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28.8.15

Dois Pequenos Milagres - Epilogo

Ava e Libby, e todos os convidados, estavam reunidos no jardim de rosas do chalé, para vê-los fazerem seus votos.

Os amigos queridos estavam lá, assim como a mãe dele, Linda, e Richard; Jane e Peter com os filhos; John Blake e seu companheiro; Andréa, com a filha e o gen­ro; e Stephen, Dana e o filhinho deles; além das outras pessoas do trabalho que conseguiram ir até lá, como Gerry, de Nova York, e o Sr. Yashimoto, de Tóquio. As meninas usavam vestidinhos lindos e, apesar de estarem sob os cuidados de uma babá, eram mimadas por todos os convidados.

Demi usava seus diamantes, o maior como um pingente em uma correntinha curta e dourada e os outros dois como brincos. Havia rosas em seus cabelos para lembrar a ambos que a vida deveria ser apreciada.

Eles estavam juntos afinal, frente a frente, debaixo do arco de rosas em seu jardim, enquanto John Blake pedia a atenção de todos os presentes. Aquela não era uma ceri­mônia formal, eles queriam que tudo fosse muito simples: apenas duas pessoas que se amavam falando uma para a outra sobre a verdade em seus corações, tendo como tes­temunhas seus entes queridos.

Demi não estava nervosa, pois tudo aquilo parecia tão certo, tão belo e perfeito. Joe ali na sua frente segurando suas mãos, os olhos fixos nos dela, o amor que ele sentia por ela transparecendo em cada pequeno gesto, mais bri­lhante que qualquer diamante.

— Prometi que iria amar você — disse ele —, mas eu não sabia o que isso realmente significava até que a perdi. Prometi que a honraria e depois não valorizei sua presen­ça ao meu lado. Prometi que iria apreciar a sorte de tê-la em minha vida e não notei que estava partindo o seu co­ração. Mas, agora, sou capaz de entender isso tudo. Sou capaz de apreciá-la, de dar valor à pessoa incrível que você é, e juro, perante nossos entes queridos, nunca mais cometer esses erros. Vou cometer outros, provavelmente, ser falível que sou, e peço desculpas adiantadas. Mas es­pero nunca mais feri-la ou desapontá-la. Espero nunca mais magoá-la, Demi. E prometo que sempre terei tempo de parar e sentir o perfume das rosas com você. E vou amá-la sempre, sempre, com todo meu coração, enquanto viver.

Ele enfiou a mão no bolso de seu paletó e tirou de lá um anel de diamante que era o perfeito complemento para o pingente e os brincos.

— Ah, Joe! — disse ela, quase sem fôlego.

— Eles são da mesma pedra, devem ficar juntos — dis­se ele de forma simples. — Como nós, juntos pela eterni­dade. Eu amo você, Demi.

Ela sorriu, então respirou fundo e disse:

— Eu também o amo, Joe. Sempre o amei, mesmo quando pensei odiá-lo. Tomei de você algo que jamais poderei devolver, o nascimento de nossas filhas. E sinto muito por isso. E juro, perante nossos entes queridos, que agora finalmente aprendi que posso e devo confiar em você, não importam as circunstâncias, que sem você não sou nada. Você é minha vida, meu amor, meu coração, Joe. E eu sempre, sempre o amarei.

Ambos com lágrimas nos olhos, eles sorriram para o futuro que os aguardava e para essa nova vida que acabara de começar. Joe tomou Demi nos braços e, ainda sorrin­do, selou os votos deles com um terno beijo, cheio de pro­messas felizes.

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Mais um final chegou. Obrigada a todas as meninas que acompanharam.
Uma nova história está vindo.
xoxo

26.8.15

Dois Pequenos Milagres - Capitulo 10

John não deu um retorno para Demi sobre a cotação de valor para a casa. Talvez ele não tivesse conseguido en­contrar seu amigo, ela pensou, ou talvez tivesse outras coisas na cabeça. O amor tinha um jeito de distrair uma pessoa de suas prioridades, e ela deveria saber bem disso. Ela deixara Joe distraí-la a semana inteira. Desde a noite da segunda-feira, quando ele finalmente voltara de Londres, ele andava distraindo Demi com seu sorriso sexy e pregui­çoso e com suas promessas.

— O que está errado? — perguntara ela a Joe, familiar demais com as mudanças de humor dele para confiar na­quela. — Conheço essa cara; você está tramando alguma coisa.

E ele sorrira, aquele sorriso malicioso e sensual, baten­do na lateral do nariz.

— Sábado — prometera ele.

— Então, você está aprontando alguma.

— Seja paciente — dissera ele, e se recusara a dizer mais alguma coisa.

Mas não era só isso. Quando ele lhe dissera que iria sair para correr, ela olhara da janela do quarto para o vale, e o vira parado, com a mão junto ao ouvido.

Segurando um celular.

Mas ela estava com o celular de Joe, como ditava o acordo deles; portanto, ele deveria ter conseguido outro, e o estava usando em segredo. Trapaceando? Ou preparan­do uma surpresa? Mas, se fosse esse o caso, por que ele não podia simplesmente lhe contar, já que ela já sabia, e usar o telefone da casa fora do alcance de seus ouvidos?

Porque aquilo não tinha nada a ver com ela, nada a ver com o sábado. Sábado, obviamente, era o Dia dos Namo­rados. Seria bastante atípico de Joe se lembrar de uma data como aquela, mas talvez Andréa lhe tivesse avisado, e ele tivesse encomendado flores, ou algo assim. Eles não iriam sair para jantar, por causa das gêmeas. A menos que ele tivesse contratado uma babá, e ela não ficaria nada feliz com isso, a menos que verificasse os antecedentes da garota primeiro; e já era a tarde de quinta-feira, e não ha­veria tempo de pedir referências e entrevistá-la. E, de qualquer forma, levá-la para jantar não explicaria o moti­vo para aquele ar de excitação reprimida, que Joe sempre tinha quando a adrenalina lhe corria nas veias. Ela deveria saber; já tinha visto aquilo centenas de vezes, quando ele estava prestes a fechar um acordo, acertando detalhes complicados com negociações delicadas. Joe era bri­lhante, e aquilo lhe dava vida, mas também trazia um lado dele com o qual era impossível conviver. E Demi tinha uma sensação horrível de que tudo estava acontecendo de novo.

Demi quase telefonou para Andréa, mas pensou melhor. Ela perguntaria diretamente a Joe. Eles estavam chegan­do ao fim do prazo de duas semanas, na segunda-feira, e ela esperaria para ver o que ele faria no sábado, e qual seria a famosa surpresa que ele estava planejando. E, se Joe achasse que poderia simplesmente pedir a ela que voltasse para ele, e continuar como antes, bem, ela teria que lhe dizer "não".

Oh, Deus. Ela não queria pensar sobre aquilo. Ela se sentia doente só de pensar, mas algo definitivamente es­tava acontecendo, o que a fazia se sentir ainda pior. Além de tudo, ele não havia falado em procurar uma nova casa, ou em se mudar, ou em algo do tipo desde a segunda-fei­ra; e, para ser honesta, ele não falara sobre nada daquilo então, apenas telefonara para um corretor, e ela descobri­ra aquilo acidentalmente. Fora só no final de semana an­terior que ele estivera todo animado, procurando proprie­dades na Internet.

