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22.7.15

O Sucesso Em Meus Braços - Capitulo 12 - Último

Demi tinha apenas acabado de tomar um banho e ainda estava com uma toalha enrolada na cabeça quando o celu­lar tocou. Ela consultou o identificador de chamadas e fi­cou alarmada ao verificar que se tratava do número da sua cafeteria, que já deveria estar fechada naquele horário. Talvez fosse o alarme automático que estava conectado ao seu celular. Anna havia mencionado que tinha acontecido um problema com o alarme enquanto Demi esteve fora.

Que ótimo!, ela exclamou em pensamento. Passara o dia inteiro tentando acalmar a tontura por causa da dife­rença de fuso horário e agora que pretendia relaxar depois de um banho, precisava ir até o Café Niche e verificar o que estava acontecendo. Ela adorava o Niche, mas em momentos como aquele, Demi desejaria não ser a única proprietária do café.

Ela retirou do armário um conjunto de moletom que costumava usar em suas aulas de ioga e uma jaqueta com capuz para colocar por cima do agasalho. Depois de ves­tir-se, ela apanhou seu molho de chaves e saiu apressada na direção do café.

As luzes dos painéis de neons que refletiam sobre a rua elevou-lhe o ânimo. A agitação das noites na cidade de Melbourne fora a principal razão que a atraíra para morar ali.

Sim, Melbourne sempre fora o seu grande sonho. Mas será que ali era o lugar onde ela deveria prosseguir com sua vida?

Bem, isso dependeria do que o seu sexy marido deci­disse fazer.

Demi se dirigiu para a porta dos fundos do bar e a abriu. Entrou no salão e aguardou que o alarme disparas­se. Mas nada aconteceu.

— Mas que droga!  ela praguejou em voz baixa. Será que o aparelho havia quebrado outra vez?

Antes que ela alcançasse, o interruptor para acender as luzes, ela ouviu um ruído num canto do salão e sentiu os pelos da nuca se arrepiarem de medo. Então distinguiu um vulto que caminhava na direção dela em plena escuridão. Com a adrenalina jorrando como louca em suas veias, Demi foi para trás do balcão e apanhou uma das facas que estavam em uma gaveta. Com a mão trêmula, mante­ve a faca segura e esperou que o intruso se aproximasse. Ela lembrou-se dos roubos que estiveram acontecendo na região, onze meses antes, e por causa disso, tivera que se mudar para o apartamento de Joe. Com o coração na boca e a pulsação acelerada, Demi olhou aterrorizada para o vulto que se aproximava cada vez mais. Até que reconheceu o rosto de Joe.

Suspirando aliviada, ela repousou as mãos sobre o bal­cão e arfou repetidas vezes.

— O que você está fazendo aqui? Quase me matou de susto!

Joe sorriu.

— Desculpe-me por tê-la assustado. Eu pretendia lhe fazer uma surpresa.

— E pode apostar que conseguiu fazer isso!  ela ex­clamou com a voz mais irritada do que pretendia.

O sorriso dele desapareceu dos seus lábios ao perceber o quanto Demi estava zangada.

Ela suavizou a expressão do rosto e contornou o balcão do bar para poder cumprimentá-lo.

— Desculpe-me a grosseria. Eu fiquei apavorada quan­do me lembrei dos roubos que já aconteceram pela vizi­nhança. Na verdade, estou muito feliz por ver você.

— É mesmo?

Ele estudou o rosto dela e aguardou pelas respostas que ele desejava saber.

— Quando você não respondeu ao meu e-mail, eu considerei que tivesse decidido prosseguir com a sua vida.

— Eu estava lhe dando o tempo que você precisava para pensar a nosso respeito.

— Acontece que antes...

— Não existe o antes e sim o agora  ele declarou e avançou um passo coma se fosse abraçaria e depois se arrependeu.

Tudo o que Demi queria era que ele a abraçasse e nunca mais a deixasse partir. Porém ainda havia alguns pontos que ela desejava esclarecer.

— Eu tenho muita coisa para lhe contar Joe  ela revelou com um brilho de alegria nos olhos que foi capaz de reacender as esperanças dele.

