprar a parte dele na operação. Ele tem falado nisso há anos. E eu só ficarei com uma pequena parte das ações.

Eles olhavam para Joe como se subitamente ele tivesse se transformado em um monstro de duas cabeças. E era de se esperar. A operação em Nova York era responsável pela metade do faturamento da empresa. Stephen soltou um assobio baixo.

— Você está realmente falando sério, não está? — per­guntou ele, e Joe assentiu, levantando-se.

— Oh, sim — disse ele, firmemente. — Eu nunca falei tão sério em toda a minha vida.

*****

Demi passara a tarde com um arquiteto, discutindo a conversão das cocheiras em escritórios. Ele morava no vilarejo e trabalhava em casa, e ela o encontrara algumas vezes; então, pôs os bebês no carrinho e foi andando até a casa dele. Ele voltou com ela, deu uma olhada no lugar e ouviu suas ideias.

— Bem, é possível — disse ele. — Não vai sair barato, é claro; conversões de cocheiras nunca saem. Mas, depen­dendo do tamanho da obra em que você está pensando, acho que o conselho municipal vai ficar bem satisfeito. Os prédios estão caindo aos pedaços, e eles detestam isso. Então, teoricamente, sim, acho que pode ser feito.

— Você poderia fazer alguns desenhos rápidos para mim? — perguntou ela, e ele riu. — Estou falando sério.

O sorriso dele era divertido.

— Ótimo. Não gosto que meus recibos não sejam pa­gos. Isso deixa o banco nervoso.

Ela engoliu em seco.

— Estamos falando de muito dinheiro? Milhares de libras?

Ele riu ao ouvir aquilo.

— Só para tirar algumas fotos e desenhar uma ideia ou duas? Não, nada disso. Mas acontece que John me pediu, há muitos anos, que lhe desse alguns conselhos, e eu tirei algumas fotos e as usei como base para a impressão de um artista, para lhe dar uma ideia de como ficaria. Eu desenhei alguns planos. Você pode usá-los como ponto de partida.

— Oh, Trevor, você é brilhante! — disse ela, abraçando-o impulsivamente. Ela voltou com o arquiteto para a casa dele para apanhar os desenhos e, depois de colocar os bebês na cama, analisou-os até memorizá-los. Algumas das ideias não iriam funcionar, ela pensou, mas no geral o plano era bom. Então, ela precisava ape­nas de uma cotação de preço para a propriedade, e po­deria elaborar um plano de ação, incluir alguns números sólidos e apresentar tudo para Joe.

Se ele voltasse para casa.

Ele estava demorando. Demorando muito. Já eram qua­se dez horas; não que aquilo fosse tarde para Joe, mas considerando as regras... Demi ficara feliz em mandá-lo para Londres na hora do almoço, mas agora, pensando melhor em como ele estivera ansioso para ir, ela se per­guntava o quão comprometido Joe estaria com tudo o que estavam fazendo. Ela estaria cometendo um grande erro, ao seguir adiante?

Demi colocou os planos em uma gaveta no estúdio, ve­rificou como estavam os bebês e pensou em tomar um banho. Se ao menos ela soubesse o quanto ele iria demo­rar. Oh, aquilo era ridículo. Ela o conhecia bem. Se Gerry estava com um problema sério em Nova York, Joe pode­ria ficar conversando com ele durante horas, por causa da diferença no fuso horário. Poderia ser duas ou três da ma­nhã quando ele voltasse. E ela não iria esperar tanto.

Ela disse a si mesma que não estava sendo razoável. Joe havia abandonado tudo em Londres por ela, sem avi­so prévio. Aquilo era algo inédito. Mas também lhe dava uma ideia de como as coisas poderiam ser, se ela voltasse para ele. Mesmo vivendo e trabalhando ali parte do tem­po, ele ainda teria que ficar em Londres durante a semana. Seria injusto da parte dela querer mais do que isso? Tantas mulheres viviam duas vidas; uma com seus maridos du­rante o final de semana, e a outra de segunda a sexta, en­quanto eles trabalhavam na cidade.

Mas não ela. Ela não poderia fazer aquilo; não com Joe, que seria imediatamente sugado de volta para o trabalho no mesmo instante em que ela afrouxasse as rédeas um pouco.

Oh, droga. Talvez um longo banho quente ajudasse. Ela tirou as roupas e foi para o banheiro, ligando o chuveiro e entrando no box. Oh, aquilo era bem melhor. Ela virou o rosto para a água, de olhos fechados, e deixou que caísse sobre seu corpo, lavando seus medos e dúvidas. Joe es­taria em casa logo, e ela se sentiria uma idiota por se pre­ocupar tanto. Mas aquilo era um aviso, ela percebeu, e faria bem em levá-lo a sério.

— Demi?

Não havia sinal dela, mas as luzes ainda estavam ace­sas, e ele podia ouvir o barulho da água no andar de cima.

Ela estava no chuveiro.

Movido pela adrenalina, e sentindo a falta dela depois de um dia inteiro longe, ele correu pelas escadas, tirou as roupas e entrou no banheiro. Ela estava de costas para ele no box, e ele entrou no cubículo atrás dela, enlaçando-lhe a cintura com os braços.

Ela deu um gritinho, e começou a rir; e ele a virou em seus braços e a beijou sob o jato d'água.

— Você me assustou — disse ela, empurrando-o para poder respirar, e ele sorriu.

— Eu sinto muito — retrucou ele, não parecendo, nem um pouco arrependido. Apanhando o xampu, ele espa­lhou um pouco nas mãos, massageando os cabelos dela firmemente.

— Oh, isso é uma delícia — disse ela, encostando a ca­beça no peito dele; e, quando ele terminou, colocou-a sob a água novamente e enxaguou-lhe os cabelos até que esti­vessem totalmente limpos.