E, desde então, não houvera nada sobre casas novas ou tentar equilibrar o trabalho e a vida; mas ele a paparicara a semana inteira, mimando-a durante o dia, preparando-lhe bebidas, brincando com as gêmeas, levando o ca­chorro para passear. E, todas as noites, ele a levara para a cama e fizera amor com ela até que Demi não conseguisse mais pensar direito. E, tola que era, ela ficara mais que feliz com tudo aquilo.

Na terça-feira, ele levara Demi e as gêmeas para a praia novamente, para outra caminhada pelo litoral, e desta vez eles haviam levado Murphy. O cão ficara ensopado com a água do mar, mas parecera se divertir muito. E Joe não se importara em carregar o animal molhado e coberto de areia no banco de trás do carro.

Era curioso. Ele teria ficado louco, antigamente, só de pensar naquilo. E, na quarta-feira, ele aspirara o pó da casa inteira e lavara o chão da cozinha, e depois eles passaram a tarde no jardim, trabalhando nas roseiras, enquanto as crianças dormiam. O tempo estava lindo novamente, e eles conseguiram adiantar bastante o trabalho, arrancando er­vas daninhas, plantando novas mudas e organizando os canteiros. E, naquele dia, ele a mandara tomar café com Jane mais uma vez, enquanto lavava as roupas dos bebês.

Todas aquelas atitudes eram inéditas. Seria porque ele a amava, ou porque estava tentando atraí-la de volta para sua vida sem ter que fazer as mudanças necessárias? Ela ficou parada ali, observando-o a distância, falando ao te­lefone, e se perguntou se ele a mandara tomar café com Jane duas vezes naquela semana só para tirá-la de seu ca­minho. E se ele, cada vez que levara o cachorro para pas­sear, ficara secretamente falando ao telefone, planejando uma nova fusão ou aquisição.

Demi deu um suspiro profundo e se afastou da janela. Se era aquilo que ele queria dizer com diminuir as operações...

Ela pensou nos planos para as cocheiras, guardados si­lenciosamente na gaveta do estúdio, e se sentiu traída. Eles poderiam ter tido tanto, ela pensou, mas ele não estava jogando de forma justa. Ele desobedecera às re­gras, e não estava levando as coisas a sério. E ela não poderia esperar até a segunda-feira. Ela não poderia espe­rar até o sábado. Queria respostas agora. Naquela noite.

A campainha tocou, e ela foi para o andar de baixo para atender a porta.

— Entrega para o Sr. Gallagher — um entregador de capacete lhe informou. — Assine aqui, por favor.

— Claro.

Ela assinou, fechou a porta e colocou o pacote na mesa da cozinha. Em seguida, preparou uma xícara de chá e se sentou, olhando para a encomenda, desconfiada.

O que seria aquilo?

Era um pacote pequeno e muito leve. Parte do plano de sábado? Ou algo a ver com negócios?

Não havia nada no pacote que revelasse o remetente, mas a procedência era Londres. Isso foi tudo o que ela conseguiu deduzir, por causa do número de telefone da empresa de entregas, na placa da motocicleta do entrega­dor. E mesmo aquilo poderia estar errado.

Ela não podia abrir o pacote. Ou ver o que tinha dentro, pensou ela, cheia de suspeitas.

Precisou se controlar para não sacudi-lo.

— Demi?

— Estou na cozinha.

Ele entrou, com o cachorro enlameado ao seu lado, e Murphy correu para ela, esfregando-se contra sua perna.

— Oh, seu monstro, você entrou no rio! — gritou ela, e Joe o puxou para sua caminha.

— Desculpe-me por isso. Murphy, fique quieto. Está tudo bem?

Ela olhou nos olhos dele, desafiadoramente.

— Eu não sei, diga-me você. Sobre o que foi aquele telefonema?

Droga.

Droga, droga e droga. Ela deveria tê-lo visto. Oh, dia­bos. Ele pensara estar fora do alcance das vistas dela, mas começara a andar, como sempre fazia quando estava pen­sando, e deveria ter se aproximado novamente de casa. E ela o vira.

— Desculpe-me. Era Andréa.

— Eu acho que não. Ela deveria entrar em contato com você através de mim.

— Era urgente.

— E você simplesmente tinha outro celular?

Ele sentiu uma onda de calor lhe subir pelo pescoço, e desviou os olhos.

— Demi, muita coisa está acontecendo. Eu não queria...

— O quê? Obedecer às regras? Não minta para mim, Joe!

— Eu não estou mentindo. Estou tentando resolver as coisas.

— Pensei que você tivesse uma equipe para fazer isso por você.

— Eles precisam de orientação.

— Precisam? Ótimo para eles. Você recebeu uma en­trega. Eu assinei o recebimento. — Ela olhou decisiva­mente para a mesa, e ele viu um pequeno pacote sobre ela.

O último elemento de seu plano. Ele o deixou ali. Do jeito que as coisas iam, ele talvez não precisasse do pacote.

— Obrigado. Olhe, Demi, eu sinto muito pelo telefo­nema...

— E quanto a esta manhã? Você também estava falan­do ao telefone?

A verdade deveria estar escrita no rosto dele, porque ela deu um suspiro exasperado e se levantou.

— Eu não posso fazer isso, Joe. Não posso viver com as suas mentiras. Ou damos tudo de nós a esta tentativa, ou não damos. E você não está dando o seu melhor, então, é isso. Sinto muito. Quero que você vá embora. Agora.

Oh, inferno. Ela estava à beira das lágrimas, e todos os planos dele estavam voando pela janela. Joe xingou bai­xinho e estendeu a mão para ela, mas ela se afastou e cor­reu para as escadas. Ele ouviu a porta do quarto dela bater às suas costas, e, um segundo depois, o som horrível, do­loroso, dos soluços de Demi.

E então uma das gêmeas começou a chorar.

Droga.

Justo quando as coisas pareciam estar indo tão bem.

*****

Ele correu para o andar de cima, foi para o quarto das crianças e tirou Ava do berço.

— Shhh, querida, está tudo bem. Venha cá, não acorde a Libby. — Mas Libby estava acordada, e começou a choramingar, e ele a pegou no colo, também. Joe carre­gou as gêmeas para o andar de baixo e lhes preparou uma mamadeira, dando-lhes um pedacinho de banana para mastigar enquanto isso, e procurou algumas fraldas secas perto do fogão.

Ele não queria levá-las de volta para cima, mas também não iria embora; não enquanto Demi ainda estivesse cho­rando, e nem quando ela parasse. Joe podia ouvi-la em seu quarto, e os soluços dela o estavam dilacerando. Ele queria ir até ela, mas não podia deixar as crianças sozi­nhas. As duas eram aventureiras demais, e provavelmente aprontariam alguma, cairiam e se machucariam, e ele ja­mais se perdoaria se isso acontecesse. Mas os soluços de Demi eram agonizantes, e ele não podia deixá-la sozinha por mais tempo. Joe correu para o andar de cima, bateu na porta do quarto e entrou.

— Demi, por favor, deixe-me explicar — disse ele.

— Não há nada para explicar. Você teve sua chance. E a desperdiçou.

— Foi só um telefonema!

— Dois, pelo menos — disse ela, sentando-se na cama e virando-se, seu rosto lavado em lágrimas. — E estes são apenas os que eu descobri!

— Tudo bem, foram três, na verdade. Mas, até onde eu sei, cuidar dos negócios para que a família não seja preju­dicada não é uma ofensa mortal...

— Não distorça as minhas palavras.

— Não estou distorcendo. Só estou dizendo que foram apenas alguns telefonemas. Não posso parar de trabalhar para sempre, só porque você decidiu que não quer mais participar dos negócios! Você sabia o que eu fazia, e o que o meu trabalho envolvia, antes de se casar comigo.

