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7.5.15

Laços de Amor - Capitulo 10 - Último

— Aqui? — repetiu Maxie. — Como assim, ele está aqui? Aqui em Seal Beach?

Demi olhou por sobre o ombro para a porta fechada de sua casa. Tinha visto Maxie estacionando na frente e praticamente corrido para o lado de fora, a fim de encontrá-la.

Aqui. Dentro da minha casa. Com os meninos.

Por três dias ela conseguira evitar Maxie, enrolando-a com telefonemas, alegando estar muito ocupada. Mas Demi soubera que, mais cedo ou mais tarde, sua irmã mais velha apareceria em sua casa.

— Você está louca? — perguntou Maxie. Os grandes olhos azuis se arregalaram, e os cabelos castanhos curtos pareciam, de alguma maneira, quase espetados, como se também protestassem contra a situação. — O que você está pensando, Demi? Por que o convidou para vir aqui?

— Eu não o convidei — defendeu-se Demi, então deu de ombros. — Ele... veio.

Maxie parou, estreitou os olhos em Demi e indagou:

— Você está dormindo com ele? Desapontamento e desejo se misturaram numa emoção que comprimiu o peito de Demi. Não, não estava dormindo com Joe, mas sonhava com ele todas as noites, experimentando imagens mentais eróticas como nunca conhecera. Acordava todas as manhãs com o corpo doendo e a alma vazia.

Mas supunha que sua irmã mais velha não queria ouvir isso também, então ela apenas respondeu a pergunta:

— Não, santa Maxie, defensora da moral humana — zombou Demi —, eu não estou dormindo com ele. Joe passou as últimas duas noites no sofá e...

As últimas duas noites?

Demi suspirou, então olhou para cima e acenou para sua vizinha, que tinha parado de cuidar de suas rosas a fim de olhar para Maxie com surpresa.

— Bom dia, Sra. Logan.

A mulher mais velha a cumprimentou com um gesto de cabeça e voltou para sua jardinagem. Demi olhou para os dois lados da rua estreita, preenchidas com bangalôs dos anos quarenta. Árvores alinhavam a rua, lançando grandes sombras sobre gramados bem-cuidados. Do fim da rua, vinha o som de um jogo de basquete, de um cão latindo maniacamente, e o ruído abafado das rodinhas de skates no asfalto. Apenas mais um dia de verão. E Demi perguntou-se quantos de seus vizinhos estariam apreciando a pequena cena de Maxie. Dando um olhar significativo para sua irmã, Demi arqueou as sobrancelhas e esperou.

Maxie entendeu a dica e baixou o tom de voz.

— Desculpe, desculpe. Mas não posso acreditar que Joe Jonas está aqui há duas noites e você não me contou.

Demi deu um sorriso irônico.

— Nem eu. Eu só mantive segredo porque pensei que talvez você não entendesse, mas claramente eu estava errada.

— Muito engraçado.

Demi suspirou e enganchou o braço no da irmã. Não importava o que estava acontecendo em sua vida, Maxie e ela formavam um time. Elas tinham apenas uma à outra nos últimos cinco anos, depois que os pais haviam morrido num acidente de carro. E não ia perder sua única irmã numa discussão sobre um homem que nem mesmo a queria.

— Max — murmurou ela, tentando manter a voz calma e nivelada, apesar do redemoinho de emoções que sentia por dentro. — Ele está aqui para conhecer os meninos. Filhos dele, lembra? Nós não estamos juntos desta maneira, e acredite quando digo que estou sendo cuidadosa.

Maxie não pareceu convencida, ela não era exatamente uma alma confiante no que dizia respeito aos homens. Não que Demi pudesse culpá-la por alguma coisa... não depois que sua irmã tinha sido dispensada sem cerimônia pelo imbecil do Darius Stone.

— Esta é uma má ideia — disse Maxie, como se ainda não tivesse deixado aquilo perfeitamente claro.

— Ele não vai ficar aqui muito tempo.

— O tipo dele não precisa de muito tempo.

— Maxie...

— Tem certeza de que ele não vai ficar?

— Por que ficaria?

— Posso pensar em pelo menos três razões — retorquiu Maxie. — Jacob, Cooper e oh, sim, você. Então eu pergunto novamente: — Tem certeza que ele não vai ficar por muito tempo?

Hmm. Não, Demi não tinha, certeza. Na verdade, pensara que já tendo Joe sua experiência com os bebês estaria ansioso para retornar à sua vida: Mas até agora não tinha mostrado nenhum sinal de que partiria.

Eram somente os meninos que o prendiam lá?

Ou ele sentia alguma coisa por ela, também?

Oh, Deus, ela não podia se permitir pensar daquela maneira... o que apenas dificultaria tudo no momento que ele realmente partisse.

— Demi — Joe a chamou da varanda da frente, então parou quando viu Maxie, e acrescentou: — Oh, desculpem.

Não havia como evitar aquilo, pensou Demi com tristeza, já lamentando colocar sua irmã e seu ex-amante juntos no mesmo cômodo. Mas forçou um sorriso, de qualquer forma.

— Sem problemas, Joe. Esta é minha irmã, Maxie. Quando nenhum dos dois falou, Demi cutucou Max com o cotovelo.

— Tudo bem, tudo bem — murmurou Max, então aumentou o tom de voz e disse com raiva: — Prazer em conhecê-lo.

— Sim, igualmente.

— Bem, isto não é especial? — disse Demi e imaginou se poderia congelar com o ar frio entre aqueles dois. — Vamos entrar, Max — convidou, querendo que sua irmã visse que não tinha com o que se preocupar. Que Joe não estava interessado nela, e Demi não estava se consumindo de desejo por ele. Certamente Demi era uma atriz boa o bastante para fingir isso. — Ver os meninos. Tomar um café.

Ainda olhando para Joe, Maxie meneou a cabeça.

— Eu não sei...

— Eu comprei rosquinhas mais cedo — ofereceu Joe.

— Ele está tentando me subornar? — sussurrou Maxie. Demi riu.

— Pelo amor de Deus, Max, seja gentil. — Mas quando seguiu sua irmã para dentro da, casa, Demi pensou que aquela devia ser a mesma sensação de estar atrás de linhas inimigas sem nada além de um canivete.

Joe sabia que já deveria ter ido embora.

Então não teria tido de lidar com á irmã de Demi. Todavia, ela finalmente se recuperara o bastante para que não desse a impressão de querer matá-lo com a colher que usara para mexer o café.

Mas a questão era que, com acesso a um avião particular, ele poderia pegar o navio em Fort Lauderdale a tempo para apreciar metade do cruzeiro para a Itália. Então não teria de bancar o gentil com a irmã de Demi... que claramente o odiava. E não ficaria atormentado pelo desejo que sentia o tempo inteiro perto de Demi.

As últimas duas noites que dormira no sofá tinham sido as mais longas de sua vida. Permanecera acordado até tarde da noite, imaginando-se seguindo o curto corredor para o quarto dela, entrando na cama e enterrando-se dentro de Demi. Acordava tão excitado pela manhã como se fosse explodir de desejo e frustração. E vê-la logo cedo, cheirando a essência floral de seu xampu, ouvi-la suspirar com o primeiro gole de café era outro tipo de tortura.

