3.9.15

Faça Meu Jogo - Capitulo 3 (1/2)


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QUASE DESDE o instante em que se conheceram, Joe sabia que ele estava indo em uma direção: para a cama de Demi Bauer.

Eles iriam transar. Em breve.

Joe sabia disso. Demi sabia disso. Os dois estavam saboreando essa noção, construindo a expectativa conforme a noite avançava.

Ele já havia feito sua parte do trabalho no pub. Então quando o velho Sr. Braddock e sua família foram embora, ele parou de ostentar o título ligado à cerveja Campbell Lager e voltou a ser Joe, o homem que tinha agarrado sua sexy piloto particular.

Todos os olhares faziam e respondiam a mesma pergunta.

Todos os sorrisos eram sedução, todas as palavras, casuais, um código oculto, e todo breve roçar de mãos havia se transformado nas preliminares mais sensuais. A maneira como eles intencionalmente tentavam não se tocar de um jeito mais íntimo aumentava a tensão incrível, todas as não carícias prometiam um prazer inimaginável quando eles finalmente pudessem ficar juntos.

Joe não conseguia se lembrar de uma vez na vida quando ficara mais empolgado com uma mulher. Ele simplesmente sabia, enquanto olhava para Demi em meio ao bar lotado, que nunca tinha desejado uma mulher mais que agora.

Eles não tinham se beijado novamente desde aquele breve encontro no táxi. Não precisaram. O desejo de ambos vinha crescendo a cada minuto.

Quando eles dançaram, e Joe pôs as mãos nos quadris de Demi, ou a coxa dela deslizou na dele, a expectativa de como aquela noite ia terminar quase o deixou louco.

E também o fez buscar alguma coisa para tentar acalmar as reações acaloradas de seu corpo.

– Então você é, tipo, o presidente da empresa ou algo assim?

Joe não se deu o trabalho de olhar para a ruivinha insípida vestida de gatinha sexy, uma dentre pelo menos uma dúzia naquele bar apinhado de gente. Ela passou um tempão tentando emplacar uma conversa com ele, mas Joe estava ocupado concentrado na pista de dança. E franzindo a testa.

Porque ali, no meio de uma multidão sacolejante cheia de zumbis e bruxas, cientistas loucos e anjinhas sedutoras, estava sua aeromoça sensual… dançando com outro cara. Ele se aproximou quando Joe tinha saído em busca de sua versão de uma ducha fria, porém teve de se contentar com um copo de água gelada.

– Ou um espião, tipo James Bond?

Certo. Porque James Bond sempre usava uniformes azul-marinho estúpidos e asas de capitão na lapela.

– Você é muito gato para ser um contador ou algo assim.

– Piloto – murmurou ele, mal prestando atenção. Toda sua atenção estava voltada para Demi.

Ela era melhor que qualquer outra mulher enquanto dançava com um homem que Joe havia reconhecido como um dos funcionários comuns de Braddock. Steve qualquer coisa ou algo assim.

Joe nunca tinha tido problemas com ele, pelo menos não até perceber que Steve estava realmente dando em cima de sua pretendente.

Steve não conseguira manter os olhos cobiçosos longe de Demi desde o minuto em que eles chegaram. Joe tinha percebido que o código implícito “tire as mãos ela está aqui com outro cara” impediria qualquer sujeito de se aproximar de fato. Mas quando a mão de Steve roçou acidentalmente no traseiro delicioso de Demi pela segunda vez, Joe percebeu que o outro estava muito bêbado ou com muito tesão por ela para nem se lembrar do código.

Ele ficou tenso, pronto para ir até lá fazer algo que poderia custar a sua empresa, seu maior cliente, dependendo de quanto o Sr. Braddock gostasse de Steve, ao mesmo tempo que se perguntava de onde tinha vindo aquele ciúme louco e estranho. Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, a felina ruivinha começou a chacoalhar diante dele, ronronando:

– Dança comigo?

Ela não esperou por uma resposta, simplesmente o agarrou pelo braço e puxou-o para a frente. Ele não era o primeiro homem que ela andara rodeando essa noite. Uma hora atrás, estivera sondando um sujeito vestido de homem das cavernas, traje completo, com tanga de pele. No momento, o Capitão Caverna estava apalpando uma mulher vestida de Chapeuzinho Vermelho, cuja fantasia era tão vulgar que mal cobria os mamilos.

Havia uma lei que em algum lugar que mulheres de 20 e poucos anos tinham de se vestir de periguetes no Dia das Bruxas? Deus, ele odiava festas como esta. Como poderia ter se esquecido disso?

A única coisa boa sobre esta noite foi o momento em que ele e Demi foram dançar juntos. Depois que ele terminou seu “plantão” oficialmente, eles se serviram de algumas bebidas. À deriva no meio da multidão, dançaram não ao som da música alta, mas no ritmo íntimo e primitivo que vibrava entre eles há horas.

Joe nunca devia tê-la deixado sozinha. Ele devia simplesmente ter se conformado com sua ereção, confiando que a multidão na pista de dança garantiria que ninguém mais soubesse que ele estava morrendo de vontade de rasgar o short de Demi e transar com ela até perder o rumo.

– Vamos lá, é uma festa, caso você não tenha notado!

A ruiva era a única que não estava muito atenta. Ela obviamente não percebeu que toda a atenção dele estava voltada para outra mulher. Ou então ela simplesmente não se importava. Ele imaginou isso porque ela o arrastou para perto de si e Steve, então passou a dançar roçando na coxa dele, esfregando com tanta força que ele sentia o calor da virilha dela através das duas camadas de roupas deles.

Desagradável.

Agarrando os ombros dela para afastá-la, ele fez uma careta quando ela estendeu a mão e segurou a dele. Apertando-a, ela inclinou a cabeça e tentou chupar o dedo dele.

Repita: Você odeia festas de Dia das Bruxas. E ele tinha se afastado tanto do ambiente dos bares, que honestamente não conseguia se lembrar de por que chegara a gostar disso tempos atrás.

Antes que Joe pudesse se desembolar da gatinha, ele olhou para a pista e encontrou o olhar de Demi. Ela semicerrou os olhos e endureceu o olhar. Seus lábios bonitos se contraíram quando notou a jovem estranha praticamente montando nele, a boca num beicinho tentando simular um ato sexual no polegar dele.

Joe tinha noção do que aquilo parecia: era como se ele estivesse puxando a peruazinha em vez de empurrá-la. Demi obviamente enxergou dessa forma, porque revirou os olhos, fez uma careta, cerrou a mandíbula e se aprumou, retesando o corpo esbelto. Considerando-se que ela vinha rechaçando a mão-boba de um dos clientes de Joe, Demi tinha todo o direito de estar com bastante raiva.