Demi enxugou a água dos olhos e sorriu para ele.

— Ora, não pare — disse ela, entregando-lhe o gel de banho. Erguendo a sobrancelha, ele colocou um pouco de gel na palma das mãos, esfregou-as e então espalhou o produto carinhosamente pelo corpo dela: seus seios, seu estômago e o local suave escondido entre suas pernas.

— Joe!

— Shhh. Venha cá — ele ordenou suavemente, e, erguendo-a, abaixou-a gentilmente em sua ereção dolorida. — Oh. Demi. — Sua boca encontrou a dela, e apoiando-se na pare­de, ele começou a se mover.

— Joe!

— Está tudo bem, eu estou com você — disse ele, e sentiu o clímax dela começar, as contrações tomando seu corpo em ondas; e, com um gemido abafado, ele a seguiu.

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Mais um capítulo para vocês!
Comentem amoras *-*
xoxo

19.8.15

Dois Pequenos Milagres - Capitulo 8

— Você tem certeza?

— Tenho.

Respirando fundo, Joe se levantou lentamente e esten­deu a mão, puxando-a de forma que ela ficasse em pé à sua frente, a centímetros de distância, mas sem tocá-la.

— Você não precisa fazer isso.

— Eu sei.

Ele fechou os olhos, disse algo que ela não conseguiu ouvir e se virou.

— Precisamos arrumar tudo isso e cuidar do cachorro.

— Deixe que eu faça isso.

— Não. Faremos juntos. Será mais rápido. — Joe co­locou tudo de volta na bandeja e levou-a para a cozinha, com Murphy em seus calcanhares, e levou o cachorro para fora enquanto Demi colocava o leite na geladeira e se certificava de que a comida estivesse fora do alcance de Murphy. E estava, com exceção dos chocolates.

Joe voltou com o cão, apanhou as trufas e olhou nos olhos dela.

— Eu cuido delas — disse ele, e ela foi imediatamente levada para outro tempo, outro lugar, quando ele trouxera chocolates para a cama e os colocara em sua boca um a um, enquanto fazia amor com ela. Demi ainda podia sentir o gosto deles.

— Não olhe para mim desse jeito — disse ele, com voz tensa —, ou eu perderei o controle completamente.

Demi o ouviu murmurando algo para o cachorro e fe­chando a porta, e então sentiu a presença dele bem atrás de si, o calor de seu corpo a milímetros de distância.

— O seu quarto ou o meu?

— O meu. É mais longe dos bebês.

Só um pouco, mas ela não tinha certeza, depois de tanto tempo, que seria capaz de controlar suas reações ao fazer amor com ele; o chuveiro no escritório não fora a única ocasião em que ele a fizera gritar. De jeito nenhum.

Ela acendeu a luz, mas ele trouxera a vela, colocando-a sobre a cômoda ao lado dos chocolates, acendendo-a e apagando a luz em seguida. Ela apreciou o gesto, porque subitamente lhe ocorreu que Joe não vira seu corpo desde que ela tivera os bebês. E, com os efeitos da amamentação, a cicatriz da cesariana e o aumento de peso, talvez ele pre­cisasse ser apresentado à nova Demi de forma mais sutil.

Mas parecia que ele não estava com a mínima pressa de tirar-lhe as roupas, afinal de contas. Em vez disso, ele cor­reu os dedos pelos cabelos dela, abaixou a cabeça e to­cou-lhe os lábios com os seus. Foi um toque levíssimo, um roçar suave de pele sobre pele, mas, quando ele moveu a cabeça de um lado para o outro, com os lábios colados ao leia, a pressão aumentou, intensificando a sensação, até que Demi sentiu um gemido lhe escapar da garganta. Oh, Joe, beije-me, ela implorou silenciosamente, e como se a tivesse ouvido, ele segurou-lhe a cabeça mais firmemente entre as mãos e correu a língua por seus lábios, forçan­do-os a se abrirem.

Eles não precisavam ser forçados. Ela os abriu para ele r, com um gemido abafado, Joe colou a boca à de Demi e a explorou, faminto, curioso, agressivo, sua língua duelando com a dela, deixando-a louca. Só quando eles pre­cisaram interromper o beijo para respirar, ele ergueu a cabeça, o ar parecendo raspar-lhe os pulmões, seus olhos brilhando à luz da vela.

— Demi, preciso de você — sussurrou ele, sua voz rouca e urgente.

— Eu também preciso de você. Por favor, Joe. Agora.

E, sem mais demora, ele tirou a camisa, arrancou a calças e as meias, e chutou os sapatos para longe em um único movimento. As cuecas não escondiam nada, e o tecido suave se colava à sua ereção. Demi sentiu a boca seca. Fa­zia tanto tempo. Seu corpo estava tremendo, seu desejo era tão grande que ela mal podia se mover, mas estava tudo bem, porque ela não precisava. Ele estava ali, suas mãos tirando-lhe a blusa gentilmente, cuidadosamente, por sobre a cabeça; quando viu o sutiã, fechou os olhos por um instante, e ela percebeu que os lábios dele se me­xiam sem emitir um som.

— Graças a Deus, você não me mostrou isso na loja — disse ele finalmente, e ela riu, um tanto sem fôlego.

— E tem mais — respondeu ela, e ele grunhiu, abrindo o zíper de sua calça. Ela encolheu o estômago, mas ele fez um som de desaprovação e correu os dedos por ele, sua palma quente e seca acariciando-lhe a pele, seus dedos deixando um rastro de fogo. Um dedo percorreu o elástico do delicado short de renda.

— O que é isso? — perguntou ele, a voz trêmula.

— Pensei que você iria gostar.