Ela estava lá. Mas não era sua.

Agora Demi havia saído para ir ao correio enviar uma de suas cestas de presente, e ele estava sozinho com os filhos.

Joe foi ao quarto dos bebês para encontrá-los ainda acordados, olhando fixamente para os mobiles pendurados sobre os berços. O do berço de Jake era feito de animais coloridos, agora dançando com a brisa suave entrando pela janela parcialmente aberta. E o de Cooper era de estrelas brilhantes e luas crescentes sorridentes.

Ele olhou de um garotinho para o outro, notando suas similaridades e> suas diferenças. Ambos possuíam cabelos escuros e macios, assim como uma covinha na face esquerda... exatamente como a de Joe. Os dois tinham olhos azuis, embora os de Cooper fossem um pouco mais escuros do que os do irmão.

E ambos tinham minúsculos pulsos que envolviam o coração de Joe.

— Como eu posso deixar vocês? — perguntou ele baixinho. — Como posso voltar para minha vida sem saber como vocês estão passando? Sem saber se ganharam um dentinho ou se começaram a engatinhar. Como posso não estar aqui quando vocês começarem a andar? Ou quando caírem pela primeira vez?

Raios suaves de sol se infiltravam pelas persianas e lançavam padrões no chão polido de madeira como barras de ouro. Do lado de fora, em algum lugar daquela rua aconchegante, um cortador de grama foi ligado e Jake saltou, como se tivesse sido golpeado.

Instantaneamente, Joe se moveu para o berço, inclinou-se e pôs uma mão contra o peitinho de seu filho. Sentiu as batidas rápidas do coração sob sua palma, e um amor tão profundo, tão puro, tão envolvente o preencheu a ponto de roubar-lhe o fôlego.

Não tinha esperado isso. Não esperara se apaixonar perdidamente pelos filhos, de cuja existência não sabia duas semanas atrás. Não imaginara que gostaria de acordar com os primeiros raios de sol, de modo que pudesse ver aqueles olhinhos ansiosos para explorar a manhã. Não havia pensado que estar ali, com os meninos, com a mãe deles, lhe traria uma sensação de que aquilo era tão... certo.

Agora que sabia a verdade a questão era: o que faria em relação a isso?

Atravessando o quarto em direção a Cooper, abaixou-se, pegou seu filho nos braços e aninhou-o contra o peito. O peso quente e flexível, e a expressão pensativa do bebê fizeram Joe sorrir. Ele passou a ponta de um dedo ao longo do rosto de Cooper, e o menino virou a face, respondendo ao toque agora familiar. O coração de Joe se contorceu dolorosamente no peito, enquanto fitava aqueles olhos azuis solenes tão iguais aos seus.

— Eu prometo que sempre estarei aqui quando você precisar de mim. — Sua voz mal passava de um sussurro, mas Cooper parecia quase entender, enquanto dava ao pai um de seus raros sorrisos. Joe engoliu em seco, andou até onde Jacob estava deitado no berço, observando-o, e murmurou: — Eu amo vocês dois, meus filhos. E vou descobrir uma maneira de fazer isso dar certo.

Quando Jake chutou as perninhas no ar e balançou os braços, foi quase uma celebração. Pelo menos, foi isso que Joe disse a si mesmo.

************
Naquela noite, Demi vestiu sua camisola e deu uma última olhada nos gêmeos antes de ir para cama, como era seu hábito. Só que desta vez, quando entrou no quarto iluminado por um único abajur de coelhinho, encontrou Joe lá.

Ele não estava de camisa. Usando somente uma calça jeans baixa nos quadris e justa nas pernas, se virou quando ela entrou no quarto, e Demi sentiu o poder do olhar de Joe golpeá-la. Na luz parca, até mesmo os olhos claros dele estavam sombreados, escuros, mas ela não precisava ver aqueles olhos para sentir o seu poder. Sua pele começou a formigar, seu sangue esquentar, mas Demi obrigou-se a colocar um pé na frente do outro, passar por Joe e ir primeiro até o berço de Cooper, então ao de Jacob, acariciar os cabelinhos de cada filho, pousando uma mão gentil em suas barrigas enquanto eles dormiam.

E durante todo o processo, sentiu o olhar de Joe sobre si da mesma forma que teria sentido um toque. Sua respiração se acelerou e um frio na barriga lhe causou uma leve tontura. O que ele estava fazendo lá? Por que a observava daquela maneira intensa? No que estaria pensando?

As mãos de Demi tremiam quando ela se virou para sair do quarto com passos silenciosos. Chegou até o corredor quando a mão de Joe se fechou sobre seu braço.

— Espere. — A voz era baixa e exigente.

Ela o olhou, e ali no escuro, onde a luz fraca do abajur de coelhinho não podia alcançar, Joe não passava de uma figura alta e imponente, aproximando-se devagar.

— Joe... — Ele podia ouvir as batidas frenéticas de seu coração? Podia sentir o fogo que havia em seu interior? Podia sentir o calor saindo em ondas de seu corpo? — O que você está fazendo?

Que Deus a ajudasse, ela sabia o que ele estava fazendo. E mais, estava feliz por isso. Apenas o fato de estar parada ali com ele no escuro a preenchia de uma sensação de expectativa que a deixava ofegante.

— Não fale — sussurrou Joe, aproximando-se ainda mais, até que os corpos deles estivessem unidos, até que ele lhe inclinasse as costas contra a parede. — Não pense — acrescentou, erguendo ambas as mãos e cobrindo-lhe os seios.

Demi inalou profundamente e inclinou a cabeça para trás, contra a parede. Apesar do tecido fino de algodão de sua camisola, ela sentiu a onda de excitação a envolvendo. As mãos fortes estavam quentes. Os polegares faziam movimentos sensuais, de modo que o tecido roçava a pele sensível de seus mamilos num tipo de doce agonia.

— Sim, Joe — sussurrou ela, lambendo os lábios secos e ofegando como se tivesse acabado de correr uma maratona. — Sem pensar. Apenas sentir. Eu quero...

— Eu também — disse ele, interrompendo-a com tanta rapidez que Demi soube instintivamente que Joe estava sentindo o imediatismo do momento. — Quero isso há quatro dias. Não posso esperar mais um minuto. Preciso estar dentro de você, Demi. Sentir seu calor me cercando.

— Ele baixou a cabeça para a curva do pescoço dela e deslizou a língua pelo ponto onde a pulsação batia.

Ela se contorceu em seus braços, então levantou as mãos até que pudesse lhe segurar a parte traseira da cabeça e mantê-lo ali. Enquanto dedos delicados entrelaçavam seus cabelos grossos e escuros, Joe deslizou uma das mãos pela frente do corpo dela, moldando-lhe as curvas, erguendo a bainha da camisola. Então estava tocando na sua pele nua e Demi arqueou o corpo no momento em que ele deslizou dedos mágicos por baixo do elástico da sua calcinha.

