28.4.15

Laços de Amor - Capitulo 2

Ela não estava pronta para sair do sol.

Demi pôs sua xícara de café sobre a mesa com tampo de vidro, virou o rosto para o céu e deixou o sol quente do fim da manhã despejar sua benção sobre ela. Apesar do fato de que havia pessoas ao seu redor, rindo, conversando, mergulhando na piscina, ela se sentia sozinha. E realmente não estava pronta para voltar à sua cabine.

Mas tinha enviado seu bilhete para Joe. E lhe dissera onde encontrá-la. Naquela cabine ridiculamente minúscula. Então era melhor estar lá antes que ele chegasse. Com um suspiro, ela se levantou, pendurou sua bolsa no ombro, e começou a atravessar o Verandah Deck.

Alguém tocou seu braço e Demi parou.

— Já está indo embora? — Mary Curran lhe sorria, e Demi retribuiu o sorriso.

— Sim. Preciso voltar à minha cabine. Eu... vou encontrar alguém lá. — Pelo menos, tinha quase certeza que Joe apareceria. Mas e se ele não fosse? E se não se importasse com o fato de que era pai de seus dois filhos gêmeos? E se descartasse sua carta com a mesma facilidade com que havia deletado todos os seus e-mails?

Um nó se formou na boca do estômago de Demi. Bem, eles estavam num navio no meio do oceano. Joe não poderia escapar. Ela iria encontrá-lo finalmente, e dizer o que tinha a dizer.

— Oh, querida. — Mary fez uma careta e estremeceu de modo dramático. — Você realmente quer ter uma conversa naquele buraco?

Demi riu.

— Buraco?

— Foi assim que meu marido, Liam, o batizou no meio da noite, quando quase quebrou a perna, tentando chegar ao banheiro.

Sorrindo, Demi murmurou:

— Acho que o nome é apropriado. Mas, sim, preciso fazer isso lá. E uma conversa muito privada para acontecer aqui.

Os olhos de Mary eram calorosos quando fitaram Demi.

— Bem, então vá fazer o que precisa. Talvez eu a veja por aqui mais tarde?

Demi assentiu. Sabia como passageiros de cruzeiros tendiam a se unir. Vira muito isso na época que trabalhava para Cruzeiros Jonas. Amizades eram formadas rapidamente. Pessoas que permaneciam presas num navio no meio do mar tendiam a se conhecerem com mais rapidez do que se estivessem em terra firme.

Romances aconteciam em navios, claro... era só olhar o que acontecera a ela. Porém, mais frequentemente, eram outros tipos de relacionamentos que floresciam naquele ambiente. E naquele momento, decidiu Demi, uma pessoa amigável poderia ser algo positivo.

— Com certeza — replicou ela, sorrindo amplamente para Mary. — Que tal margueritas no Falco Deck? Por volta das 5h?

Encantada, Mary sorriu.

— Eu estarei lá.

Enquanto andava em direção ao elevador, Demi disse a si mesma que depois da conversa iminente com Joe, ela provavelmente iria precisar de uma ou duas margueritas.

Joe se levantou tão rapidamente que sua cadeira inclinou para trás, as rodinhas girando contra o piso de madeira, até que o espaldar bateu contra a parede de vidro atrás dele.

— Isto é uma brincadeira? - Joe segurou o cartão azul-claro em uma mão e olhou para os dois rostinhos. Os bebês eram idênticos, exceto por suas expressões. Um olhava para a câmera e sorria, mostrando muita gengiva e uma covinha profunda. O outro parecia estar observando o fotógrafo com um olhar sério, quase pensativo, no rosto.

E os dois se pareciam muito com ele.

Gêmeos?

Num instante, diversos tipos de emoções o percorreram. Raiva, frustração, confusão, e raiva novamente. Como podia ser pai? Ninguém que conhecia tinha engravidado. Isso não podia estar acontecendo. Ele olhou para o escritório vazio, como se esperasse que alguém aparecesse do nada e lhe dissesse que aquilo era apenas uma brincadeira.

Mas nada aconteceu. Não era uma brincadeira.

Bem, esta não era a primeira vez que uma mulher tentava abordá-lo com a alegação de que ele seria pai. Mas com certeza, era a primeira vez que alguém usava um método tão criativo para fazer isso.

— Mas quem? — Joe pegou o envelope, contudo, apenas seu nome estava escrito numa letra feminina. Virando o cartão que ainda segurava, viu mais daquela letra:

Nós precisamos conversar. Vá à cabine 2A no Riviera Deck.

— Riviera Deck. — Embora detestasse admitir, ele não sabia ao certo qual era aquele deck. Tinha muitos navios em sua linha marítima, e esta era sua primeira vez naquele em particular. Apesar de pretender fazer de Jonas's Pride seu lar, ainda não tivera tempo de explorar o navio inteiro, como fazia com todos os navios que carregavam seu nome.

Assim, Joe atravessou a sala para os quadros emoldurados na parede que continham as plantas detalhadas dos navios. Havia um quadro para cada navio de sua linha. Ele gostava de vê-los, de saber que possuía familiaridade com cada centímetro de todos os seus navios. Gostava de saber que tinha sucesso na criação de um sonho que começara dez anos antes.

Mas, no momento, não estava pensando em sua linha de cruzeiros ou em nada que se referisse a negócios. Agora, tudo que queria era encontrar a mulher que lhe enviara aquele cartão, de modo que pudesse assegurar-se de que aquilo era algum engano.

Estreitando seus olhos azul-claros, deslizou um dedo ao longo dos decks até achar aquele que estava procurando. Então franziu o cenho. De acordo com o mapa, Riviera Deck ficava abaixo das cabines da tripulação.

— O que está acontecendo? — Enfiando o cartão com as fotos dos bebês no bolso de sua camisa branca de mangas curtas, ele virou-se em direção à porta e gritou: — Teresa!

A porta se abriu alguns segundos depois e sua assistente entrou, os olhos arregalados de susto.

— Meu Deus, o que houve? Estamos tendo um incêndio ou algo assim?

Joe ignorou a tentativa de humor. Apontando um dedo para o mapa do navio coberto por vidro, disse:

— Olhe isto. - Teresa atravessou a sala, olhou para o quadro, então para seu chefe.

— Para o que eu estou olhando exatamente?

— Isto. — Ele bateu o dedo contra o deck mais baixo no diagrama. — O Riviera Deck.

— E?

— Há pessoas hospedadas lá embaixo.

Oh.

Satisfeito que ela entendera rapidamente, Joe acrescentou:

— Quando a restauração do navio foi finalizada, e Jonas's Pride estava pronto para passageiros, falei especificamente que aquelas cabines mais baixas não deveriam ser usadas.

— Sim, você falou, chefe. — Teresa pegou seu computador portátil e digitou algumas teclas. — Vou fazer uma checagem. Descobrir o que aconteceu.

— Faça isso — disse ele, furioso que alguém, em algum lugar, não lhe dera ouvidos. — Por enquanto descubra quantas cabines daquelas estão ocupadas.

— Certo.

Enquanto Teresa trabalhava no pequeno dispositivo eletrônico, Joe meneou a cabeça. Aquelas cabines baixas eram muito velhas e muito pequenas para serem usadas em um de seus navios. Claro, elas haviam sido melhoradas na reforma, mas tê-las e usá-las eram duas coisas diferentes. Aquelas cabines, pequenas e escuras não eram o tipo de imagem que Joe queria associar com sua linha de cruzeiros marítimos.

— Chefe? — Teresa o olhou. — Segundo o registro, somente duas das cinco cabines estão sendo usadas.

— Pelo menos isso. Quem está lá embaixo?

— A cabine IA está ocupada por Liam e Mary Curran:

Ele não conhecia ninguém de nome Curran, e ademais, o cartão viera da pessoa que ocupava a outra cabine naquele deck.

Então Joe esperou.

— Na 2A está... — A voz de Teresa falhou, e Joe observou sua assistente normalmente composta mordiscar o lábio.

Aquele não era um bom sinal.

— O que foi? — Quando ela não respondeu imediatamente, ele exigiu saber: — Fale de uma vez quem está na outra cabine.

— Demi. — Teresa respondeu e suspirou. — Demi Lovato está na 2A, Joe.

Joe chegou ao Riviera Deck em tempo recorde, já tendo decidido fechar aquele deck permanentemente.

Saindo do elevador, ele bateu a cabeça em uma viga baixa e praguejou. Os rangidos e gemidos do grande navio ecoavam através da passagem estreita, parecendo fantasmas uivando. O barulho da água contra o casco era perturbadoramente alto, e estava tão escuro no pequeno corredor que mesmo a luz nos candeeiros de parede mal conseguia penetrar a negritude. E o corredor em si era tão estreito que ele praticamente tinha de atravessá-lo de lado. Era verdade que devia proporcionar cabines mais baratas, mas Joe lidaria com este aspecto de outra maneira. Não queria seus passageiros piscando contra o sol, como morcegos, ao saírem de um cruzeiro.

Com a cabeça latejando e o corpo tenso de nervosismo, ele parou diante da porta 2A, respirou fundo e ergueu o punho direito para bater. Antes que fizesse isso, a porta estreita foi aberta e lá estava ela.

Demi Lovato.

Ela não deveria ainda ter a capacidade de afetá-lo. Ele a tivera, afinal de contas. Tivera-a e a deixara mais de um ano atrás. Então por que foi subitamente golpeado por aqueles olhos azuis-turquesa? Por que aquela boca firme e sensual o atraía a ponto de querer beijá-la até que os lábios dela se rendessem e lhe permitissem a entrada? Por que o fato de que ela parecia furiosa fazia seu sangue ferver nas veias? Que motivo Demi tinha para estar furiosa?

— Eu o ouvi no corredor — disse ela.

— Bom ouvido — disse ele. — Considerando todos os outros barulhos aqui embaixo.

Um sorriso tenso curvou os lábios dela.

— Sim, é adorável morar na barriga dá fera. Quando eles levantam a âncora é como uma sinfonia.