— Teremos tempo para isso  ele avisou e finalmente a abraçou. Os lábios se tocaram, e um beijo repleto de saudades e paixão aconteceu.

Demi sonhara muito tempo com esse beijo enquanto estava na Europa. Por isso, se ancorou nos ombros dele e correspondeu à carícia com toda a força do seu ser. As línguas se provocavam e as mãos exploravam o corpo um do outro em uma ansiedade louca de sufocar o desejo re­primido por tanto tempo. Entretanto, ela interrompeu o beijo em um determinado momento, porque precisava lhe contar sobre o milagre que havia acontecido e que muda­ria o rumo das suas vidas para sempre.

— Eu preciso lhe contar uma coisa Joe.

— Então eu acho que devemos nos sentar, já que insis­te em ter uma conversa comigo  ele sugeriu com um sorriso enquanto começava a afagar o cabelo dela.  Ei! Você cortou o cabelo?

— Você levou muito tempo para perceber isso  ela falou em tom provocativo.

Joe acoplou o rosto dela entre as imensas palmas e lançou um olhar de aprovação.

— Ficou excelente!  A ternura que ele exibia no olhar era mais convincente do que as palavras.  Você está mais bonita ainda!

Demi poderia dizer o mesmo de Joe, porém ela não era muito boa quando se tratava de elogios. Contudo, ele lhe parecia magnífico desde o cabelo revolto até as solas do calçado que usava. Depois de ter viajado por Paris, Roma. Milão e Veneza e ter visto inúmeros homens muito bem vestidos e atraentes, ela poderia garantir que nenhum deles se comparava à beleza da musculatura bem definida do corpo de Joe, assim como do contorno perfeito do seu rosto ou do sorriso incomparável e o brilho dos olhos azuis com reflexos acinzentados, que tinham a capacidade de mudar de cor conforme o humor dele.

Capturando as mãos dele, ela avisou:

— Eu realmente preciso lhe dizer algo antes que eu morra de ansiedade  ela insistiu.

Ele apertou as mãos dela como se estivesse com medo de que ela se afastasse outra vez.

— Eu não pretendo ir para lugar algum se é isso o que está pensando.  Ela brincou ao notar o nervosismo dele.

— Quer dizer agora ou para sempre?

— Isso irá depender de você.

Joe asseverou as feições e livrou as mãos dela.

— Você sabe o que eu sinto por você, mas estou decidi­do a nunca mais pressioná-la. Você já teve tempo sufi­ciente para pensar e fez o que achava que deveria fazer. E eu ainda estou aqui. Mas quero que saiba de uma coisa, Demetria. Eu não estou disposto a passar o resto da minha vida esperando por alguém que não me ame o suficiente para compartilhar seus problemas comigo. Por isso, acho me­lhor dizer logo o que você tem em mente.

O que ele lhe dizia era muito justo, ela pensou. Mas por onde deveria começar?

No instante em que ela procurou pela ponta do rabo de cavalo para começar a torcer e se deu conta de que ele não existia mais, Demi teve a ideia de começar o assunto pelo motivo de ter decidido cortar o cabelo.

— Eu decidi cortar o meu cabelo quando estava em Roma. Exatamente vinte minutos depois de ter recebido uma graça divina.

Ele ergueu uma sobrancelha e a olhou com ceticismo. O que tudo isso tinha a ver com o problema deles?

— Eu estava sentada em um café próximo da Piazza e comecei a pensar que tudo aquilo que eu estava fazendo para me afastar de você estava errado. Sem você, não ha­via nada que me divertisse naquela viagem.

Ele franziu o cenho, e a expressão em seu rosto bonito estava ainda mais confusa.

— Mas essa viagem não era tudo o que você queria?

— Sim. Pelo menos a princípio. Eu estava tão obceca­da com a ideia de lhe retornar o favor que acabei ignoran­do o fato de que o seu sonho sempre fora o meu também.

— Eu ainda não entendo aonde você quer chegar. Por acaso está se referindo ao fato de que deseja tentar ter um bebê?

Ela apertou os lábios antes de dizer:

— É muito tarde para isso.