Ele estava à beira de simplesmente sacrificar seu polegar para a mandíbula mortal da vadia bêbada e seguir para o lado de Demi. Ele precisava explicar, e tirá-la dali logo. Mas de repente ela mudou o jogo. Com um olhar que beirava entre raiva e desafio, ela colocou os braços em volta do pescoço de Steve. Deslizou para mais perto dele, requebrando lentamente sob a música que ribombava e fazia todo mundo rodopiar e pular. Steve quase tropeçou quando a bela boca de Demi se aproximou de seu pescoço. Por cima do ombro do sujeito, o olhar dela buscava Joe, e ela levantou uma sobrancelha em uma provocação deliberada.

Droga. Ela o estava torturando. Sua piloto sexy tinha garras muito mais afiadas do aquela gatinha um pouco embriagada que ainda estava tentando usar a coxa dele como um poste de afiar as unhas e, agora também, o pescoço como um pedaço de erva de gato.

Ele deveria ter ficado irritado: sempre odiara mulheres que faziam joguinhos. Mas, de alguma forma, enquanto seu coração batia com força contra a caixa torácica e todo seu sangue se concentrava nas partes íntimas, ele se flagrou incrivelmente excitado com Demi Bauer.

Os olhares de ambos se sustentaram, intensos e quentes. Ela lambeu os lábios, e Steve a puxou para mais perto, como se quase tivesse sentido aquela língua doce, úmida. Mas a atenção de Demi não estava em Steve, estava inteiramente em Joe. Os olhos dela brilhavam, como se soubesse que ele estava dividido entre a vontade de rir dela por tentar deixá-lo com ciúme ou de buscá-la, jogá-la no ombro e dar uma de homem das cavernas de tanga.

Joe levantou uma sobrancelha questionadora, perguntando silenciosamente a Demi o quão longe ela pretendia levar aquilo. Em resposta, se inclinou para o ouvido de Steve e sussurrou alguma coisa. O outro homem congelou, deixando os braços caírem e observando enquanto Demi se afastava. Ela abriu caminho em meio à multidão, serpenteando pela pista de dança, indo em direção a um corredor que levava aos banheiros. Uma boa quantidade de homens se virou para vê-la passando, e ela ganhou mais que alguns olhares feios das namoradas deles. Pouco antes de chegar ao pequeno corredor, Demi lançou mais um olhar por cima do ombro. Seu sorrisinho foi uma provocação para Joe, desafiando-o a segui-la.

Joe rodopiou a gatinha ruiva excitada e a empurrou para o ainda congelado Steve, que parecia quase em estado de choque. Quando ele encontrou os olhos de Joe, corou, então murmurou:

– Desculpe, cara.

O que quer que Demi tivesse dito, funcionara. Ele devia ter se tocado de que ela não precisava de ajuda para cuidar de si. Ainda assim, Joe não conseguiu evitar sorrir sem graça, dizendo:

– Acho que minha companhia e eu vamos embora agora. Antes que você faça algo que me obrigue a quebrar sua mandíbula.

Sem esperar por uma resposta, Joe seguiu na mesma direção que Demi tinha ido. Mais fácil dizer que fazer, pois a pista de dança lotou quando o DJ colocou uma versão ridícula de “Monster Mash”. Ele não conseguia encontrar um centímetro de espaço livre e precisou empurrar para abrir caminho de casal após casal.

Finalmente, porém, chegou ao pequeno corredor. Uma mulher tinha acabado de desaparecer no toalete feminino, e um cara com uma toga passou por ele quando saiu do banheiro masculino. Parando num canto para aguardar, Joe levou um susto quando sentiu a mão em seu ombro.

– Eu sabia que você ia me seguir – sussurrou uma voz rouca.

Demi.

Ela havia surgido das sombras, vindo de uma sala do almoxarifado, ignorando a placa “Somente pessoal autorizado”. De pé na porta, ela o observava exibindo calor nos olhos verdes e arfando com um desejo audível que fluía por seus lábios úmidos.

– Eu sabia que você queria que eu a seguisse.

Ele não resistiu quando ela o puxou para dentro da salinha escura e úmida, com cheiro de bebida e cerveja fermentada.

– Sua namorada não vai vir atrás de nós, não é? – sussurrou Demi quando empurrou a porta atrás dele, prendendo-os lá dentro.

Ele se certificou de que todo mundo ficaria do lado de fora, ativando a tranca na maçaneta.

– Minha namorada?

Ela estendeu a mão e correu a ponta do dedo indicador no lábio inferior de Joe, sibilando levemente quando ele a mordiscou.

– A-hã. Ela parece muito ferina. – Apoiando-se na ponta dos pés, ela pressionou os lábios molhados no pescoço dele, passando a língua pequenina no vãozinho ali. – Eu não costumo ir atrás de caras comprometidos, mas o jeito como você ficou me olhando a noite toda fez eu me sentir um pouco imprudente.

Ele entrou no espírito da brincadeira.

– Não é ela que eu quero. – Joe a encarou, agora enxergando o belo rosto com mais clareza, já que seus olhos haviam se adaptado ao brilho do luar que se infiltrava por uma janelinha. Ele se inclinou, sabendo pelo gemido dela que Demi sentia a ereção furiosa pressionando a junção entre suas coxas.

– Não foi ela que me deixou excitado e desesperado nas últimas seis horas. – Sendo bem honesto agora, ele acrescentou: – Você é uma estranha e ainda assim estou louco por você.

Ela ergueu uma perna esbelta, se inclinando para ele de modo que a ereção se aninhasse na costura do short sedoso. Ele engoliu em seco, querendo desesperadamente baixar o zíper, rasgar o short dela e penetrá-la com força, veloz e profundamente. Mas um lado significativo dele queria a coisa toda lenta e quente, muito erótica, com todas as sensações suplantando as anteriores, até a tensão da expectativa deixar ambos prontos para explodir.

– Sexo com uma pessoa desconhecida é uma fantasia muito atraente, não é? – perguntou ela. – Que sorte que nos vimos em frente ao bar e que sabíamos exatamente o que íamos querer.

Malvada. Erótica. Tão sexy.

– Você não está com medo de seu namorado procurá-la? – Ele estava meio curioso sobre o que ela dissera a Steve antes de abandoná-lo. Mas não curioso o suficiente para perguntar, ou fazer qualquer coisa que pudesse distraí-los do que estava acontecendo ali, agora.

– Eu não me importo – murmurou ela, os dedos puxando a gravata dele, abrindo o botão de cima. – Ele não consegue me satisfazer.

Ela roçou os dedos no peito nu, e ele gemeu diante da sensação de pele com pele.

– Não. Ele não consegue. Mas acredite, eu vou satisfazer você.