Ele tocou seu centro do prazer, inseriu dedos em seu calor, e instantaneamente, ela explodiu, balançando os quadris com a força de um orgasmo que a abalou de forma violenta. Sussurrando o nome dele, Demi o abraçou com força, até que os últimos tremores a percorressem. Então relaxou contra Joe, sem forças. Ele a pegou nos braços e carregou-a para o quarto dela.

Agarrada a ele, Demi deslizou as mãos pelas costas largas, pelo peito esculpido, e quando Joe arfou, ela sorriu no escuro, satisfeita em saber que o afetava tão profundamente quanto ele a afetava.

Em momentos, estava sobre sua cama, olhando-o enquanto ele removia o jeans e se aproximava. No instante seguinte, Joe se livrou de sua camisola e de sua calcinha de renda, jogando as duas peças de lingerie no chão.

Desde o segundo que ele tinha entrado em sua casa, sem ser anunciado, Demi quisera isso. Ficava acordada durante a noite, ansiando por Joe, e agora que ele estava lá, ela não tinha intenção de negar seu desejo. No entanto, por tudo que sabia, aquele era o jeito de Joe se despedir. Talvez ele estivesse se aprontando para partir, para voltar ao seu mundo.

E se este fosse o caso, então ela queria esta última noite em sua companhia. Queria senti-lo sobre si e ao seu redor. Queria fitar aqueles olhos azul-claros e saber que, pelo menos por aquele momento, ela era a coisa mais importante no mundo para ele.

O destino se encarregaria do amanhã.

Joe se posicionou entre suas pernas e acariciou seu centro feminino agora muito sensível. Ela gemeu baixinho, apartou mais as pernas e balançou os quadris num convite silencioso. Tudo que queria era sentir o deslizar do corpo forte e poderoso para dentro do seu. Abraçá-lo em seu interior.

Então ele estava lá, possuindo-a, roubando-lhe o fôlego com as investidas firmes de seu corpo. Joe a amou da maneira mais primitiva e íntima. E Demi deu tudo que possuía. Suas mãos passeavam ao longo das costas largas, suas unhas se enterravam na pele bronzeada. Suas .pernas abraçaram os quadris másculos e exigiram maior profundidade.

Quando Joe abaixou a cabeça para beijá-la, ela abriu os lábios e encostou a língua na sua numa dança erótica que ia além da paixão, além do desejo, causando-lhe a incrível sensação de que havia nascido para estar sempre ali.

Ele afastou a boca, olhou-a com intensidade e disse com um gemido:

— Demi... eu preciso de você.

— Você me tem — respondeu ela, então arqueou a coluna no momento que um clímax explosivo atingiu os dois. Abraçando-o com força, Demi chamou o nome dele enquanto onda após onda de prazer a percorria. Ela sentiu a liberação de Joe tanto quanto sentiu a sua. Segurou-o quando o corpo másculo tremeu comum poder impressionante.

Parecia que o prazer nunca iria acabar. Parecia que eles estavam destinados a uma união pelo resto dos tempos...

Mas finalmente, de modo inevitável, o deleite foi diminuindo aos poucos, e eles permaneceram aconchegados num silêncio tão profundo que nenhum dos dois sabia como terminá-lo.

***********

Joe tinha partido quando ela acordou.

Não realmente partido. Sua sacola de lona ainda estava num canto da sala, portanto, ele não voltara para o navio. Mas não estava em lugar nenhum da casa. Aquilo não deveria tê-la surpreendido. Afinal de contas, Joe também a evitara na manhã depois da noite deles juntos no navio. Todavia, de alguma maneira, Demi foi preenchida por uma sensação de desapontamento, enquanto questionava se ele estava deliberadamente se distanciando. Para facilitar a partida inevitável.

Com lágrimas acumuladas nos olhos, Demi entrou em sua rotina normal de cuidar dos meninos, e tentou não se lembrar da sensação maravilhosa de ter Joe a seu lado, compartilhando tudo aquilo com ela.

Uma vez que os gêmeos estavam alimentados e vestidos, ela decidiu que também sairia de casa. De jeito nenhum, iria ficar sentada lá, esperando pelo retorno de Joe, para que ele partisse seu coração com a notícia de que estava indo embora. Demi tinha sua própria vida, e estava determinada a vivê-la.

Prendendo os meninos em suas cadeirinhas de carro, apanhou a sacola já preparada dos bebês e sua bolsa, então deu partida no motor de seu carro.

— Não se preocupem, garotos — disse ela, olhando pelo espelho retrovisor para os espelhos que havia posicionado na frente das cadeirinhas de carro, de modo que pudesse ver os rostos deles. — Nós ficaremos bem. Papai precisa ir embora, mas mamãe está aqui. E eu nunca deixarei vocês.

Aquelas lágrimas irritantes queimaram seus olhos mais uma vez, e ela piscou freneticamente para reprimi-las. Não ia chorar. Tivera uma noite incrível com o homem que amava, e não ia se arrepender disso. Independentemente do que acontecesse.

Quando seu celular tocou, ela presumiu que fosse Maxie, até que olhou no pequeno visor e não reconheceu o número.

— Alô?

— Demi?

— Joe — disse ela, e tentou não suspirar ao som da voz profunda e rouca sussurrando no seu ouvido.

— Você está em casa?

— Na verdade — começou Demi, erguendo o queixo como se isso pudesse ajudá-la a manter a voz leve e despreocupada —, estou no carro. Vou levar os meninos ao Shopping e...

— Perfeito — murmurou ele rapidamente. — Tem uma caneta?

— Sim, tenho uma caneta, mas o que é isto...

— Anote um endereço.

As sobrancelhas de Demi se arquearam com a ordem. Mas ela pegou sua bolsa, e tirou uma caneta e um bloquinho que sempre carregava. No banco de trás, Jacob estava começando a se agitar, e logo, ela sabia, Cooper se juntaria ao irmão.

— Joe — perguntou ela, com a caneta posicionada —, do que se trata isso?

— Apenas... Eu quero lhe mostrar uma coisa, e preciso que você e os garotos venham até aqui.

— Aqui onde?

— Aqui em San Pedro. Ela quase gemeu.

— San Pedro?

— Demi, faça isso por mim, tudo bem? — Joe parou e então acrescentou: — Por favor.

Aquilo a surpreendeu. Ela não podia se recordar de Joe alguma vez pedindo por favor antes. Então, enquanto ele lhe dava o endereço, ela anotou tudo. No momento que Joe terminou, Demi franziu o cenho e disse:

— Tudo bem, nós iremos. Devo estar aí em aproximadamente meia hora.

— Eu estarei esperando.

Ele desligou antes que ela pudesse fazer mais perguntas, e Demi olhou intrigada para o telefone antes de colocá-lo no banco ao seu lado.

— Bem, meninos, estamos saindo para ir encontrar papai. — Cooper arruinou. — Não, eu também não sei do que se trata — ela falou para seu filho. — Mas conhecendo seu pai, pode ser qualquer coisa.

********
Era uma casa.

Do estilo das casas de Cape Cod... península ao leste de Massachussets... parecia distintamente deslocada no sul da Califórnia, mas era a casa mais maravilhosa que Demi já tinha visto. Era enorme, e ela podia apostar que cinco de seus chalés caberiam confortavelmente lá dentro. Apesar do tamanho, parecia uma casa de família. Havia um grande gramado na frente, e quando ela saiu do carro na garagem, ouviu o som do oceano e soube que a grande casa devia ser muito perto do mar.

