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16.9.14

Enroscado - Epilogo (2/2)

 
~
Algumas horas depois, acordo do meu coma induzido por sexo, ouvindo o som da voz de Demi.
– Droga… porcaria de pizza. Quem foi o idiota que inventou isso.
Esfrego os olhos para acordar e olho pela janela. Ainda está escuro lá fora, apenas algumas horas depois da meia-noite. Demi está andando de um lado para o outro no quarto, esfregando sua barriga. Respirando rapidamente.
– Demi? O que está acontecendo?
Ela para de andar e olha na minha direção.
– Nada. Volte a dormir – geme suavemente. – Apenas uma indigestão.
Apenas uma indigestão?
É o que se costuma dizer antes de morrer.
Aí quando você se dá conta, o tio Morty está deitado numa maca no necrotério por causa de um ataque cardíaco destrutivo, que ele nunca soube que estava tendo. Não foi quando estava comigo, garotão.
Rapidamente, pulo da cama, vestindo uma calça de moletom. Paro ao lado de Demi, com a mão em seu ombro.
– Não seria melhor ligar para a médica?
– O quê? Não… não, tenho certeza de que é apenas… ai.... – ela se inclina, segurando seu tronco. – Ah… ai…
E um jato de água estoura entre as pernas dela. Parecem umas dez garrafas d’água.
Nós dois ficamos lá parados. Bobos. Observando as gotas caírem da barra de sua camisola no tapete. Então, como uma cobra deslizando numa grama, a realidade vem à tona.
– Ai. Meu. Deus.
– Cacete.
Lembra daquela bexiga que falei?
Isso, aquela filha da mãe acabou de estourar.
Hee hee.
Whoo whoo.
Hee hee.
Whoo whoo.
Quando tinha dezesseis anos, o time de basquete da minha escola estava empatado no Campeonato Estadual. No último jogo, estávamos perdendo por um ponto, faltando três segundos para terminar o jogo. Adivinha para quem eles passaram a bola? Quem conseguiu ganhar a cesta de três pontos?
Isso mesmo, eu consegui. Porque até mesmo naquela época, eu era uma pedra. Firme no gatilho. Não fico estressado. Medo? Pânico? Isso é coisa de perdedor.
E não sou um perdedor.
Então, por que as minhas mãos estão tremendo como se fosse um paciente com doença de Parkinson sem medicação?
Alguém já te disse que você faz muitas perguntas?
Estou pálido, enquanto seguro o volante bem forte.
Demi está no banco de passageiros, sentada em uma toalha, aplicando todas aquelas técnicas de respirações que aqueles porcarias de instrutores hippies de Lamaze nos ensinaram.
Hee hee.
Whoo whoo.
Hee hee.
Whoo.
Em seguida, no segundo gemido, ela grita:
– Ah não!
Quase bato o carro num maldito orelhão.
– O quê! Qual o problema?
– Esqueci dos pirulitos de maçã verde!
– Do quê?
Ela fala agitada, cheia de decepção.
– Os pirulitos de maçã verde. Alexandra disse que eles eram a única coisa que saciava sua sede quando ela estava no trabalho de parto da Mackenzie. Ia comprar alguns esta tarde, mas esqueci. Podemos parar em algum lugar para comprar?
Tudo bem. Parece que o bom senso da Demi deu tchau, então sou eu quem terá que ser a voz da razão. O que é um pouco assustador, considerando que estou preso por um fio aqui.
– Não, não podemos parar em porra alguma para comprar alguns! Está louca?
Os olhos castanhos enormes da Demi imediatamente ficam cheios de lágrimas. E me sinto como o cara mais idiota do mundo.
– Por favor, Joe? Só quero que tudo seja perfeito… e se eu quiser um pirulito durante o parto, e aí você sai para comprar um e aí tenho o bebê enquanto você estiver fora? Você vai perder tudo – lágrimas escorrem por suas bochechas como dois riozinhos. – Não conseguiria suportar se você perdesse.
Por favor, tomara que não seja uma menina. Pelo amor de Deus, não deixe ser uma garota. Durante todo este tempo, estive rezando por um bebê saudável sem especificar um sexo.
Até agora.
Porque se eu tiver uma filha e as lágrimas dela me dominarem igual às da Demi? Estarei totalmente ferrado.
– Ok, Demi. Tudo bem, amor. Não chore, vou passar em algum lugar.
Ela funga e sorri.
– Obrigada.
Viro o volante para a direita, fazendo uma curva ilegal, e estaciono o carro no meio-fio em frente a uma loja de conveniência. Depois, mais rápido que um pit stop na Fórmula Indy, volto para a avenida, com os cobiçados pirulitos de maçã verde se mexendo no banco de trás.
Demi volta a fazer sua respiração.
Hee hee.
Whoo whoo.
Hee hee.
Até que ela para.
– Será que as enfermeiras vão saber que a gente fez sexo?
Olho explicitamente para sua barriga.
– A menos que você planeje declarar uma gestação imaculada, acho que elas imaginarão que sim.
Depois, aperto a buzina.
– O acelerador é do lado direito, vovozinha!
Se o seu cabelo branco volumoso for a única coisa que dá para ser vista pelo painel? Você não devia estar mais dirigindo.
Hee hee.
Whoo whoo.
– Não, você acha que elas vão saber que fizemos sexo esta noite?
Demi é engraçada com relação a isso. Tímida. Até mesmo comigo, às vezes. Teve um dia que acabei vendo ela no vaso sanitário e, depois, ficou parecendo o fim do mundo. Pessoalmente, acho isso ridículo. Mas não vou discutir com ela agora.
– É uma maternidade, Demi, não o povo da perícia. Eles não vão entrar lá embaixo com uma luz preta procurando esperma.
Hee Hee.
Hee Hee.
– É, você está certo. Eles não vão conseguir saber isso – ela parece ter ficado mais calma com esta ideia. Aliviada.
Whooooo.
Fico feliz por ela. Agora, se eu conseguir não ter nenhum ataque cardíaco, ficaremos bem.
Uma hora depois, Demi está acomodada em um quarto no Hospital Presbiteriano de Nova York, ligada a mais aparelhos do que uma pessoa de noventa anos num aparelho de suporte à vida. Sento numa cadeira perto da cama.
– Você quer alguma coisa? Uma massagem nas costas? Cubos de gelo? Sedativos?
Eu adoraria um copo de uísque agora. Ou uma garrafa inteira.
Demi pega a minha mão e a aperta bem forte, como se estivéssemos em um avião que está prestes a decolar.
– Não. Apenas converse comigo – a voz dela fica com tom de pressa. Baixa. – Estou com medo, Joe.
Meu peito se aperta dolorosamente. Nunca me senti tão inútil na vida.
Mas tento esconder isso ao máximo.