— Mas nós temos os bebês, agora.

— E você me abandonou antes de saber que estava grá­vida, portanto não as envolva nisso. Elas não têm nada a ver com isso — estourou ele. E, de repente, Joe percebeu que não aguentaria mais, e que talvez ela estivesse certa.

— Eu fiz tudo o que pude para fazer isso funcionar, e o que você fez? Você me espionou, não confiou em mim, no meu empenho de fazer o melhor por nós, e se recusou a se comprometer. Bem, eu sinto muito, não posso mais conti­nuar com isso, e como obviamente nada será suficiente para você, talvez você esteja certa. Talvez eu deva vol­tar para Londres e recuperar o que sobrou dos meus negó­cios. E não precisa se mudar desta casa — completou ele, apontando um dedo na direção dela para maior ênfase.

— Vou pedir ao meu advogado que entre em contato com você. Tomarei as devidas providências para que você fi­que numa posição confortável, mas não por você. Isso é pelas crianças. E eu as verei, e farei parte das vidas delas. Mas não farei parte da sua, e você vai ter que conviver com isso, e eu também.

Sem dar mais uma palavra, ele foi para o quarto, atirou suas coisas na mala e desceu as escadas.

As gêmeas estavam brincando no cercadinho, e olha­ram para ele, sorrindo.

— Papa! — gritou Ava, levantando-se, e ele respirou fundo, controlando o soluço que ameaçava escapar-lhe do peito.

— Adeus, meninas — ele sussurrou baixinho e, abaixando-se, deu um beijo em cada uma, acariciou a cabeça de Murphy e saiu. As chaves do carro utilitário estavam na cozinha, mas ele jogou a mala no carro esporte, bateu a porta e saiu pela estrada antes que se enfraquecesse e voltasse, implorando a ela para mudar de ideia...

Ele se fora.

Ele realmente se fora. Entrara em seu lindo e sexy car­ro, apanhara suas roupas e se fora sem olhar para trás. E ele estava certo. Ela fora terrivelmente injusta, esperando que somente ele fizesse todas as mudanças, desistisse de tudo para que ela não precisasse abrir mão de nada. E, agora que ela possuía tudo, exceto ele, se sentia arrasada.

E, como Demi não sabia mais o que fazer, telefonou para Andréa e lhe contou tudo.

— Oh, Demi! Oh, não! Oh, eu não acredito! Ele não lhe contou o que estava planejando?

— Planejando? Pensei que tivesse algo a ver com o Dia dos Namorados.

— Oh, bem, talvez fosse então que ele estivesse plane­jando lhe contar tudo. Você conhece Joe; ele gosta de fa­zer tudo a seu próprio modo. Mas, Demi, você precisa lhe dar uma chance de se explicar. Você não faz ideia do que ele abriu mão por você... tanto! Estamos todos espantados. Você precisa ouvi-lo, precisa lhe dar uma chance. Ligue para ele. Anote o telefone novo dele e ligue para ele agora. Se ele aparecer por aqui, farei com que ligue para você.

Mas Joe não atendeu, nem telefonou, e ela não podia deixar as coisas assim.

— Venham, meninas — disse ela, e, agasalhando-as com seus macacõezinhos e casacos, ela as colocou no car­ro, acomodou Murphy na traseira e seguiu para Londres, com o pacote que havia sido entregue para ele no banco da frente, junto com os planos para as cocheiras.

Só por precaução.

Joe foi direto para o escritório, mas, depois de esta­cionar o carro, permaneceu sentado por vários minutos antes de perceber que não podia continuar daquela for­ma. Não assim. Não com um controle tão frágil das pró­prias emoções. Então, voltou para o apartamento, abriu a porta para o terraço e ficou ali, com as mãos enfiadas nos bolsos do jeans de que jamais precisaria novamente, olhando tristemente para as águas turvas do Tâmisa, lá embaixo. O Tâmisa não se parecia nada com o riacho pequenino e cristalino que corria paralelo ao jardim do "Chalé das Rosas". Aquele era um rio de verdade, com peixes, salamandras e aves, com texugos, raposas e coe­lhos bebendo de suas águas à noite, e garças pescando durante o dia. E ele nunca viveria ali com ela, agora. Nunca teria a chance de sair pela porta do escritório às 5h da tarde e caminhar pela estrada até sua casa, sendo rece­bido por seu cachorro e abraçado por suas filhas e sua linda, amada mulher.

Oh, droga. Ele não iria chorar. Aquilo já passara. Ele havia chorado todas ás noites, durante um ano inteiro, e não o faria novamente. Estava acabado. Terminado.

Ele tomou um banho, vestiu algo que seu alfaiate reco­nheceria e jogou o jeans no lixo.

Não, aquilo era uma estupidez. Ele precisaria do jeans quando estivesse com as meninas, pensou, e os jogou na cesta de roupa suja, saindo de casa em seguida.

Joe não sabia para onde estava indo, ou por que, mas não podia mais ficar ali, pensando nela.

Ele não estava lá, mas o carro dele estava. Demi falara com o administrador do prédio e estacionara em uma vaga de visitante. Ele não a reconhecera, mas reconhecia o de­sespero quando o via, e ela parecia bem desesperada. O rapaz ainda lhe ajudou a tirar o carrinho dos bebês do car­ro, desdobrá-lo e colocar as crianças nele, e segurou o ca­chorro até Demi estar pronta para subir.

— Ele está esperando a senhora?

— Não, mas eu tenho a minha chave. Está tudo bem. Obrigada pela sua ajuda.

Durante a subida pelo elevador, o coração de Demi esta­va martelando, mas, ao chegar ao apartamento, ela viu que estava vazio. Ele estivera em casa, entretanto. Ela po­dia sentir o cheiro do sabonete dele, e sua mala estava jogada sobre a cama, o conteúdo espalhado por toda parte. A geladeira estava vazia, exceto por algumas garrafas de vinho branco e um pouco de alface murcha em um saco plástico. Ele nunca comia? Ou talvez tivesse desligado a geladeira antes de ir para Nova York, que era o que ele deveria ter feito na segunda-feira anterior. Céus, apenas dez dias antes. Parecia muito, muito mais tempo. Talvez ele tivesse ido fazer compras?

As meninas estavam impacientes e Murphy estava cor­rendo pelo apartamento, farejando tudo. Ela o soltou no terraço, e esperou que ele tivesse o bom-senso de não pular. Por favor, Deus. Ela jamais poderia telefonar para John Blake e contar-lhe aquilo.

Voltando para dentro de casa, Demi olhou ao redor na sala de estar, que parecia um campo minado. Se ela tirasse as meninas do carrinho, elas se meteriam em todo tipo de encrenca. A mesinha de centro de vidro, para começar, tinha pontas afiadas e duras, e havia todo tipo de coisa na sala que as gêmeas poderiam apanhar. Controles remotos, fones de ouvido, vasos altos, peças de decoração que po­deriam cair em cima delas e matá-las facilmente. E o piso de madeira encerada era muito pouco adequado para duas garotinhas aventureiras. Portanto, elas ficaram onde esta­vam, no carrinho, e Demi aqueceu o jantar delas no micro-ondas, alimentando-as ao mesmo tempo. Em seguida, ela as tirou do carrinho, uma de cada vez, amamentou-as e trocou suas fraldas.