Ouvindo a confiança sexy na voz de Joe Campbell, Demi derreteu um pouco. Tudo bem, muito. Se tivesse vindo de outro cara, como o babaca bêbado que ela havia acabado de abandonar na pista de dança, aquela declaração poderia ter soado arrogante. Mas para os ouvidos dela, a segurança de Joe sobre o prazer que pretendia dar a ela era absolutamente inebriante.

Não havia presunção ali, ele simplesmente sabia, assim como ela, que a química entre eles era suficiente para levá-los a lugares nunca explorados por nenhum dos dois.

– Preciso deixar uma coisa bem clara desde já – disse ela, olhando para ele, abandonando o jogo por um momento.

– Sim?

– Este é apenas um casinho de uma noite.

Em vez de se ofender, ele riu baixinho.

– Por que não esperar até depois de você ter realmente provado algo fora do cardápio antes de decidir se deseja ou não a sobremesa?

– Desconfio que você vá me satisfazer muito bem da primeira vez – disse ela, tentando parecer sedutora, mas sabendo que aquilo tinha soado quase cerimonioso.

A risada contínua dele confirmou isso.

Ela mordeu o lábio, o coração batendo de empolgação diante de todas as maneiras com que ela queria sentir o gosto dele. Mas as exigências de seu trabalho, sua viagem, seu compromisso com a empresa e sua alergia a qualquer coisa semelhante a um relacionamento a fizeram insistir:

– Não estou buscando nada sério ou de longo prazo. Sem complicações.

Soando quase aliviado, ele respondeu:

– Então estamos com a mesma intenção. Minha vida está tão cheia de gente agora, que o Ministério da Saúde vai me citar por causa da superpopulação.

Ela frisou a ideia mais uma vez:

– Então está bem claro. Uma noite e acabou. Nós vamos simplesmente nos divertir porque é feriado e estamos solteiros, e o desejo é mútuo. Brincamos a noite inteira e então cada um vai para o seu lado de manhã?

– Claro – disse ele com um meio sorriso que indicava que não estava falando sério. Mas Demi teve a sensação de que era o mais próximo de uma promessa que ele pretendia oferecer a ela.

– Tudo bem. Ótimo… perfeito.

Ele a encarou n escuridão, correndo a ponta do dedo indicador pelo rosto dela.

– Sim. Perfeito. Esta é exatamente a palavra que eu usaria.

Em relação a ela? A eles? Àquele momento, àquela noite e àquele maravilhoso interlúdio inesperado?

Todas as alternativas acima?

Quem se importa?

– Eu quero você, estranho – disse ela, sentindo-se ousada, louca, feroz de necessidade e desejo. – Eu quero você agora.

Ele gemeu, afundando as mãos no cabelo de Demi, puxando o rosto dela para lhe capturar a boca em um beijo profundo, intenso. Sem interromper o beijo, ele a reposicionou para colocá-la de costas para a porta, e então ele a imprensou ali. Todos os centímetros do corpo dela estavam envolvidos pelo dele, todas as curvas, ângulos e pontos, e ela gemia e se contorcia com a sensação de estar tão completamente sob o controle de Joe.

Ela não estava acostumada a tais sensações, nunca havia sido tão escravizada por uma pessoa, por um sentimento, por uma necessidade. Sentia-se impotente, imobilizada, capaz de apreciar apenas o que ele estava fazendo com ela, de se entregar completamente a todos os caprichos sensuais dele.

De algum modo, ela não se importava. Talvez porque tivesse ficado tanto tempo sem qualquer tipo de conexão física. Ou porque era Dia das Bruxas e ela estava vestida com uma fantasia maluca. Ou porque nunca tivesse feito joguinhos sedutores e sensuais como aquele que eles estavam fazendo esta noite, e de repente descobrira que gostava deles. Ou simplesmente tinha achado Joe mais atraente e empolgante que qualquer homem que já conhecera. Não importava.

O que estava acontecendo agora importava. Só aquilo.

– Por favor – sussurrou ela, não muito certa do que estava pedindo.

Descendo os lábios até o queixo dela, Joe deu beijos quentes na pele ainda mais quente. Ele saboreou o pescoço antes de navegar até o ponto da pulsação, lambendo delicadamente.

– Eu já disse que gostei muito da sua fantasia?

A boca de Joe foi descendo mais ainda, passando pela nuca, e ele roçou os dentes na clavícula dela, sempre muito delicadamente. Ela estremeceu. Sempre muito delicadamente.

– Eu também – admitiu ela falando sério. Arqueando contra Joe, ela gemeu ao sentir a própria blusa de seda contra seus mamilos sensíveis, rijos. O shortinho nunca lhe pareceu tão apertado, e a costura causava sensações maravilhosamente perversas a seu clitóris altamente sensibilizado.

– Acho que vai gostar ainda mais quando ela estiver no chão. – As mãos fortes de Joe desceram, acariciando os ombros dela, deslizando pelo comprimento dos braços. Seus dedos roçaram os dela em uma carícia tão leve e delicada que ela estremeceu com a necessidade de mais.

Ele abarcou os quadris dela, prendendo-a. Pressionada de encontro a ele, Demi quase chorava com a necessidade de ver, sentir, provar e ser preenchida pela ereção maciça que lhe pressionava a virilha.

– Você não acha que devíamos nos apressar antes de alguém vir nos procurar? – perguntou ela, impotente e desesperada para ele acelerar. Com mais força. Agora.

– Ninguém vai vir nos procurar.

Ela não ia desistir.

– Nem mesmo sua namorada?

Ele deu um sorrisinho, os dentes brancos brilhando sob a iluminação fraca.

– Oh, nós temos um relacionamento muito aberto. Ela me disse para vir aqui e aproveitar com você, e em seguida, contar a ela como foi.

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Estão gostando?
xoxo

Faça Meu Jogo - Capitulo 2 (2/2)


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DEMI PRECISAVA admitir… Joe Campbell tinha ficado um piloto da década de 1970 lindo. Fitando-o do outro lado do banco de trás do táxi, ela questionava o capricho estranho do destino, que colocara um homem solteiro tão sexy e charmoso em seu caminho quando ela mais precisava de um.

E ela definitivamente precisava de um. Fazia tempo desde que se sentira tão segura de si como mulher, tão em sintonia com as sensações percorrendo seu corpo. Todos os filmes tristes de fim de noite que rodavam em sua cabeça ultimamente, substituindo qualquer semelhança de uma vida amorosa de verdade, tinham sido meros marcadores de espaço, não substituíam o sexo maravilhoso que ela não vinha fazendo.

Aqueles filminhos mentais iam ter um novo personagem principal depois desta noite. Porque Demi tinha a sensação de que, antes de a noite terminar, ela ia estar dizendo: “Bem-vindo a bordo” e “Voe comigo”, e significando exatamente o que os antigos executivos da publicidade queriam que os passageiros pensassem que as aeromoças sensuais denotavam.