Joe não havia considerado isso, mas apostava que o barulho era horroroso. Mais uma razão para trancar aqueles quartos e nunca mais usá-los. Todavia, aquilo era para outra hora. Agora, queria respostas.

— É por isso que você está aqui então? — perguntou ele. — Para falar sobre o navio?

— Você sabe por que estou aqui.

Ele ergueu uma das mãos sobre a moldura da porta e inclinou-se na direção dela.

— Eu sei o que você gostaria que eu pensasse. A questão é, por quê? Por que agora? Do que está atrás, Demi?

— Eu não vou conversar sobre isso no corredor.

— Tudo bem. — Joe entrou, passou por ela, mas o espaço era tão apertado que os peitos deles se roçaram, e ele quase pôde sentir sua pele ferver.

Tinha sido assim desde o começo. No momento que ele a tocara naquela primeira noite ao luar, sentira como se alguma coisa estivesse se derretendo em seu interior. E parecia que o tempo não havia apagado aquela sensação.

Joe controlou seus hormônios, deu dois passos até a lateral de uma cama construída para uma criança, então se virou para olhá-la. Deus, a cabine era tão pequena que as paredes pareciam estar se fechando sobre ele. Todas as luzes estavam acesas e ainda parecia crepúsculo.

Mas Joe não estava lá pelo ambiente, e não havia nada que pudesse fazer sobre as acomodações naquele momento. Agora, tudo que queria era uma explicação. Esperou que Demi fechasse a porta, trancando os dois naquela caixa de biscoitos antes que ele falasse:

— Qual é o jogo desta vez, Demi?

— Isto não é um jogo, Joe — replicou ela, cruzando os braços sobre o peito. — Não era um jogo na época também.

— Certo. — Ele riu e tentou não respirar fundo. O aroma dela já penetrara seus sentidos, o tamanho do quarto tornando-o ainda mais ciente do cheiro delicioso. — Você não quis mentir para mim. Não teve escolha.

Demi suspirou.

— Realmente temos de discutir isso de novo?

Joe considerou a pergunta por um momento, então meneou a cabeça. Não queria olhar para o passado. Ora, não queria estar ali agora.

— Não, não temos. Então, por que você não fala logo o que tem a dizer, de modo que acabemos com isso?

— Sempre charmoso — zombou ela.

Ele mudou o peso de um pé para o outro e bateu o cotovelo na parede.

— Demi...

— Tudo bem. Recebeu meu bilhete?

Joe puxou o cartão do bolso de sua camisa, olhou para as fotos dos bebês, então, entregou-o para ela.

— Sim, recebi. Como você explica isso?

Demi olhou para os dois pequenos rostinhos, e Joe viu os lábios dela se curvarem num sorriso. Mas o momento passou rapidamente, quando ela ergueu os olhos e o encarou.

— Pensei que a palavra papai fosse autoexplicativa.

— Explique, de qualquer forma.

— Certo. — Demi atravessou o minúsculo quarto, bateu o quadril em Joe, levando-o de encontro à parede, então se abaixou para arrastar uma mala de baixo da cama. O fato de que podia sentir o olhar dele em seu traseiro enquanto fazia àquilo apenas a irritou.

Ela não prestaria atenção à onda de calor que a envolvia com a proximidade de Joe. Certamente não reconheceria as batidas frenéticas de seu coração, e se outras partes do seu corpo estavam quentes e formigando, ela não ia admitir isso também.

Começou a levantar a mala do chão, mas Joe adiantou-se, afastando-lhe as mãos e colocando a mala sobre a cama. Se ela tremera interiormente com o toque, ele não precisava saber, certo?

Demi abriu o zíper, removeu um álbum de couro azul e estendeu-lhe.

— Aqui. Dê uma olhada. Depois conversaremos mais. - O álbum de recortes parecia pequeno nas mãos grandes e bronzeadas de Joe. Ele olhou para ela.

— De que se trata isto?

— Olhe, Joe.

Ele olhou. O momento pelo qual Demi tanto esperara estendeu-se, enquanto os segundos passavam. Ela prendeu a respiração e observou-o, vendo as expressões de Joe mudando conforme ele folheava as páginas de fotos que ela montara especialmente para aquele momento. Era como uma narração de fatos em ordem cronológica. De sua vida desde que perdera o emprego, havia descoberto que estava grávida, e então o nascimento dos gêmeos. Em 21 páginas decoradas manualmente, ela lhe contava sobre o último ano e meio de sua vida.

Da vida de seus filhos. Dos filhos que ele fizera e nunca conhecera.

A única razão pela qual ela estava ali, visitando um homem que despedaçara seu coração, sem olhar para trás.

Quando Joe terminou, ergueu olhos frios para ela.

— Eu devo acreditar que sou o pai destes bebês?

— Dê mais uma olhada neles, Joe. São iguaiszinhos a você.

Ele olhou, mas suas feições permaneceram cínicas e os olhos desprovidos de emoção.

— Muitas pessoas têm cabelos pretos e olhos azuis.

— Nem todas têm covinhas na face esquerda.— Ela virou numa página específica e apontou. — Os seus dois filhos têm. Idênticas às suas.

Joe deslizou um dedo sobre a fotografia dos meninos, como se pudesse, de alguma maneira, tocá-los, e este pequeno gesto tocou o coração de Demi. Por um breve instante, Joe Jonas pareceu quase... vulnerável.

Todavia, isso não durou. Ele mordeu o lábio como se estivesse tentando reprimir palavras que lutavam para sair. Finalmente, como se chegasse a uma decisão interna, Joe assentiu com um suspiro e disse:

— Devido ao bom argumento, vamos supor que eles sejam meus.

— Eles são seus.

— Então, por que você não me contou isso antes? Por que esperou até que eles estivessem com...

— Quatro meses.

Ele olhou para as fotos novamente, fechou o álbum e segurou-o com firmeza.

— Quatro meses e você não achou que eu deveria saber?

— Você é impressionante. Ignorou-me por meses, e agora está aborrecido porque não o contatei?

— Do que você está falando?

Demi meneou a cabeça, e silenciosamente agradeceu aos céus por ter sido esperta o bastante, não apenas por guardar um registro de todos os e-mails que lhe enviara, mas também imprimi-los e levá-los naquela viagem. Enfiando a mão no fundo da mala, removeu um envelope grosso e colocou-o sobre o álbum que ele ainda estava segurando.

— Aí estão. E-mails. Todos que eu lhe enviei. Estão datados. Pode ver que mandei no mínimo um por semana. Algumas vezes, dois. Venho tentando contatá-lo por mais de um ano, Joe.

Ele abriu o envelope enquanto ela falava, folheando rapidamente as páginas impressas.

— Eu... — Joe franziu o cenho para a pilha de papéis. Demi se aproveitou do silêncio momentâneo.

— Tenho tentado contatá-lo desde que descobri que estava grávida, Joe.

— Como eu ia saber que era isso que você estava tentando me dizer?

— Você poderia ter lido um ou dois e-mails — apontou Demi, e conseguiu esconder a mágoa na voz.

As feições dele endureceram.

— Como eu poderia ter adivinhado que você estava tentando me dizer que eu era pai? Pensei que estivesse atrás de dinheiro.

Ela respirou fundo quando o insulto a golpeou. Furiosa, Demi teve de lutar muito contra a vontade de esbofeteá-lo. Que típico de Joe pensar que toda mulher que se aproximava dele fazia isso pelo que poderia arrancar-lhe.

Mas então, ele tinha passado a maior parte dos últimos dez anos cercando-se de pessoas interesseiras. Mulheres que queriam ser vistas ao seu lado, porque ele era um dos bilionários mais elegíveis do mundo. Pessoas que queriam fazer parte de seu círculo social para se sentirem importantes, porque era lá que a excitação estava.

Tudo que Demi quisera na ocasião tinha sido ter os braços dele ao seu redor. Seus beijos. Seus sussurros no meio da noite. Naturalmente, Joe não acreditara nela.

Agora as coisas estavam diferentes. Ele possuía responsabilidades que ela estava lá para cobrar. Afinal de contas, não tinha ido para aquele navio por sua causa, e sim por causa de seus filhos. Dos filhos dele.

— Eu não estava interessada no seu dinheiro naquela época, Joe. Mas as coisas mudaram, e agora, estou atrás de dinheiro — declarou Demi, e viu raiva surgir nos olhos gelados. — Chama-se pensão alimentícia, Joe. E seus filhos merecem isso.

Ele a olhou.

— Pensão alimentícia.

— Isso mesmo. — Ela ergueu o queixo. — Se eu tivesse de pensar apenas em mim, não estaria aqui, acredite. Então, não se preocupe, não estou aqui para me aproveitar de você. Não estou atrás de uma grande soma da conta bancária Jonas.

— Verdade?

— Verdade. Eu comecei meu próprio negócio, e está indo bem — disse Demi de modo orgulhoso. — Mas gêmeos têm despesas duplas e não consigo sustentá-los sozinha. — Erguendo os olhos para encontrar os dele, acrescentou: — Como você nunca respondeu aos meus e-mails, eu disse a mim mesma que não merecia conhecer seus bebês. E se eu não estivesse me sentindo um pouco desesperada, não estaria aqui agora. Acredite, se acha que gosto de estar aqui nestas condições, está louco.

— Então, você os esconderia de mim? — A voz de Joe era baixa, suave, e um pouco perigosa.

Demi não estava com medo. Joe podia ser arrogante e egoísta, mas não era fisicamente perigoso para nenhuma mulher.

— Eu esconderia de meus filhos o fato de que o pai não se importa nem um pouco com eles. Sim, é exatamente o que farei.

— Se os gêmeos são meus filhos, ninguém me manterá longe deles.

Demi foi tomada por um pequeno desconforto, mas disse a si mesma para não reagir. Ameaças físicas não significavam nada, mas o pensamento de Joe ameaçando-a em relação à custódia dos filhos, sim. Mas então, reprimiu a ideia. Bebês não faziam parte do mundo de Joe, e independentemente do que ele dissesse no momento, nunca desistiria do estilo de vida que tinha para um que incluísse a tarefa dupla de trocar fraldas.