Houve um silêncio e uma tensão no ar. Joe estreitou os olhos e arriscou:

— Está tentando me dizer que...

— Sim. Eu estou grávida!

Os olhos acinzentados de Joe se arregalaram com o choque. Ele ergueu a mão direita e roçou o queixo por alguns momentos.

— Grávida? Mas...

— Inacreditável, nãé?

Joe permaneceu imóvel. Sentia-se incapaz de mover um músculo sequer.

— Eu não posso acreditar nisso! Acho que estou so­nhando. Você tem certeza? Nós vamos ter um bebê?

— Pode apostar. O laboratório já confirmou a minha suspeita.

Demi ostentou um sorriso de felicidade e aguardou que ele a erguesse no ar e rodopiasse com ela no salão, como sempre fazia para comemorar alguma vitória.

Porém, para surpresa dela, Joe se recostou no balcão e assumiu uma postura de seriedade.

— Então foi por isso que você voltou? E não porque descobriu que me amava e que queria prosseguir com nosso casamento em nome desse amor? Você voltou por que descobriu que estava grávida e necessitava do meu apoio, nãé?

— Não! Isso nãé verdade!  ela exclamou em tom de desespero.  Eu voltei por sua causa! Por que eu o amo! O bebê significa um presente dos céus, um precioso milagre, mas eu já havia decidido voltar para você quando descobri que estava grávida.  Demi sentia o coração bater como louco dentro do peito. Ela jamais se perdoaria se perdesse o marido por causa de um mal entendido. — Eu te amo, Joe. E prometo que não haverá mais viagens e nem essa história de colocar os seus sonhos na frente dos meus. Desta vez, serão os nossos sonhos que nos con­duzirão. E isso é tudo o que eu quero. E quanto a você?

Após alguns minutos, que mais pareceram uma eternida­de, Joe aliviou o semblante e segurou a mão de Demi. Depois, gentilmente, entrelaçou seus dedos nos dela.

— Venha comigo. Eu vou lhe mostrar o que eu quero.

Com os nervos à flor da pele, Demi se deixou condu­zir pelo marido até um canto distante do salão, onde havia uma mesa reservada para ocasiões especiais. Ela conser­vava aquele canto discreto no salão para servir os recém-casados que costumavam frequentar o bar por oca­sião da lua de mel. A mesa ficava protegida dos olhares indiscretos por dois painéis com estampas floridas e havia dois sofás brancos e macios, um de cada lado da mesa.

Aquele ambiente romântico que Demi idealizara sempre era disputado pelos casais que estavam de passa­gem por Melbourne.

Quando eles se aproximaram da mesa, Demi desco­briu que havia dois castiçais no centro da mesa, um balde com gelo e, dentro dele, ò seu champanhe favorito. Um vaso de flores e taças de cristal aguardando para serem utilizadas.

— Quem preparou essa mesa?  ela perguntou enquan­to Joe se ocupava de acender as velas dos castiçais.

— Anna  ele respondeu. Em seguida, apertou o bo­tão de um controle remoto, e a música preferida deles começou a tocar.

Joe ajudou-a a se acomodar em um dos sofás e de­pois de depositar um beijo ligeiro nos lábios dela, sen­tou-se no lado oposto ao dela.

— Você ainda não me disse o que você quer  ela in­sistiu.

Joe retirou do bolso uma pequena caixa e a colocou sobre a mesa. Depois deslizou o objeto pela superfície lisa até que ficasse na frente dela.

— Se você abrir essa pequena caixa, acho que terá uma resposta.

Demi se apressou em desatar o laço de fita na cor rosa que envolvia a pequena caixa e, depois de retirar o papel de presente, a abriu.

Ela ficou desapontada ao descobrir que se tratava de um chaveiro que continha uma única chave e um adorno que imitava uma xícara de café em miniatura.

— E só uma chave!  Demi exclamou.  O que significa isso?

Joe sorriu.

— Acontece que nãé uma chave qualquer. Ela serve para abrir outra caixa. E dizendo isso, ele apanhou outro pacote do bolso e entregou para ela.