Ela queria Joe. Ele a queria. Era uma noite de Dia das Bruxas louca e ousada e ambos estavam solteiros e interessados.

Então por que não?

Tudo bem, ela nunca havia tido um casinho de uma noite com um total estranho. Mas sua melhor amiga, Jazz, tinha. Ela não acabou com a letra A escarlate marcada no peito ou com qualquer doença nojenta, nem precisou de terapia para se livrar de alguma culpa inexistente.

Considerando que Demi às vezes achava Jazz a única mulher de sua idade minimamente parecida com ela, ou a única que a entendia completamente, ela não a imaginava como um exemplo ruim a se seguir.

Além disso, Demi já havia se rendido a casinhos sem compromisso antes. Na verdade, considerando o quão mal seus últimos relacionamentos tinham terminado, um caso de uma noite soava perfeito.

Ela gostava de sexo. Gostava muito. Desta vez, simplesmente iria fazê-lo sem os dois pré-requisitos necessários: bebidas e então jantar. Ou se preocupar com o telefonema do dia seguinte. Joe iria voltar para sua vida em Pittsburgh, ela ficaria em Chicago, e eles iriam sorrir sempre que pensassem na noite em que tiveram uma aventurazinha ousada com um estranho em Chicago.

E o melhor de tudo: não haveria falsas tentativas de suicídio de malucos. Nem telefonemas de um bêbado dizendo que ela era uma bruxa irresponsável que gostava de partir os corações dos homens. E Joe não iria se tornar o mais novo membro do grupo virtual “Chutado por Demi Bauer” que, na verdade, tinha sido criado por um sujeito com quem ela havia saído durante seu primeiro ano de faculdade.

Deus, homens podiam ser tão chorões.

Voltando ao assunto: o casinho de uma noite.

Isso. Soava bem. Ela só precisava tatear para ter certeza de que Joe estava de acordo. A julgar pela forma como ele a estava devorando com os olhos desde o minuto em que se conheceram, Demi tinha a sensação de que a resposta era um grande e gordo “sim”.

– Como diabos eles respiram nestas coisas? – murmurou ele enquanto puxava o colarinho demasiadamente apertado de sua camisa. – Não consigo acreditar que não tinha havido acidentes provocados pela falta de oxigênio no cérebro dos pilotos.

– É só um terno, pelo amor de Deus – disse Demi, revirando os olhos para as queixas típicas do sexo masculino. – Acontece que ele está muito pequeno para você.

Eles tinham encontrado o uniforme antigo que Joe estava usando como fantasia no aeroporto, após o desembarque em Chicago. Não fora difícil. Muitas das empresas em O’Hare existiam há décadas, e Demi tinha amigos em praticamente todas elas. Um pouquinho de investigação, e ela conseguiu o contato do escritório de um sujeito que trabalhara transportando as bagagens desde a época da Pan Am. Ele sabia onde muito material antigo interessante era armazenado e uma hora após o pouso pôs nas mãos dela um uniforme de piloto, que só estava ligeiramente mofado, completo, com um quepe garboso e tudo.

Estava muito apertado nos ombros largos de Joe Campbell, mas largo em torno dos quadris estreitos e traseiro durinho. Quem quer que fosse o Capitão Confiável da década de 1970, ele definitivamente não tinha a constituição física de dar água na boca como a de Joe.

– Assim você vai rasgar – censurou ela enquanto ele continuava a puxar. – A peça é frágil o suficiente para isso acontecer.

Afastando as mãos dele, Demi tocou no forte pescoço, os dedos roçando a pele quente e macia. Uma respiração profunda roçou seus lábios quase fechados e de repente ela se sentiu um pouco tonta. Havia tanta virilidade inesperada nele, o tônus e a musculatura mais adequados a um atleta do que ao empresário chato que ela o acusara de ser.

Não que ela estivesse falando sério.

Nem um pouco. As roupas que ele estava usando podiam até ser conservadoras, mas o olhar dele, a contorção sexy dos lábios, o tom sugestivo da conversa… todas essas coisas não indicavam nada senão um homem excitante, intrigante.

Um brilho fino de suor umedecia o pescoço dele, bem onde a camisa marcava os tendões. Ela precisou morder o lábio inferior para se certificar de que não faria algo louco como se aproximar e provar aquela umidade, provar aquela pele. Ela ignorou o comando mental repentino para simplesmente fazer, concentrando-se em desapertar o botão superior e em afrouxar a gravata.

Joe não disse nada, só ficou olhando para ela, a expressão difícil de ler sob a iluminação fraca do táxi.

Quando ela terminou, deixou cair as mãos ao colo, torcendo os dedos sobre o casaco longo de inverno. Ele não combinava exatamente com seu traje, mas, apesar do outono suave daquele ano, costumava ficar muito frio quando o sol se punha. Ela sinceramente não sabia como as garotas estilosas de 1970 tinham aguentado.

– Então… Esse cliente de vocês, ele não vai se importar se você aparecer com uma… – Ela pensou nas próprias palavras, optando por não dizer “acompanhante”, e concluiu: – … convidada?

– É um pub – respondeu Joe, seus lábios sensuais curvando-se um pouco nos cantos. – Acho que eles podem lidar com um extra.

– Que belo emprego você tem, ter de ir a pubs para festas de Dia das Bruxas – comentou ela, tentando pensar em algo que não fosse a boca dele. O quanto ela queria aquela boca. E onde ela queria aquela boca.

– Eu não acho que chegue aos pés do seu… Voar até o Caribe para transportar os ricos em suas férias pecaminosamente caras.

– Eu costumo transportar empresários detestáveis e mimados para seus retiros corporativos pecaminosamente caros.

Ele fez um “tsc”.

– Tenho certeza de que eles consideram a verba dos paraquedas um dinheiro muito bem gasto. – Ele hesitou por uma fração de segundo, e depois acrescentou: – Então acho que eu devia estar feliz por você ter me chamado de entediante em vez de detestável e mimado?

– Você não é detestável – respondeu ela imediatamente.

Ele ergueu uma sobrancelha.

– Mimado?

Demi bateu um dedinho no queixo, fingindo pensar. Ela não desconfiava que aquele sujeito fosse mimado do jeito que alguns de seus clientes eram. Ele não tinha pose de rico, acostumado a todos se curvando diante de si à primeira solicitação. E definitivamente não era o tipo de cara que esperava que uma mulher abrisse as pernas à primeira menção de um objeto reluzente.

Sim, ela havia conhecido um monte de caras desse tipo. Demi ficou se perguntando que tipo de mulher trocaria uma noite debaixo de um velho suado, flácido e fora de forma por um par de brincos de diamantes.