— Joe, ambos sabemos que você não tem interesse em ser pai.

— Você não sabe nada sobre meus interesses, Demi. — Ele se aproximou, dando o pequeno passo que fechava a distância entre os dois. Demi não estava preparada para o movimento, e arfou quando o peito largo pressionou-se no seu.

Ela fitou-lhe os olhos e sentiu os joelhos tremerem com a intensidade do olhar dele. Joe segurou-lhe o rosto em uma mão, uma mão tão quente que espalhou calor pelo corpo inteiro de Demi.

— Todavia, eu lhe prometo — murmurou ele, inclinando a cabeça, como se fosse beijá-la, e parando a poucos centímetros de seus lábios — que você vai descobrir.

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                   Fala amores, como teve comentários resolvi recompensá-los com mais um capítulo.
                   xoxo Nathi

Laços de Amor - Capitulo 1

— Ai! — Demi Lovato saltou sobre seu pé direito e segurou nos dedos machucados do esquerdo. Dando um olhar furioso para a mesa baixa de sua cabine minúscula e claustrofóbica, amaldiçoou o homem que era o motivo daquele cruzeiro terrível.

Joe Jonas.

A imagem dele surgiu em sua mente, e apenas por um segundo, Demi apreciou o calor quase instantâneo que a percorreu. Mas o calor desapareceu um momento depois, sendo substituído por fúria.

Era melhor que se concentrasse nesta emoção em particular. Afinal de contas, diferentemente, de todos os outros passageiros do navio Jonas's Pride, Demi não tinha subido a bordo para se divertir. Estava ali por uma razão. Uma razão muito boa.

Enquanto seus dedos latejavam em compasso com as batidas de seu coração, Demi cuidadosamente se apoiou sobre os dois pés, e deu os dois passos necessários para chegar ao armário. Já tinha pendurado suas roupas, e os poucos trajes que levara pareciam lotar o pequeno guarda-roupa. Pegando uma blusa amarela clarinha do cabide, ela carregou-a para o banheiro a um passo de distância.

Era do tamanho de um banheiro de avião, apenas continha um Box designado para pigmeus. Na verdade, a abertura da porta de correr era tão estreita que Demi havia passado um braço ao redor dos seios ao sair do banho, com medo de arranhar seus mamilos.

— Muito bom, Joe — murmurou ela. — Quando você reformou seu velho barco e o transformou num navio, deveria ter pensado um pouco mais naquelas pessoas que não moram na cobertura do dono, que fica no deque superior.

Mas disse a si mesma que aquilo era típico. Soubera como Joe era, mesmo antes de conhecê-lo naquela noite abafada de verão, mais de um ano atrás. Ele era um homem devotado a ver sua companhia marítima tornar-se a melhor do mundo. Fazia o que tinha de ser feito quando necessário. E não se desculpava por isso.

Demi estivera trabalhando para ele quando o conhecera... como diretora dos cruzeiros em um dos outros navios da frota Jonas. Adorara o emprego, adorara a ideia de viajar, e, tolamente, tinha se apaixonado pelo chefe. Tudo por causa de um encontro romântico à luz do luar e do charme inegável de Joe.

Demi soubera muito bem que seu chefe nunca se envolveria com uma funcionária. Então, quando o sexy e maravilhoso Joe Jonas a abordara no Pavilion Deck presumindo que ela fosse uma passageira, Demi não o corrigira. Tinha consciência de que deveria ter feito isso, mas que mulher não teria se deixado levar por um maxilar esculpido, olhos azuis e grossos cabelos pretos que atiçavam os dedos de uma mulher?

Ela suspirou, apoiou as mãos nas laterais da pia minúscula e lembrou-se como tinha sido o primeiro momento que ele a tocara. Mágico. Pura e simplesmente. Sua pele havia esquentado, e seu coração batido tão freneticamente que fora difícil respirar. Ele a girara numa dança, ali, sob a luz das estrelas, com uma brisa havaiana os acariciando, e a música do deck abaixo flutuando no ar como um suspiro.

Uma dança virou duas, e a sensação daqueles braços fortes ao seu redor havia seduzido Demi para uma mentira que voltara para assombrá-la menos de uma semana depois. Ela entrara de cabeça num caso. Um caso sexual tão intenso que abalara sua alma, enquanto despedaçava seu coração.

E quando, depois de uma semana vivenciando aquele caso, Joe descobrira por outra pessoa que ela trabalhava para ele, tinha terminado tudo, recusando-se a ouvi-la, e assim que eles haviam chegado de volta ao porto, ele a demitira.

A dor daquela... dispensa era tão fresca quanto no dia em que acontecera.

— Oh, Deus. O que estou fazendo aqui? — Demi respirou fundo quando seu estômago começou a se revolver com o nervosismo que vinha se construindo em seu interior há meses. Se houvesse outra maneira de fazer aquilo, ela teria feito. Afinal de contas, não era como se estivesse ansiosa para reencontrar Joe.

Cerrando os dentes, ela ergueu o queixo, virou-se de modo brusco e bateu o cotovelo na maçaneta. Irritada, olhou para seu reflexo no pequeno espelho retangular e murmurou:

— Você está aqui porque esta é a coisa certa. A única opção. Ele não lhe deixou escolha.

Demi precisava falar com Joe, e não era nada fácil conseguir acesso a ele. Uma vez que ele morava a bordo de seu navio de cruzeiros, ela não podia confrontá-lo em terra firme. E nas poucas vezes que Joe estava no porto em San Pedro, Califórnia, trancava-se num apartamento de cobertura com mais seguranças do que havia na Casa Branca. Como ela não conseguira lhe falar pessoalmente, tinha tentado telefonemas. E quando estes fracassaram, começara a lhe enviar e-mails. Pelo menos duas vezes por semana nos últimos seis meses, Demi vinha lhe mandando e-mails que ele aparentemente deletava sem abrir. O homem estava sendo impossível, então Demi finalmente fora forçada a pagar uma reserva no Jonas 's Pride, e fazer um cruzeiro que não queria e que não tinha condições.

Ela não entrava num navio há mais de um ano, então, mesmo o menor balanço do navio fazia seus joelhos tremerem. Houve uma época na qual adorava estar num navio. Quando apreciava a aventura de um emprego que nunca era igual por dois dias consecutivos. Quando acordava todas as manhãs tendo uma nova vista pela janela de sua cabine.

— É claro — admitiu secamente —;, isso quando eu tinha uma cabine com janela. — Agora estava na cabine mais barata que pudera encontrar, sem janela e com a sensação de estar trancada na barriga de uma fera. Era forçada a deixar a luz acesa o tempo todo, caso contrário, a escuridão era tão completa que era como estar dentro de um vácuo.

A sensação era estranha e perturbadora.

Talvez se conseguisse dormir um pouco, ela se sentisse diferente. Mas fora despertada tarde da noite anterior pelo horrível ruído da corrente da âncora sendo erguida. Tinha soado como se o próprio navio estivesse sendo cortado ao meio por mãos gigantes, e uma vez que aquela imagem se plantara no seu cérebro, Demi não tinha conseguido mais dormir.

— Tudo por causa de Joe — disse ela para a mulher no espelho, e ficou gratificada em vê-la assentir em concordância. — Sr. Bilionário, muito ocupado, muito importante para responder aos seus e-mails. — Ele até mesmo se lembraria dela? Olharia o nome do endereço de e-mail e se perguntaria quem era aquela? Demi franziu o cenho, então meneou a cabeça. — Não. Ele não esqueceu. Sabe quem eu sou. Não está lendo os e-mails de propósito, somente para me enlouquecer. Ele não poderia ter se esquecido daquela semana.

Apesar da maneira que terminara, aquela semana com Joe Jonas tinha virado a vida de Demi de ponta-cabeça.

Era simplesmente impossível que ela fosse a única a ser afetada tão fortemente.

— Então, em vez disso, ele está sendo o Sr. Charmoso — murmurou ela. — Provavelmente seduzindo outra mulher tola, que, como eu, não vai notar, até que seja tarde demais, que Joe não é fantasia de ninguém.

Oh, Deus.

Aquilo era uma mentira.

Na verdade, pensou com um gemido interno, achava que ele era a fantasia de qualquer mulher. Alto, lindo, com grossos cabelos pretos, olhos azul-claros, e um sorriso que era tanto charmoso quanto malicioso, Joe Jonas era o bastante para enlouquecer uma mulher de paixão antes mesmo que ela soubesse que tipo de amante ele era.

Demi encostou a testa contra o espelho.

— Talvez esta não tenha sido uma boa ideia — sussurrou ao sentir certas partes de seu corpo vibrarem apenas com a força daquelas memórias.

Então fechou os olhos quando imagens mentais vividas vieram à sua mente... noites com Joe, dançando no Pavilion Deck sob um céu estrelado. Um piquenique de madrugada, sozinhos na proa do navio, quando todos os outros dormiam. Jantando no terraço dele, bebendo champanhe, derramando algumas gotas, e Joe lambendo-as no vale entre seus seios. Deitada na cama dele, aconchegada em seus braços fortes, ouvindo sussurros que prometiam deleites tentadores.

O que significava o fato de que somente as lembranças de Joe ainda pudessem lhe despertar um tremor de desejo, mais de um ano depois? Demi não achava que realmente quisesse uma resposta para esta pergunta. Não tinha ido para aquele navio por causa de luxúria ou por causa do que vivenciara com Joe um dia. Sexo não era parte da equação desta vez, e ela teria de encontrar uma maneira de lidar com seu passado enquanto lutava por seu futuro. Deliberadamente, reprimiu as imagens provocativas da cabeça em favor da realidade. Abrindo os olhos, olhou para o espelho e firmou-se para enfrentar a situação iminente.

O passado a levara ali, mas ela não tinha intenção de despertar antigas paixões.

Sua vida estava diferente agora. Não se encontrava à deriva, procurando aventuras. Era uma mulher com um propósito, e Joe iria ouvi-la, quisesse ou não.