Ela estava colocando Libby de volta no carrinho quando ouviu a porta da frente se abrir, e os pés de Joe para­ram bem na frente de sua linha de visão. Demi apertou o cinto de segurança da garotinha e se sentou nos calcanha­res, encontrando os olhos dele, vazios e sem expressão.

— Que diabos você está fazendo aqui?

Ela não sabia. Só sabia que estivera errada, e disse a única coisa que parecia fazer algum sentido:

— Eu sinto muito.

Por um instante, ela pensou que ele fosse se virar para ir embora, mas Joe deu um passo em sua direção.

— Pelo quê? Quero dizer, especificamente?

— Por ter sido uma idiota egoísta, irracional e exigen­te? — disse ela com os olhos cheios de lágrimas. — Por me recusar a me comprometer? Por esperar que você fi­zesse todas as mudanças? Por não confiar em você, nem lhe dar a chance de se explicar? Eu não sei — continuou ela, a voz trêmula. — Eu só sei que não posso viver sem você, e sinto muito se o magoei, sinto muito se arruinei tudo para você. Andréa me disse que não podia acreditar...

— Você andou falando com Andréa? Ela assentiu.

— Ela me deu o número do seu celular, o número novo. Eu tentei telefonar, mas estava desligado.

— A bateria descarregou, e eu não estava com o carre­gador no carro. Então... o que ela lhe contou?

— Nada. Só o quanto todos ficaram chocados com o que você tinha feito, mas eu não sabia o que você tinha feito, porque você não me contou, e ela também não, e eu ainda não sei, Joe. Que diabos você fez de tão horrí­vel por minha causa? O que eu o fiz fazer? Por favor, conte-me!

Ele deu um suspiro trêmulo.

— Você não me fez fazer nada. Eu escolhi fazer. Eu quis fazer. Eu só estava desabafando, porque tudo deveria ser tão maravilhoso, e mais uma vez parece que eu fiz tudo errado. — Ele se virou e foi até a porta, abrindo-a e saindo para o terraço. — Murphy? — disse ele, parecendo surpreso, e o cachorro agitou a cauda e lambeu as mãos de Joe, que se abaixou, abraçando o animal enquanto Demi observava e esperava.

— Oh, Joe, por favor, diga-me o que você fez — sus­surrou ela, e, como se tivesse ouvido, ele voltou para dentro e sentou-se, puxando o cachorro pela coleira e segurando-o.

— Isso não vai funcionar. Não há nenhum lugar para as meninas dormirem, o cachorro vai destruir a casa em um minuto, e eu já a vendi... e, de qualquer forma, eu quero me sentar com você e discutir isso direito. Vamos para casa.

— Casa? — Ele vendera o apartamento? Joe deu um sorriso cansado.

— Sim, Demi. Casa.

Foi uma viagem terrível, e apenas aquela palavra a mantivera sã. Não que algo ruim tivesse acontecido, mas Demi estava com os nervos à flor da pele o tempo todo, ansiosa para chegar em casa e descobrir o que ele havia feito, do que ele estava falando, e se, depois de tudo o que fizera e dissera, ela ainda tinha uma chance. A palavra "casa" continuava a ecoar em sua mente, entretanto, e o fato de que ele vendera o apartamento a sustentara duran­te todo o trajeto de volta ao chalé.

Eles colocaram as meninas na cama, trancaram o ca­chorro na cozinha e foram para a sala de estar. Estava frio, e Joe acendeu a lareira e apagou as luzes. E, sentando-se no chão, encostado ao sofá, ele a puxou para si e passou os braços em torno dela.

Demi podia sentir o calor do corpo dele de um lado e o brilho do fogo do outro; a mão de Joe acariciava seu ombro ritmicamente. Mas ela também podia sentir que ele tremia, e soube que Joe não estava nem perto de sentir a calma que aparentava.

— Tudo bem. Vamos imaginar que é a noite de sábado e eu acabei de cozinhar o jantar para você.

— Oh, Joe...

— Shhh. E estamos aqui, com café e chocolates, e foi um dia adorável, e as meninas estão dormindo. Certo?

— Certo.

— E eu vou lhe fazer uma proposta, e quero que você pense sobre ela, e me dê uma resposta quando tiver tido tempo de examiná-la e certificar-se de que vai ser boa para você. Certo?

— Certo — ecoou ela, novamente. — Então... qual é a proposta?

— Bem, em primeiro lugar, John está vendendo a casa.

— Eu sei. E...

— Shhh. Escute. E eu obtive uma cotação de preço.

— Quando?

— Na terça-feira, enquanto estávamos na praia, e hoje, enquanto você estava tomando café com Jane. Falei com dois corretores. E falei com John, passei as informações para ele, e concordamos a respeito do preço.

— Mas...

— Shhh. Você vai ter sua chance de falar em um minu­to. Bem, John me disse que consultou um arquiteto no passado, e que falou com ele sobre uma possível conver­são dos prédios. Na verdade, ele disse que já tinha alguns planos desenhados, e que achava que eles estavam no ar­mário do estúdio, mas ele está trancado, e eu não pude olhar. De qualquer modo, isso é irrelevante, porque os planos provavelmente, estarão obsoletos, mas teoricamente os membros do conselho municipal estão dispostos a dar um parecer favorável para a conversão dos prédios em escritórios, e eu posso transferir o escritório de Londres para cá. E vendi minha parte da operação de Nova York para Gerry.

Ela olhou para ele, confusa.

— Você vendeu a operação de Nova York?

— Não posso ir andando para lá, portanto é muito longe — disse ele, com um pequeno sorriso. — Esse era o meu parâmetro. E não posso ir andando até Londres, portanto estou transferindo o escritório para cá e trazendo todos que querem vir. Stephen, a mulher e o bebê, Andréa, a filha e o marido, e vários outros membros da equipe. E os que não quiserem vir terão boas cartas de referência e um generoso pacote de transferência para poderem se re­estruturar.

Ela olhou para ele, atônita. Não era de admirar que Andréa estivesse chocada.

— Nova York Tóquio? Ele deu um sorriso cansado.

— Ah, bem, Yashimoto e eu já havíamos conversado a respeito disso, e eu já estava disposto a vender. De alguma forma... — Ele se interrompeu e engoliu em seco, e seus dedos apertaram-lhe o ombro com um pouco mais de for­ça. — De certo modo, depois de todos os problemas que o acordo nos causou, eu nunca me senti bem a respeito dele. E eu reergui a empresa dele, e ela está indo bem, então eu fui bem-sucedido. E não perdi dinheiro; apenas não o ar­ruinei quando vendi a empresa de volta para ele.

Demi inclinou a cabeça e olhou para Joe.

— Você realmente iria vendê-la de volta para ele? Por­que eu estava me sentindo tão mal a respeito disso tudo, depois de todo o trabalho que você teve, preparando-se para a fusão, e agora Nova York também...

Ele sacudiu a cabeça, pressionando um dedo contra os lábios dela para silenciá-la, e sorriu.

— Está tudo bem. Estou feliz. Então, tudo depende de você, agora. Andréa diz que virá me ajudar com a transfe­rência, mas não pode trabalhar em horário integral, por­que sua filha é deficiente física e está para ter o primeiro bebê. Portanto, isso só vai funcionar se você dividir as tarefas com ela. Mas a vantagem é que você terá o controle da minha agenda — completou ele, com um sorriso. — Então, o que me diz, senhora Gallagher? Quer tentar? Ou ainda lhe parece muito? Porque, se você realmente quiser, eu largo tudo, me aposento e vou aprender tecelagem, se isso for preciso para que eu possa ficar com você e as meninas. Porque eu percebi hoje, depois de deixar você, que não poderia fazer isso, não poderia deixá-la, porque a amo demais.