— O que está acontecendo aqui? — perguntou-se em voz alta. Mas então o grito curto e afiado de Jacob lhe chamou a atenção, e Demi virou-se para tirar os filhos de suas cadeirinhas.

—Demi!

Ela olhou para cima e observou Joe correndo ao longo do gramado na sua direção. Ele parecia empolgado, os olhos claros brilhando, os lábios curvados num sorriso amplo, a covinha profunda na face esquerda. Naturalmente, Demi sentiu uma onda involuntária de emoção ao vê-lo, e imaginou se seria sempre desta maneira.

Deus, esperava que não.

— Deixe-me ajudá-la com os meninos —: disse ele, após dar em Demi um beijo rápido e inesperado que a deixou meio zonza.

— Hm, claro. — Ela observou quando ele rodeou o carro, abriu a porta de trás e começou a desafivelar o cinto de segurança da cadeirinha de Cooper. — Joe, o que está acontecendo? Onde estamos? De quem é esta casa?

Ele lhe deu outro sorriso de tirar o fôlego e pegou Cooper nos braços.

— Eu lhe contarei tudo assim que entrarmos.

— Entrarmos? — Terminando de soltar Jacob, ela o pegou, aninhou-o junto ao peito e fechou a porta do carro.

— Sim — replicou Joe. — Entrarmos. Vá na frente. Eu vou apanhar a sacola dos bebês e sua bolsa.

Demi deu um passo, parou e olhou-o. Uma sombra proporcionada pelo enorme carvalho no jardim o envolvia. Ele vestia uma camiseta preta justa e aquele jeans desbotado que estivera usando na noite anterior quando eles... — Certo, não pense nisso, avisou a si mesma.

— Eu não posso simplesmente entrar. Não sei quem mora aqui e...

— Tudo bem — disse ele, rodeando o capo do carro, a bolsa de Demi debaixo de um braço, a sacola dos bebês pendurada sobre este ombro, enquanto ele balançava Cooper no outro. — Entraremos juntos. Todos nós. E melhor assim, de qualquer forma.

— Do que você está falando?

— Você verá. — Joe começou a andar para a casa, e ela teve pouca escolha senão segui-lo.

O caminho da garagem até a porta da frente era alinhado com flores-de-cardéal de cores brilhantes. Mais canteiros seguiam a linha da casa, com diferentes tipos de flores, preenchendo o ar com um perfume delicioso.

Demi continuou esperando que o dono da casa aparecesse à porta da frente para lhes dar as boas-vindas, mas isso não aconteceu. E no momento que ela atravessou a soleira, entendeu por quê.

A casa estava vazia.

Os passos deles ecoavam nos cômodos imensos enquanto Joe a conduzia através da sala de estar, passava por uma larga escadaria, entrava num hall, e então chegava à cozinha. Demi virava a cabeça de um lado para o outro, observando tudo, deleitando-se com o espaço, com as linhas da casa. A pessoa que projetara aquela casa sabia o que estava fazendo. As paredes eram de uni rico tom de creme, e madeira escura emoldurava portas e janelas. O piso era de madeira clara, totalmente polido e brilhante. Cada cômodo parecia gritar pela presença de uma família.

Aquela casa era feita para o som de risadas de crianças. Enquanto Demi seguia Joe de cômodo em cômodo, experimentou uma sensação de tranquilidade na casa. Como se a construção em si estivesse respirando fundo e deleitando-se ao sentir pessoas dentro de suas paredes novamente.

— Joe... — A cozinha era incrível, mas ela mal teve tempo de olhar direito quando ele a conduziu diretamente para fora pela porta dos fundos.

—Venha, eu quero que você veja isto — disse ele, dando um passo atrás, de modo que ela pudesse se mover para dentro do pátio de pedra na frente de Joe.

Uma brisa fria do oceano bateu em seu rosto, e Demi percebeu que estivera certa... a casa era erguida sobre uma colina acima do mar. O pátio de pedra abria caminho para um gramado inclinado, cercado por árvores e flores, parecendo um jardim de chalé da Inglaterra. Além do gramado, havia uma cerca baixa com um portão que levava a degraus que conduziriam as pessoas de sorte que morassem ali diretamente para a praia.

Segurando Jacob junto ao peito, Demi virou-se lentamente, absorvendo tudo, sentindo-se estupefata com a beleza do lugar, até que se virou, mais uma vez para olhar o mar, brilhando com a luz dourada do sol.

Meneando a cabeça, ela olhou para Joe.

— Eu não entendo, Joe. O que está acontecendo? Por que nós estamos aqui?

— Você gosta? — perguntou ele, olhando ao redor enquanto punha a bolsa de Demi e a sacola dos bebês no chão do pátio. — Da casa, quero dizer — acrescentou, posicionando Cooper um pouco mais alto em seu peito. — Você gosta?

Ela riu, a incerteza mexendo com seus nervos.

— O que há para não gostar?

— Ótimo. Isso é excelente — murmurou ele, indo para o lado dela. — Porque eu comprei a casa.

— Você... o quê?

Joe quase riu da expressão atônita no rosto dela. Deus, isso tinha valido todos os telefonemas secretos para corretores de imóveis que ele vinha dando. Valido levantar-se e deixá-la sozinha naquela manhã, para que pudesse finalizar a negociação com os antigos donos da casa.

Aquilo ia dar certo.

Tinha de dar.

— Por que você faria isso?

— Por nós — respondeu Joe, e viu o choque nas feições de Demi por um segundo.

Nós?

— Sim, Demi. Nós. — Joe estendeu uma mão, segurou-lhe o rosto, e ficou apenas levemente desapontado quando ela deu um passo atrás, afastando-se. Ele a convenceria. Tinha de convencê-la. — Eu encontrei uma solução para a nossa situação — disse, prendendo-lhe os olhos, querendo que ela visse tudo que ele estava pensando, sentindo, escrito nas suas feições.

— Nossa situação? — Demi piscou, balançou a cabeça, como se para clareá-la, e então o fitou novamente.

O vento estava frio, mas o sol estava quente. A sombra das árvores não alcançava aquele local em particular, e a luz do sol dançando nos cabelos de Demi o fez querer envolvê-la em seus braços. Mas primeiro precisava resolver aquilo. De uma vez por todas.

— Os meninos — Joe começou devagar, como tinha planejado. — Nós dois os amamos. Ambos os queremos. Então, ocorreu-me que a solução para isso é rios casarmos. Desta forma, nós dois os teremos.

Ela deu outro passo atrás, e, irritado á que ela não havia se animado com seu plano, Joe falou mais rapidamente;

— Nós nos damos bem. E o sexo é maravilhoso. Você tem de admitir que existe uma química verdadeira entre nós, Demi. Nosso relacionamento daria certo. Você sabe disso.

— Não. — Ela meneou a cabeça novamente, e quando Jacob sentiu a tensão na mãe começou a chorar, Joe se aproximou dela.