— Ocupado demais para responder e-mails, não é? — murmurou Demi. — Ele acha que se me ignorar o bastante, eu vou simplesmente desaparecer? Bem, então terá uma boa surpresa.

Ela escovou os dentes, aplicou uma maquiagem leve, e penteou seus longos cabelos lisos castanho-claros, antes de produzir uma única trança grossa e deixá-la cair no meio das costas. Saindo de lado pela porta do banheiro, andou até a cômoda abaixo de uma televisão presa no topo da parede. Pegou um shorts branco, vestiu-o, então enfiou as pontas da blusa amarela dentro do cós. Calçando um par de sandálias, apanhou sua bolsa e checou os conteúdos, a fim de se certificar que o pequeno envelope selado ainda estava lá. Então dirigiu-se para a porta de sua cabine.

Demi abriu a porta, saiu num corredor estreito e colidiu com um garçom de serviço de quarto.

— Desculpe.

— Culpa minha — insistiu o rapaz, levantando a bandeja que carregava o bastante para que Demi pudesse abaixar-se para passar por ele. — Estes corredores velhos simplesmente não foram feitos para a circulação de muitas pessoas. — Olhou de um lado para o outro do curto corredor, então de volta para Demi. — Mesmo com a reforma do navio, há seções que... — Ele parou, como se lembrando que era empregado da Linha Jonas, e não deveria estar depreciando o navio.

— Suponho que sim. — Demi sorriu-lhe. Ele parecia ter cerca de 20 anos, e possuía um brilho de excitação nos olhos. Ela podia apostar que aquele era o primeiro cruzeiro do rapaz. — Então, você gosta de trabalhar nos Cruzeiros Jonas?

Ele abaixou a bandeja até o nível do peito, deu de ombros e disse:

— É meu primeiro dia, mas até agora, sim. Gosto muito. Mas... — Ele parou, olhou para trás no corredor parcamente iluminado, como se querendo se certificar de que ninguém pudesse ouvi-lo.

Demi poderia tê-lo tranquilizado. Havia somente cinco cabines naquela parte baixa do navio, e apenas a sua e mais uma no fim do corredor estavam ocupadas.

— Mas? — incentivou ela.

— É um pouco sinistro aqui embaixo, não acha? Quero dizer, você pode ouvir a água batendo contra o casco do navio, e é tão... escuro.

Ela estivera pensando a mesma coisa apenas momentos atrás, entretanto disse:

— Bem, deve ser melhor do que as cabines da tripulação, certo? Quero dizer, eu costumava trabalhar em navios e ficávamos sempre no deck mais baixo.

— Não nós — replicou ele. — As cabines da tripulação ficam no deck acima deste.

— Fabuloso — murmurou Demi, pensando que até mesmo as pessoas que trabalhavam para Joe conseguiam dormir melhor naquele cruzeiro do que ela.

A porta se abriu, e uma mulher de aproximadamente 40 anos, vestida num roupão, pôs a cabeça para fora e sorriu.

— Oh, graças a Deus ;— disse a loira mais velha. — Ouvi vozes aqui fora e tive medo que o navio fosse assombrado.

— Não, senhora. — O garçom assumiu uma postura de atenção, como se acabasse de se lembrar o que tinha ido fazer lá. Deu a Demi um olhar esperançoso, claramente lhe pedindo que não o entregasse por estar ali conversando. — Eu trouxe café da manhã para dois, como requisitado.

— Ótimo — disse a loira, abrindo mais a porta. — É só que... — Ela parou. — Não tenho ideia aonde você vai colocar a bandeja. Ache um lugar, certo?

Enquanto o garçom desaparecia dentro da cabine, a loira estendeu uma mão para Demi.

— Oi, eu sou Mary Curran. Meu marido, Liam, e eu estamos de férias.

— Demi Lovato — apresentou-se ela, apertando a mão da outra mulher. — Talvez nos encontremos nos decks superiores?

— Você não vai me ver muito aqui embaixo, isso eu garanto — admitiu Mary com um tremor, enquanto apertava mais a faixa de seu roupão azul atoalhado. — Muito assustador, mas o importante é que estamos num cruzeiro. Só temos de dormir aqui, afinal de contas, e pretendo fazer com que o dinheiro gasto nesta viajem valha a pena.

— Engraçado — disse Demi com um sorriso. — Eu estava dizendo a mesma coisa para mim mesma.

Ela deixou Mary com seu café da manhã e se dirigiu para os elevadores que a levariam para fora da escuridão. Agarrou o envelope que mandaria entregar para Joe e se preparou para o dia que enfrentaria. O elevador entrou em movimento, e Demi bateu um dos pés no chão enquanto subia para os níveis mais altos do navio. O que precisava agora era de um pouco de ar, muito café e algo para comer. Então, mais tarde, depois que Joe tivesse lido sua carta, ela estaria pronta. Pronta para encarar a fera. Para enfrentar o leão em sua toca. Para fitar os olhos azuis de Joe e exigir que ele fizesse a coisa certa.

— Ou — Demi jurou quando as portas se abriram e ela saiu na luz do sol, inclinando o rosto para o céu —, eu o farei pagar.

***********

— O sistema de som para o palco no Falco Deck está produzindo alguns ruídos, mas os técnicos garantiram consertar antes da hora do show.

— Ótimo. Joe Jonas recostou-se em sua cadeira de couro marrom, e cruzou as mãos sobre a barriga, enquanto sua assistente, Teresa Hogan, fazia seu relatório do dia. Era somente fim da manhã e, juntos, eles já tinham lidado com meia dúzia de problemas. — Eu não quero grandes problemas.— disse ele. — Sei que este é um cruzeiro de estreia para testar os sistemas mecânicos do navio, portanto promocional, mas não quero que nossos passageiros se sintam como cobaias.

— Eles não se sentirão. O navio está bonito, e você sabe disso — murmurou Teresa com um sorriso confiante. - Temos algumas pequenas falhas, mas nada que não possamos resolver. Se houvesse um problema real, nós nunca teríamos saído do porto ontem à noite.

— Eu sei — disse ele, olhando para as ondas brancas dançando sobre a superfície do oceano. — Apenas se certifique de que estejamos um passo à frente de qualquer uma destas pequenas falhas.

— Eu não faço isso sempre?

— Sim — respondeu Joe, assentindo em aprovação. — Você faz.

Teresa estava beirando os 60 anos, tinha cabelos escuros e curtos, olhos verdes inteligentes e as habilidades organizacionais de um general. Ela não aceitava erros de ninguém, incluindo Joe, e possuía lealdade e tenacidade. Estava com Joe há oito anos... desde que o marido tinha morrido e ela fora procurar um emprego que lhe proporcionasse aventura.

Ela conseguira isso. E também se tornara o braço direito confiável de Joe.

— O chef principal no Paradise Deck está reclamando sobre os novos vikings — Teresa estava dizendo, manuseando os papéis atados à sua prancheta inseparável.

Joe bufou.

— Os fogões mais caros do planeta, e há algo errado com eles?

Ela deu um pequeno sorriso.

— Segundo chef Michele, o forno não é quente o bastante.

Nem um dia inteiro no mar, e ele já estava recebendo críticas de artistas temperamentais.

— Diga-lhe que, contanto que o forno esquente, ele deve fazer o que estou lhe pagando para fazer.

— Isso já foi feito.

Uma das sobrancelhas de Joe se arqueou.

— Então por que está me contando isso?

— Você é o chefe.

— Gentileza sua se lembrar disso ocasionalmente — disse ele e inclinou-se para frente, rolando a cadeira para mais perto da mesa, onde uma pequena montanha de correspondência pessoal esperava por sua atenção.

Ignorando a ironia, Teresa checou seus papéis novamente e falou:

— O capitão diz que a previsão do tempo é excelente, e estamos indo para Cabo a toda velocidade. Deveremos chegar lá amanhã por volta das l0h da manhã.

— Isso é bom. — Joe pegou o primeiro envelope sobre a pilha na sua frente. Preguiçosamente, bateu a ponta deste na mesa enquanto Teresa falava. E enquanto ela listava os problemas, reclamações e mais reclamações, Joe olhou ao redor de seu escritório. Ali no Splendor Deck, apenas um abaixo da ponte, a vista era espetacular. Motivo pelo qual quisera tanto seu escritório quanto sua luxuosa suíte naquele deck. Tinha insistido em muitos vidros. Gostava da grande expansão do mar por toda volta, o que lhe dava uma sensação de liberdade, mesmo enquanto estava trabalhando.

Havia poltronas confortáveis, mesas baixas e um bar totalmente estocado do outro lado da sala. Os poucos quadros pendurados nas paredes azul-escura eram bastante coloridos, e o brilho do piso de madeira sob a luz do sol era apenas levemente diminuído pelos vidros escuros.

Aquela era a viagem de estreia do navio sob o nome Jonas. Joe o comprara de um concorrente que estava saindo dos negócios, e, durante os últimos seis meses, ele o reformara completamente para ser a rainha de sua própria companhia marítima. Jonas's Pride, ele o chamara... que significava "O orgulho de Jonas"... e até agora o navio estava fazendo jus ao nome.

Joe recebera relatórios de seus empregados sobre as reações dos passageiros no momento que eles tinham entrado a bordo no dia anterior em Los Angeles, no porto de San Pedro. Embora a maioria dos hóspedes a bordo fosse jovem e querendo diversão, até mesmo eles haviam ficado impressionados com a decoração luxuosa no navio.

Joe tinha comprado seu primeiro navio dez anos atrás, e rapidamente transformado a Linha Jonas na companhia marítima com os cruzeiros mais divertidos do mundo. Jonas's Pride iria enfatizar esta reputação. Seus passageiros queriam divertimento. Excitação. Uma festa com duração de duas semanas. E ele iria lhes proporcionar isso.

Havia contratado os melhores chefs, as melhores bandas e os melhores shows. Seus funcionários eram jovens e atraentes... o que o fez lembrar-se de uma ex-funcionária em particular. Uma mulher que mexera profundamente com ele até a noite em que Joe descobrira suas mentiras. Nunca mais a vira ou falara com ela desde então, mas era muito mais cuidadoso sobre com quem se envolvia.