Joe não era como esses velhos, nem física nem mentalmente. Demi tinha a sensação de que ele era bem-sucedido, mas não financeiramente mimado.

Mimado de outras maneiras? Talvez.

Tinha a ver com a autoconfiança dele, o sorrisinho quando perguntara se ela era solteira, e disse estar acostumado a conseguir o que queria quando se tratava de mulheres. A maneira como ele se sentara a poucos centímetros de distância, casual e confortável quando ela estava formigando de emoção pela proximidade entre eles, dizia que Joe estava muito seguro do que queria que acontecesse entre eles, e sobre sua capacidade de fazer acontecer.

Sexualmente confiante, sim. Mas mimado? Não. O cara que parecia que ia vomitar durante o voo era adoravelmente sexy e vulnerável. Não havia nada daquela coisa assustadora e idiota do tipo “sou bom e sei disso” nele.

– Você não é mimado – admitiu ela.

– Espero que não. Como o mais velho de seis filhos, aprendi muito cedo a não contar que nada que eu possuía ficaria imune a empréstimos, danos ou perdas.

– Seis filhos! – A ideia em si a apavorava. Uma irmã, irmã perfeita, boazinha, igual aos pais e que fazia exatamente o que era esperado dela e que nunca saíra da linha já era o suficiente para Demi, muito obrigada. – Meu Deus. Seis. Não consigo nem imaginar isso – murmurou ela.

– Ah, sim. – Ele deu uma risadinha quando acrescentou: – Nunca era entediante.

Demi mordeu o lábio antes de responder, um pouco timidamente:

– Desculpe pelo que eu disse. Eu só estava tentando fazer você relaxar.

Joe podia fazer jus à parte de empresário, mas nenhum homem com aquele visual, aquela boca e aquele brilho de interesse nos olhos poderia ser chamado de entediante.

– Então, como funciona essa sua estratégia de trabalho?

Confusa, ela perguntou:

– Que estratégia?

– Insultar os caras para relaxá-los. Funciona direitinho?

Ao ouvir o riso no tom dele, sabendo que estava rindo de si mesmo também, Demi teve de admitir que gostava de Joe Campbell.

Desejava. Gostava dele. Dois pontos marcados em sua lista mental não sou uma vadia e não costumo ter casos de uma noite.

Esta noite estava ficando melhor a cada minuto.

– Funcionou comigo, a propósito. – Ele se recostou mais no banco, virando um pouco para encará-la. Os reflexos fracos vindos dos postes pelos quais eles passavam marcavam suas belas feições com luz e sombra. A respiração dele criava pequenos vapores no ar frio que não podia ser suplantado pelo aquecedor fraco do carro. A voz dele saiu grave e densa quando ele prometeu: – Porque estou ansioso para provar que você está errada, Demi.

O coração dela falhou uma batida. Só uma. Algo no modo como seu nome rolou suavemente, calmamente, no sussurro dele, a excitou. Mas ela conseguiu manter a própria respiração estável.

– É?

Ele assentiu.

– Não há nada de entediante sobre o que vai acontecer entre nós.

Um arrepio de excitação a percorreu.

Começou nos lábios, que tremeram e se entreabriram em seguida, daí desceu pelo corpo inteiro, que de repente parecia muito mais… alerta, de alguma forma. O frio estava mais cortante, a pelagem áspera do casaco raspando nas coxas nuas dela. Os seios formigavam sob o poliéster escorregadio da blusa, a sensação sensual contra os mamilos rijos.

A excitação tinha despertado cada centímetro dela. Havia estado lá, faiscando logo abaixo da superfície, há horas, desde que ela avistara Joe naquela pista em Pittsburgh. Agora a faísca se espalhara em um incêndio de interesse e excitação, muito embora ele não a tivesse tocado.

Ele sabia. Tinha de saber. O ar parecia espesso com a certeza súbita de Demi sobre o quanto queria aquele homem. Essa certeza deve ter chegado à Joe por meio das respirações arfantes e audíveis, da forma quase imperceptível como ela se inclinava para ele, irresistivelmente atraída pelo calor dele. Pelo tamanho dele. Pelo perfume dele.

A mão grande, forte deslizando no cabelo dela e lhe abarcando a cabeça não foi nenhuma surpresa. Ela sorriu de expectativa quando ele virou o rosto dela, inclinou o queixo para cima, e então se abaixou em direção a ela. Os hálitos se misturavam no ar da noite fria e um chiado quase tangível de emoção precedeu o primeiro encontro de seus lábios.

Um segundo depois, o ar frio desapareceu. Nada podia separá-los.

O primeiro beijo não foi um roçar tímido de lábio no lábio, nem houve qualquer hesitação, ou até mesmo um suspiro na emoção. Em vez disso, foi forte e molhado. Sensual. Confiante e ávido, Joe entreabriu os lábios e deslizou a língua contra a de Demi, saboreando profundamente, completamente, com prazer, mas sem desespero.

Um prazer que poderia facilmente levar ao desespero, ela não tinha dúvida. Mas, apesar do fato de eles estarem no banco de trás de um táxi qualquer, e de haver uma plateia de um homem só, cortesia do espelho retrovisor, Demi não se importou.

Ela queria aquilo. Almejava aquilo.

Então ela não resistiu, ou mesmo hesitou. Em vez disso, reagiu com puro instinto, abraçando o pescoço de Joe. Inclinando a cabeça para o lado, convidando-o silenciosamente a ir mais fundo. Ela gemeu com as delícias da língua macia, saboreando-o e explorando o interior da boca máscula.

Ele era quente e sólido, o cheiro masculino e repleto de especiarias preenchendo a cabeça dela, enquanto o calor contra seu corpo afugentava quaisquer vestígios finais de frio.

Finalmente, ele concluiu o beijo, afastando-se lentamente, o suficiente para fitá-la nos olhos. Ela enxergou desejo ali. E algo mais: excitação. Prazer.

Ele sorriu. E Demi enxergou ainda mais: autoconfiança. Ele confirmou com um sorriso largo e satisfeito.

– Isto vai ser muito divertido.

– A festa?

Ele balançou a cabeça.

– Você e eu.

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Quero ver vocês participando! Quem tiver tt me segue lá --> @SraCabeYo
xoxo

Faça Meu Jogo - Capitulo 2 (1/2)


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A VIAGEM de Pittsburgh para Chicago foi curta, tranquila, mesmo em um dia ruim. Felizmente, além do fato de ele estar pegando seu primeiro voo em uma aeronave que não parecia muito maior que seu utilitário, o dia estava se preparando para ser muito bom. E ele não pensava só no clima, que estava fresco, limpo e claro.