– Olha, esta coisa toda do parto é boba. Tipo assim, mulheres têm filhos toda hora. Li um artigo uma vez que falava que, antigamente, eles tiravam uma criança da barriga bem no meio dos campos. Depois, eles a limpavam, colocavam-na na mochila deles e voltavam ao trabalho. Então, não deve ser muito difícil, né?
Ela bufa.
– Pra você é muito fácil falar. A sua parte foi divertida. E acabou. As mulheres realmente se ferraram neste acordo.
Ela não está totalmente errada. No entanto, as mulheres são muito mais fortes do que os homens. Não, sério, estou falando sério. É claro que ganhamos delas na força da parte de cima do corpo, mas nos outros sentidos – psicológico, emocional, cardiovascular, genético –, as mulheres ficam em primeiro lugar.
– É porque Deus é esperto. Ele sabia que se tivesse que passar por essa merda, a raça humana teria desaparecido com o Adão.
Ela ri.
Em seguida, escutamos uma voz na porta.
– Como estamos nesta noite?
– Oi, Bobbie.
– Oi, Roberta.
S i m, eu uso apenas seu nome completo. Estresse pós-traumático? Provavelmente. Tudo o que sei que escutar o nome Bob? Isso me faz querer cortar meus pulsos com um estilete.
Roberta verifica o quadro na ponta da cama.
– Tudo parece estar bem. Você está com três centímetros de dilatação, Demi, então ainda vai demorar um pouquinho. Tem alguma pergunta?
Demi parece otimista.
– Anestesia epidural?
Aqui vai um conselho: não seja masoquista. Aceite a epidural.
Vou repetir, caso você tenha perdido: ACEITE A EPIDURAL.
De acordo com a minha irmã, é uma droga miraculosa. Ela chuparia o cara que inventou isso com muito prazer, e Steven provavelmente a deixaria. Você arrancaria um dente sem tomar anestesia? É claro que não.
E não venha com essa idiotice de passar por aquela “experiência completa” do parto. Uma dor é uma dor, não tem nada de “maravilhoso” nisso.
Apenas dói pra caralho.
Roberta dá um sorriso tranquilizador.
– Vou arrumar pra já – ela faz algumas anotações na prancheta, colocando-a, em seguida, de volta no cesto. – Volto daqui a pouco para te ver. Peça para as enfermeiras me avisarem se você precisar de algo.
– Beleza. Obrigada, Roberta.
Assim que ela sai, me levanto e pego meu celular.
– Vou ligar para a tua mãe, não consigo sinal aqui dentro. Você vai ficar bem até eu voltar?
Ela acena com a mão.
– É claro. Não vou a lugar algum. Vamos ficar bem aqui.
Me abaixo e beijo a testa de Demi. Em seguida, me inclino, beijo a barriga e falo:
– Não comece sem mim.
Saio correndo para conseguir falar com a médica de Demi no corredor:
– Ei, Roberta!
Ela para e vira:
– Oi, Joe. Como está?
– Estou bem, bem. Queria te perguntar sobre a batida do coração do bebê. Um por cinquenta não é muito alto?
A voz de Roberta é tolerante, compreensiva. Ela está acostumada com isso.
– Está dentro da variação normal. É comum ver algumas oscilações mais baixas na batida do coração do feto no trabalho de parto.
Aceno e continuo:
– E a pressão sanguínea de Demi? Algum sinal de pré-eclâmpsia?
Conhecimento é poder. Quanto mais você sabe, mais controle você terá em alguma situação. Pelo menos é isso o que estive dizendo para mim mesmo durante os últimos oito meses.
– Não, como te disse ontem, e antes de ontem, ao telefone, a pressão da Demi está perfeita. Esteve regular durante toda a gestação.
Esfrego meu queixo e aceno.
– Você já fez o parto de uma criança com distocia de ombro? Porque você sabe que só saberá quando o bebê já estiver…
– Joe. Pensei que tivéssemos concordado que você ia parar de assistir às reprises de Plantão médico.
O Plantão médico devia vir com uma marca de aviso. É perturbador. Se você é um hipocondríaco moderado ou uma pessoa prestes a se tornar um pai ou uma mãe, pode apostar que não vai conseguir dormir algumas noites depois de assistir apenas a um episódio.
– Eu sei, mas…
Roberta levanta a mão.
– Olha, eu entendo como você se sente…
– Entende? – pergunto bruscamente – Já pegou sua vida toda e colocou nas mãos de outra pessoa e pediu para ela cuidar dela para você? Para te trazer de volta sem problema algum? Pois é isso que estou fazendo aqui – coloco uma mão no cabelo e desvio o olhar. Ao falar novamente, minha voz sai abalada. – Demi e este bebê… caso qualquer coisa aconteça…
Não consigo nem terminar o pensamento, imaginar a frase.
Ela coloca a mão no meu ombro.
– Joe, você tem que confiar em mim. Sei que é difícil, mas tente e concentre-se nas coisas positivas. A Demi é jovem e saudável, temos todos os motivos para acreditar que este parto progredirá sem quaisquer complicações.
Concordo com a cabeça. E a parte lógica do meu cérebro sabe que ela está certa.
– Vá ficar com Demi. Tente curtir o momento que te resta. Depois de hoje à noite, não será mais somente os dois, não durante um bom tempo.
Me forço a concordar de novo.
– Ok. Obrigado.
Viro e volto ao quarto. Paro na porta.
Consegue vê-la?
Cheia de travesseiros ao seu redor, acomodada embaixo do edredom que insistiu em trazer de casa. Ela parece tão pequena. Parece quase como uma menininha se escondendo na cama dos pais durante uma tempestade.
Preciso dizer aquelas palavras, para garantir que ela saiba.
– Eu te amo, Demi. Tudo o que é bom na minha vida, tudo o que realmente importa, só existe por sua causa. Se não tivéssemos nos conhecido? Eu estaria totalmente acabado, e provavelmente muito ignorante para perceber.
Ela olha para mim, completamente impassível.
– Estou tendo um filho, Joe, não estou morrendo – seus olhos se abrem mais. – Caramba, não estou morrendo, né?
Isso é o bastante para me tirar de meu pânico.
– Não, Demi. Você não está morrendo.
Ela acena.
– Tudo bem, então. Só para constar, eu também te amo. Adoro o fato de você estar financiando o futuro da Mackenzie porque não consegue parar de falar palavrões. Adoro o jeito que você provoca sua irmã sem piedade, mas que mataria quem a machucasse. Mas acima de tudo… eu amo como você me ama. Sinto isso a toda hora… todos os dias.
Ando até ela e acaricio sua bochecha. Em seguida, me abaixo e beijo seus lábios suavemente.
Ela pega minha mão e dá um apertão. Em seguida, seu maxilar se contrai com determinação.
– Agora, vamos fazer isso.
 