— Você está me ouvindo?

Joe reprimiu os pensamentos, levemente irritado por ainda estar pensando em Demi Lovato depois de mais de um ano desde que a vira pela última vez. Ele olhou para Teresa e ofereceu-lhe um sorriso charmoso.

— Suponho que não. Por que não cuidamos do resto dos negócios depois do almoço?

— Claro — disse ela, e consultou seu relógio de pulso. — Tenho uma hora marcada no Verandah Deck. Um dos diretores do cruzeiro está com um problema no aparelho de karaokê.

— Certo. Cuide disso. — Joe voltou sua atenção para a pilha de correspondência sobre sua mesa e suspirou. Era sempre a mesma coisa. Em todos os cruzeiros, ele recebia diversos convites de passageiras, para que jantasse com elas ou as encontrasse para tomar um drinque à luz do luar.

— Oh — murmurou Teresa, estendendo-lhe um envelope azul-claro. — Um dos comissários me entregou isto no meu caminho para cá. — Ela sorriu. — Mais uma moça solitária procurando por companhia? Parece que você ainda é o amante favorito do mundo.

Joe sabia que ela o estava provocando... como sempre... entretanto, desta vez as palavras de Teresa o haviam afetado. Movendo-se desconfortavelmente em sua cadeira, ele pensou sobre aquilo, tentando entender por quê. Não era um monge, Deus sabia. E, ao longo dos anos, tinha aceitado muitos convites de mulheres que não esperavam mais do que um bom divertimento e sexo impessoal.

Mas ultimamente não conseguia se interessar nem pelos convites de uma única noite. Os cartões e cartas estavam sobre sua mesa desde cedo daquela manhã, e ele nem se incomodara em abri-los. Sabia o que encontraria quando começasse a abri-los.

Calcinhas. Chaves de cabines. Fotos sensuais destinadas a tentá-lo.

E nenhum dos itens significava nada para Joe. O que isso dizia sobre ele? Rindo silenciosamente de si mesmo, Joe reconheceu que não queria saber. Talvez estivesse trabalhando muito nos últimos tempos. Talvez o que precisasse era exatamente do que aquelas moças espiavam oferecendo. Olharia os convites, escolheria o mais intrigante, e passaria algumas horas de relaxamento com uma mulher disposta.

Teresa ainda estava lhe estendendo o envelope, e havia uma expressão confusa nos olhos dela. Joe não queria perguntas, portanto pegou o envelope e deslizou o dedo sobre a aba. Deliberadamente dando-lhe um sorriso e uma piscadela, disse:

— Você acha que é fácil ser o sonho de milhões de pessoas?

Agora Teresa bufou, e, meneando a cabeça, murmurou alguma coisa sobre homens iludidos e saiu da sala.

Quando ela se foi, Joe recostou-se e olhou pensativamente para a carta em sua mão. Envelope azul-claro, letra bonita. Pequeno demais para conter uma calcinha de renda. Muito fino para conter diversas fotografias provocantes. O tamanho exato para um cartão chave de uma cabine.

— Bem — murmurou ele suavemente —, vamos ver quem você é. Espero que tenha incluído uma foto sua. Eu não gosto de encontro às cegas.

Rindo, Joe puxou o cartão do envelope e olhou. Havia uma fotografia, certo. A risada morreu instantaneamente enquanto ele olhava para a foto de dois bebês com cabelos pretos e olhos azul-claros.

— Que diabo é isso? — Mesmo enquanto seu cérebro trabalhava freneticamente, e seu coração disparava no peito, ele leu a mensagem abaixo da foto:

— Parabéns, papai. São gêmeos

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           Hey como estão? Aqui vai mais uma história pra vocês. Boa leitura.
           xoxo Nathi

25.4.15

Nosso Amor - Capitulo 9 - Último

O médico que Iria fazer o procedimento chegou ao quarto. Ele cumprimentou Joe com a cabeça, antes de se aproximar de Demi.

Como se sente esta manhã, signora Valsecchi?

Bem, mas ansiosa.

Tenho certeza de que a dra. Santi informou como as coi­sas vão acontecer. O técnico de ultrassom vai trabalhar comigo. Depois que demarcar sua barriga, vou inserir uma agulha fina, que vai passar pelo útero indo até a placenta, onde vou colher algumas amostras de células. Pode sentir algumas cólicas, mas o procedimento não vai durar mais do que 25 minutos. Tem al­guma pergunta?

Não.

O médico estava pronto para começar. Joe estava de pé ali, vendo os preparativos. Nunca gostou da ideia de ela fazer esse teste e preferia deixar a coisa toda de lado, mas Demi esta­va determinada.

Debruçou-se sobre a esposa, que bebeu a quantidade neces­sária de água uma hora antes para estar preparada para a ultrassom.

Se precisar de mim, estarei na recepção.

Eu sei. — Os olhos castanhos aveludados de Demi implo­ravam pela compreensão do marido e pelo porquê de ela estar fazendo aquilo. Mas esse tipo de coragem Joe não admi­rava. Não constituía apenas um risco para o bebê, mas também a colocava em perigo emocional. O pensamento de alguma coi­sa dar errado... Que Deus não permita, perdê-la, era incompre­ensível para ele.

Demi agarrou-lhe o braço como se sentisse o turbilhão inter­no pelo qual seu marido passava.

Vai dar tudo certo.

No fundo de sua alma, Joe tinha que acreditar naquilo. Ele beijou os lábios dela antes de sair da sala.

Um mês atrás, ele teve uma luta interna a respeito da paternida­de da criança, mas ao acabar de deixar sua esposa, percebeu que Demi era a única coisa que importava. E se o bebê não fosse dele? Só queria que o neném e sua esposa ficassem seguros e bem.

Tê-la encontrado o modificou, preencheu cada nível de sua vida. Enquanto a tivesse, poderia lidar com qualquer outra frus­tração ou decepção.

Precisava de algo para fazer e foi ao canto da sala pegar um pouco de café da máquina. Depois de encher o copo, an­dou até o corredor do laboratório e se aproximou da recepcio­nista cinquentona.

Tem algum responsável com quem eu possa falar?

Ela levantou uma das sobrancelhas.

Trabalho aqui há trinta anos.

A resposta dela o teria divertido se não estivesse em um es­tado emocional tão conturbado em relação a Demi e ao bebê.

Minha esposa está fazendo um Chorionic Villi Sampling para determinar a paternidade do filho dela. Quando vim aqui, para colher uma amostra do tecido de minha bochecha, o técni­co disse que o resultado para nós dois sairia em dez dias.

Mas quer saber agora.

Ei, ela trabalhava ali há trinta anos, certo? Joe assentiu com a cabeça.

Se estiver disposto a pagar mais poderá ter o resultado amanhã.

A cabeça dele girou antes de pegar a carteira. Ela riu.

Não para mim. Para o caixa, descendo o corredor. Tudo aqui é feito de forma legal.

Joe respirou fundo. Deveria ter se sentido um tolo, mas não se sentiu.

Qual é o protocolo? Ligo para o laboratório?

Você parece que está morrendo, então vou ligar para você ao meio-dia. Ela pegou um bloquinho através da abertura do vidro.

Joe escreveu o nome dele, o de Demi e o número dos celulares, e devolveu para a recepcionista.

Se não estivesse sentada do outro lado do vidro, daria-lhe um beijo, signora. Grazie — Joe disse com o coração tomado pela emoção antes de encontrar o caixa. Depois de pas­sar o cartão de crédito, voltou para a recepção.

Não diria a Demi o que havia feito, pois poderia trazer-lhe mais ansiedade. A saúde de sua esposa era a única coisa que importava. A dra. Santi disse para dar-lhe três dias para se recu­perar. Poderia haver algum sangramento, o que era normal. Muito repouso e pouco esforço.

Quando tivesse notícias do laboratório, diria a ela, claro. Mas até então, esperaria as próximas 24 horas sem que soubes­se que teriam uma resposta muito mais cedo do que esperavam.

Signore Valsecchi?

Infinitamente aliviado por ouvir seu nome ser chamado, Joe seguiu a enfermeira de volta ao quarto onde Demi estava. Quando entrou, ela estava pronta e vestida, sentada em uma cadeira de rodas, com uma fisionomia ótima para quem havia passado por uma experiência tão desconfortável.

Ele se inclinou para dar-lhe um rápido beijo na boca.

Como se sente?

Estou muito bem. — Grazie a dio. — Você provavelmen­te deve ter ficado louco, esperando.

A pulsação dele disparou sabendo que teria que esconder a verdade dela por um pouco mais de tempo.

Fiquei, mas tudo está bem agora que posso levá-la para casa.

Está pronta — a enfermeira disse, colocando uma folha de instruções na mão de Demi. Se quiser empurrar a cadeira até a saída, espero você na porta enquanto pega seu carro.

Logo Joe a colocou no carro e deixaram o estaciona­mento do hospital. Ele a olhou.

Está com fome? Com sede? Ficarei feliz em parar e com­prar qualquer coisa que queira.

Obrigada, mas vamos direto para casa.

Joe pegou a mão de Demi e a trouxe para perto dele.

É o que eu quero também.

Ela soltou um suspiro emocionado, que ele sentiu atraves­sar-lhe o corpo.

Estou contente que tenha acabado, Joe.

Eu também. Saberemos em breve e então poderemos co­meçar a viver nossas vidas. Já está sentindo algum desconforto?

Não. Estou com um pouco de ardência por causa da agulha, mas em breve vai passar. Sinto-me surpreendentemente normal.

Parece que sim, mas não me engane. Ouviu o que a dra. Santi disse.

Eu sei, vou ter cuidado.

Ambos teremos. Vou alimentar você com uvas, enquanto recita a conjugação dos verbos para mim. Quando formos buscar o Dino na quarta, vai ficar tão impressionado com o progresso que fez que me pedirá para comprar-lhe chocolate bocci balls.

Um desses seria bom.