Quando eles decolaram, Joe reprisou a situação em sua mente outra vez. Uma hora no ar, que bom. Durante meros 60 minutos ele poderia enganar seu cérebro e acreditar que não estava realmente sentado dentro de uma lata gigantesca, cruzando os céus de alguns estados.

Depois disso, ele enfrentou uma viagem curta de táxi até a mais nova cadeia de pubs de propriedade de uma família rica de Chicago, os Braddock. Recentemente, eles haviam concordado em servir a Campbell Lager como cerveja da casa de alguns de seus bares. Era um pé na porta, e Joe esperava aumentar a conta e levá-los a expandir seus pedidos para incluir a cerveja em todos os seus estabelecimentos. Sendo assim, ele não pôde recusar quando recebeu um telefonema do velho sr. Braddock naquela manhã, pedindo que Joe fosse à inauguração da unidade mais nova esta noite.

Não teria de ficar muito tempo, bastaria apertar algumas mãos e dizer alguns obrigados. Ele cumpriria suas obrigações em menos de uma hora.

E depois disso… o quê?

Ele tinha a intenção de pegar um voo comercial de volta a Pittsburgh esta noite. A viagem da tarde tinha sido muito improvisada para voar dessa forma, mas não havia nenhum jato regional saindo às 22h para que ele pudesse pegá-lo. Se quisesse.

Contudo, desde que cruzara a pista em direção ao jatinho particular e vira a mulher que estava no início da escada, ele não quis. Porque bastou uma olhadinha nela e ficou interessado. Uma palavra, e ele ficou intrigado. E uma breve conversa, e ele foi completamente fisgado.

Não tinha a ver só com o fato de ela ser linda. Ele sabia muito bem que a beleza não passava de um prazer superficial. Além disso, ele não era chauvinista. Tinha quatro irmãs, três delas solteiras e morando na casa de seus pais, e a quarta delas era mãe solteira divorciada. Como seu irmão estava apenas no início da adolescência, Joe tolerava o peso total do julgamento feminino contra seu gênero. O único outro macho adulto nas proximidades era Ralph, seu labrador preto, que perdera sua pretensão de masculinidade nas mãos de um veterinário implacável quando tinha apenas 6 meses. Uma veterinária, uma mulher.

Então, sim, Joe era esperto e nunca julgava uma mulher apenas pela aparência dela.

O corpo incrível de Demi Bauer, o cabelo castanho-avermelhado denso que pendia pelos ombros e o rosto perfeito podiam até ter feito o coração dele parar por um segundo ou dois. Mas o sorriso, a voz rouca, o brilho dos olhos verdes e o humor mordaz fizeram o coração dele parar completamente.

Então o que você vai fazer a respeito?

Ele precisava decidir. E agora tinha apenas aproximadamente 45 minutos para fazê-lo.

Em qualquer outra situação, se eles tivessem se conhecido em uma reunião de negócios ou em um bar local, ele provavelmente não teria cogitado isso. Estava vivendo praticamente em um aquário nos últimos dois anos, com todos os seus movimentos analisados e dissecados pela família. Colocar uma mulher em cena significava incitar o tipo de comentário detalhista que ele não queria.

Entretanto isso era totalmente diferente. Seu piloto era alguém que ele nunca tinha visto e que, depois de hoje, provavelmente nunca mais veria. Tal ideia de repente o fez se perguntar sobre as maneiras como eles poderiam passar o dia.

Felizmente, pensar em todas aquelas coisas serviu para distraí-lo de todos os pensamentos sobre a parte aterrorizante da decolagem. Eles ficaram papeando enquanto ela se preparava para o voo, mas assim que os pneus começaram a rolar na pista, a garganta de Joe ficou apertada demais para conseguir expelir qualquer palavra.

Ele se obrigou a engolir em seco.

– Então… piloto em tempo integral, não é? – questionou ele, sabendo que a pergunta era tola. Mas era melhor que o silêncio que se estabeleceu entre eles enquanto ela estava ocupada colocando-os no ar.

Também era melhor que olhar pela janela, fosse para o chão, que estava ficando mais distante a cada minuto, ou para a asa do avião, que parecia pequena demais para ser a única coisa a impedi-los de sofrer uma queda a 20 mil pés de altura.

Ele desviou o olhar.

– Isso.

– Deve ser bem interessante.

– É melhor que ser professora de jardim de infância, que era o que meus pais queriam que eu fizesse.

Ele soltou uma risada. Ela. Professora de jardim de infância. Certo. Em sua lista mental de carreiras, aquela mulher como professora recatada e sossegada estava longe do topo dentre zilhões de opções.

Atriz. Uma espiã sedutora. Estrela de rock. Designer. Deusa do sexo. Sim, essas ele achava que combinavam. Mas, definitivamente, professora, não.

Ela olhou para trás, uma sobrancelha erguida, embora seu sorrisinho informasse que ela não se sentira verdadeiramente ofendida. Joe estava sentado no primeiro banco de passageiros, do lado oposto da cabine, e os olhares de ambos se sustentaram por apenas um segundo antes de ela olhar para a frente outra vez.

– O quê? Você acha que eu não poderia ser professora?

– Hum, hum. – Ele levantou a mão rapidamente, na defensiva. – Não é que eu não ache você inteligente o suficiente. Você simplesmente não parece do tipo que gostaria de trabalhar com crianças.

Ela, no entanto, parece ser maravilhosa no ato físico para fabricar crianças. Não que ele fosse dizer isso a uma mulher que conhecera há menos de uma hora.

Ele precisaria de duas horas, no mínimo.

– Sou boa com crianças, devo avisar – insistiu ela. – Os filhos dos meus amigos e primos me amam.

Ele não duvidava.

– Porque você traz coisas legais de suas viagens para eles e pilota um avião?

Ela deu de ombros, sem negar o palpite dele. E nem se virou, mantendo os olhos no céu adiante. O que era bom. Joe preferia muito mais seu piloto atento a quaisquer helicópteros aleatórios voando alto, ou ônibus espaciais a baixa altitude.

– Não estou criticando isso – disse ele. – Eu sou o rei da distribuição de brinquedos barulhentos para os filhos da minha irmã. Sei que os presentes a enlouquecem por muito tempo depois que vou embora.

Ela riu, um riso baixinho e demorado, como se estivesse relembrando alguma lembrança pessoal. A risada cálida de Demi Bauer pareceu percorrer a cabine e roçar na pele dele como uma brisa suave em um dia de verão. Ele quase foi capaz de senti-la.

Joe se remexeu no assento, tentando manter o foco na conversa despretensiosa. E não no quanto queria sentir o riso de Demi de encontro aos seus lábios, assim ele poderia respirar o mesmo ar que ela.

– Acredite ou não, acho que você seria uma professora boa para diabo.