****
 
Acabei me preocupando muito por nada. Pois às 09h57 desta manhã, Demi deu à luz a um bebê cheio de energia. E eu estive ao seu lado durante o tempo todo. Compartilhando sua dor.
Literalmente.
Tenho quase certeza de que ela quebrou minha mão.
Mas quem se importa? Alguns ossos quebrados não significam tanta coisa, pelo menos não quando você está segurando um milagre de uns três quilos e 255 gramas.
E é exatamente o que estou fazendo.
Sei que todo pai acha que seu filho é adorável, mas vamos ser sinceros, ele é um garoto lindo, não acha? Sua cabeça tem um pedaço de cabelo preto. Suas mãos, seu nariz, seus lábios – olhar para essas coisas é como se olhar em um espelho. Mas seus olhos, eles são iguais aos da Demi.
Ele é belo. A perfeição em pessoa.
É claro que ele não nasceu assim. Algumas horas atrás, ele era bem semelhante a um galo sem penas gritando.
Mas ele era o meu galo sem penas gritando, então ainda assim ele era a coisa mais linda que já vi.
É irreal. A adoração. É uma devoção tão poderosa que quase dói ao olhá-lo.
Tipo assim, eu amo a Demi, mais do que minha própria vida. Mas isso demorou. Eu me apaixonei por ela gradualmente.
Isso… foi instantâneo. Assim que meus olhos o viram, tive certeza de que me jogaria de uma ponte para salvá-lo. Meio louco, né? Não vejo a hora de poder ensiná-lo algumas coisas. Mostrar para ele… tudo. Como trocar um pneu, como conquistar uma garota, como jogar beisebol e como se defender. Não necessariamente nesta ordem.
Eu costumava zoar daqueles caras no parque. Os pais, com seus carrinhos e sorrisos de patetas e bolsas de homens.
Mas agora… eu entendo.
A voz de Demi me faz parar de admirar o bebê.
– Ei.
Ela parece exausta. Não a culpo.
– Como está se sentindo?
Ela sorri, sonolenta.
– Bem… imagina como é urinar uma melancia.
Me encolho.
– Ai.