Joe esfregou os dedos.

Você não está fingindo? Realmente se sente bem?

Sim, o único problema agora são os dez dias de espera. Até lá, Andreas...

Até lá Simonides já poderia ter descoberto sobre o bebê, sim... — interrompeu o assunto tentando não parecer áspero.— Vamos lidar com isso quando chegar a hora... — A voz de Joe oscilou.

Desculpe, Joe. Não tive a intenção de trazê-lo à tona.

Não se desculpe. Se ele for o pai, então será um fato em nossa vida, como Mila. — Se isso fosse verdade, de alguma forma Joe teria que aprender a lidar com a coisa, mas em seu coração ainda esperava...

Quando chegaram a Riomaggiore e estacionaram, Demi tirou o cinto e começou a sair do carro, mas Joe pegou-lhe o braço.

Acabou de fazer uma cirurgia. Deixa que eu ajudo.

Estava entrando em casa. Isso não é esforço.

Aborrecido, ele se levantou do banco e deu a volta até o lado do carona.

Se é ou não, de qualquer forma vou te levar para dentro.

Demi colocou os braços ao redor do pescoço dele.

Você faz muito por mim, me sinto como uma fraude.

Sinta-se da forma que quiser — provocou. — Quero cui­dar de você.

Demi deu-lhe um beijo na bochecha.

Isso é tudo que sempre faz, sou a mulher de mais sorte do mundo. — As lágrimas correram pelos olhos dela devido à ter­nura dele.

Atravessaram a porta da frente. Joe esperava que ela ainda se sentisse da mesma forma depois que soubesse do resul­tado do teste.

Quer ir para cama ou ficar no sofá?

No sofá, mas primeiro preciso ir ao banheiro.

Joe a colocou no chão.

Vou fazer algo para comermos.

Parece perfeito. — Demi deu-lhe outro beijo e foi em direção ao corredor.

Quando fechou a porta, Joe correu para a cozinha. Seus olhos se fixaram no vulcão feito em casa que estava sobre o balcão. Demi ajudou Dino a fazer na quarta. Depois de algu­mas tentativas, ele finalmente explodiu e foi um grande suces­so, seu filho queria fazer outro novamente, na semana seguinte.

Joe tirou a comida da geladeira com mais força que o necessário. No fundo, queria muito que o bebê fosse dele. De­sejava que a família deles estivesse sempre junta, sem o medo da visitação assombrando todo o tempo. Assim que o resultado ficasse pronto, a verdade o encararia de frente e talvez pudesse deixar tudo para lá. Mas, no momento, sentia-se como aquele vulcão, pronto para explodir.

***

Demi acordou na manhã seguinte. Eram quase dez horas. Esta­va tão nervosa na noite anterior que ficou acordada até tarde com Joe, assistindo a alguns filmes antigos até que o cansaço a dominasse.

Para sua surpresa dormiu profundamente, mas, agora que estava acordada, lembrou do procedimento e correu para o ba­nheiro.

Teria gritado de alívio porque não havia nenhum vazamento de líquido amniótico, apenas uma mera mancha de sangue.

Após tomar um rápido banho, penteou o cabelo e colocou batom, querendo ficar bonita para o marido. Depois veio o jeans que Joe ainda não tinha visto. Ela combinou-o com uma camiseta sem manga, em tom café com leite, e uma borda branca que envolvia a cava do braço e a do pescoço.

Quando entrou na cozinha, Joe já havia preparado o café da manhã. O olhar ansioso do homem procurou o dela.

Já está de pé!

Desculpa por dormir demais.

Desculpar você? — falou exasperadamente. — Precisa disso. Mas pelas últimas três horas, tenho que admitir, olhá-la a cada dez minutos, preocupado que não estivesse respi­rando. — A emoção havia escurecido-lhe os olhos deixando-o num tom azul escuro. Desculpe. Desde que a trouxe do hospital, foi como se estivesse em um contínuo estado de agitação, esperando pelo pior. Qual é o veredicto?

Até então, perfeito! — Demi sorriu para tranquilizá-lo. — Joe, mais de doze horas já se passaram. A dra. Santi disse que eram as mais cruciais, porém está tudo bem. Somente um mero rastro de sangue, nada mais. Se fosse abortar, haveria mais sinais.

Sem dor?

Nenhuma. — Demi afastou as mãos da mesma forma que ele fazia, esperando que visse que até os gestos italianos estava aprendendo, mas pela sua expressão Joe deixou passar despercebido.

Você não mentiria para mim. — A voz dele parecia irregular.

Por que faria isso? — Ela deu um passo à frente, sem entender esse novo lado dele. A vulnerabilidade de Joe foi completamente reveladora para ela. Ninguém que o tivesse vis­to assim acreditaria que era o homem confiante, brilhante, o responsável Duque de La Spezia que já estava fazendo mudan­ças radicais na corporação Valsecchi.

Você sabe tudo que tem que saber a meu respeito. Tem que saber disso! Acredite. Se estivesse com cólicas e deprimida, contaria para você, Joe.” Demi conseguia ver que algo mais profundo o estava aborrecendo e que queria falar-lhe a respeito de alguma coisa, então tentou suavizar o clima, espe­rando que Joe conversasse com ela.

Olhe, Joe, se estivesse com algum tipo de dor acha que estaria usando jeans como esse que estou vestindo para você? Lembra como uma vez me desafiou a comprar um par como este quando vim a Itália pela primeira vez?

Demi desfilou para ele, como se estivesse em uma passarela de moda de uma loja de designer.

Olha bem agora porque não vou ser capaz de entrar mais nele por muito tempo, pelo menos até a chegada do bebê.

A mandíbula dele endureceu, mas seus olhos assistiram a cada movimento. Aquilo tinha que significar algo. Agora que o teste tinha sido feito e ela não tinha abortado, Joe estava preocupado sobre o futuro? Teria se arrependido de casar com ela em prol da felicidade da criança? Demi continuou, determi­nada a descobrir o que havia causado aquela repentina mudança de humor em seu marido.

Se não se lembra, eu lembro. Estávamos andando pela trilha em Manarola e na nossa frente havia uma italiana eston­teante com seu namorado. Você me desafiou a comprar um jeans igual ao que estava vestindo. Pelo que sei, ela também de­veria estar usando devido ao bem que lhe fazia às formas.

Essa é uma questão de opinião — Joe murmurou, mas Demi o ouviu. Pelo menos Joe estava ouvindo, o que a encorajou a continuar.

Disse que uma dama não deveria usar tal vestimenta e você falou que um homem nem sempre queria a mulher que amava vestida em trajes de negócios. Talvez não se lembre, mas disse um monte de coisas assim para mim quando nos conhecemos.

Quando disse que gostava do meu peso porque tinha o que pegar, esperei que me pegasse. Queria que fizesse isso e você sabia. Porém apenas me provocou, não me dando o que eu gos­taria e me deixou louca de vontade.”

Aquele nervo no canto da boca de Joe estava pulsando de novo.

Você estava fazendo de mim um brinquedo.

Demi colocou as mãos nos lábios, furiosa por perceber que não conseguia entrar em seus pensamentos. O que estava acontecendo ali?

Eu nunca faria de você um brinquedo, Joe.

Então por que voltou para a Itália? A verdade, agora!

A verdade? — ela falou perplexa com a pergunta. — Sabe por que, Joe. — Foi até ele e colocou a mão em seu braço, forte. Ele se contorceu, mas não o tirou. Demi sabia que tinha que convencer seu marido sobre a sinceridade de seus sentimentos. Por tanto tempo evitou falar a respeito de como se sen­tia, mas agora com o teste por trás deles e o futuro à frente, de repente achou que deveria liberar. Joe, na noite em que fui para cama com você sabia que me apaixonaria completamente e irrevogavelmente por um homem, pela primeira vez em minha vida. Aquele homem era você! Estava certo sobre os sonhos, Joe. Estava certo so­bre tudo! Um dia sonhei em me casar com Andreas, mas foi tudo um sonho tolo, uma fantasia.

Quando olho para trás, vejo que naquele relacionamento faltava fogo, embora parecêssemos o casal perfeito. Todo mun­do achava. Mas nunca fomos verdadeiramente amantes e nunca sentimos isso em nosso coração. Andreas só fez amor comigo duas vezes.”

Não acredito em você. — A resposta dele pareceu quase primitiva.

Acredite, as duas vezes foram decepcionantes.

Seu marido parecia ter ficado pálido pela revelação.

Então te conheci, Joe Jonas. O mais arrogante, lindo e impossível italiano na face da terra com seu carro incomum e a atitude que mandava tudo para o inferno. Si, signore. Ela balançou a cabeça porque ele não estava emitindo ne­nhum som.

Você foi mal assim, até pior. Éramos tudo exceto o casal perfeito. Faltava combinação em todos os sentidos e formas. Porém naquela primeira noite, senti que havia conhecido o amante com o qual queria passar o resto da vida. Em todos os dias, depois disso, me senti mais e mais apaixonada, apesar de nunca ter dito que estava apaixonado por mim.”

Demi deu uma respirada fortificante.

Não quis te deixar quando chegou a hora de voltar para casa, Joe. Esqueci completamente de Andreas. Fiquei na Itália três dias a mais do que deveria porque não podia suportar a partida. Sabia que tinha que contar para Andreas sobre você. Não havia jeito de voltar para ele. Meu coração estava com você, querido, e Andreas tinha que ser avisado.

Mas ele já tinha se apaixonado por Gabi. Assim, nunca tive a chance de contar a ele sobre nós. Estava com pressa quando foi à minha casa. Cheio de sentimentos por ela, só ele falou. Foi uma revelação ouvi-lo abrir o coração. Pela primeira vez, estava de fato se comunicando comigo e tudo que disse pude relacionar com o amor que tinha acontecido em minha vida também.”

Joe ainda se recusava a falar, mas Demi, invadida por uma coragem que não sabia que tinha, continuou. Sabia que era tudo ou nada. Joe tinha que conhecer seus verdadeiros sentimentos, não poderia perdê-lo agora, depois de tudo que tinham passado juntos.