– A-hã. Já consigo até ouvir uma menininha de 5 anos chamada Brittany voltando para casa e contando à mamãe que se divertiu para diabo aprendendo o abecedário.

Ela continuava olhando para a frente.

Não precisou virar. Sua reação foi esclarecida pelo abano casual da mão direita e pelo lampejo de seu dedo médio.

– Ei, as duas mãos no manche, senhora – disse ele, os ombros tremendo com a risada. Sua piloto particular sensual tinha acabado de mandar um dedo do meio em riste para ele. Droga, ele gostava daquela mulher. Joe não se ofendeu. Na verdade, ficou mais grato que qualquer outra coisa por ela já estar tão à vontade com ele.

Era estranho, uma vez que tinham acabado de conhecer, mas ele se sentia do mesmo jeito. Ah, não em relação a estar em um avião pequeno muito acima do solo… mas em relação a ela. Como se ele pudesse dizer qualquer coisa e ela ficasse numa boa. Demi tinha um jeito tão descontraído. E combinava com o espírito aventureiro que havia colocado no cockpit de um avião usando botas de vinil e um short curtíssimo.

Pessoalmente, ele tinha a sensação de que eles iam se dar tremendamente bem. Sentia-se mais relaxado com ela do que com qualquer pessoa, incluindo ele mesmo em meses.

Exceto pela coisa toda de “estar em um avião pequeno”. Fato que ele estava tentando esquecer.

– Tudo bem, peço desculpas – disse ele. – Tenho certeza de que teria sido ótimo. Mas acho que qualquer mãe com um neurônio na cabeça insistiria em tirar o filho da sua turma antes de o pai participar da primeira reunião de pais e professores.

Ela não respondeu. Mas o dedo do meio não veio, tampouco.

– Agora, voltando ao assunto. Seu trabalho. Acho que você gosta de voar, não é?

Antes que ela pudesse responder, o avião arremeteu de repente, em seguida, desceu depressa, embora não por uma distância muito longa, como uma pipa sendo levantada e gentilmente atingida por uma rajada de vento inesperada.

– Jesus…

– Não se preocupe, foi apenas um bolsão de ar. É completamente normal. Em um jato deste tamanho, apenas sentimos a turbulência com um pouco mais de força que de costume.

Por que um pequeno bolsão de ar era diferente do restante da imensa atmosfera, ele não tinha ideia. Só sabia que não gostava nada daquilo.

– Certo, hã, pode ficar longe dos bolsões, por favor?

– Claro – disse ela, bufando e, embora ele não pudesse vê-la, provavelmente revirando os olhos. – Vou prestar atenção aos sinais de perigo e contorná-los.

– Sua empatia teria sido de grande ajuda lecionando para crianças.

Em vez de sentir-se insultada, ela riu, de um jeito bonitinho, autodepreciativo.

– Lamento. – Então, embora não tivesse se virado completamente, ela o espiou com sutileza. O suficiente para ter um vislumbre do rosto provavelmente tenso de Joe. – Devo presumir que eu gosto de voar mais que você, certo?

– Não é minha atividade favorita.

– E aposto que é ainda pior quando você não está escondido dentro da barriga de um 747 imenso, tentando não captar o nervosismo de todos os outros passageiros que estão imaginando o pior?

– Exatamente.

Ela assentiu uma vez, então ofereceu:

– Não lhe ajuda pensar que é mais fácil manter uma aeronave menor no alto do que algum avião comercial grande, monstruoso? Assim como uma pluma na brisa?

– Não – admitiu ele. – Na verdade, só consigo ficar pensando na relação homem/asas.

– Relaxe. Eu não sofro um acidente aéreo há, hum, um mês pelo menos.

Odiando a piada, ele a fitou com olhos semicerrados.

– Que sorte a minha, a humorista de short apertado é o piloto.

– Desculpe. Apenas pensei que se você risse um pouco, poderia relaxar.

– Diga algo realmente engraçado e poderei relaxar. – Embora, ele duvidasse. Um ansiolítico ou uma dose de gim poderiam ajudá-lo a se acalmar. Ou as mãos daquela mulher. Daí novamente, se as mãos daquela mulher um dia pousassem em cima dele, tranquilidade certamente não serviria para descrever seu estado de espírito.

– Por que você não tenta fechar os olhos e simplesmente fingir que está em outro lugar?

– Fingir?

– Você sabe. Fantasiar. – A voz melódica, como se ela fosse um hipnotizador, o muniu com uma fantasia. – Você está em um carro, uma condução segura, subindo uma montanha em direção a um lindo hotel antigo.

– Tudo bem, isto não está ajudando.

Estou pensando em Jack Nicholson seguindo para o hotel em O iluminado.

Ela deixou um suspiro escapar.

– É uma estação de esqui exclusiva, glamourosa, não assombrada. Não há nada ao seu redor além de neve intocada, branquinha, céu azul, ar puro.

– Sujeitos com machados…

– Não me faça voltar lá!

– Está bem, está bem… – disse ele fazendo uma careta.

Joe fechou os olhos e tentou visualizar. Ele realmente criou uma fantasia. Mas não evocou nenhuma montanha. Nenhum carro. Nenhuma estação de esqui.

Uma gata usando um chapéu felpudo, short curtinho e esquis… isso foi o mais próximo que Joe conseguiu.

Ele suspirou. Não necessariamente porque era uma coisa ruim, mas porque a visão era tão sensual, que ele ficou um pouco tonto.

– Você não costuma usar sua imaginação. Eu já devia saber.

Ele abriu os olhos.

– Eu tenho imaginação.

– A-hã. Deixe-me adivinhar, na maioria das vezes você se imagina chegando à reunião de vendas seguinte ou fechando algum grande negócio.

Joe se remexeu um pouco, sem responder. Até ele se aproximar dela na pista, essa informação era bastante precisa. Desde então, porém, Joe começou a imaginar outras coisas. Mas dizer a ela que estava errada significaria ter de confessar tais pensamentos, coisa que ele não estava disposto a fazer… novamente, pelo menos não depois de uma hora na presença dela.

Embora duas horas lhe parecesse sempre uma opção melhor.

O avião deu um tranco de novo, rapidamente, para cima e para baixo. O estômago de Joe saltou com ele… pelo menos na subida. Ele não acompanhou todo o movimento e sossegou no lugar.

Joe sentiu seu rosto empalidecer.

– Acho que nós acabamos de atropelar um alce. Ou um esquiador perdido.

– Há um frigobar entre os assentos. Aparentemente você precisa de uma bebida. – Ela riu. – Ou de um calmante.

– Uau. Isso é que é atendimento de primeira classe.

– Brincadeirinha.