Falou ainda com mais rapidez, apressado em fazê-la mudar de ideia. Fazê-la enxergar como podia ser o futuro deles.

— Não negue antes de pensar sobre isso, Demi. Quando refletir, vai ver que estou certo. Isto é perfeito. Para todos nós.

— Não, Joe — disse ela, acalmando Jacob mesmo enquanto lhe sorria com tristeza. — Isto não é perfeito. Sei que você ama seus filhos, assim como eu os amo. E fico feliz por este fato. Os gêmeos precisarão de você tanto quanto você precisa deles. Mas você não me ama.

— Demi...

— Não. — Ela deu uma risada curta, olhou ao redor do pátio, para o mar, então finalmente voltou a encarar Joe. — Não importa se nos damos bem, ou se a química entre nós é maravilhosa. Não posso me casar comum homem que não me ama.

Droga. Ela o estava rejeitando, e ele nem mesmo conseguia culpá-la. Um desespero beirando ao pânico o assolou, e aquele era um sentimento com o qual Joe não estava acostumado. Ele nunca era aquele que lutava para convencer alguém a ficar do seu lado. Pessoas tentavam convencê-lo. Não o contrário.

Entretanto, lá estava ele, diante daquela mulher especial, e no fundo sabia que a única chance que teria com ela seria se jogasse a sua última carta.

Joe estendeu seu braço livre, passou-o ao redor dos ombros dela e a puxou para mais perto. Tão perto que os corpos deles e os corpos de seus filhos pareciam se fundir, todos numa unidade.

— Tudo bem. Vamos fazer isso do jeito difícil então. Ora, Demi, eu amo você.

— O quê? — Os olhos dela continham um mundo de confusão, dor e alguma coisa que lembrava muito esperança.

Ela não parecera tão surpresa nem mesmo quando ele tinha chegado à sua casa alguns dias atrás. Aquilo deu esperança a Joe. Se ele era capaz de tirá-la do equilíbrio, poderia vencer isto. E de súbito, Joe soube que nunca antes quisera tanto vencer; que nada em sua vida tivera esta importância. Precisava dizer as palavras certas agora. Forçá-la a ouvi-lo. A realmente ouvi-lo. E lhe dar uma chance.

Fitando-lhe os olhos, ele respirou fundo, então se preparou para o momento que nunca sonhara que vivenciaria.

— É claro que eu a amo. O que sou, um tolo? — Joe parou, fez uma pausa e acrescentou: — Não responda nada.

— Joe, você não precisa...

— Sim, eu preciso —interrompeu ele rapidamente, sentindo seu momento escorregar. Não quisera ter de admitir como se sentia. Tinha acreditado que Demi aceitaria o casamento pelo bem das crianças, e então Joe teria tido tudo que queria sem entregar sua alma. Mas talvez fosse assim que deveria acontecer. Talvez você não conseguisse receber amor até que estivesse disposto a dar.

— Ouça, eu não estou orgulhoso disso, mas venho tentando me esconder do que sinto por você desde aquela primeira noite em que nos conhecemos, mais de um ano atrás. — Joe estudou-lhe as feições e baixou o tom de voz para sussurrar palavras que esperava que a convencessem que ele falava a verdade. — Só precisei olhar para você para me apaixonar. Nunca pretendi que isso acontecesse. Eu nunca quis. Mas não tive escolha. Você estava lá, banhada pela luz do luar, e era como se eu a tivesse esperado por toda minha vida.

— Mas você...

— Sim — murmurou ele, sabendo o que ela ia dizer.— Eu a mandei embora. Disse a mim mesmo que queria que você fosse embora. Mas isso era uma mentira. — Com uma risada irônica, adicionou: — Durante todo este tempo, eu a chamei de mentirosa, quando na verdade, eu sou o mentiroso aqui. Menti para você. Menti para mim mesmo. Porque não queria estar vulnerável para você.

— Joe... —Demi engoliu em seco e uma única lágrima rolou por sua face. Ele a capturou com a ponta do polegar.

— Teria sido muito mais fácil para mim — admitiu Joe —, se você tivesse aceitado a proposta de um casamento de conveniência. Então eu não seria obrigado a reconhecer meus sentimentos por você. Não teria de correr o risco de que você jogasse isso de volta no meu rosto.

— Eu não faria isto...

— Eu não a culparia se fizesse — disse ele. — Mas, uma vez que você não aceitou o meu plano original, então preciso lhe falar tudo. Eu a amo, Demi. Loucamente. Completamente. Com desespero.

Novas lágrimas se acumularam, fazendo os olhos dela brilharem, e o mundo de Joe começou a se derreter. Que poder ela possuía sobre ele, sobre seu coração. Entretanto, ele não se importava mais em se proteger.

Tudo o que importava era Demi.

— Você chega e tudo mais desaparece — continuou Joe suavemente. — Você me deu meus filhos. Deu-me um vislumbre de um mundo do qual quero ser uma parte.

Mais uma lágrima se juntou à primeira, e então outra e outra. Nos seus braços, Jacob deu um soluço, contorceu o pequeno rosto e começou a chorar fervorosamente. Sem demora, Joe pegou o bebê de Demi e aconchegou-o em seu braço livre. Olhando para seus filhos, então para ela, disse:

— Apenas para sua informação, não estou preparado para perder aqui. Joe Jonas não desiste quando quer alguma coisa tanto quanto quero você. Eu não a deixarei sair de minha vida. Nenhum de vocês.

Ele olhou para trás, a fim de ver a casa enorme, então voltou a fitá-la, enquanto traçava seu plano principal:

— Nós moraremos aqui. Você pode fazer suas cestas de presente dentro da casa em vez de na garagem. Há um excelente quarto no andar de cima com vista para o mar. Muito espaço. Muita luz direta. Seria perfeito para você e todos os seus suprimentos.

Demi abriu a boca para falar, mas Joe continuou antes que ela pudesse:

— Pensei que, até que os meninos não estejam na escola, nós poderíamos morar metade do ano aqui, metade a bordo do navio. Isso será bom para eles. E se eles gostarem do cachorro que lhes comprei, nós o levaremos para o navio também.

— Você comprou um ca...

— Um filhote de Golden retriever — disse Joe. — É fêmea e pequena ainda, mas vai crescer.

— Eu não acredito...

As palavras continuavam saindo da boca de Joe, tropeçando uma sobre as outras enquanto ele lutava para convencê-la, batalhava para lhe mostrar como a vida deles poderia ser se ela apenas lhe desse uma chance.

— Depois que eles estiverem na escola, podemos fazer cruzeiros nas férias de verão. Eu posso administrar a linha marítima daqui, e tenho Teresa. Irei promovê-la — declarou ele com firmeza. — Ela pode fazer todo o trabalho a bordo e permanecer em contato via fax.

— Mas Joe...

— E quero mais filhos — continuou ele, e teve o prazer de ver a boca de Demi se fechar. — Quero estar presente desde o começo. Quero ver nosso bebê crescendo dentro de você. Quero estar na sala de parto para vê-lo... ou vê-la... respirar pela primeira vez. Eu quero tudo, Demi. Quero estar com você. Com eles. — Ele olhou para os gêmeos que segurava contra si.