— Você vai me matar — sussurrou ele, e, tomando-a nos braços, fez com que seus corpos se tocassem pela primeira vez. Ambos soltaram uma exclamação abafa­da, e respiraram, e se aproximaram ainda mais um do outro, até que finalmente ele ergueu a cabeça e olhou nos olhos dela. — Demi, eu preciso de você agora, ou vou morrer, juro — disse ele, hesitante. — Preciso tanto de você. — Seus olhos estavam brilhando, e seu peito arfava contra o dela; a luz da vela acentuava a definição de seus músculos e transformava sua pele em ouro, en­quanto ele a erguia gentilmente nos braços e a colocava na cama.

Ele a seguiu, seus olhos jamais abandonando o rosto dela, e finalmente percorrendo-a, seguindo o percurso de suas mãos enquanto lhe acariciava a pele, deixando uma trilha de fogo. Ele correu os dedos pela renda do sutiã, acompanhando a linha do decole, e então acariciou-lhe os seios, os polegares tocando-lhe levemente os mamilos até que ela achou que fosse gritar.

— Eu quero sentir o seu gosto — murmurou ele com a voz rouca. — Todos os dias, eu vejo as meninas ma­mando, e...

Ela queria, também. Ansiava por isso. Demi abriu o fecho frontal e pensou que era conveniente, mas imaginou agora se ele não tivera aquilo em mente o tempo todo. Ele afastou os bojos, tomou-lhe um seio na mão e o levou aos lábios. O leite escorreu pelo mamilo, e ele o apanhou com a língua, provando-o; em seguida, fechou a boca sobre o seio dela e o sugou com força. Ela emitiu um ruído abafado, e uma onda quente de desejo a atingiu com uma intensidade fatal; ele ergueu a cabeça, seus olhos escuros agora, e a boca rígida.

Por um longo momento, eles permaneceram assim, os olhos fixos um no outro. E então, com um som desespera­do, ele arrancou o pequeno short de renda que ela usava e as próprias cuecas, e se moveu sobre ela, suas coxas sóli­das e musculosas contra as pernas dela, abrindo-as.

— Demi — ele sussurrou. E, em seguida, estava lá, den­tro dela, preenchendo-a, e Demi sentiu a tempestade que se aproximava, a sensação que a dominava, até que finalmen­te tudo explodiu e o clímax pareceu cortá-la ao meio. Ele abafou o grito dela com a boca, misturando-o ao gemido selvagem que lhe escapou do peito. E, em seguida, rolou para o lado, levando-a consigo, seus corpos ainda colados e os corações martelando; e, quando Demi finalmente abriu os olhos, Joe estava olhando para ela com uma expressão maravilhada, os cílios molhados de lágrimas.

— Eu amo você — sussurrou ele, e, puxando-a para mais perto, aconchegou-lhe a cabeça sob o queixo e envolveu-a nos braços, suas mãos acariciando-lhe a espinha lentamente, ritmicamente, até que por fim ela adormeceu em seus braços.

Ele sentira tanta falta dela.

Joe nunca lhe dissera isso; jamais revelara o inferno que o último ano havia sido. Oh, ele lhe dissera algumas coisas, mas nada comparado ao que estava trancado em seu cora­ção. Mas ela estava de volta agora e, mesmo que isso o ma­tasse, ele se certificaria de não falhar com ela novamente.

Seu braço estava ficando adormecido, mas ele não que­ria perturbá-la. Ele estava simplesmente aproveitando o privilégio de abraçá-la, e não tinha certeza de como ela estaria quando acordasse. Distante? Arrependida?

Diabos, ele esperava que não.

E então, ela se mexeu, abriu os olhos e sorriu para ele, e Joe sentiu a tensão se esvair dele como o ar que sai de um balão estourado.

— Oi.

— Oi — respondeu ele, beijando-a suavemente nos lábios.

— Você está bem?

— Sim. E você?

— Oh, sim, estou muito bem.

— Minha perna está adormecida.

— Grande coisa. Acho que o meu braço caiu.

— Isso vai doer.

— Aham. Ela sorriu.

— Um, dois, três...

Ele deu um pequeno grunhido e se afastou um pouco dela; em seguida, riu e a puxou novamente para si, e eles ficaram deitados com os dedos entrelaçados e as cabeças juntas no travesseiro.

— Melhor?

— Sim. Joe?

— Sim?

— Eu amo você.

— Oh, Demi. — Ele rolou na direção dela, sem se im­portar com a sensação de formigamento no braço, e a bei­jou gentilmente.

— Eu amo você, também.

— Ótimo — murmurou ela, e um segundo depois Joe ouviu um ronco suave e quase imperceptível.

Joe sorriu. Ele poderia zombar dela de manhã, pen­sou, e, movendo-se para mais perto de Demi, passou o bra­ço por sua cintura e voltou a dormir.

*****
Os bebês a acordaram, e ela rolou de costas, abriu os olhos e piscou. Já era dia claro, e ela podia ouvir a voz de Joe no quarto das meninas. Saindo da cama e fazendo uma careta ao sentir dor nos músculos desacostumados, ela vestiu o roupão apressadamente e foi até eles.

— Oi, meus amores — disse ela, entrando no quarto, e as meninas sorriram para ela de seus berços.

— Estou incluído nisso? — perguntou ele, parecendo sexy demais para seu próprio bem usando nada mais que cuecas, e ela riu.

— Pode ser. Há quanto tempo elas estão acordadas? — Alguns minutos. Eu troquei as fraldas delas e dei uma mamadeira de suco, mas acho que elas querem a mãe e algo mais substancial.

— Tenho certeza de que sim. Vamos lá, minhas peque­ninas. Vamos para baixo dizer "oi" ao Murphy?