– Sim. Percebi isso – disse ele, ignorando a oferta. Ele não precisava de uma bebida. Só de uma distração.

Felizmente, uma das distrações mais sexies que ele já tinha visto estava sentada a poucos metros de distância.

Contanto que não se humilhasse vomitando no carpete do jato imaculado, ele tinha toda a intenção de desfrutar daquele voo na companhia de Demi.

E talvez mais que isso.

Afinal de contas, por que não deveria? Ele já havia gostado do senso de humor dela, da maneira competente com que ela lidava com os controles, da risada baixinha. Havia muito do que gostar naquela mulher além de suas pernas matadoras. Isso sem mencionar o restante do pacote físico. Ela era perspicaz e inteligente, astuta, esperta. Muita coisa para se gostar. Muita coisa para se desejar.

E ele poderia gostar dela, desejá-la… talvez até mesmo tê-la, sem nenhuma das complicações que surgiriam caso ele estivesse num raio de 80 quilômetros perto de casa. Lá ele nunca se sentia livre para fazer alguma coisa por nenhuma outra razão do que o fato de simplesmente querer. A ideia de afastar toda aquela responsabilidade momentaneamente, de aproveitar uma coisa boa e curtir intensamente só porque ele podia era incrivelmente atraente.

– Esta é sua primeira vez num avião fretado? – perguntou ela.

O avião sacudiu um pouquinho e Joe instintivamente agarrou os braços da poltrona.

– Está tão óbvio assim?

– Você tem aquele brilho dos iniciantes.

Hum. Será que os vampiros brilhavam? Porque ele imaginava que seu rosto provavelmente estivesse tão branco quanto o de um.

– Deve ser uma viagem muito importante.

Ele balançou a cabeça.

– Assim lhe parece, certo? Mas na verdade estou indo para uma festa de Dia das Bruxas.

Ela olhou por cima do ombro, surpresa. Joe acenou para ela olhar para a frente.

– Mantenha seus olhos na estrada, por favor.

– Não se preocupe. Não vou bater na traseira de um carro velho e lerdo na hora do rush.

Ele já ficaria feliz se ela não batesse na traseira de um ganso voando devagar.

Um ganso-do-canadá bem grande.

Ai, Deus, um desses tinha derrubado uma enorme avião, não tinha?

Pare de pensar nisto.

Certo. Ele tinha coisas muito melhores em que pensar. No modo como sua empresa familiar estava crescendo sob sua gestão, mesmo naquela economia ruim. No sucesso de sua primeira campanha nacional de marketing. Na casa que ele tinha acabado de reformar e que considerava sua fortaleza particular no meio do seu mundo maluco. Na piloto sensual usando short curtinho que ele ficava imaginando usando um par de esquis, e cujas curvas ele adoraria explorar. Coisas muito melhores.

– Então, festa de Dia das Bruxas, é? – comentou ela. – Se este é você fantasiado, como se veste normalmente? Quero dizer, na sua vida real, você é um motoqueiro que geralmente usa couro preto e correntes? Está vestido de empresário entediante só para esta ocasião?

Joe se inclinou para a frente, pousando os cotovelos sobre os joelhos, e olhou para o cabelo sedoso na parte de trás da cabeça dela.

– Cof, cof. Entediante?

– Foi uma piada. Eu só estava tentando distrair você.

Talvez. Ou talvez ela realmente o achasse entediante.

Ele deveria ter se sentido um pouco ofendido. Joe havia rechaçado a maioria das mulheres solteiras em sua cidadezinha natal desde os tempos de colégio . A maioria delas. Definitivamente, não rejeitara todas, pelo menos não até dois anos atrás, quando sua vida ficara tão descontrolada. E ele desfrutara de sua cota de flertes discretos ao longo dos anos. Poderia ter aproveitado o suficiente para se qualificar no status de meia dúzia de homens se quisesse. Suas irmãs estavam sempre falando sobre as maneiras com que as ávidas mulheres tentavam chamar a atenção dele.

É verdade, as mulheres em questão não eram mais meninas festeiras de 20 e poucos anos que tinham atravessado a porta giratória do quarto dele há alguns anos. Agora eram mulheres com uma carreira que enxergavam o empresário estável com boa renda e a reputação de um grande sujeito que ajudava sua família. Mas havia uma boa quantidade delas, e definitivamente não negariam se ele um dia começasse a chamá-las para sair.

Ele não era o sujeito mais lindo do universo, e desconfiava que o dinheiro que originado da cervejaria bem-sucedida da família fosse parcialmente responsável pela atenção. Mas ninguém jamais o chamara de entediante antes, isso era certo.

Droga, aquilo foi cruel.

E, caramba, ela estava certa. Para o inferno com todo aquele bombardeio mental sobre o sucesso dos negócios, e sobre quantas mulheres já o tinham seduzido. Sua vida pessoal era exatamente o que aquela bela mulher imaginou que fosse.

Entediante.

Cozido na mediocridade e mergulhado na mesmice, ele se permitira desaparecer em uma rotina bem diferente da que tinha imaginado para si. O tédio o agarrara pela gola de seu terno abafado e o obrigado a permanecer em sua caixinha formada por família, negócios, responsabilidades. Ele não tinha sequer tentado sair dessa caixa em muito tempo.

Talvez fosse a hora. Talvez ele devesse escutar sua tia-avó Jean: viver, enlouquecer um pouquinho, ter uma aventura.

Soava louco, algo impossível há algumas semanas, quando ela irrompera em seu escritório. Agora? Nem tanto. Principalmente porque de repente ele havia encontrado alguém com quem gostaria de enlouquecer um pouquinho.

Naturalmente, havia um obstáculo.

– Você é solteira? – perguntou direto ao ponto.

Ela retesou os ombros um tiquinho e hesitou. Então, com um leve bufar trêmulo que ele ouvira de sua poltrona, como se ela tivesse tomado alguma decisão, ela meneou a cabeça uma vez.

– Sim. Totalmente livre. Você?

– Na mesma situação.

Ele não ponderou mais. Ela podia até ter jogado a palavra entediante em cima dele, no entanto Joe havia notado o olhar de interesse em seus olhos antes de embarcarem. O leve arfar dela agora, e a súbita tensão de seu corpo curvilíneo sentado tão rigidamente na poltrona, lhe diziam que os pensamentos dela tinham tomado o mesmo rumo que os dele.

Ter uma aventura.

Parecia uma boa ideia para ele.

– Então… Você gosta de festas de Dia das Bruxas?
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Começando a maratona! A cada 2 horas (sim, eu sei que é muito tempo, mas assim dá tempo de mais pessoas verem) tem capítulo novo. Mas vocês tem que prometer que irão comentar, porque se não eu vou ficar muito triste e tristeza leva a sem mais maratonas.
xoxo e COMENTEM