Demi olhou para a nova caixa acondicionada com papel de presente e outro laço de fita, dessa vez, na cor verde.

— Se isso significa algumas daquelas surpresas feitas para ser vendidas no Dia dos Namorados, eu lhe asseguro que...

— Apenas abra a caixa, Demetria.

Apesar do protesto, ela não tinha alternativa a não ser a de abrir a próxima surpresa. Ficou ainda mais surpresa ao descobrir que dentro dela havia apenas um mapa.

— Acho que eu ainda estou sob o efeito da diferença de fuso horário, porque não consigo entender nada do que está acontecendo. Para o que serve esse mapa?

Com mais um de seus sorrisos devastadores, Joe apanhou o mapa das mãos dela e o abriu sobre a superfície da mesa.

— Eu vou explicar. Talvez isso a ajude a esclarecer al­gumas coisas.  Ele apontou para um enorme X traçado com a ponta de um lápis vermelho.  Está vendo essa marca?  ela assentiu com um gesto de cabeça, e ele prosseguiu.  Esse mapa representa a cidade de Melbourne e o X marcado com o lápis vermelho identifica onde fica o Café Niche.

— Huum... Ainda não estou entendendo nada.

Joe pediu que ela se concentrasse no dedo indicador que ele mantinha sobre o mapa. Então moveu o dedo des­de o ponto assinalado em vermelho até outro ponto do mapa onde havia um X traçado com um lápis azul.

— Esse sinal feito comum lápis azul representa o lugar onde fica Barwon Heads.

— Ah...

— Você levará aproximadamente 85 minutos se quiser ir do ponto assinalado com o X vermelho até o ponto as­sinalado com o X azul. Nãé tão longe assim, se alguém desejar desfrutar do melhor de dois mundos: um lugar tranquilo com vista para o mar e outro com uma boa dose de agitação.

Quando Demi finalmente conseguiu entender que Joe estava propondo que eles morassem na casa em Barwon Heads e ela prosseguisse administrando sua cafeteria, ela não conseguiu conter a alegria. Ergueu-se do sofá e depois de contornar a mesa se atirou nos braços do marido.

Ele a acomodou sobre seu colo e com um sorriso esplendoroso declarou:

— Acho que a sua atitude revela que você gostou da ideia.

Ela deu um soco carinhoso no peito dele e simulou uma zanga.

— Quer dizer que você já tinha planejado tudo isso, mesmo antes de eu lhe dizer como eu me sentia?

— Com certeza  ele afirmou com um sorriso de triunfo.

— Mas o que o fez mudar de ideia? Você nem mesmo respondeu ao meu e-mail!

Afastando o cabelo dela para trás das orelhas, ele am­parou o rosto miúdo entre suas mãos poderosas e a fitou com um imenso carinho.

— Trata-se de uma tática. Eu a pressionei e não adian­tou nada. Então decidi fazer o oposto e demonstrar indife­rença. E aqui está você comigo. Então acho que a artima­nha funcionou.

Ela abriu a boca para protestar e pedir que ele nunca mais bancasse o indiferente com ela, mas Joe a impediu de falar colocando dois dedos sobre os lábios dela.

— Mas, só para que saiba, aquela foi a primeira e a úl­tima vez que eu deixo você ficar longe de mim.  Colan­do sua testa na dela, ele murmurou:  Entãé isso, Demetria. Nós pertencemos um ao outro.

Com um suspiro, ele afastou a cabeça enquanto Demi tentava segurar as lágrimas de alegria que ameaçavam jor­rar de seus olhos.

Joe segurou as mãos dela entre as dele e propôs:

— Minha linda, forte e independente Demetria, você acei­ta se casar comigo outra vez? Promete que ficaremos juntos na saúde e na doença? Promete que encherá aque­la casa de crianças se Deus nos abençoar com essa gra­ça? Promete que ficaremos juntos até o fim de nossas vidas?  Eu prometo  ela murmurou num sussurro enquan­to as lágrimas lhe inundavam o rosto.

Joe colocou uma caixa na frente dela. Só que, dessa vez, foi ele quem abriu apequena caixa. Demi nunca havia usado uma aliança de casamento e, no instante em que viu o fantástico anel cravejado de minúsculos diamantes, ela deu um grito de alegria.