Ela tirou Ava do berço e a entregou a Joe, e então to­mou Libby nos braços.

— Oi, danadinha. Você vai se comportar hoje?

— Provavelmente não, se ela for como a irmã. Vou ins­talar o portãozinho delas esta manhã.

— Ah, sim, faça isso, por favor. Oi, Murphy! Como você está, garoto? Achou algo gostoso para comer?

— Tenho certeza de que ele tentou. Não foi, seu velho malandro?

Murphy bateu e abanou a cauda, sorrindo para ele, e Demi riu.

-— Ele é um tremendo puxa-saco. Você é um cão horro­roso, sabia? Vamos, Libby, vá com o papai.

— Pa-pa — disse ela, e os dois ficaram paralisados.

— Eu sonhei com isso? — perguntou Demi, e Joe riu, dando de ombros.

— Só se eu sonhei, também. Pensei ter ouvido Ava dizer "pa-pa" ontem, mas achei que ela só estava balbuciando.

— Pa-pa! — gritou Ava do cercadinho, apoiando-se na beirada e sorrindo furiosamente para ele, e Demi sentiu seus olhos se encherem de lágrimas.

— Elas disseram o seu nome — sussurrou ela, apertan­do a mão contra a boca, e Joe engoliu em seco e sorriu, e parecia prestes a chorar a qualquer minuto.

*****

O café da manhã terminara, as meninas haviam tomado banho e trocado de roupas, e Joe tentava não pensar no fato de que não podia levar Demi de volta para a cama por algumas horas. A menos que as gêmeas tirassem uma so­neca durante a tarde, obviamente.

— Vamos procurar uma casa? — sugeriu ele, para des­viar seus pensamentos de Demi.

— Claro. Se eu trouxer o computador, podemos fazer isso aqui. Temos conexão sem fio. — E ela desapareceu, voltando em seguida com um laptop. O computador per­tenceria a John Blake?

Não. Não comece com isso. Ele deu um lar para a sua família.

— Vá mais para lá — disse ela, acomodando-se no sofá com o laptop. — Tudo bem. Este é um dos sites das gran­des imobiliárias. O que estamos procurando, e em que faixa de preço?

— Eu não estabeleceria um limite. Comece por cima, e depois poderemos descer.

— Mesmo?

— Bem... sim. Por que não? Você quer morar em al­gum lugar horrível?

— Não, eu quero morar em um lugar normal — retru­cou ela, e ele suspirou.

— Digite a área em que você está interessada, e vamos ver o que há disponível.

Nada. Aquela era a simples resposta. Não havia nada que não fosse pequeno demais, ou longe demais, ou exa­gerado demais, ou totalmente inadequado. E nada, abso­lutamente nada se comparava ao "Chalé das Rosas".

— Eu gostaria de poder ficar aqui — disse ela, triste­mente.

— Ele não venderia a casa?

— Você a iria querer?

— Não depende realmente de mim, não é? Estamos fa­lando sobre a sua casa, a sua escolha, um lugar para você e os bebês. E acho que tudo o que farei será visitar vocês.

Os olhos dela se enevoaram, e ela os desviou rapida­mente.

O que foi agora?

— A menos que eu trabalhe de segunda a sexta e volte nos finais de semana. Não gosto muito de todo esse deslo­camento. Prefiro trabalhar menos dias.

— Como? Seis dias ao invés de sete? Ele suspirou.

— Podemos começar de novo?

Demi desviou os olhos e mordeu os lábios.

— Desculpe-me. É só que... parecíamos estar nos dan­do tão bem, e então o futuro se intromete e não há jeito de contorná-lo.

E as meninas estavam impacientes e entediadas.

— Vamos vesti-las e sair para uma caminhada — suge­riu ele. — Podemos usar os cangurus.

Eles haviam comprado cangurus no dia anterior, para poder carregar as meninas junto ao peito sem levar o car­rinho, e dividiram as tarefas: Os dois se revezavam com as meninas todo o tempo, ele percebeu, como se não qui­sessem criar um laço mais forte com uma ou outra. Era estranho como aquilo simplesmente acontecera, sem que Demi e Joe discutissem o assunto; mas sempre fora assim com eles, que dificilmente precisavam discutir as coisas: simplesmente concordavam. Até aquele momento, pelo menos, e parecia que dividir as tarefas relacionadas com as gêmeas igualmente era a única coisa sobre o que con­seguiam concordar.

Bem, fora da cama, ao menos. Aquilo ainda era tão fan­tástico como antes, Joe ficou aliviado em descobrir. Mas ele não queria pensar sobre o assunto agora.

Eles caminharam pela margem do rio por algum tempo, enquanto Murphy corria de um lado para o outro, farejando tudo, e cavava alguns buracos furiosamente em busca de algum roedor ou alguma outra criatura desafortunada; depois do passeio, todos voltaram para casa.

— Algum desses celeiros pertence à casa? — perguntou Joe, e ela assentiu.

— Sim, todos eles. Isto costumava ser uma fazenda, a "Fazenda Rose", mas os campos foram todos vendidos, juntamente com o nome, e a casa foi rebatizada de "Chalé das Rosas". O que é uma bobagem, na verdade, porque ela é grande demais para ser um chalé. Mas você entendeu.

Joe olhou em volta com curiosidade. Havia várias construções que eram pequenas demais para que se pudesse fazer algo específico com elas, mas outras, como a fileira de antigas cocheiras de tijolos, abertas na frente, poderiam ser transformadas em acomodações para o pessoal do escritório. Se ao menos eles pudessem encontrar alguma coisa parecida à venda, haveria a possibilidade de ele trabalhar de casa. Não apenas ele, mas outros dois ou três membros de sua equipe; seria um tipo de "escritório-satélite". Joe conhecia muitas pessoas que haviam diminuído o alcance de suas operações e "virado empresários rurais", como um deles havia descrito, mas ele jamais vira atrativo algum naquilo. Até agora.