– É.
Seus olhos vão direto para o pacotinho enrolando em um cobertor azul bebê nos meus braços.
– Como está o pequenininho?
– Está bem. Estamos apenas passando um tempo juntos. Falando porcaria. Estou contando sobre as coisas mais importantes na vida, como garotas e carros e… garotas.
– Ah é?
– Sim.
Olho para nosso filho. E minha voz fica com um tom de admiração.
– Você fez um ótimo trabalho, Demi. Ele tem seus olhos. Eu amo seus olhos, já te disse isso? Eles foram a primeira coisa que notei em você.
Ela inclina uma sobrancelha.
– Pensei que minha bunda tivesse sido a primeira coisa que você notou.
Ao lembrar, rio.
– Ah é, é verdade. Mas depois você se virou e… me surpreendeu.
O bebê solta um chiado meigo, conseguindo nossa atenção.
– Acho que ele tá com fome.
Demi acena e passo ele para ela. Ela desamarra a parte de cima do seu pijama, expondo um seio maduro, suculento. Ela traz o bebê para mais perto e ele agarra seu mamilo – como se fosse experiente.
Esperou algo diferente? Esse é meu filho, afinal de contas.
Eu os observo durante um tempo. Acabo tendo que arrumar o pau duro que resolveu brotar na minha calça.
Que doente. É, eu sei.
Demi me dá um sorriso malicioso e olha em direção ao meu testículo.
– Está com algum problema aí embaixo, Sr. Jonas?
Encolho os ombros.
– Não. Nenhum problema. Só não vejo a hora da minha vez.
Olha, tem dois tipos de mulher neste mundo: aquela que acha que se não pode fazer nada abaixo da cintura durante seis semanas após ter dado à luz, o companheiro também não pode. Mas tem também o segundo grupo. Aquela que não vê a hora de se masturbar, de fazer sexo oral, entre outras coisas – porque ela sabe que o favor será retribuído quando a proibição terminar.
Demi, com certeza, fica no segundo grupo. Sei disso e parece que meu pau também.
– Depois do massacre que acabou de ver na sala de parto? Pensei que você nunca mais iria querer fazer sexo comigo novamente.
Fico boquiaberto. Espantado.
– Está me zoando? Achava sua boceta magnífica antes, mas agora que vi do que ela é realmente capaz de fazer? Ela atingiu um nível de super-herói nos meus registros. Na verdade, acho que devíamos chamá-la disso – levanto as mãos, prevendo um outdoor enorme. – Xoxota Maravilha.
Ela mexe a cabeça e sorri para o bebê.
– Falando sobre dar nome às coisas… temos que pensar em um para ele, não acha?
Demi e eu decidimos esperar pelo jogo de nomes até que o bebê tivesse nascido para garantir que caísse bem nele. Nomes são superimportantes. São a primeira impressão que o mundo tem de você. É por isso que nunca vou entender a razão de as pessoas xingarem seus filhos com nomes como Edmundo ou Alberto ou Orvalho.
Por que então não ferra tudo e chama a criança de Imbecil?
Me inclino na cadeira.
– Tudo bem, pode começar.
Seus olhos analisam o rosto da criança.
– Connor.
Mexo a cabeça.
– Connor não pode ser o primeiro nome.
– Claro que pode.
– Não, é um sobrenome.
Com minha melhor voz de Exterminador, digo:
– Sarah Connor.
Demi vira os olhos e diz:
– Sempre gostei do nome Dalton.
– Nem vou te dar o prazer da minha resposta.
– Tudo bem. Colin.
Zombo.
– De jeito nenhum. Parece muito com “cólon”. Vão chamá-lo de idiota assim que ele colocar os pés no parquinho.
Demi me olha, sem acreditar.
– Tem certeza que você estudou em uma escola católica? Parece que você cresceu em um reformatório.
A vida é uma grande escola. Lembre-se disso.
Mentalidade de matilha de lobos. Você precisa aprender a não ser o elo mais fraco. São eles quem são comidos. Vivos.
– Já que você não aprova minhas escolhas, o que sugere? – pergunta ela.
Olho para o rosto de nosso filho, que está dormindo. Seus pequenos lábios perfeitos, seus longos cílios escuros.
– Michael.
– Ah claro. Na terceira série, Michael Rollins vomitou em meus sapatos. Toda vez que escuto este nome, penso em cachorros quentes vomitados.
É justo. Tento novamente.
– James. Não Jim ou Jimmy e, com certeza, não Jamie. Apenas James.
Demi levanta as sobrancelhas e testa:
– James. James. Gostei.
– Sério?
Ela olha novamente para o bebê.
– Sim, será James.
Coloco a mão no bolso de trás e tiro um pedaço de papel dobrado:
– Fantástico. Agora o sobrenome.
Ela está confusa.
– O sobrenome?
Tínhamos conversado sobre utilizar Lovato como o nome do meio. Mas vamos ser honestos, as únicas pessoas que têm nomes do meio são assassinos em série e pais muito putos. Então, pensei em algo muito melhor.
Coloco o papel aberto no colo de Demi.
Dê uma olhada.
LOVATO-JONAS
Ela olha para cima, com os olhos bem abertos e surpresos.
– Você quer hifenizar o nome dele?
Sou um cara meio antiquado. Acho que as mulheres deveriam colocar os sobrenomes de seus maridos. Sim, isso vem da suposição de que uma mulher é uma propriedade. E não, não concordo com isso. Futuramente, se algum besta vier e falar que ele é dono da minha sobrinha, vou lhe comprar uma pá.
Para que ele possa cavar sua própria cova antes de eu colocá-lo lá.
Mas tecnicamente falando, Demi é a última dos Lovato. Pessoas com o mesmo nome não significam mais nada, mas estou quase certo de que significa algo para ela.
– Bom… ele é nosso. E você fez quase todo o trabalho. Você devia receber uma parte dos créditos.
Seus olhos suavizam, ao me lembrar:
– Você odeia dividir, Joe.
Coloco um fio de cabelo atrás de sua orelha:
– Por você, estou disposto a fazer esta exceção.
Além disso, estou contando com o fato de que um dia, em breve, o sobrenome da Demi será igual ao de nosso filho.
É claro que a Demi merece o melhor pedido de casamento do mundo, mas o melhor demora um tempo.
Para planejar.
Está sendo trabalhado neste momento. Estou fazendo aulas de como dirigir um balão nas tardes de sábado, enquanto ela pensa que estou jogando bola com os meninos. Porque vou levá-la para dar uma volta de balão até o Vale do Hudson. Ao pousarmos, haverá um piquenique elegante nos esperando. E é lá que farei a pergunta.
Desse modo, caso a Demi recuse meu pedido, ela estará numa área completamente isolada aonde poderei convencê-la do contrário.
Sou um gênio, né?
Uma limusine nos esperará lá perto, mas não muito próxima, e depois vai nos levar de volta para casa, assim podemos ficar sentados e relaxando no caminho. E, claro, para que possamos transar dentro dela. Você nunca devia perder a oportunidade de transar dentro de uma, pois é sempre divertido.
Os olhos de Demi estão brilhando, cheios de lágrimas. Lágrimas de felicidade.
– Eu amei. James Lovato-Jonas. É perfeito. Obrigada.
Me inclino e beijo a testa de nosso filho. Depois, beijo os lábios de sua mãe.
– Você entendeu tudo errado, amor. Eu que deveria estar te agradecendo.
Ela olha para James, com carinho. E, com aquela voz que poderia deixar um anjo verde de inveja, ela começa a cantar.
There’s a song that they sing when they take to the highway