— Ah, Joe!

Ele retirou a joia da caixa e a colocou no dedo de Demi e repousou um beijo na mão delicada e estremecida.

— Agora eu acredito que você esteja certa de que dese­ja passar o resto dos seus dias comigo, nãé?

— Eu nunca tive tanta certeza de uma coisa quanto a de que desejo ser a sua esposa até o fim da minha vida.

Joe abriu o champanhe e ofereceu uma taça para ela.

— Então vamos brindar ao nosso amor e a um feliz Dia dos Namorados.

— Você sabe que eu sempre considerei o Dia dos Na­morados apenas como uma manobra do comércio?

— Talvez. Apesar de que eu nunca tenha sido um ho­mem dado a romantismos, eu sou obrigado a admitir que o Dia dos Namorados tem um sentido especial para mim. Foi num dia como esse que nos conhecemos e também num dia como esse que eu a procurei novamente. E está sendo em um dia como esse que eu fiquei sabendo que serei pai e que estamos vivendo um novo recomeço de nossas vidas juntos.

Ela sorriu.

— E você ainda tem a coragem de dizer que não seja um homem romântico?

— Bem, se você está dizendo isso...

— Você quer ouvir uma coisa engraçada?

— Não. Acho que estou mais para pensar em outras coisas do que ouvir piadas.

— Eu vou lhe dizer mesmo assim. Acho que acabo de mudar a minha opinião sobre o Dia dos Namorados. Afi­nal, o cupido tem as suas razões para atirar suas flechas nos corações das pessoas.

— É mesmo? Então vamos brindar a isso  ele sugeriu. Depois do brinde, eles provaram o champanhe enquan­to trocavam olhares jubilosos.

Joe tomou os lábios dela, e Demi cerrou as pálpebras para poder desfrutar melhor do beijo especial do seu marido.

No instante em que ela abriu os olhos novamente, ela captou a imagem do cupido que estava gravada na faixa posta na entrada do café. E com certeza, a piscada que ela imaginou que ele lhe tivesse dado teria sido um efeito da brisa soprando sobre o banner.

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E eles viveram felizes para sempre. 
The end.
Espero que tenham gostado dessa história, ela é uma das minhas preferidas.
Já estão prontas para outra??
xoxo

21.7.15

O Sucesso Em Meus Braços - Capitulo 11

Demi ficou encantada com as antigas passarelas da ci­dade de Veneza, da mesma maneira como havia adorado a vista de Paris estando no topo da Torre Eiffel e a mag­nífica arquitetura britânica de Oxford. Foi só quando chegou a Roma que ela se deu conta da futilidade do que estava fazendo. Ela se distanciara de Joe durante aque­les três meses apenas para demonstrar que suas atitudes falariam mais do que as palavras. Ele não acreditara quando ela lhe dissera que estava tudo acabado entre eles. Joe não aceitava a ideia de que Demi estivesse querendo lhe retribuir um favor, o mesmo que ele lhe fi­zera seis anos antes. Então só lhe restara afastar-se para provar que ela realmente queria deixá-lo livre. Demi precisou abafar o ímpeto de pegar o primeiro voo de vol­ta para Melbourne depois de atender à primeira ligação que Joe lhe fizera. Por isso, ela decidiu não atender mais as ligações que eventualmente ele lhe fizesse. Ela precisava ignorar as tentativas de contato, para forçá-lo a prosseguir com sua vida.

Mas seria isso mesmo o que ela queria?

Enquanto ela desfrutava de um cappuccino em uma cafeteria tradicional de Roma, Demi espiou na direção da Piazza e observou um casal de italianos muito bem vesti­dos que caminhavam de mãos dadas. Naquele instante, ela teve a certeza de que se separar de Joe estava se tornando uma prova muito difícil de ser ultrapassada. O fato de ter conhecido cidades famosas pela riqueza de suas tradições havia sido gratificante como uma distração. Contudo, nem as construções e pinturas feitas por renomados artistas ou os concertos executados por maestros talen­tosos eram capazes de preencher o vazio de seu peito.