— Venha ver o jardim — disse ela, e o levou pelo portão até a lateral da casa. Joe estivera ali com o cachorro, ob­viamente, mas nunca examinara o local atentamente. E, enquanto ela lhe mostrava o jardim e falava sobre ele, Joe começou a vê-lo pelos olhos dela. E era lindo. Um pouco árido, naturalmente, já que eles estavam no meio do inver­no; mas mesmo agora havia narcisos e pés de açafrão nas­cendo, e os botões estavam se formando nas roseiras. Se Joe olhasse com atenção, poderia imaginar o jardim em pleno verão.

— Eu tenho fotos deste lugar com as roseiras flores­cendo — disse ela. — É encantador.

Ele imaginava que fosse. Podia ver. E se lembrou do que ela lhe dissera no dia em que o deixara.

Eu quero... uma casa, um jardim, tempo para cuidar das plantas, para enterrar minhas mãos no solo e sentir o perfume das rosas... Nós nunca paramos para sentir o per­fume das rosas, Joe. Nunca.

Bem, ela possuía seu jardim agora, e suas rosas. Observando-a falar sobre eles, Joe podia ver a mudança em Demi, o brilho em seus olhos, o calor em sua pele, a vida que havia nela. Vida real, não apenas a onda de adrenalina após uma grande conquista, mas uma satisfação e um con­tentamento genuínos.

E o que mais o chocava era perceber que ele queria aquilo, também.

*****

— Por que você não tira um dia de folga com Jane?

— O quê?

— Você me ouviu. Eu posso cuidar das meninas. Fica­remos bem.

— Você tem certeza?

— Sim, ficaremos ótimos. Você não confia em mim?

— Ora, claro que confio em você. Só não tenho certeza de que você sabe no que está se metendo.

— Um total inferno, imagino, mas tenho certeza de que sobreviveremos.

Demi pensou no assunto e sacudiu a cabeça.

— Não. Mas posso ir encontrá-la para tomar um café — sugeriu ela, transformando a oferta dele em algo mais fácil de administrar. — Além disso, ela está com o bebê, e vai precisar levar as outras crianças para a escola e ir bus­cá-las, e está sempre muito ocupada. Mas perguntarei a ela. Quando você estava pensando em ficar com as meninas?

— Quando você quiser. Que tal amanhã?

O dia seguinte era uma segunda-feira. Uma semana desde que ele chegara, e dois dias depois deles terem aca­bado na cama. E fora incrível, mas ela estava se deixando viciar, e havia outras coisas em que pensar. Como Joe em Londres e ela ali, com as crianças.

Ela o amava. Desesperadamente.

Demi só precisava encontrar uma forma de fazer o rela­cionamento funcionar, pelo bem de todos.

— Eu vou telefonar para ela —- disse Demi.

— Demi? Como você está? Eu andava com medo de perguntar!

— Oh, estou mais ou menos. Bem, na maior parte. — Muito bem, mas ela não queria falar sobre aquela parte; e as partes ruins, bem, essas eram difíceis demais para dis­cutir. — Olhe, Joe se ofereceu para ser a babá, para po­dermos tomar um café. O que você vai fazer amanhã?

— Nada que eu não possa cancelar. Estou louca para vê-la e ficar sabendo de tudo. Onde, e a que horas?

— No The Barn. Às dez e meia?

— Está ótimo. Quanto tempo você tem?

— Quanto eu quiser. Ele se ofereceu para ficar com as gêmeas o dia inteiro, mas não quero que ele tenha uma experiência ruim e que fique traumatizado para sempre.

— Não, claro que não. Garota esperta. Certo, vamos marcar às dez e meia, amanhã, e eu direi a Pete que estarei em casa por volta da uma. Ele está em casa, e pode cuidar das crianças. Está bom para você?

— Está ótimo — disse Demi, desligando com um sorri­so. Ela estava realmente ansiosa para aquele encontro. Seria a primeira chance que teria de ver Jane a sós desde que saíra do hospital com as crianças, e ela estava ridiculamente excitada.

Demi voltou para a sala de estar e encontrou Joe deitado de bruços, com Libby deitada de costas a seu lado, rindo enquanto ele fazia besourinhos, em seu estômago. Joe olhou por sobre o ombro, e Demi parou de admirar seu traseiro musculoso para sorrir para ele.

— Está tudo combinado. Vou encontrar Jane amanhã às dez e meia, em uma cafeteria perto do centro de artesa­nato, a alguns quilômetros daqui. Estarei de volta perto da uma hora. Está bem assim?

— Está bem. Está ótimo. Ficaremos bem, não é, coisinha? — disse ele, sorrindo e voltando-se para Libby, e Demi ficou livre para admirar aquele traseiro lindo sem interrupção.

*****
— Então, conte-me tudo! Eu andei tão preocupada com você — disse Jane, depois que elas já estavam acomoda­das na cafeteria.

— Não, você só quer saber os detalhes sórdidos — pro­vocou Demi.

— Bem, claro que eu quero os detalhes sórdidos — disse Jane.

— Bem... eu não sei. Às vezes, eu acho que tudo está indo bem, e outras vezes... bem, ele trapaceia um pouco.

— Trapaceia?

— Não como você está pensando. Nós temos regras. Duas semanas: nada de telefonemas, nada de acesso à Internet, nada de escapulir para Londres ou ficar a noite inteira acordado, trabalhando. E, na maior parte do tempo, Joe tem sido ótimo. Mas ele tentou pegar o celular es­condido; ele ligou para o próprio número usando o meu, e acho que ele esperava ouvi-lo e encontrá-lo, mas eu tinha escondido o aparelho debaixo do meu travesseiro no modo silencioso. Atendi e dei uma bronca nele.