Desisti do meu emprego no jornal e fiz planos de voltar para você, Joe, mas comecei a me sentir enjoada e a náu­sea foi suficientemente ruim para me manter em Atenas e me levar ao médico. Agora sabe o resto da história.

Então aqui estamos, meu amor, juntos e casados com bebê a caminho. No início tive medo de que Andreas fosse pai, mas não posso me preocupar com isso mais. Ele escolheu seu caminho e eu escolhi o meu. É tudo parte do passado agora. Minha vida é com você, Dino e o bebê. Vamos lidar com o que quer que aconteça. Tudo o que sei é que não poderia viver sem você no momento.”

Um silêncio pairou ao redor deles ao passo que Demi esperava pela resposta de Joe. Ele estava olhando para o chão e, por um terrível instante, Demi acreditou que o casamento pudesse estar no fim.

Será que era demais para Joe lidar com tudo isso? O silêncio foi interrompido pelo telefone. Ambos ficaram surpresos com a intrusão que encerrou seu isolamento.

Joe pegou o aparelho do balcão e seus olhos se fixaram na boca de Demi.

Prego? Buongiorno. Sì. Momento. — Joe entregou o telefone a ela. — É a dra. Santi ligando para saber como você está.

Oh. — Ela colocou o telefone no ouvido. — Buongiorno, dra. Santi.

Como vai?

Ótima. Só com um pequeno sangramento. Nada demais. Sem cólicas.

Ah... Era o que estava esperando ouvir. Está pronta para mais notícias boas?

O coração dela começou a bater mais rápido.

Sim, claro.

Ontem, enquanto estava fazendo o procedimento, seu ma­rido teve uma conversa com a chefe do laboratório. Ele pergun­tou se poderiam apressar os relatórios preliminares. Tenho o resultado em minhas mãos. Ambos os médicos que visitou fo­ram sábios em não lhe dizer nada em definitivo no início. O bebê é de seu marido.

Demi achou que ia ter um colapso de alegria. Seu coração parecia ter criado asas e estar voando.

Oh, dra. Santi. — Lágrimas brotaram de seus olhos.

O que há de errado? — Joe perguntou em agonia.

Vejo você em três semanas na próxima consulta.

Joe deu a volta pelo balcão rapidamente e a pegou nos braços.

Diga-me qual o problema, innamorata.

Demi segurou-lhe a face entre as mãos.

Não é uma coisa única, qualquer. Joe, você é o pai do nosso bebê. Foi você que me engravidou. Este é o nosso bebê, seu e meu.

Demi... — Ele cobriu-lhe o rosto de beijos, incapaz de parar. — Nosso bebê?

Sim, mia amore. Ti amo. Se não disse isso da forma certa, não ligo. Te amo, Joe. Naquela noite que fizemos amor criamos uma família. Nossa família. Oh, querido...

Ele começou a beijá-la e não conseguia parar. Demi não queria que o fizesse. Antes que percebesse já estavam na cama no quarto de Joe, entrelaçados enquanto extravasavam o amor que sentiam. Ele não a levava ali desde a noite em que o bebê foi concebido. A partir de agora, era o lugar onde pretendia dormir. Nos braços de Joe.

Sei que preciso ir devagar — ele sussurrou com uma respiração acelerada. — A médica disse três dias. Temos outros dois pela frente antes de termos certeza de que seja seguro. Como vou conseguir esperar? Você vai ter que me ajudar. — Joe a beijou por muito tempo e intensamente. — Agape mou.

O corpo de Demi ganhou vida.

Acabou de dizer que me ama em grego!

Eu nunca disse a outra mulher que a amava, mas quis di­zer a você naquela primeira noite. Queria que me ouvisse falar em sua própria língua, antes de tudo. Não acha que é hora de eu aprender grego? Queremos que nosso filho ou filha tenha a mesma fluência nas duas línguas, não é?

Sim — ela disse suavemente, cobrindo o rosto do marido com beijos. — Vou ensinar a você e Dino, ao mesmo tempo. Vamos ter a vida mais maravilhosa do mundo! — As emoções dela explodiram e se despedaçou em soluços de alegria. — Eu te amo, Joe. Amo nosso bebê. Amo Dino. Nenhuma mulher na face da terra poderia ser tão feliz como eu, nesse momento.

Nenhum homem — ele disse com os lábios encostados no dela — hoje sente-se como se fosse o primeiro dia da vida dele. Nossas vidas. — Joe ficou sério por um instante, enquan­to a olhava profundamente nos olhos. — Demi, desculpe por estar tão distante antes. O pensamento de alguma coisa aconte­cer com você ou com o bebê me encheu de medo. Ambos se tornaram a coisa mais importante da minha vida e perder você... Não acho que conseguiria suportar. Também temia que o filho fosse de Andreas, então pensei que o turbilhão causado por re­gras de visitação pudesse destruir você. Senti-me desamparado, pela primeira vez na vida. — Joe a beijou e então o beijo cresceu e se transformou em algo mais profundo e intenso, rou­bando a respiração de ambos.

É por isso que não podemos ficar mais nessa cama. Não confio em mim mesmo a ponto de resistir e não fazer amor com você.

Não quero fazer nada que possa machucar nosso bebê, também, então vou levantar e vamos para a cozinha saborear o fabuloso café da manhã que preparou para celebrar este dia incrível.

E enquanto fazemos isso...,” ele mordiscou-lhe a ponta da orelha, “você liga para a pessoa que precisa saber da notícia. Então vamos relaxar por aqui o dia todo, à medida que alimento você com chocolate bocci balls e pensamos nos nomes.

Parece uma ideia maravilhosa. — Demi beijou-lhe a for­te mandíbula. — E podemos começar a planejar o quarto do neném.

Eu falei que papa insistiu para que fôssemos morar no palazzo com ele e Silviana? Eu concordei naquele momento a fim de apaziguá-lo, mas não tenho intenção de fazê-lo.

Demi mudou de posição para poder olhar o marido.

Por que não?

Ele acompanhou a linha da boca de Demi com os dedos.

Sabe por quê, bellissima. Somos ambos espíritos livres, quero que nosso filho também seja e estou fazendo tudo que posso para que Dino se torne um.

Mas isso doeria tanto, por um tempo? Mantemos o apar­tamento e ficamos indo e vindo. Seu pai pode não ter mais mui­to tempo de vida. Não acha que fez essa exigência porque, no fundo, estava com medo de você nunca ir por vontade própria?

Demi beijou-lhe a boca.

Acho que foi o jeito que encontrou de tentar retomar os anos que ficaram afastados. Dino gosta de lá. Seria tão impossí­vel para você? Sei que ama seu pai.

Joe segurou-lhe os cabelos. A emoção fez com que seus olhos passassem para um azul profundo.

O que eu fiz para merecer você?

Fiz a mim a mesma pergunta em relação a você, desde o dia em que me levou para fazer aquele piquenique. Embaixo da torre, você me cobriu de pétalas de flores, como um guerreiro faria com a dama, séculos atrás. Senti-me encantada. Você ha­via me enfeitiçado. Agora que estou esperando seu bebê, nada mais pode me assustar. Não ligo onde vamos morar, mas que seja com você.

Demi. — Joe a puxou para si mais uma vez. Relutan­te, levantou e ergueu a esposa. De braços dados saíram do quar­to e foram para a cozinha. Joe entregou-lhe o telefone.

Tremendo de entusiasmo, Demi ligou para a amiga. Era sába­do de manhã. Deline poderia estar em Atenas ou em Milos.

Atende, Deline.

Depois de seis toques:

Demi?

Ela colocou no viva-voz para Joe ouvir.

Sim! Onde você está?

No barco, com Leon e os gêmeos.

Ótimo. Tenho uma notícia que os dois vão querer ouvir. — O olhar de Demi estava fundido com o do marido. Os olhos dele estavam intensamente brilhantes. — Joe é o pai do meu filho!

A amiga gritou tão alto de felicidade que doeu nos tímpanos de Demi. Ela já estava anunciando a notícia para Leon. Demi mal conseguia falar, tomada de emoção.

Estamos esperando um pequeno Valsecchi em seis meses e meio. Você tem que vir para La Spezia para o batizado. Vai ficar no palazzo conosco, claro. Amo você. Ciao, por enquanto.

Demi desligou e puxou Joe para ela.

Eu te amo. Te amo tanto que vai ficar enjoado de me ouvir dizer isso.

Vou ficar enjoado se não disser. Dê-me o telefone. Tem uma ligação que gostaria de fazer.

Demi estava tremendo muito, tinha que se encostar em seu marido enquanto ele discava os números. Joe colocou no viva-voz e de repente ouviu sua mãe atender. Joe pediu para que chamasse o pai de Demi, também, que se juntou a eles em segundos.

Estávamos pensando em quando ouviríamos a voz de vo­cês dois.

Joe sorriu para a esposa.

Como sabem, a filha brilhante de vocês está me ajudando a colocar a empresa de volta nos trilhos, mas tiramos três dias de folga para comemorar e queríamos que compartilhassem co­nosco, uma vez que vão ser avós em seis meses e meio.

Você está grávida? Nossa garotinha está grávida! — A mãe dela quase gritou de felicidade.

Isso é maravilhoso! — Seu pai parecia chocado.

Demi vai ligar para vocês mais tarde e dar mais detalhes. Agora, temos que informar meu pai e sua esposa.

Outro pequeno duque, talvez?

Ou duqueza — Demi brincou, sabendo bem como Joe se sentia sobre isso, mas nunca o magoaria mimar os pais, num momento de deleite. — Mas não ouse publicar nada ainda!

Seu pai deu uma risada antes de desligar. Após Joe encerrar a ligação, ela o beijou vorazmente mais uma vez.

Você vai ser o mais maravilhoso dos pais. Quer menino ou menina? Percebeu que em todo esse tempo não conversamos sobre isso?

Ele enterrou a face no cabelo da esposa.

Tanto faz.

Para mim também.

Dê-me sua boca, Demi. É vida para mim,

Antes vamos ligar para seu pai. Quero contar para ele. Es­tamos ficando amigos.