Ela tentara. Realmente tentara fazer as coisas da manei­ra certa e deixar Joe livre para encontrar uma pessoa que fosse capaz de realizar o sonho dele de ser pai. Mas ao pensar que ele dissera que iria esperar por ela e das inú­meras vezes em que Joe afirmara que só a companhia dela seria o suficiente para que ele fosse feliz, ela chegou à conclusão de que o melhor seria voltar para Melbourne e para os braços do seu marido.

Com aquela decisão em mente e se sentindo mais ali­viada, ela provou o cappuccino. Mal podia esperar para chegar ao hotel e enviar um e-mail para Joe, lhe avisan­do da sua volta. Finalmente ela iria para casa e resolver as coisas com o homem que amava.

Demi estava tão contente com sua própria decisão que não conseguia tirar o sorriso do rosto. Consultou o relógio e calculou a diferença de fuso horário entre Roma e Melbourne, para saber se Joe estaria acordado naque­le momento. Assim ela não teria que esperar muito tempo pela resposta dele. Ansiosa para chegar logo ao hotel, ela terminou de tomar o cappuccino e procurou sua carteira na bolsa para pagar a conta.

De repente, ela sentiu um enjoo inesperado e olhou para a xícara vazia. Será que o leite estaria vencido? Ela se perguntou enquanto sentia o estômago revirar.

— Está tudo bem, signorina?  o garçom perguntou notando a palidez no rosto dela.

— Sim. Eu só preciso de um copo de água  ela res­pondeu com um sorriso forçado.

— Bene. Deseja mais um cappuccino para acompanhar a água?

— Ah, não!  Ela afastou a xícara na direção dele ao sentir náuseas apenas com a lembrança do gosto do café.

— Já estou satisfeita. Obrigada.

Assim que o garçom se afastou, Demi repousou a palma de uma das mãos sobre o abdômen e orou para que não tivesse ingerido alguma substância tóxica.

Para alguém que tenha passado a vida trabalhando em uma cafeteria, o fato de sentir enjoo do cheiro do café era algo muito estranho.

Subitamente, Demi sentiu uma tontura e precisou se agarrar à mesa para não cair da cadeira.

O que estaria acontecendo?, ela se perguntou assim que a zonzeira passou. Então se lembrou de que sua mãe uma vez lhe contara que não podia sentir o cheiro do café quando estava no início da gravidez. Ela até precisou se afastar da cafeteria por algum tempo.

Seria possível que...

Demi sacudiu a cabeça para afastar o ridículo pensa­mento de que talvez estivesse grávida. Estava certo que os seus períodos naqueles três meses não tinham acontecido, mas ela colocara a causa na agitação da viagem. Até mes­mo o fato de sentir que o abdômen estivesse mais proemi­nente, ela justificava como um excesso de peso por conta das fartas refeições.

Entretanto, ela não tinha como justificar as náuseas e a tontura.

Será que haveria uma possibilidade de que ela tivesse engravidado? Os médicos lhe haviam dito que uma con­cepção natural seria muito difícil, mas não impossível.

Não. Não podia ser verdade. Mas... E se fosse?

Com o coração quase saltando do peito, ela deixou so­bre a mesa uma quantia de dinheiro suficiente para cobrir a despesa e disparou na direção da Piazza. Precisava en­contrar uma farmácia e comprar um teste de gravidez.

Se fosse verdade... Se o inacreditável tivesse aconteci­do, o assunto que pretendia discutir com Joe teria uma nova dimensão.

*****
Joe franziu o cenho quando recebeu um e-mail de caffeinechick@hotmail.com e não sabia de quem seria. Ele pensou em desconsiderar a mensagem, mas preferiu dar uma espiada mais minuciosa. O assunto estava em bran­co. Então só lhe restava abrir a mensagem para saber quem a havia enviado. A curiosidade o venceu, e ele cli­cou com o mouse para abrir a mensagem.

Joe sentiu o sangue congelar nas veias ao ver o nome de Demi. Não podia ser. Por que ela o contataria depois de todo aquele tempo? E de um endereço de e-mail que ele não conhecia? Demi já não havia deixado claro que não queria contato com ele desde quando se recusara a atender os telefonemas dele?