— Opa.

— Pois é. E estávamos procurando na Internet uma nova casa para mim. Joe se sente desconfortável pelo fato de eu estar morando na casa de outro homem, e, se ele quer comprar uma casa para mim... — Ela deu de ombros. — Mas não conseguimos encontrar nada por aqui que fosse totalmente adequado para, nós. Bem, para mim, na verda­de, porque, como Joe diz, ele estará em Londres, e eu quero estar perto dos meus amigos. E esse é o problema, é claro. Ele não quer viver aqui; não pode, na verdade, tra­balhando do jeito que trabalha, e eu não vou voltar para Londres antes de ter certeza absoluta de que ele está le­vando tudo isso a sério e vai se comprometer em longo prazo. É um pouco parecido com uma dieta relâmpago: você pode aguentar por alguns dias, mas depois algo aca­ba interferindo.

Demi empurrou o prato com uma fatia de um bolo de chocolate perturbador de tão bom na direção da amiga, entregando-lhe o garfo. Jane deu de ombros, roubou outro pedaço de bolo e o devolveu para Demi.

— Sinta-se livre para me mandar para o inferno, mas ele realmente precisa trabalhar? Quero dizer, trabalhar para viver? Para ganhar dinheiro?

— Não. Absolutamente não. Ele nunca mais precisa trabalhar, se não quiser. Mas Joe ficaria louco. Ele é vi­ciado em adrenalina. Não consegue viver sem a emoção.

— E, por falar nisso — disse Jane, com um brilho ma­licioso nos olhos —, você está parecendo toda apaixonada no momento. Devo presumir que essa parte da reconcilia­ção está indo bem?

Mia sentiu uma onda de rubor lhe colorir as faces.

— Isso — disse ela, apontando o garfo coberto de cho­colate para a amiga — não é da sua conta.

— Isso é um "sim", então. Graças a Deus por isso.

— Por quê?

— Porque ele é o homem mais sexy vivo! Não me enten­da mal, eu adoro o Pete, mas o seu Joe é um pedaço do mau caminho, e seria um grande desperdício não aproveitar.

Demi suspirou.

— Isso é parte do problema, obviamente. Se ele se pa­recesse com um ogro e fosse um desastre na cama, seria mais fácil deixá-lo.

— Mas você não quer deixá-lo — comentou Jane, de forma razoável. — Você só quer viver com ele em algum lugar que não seja a conexão para seu próximo voo. Você só precisa encontrar um jeito de mantê-lo ao seu lado.

Demi revirou os olhos.

— E o jeito de fazer isso é...?

— Que tal se ele trouxesse o escritório para cá?

— O quê?

— Você me ouviu. Muita gente está fazendo isso. Ou ele poderia trabalhar em casa.

— Se ele pudesse trabalhar em casa, não estaria em Tóquio ou Nova York o tempo todo.

— Ah, mas existe uma diferença entre querer e poder. Ele pode trabalhar em casa. Só não queria, até agora. Este é o "xis" da questão. Você vai comer o resto do bolo?

— Você deveria ter pedido uma fatia — disse Demi, empurrando o prato novamente na direção de Jane.

— Não. Estou de dieta.

— Sei, sei. Então você acha que eu deveria encontrar um modo de manter Joe aqui no interior?

— Aham. A não ser que você queira algemá-lo na cama, o que obviamente também é uma boa opção.

— Você é incorrigível. É tão bom ver você assim, no­vamente. Se ao menos eu não tivesse que me mudar tão logo. Você sabia que John está voltando em um ou dois meses, e eu preciso encontrar outro lugar para morar?

— Não — disse Jane, sacudindo a cabeça.

— Pois é, mas ele está.

— Não, não está. Ele conheceu alguém. Ele não lhe contou? Um cara de Chicago, 15 anos mais novo, que quer que ele se mude para lá permanentemente. Mas John está dividido.

— A respeito do cara?

— Não, tenho certeza de que não. A respeito de Murphy, eu acho. Se não fosse por aquele cachorro, acredito que ele se mudaria, mas você sabe como ele adora o animal. E o chalé. Mas o cachorro é o grande obstáculo.

— Então... se ele ficar — disse Demi lentamente —, o que você acha que ele vai fazer com o chalé?

Jane deu de ombros.

— Vendê-lo, suponho. Eu não sei. Não falei com ele, foi Pete quem atendeu o telefone na noite anterior, quando eu estava no banho. Isso é tudo o que eu sei. Já era bem tarde, e foi provavelmente por isso que ele não telefonou para você. Por que você não liga para ele?

— Talvez eu ligue — disse ela. — É bem provável que eu faça isso. Qual é a diferença de fuso para Chicago? Seis horas a menos?

— Algo assim.

— Então, quando eu chegar em casa, serão apenas sete horas. Cedo demais.

— E você pode querer falar com Joe.

— Ou não. Eu posso querer apresentar a ele uma solu­ção definitiva e ver o quanto ele tenta escapar dela. É fácil falar em teoria, mas, quando se trata da coisa real, eu posso ter uma resposta mais honesta se ele puder ver tudo, preto no branco, e tiver que tomar uma decisão, de um jeito ou de outro. Se ele se sentir encurralado, não vai funcionar, e pelo menos eu saberei.

E, se Deus a ajudasse, as coisas não chegariam naquele ponto.

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Amo quando vocês comentam e interagem comigo! 
Estamos na reta final!
xoxo

18.8.15

Dois Pequenos Milagres - Capitulo 7

Joe dormiu até as nove horas na manhã seguinte, algo que ele jamais fazia.