A song that they sing when they take to the sea

A song that they sing of their home in the sky

Maybe you can believe it if it helps you to sleep

But singing works just fine for me

So good night you moonlight ladies

Rock-a-bye sweet baby James

Deep greens and blues are the colors I choose

Won’t you let me go down in my dreams
And rock-a-bye sweet baby James
Um homem só pode chorar em alguns momentos de sua vida, sem parecer um completo jumento.
Esta é uma dessas vezes.
Quando Demi termina, limpo a garganta. E esfrego meus olhos molhados. Me abaixo na cama ao seu lado.
Sei que deve ser contra as regras do hospital, mas, concordo, alguns daqueles enfermeiros parecem intimidadores pra cacete.
Mas fala sério, são enfermeiros.
Demi vira para mim, para que James se deite entre nós. Meu braço encosta nele, minha mão está no quadril dela, envolvendo os dois.
Os olhos de Demi estão suavemente tranquilos:
– Joe?
– Humm?
– Você acha que ficaremos assim para sempre?
Abro um sorrisinho para ela:
– Com certeza não.
Toco seu rosto, aquele que planejo olhar todas manhãs e noites, até que a morte nos separe.
– Vamos melhorar cada vez mais.
Pronto, você ficou sabendo de tudo.
O que acha deste final feliz, hein? Ou começo… acho… depende de como você enxerga.
Bom, de qualquer modo, passou da hora de eu começar a declamar algumas palavras de minha sabedoria.
Conselhos.
Devido aos acontecimentos do ano passado, ficou cada vez mais claro que não entendo porra nenhuma. Acho que você não devia levar em consideração nada do que falo.
Você ainda quer que eu tente?
Beleza. Mas não diga que não te avisei.
Aí vai:
Número um: as pessoas não mudam. Não existe mágica. Nenhuma porcaria de feitiço.
O que você está vendo, é o que terá. É claro que alguns hábitos podem se ajustar. Podem ser controlados. Como minha tendência a fazer julgamentos errôneos. Só de pensar em assumir que sei tudo, sem verificar com a Demi antes, agora me deixa enojado.
Mas as outras características, elas continuam.
Ser possessivo, Demi ser teimosa, nossa competição coletiva – isso faz tanto parte de quem nós somos que não pode ser totalmente erradicado.
É como… celulite. Vocês, damas, podem passar o dia todo no spa, cobertas em lama e em algas marinhas. Podem gastar milhões com aqueles cremes e esfoliantes ridículos. Mas, no final do dia, aquela pele com dobrinhas e toda enrugada continuará lá.
Me desculpe ser a pessoa a jogar isso na sua cara, mas é um fato. Mas se você ama alguém, se realmente amar, vai aceitá-la com ela é. Não tentará mudá-la.
Você vai querer o pacote completo – bunda de queijo cottage e tudo mais.
Número dois: a vida não é perfeita. Ou previsível. Não espere que seja.
Em um minuto, você está nadando na praia. A água está calma e tranquila, você está relaxada. Aí depois, de repente, uma ressaca te pega.
O que conta é como você age em seguida. Você dá tudo o que pode? Bate na superfície, mesmo que seus braços e pernas estejam doendo? Ou você desiste e deixa se afogar?
O modo como você reage às viradas e mudanças faz toda a diferença.
Então, número três: o que importa é, se você conseguir passar pelos momentos difíceis, inesperados, vale a pena ver aquela luz no fim do túnel depois de tudo o que enfrentou pra chegar até ela.
Isso é algo de que nunca me esquecerei. Me lembro disso toda vez em que olho para a Demi. Toda vez em que olho para nosso filho.
Quando tudo já foi dito e feito? O resultado vale muito a pena.
 
~
 
Infelizmente essa fic maravilhosa chega ao fim :(( agora teremos que esperar outubro chegar para que podemos ter a nossa terceira temporada :/
E aí? gostaram muito da fic??? logo eu começarei a nova fic para vocês, eu tenho 3 prontas mas estou em duvida ainda de qual postar... Comentem!!! Beijooos <3
 
DIVULGAÇÃO:
 
 
Sigam, comentem e acompanhem esse maravilhoso blog da Jubs <3


14.9.14

Enroscado - Epilogo (1/2)

 
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Oito meses depois

Então…voltei a frequentar a igreja. Toda semana. Às vezes, duas vezes por semana.