Os garotos estavam começando a se contorcer, e Joe sabia como eles se sentiam. Seu próprio mundo estava equilibrado sobre um fio de navalha, e pensou que só tinha mais uma coisa a dizer:

— Não vou deixar você negar, Demi. Nós nos pertencemos. Eu sei que você me ama. E eu a amo muito, também. Se não acredita nisso, encontrarei um jeito de convencê-la. Mas você não vai fugir de mim. Não novamente. Não ficarei sem você, Demi. Eu não suportaria. Não voltarei para aquela vida vazia.

Os únicos sons naquele momento vinham dos resmungos fracos dos gêmeos e das ondas do mar batendo nas pedras atrás deles. Joe esperou o que pareceu uma vida inteira, enquanto observava os olhos de Demi.

Então finalmente ela sorriu, aproximou-se e envolveu ambos os braços ao redor dele e dos bebês.

— Você é um tolo se pensa que eu o deixaria fugir de mim novamente.

Joe riu, um som alto e longo, e sentiu quilos de medo e preocupação saindo de seus ombros.

— Você vai se casar comigo?

— É claro que sim.

— E ter mais filhos?

— Sim. — Ela sorriu-lhe, e os olhos azuis brilhavam com uma felicidade tão rica e tão intensa que roubou o fôlego de Joe. — Uma dúzia, se você quiser.

— E navegar o mundo comigo — disse ele, inclinando a cabeça para reivindicar um beijo.

— Sempre — respondeu Demi, ainda sorrindo, ainda emitindo uma luz interna que aqueceu todo o ser de Joe. — Eu amo você, Joe. Sempre amei. Nós seremos felizes aqui, nesta casa maravilhosa.

— Seremos — ele asseverou, roubando mais um beijo.

— Mas você vai ensinar aquele cachorro a fazer as necessidades fora de casa — provocou ela.

— Por você, meu amor — sussurrou Joe, sentindo seu coração se tornar inteiro pela primeira vez na vida —, qualquer coisa.

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           Finalmente e infelizmente o último capítulo! Espero que tenham gostado dessa história. Comentem bastante para a próxima.
                 E quem quiser me seguir no tt -> @SraCabeYo
                 xoxo Nathi

5.5.15

Laços de Amor - Capitulo 9

Joe não podia culpá-la por se sentir ultrajada.

Ela pulou na frente dos bebês, abriu os dois braços e levantou-os, como se estivesse pronta para lutar se ele tentasse agarrar os gêmeos e fugir.

— Está louco? Você não pode separá-los — disse Demi, mantendo o tom de voz baixo e firme. — Eles não são animais de estimação. Você não escolhe um dos "filhotes". São garotinhos, Joe. Gêmeos. Eles precisam um do outro. Precisam de mim. E você não pode tirar nenhum dos dois de mim.

Ele já tinha chegado à mesma conclusão. Na verdade, percebera isso assim que olhara para os meninos, sentados nas cadeirinhas, tão perto que podiam estender os bracinhos e se tocar. Mas não soubera disso até que os vira.

— Relaxe — disse Joe, erguendo uma mão para tentar impedi-la de continuar protestando. —: Eu falei que este era o plano que eu tinha. As coisas mudaram.

— Você está aqui há dez segundos. Como tudo pode ter mudado? — Ela ainda estava defensiva, parada na frente dos filhos como uma verdadeira guerreira. Tudo que precisava era de uma espada nas mãos para completar a imagem.

— Eu os vi — disse Joe, e alguma coisa na voz dele deve tê-la alcançado, porque os ombros relaxaram da postura rígida. — Eles são uma unidade. Não podemos separá-los, eu entendo isso.

— Ótimo. — Ela exalou, aliviada. —Isso é bom.

— Eu não terminei. — Joe observou quando as costas de Demi enrijeceram novamente. — Vim aqui para ver meus filhos, e agora que vi, não vou a lugar algum.

Demi pareceu perplexa, a boca se abrindo, os grandes olhos azuis se arregalando.

— O que quer dizer com isso? — Então, quando começou a entender o que ele queria dizer, balançou a cabeça com veemência. — Você não pode estar sequer pensando em ficar aqui.

Aquilo estava mais divertido do que ele imaginara que pudesse ser.

— Sim, estou. — Joe olhou ao redor da sala de estar. Duas casas inteiras daquelas caberiam dentro de sua suíte no navio, entretanto, havia alguma coisa ali que faltava no seu lugar, apesar do luxo. Ali, disse a si mesmo, era um lar. Para Demi e para os filhos deles. Um lar que ele não tinha intenção de deixar. Pelo menos não por enquanto. Não até que conhecesse um pouco seus filhos. Não até que descobrisse uma maneira de fazer parte da vida deles.

— Isso é loucura.

— De modo algum — discordou ele, prendendo-lhe o olhar. — Os gêmeos são meus filhos. Eu já perdi quatro meses da vida deles, e não vou perder mais nada.

— Mas, Joe...

Ele a interrompeu rapidamente:

— Eu não vou ser somente um cheque para eles, Demi. E se era isso o que você estava esperando, lamento desapontá-la.

Ela mordiscou o lábio inferior, cruzou os braços sobre o peito, como se tentando conter-se, então finalmente murmurou:

— Você não pode ficar aqui. Não há um quarto disponível. Este é um chalé de dois quartos, Joe. Um para os meninos, o outro para mim, e você não vai ficar no meu quarto, isso eu garanto.

O corpo de Joe enrijeceu com o pensamento de fazê-la mudar de ideia em relação àquilo. Mas não agora.

— Eu durmo no sofá.

— Mas...

— Ouça — interrompeu ele —, é simples. — Eu passo um tempo aqui para conhecer meus filhos. — Então acrescentou, usando as armas mais pesadas: — Ou eu a processo por custódia total. E qual de nós você acha que vai ganhar esta batalha? A escolha é sua, Demi. Qual será?

Ela empalideceu, e apenas por um segundo Joe se sentiu um cretino completo. Então lembrou que estava lutando pela única família que possuía. Seus filhos. E não ia desistir. Assim como não iria se sentir culpado por querer ser parte da vida deles, independentemente da maneira pela qual conseguiria isso.

— Você faria uma coisa dessas?

— Sem vacilar.

— Você é realmente um imbecil cruel, não é?

— Eu sou o que tiver de ser para conseguir o que quero — respondeu Joe.

— Meus parabéns então. Você ganhou esta rodada.

Um dos bebês começou a chorar, como se sentisse a tensão súbita na sala. Joe olhou para baixo e viu que era Jacob, o pequeno rosto contorcido, enquanto lágrimas escorriam pelas faces. Um instante depois, seguindo o exemplo do irmão, Cooper soltou um grito que tanto cortou o coração de Joe quanto o assustou.

Ele deu um olhar de pânico para Demi, que somente meneou a cabeça.

— Você quer um curso intensivo em paternidade, Joe? —! Ela gesticulou uma mão em direção aos garotos, cujos choros agora estavam altíssimos, enquanto eles chutavam o ar e balançavam os bracinhos furiosamente.

— Aqui está lição número um. Você os fez chorar. Agora, faça-os parar.

— Demi...