O sorriso dele desapareceu por um instante, e ela perce­beu que ele estava sendo totalmente honesto. Demi ergueu a mão e lhe acariciou o rosto com ternura.

— Oh, Joe. Eu o amo, também. E você não precisa aprender tecelagem. Eu adoraria voltar a trabalhar com você. Sinto saudades. Eu só não podia continuar fazendo apenas isso, excluindo todos os outros aspectos da minha vida, mas uma divisão de tarefas... isso soa interessante. E gosto da idéia da agenda.

Ele deu uma risada trêmula, e apertou-lhe o ombro gen­tilmente.

— Eu pensei mesmo que você gostaria. — Joe a aper­tou ainda mais contra si, ergueu-lhe o queixo e beijou-a, lenta e ternamente. Então, levantou a cabeça e sorriu para ela. — Há só mais uma coisa, mas não sei onde está o pacote que foi entregue mais cedo. Espero que ainda este­ja com você.

— Está no carro. Eu vou buscá-lo.

E, levantando-se, ela correu até o carro, apanhou o pe­queno pacote e os planos, que estavam no banco da frente, e levou tudo para dentro, ajoelhando-se ao lado dele.

— Aqui está. E estes são os planos. Eu consegui uma cópia com o arquiteto, outro dia. Ele mora aqui no vilarejo, e eu conversei com ele. John deveria entrar em contato comigo sobre um possível preço para a casa, para que eu pudesse falar com você. E aqui está uma estimativa do preço da conversão e das reformas, também, mas isso era apenas para um escritório pequeno.

Joe franziu a testa.

— Mas... por que você está com tudo isso? Eu fiz John jurar segredo.

Ela sorriu para ele.

— Eu também, e ele não me disse uma palavra sobre você, a não ser para dizer que achava que deveríamos ficar juntos e que, se isso fosse nos ajudar, ele ficaria mais do que feliz em nos vender a casa. Foi tudo. E eu pensei que poderia lhe dar a opção de transferir parte da sua operação para cá, para você poder dividir o tempo entre Suffolk e Londres, para que você não se sentisse infeliz, e, se não desse certo, pelo menos eu saberia. Ele colocou os planos de lado.

— Eu não me sinto infeliz — disse ele firmemente. — Nem um pouco. Eu me sinto incrivelmente abençoado. Sei que foi um ano difícil, mas acabou, e agora estamos juntos, e não quero que jamais nos separemos de novo.

— Nem eu — murmurou ela. — E eu sinto muito por não ter dito a você que estava grávida. Eu deveria ter contado. Eu queria contar, mas realmente não pen­sei que você gostaria de saber. Se eu tivesse alguma ideia do que você tinha passado com Debbie, não teria hesitado.

Ele a beijou gentilmente.

— Eu sei. E a culpa foi minha. E também foi culpa minha você ter se aborrecido hoje, quando me viu escapu­lir com o telefone para falar com John. Se eu tivesse com­partilhado tudo com você... mas não, você sabe como eu sou. Eu queria fazer-lhe uma surpresa. Eu queria chegar para você, e tirar os planos da cartola como um mágico faz com um coelho, mas o tiro saiu pela culatra e explodiu na minha cara. Então, nada mais de segredos, certo? Nada mais de guardar nossos sentimentos, e nada mais de sus­peitas. Temos que confiar um no outro, mesmo que não saibamos o que está acontecendo.

Ela assentiu lentamente.

— Eu confio em você. Quero confiar em você. Era só que... eu conheço a expressão no seu rosto quando você está prestes a fechar um acordo, e você estava assim a semana inteira, e eu sabia, sabia que havia alguma coisa acontecendo. Algo grande. Algo importante.

— E estava. Eu estava planejando o nosso futuro. Não posso pensar em nada mais excitante do que isso. Aqui está. Tenho algo para você. — E ele abriu o pacote, reti­rou dele uma pequena caixa, e abriu a caixa cuidadosa­mente, retirando uma pequenina bolsa de couro amarrada por uma fita. Em seguida, virou-se, e ficou ajoelhado diante dela.

— Estenda a sua mão — disse ele suavemente, e ela a estendeu, pensando que fosse um anel. Ele nunca lhe dera um anel, exceto a aliança de casamento, e fora ela quem a comprara.

— Do outro lado. — Oh. Não era um anel, então. Es­condendo o desapontamento, ela virou a mão, e ele sacu­diu a bolsinha sobre a palma da mão de Demi, até que algo caiu dela. Alguma coisa fria e brilhante, e incrivelmente linda. Três coisas, na verdade.

— Joe?

— Você nunca teve um anel — disse ele, com a voz rouca. — Só a sua aliança de casamento, porque nós casa­mos tão depressa e tão silenciosamente que não houve tempo ou necessidade, ou... bem, não. Havia necessidade, mas eu não a via na época. Mas deveria ter visto, e deveria ter percebido que você merecia uma cerimônia mais pú­blica. Mas, como eu pareço fazer tudo errado, pensei que você deveria dar sua opinião sobre isso, e lhe comprei três diamantes. Um para nós, e os outros dois para comemorar o nascimento de nossas lindas filhas. E eu não sei o que você vai querer fazer com eles, mas pensei que poderia ser um anel, ou um par de brincos, ou um anel da eterni­dade, ou um colar... eu não sei. Você decide.

— Eles são lindos — disse ela, encantada. — Mara­vilhosos.

— São diamantes brancos perfeitos. Foram cortados em Antuérpia, da mesma pedra, e, se você quiser mais, podemos comprar alguns, para fazer outro anel, ou o que você quiser. Eles têm outros, pequeninos, também da mesma pedra. Mas pensei que poderíamos mandar fazer uma joia, para que eu possa dá-la para você em junho.

— Em junho?

— Quando as roseiras florescem — disse ele, suave­mente. — Eu sei que pode parecer um tanto sentimental, mas realmente quero renovar nossos votos. Eu quase perdi você, Demi, e foi só então que percebi o quanto você significa para mim, Eu quero uma chance de contar aos nossos amigos o quanto a amo, e como tenho sorte de ter você, e quero ficar ao seu lado no nosso jardim, sentindo o perfume das rosas.

— Oh, Joe. — Os olhos dela se encheram de lágri­mas. — Eu disse isso a você.

— Eu sei, e você estava certa. Nunca tivemos tempo de sentir o perfume das rosas, mas teremos tempo agora. Po­deremos fazer isso todos os verões, pelo resto das nossas vidas, se você me quiser.

— Oh, Joe. Claro que eu quero você. Eu o amo. Ele deu um sorriso trêmulo.

— E eu a amo, também, e sempre amarei. — E, tomando-lhe as mãos nas suas, ele a puxou para si, abaixou a cabeça e a beijou.

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Fiquei triste pelos só 2 comentários no capítulo anterior. Vai gente, vocês são melhores do que isso. Vocês não sabem quanto um comentário nos deixa feliz. Se manifestem leitores fantasmas. Quero muitos comentários para o epílogo.
xoxo

23.8.15

Dois Pequenos Milagres - Capitulo 9

Joe empurrou a cadeira para longe da escrivaninha, olhan­do para a tela do computador com uma mistura de raiva e frustração, e imaginou como iria encontrar uma casa onde todos pudessem viver enquanto resolviam aquela situação. Embora ele não tivesse uma ideia real de como resol­ver tudo. Joe precisaria ter algumas discussões bastante sérias com sua equipe, antes de fazer qualquer mudança radical, mas, enquanto isso... O telefone estava tocando.