Sim, sou eu, o Joe.

Bom te ver. Sentiu saudade? Levando em conta a expressão em seu rosto de “gostaria de enfiar seu pinto num apontador de lápis automático”, acho que isso é um não.

Ainda está com raiva, né? Não posso dizer que te culpo. Foram três semanas duras antes de conseguir olhar meu reflexo no espelho e não querer bater na minha bunda. Na verdade, teve uma noite em que eu estava com os caras, comemorando um acordo ferrado que o Jack fechou e, depois de muitas doses de Jäger, implorei para que o Matthew me desse um soco bem forte no saco.

Porque não conseguia parar de ver o olhar no rosto da Demi quando ela entrou por aquela porta naquela noite horrível. Ele voltava na minha mente diversas vezes, igual àqueles filmes insuportáveis que passam constantemente na TV a cabo, mas que ninguém nunca assiste.

Para minha sorte, Matthew recusou. Tenho mais sorte ainda, pois Deloris não estava com ele, porque ela, com certeza, teria ficado muito feliz em dá-lo. É… a lista de pessoas que tive que beijar a bunda durante os últimos meses foi enorme. Poderia fazer uma linha de produção. Demi, Deloris, Carol, meu pai,

Alexandra…

Tinha um estoque de protetores labiais, não queria me machucar.

Você perdeu muita coisa. Vou tentar te deixar por dentro de tudo.

O que você sabe sobre épocas de renovação? Todo grande time de beisebol tem uma. Os Yankees, no entanto, tem uma em anos alternados. A meta de um ano de renovações não é ganhar o Campeonato Mundial. É desenvolver suas forças, reconhecer suas fraquezas. Tornar seu time sólido… forte.

É assim que foram aquelas semanas para a Demi e para mim depois que ela inventou de se mudar. Ela não demorou muito para encontrar um apartamento novo. Era com um quarto, mobiliado, em uma parte boa da cidade. Era pequeno… minha irmã o chamava de pitoresco. Se estivesse sendo positivo, diria que era bem legal.

Mas ser positivo não é bem minha praia, então era um lixo. Eu o odiava, cada centímetro dele.

A primeira segunda-feira que eu e a Demi voltamos ao trabalho não foi agradável. Meu pai nos levou até seu escritório e fez com que a gente ficasse sentado, escutando O Sermão.

É uma técnica de castigo que ele desenvolveu durante a minha adolescência, quando percebeu que bater em mim pelos meus erros não era tão eficaz quanto antes. O velho é um falante – Wendy Davis não tá com nada perto dele –, e ele consegue ficar falando durante horas. Houve épocas em que eu, na verdade, preferia que ele me batesse, seria tudo muito mais fácil.

O longo discurso verbal que ele aplicou naquele dia, em particular, comigo e com a Demi incluía palavras como “decepcionado” e “julgamento incorreto”, “imaturidade” e “autorreflexão”.

No final, ele explicou que tem dois grandes amores na vida – sua família e sua empresa –, e que ele não permitiria que um acabasse com o outro. Então, se a Demi ou eu deixarmos nossas vidas pessoais interferirem no nosso desempenho profissional novamente, um de nós ou nós dois teríamos que procurar emprego em outro lugar.

No geral, achei tudo aquilo bem benevolente da parte dele. Se eu tivesse em seu lugar, teria me demitido. Mais tarde, quando contamos para ele que ele seria avô pela terceira vez… Bom, vamos apenas dizer que as ótimas notícias demoraram um bom tempo para reestabelecer nossa relação.

Eu e a Demi nos víamos todos os dias, no trabalho e depois dele. Não dormíamos na mesma casa, mas tínhamos encontros: jantares, shows, caminhadas no Central Park, maratonas de conversas ao telefone, que eram mais longas do que as de adolescentes. Conversávamos muito. Acho que essa era a intenção.

Não fazíamos nada escondido. Tudo era posto na mesa. Conversávamos sobre nossas inseguranças – dúvidas são como ervas, se você não lidar com elas rapidamente, elas se multiplicam. E antes que perceba, seu jardim parece como uma floresta no Vietnã.

Demi me acusou de usar o sexo como uma arma e um cobertor de segurança.

E eu lhe disse que ela me exclui, que ela me afasta, que não tenho como saber o que ela está pensando. Cá entre nós, tínhamos tantos problemas que dava para fazer uma temporada completa de "Dr. Phil e os Casos de família".

Quem diria?

Jogar tudo na mesa ajudou. Eu falava tanto sobre meus sentimentos que é um milagre que seios não tenham aparecido em mim.

Sabe quando está limpando o quarto? E tem que tirar tudo, mandar embora um monte de merda, limpar as prateleiras, antes de colocar tudo de volta ao lugar? Era mais ou menos o que estava acontecendo.

Conversávamos sobre tudo o que fizemos quando estávamos separados. Mas vou te falar uma coisa, aquelas conversas eram tão legais quanto fazer a porcaria de uma colonoscopia.

Sua troca de línguas com o Warren foi abordada nos mínimos detalhes.

Será que fiquei nervoso?

Querosene é inflamável?

Queria socar a parede e a cara dele. Eu ainda queria estabelecer limites e dizer para Demi que ela nunca mais falaria com aquele filho da puta de novo.

Nunca mais o veria.

Nunca.

Mas não fiz isso. Porque, por mais que odeie assumir, o idiota estava do lado dela quando eu… não estava. Ele a ajudou quando eu botei a bunda dela para fora com uma bota de aço. Então, de um jeito estranho, ferrado, que não faz sentido algum no mundo, ele me fez um favor. Além disso, a Demi gosta muito do idiota. E, apesar de eu querer ser tudo para ela, não posso negar algo, alguém, que a faça feliz.