Então, enquanto ele a observava estupefato, Demi pegou a pilha de roupas recentemente dobrada, seguiu por um corredor curto e desapareceu no que ele supunha ser o quarto dos meninos, deixando-o sozinho com os filhos frenéticos.

— Ótimo — murmurou Joe, ajoelhando-se na frente dos gêmeos. — Isso vai ser ótimo. Bom trabalho, Joe. Parabéns.

Enquanto se ajoelhava, balançava as cadeirinhas e suplicava para que os gêmeos parassem de chorar, teve a distinta impressão de que estava sendo observado. Mas se Demi estivesse parada nas sombras, observando sua performance, Joe não queria realmente saber. Então se concentrou nos filhos e disse a si mesmo que um homem que podia construir uma linha de cruzeiros marítimos do nada deveria ser capaz de acalmar dois bebês chorando.

Afinal de contas, o quanto aquilo podia ser difícil?

**********

No fim daquela tarde, Joe estava esgotado e Demi estava apreciando o show. Ele tinha alimentado os bebês, dado banho neles... o que foi tão divertido que ela lamentou não ter filmado tudo... e agora estava tentando vesti-los. Demi estava parada à porta do quarto dos bebês, silenciosamente observando com um sorriso encantado no rosto.

— Vamos, Cooper — implorou Joe. — Somente me deixe vestir esta camisa em você, e nós iremos... — Ele parou, inalou o ar, então deu um olhar horrorizado para Jacob. — Você fez? — perguntou, inalando novamente. — Fez, não fez? E eu acabei de vestir uma fralda limpa em você.

Demi cobriu a boca com uma das mãos e estudou Joe na luz do sol que se infiltrava pelas persianas. As paredes eram verde-claras e continha um painel que ela mesma pintara enquanto estava grávida. Havia árvores, flores, coelhos e cachorros, pintados em cores primárias e brilhantes, ao longo do jardim. Uma penteadeira branca era posicionada no fim do quarto, e uma cadeira de balanço estofada ficava num canto.

E agora havia Joe.

Olhando para o berço onde deitara os dois meninos por segurança, Joe passou ambas as mãos pelos cabelos... uma ação que vinha repetindo dom frequência... e murmurou alguma coisa que ela não entendeu.

Mesmo assim, Demi não se ofereceu para ajudar.

Ele não tinha pedido ajuda, e Demi achava que era justo que Joe tivesse uma ideia real de como eram seus dias. Se nada mais, aquilo o convenceria de que não estava tão pronto para ser pai solteiro de dois meninos gêmeos.

— Certo, Coop — disse ele com um suspiro cansado —, eu vestirei sua camisa num minuto. Mas primeiro tenho de fazer alguma coisa com seu irmão, antes que nós todos morramos asfixiados.

Demi riu, e Joe lhe deu um olhar rápido.

— Você está gostando disso, não está?

— E não é engraçado? — perguntou ela, ainda sorrindo. Joe meneou a cabeça e torceu o nariz.

— Certo, é uma grande piada. Mas você tem de admitir que não estou me saindo mal.

— Suponho que não — disse Demi, assentindo com um gesto de cabeça. — Mas pelo cheiro, eu diria que você está diante de um pequeno problema no momento.

— Vou cuidar disso. — Joe falou com firmeza, como se estivesse tentando convencer a si mesmo, assim como convencê-la.

— Certo, então, vá em frente.

Ele esfregou uma mão no rosto, olhou para o berço e murmurou:

— Como alguém tão bonitinho pode cheirar tão mal?

— Outro mistério do universo — replicou ela.

— Outro?

— Esqueça — disse ela, pensando em sua conversa com Maxie enquanto ainda estava no navio. Antes da ruiva. Antes que fosse embora de maneira apressada. Oh, Deus. Demi ergueu a coluna e fechou os olhos. Maxie. Imagine quando ela descobrisse que Joe estava lá.

— Você está bem? — perguntou ele.

Abrindo os olhos novamente, ela o fitou, tão destoante ali no quarto de seus bebês, e disse a si mesma que aquilo era exatamente o que ele havia falado sobre a noite dos dois juntos. Nada mais do que uma imagem numa tela de radar. Um pequeno passeio dentro do mundo comum. Uma vez que Joe provasse o que queria provar, e conhecesse um pouco os filhos, iria embora e tudo voltaria ao normal.

O que era bom, certo?

—Demi?

— Huh? Oh, sim. Estou bem. Só... pensando.

Ele a olhou por um longo momento, como se tentando descobrir no que ela estava pensando. Felizmente, ler mentes não era uma das habilidades de Joe.

— Certo.

— Então — murmurou Demi suavemente —, você vai cuidar do pequeno problema de Jake ou precisa de socorro?

Ele não pareceu feliz, mas também não deu a impressão de que ia implorar.

— Não, eu não preciso de socorro. Eu disse que posso cuidar deles, e posso. — Joe respirou fundo e se aproximou do berço.

Demi ouviu o barulho das tiras de velcro sendo abertas na fralda descartável, então escutou o gemido de Joe.

— Oh, meu Deus.

Rindo, ela virou-se e deixou-o com os filhos.

**********
Apesar de estar quase enlouquecendo de ansiedade, Demi passou o resto do dia em sua pequena garagem, trabalhando numa cesta de presente que deveria ser entregue em dois dias. Se Joe queria, brincar de papai, então ela o deixaria ver como era lidar com dois meninos gêmeos.

Parecia estranho estar em casa, e ainda assim separada dos meninos, mas precisava deixar Joe perceber que não estava preparado para ser pai. Tinha de fazê-lo entender que tirar os filhos dela seria uma péssima ideia para todos.

Somente o pensamento sobre aquela ameaça enviou calafrios por toda sua coluna. Joe era rico. Tinha condições de pagar os melhores advogados do país. Podia contratar babás e guarda-costas, e comprar qualquer coisa que o juiz pudesse pensar que os meninos precisariam.

— E em que posição isso me deixa?

Uma mãe solteira com uma conta bancária patética e um escritório na garagem de sua casa. Demi não tinha a menor chance, se Joe decidisse lutar pela custódia dos filhos.

Mas por que ele faria isso? Tal pensamento continuava girando em sua cabeça, e ela não conseguia abandoná-lo. Tudo aquilo era para puni-la? Não passava de uma demonstração de força? Mas por que ele se empenharia tanto para mostrar seu poder?

Balançando a cabeça, Demi embrulhou a cesta completa em papel celofane de películas retrateis, ligou seu secador de cabelos portátil, e direcionou o ar quente sobre o embrulho de plástico. A cesta de presentes começou a tomar forma, e ela sorriu, apesar do estado frenético de sua mente.

Quando terminou, deixou a cesta sobre sua mesa de trabalho, onde, pela manhã, amarraria um grande laço vermelho no topo, antes de embalar para ser entregue. Por agora, estava cansada, com fome e muito curiosa para ver como Joe estava se saindo com os garotos.