— Gallagher.

— Alô? Quem está falando?

Joe olhou para o telefone em sua mão, percebendo que o atendera automaticamente.

— Humm... aqui é Joe Gallagher. Posso ajudar?

— Provavelmente não. Posso falar com Demi, por favor?

A voz era cautelosa, e ele olhou para a tela que mostra­va o número que estava chamando, vendo que era uma ligação internacional.

Seria Blake?

— Sinto muito, ela não está. Estou cuidando das meni­nas. Aqui é... ah... o marido dela.

— Eu imaginei. Aqui é John Blake. Ela está cuidando da casa para mim enquanto estou fora.

— Sim. Sim, eu entendo. Olhe, Demi estará de volta à uma hora, se você quiser falar com ela. Ela foi tomar um café com Jane.

— Ah. Certo. Bem, nesse caso ela provavelmente já está sabendo, mas eu telefonei para dizer a ela que não vou voltar. Bem, acho que não. Existem... um... motivos pessoais, e... bem, eu conheci alguém e vou morar aqui, e preciso conversar com ela sobre a casa. E o cachorro. Murphy.

Joe olhou para baixo; Murphy estava deitado a seus pés como de costume, e imaginou quais seriam os planos de Blake para o cachorro. Ele descobriu, para sua surpre­sa, que realmente se importava com o cão.

— Eu não imagino que você queira vender a casa para mim?

— Para você?

— Sim, por Demi. Nós estamos... — Diabos, ele detes­tava lavar a roupa suja em público, mas pensou que Blake já deveria saber sobre seus problemas conjugais, pelo me­nos superficialmente. — Nós estamos tentando resolver... ver se existe um modo...

— Ela concorda com isso?

— Oh, existem regras — disse ele com ironia. — Nós estamos na metade do período de experiência que dita "nenhum contato com o escritório", neste momento. Mas eu não posso simplesmente me afastar do trabalho, e te­nho procurado um lugar para me estabelecer aqui, com um escritório e uma pequena equipe, e uma casa com a minha família, para que eu possa passar a maior parte do tempo com ela. E não há nada.

— E você acha que poderia fazer isso com a minha casa?

— Espero que sim.

— As pessoas não gostam de modificações nas cons­truções originais na aldeia para moradia, mas, se o objetivo for negócios, geralmente concordam. E, se for para o seu próprio uso empresarial, elas podem ser bem cooperativas. Na verdade, eu já tenho alguns planos desenhados. Prova­velmente estão no armário. Você pode dar uma olhada neles.

— Então... isso significa que você consideraria a possi­bilidade de vender a casa para mim? — perguntou Joe, cuidadosamente.

— Eu não sei — disse o homem. — Tenho um proble­ma com isso. Pareço ter uma inquilina residente, e quero que ela fique feliz com seu novo senhorio, e preciso falar com ela.

Joe deu uma risada baixa.

— Oh, eu acho que ela ficaria feliz. Ela tem repetido que não quer se mudar e eu posso ver o quanto ela adora esta casa. E... há a questão do cachorro.

— Sim.

Joe sorriu, pensativo.

— Mas nós amamos Murphy, não é, amigão? — disse ele, acariciando as orelhas do cão, que começou a bater a cauda.

— Ele está aí com você?

— Ele sempre está comigo. Está deitado aos meus pés.

— E você ficaria com ele? Joe riu.

— Acho que Demi me mataria antes de deixar que algo acontecesse a Murphy. Além disso, ele é uma boa compa­nhia numa corrida.

— Oh, você corre? Ele adora correr. Ele sempre vai co­migo, quando saio.

— Então, você vai pensar no assunto?

— Precisamos estabelecer um preço justo. Você pode­ria providenciar isso... chamar alguns corretores locais para avaliar a casa? — Ele sugeriu dois nomes, e Joe os anotou.

— Dê-me o seu número, também. — Ele o escreveu ao lado dos nomes dos agentes, e completou: — Você pode me fazer um favor, John? Você poderia manter tudo isso em segredo e não contar nada a Demi, por alguns dias? Preciso de algum tempo para ver se isso vai funcionar.

— Se você vai ficar com o cachorro, o preço é negociável.

— John, ficaremos com ele de qualquer forma. Não posso imaginar ficar sem ele, e gosto da ideia de Demi ter um cachorro com ela, quando eu não estiver por perto. Eu estava falando do conselho municipal. Preciso ter uma resposta não oficial deles, algum tipo de acordo informal que garanta que eles serão favoráveis antes de eu poder seguir em frente, mas não quero dar falsas esperanças a Demi.

— Tudo bem, vou esperar até ter notícias suas. Mas preciso avisá-lo; eu conversei com Pete ontem à noite, e Jane pode ter dito a Demi que vou ficar aqui. Só para que você saiba.

— Certo. Vou tentar distraí-la, e dizer a ela que há tempo de sobra para pensarmos no assunto. Encontrarei uma for­ma. Devo pedir a ela que telefone para você, quando ela voltar?

— Se você puder. Obrigado. E dê um abraço em Murphy por mim.

Joe riu.

— Darei.

Ele desligou, olhou para o telefone por um minuto e então sorriu.

— Ora, Smurfs, parece que conseguimos uma casa. O que você acha disso?

O cão bateu a cauda no chão, e Joe encontrou o núme­ro do conselho municipal de planejamento, e ligou para lá. Dez minutos mais tarde, ele tinha a sua resposta não oficial, e era um "sim" cauteloso e sujeito a condições. Ele esmurrou o ar, verificou como estavam as meninas, preparou outro café, voltou para o estúdio e telefonou para Andréa.

— Precisamos marcar uma reunião — disse ele. — Te­nho algo para dizer a você. E quero Stephen lá.

— Para quando você quer marcar?

— Para esta tarde. Talvez.

— E quanto a Demi?

— Isso é por Demi. Estou tentando encontrar uma forma de podermos ficar juntos, e isso depende, de certa forma, de vocês. Você pode me fazer um favor. Ligue para ela e diga que eu preciso ir ao escritório para resolver uma crise gra­ve. Invente alguma coisa. Eu não me importo. Só não diga a ela do que se trata. Quero que seja uma surpresa.

*****

— Andréa?

— Oi, Demi. Olhe, detesto fazer isso com você, mas preciso de Joe de volta ao escritório o mais rápido possí­vel. Temos um problema, e ele é o único que tem todas as informações para resolvê-lo. Você sabe como ele é, guar­da tudo na cabeça.

— E não sei? Isso costumava me enlouquecer. Tudo bem. Eu o mandarei de volta a Londres. Você precisa falar com ele?

Joe estava olhando para ela com curiosidade, e ela sa­cudiu a cabeça em sua direção.

— Certo. Andréa. Obrigada. Eu direi a ele. Ela desligou e olhou novamente para ele.

— Andréa quer que você vá a Londres; houve um pro­blema. Aparentemente, você guarda muitas informações na cabeça, e eles não conseguem resolvê-lo. Agora, onde foi mesmo que eu já ouvi isso antes?

— Posso ir?

Ela fingiu dar um suspiro, mas, secretamente, estava deliciada. Demi queria telefonar para John, mas não queria que Joe soubesse, e se ele estivesse fora do caminho...

— Eu acho que você precisa ir, não é? Vá, Joe. Vá e acabe logo com isso.