Preocupada, Demi entrara no quarto dele às 9h da ma­nhã, para checar como ele estava. Ele roncava. As cober­tas haviam caído para um lado, mas o quarto estava aque­cido, então ela pensou que, mesmo que ele estivesse nu, não estaria com frio.

O desejo de se enfiar na cama e tomá-lo em seus braços quase a dominara, mas, em vez disso, ela se afastara na ponta dos pés, tirara as meninas de seus berços e voltara para baixo, pra lavar roupa e deixar Murphy sair para o jardim para brincar.

*****
— Demi? O que um homem tem que fazer aqui para con­seguir uma xícara de chá?

— Oh, bom dia! Que tal colocar a chaleira no fogo? — sugeriu ela. Ele fez isso e depois se abaixou é disse "olá" para os bebês, que estavam bem-humorados no cercadinho.

E olhou as meninas e riu. A primeira risada de verdade que ela ouvira dele em anos, e então o riso enfraqueceu e os olhos deles se encontraram, e ele prendeu a respiração.

Ela soube disso, porque podia ver seu peito paralisado e o coração dele estava batendo forte, o pulso visivelmente acelerado no pescoço, pulsando ao mesmo compasso que o dela. Ela fez um bule de chá e preparou algumas torradas.

— Então, o que vamos fazer hoje? — perguntou ela.

— Como está o tempo lá fora?

— Frio. Brilhante e ensolarado, mas frio. O vento está gelado.

— Vamos às compras?

— É uma boa ideia. E podíamos comprar algumas roupas para elas. Essas meninas crescem como plantas. — Demi estava encantada com a ideia, não pelas coisas que com­prariam em si, mas porque nunca houvera tempo para compras na vida antiga deles, ou para nada que não fosse trabalho.

— Bem, vamos a Lakeside — sugeriu ela. — Há todos os tipos de lojas lá, e é tudo coberto. Podemos tirar o dia para isso.

*****

Eles compraram um portão de proteção para a escada, roupas, fraldas e tantos brinquedos que ele acabara tendo que fazer mais de uma viagem até o carro para levar tudo. Numa das idas e vindas, surpreendeu Demi, que observava ardentemente uma loja de roupas. Para mulheres.

— Quando foi a última vez que você comprou alguma coisa nova? — perguntou ele, e ela sorriu de modo estranho.

— O que, sem contar jeans e suéteres? Não me lembro. Mas não preciso de mais nada.

— Sim, você precisa — disse ele para ela. — Claro que você precisa.

— Para usar quando?

— Quando eu levar você para jantar fora?

— Com os bebês a tiracolo?

— Não. Quando tivermos uma babá.

— Não conheço uma babá; bem, com exceção de Jane, e ela não está acostumada a servir de babá para mim du­rante as noites. Normalmente deixo as meninas com ela se preciso ir a algum lugar aonde não possa levá-las.

— Minha mãe?

— Linda? Ela mora em Londres.

— Ela pode vir.

— O que, apenas para que você possa me levar para jantar?

— Nós poderíamos ir para Londres.

— Por que não comprar um vestido? Algo bonito. Você pode levar tudo para experimentar em casa se quiser.

— Eu não quero. — Ela soou um tanto áspera e Joe se surpreendeu.

— Oh, Demi, não seja orgulhosa. Eu não estava criti­cando suas roupas, só pensei que você quisesse algo boni­to... — Ele se interrompeu. — Não importa. Esqueça isso. Desculpe.

E, sem esperar pela resposta dela, ele se afastou.

Droga.

Ela o interpretara mal? Porque ela amava comprar roupas novas, algo bonito que caísse bem em seu corpo novo e diferente e a fizesse se sentir uma mulher nova­mente, em vez de uma máquina de leite.

Lingerie. Lingerie linda e sexy.

Para Joe?

Ela agarrou-se ao carrinho de bebê e correu atrás dele.

— Joe? Joe, pare! Por favor! Ele parou e ela o alcançou e tentou um sorriso.

— Desculpe, você está certo. Adoro comprar coisas novas. E, na verdade, preciso comprar coisas novas. Você pode carregar isso?

— Só se eu puder ver o que você vai escolher.

— Oh, eu estava falando sobre lingerie, na realidade. Os olhos dele se iluminaram, em seguida escureceram.

— Melhor assim — murmurou ele, e ela corou. Ele suspirou.

— Por que eu não levo as crianças comigo e volto para pagar as compras e buscá-la em uma hora?

— Você não tem que pagar! — ela protestou, mas ele apenas levantou uma sobrancelha.

— Demi, você é minha mulher — disse ele com firmeza. — E eu ficarei muito feliz em pagar pelas suas roupas.

— Desculpe. Certo, eu vou ser o mais rápida que pu­der. Não as deixe sozinhas.

Ele olhou para ela, e então se virou e se misturou à multidão, fazendo com que ela se sentisse repentinamente de mãos vazias e perdida.

Vamos lá, Demi, disse a si mesma. Organização. Lingerie primeiro, depois uma blusa, depois calças.

*****

— De quanto tempo ela pode precisar, meninas?

Ele deu uma risada, um pouco arrependido, e Ava al­cançou sua mão e gorgolejou para ele.

— Pa-pa — disse ela, e ele sentiu seus olhos marejados.

— Oh, garotinha esperta — disse ele, fazendo um es­forço para não passar vergonha em público, mas então ela disse "mama" e ele concluiu que ela estava apenas tagarelando.

Que idiota. Claro que ela estava.

Ele ficou em pé e olhou em volta. O que poderia entretê-las? Havia uma livraria no centro comercial ele foi até lá e viu um livro de culinária pra iniciantes.

Ele ia cozinhar para ela. Mas o quê?