Ela quase o matara de angústia naquela última vez que estiveram em Rainbow Creek, quando lhe dissera que o amava, mas que ele deveria compreendê-la e deixá-la par­tir. Aquilo não se tratava de amor e sim de loucura. E ele se cansou de tentar convencê-la do contrário. Mesmo as­sim, Demi partiu e o excluiu da vida dela. Tudo isso ainda o magoava muito.

Joe sentiu vontade de excluir a mensagem sem nem mesmo saber do que se tratava. Contudo, um sentimento mais forte do que ele se apossou da sua mente e instinti­vamente Joe fixou os olhos na tela e começou a ler a mensagem:

Oi, Joe.

Espero que esteja bem. Estarei em casa dentro de uma semana. Preciso ver você quando eu retornar. Trata-se de algo muito importante. Sinto muito por tudo o que acon­teceu. Eu explicarei melhor quando nos encontrarmos. Mantenha seus sonhos.

Demetria.


Mantenha seus sonhos? Isso era tudo o que ele fizera nos últimos seis anos. Sonhava em construir um futuro seguro para eles. Sonhava em oferecer o mundo para ela em uma bandeja de prata. Sonhava em manter um casa­mento feliz com a mulher por quem se apaixonara desde o primeiro momento em que a vira.

Entretanto, ela não dera a mínima para esses sonhos dele. Ela partira e o ignorara para comprovar essa teoria. Então o que Demi queria dizer com mantenha os seus sonhos!

Será que ela havia se cansado dos seus medos e agora queria voltar apenas para sentir a proteção dele? Ele fincou os cotovelos sobre a mesa e segurou a cabe­ça entre as mãos.

A vontade de responder ao e-mail era poderosa. Até sentia os dedos formigavam com o desejo de se comuni­car com ela. Mas ele havia tomado uma decisão depois da quarta vez que tentara falar com ela e Demi não aten­deu a ligação. Ele prometeu a si mesmo que daria a ela todo o tempo e espaço que precisasse. Não queria mais saber de pressioná-la. Esse seria um teste para saber se ela o amava o suficiente para voltar para ele. Joe não poderia fraquejar agora, por mais que desejasse responder àquela mensagem. Havia muita coisa em jogo, principal­mente o futuro deles. Para impedir a tentação de responder o e-mail e come­ter o mesmo erro de sempre, ele apertou uma tecla e apa­gou a mensagem, Se Joe já havia esperado tanto tempo por ela, o que lhe custaria aguardar,por mais uma semana?

*****
Demi verificou seus e-mails durante todos os dias na semana que precisou ficar no hotel em Roma, antes de poder voltar para casa. Joe não respondeu. Nem mesmo uma linha. Nada. A princípio, ela imaginou que ele não havia respondido por que ela não havia pedido por confir­mação. Contudo, na medida em que o tempo passava, Demi começou a perder as esperanças de que ele qui­sesse voltar a se comunicar com ela. Talvez o seu plano tivesse dado certo, e Joe tinha resolvido prosseguir com sua vida.

*****

Uma névoa intensa cobria a manhã em Melbourne quando Demi chegou ao aeroporto de Tullamarine.

A visão familiar da cidade não foi o suficiente para acalmar a dor constante que emanava do fundo da sua alma. Seguir direto para o Café Niche foi o seu primeiro impulso, mas ela não poderia fazer isso. Não agora. Não no dia em que estava sendo comemorado mais um Dia dos Namorados.

O pior dia do ano para Demi estava de volta, e Joe nem mesmo havia respondido seu e-mail. Ela esperava que ele se lembrasse dela naquele dia, pelo menos pelo que a data representava como sendo o aniversário do pri­meiro encontro deles, e também da noite em que ele entra­ra de volta em sua vida e a transformara outra vez.

Com um suspiro desanimado, Demi apanhou suas malas da esteira rolante que trazia as bagagens do avião. Ajeitou-as em um carrinho e procurou por um táxi.