— Você é maravilhosa. E eu sinto muito.

Ele lhe deu um beijo de despedida, e foi apertas depois que Joe saiu que Demi percebeu que ele parecia bastan­te satisfeito em ir. Teria ele combinado tudo com Andréa, enquanto ela estava fora? Demi apanhou o telefone e ve­rificou a última chamada realizada, mas fora para Jane. O outro telefone estava no estúdio, e ela foi verificá-lo também.

Um número local, que ela não reconhecia. Demi apertou o botão de rediscagem e descobriu que era uma agência imobiliária.

- Desculpe-me, devo ter ligado para o número errado — disse ela, e desligou novamente o telefone, sorrindo.

Então, Joe estava procurando uma casa, não era? Que interessante. Bem, ela teria que se certificar de que ele não fizesse nada apressadamente. E ela sempre poderia vetar qualquer coisa que ele sugerisse, se John estivesse dispos­to a vender. Ela só precisava descobrir.

Demi telefonou para ele.

— Ei, seu cavalo velho, acho que preciso lhe dar os parabéns!

— Ah, Jane lhe contou. Sim, e obrigado.

— Então, presumo que você esteja feliz?

— Oh, sim. O nome dele é Ryan, ele tem 42 anos e é arquiteto. Tem uma casa maravilhosa, e quer que eu viva com ele. E vamos ter uma cerimônia. Se você puder vir, ficaremos felicíssimos.

— Oh, John! Estou tão feliz por você! — disse ela, seus olhos se enchendo de lágrimas. Ele era um homem tão bom, e merecia a felicidade. — Murphs vai sentir sua falta, mas não quero que você se preocupe com ele. As meninas o adoram, e eu não suportaria me separar dele, e você não o terá de volta mesmo que queira!

John deu uma gargalhada.

— Está tudo bem. Ryan tem cachorros, ou seja, ainda te­nho minha parte de pelos de cachorro na comida. Sinto-me realmente em casa.

Ela riu, e mordeu os lábios.

— John, preciso lhe pedir algo. Meu... humm... meu marido está de volta. Joe. Ele me encontrou. Eu não ima­ginei que seria tão difícil me encontrar, e não estava me escondendo, na verdade, só estava evitando a questão... Mas ele está de volta, e nós estamos tentando encontrar um modo de seguir adiante juntos. E eu quero que tenha­mos uma casa, aqui no interior, perto dos meus amigos, porque eu sei que ele vai precisar viajar a negócios. E eu estava pensando, se você nos vender a casa, teríamos as cocheiras... e ele poderia ter um escritório ali.

— Sim.

— O quê?

— Sim, eu venderei a casa. E claro que sim, se isso a fizer feliz.

— Oh. — Aquilo fora rápido. — Mesmo?

— Mesmo. E fico muito feliz em saber que vocês estão juntos novamente. Só de ouvir você falar sobre ele duran­te o último ano já me dava a certeza de que vocês deviam ficar juntos. Você obviamente o ama muito e, se isso aju­dá-la a encontrar um modo de superar os problemas, estou com você até o fim.

— Oh, John, obrigada. Nem posso lhe dizer o que isso significa para mim. — Ela sentiu uma onda de excitação percorrê-la, começando lá no fundo e se espalhando até que todo o seu corpo estava tomado por ela. — Vamos ter que mandar avaliar a casa. Eu posso telefonar para alguns corretores.

— Não se incomode. Tenho um amigo aí que tem uma agência. Ele conhece bem a casa, e nos dará um preço justo, e eu ficarei feliz com ele, se vocês também ficarem. Vou conversar com ele.

— Certo. Tudo bem, claro. — E aquilo significava que ela não teria o trabalho de tirar Joe do caminho. — Avise-me quando você tiver falado com ele. E, se você telefonar e Joe atender, não diga nada a ele, por favor. Quero que seja uma surpresa.

John riu.

— Certo. Ligarei para você quando tiver um preço. Como estão as minhas meninas?

— Lindas. E impossíveis. Joe precisou instalar um portãozinho nas escadas, porque elas engatinham por todo lugar, e Ava está tentando andar. E eu preciso ir, John, porque ela está tentando pular o cercadinho! Falo com você em breve. Amo você.

— Também amo você, querida. Cuide-se.

Demi resgatou Ava, apanhou o telefone novamente e co­locou-o no bolso, e em seguida pegou Libby no colo e car­regou as gêmeas para a sala de estar.

— Nada de escalar — ela lhes avisou, e, derrubando uma pilha de brinquedos no chão, sentou-se no sofá e te­lefonou para Jane, para contar-lhe as novidades.

*****

— Então, isso é o que eu pretendo fazer. E sei que é total­mente inesperado e, se não for isso que vocês quiserem, bem, irei compreender. Vou precisar de uma equipe com­petente e confiável no escritório de Londres, e não sei se seria realista realocar todos para o interior. No momento, só estou sondando as pessoas.

Andréa e Stephen estavam em silêncio. Eles pareciam atônitos, e Joe percebeu que fora rápido demais, dei­xando-se levar por uma onda de teorias mais uma vez, sem pensar nos efeitos que teria nas outras pessoas. Ele era bom naquilo, Joe pensou com desgosto, e sacudiu a cabeça.

— Desculpem. É uma ideia louca. Esqueçam.

— Na verdade, não, eu não quero esquecer — disse Stephen, subitamente recuperando a fala. — Nós não pre­cisamos ficar em Londres. As comunicações são inter­nacionais hoje em dia, e muito simples. E Dana tem fala­do muito sobre sair de Londres. Se não fosse pelo trabalho, nós já o teríamos feito. Mas, agora que temos o bebê, es­távamos conversando sobre comprar duas casas para que ela pudesse ir com o bebê para o interior, e eu me juntaria a eles sempre que pudesse. Mas isso pode ser ainda me­lhor. Isso pode realmente funcionar para mim.

Uau. Joe assentiu, pensativo, e desviou os olhos para Andrea.

— Algum comentário?

— Eu não posso me mudar. Minha filha vai ter um bebê em breve, e precisa de mim por perto. Ela tem uma deficiência física, e não vai ser fácil.

— E ela mora em Londres?

— Sim. Bem, no subúrbio. O marido dela é piloto de avião, e suas rotas saem do aeroporto de Stansted. Eles moram perto de Stratford, e eu posso visitá-los de metrô.

— Eles considerariam a ideia de se mudar? Stansted fica a apenas uma hora do vilarejo, provavelmente menos. Qua­renta minutos? Fica em Suffolk, na fronteira de Suffolk e Essex. Não é como se fosse a um milhão de quilômetros daqui. E eu me certificaria de que você recebesse uma ge­nerosa compensação pela transferência.

Ela franziu a testa.

— E eles?

— Todos vocês. O que for preciso, Andréa. Se precisar­mos transferir a operação inteira, principalmente levando em conta que quero diminuir o tamanho dela para algo bem mais administrável, para o bem de todos nós, eu pre­ciso das minhas pessoas chave.

— Eu só trabalho para você há seis meses, Joe. Como posso ser tão importante?

Ele deu uma risadinha.

— Você não faz ideia — disse ele, secamente. — Não sou um homem fácil para quem trabalhar.

Ela sorriu.

— Eu já tinha percebido. Você só precisa de geren­ciamento.