Ela entrou na cozinha pela porta de conexão e parou por um momento apavorada, enquanto seu olhar percorria o cômodo pequeno, geralmente limpo e arrumado. As paredes vermelhas e os gabinetes brancos foram basicamente tudo que reconheceu. Havia leite em pó espalhado ao longo da mesa redonda, mamadeiras descartadas que não tinham sido lavadas, e uma torre de babadores sujos que Joe aparentemente havia usado para limpar a sujeira.

Meneando a cabeça, ela andou em silêncio até a sala de estar, quase temendo o que poderia encontrar lá. Não havia um único som na casa. Sem televisão. Sem bebês chorando. Nada.

Franzindo o cenho, Demi continuou andando pela sala, notando mais mamadeiras vazias, um saco aberto de fraldas sobre a mesinha de centro, ao lado de uma caixa de lenços umedecidos para bebês. Ela rodeou o sofá e parou subitamente. Joe estava deitado, dormindo sobre o tapete de sua avó, e de cada lado dele havia um bebê adormecido.

— Oh, meu Deus. — Demi permaneceu parada ali, hipnotizada pela visão de Joe e seus filhos, tirando uma soneca juntos. Uma única lâmpada lançava um brilho dourado sobre os três, mesmo enquanto os últimos raios de sol se infiltravam pela janela da frente. A respiração regular de Joe e os suspiros suaves dos gêmeos eram os únicos sons na sala, e Demi gravou aquela imagem em sua mente, de modo que no futuro pudesse recordar aquela imagem e reviver este momento.

Havia alguma coisa tão doce, tão terna naquela cena. Joe e os filhos. Juntos finalmente.

Seu coração se comprimiu dolorosamente no peito quando amor pelos três a inundou. Oh, estava tão encrencada. Amar Joe não era uma atitude sábia. Ela sabia que não havia futuro para eles. Tudo que ele queria era participar da vida dos filhos... isso não incluía aproximar-se da mãe deles. Então, o que devia fazer? Como podia amar Joe quando sabia que nenhum bem poderia resultar deste sentimento? E como seria capaz de manter os filhos longe dele quando tinha consciência de que os meninos precisariam do pai tanto quanto Joe precisaria deles?

— Por que tem de ser você quem toca meu coração? — sussurrou Demi, olhando para baixo e vendo o homem que tinha invadido sua vida e mudado seu mundo.

E, enquanto o observava, os olhos de Joe se abriram lentamente e prenderam os seus.

—: Eu toco seu coração? — perguntou ele baixinho.

Sendo pega em flagrante, não fazia sentido tentar negar o que já tinha admitido em voz alta. Ela se ajoelhou.

— Você sabe que sim.

Tomando cuidado para não perturbar os gêmeos, Joe se sentou, contorcendo-se de leve com a rigidez de suas costas. Mas o olhar não vacilou. Ele continuou encarando-a com intensidade, e Demi desejou que pudesse ler o que ele estava pensando. O que estava sentindo.

Mas como sempre, os pensamentos de Joe eram privados, as emoções tão controladas que Demi não tinha ideia do que se passava por trás daqueles olhos azul-claros.

— Então, por que você foi embora do navio tão rapidamente? — questionou Joe.

— Você sabe por quê. — Apenas a memória da ruiva nua foi o bastante para deixá-la totalmente tensa.

— Eu nem a conhecia — ele relembrou com um tom defensivo na voz.

— Não importa — disse ela, abaixando o tom de voz quando Jacob começou a se mexer. Não pretendia acordá-lo. Não queria entrar naquela discussão agora. Contudo, uma vez que acontecera, não fazia sentido tentar evitar o assunto. — Joe, você não vê? A ruiva foi somente um exemplo ao vivo de como somos diferentes. Ela me fez perceber o quanto eu estava deslocada naquele navio. Com você.

Ele estendeu uma mão, alisou-lhe o rosto com a ponta dos dedos, então colocou uma mecha de cabelos atrás da orelha direita. Demi tremeu com o contato, mas respirou profundamente e firmou-se. Querer não era o bastante. Amor unilateral não bastava. Ela precisava de mais. Merecia mais.

— Eu não pertenço ao tipo de vida que você leva, Joe. Nem os meninos.

— Mas você poderia pertencer — disse ele, a voz rouca indicando intimidade, sedução. — Vocês três poderiam. Poderíamos todos morar no navio. Você sabe que há muito espaço. Os garotos teriam espaço para brincar. Eles conheceriam o mundo, aprenderiam sobre culturas diferentes, línguas diferentes.

Tentador, tão tentador, exatamente como ele queria que fosse. Um sorriso relutante curvou a boca de Demi, mas ela meneou a cabeça enquanto olhava de Joe para os gêmeos, e de volta para ele.

— Eles não podem ter uma vida real morando a bordo de um navio, Joe. Precisam de um quintal. De parques. Escola. Amigos... — Ela parou, gesticulou as mãos no ar e acrescentou: — De um cachorro.

Joe desviou o olhar para observar os bebês dormindo, antes de voltar a fitá-la.

— Nós contrataremos tutores. Eles podem brincar com as crianças que são passageiras. Poderíamos até mesmo ter um cachorro, se eles quisessem. Daria certo, Demi. Nós poderíamos fazer dar certo.

Embora uma parte de Demi ansiasse por acreditar nele, ela sabia, no fundo, que não se tratava de Joe querer estar ao seu lado... encontrando uma maneira de integrar a vida dos dois... mas de ele descobrindo os filhos e querendo estar perto deles.

— Não, Joe — sussurrou ela, meneando a cabeça com tristeza. — Isso não seria justo com os meninos. Ou conosco. Você não me quer. Quer somente seus filhos. E entendo isso. Acredite, eu entendo.

Joe pegou-lhe a mão e lhe acariciou os dedos com o polegar.

— Não são somente os meninos, Demi. Você e eu...

— Nunca daria certo — terminou ela por ele, apesar do calor penetrando em sua mão, subindo pelo braço e então se espalhando pelo seu corpo inteiro.

Como Demi desejava que tudo fosse diferente. Que ele pudesse amá-la como ela o amava. Mas Joe Jonas simplesmente não era o tipo de homem que se comprometia com uma mulher. Era melhor se lembrar disso e manter o coração o mais seguro possível.

— Você não pode saber. Nós poderíamos tentar. — Os olhos azuis estavam tão iluminados, com desejo e com a promessa de algo tão delicioso que fez Demi desejar que tivesse coragem para assumir o risco.

Mas não era apenas consigo mesma que precisava se preocupar agora. Era seu dever proteger mais dois pequenos corações. E não poderia arriscar que seus filhos sofressem em algum momento do futuro por causa daquela situação.

Contudo, em vez de dizer isso, em vez de argumentar com Joe, ela puxou sua mão e falou suavemente:

— Ajude-me a preparar os meninos para cama, tudo bem?

Ele dobrou uma das pernas e abraçou o joelho, enquanto continuava prendendo o olhar de Demi.

— Isto não acabou, Demi.

Quando se inclinou para pegar Jacob, ela parou, encarou aqueles olhos azul-claros e disse:

— Tem de acabar, Joe.

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          Desculpem pelo pequeno sumiço, essa semana está corrida pra mim por causa dos trabalhos do colégio e provas. Aqui vai o penúltimo capítulo. Boa leitura.
           Nathi ;)