Ela forneceu o endereço do seu apartamento para o moto­rista. Demi não poderia encarar o Café Niche agora. Ela teria tempo para lidar com o seu destino no dia seguinte.

*****
Joe não retornava a Docklands há mais de três meses. Ele evitava o lugar para não sentir a falta de Demetria ainda mais. Preferia realizar as reuniões com os construtores em sua cobertura.

Contudo, naquela noite, Dirk insistira em tomar um cappuccino na sua cafeteria preferida enquanto discutisse sobre negócios com Joe.

Quando Joe chegou ao Café Niche e notou o banner posto na frente do estabelecimento e que exibia a imagem do cupido e um "Feliz Dia dos Namorados" escrito em letras douradas, ele estacou estarrecido. Ele havia se es­quecido completamente daquela data. Num piscar de olhos, seus pensamentos retornaram até um ano antes, quando ele entrara no Café Niche para encontrar Demi e pedir que ela lhe desse uma chance de reconciliação.

Joe empurrou a porta envidraçada da entrada do café e procurou por uma mesa distante daquelas ocupadas pe­los casais enamorados para esperar pela chegada de Dirk.

Enquanto o outro não chegava, Joe começou a espiar ao redor do salão e observar a atmosfera romântica que se instalava no lugar. As lembranças de Demi começaram a surgir em sua mente, e ele sacudiu a cabeça na tentativa inútil de afastá-la de suas lembranças.

— Ei, Joe! Faz tempo que eu não o vejo por aqui!  Anna exclamou.

Ele ergueu os olhos para ela e exibiu um sorriso diver­tido ao notar as roupas coloridas e brilhantes que ela vestia.

— Está óbvio que você não se interessaria em frequentar o Café Niche enquanto a minha chefe estivesse viajan­do pela Europa, nãé Arma prosseguiu com olhar de zombaria.  E então? O que vai querer? Se disser que precisa de um par de óculos escuros para poder olhar para mim, eu o esgano.

— Sinto muito  Joe gracejou.  Será que meus pensamentos estão tão evidentes?

— Não. Acontece que eu recebi esse mesmo olhar de quase todos os clientes hoje. Parece que ninguém aprecia um traje extravagante nos dias de hoje.

Joe apenas sorriu. Ele também não gostava daquele excesso de brilho nas roupas que Anna usava. As saias justas e botas de cano longo que Demi costumava usar para atender a clientela lhe parecia bem mais elegante. Por um instante, ele ficou pensativo e desejando que ela pudesse estar ali com sua trança longa repousada sobre um ombro e os olhos espertos vigiando o salão.

Notando o rápido devaneio de Joe, Anna perguntou:.

— Você sente muito a falta dela, não sente?

Joe afundou as costas no espaldar da cadeira e apoiou as mãos sobre a nuca.

— Bem, faz tempo que ela partiu.

— Mas você sabe que ela é louca por você, não sabe? Eu nunca a vi tão feliz como depois que você retornou para a vida dela.

Seria possível que Anna estivesse dizendo a verdade? Será que realmente ele a fazia feliz? Joe pensou en­quanto ela prosseguia falando.

— Demi chegou da Europa nesta manhã, mas ela me ligou dizendo que não viria até o café hoje.  Ela deu uma pausa para apanhar uma comanda a fim de anotar o pedido de Joe.  A menos que ela tenha uma boa razão para isso. E talvez essa razão esteja bem na minha frente  ela acrescentou com um sorriso insinuante.

— Demi está em casa?

— Sim. Por que você não vai até lá?

Joe baixou os olhos por um instante e precisou fazer um esforço enorme para não se erguer da cadeira e sair correndo na direção do apartamento de Demi.

— Eu vou lhe trazer um expresso enquanto você pensa nisso, está bem?

— Eu tenho uma ideia melhor. Você quer ouvi-la? — ele endireitou o corpo na cadeira e gesticulou para que ela chegasse mais perto dele.

Anna se inclinou e aproximou um ouvido dos lábios dele.

Joe revelou o plano que tinha em mente e a parte que Anna deveria fazer.

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O que acharam desse capítulo? Comentem bastante para o último.
xoxo