— É isso que Demi me diz. — Ele olhou rapidamente para o relógio. — Olhem, preciso voltar. Posso pedir para vocês pensarem no assunto? E, se acharem que conse­guem trazer os principais membros da equipe, marcare­mos uma reunião e discutiremos a mudança com o resto do pessoal. E eu não quero que Demi fique sabendo a res­peito disso até eu ter algo concreto para dizer a ela.

— E como poderemos entrar em contato com você? Ele deu um sorrisinho esperto para Andréa.

— Eu tenho um número novo de celular. Comprei o telefone no caminho para cá. Se você puder sincronizá-lo com o meu banco de dados, e também me conseguir um laptop com conexão sem fio com as mesmas informações, seria ótimo. Eu vou telefonar para Gerry em Nova York.

— Sim, e quanto a Nova York? — perguntou Andréa, e ele sorriu de novo.

— Direi a você depois que eu falar com Gerry.

— Ele não pode se mudar para Suffolk. Joe riu.

— Não, Stephen. Mas ele pode comprar a parte dele na operação. Ele tem falado nisso há anos. E eu só ficarei com uma pequena parte das ações.

Eles olhavam para Joe como se subitamente ele tivesse se transformado em um monstro de duas cabeças. E era de se esperar. A operação em Nova York era responsável pela metade do faturamento da empresa. Stephen soltou um assobio baixo.

— Você está realmente falando sério, não está? — per­guntou ele, e Joe assentiu, levantando-se.

— Oh, sim — disse ele, firmemente. — Eu nunca falei tão sério em toda a minha vida.

*****

Demi passara a tarde com um arquiteto, discutindo a conversão das cocheiras em escritórios. Ele morava no vilarejo e trabalhava em casa, e ela o encontrara algumas vezes; então, pôs os bebês no carrinho e foi andando até a casa dele. Ele voltou com ela, deu uma olhada no lugar e ouviu suas ideias.

— Bem, é possível — disse ele. — Não vai sair barato, é claro; conversões de cocheiras nunca saem. Mas, depen­dendo do tamanho da obra em que você está pensando, acho que o conselho municipal vai ficar bem satisfeito. Os prédios estão caindo aos pedaços, e eles detestam isso. Então, teoricamente, sim, acho que pode ser feito.

— Você poderia fazer alguns desenhos rápidos para mim? — perguntou ela, e ele riu. — Estou falando sério.

O sorriso dele era divertido.

— Ótimo. Não gosto que meus recibos não sejam pa­gos. Isso deixa o banco nervoso.

Ela engoliu em seco.

— Estamos falando de muito dinheiro? Milhares de libras?

Ele riu ao ouvir aquilo.

— Só para tirar algumas fotos e desenhar uma ideia ou duas? Não, nada disso. Mas acontece que John me pediu, há muitos anos, que lhe desse alguns conselhos, e eu tirei algumas fotos e as usei como base para a impressão de um artista, para lhe dar uma ideia de como ficaria. Eu desenhei alguns planos. Você pode usá-los como ponto de partida.

— Oh, Trevor, você é brilhante! — disse ela, abraçando-o impulsivamente. Ela voltou com o arquiteto para a casa dele para apanhar os desenhos e, depois de colocar os bebês na cama, analisou-os até memorizá-los. Algumas das ideias não iriam funcionar, ela pensou, mas no geral o plano era bom. Então, ela precisava ape­nas de uma cotação de preço para a propriedade, e po­deria elaborar um plano de ação, incluir alguns números sólidos e apresentar tudo para Joe.

Se ele voltasse para casa.

Ele estava demorando. Demorando muito. Já eram qua­se dez horas; não que aquilo fosse tarde para Joe, mas considerando as regras... Demi ficara feliz em mandá-lo para Londres na hora do almoço, mas agora, pensando melhor em como ele estivera ansioso para ir, ela se per­guntava o quão comprometido Joe estaria com tudo o que estavam fazendo. Ela estaria cometendo um grande erro, ao seguir adiante?

Demi colocou os planos em uma gaveta no estúdio, ve­rificou como estavam os bebês e pensou em tomar um banho. Se ao menos ela soubesse o quanto ele iria demo­rar. Oh, aquilo era ridículo. Ela o conhecia bem. Se Gerry estava com um problema sério em Nova York, Joe pode­ria ficar conversando com ele durante horas, por causa da diferença no fuso horário. Poderia ser duas ou três da ma­nhã quando ele voltasse. E ela não iria esperar tanto.

Ela disse a si mesma que não estava sendo razoável. Joe havia abandonado tudo em Londres por ela, sem avi­so prévio. Aquilo era algo inédito. Mas também lhe dava uma ideia de como as coisas poderiam ser, se ela voltasse para ele. Mesmo vivendo e trabalhando ali parte do tem­po, ele ainda teria que ficar em Londres durante a semana. Seria injusto da parte dela querer mais do que isso? Tantas mulheres viviam duas vidas; uma com seus maridos du­rante o final de semana, e a outra de segunda a sexta, en­quanto eles trabalhavam na cidade.

Mas não ela. Ela não poderia fazer aquilo; não com Joe, que seria imediatamente sugado de volta para o trabalho no mesmo instante em que ela afrouxasse as rédeas um pouco.

Oh, droga. Talvez um longo banho quente ajudasse. Ela tirou as roupas e foi para o banheiro, ligando o chuveiro e entrando no box. Oh, aquilo era bem melhor. Ela virou o rosto para a água, de olhos fechados, e deixou que caísse sobre seu corpo, lavando seus medos e dúvidas. Joe es­taria em casa logo, e ela se sentiria uma idiota por se pre­ocupar tanto. Mas aquilo era um aviso, ela percebeu, e faria bem em levá-lo a sério.

— Demi?

Não havia sinal dela, mas as luzes ainda estavam ace­sas, e ele podia ouvir o barulho da água no andar de cima.

Ela estava no chuveiro.

Movido pela adrenalina, e sentindo a falta dela depois de um dia inteiro longe, ele correu pelas escadas, tirou as roupas e entrou no banheiro. Ela estava de costas para ele no box, e ele entrou no cubículo atrás dela, enlaçando-lhe a cintura com os braços.

Ela deu um gritinho, e começou a rir; e ele a virou em seus braços e a beijou sob o jato d'água.

— Você me assustou — disse ela, empurrando-o para poder respirar, e ele sorriu.

— Eu sinto muito — retrucou ele, não parecendo, nem um pouco arrependido. Apanhando o xampu, ele espa­lhou um pouco nas mãos, massageando os cabelos dela firmemente.

— Oh, isso é uma delícia — disse ela, encostando a ca­beça no peito dele; e, quando ele terminou, colocou-a sob a água novamente e enxaguou-lhe os cabelos até que esti­vessem totalmente limpos.

Demi enxugou a água dos olhos e sorriu para ele.

— Ora, não pare — disse ela, entregando-lhe o gel de banho. Erguendo a sobrancelha, ele colocou um pouco de gel na palma das mãos, esfregou-as e então espalhou o produto carinhosamente pelo corpo dela: seus seios, seu estômago e o local suave escondido entre suas pernas.

— Joe!

— Shhh. Venha cá — ele ordenou suavemente, e, erguendo-a, abaixou-a gentilmente em sua ereção dolorida. — Oh. Demi. — Sua boca encontrou a dela, e apoiando-se na pare­de, ele começou a se mover.

— Joe!

— Está tudo bem, eu estou com você — disse ele, e sentiu o clímax dela começar, as contrações tomando seu corpo em ondas; e, com um gemido abafado, ele a seguiu.

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Mais um capítulo para vocês!
Comentem amoras *-*
xoxo