Peixe. Ela amava peixe. Atum fresco? Ele folheou o livro de receitas e escolheu uma receita que parecia pro­missora, com atum e batatas.

*****

Uma hora depois, ele a encontrou junto ao balcão de uma loja cara, com uma braçada de roupas, esperando por ele. Ele pagou pelas compras e, com suas meninas seguras nas cadeiras especiais para carros, ele foram para casa. Tão felizes que mal podiam acreditar.

*****

— O que é isso? — perguntou pia entrando na cozinha, e ele sorriu.

— Jantar. Vou cozinhar para você.

— Mesmo? — Oh, Deus, aquilo soava formidável, mas ela ainda podia sentir o cheiro de alho em sua pele depois da paella e não tinha ideia do que ele iria fazer desta vez.

— Não se preocupe, não tem alho — prometeu ele com um sorriso malicioso e ela riu, pouco à vontade.

— Desculpe. Então, o que teremos?

— Segredo — disse ele. — Estou cozinhando. Tudo que você tem que fazer é vestir algo bonito e fazer as hon­ras da casa.

Pouco depois, lá estava ela, limpa e arrumada, usando um leve toque de maquiagem pela primeira vez em meses, contemplando suas compras sem saber o que usar. Uma das novas blusinhas? A rendada, que tinha um mi­núsculo corpete por baixo, talvez? Ou a de seda lindamen­te bordada?

Renda, decidiu ela, e então escolheu um conjunto de cal­cinha e sutiã combinando. Ela só trouxera apenas uma calça, mas lhe caíra tão bem que ela estava encantada com ela, e a vestiu para complementar o visual, afastou-se para olhar para si mesma e seus olhos brilharam.

Uau. Ela estava mesmo muito bem, parecia feminina, elegante e, sim, bonita. E isso a fez sentir como se ganhasse um milhão de dólares. Com um toque de malícia, ela borrifou perfume no are andou através dele, então deslizou em seus saltos altos e desceu as escadas. Ele estava sentado à mesa, folheando uma revista, olhou para cima e seu queixo caiu.

— Uau. —- Ele tomou fôlego, e, levantando, colocou a revista de lado e caminhou até ela, seus olhos fixos nela. — Vire-se — instruiu ele, com ansiedade em sua voz, e ela se virou, devagar, e então olhou para ele e encontrou seus olhos. Ele estava queimando por dentro, um fogo azul em seus olhos. Como azul poderia ser uma cor fria? Não em Joe. Oh, não.

— Estou bem? — perguntou ela, um pouco constrangida.

— Oh, sim, você está — disse ele, sua voz levemente áspera e dura. Ele ficou ali por alguns segundos, analisando-a, então com outro sorriso malicioso ele deu um passo para trás e puxou uma cadeira para ela. — Gostaria de se sentar, senhora?

— Obrigada.

Ela sorriu para ele quando ele estendeu um guardanapo sobre o colo dela com um floreio.

Demi farejou o ar. Atum?

Joe colocou uma colher de manteiga nas batatas e as polvilhou com cebolinha picada, para depois levá-las até a mesa, colocando lá as postas de atum, e colocou um prato em frente a ela com outro daqueles floreios, que ela concluiu fazerem parte da refeição.

— Salada, senhora?

— Obrigada. Murphy, para a cama, isso não é para você. Joe, sente-se.

— Eu não estou certo de que você deva me colocar no mesmo nível que o cachorro.

— Claro que não. Bom garoto.

Com um pequeno suspiro, ele serviu as batatas para ela.

Estava tudo delicioso, preparado com perfeição. O vi­nho era delicado, não tão gelado que o sabor se perdesse, e de sobremesa tiveram petit gâteau com morangos fres­cos, com um cabernet escuro e encorpado que era um complemento perfeito.

— Uau, Joe, estava fabuloso — disse ela, afastando seu prato e sorrindo para ele, maravilhada.

Para surpresa dela, ele corou levemente e deu um sorri­so meio constrangido.

— Obrigado. Apenas li as instruções.

— Não, você fez muito mais que isso. Você teve muito trabalho para fazer tudo certo, e estava maravilhoso. Obrigada.

— Café na sala de estar?

— Seria adorável.

— Vamos lá, então, vá e sente-se. Vou colocar a louça na máquina enquanto a chaleira ferve.

Ela saiu e foi se sentar na sala de estar com Murphy, e colocou outro pedaço de lenha no fogo. Então, se sentou no sofá para esperar por ele. Murphy estava farejando a mesa e ela o afastou gentilmente com o pé e olhou para o pequeno prato que ele estava xeretando.

Trufas?

Joe veio para a sala com a bandeja do café e deu uma trufa para o cão.

— Chocolate para o cachorro, Joe?

— Só uma. O resto é nosso — disse ele, sentando ao lado dela no sofá e lhe entregando seu café. — Abra a boca.

E ele colocou uma das trufas na boca de Demi.

— Humm. São maravilhosas — disse ela.

Ele passou um dedo em seu rosto e sorriu meio mali­ciosamente.

— Sabe, eu pensei que você estivesse linda hoje pela manhã, mas agora...

O dedo dele baixou, deslizando ao redor do decote do top dela, seguindo o contorno do espaço entre seus seios, e ela sentiu o ar fugir de seus pulmões.

— Joe...

Ela se inclinou e pegou um chocolate, e gentilmente colocou o doce na boca dele. Ele se aproximou mais e mais, seus lábios roçando os dedos dela, seus olhos fixos nos olhos dela, quentes, escuros e perigosos, e ela se sen­tiu derreter.

Ela o queria.

Agora. Esta noite.

— Joe... — sussurrou ela. — Leve-me para a cama.

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Próximo capítulo pega fogo #ChamaOBombeiro kkkkkkkkkkk
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xoxo