Eu sei. Ele é secretamente louco por você, mas eu tam­bém sou. Estou desesperadamente apaixonado, squisita.

***

Seis meses e meio depois

A cabeça está saindo, Demi. Seu bebê está chegando. Em­purra mais uma vez. Você consegue.

Vamos, cara — Joe a preparou.

Outro empurrão e ela ouviu um som borbulhante seguido de um choro de criança. Ela assistiu à dra. Santi segurar o bebê e depois colocá-lo em sua barriga.

Temos uma doce menininha aqui. Ela tem pulmões per­feitos. Vá em frente e corte o cordão, Joe.

Seu marido de máscara e com a veste do hospital mostrou ter nervos de aço ao fazer as honras, mas ela sabia lá no fundo que ele estava apavorado por alguma coisa dar errado.

No minuto seguinte o pediatra a pegou para examinar. De­pois de limpá-la, enrolou-a num cobertor para que Demi a segu­rasse. O médico olhou para Joe.

Ela tem os olhos do papa. Já estão ficando azuis.

Demi deu um sorriso secreto para o marido. Ninguém tinha ideia do que essas palavras significavam para Joe. Ele re­almente era o papa.

Tudo está perfeito, signora Valsecchi. Tem três quilos e seiscentos gramas e cinquenta centímetros.

Oh, querido, não acredito que está aqui! Nosso bebê, fi­nalmente. — As lágrimas deslizaram pelo seu rosto. Quando olhou de novo para cima, em direção a Joe, seu rosto tam­bém estava molhado.

Ela é perfeita — ele sussurrou absolutamente maravilhado.

Tem o perfil dos Valsecchi, como Dino.

É linda como a mãe.

Não parece possível que estejamos segurando nosso bebê. — Demi não conseguia acreditar o quanto a neném era delicada. Tinha dedos minúsculos e unhas. Mas Demi via ou­tras partes que pertenciam ao seu atraente pai, o formato da boca e da cabeça.

Joe soltou o mais alegre e desinibido de todos os risos de felicidade, um pai aliviado que não tinha mais com o que se preocupar. O teste não tinha machucado a criança de nenhuma forma. A última coisa que assombrava seu casamento acabara de ser dispersada.

Guilio colocou a cabeça na porta do quarto, olhando com um sorriso.

As pessoas já podem entrar? Dino não consegue esperar mais.

Claro — Demi disse a ele, mas Joe pediu a seu pai que esperasse do lado de fora por mais alguns minutos. Ainda estava examinando sua filha com um cuidado infinito.

Não pode pedir para que ele espere para sempre, querido.

Tem uma multidão do lado de fora, Demi — ele resmun­gou. — Não acho que seja uma boa ideia deixar todos entrarem ainda.

Mas querem ver nosso bebê.

Eu também — disse de forma meio áspera. Vou permitir que entrem quando achar que você e Alessandra estejam pron­tas, não antes disso...

Ela nunca o tinha visto assim. Outro aspecto para Demi amar. Joe tirou a máscara.

Você está bem? Após o que passou, não sei como pode estar tão calma e tão bonita. — Esfregou seus lábios nos dela.

Demi adorava seu marido espetacular e o beijou mais meticu­losamente do que Joe esperava.

Não sou uma inválida frágil — sussurrou.

A dra. Santi me deixou de mau humor. Disse para esperar­mos seis semanas.

Mas me sinto tão bem que não vejo por que esperar tanto tempo. Você vê? — O beijo voraz que Demi deu no marido pa­recia ter ativado o encanto. Era um de seus segredos de esposa que sempre funcionava, porque conseguia colocar um brilho nos olhos de Joe. Por um tempo teve medo de que desa­parecesse por um longo período.

Veremos — ele brincou. Então enfaticamente disse: — Eu te amo. Você sabe disso. Se algo tivesse acontecido a você...

Mas não aconteceu. Lembre de que te amo. E deixe Dino entrar. Ele está esperando com seu pai. Não quero nunca que se sinta excluído.

Nem eu. — Joe andou até a porta.

Um de cada vez, Dino primeiro.

Segurando a mão do pai, foi cuidadosamente até a cama. Demi esticou o braço.

Estou muito contente por estar aqui, Dino. Senti sauda­des. Sente-se na cadeira e seu pai vai deixá-lo segurar sua irmãzinha recém-nascida.

Assim que Joe pegou aquele precioso embrulho, o co­locou no colo do menino. Dino analisou o rosto do bebê e o segurou por muito tempo.

O que acha? — seu pai perguntou.

Ela não tem cabelo.

Demi riu.

Terá. Minha mãe me disse que eu era careca quando nas­ci. Olhe para mim agora.

Isso trouxe um sorriso para o rosto do garoto.

Papa diz que ele ama seu cabelo.

Isso é verdade, esposo mio?

Pela primeira vez desde que o conheceu, percebeu que, de fato, corou.

Em quanto tempo a Alessandra vai poder falar?

Demi teve que pensar.

Talvez um ano.

Nove meses! — Joe disse com uma voz de auto­ridade.

Demi lançou um sorriso arteiro para o marido.

Você sabe de algo que eu não saiba?

Ela é uma Valsecchi e já é bem adiantada para a idade dela.

Eu era adiantado, papa?

Naturalmente. — Ouviu-se o som de outra voz. Guilio e Silviana entraram no quarto. Os olhos do velho homem se umedeceram quando se inclinou sobre a mais recente chegada ao clã Valsecchi. Ele levantou a cabeça olhando para um e depois o outro e disse:

Vocês dois fazem um bom trabalho, tanto dentro quanto fora do escritório.

Esse foi um elogio que Demi sempre iria guardar no coração. Guilio deu um tapinha no ombro de Joe. Com aquele quarto lindo, todo decorado no palazzo, os dois têm um longo caminho a seguir.

Para um homem que nunca fazia piadas, isso já era muito bom, papa.

Quer segurá-la, vô?

Não, não. Você está fazendo um bom trabalho.

Querido? — Demi sussurrou para o marido. — Estou ou­vindo a voz da minha mãe do lado de fora. Fiquei com medo de o voo deles nunca conseguir chegar. Peça para que entrem.

Os próximos minutos foram de ofuscar quando os pais de Demi entraram no quarto com presentes e abraços. Ambos esta­vam radiantes. Adoraram Joe e Dino. Agora estavam prontos para despejar seu amor em sua única neta.

Alessandra rodou por muitos braços, o que preocupou Joe novamente, mas ela o implorou para que deixasse seus tios e tias ter sua vez. Logo, o lugar inteiro parecia uma festa, até a enfermeira entrar e escoltar todos para fora.

Demi tinha que admitir que estava exausta. Apertou a mão de Dino e pediu que voltasse mais tarde. Na próxima vez que acor­dou, a enfermeira chegou com sua filha para ajudá-la com a amamentação. Então Demi caiu no sono novamente.

Dessa vez, quando abriu os olhos, estava cercada por pelo menos uma dúzia de buquês posicionados nas bancadas e nos carrinhos. Assim que começou a imaginar onde seu marido po­deria estar, Joe entrou no quarto com um vaso de três dú­zias de rosas vermelhas de hastes longas. Ela soltou um grito.

Elas são gloriosas!

Assim como você. — Joe as colocou na mesa do canto.

Joe...

Rápido, antes que nosso bebê volte. — Ele a beijou por um longo tempo de forma apaixonada. Quando finalmente le­vantou a cabeça disse: — Estava precisando disso.

Eu também. Esteve com nossa filha?

Passei parte do tempo no berçário e pude dar um banho nela. Dino assistiu pelo vidro. Depois o levei para comer na cafeteria.

Ótimo. O que ele acha de tudo isso?

Diz que vai falar com a mãe para ele vir para cá mais ve­zes, porque você vai precisar de ajuda com o bebê. Ele te ama, tesoro.

O sentimento é mútuo.

Dino vai ficar com meu pai e Silviana essa noite, para que eu possa ficar aqui com você. Se for liberada amanhã vamos para casa juntos.

Estou muito feliz. — Demi olhou ao redor. — Não acredi­to em todas essas flores. Uma tamanha efusão. Mesmo por par­te do Fabbio.

Você fez muitos amigos e o ganhou também, desde que se tornou a copresidente. Mais tarde vou te dar os cartões para ler, mas tem um que está selado dirigido a você em um dos buquês. Gostaria de ler agora?

Obviamente era importante para seu marido que lesse. Mes­mo cansada, disse que sim.

Joe entregou o envelope. Do lado de fora, havia um cartão florido onde se lia: Parabéns! De Andreas e Gabi. Ela partiu o lacre e abriu. Andreas tinha escrito uma mensagem.


Querida Demi,

Quando Leon me contou que tinha se casado com o homem de seus sonhos e estava esperando um filho, per­cebi que a mesma coisa havia acontecido comigo. O des­tino tinha algo maravilhoso armazenado para ambos, que nenhum dos dois pôde prever quando começamos nossa caminhada juntos. Caso se sinta como eu, deixemos de lado qualquer resíduo de culpa por algum tipo de mágoa que possamos ter causado um ao outro.

Gabi e eu estamos esperando um filho para daqui a três meses. Minha alegria vai além das palavras. O que me faz muito feliz é saber que a sua também. Estou ansio­so para conhecer Joe. Ele tem que ser alguém ex­cepcional para ter conquistado seu coração e sua alma. Nos próximos anos, nossos caminhos vão se cruzar com frequência. É algo que vou esperar muito que aconteça.

Andreas.


Sem palavras, Demi entregou o cartão para que seu marido lesse. Ela o assistiu derramar lágrimas algumas vezes. Após al­guns minutos o ouviu dizer:

Não é à toa que ele é chamado de o grande Simonides, não é?

Demi olhou para o homem que adorava.

Eu te amo, Joe. — Chorou com emoção. — Venha aqui.

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                   Aqui está o último capítulo pra vocês. Espero que tenham gostado, a próxima história é um amorzinho.
                      xoxo Nathi