Portanto, por conta do meu próprio comportamento, estou disposto a dar um passe livre para o bundão. Só desta vez.

É claro que, na próxima vez em que eu encontrar com ele, isso não vai valer mais. Se o retardado me irritar, tenho livre arbítrio para jogar os dentes dele na garganta. Como ele ama me irritar, é provável que isso aconteça.

Por que está me olhando deste jeito? Não me diga que, agora, você, na verdade, gosta do cara? Deus do céu, o suquinho deve ser muito gostoso, pois todo mundo está tomando-o recentemente.

De qualquer modo… próximo assunto… você sabe que não transei com a stripper. Mas o que não sabe é… não foi por não tentar.

Antes que corte minha cabeça, vamos nos lembrar de que a Demi tinha acabado de arrancar meu coração com suas mãos vazias. Ela disse que estava me deixando, que tudo tinha terminado entre nós.

E eu acreditei nela.

O que me traz de volta àquela declaração do início. É isso mesmo, a igreja. O simples fato é, devo a Deus. Bastante. E não é por causa das razões que você deve estar pensando.

O que você sabe sobre disfunção erétil? Síndrome do Pau Mole. Falha no lançamento. É um estado que todo pobre homem com um pau terá que enfrentar em algum momento de sua vida. É aterrorizante. Igual àquelas pedras do espaço que batem na Terra, um dia isso acontecerá.

Mas, para mim, aconteceu apenas uma vez. Quer adivinhar quando? Isso mesmo, naquela noite terrível. Depois que a Demi saiu, a stripper deu seu showzinho por uns quinze minutos. Em seguida, ela se ofereceu para dar o próximo passo – para nos conhecermos mais no sofá, no quarto, no lustre da sala de estar.

No entanto, eu sabia que não ia rolar nada. Não dava. Porque eu tava tão duro quanto uma bola de chiclete mastigada.

Bom, talvez eu não conseguisse fazê-lo subir porque estava acabado por causa da Demi. Talvez tenha sido porque tinha consumido álcool o bastante para matar um cavalo. Mas prefiro pensar que isso foi um ato de Deus.

Uma intervenção divina para me salvar da minha própria estupidez.

E funcionou. Porque hoje, Demi e eu estamos melhores do que nunca. E tenho quase certeza de que isso não seria assim se eu tivesse realmente comido outra mulher. Não sei se a Demi conseguiria me perdoar por isso. Sei que eu não conseguiria me perdoar.

Depois que tudo aquilo saiu do nosso caminho, chegamos à parte boa. A reconciliação. Ganhá-la de volta. Sempre fui muito bom nesta parte, lembra?

Mas não gosto de ser repetitivo, não é muito criativo. Desta vez, não teve dilúvio de flores. O escritório não ficou cheio de bexigas. Não houve bandas com três homens.

No entanto, houve mensagens de texto amorosas. Presentinhos, porém com bastante significado. Bilhete na porta do apartamento dela. Toda vez que pensava nela quando ela não estava comigo, toda vez que sentia saudade dela dormindo ao meu lado, eu a deixava saber disso. Com poesia ou não.

Mas Demi também não ficou parada. Apesar de sua óbvia felicidade por estar vivendo sozinha, ela me deixou saber que estava se sentindo solitária sem mim. Ela insistiu que conversássemos ao telefone toda noite antes de dormir. Normalmente, ela pegava no sono enquanto eu ainda estava do outro lado da linha, e eu passava mais tempo do que podia escutando sua respiração.

Isso é lamentável?

Foda-se, sou muito mais do que carinhoso.

Demi também fazia nossa janta na casa dela três vezes por semana. Depois, trabalhávamos juntos na mesa da cozinha, como dois bons alunos no Ensino Médio se matando de estudar para as provas finais.

Mas, perto da oitava semana, senti que era necessário fazer algo grande. E dei meu maior passo.

Já assistiu ao filme Digam o que quiserem? Lembra quando o John Cusack segura aquela caixa de som na cabeça? Copiei sua ideia. Mas, em vez de um tocador de CD, fiquei na calçada da Demi com uma máquina de karaokê.

Você lembra a minha opinião sobre karaokê, né? Tem muita coisa em que sou bom, mas cantar não é exatamente uma delas. Superei isso e cantei a plenos pulmões toda canção de amor de veado que conseguia me lembrar.

Matthew, Steven e Jack apareceram por lá e se sentaram no meio-fio e me provocaram, mas nem liguei. Porque o tempo todo em que eu estava cantando, Demi estava parada na varanda dela, me observando, com um sorrisinho em seus perfeitos lábios.

A humilhação pública não parava por aí.

Porque no meio da música “Mirrors”, do Justin Timberlake, Demi desceu, pegou na minha mão, e me levou para dentro do apartamento. Mostrei o dedo do meio para os meninos ao sair de lá. E quando chegamos, Demi montou em mim como uma princesa guerreira se preparando para a batalha.

O quê? Você não achou que não estávamos transando, né? Euzinho, ficar dois meses sem pegar nada?

Por que não arranca meu cérebro com um alicate? Acho que isso seria menos doloroso.

Temos transado. Mas como já disse, não passávamos a noite juntos. Então, era como tomar um sorvete sem a cobertura. Continua gostoso, mas, com certeza, tem algo faltando.

Naquela noite, no entanto, tudo mudou. Porque quando abri os olhos, já era de manhã, e Demi já estava acordada. Me olhando. Ela passava os dedos no meu peito e me beijava. Ela me contou que estava pronta, que queria que morássemos juntos novamente.

Aquilo… foi o segundo melhor dia da minha vida.

Encontramos um apartamento novo bem rápido. Já estava procurando há um tempinho e tinha diminuído minhas opções para três lugares.

Era importante para Demi que escolhêssemos um lugar que pudesse ser “nosso” em todos os sentidos da palavra. Para ela, isso representava um novo começo para nosso relacionamento. Um símbolo de algum tipo de poder feminino que ela, de algum modo, pensou que estava faltando antes. Sempre achei que Demi fosse forte, independente. Nunca percebi que ela não achava isso.

O prédio já tem mais de cem anos, com estruturas originais, janelas do teto ao chão, e duas varandas com vista para o Central Park. Além disso, o Bon Jovi mora a alguns andares abaixo de nós, o que é legal. Demi é uma grande fã dele.

Acho que isso é tudo. Esqueci de algo?

Aprendi minha lição. Para sempre, desta vez. Estou falando sério. Se eu chegar em casa e a Demi estiver transando com algum cara na nossa cama? Não vou surtar, não vou falar nada.

Vou apenas pegá-la, colocá-la em meu ombro e levá-la para o laboratório de DNA mais próximo para garantir que é a Demi mesmo, e não alguma irmã gêmea desaparecida do mal que chegou para fazer nossas vidas virarem um inferno.

Nunca vou duvidar da Demi de novo. Aliás, de nós.

Ainda não acredita em mim?

Tudo bem. O tempo mostrará isso. Além disso, Demi acredita em mim. E é o que realmente importa, né?

Agora que está atualizada, não vou te encher o saco com mais outras recapitulações. Mas a história ainda não terminou. Você pode assistir ao resto da ação, ao vivo.

– Não consigo comer mais nada. Acho que meu estômago vai explodir.

– Deus do céu, Matthew, outro pedaço! Como aguenta? – pergunta Deloris.

Matthew esfrega sua barriga sobressalente, como um avô no Dia de Ação de Graças.

– É um presente.

Ela vira os olhos.

A gangue toda está aqui. Os meninos vieram ajudar a arrumar os móveis no quarto do bebê, e as meninas vieram junto para supervisionar. Madeira de cerejeira sólida, isso é uma merda pesada. Siga meu conselho: compre madeira falsa. Fica tão bonito quanto e é muito mais fácil de carregar.

Shamu encara Matthew quando ele pega o quinto pedaço de pizza.

– Matthew, estou falando sério, é melhor você parar.

Shamu? Ah, é a Alexandra – um novo apelido temporário. Matthew e eu inventamos há algumas semanas, quando ela fez uma terrível escolha ao utilizar um maiô de gestante preto e branco para ir à praia.

Mas não conte para o Steven, ok? Ultimamente, ele não tem achado graça nenhuma quando a gente irrita a minha irmã.

Com a boca cheia, Matthew fala para ela:

– Não fique com ciúmes, Shamu, só porque você está muito inchada para curtir esta iguaria fina.

Oh-oh. Conseguiu pegar o fora que ele deu?

A Alexandra, com certeza, pegou.

– Do que você me chamou?

– Como assim?

– Shamu. Você me chamou de Shamu. Que merda isso significa, Matthew?

Nunca vi ninguém fazer fila na frente do corpo de bombeiros, mas agora sei como isso seria. Matthew se engasga com a mordida, como se tivesse engolindo um tijolo. E seus olhos bem grandes viram para mim pedindo ajuda.

Está sozinho nessa, cara. Tenho um filho a caminho. Seria bom ter os quatro membros funcionando quando ele nascesse.

– Eu… ah… estou ficando com a síndrome de Tourette.

Deloris parece confusa. Os olhos de Alexandra se contraem.

– Filhodamãebundãoignorantechupador. Entendeu?

Shamu se vira.

– Tanto faz.

Ah. Isso foi decepcionante. A gravidez deve estar fazendo ela perder o jeito. E falando sobre gravidez, Demi entra no quarto.

Seu cabelo está comprido e brilhante. Quando ela se movimenta, ele cai da esquerda para a direita. Ela está com cara de cansada, e está com uma mão nas costas para ajudá-la a apoiar a imensidade que está na parte da frente.

Não consigo desviar os olhos dela. Ela está adoravelmente redonda. Como um daqueles Kinder ovos que eu costumava comer quando era criança. Ela se joga no sofá perto de mim e coloca os pés inchados, como os de Fred Flintstone, na mesinha de centro.

– Estou tão grande.

Sorrio e coloco a mão no seu monte redondo, esfregando-o como uma cabeça careca para desejar boa sorte. Saber que realmente tem um bebê lá dentro, senti-lo ou senti-la se mexer através da pele de Demi, é completamente maravilhoso.

Quando está passando um jogo dos Yankees, converso com ele – passo todos os detalhes, como um intérprete de cegos. E à noite, quando Demi está dormindo, posiciono o controle remoto da TV na barriga dela só para ver o bebê chutar por dentro. Isso é legal, não acha? De um jeito meio estranho, igual ao Alien, mas ainda assim legal.

– Você realmente está enorme – digo –, acho que seu peso dobrou desde o café da manhã.

Todos ficam, sinistramente, em silêncio.

Demi encara minha mão durante um instante bem longo.

– Com licença… tenho que… ir… – Ela levanta e se arrasta, correndo pelo corredor.

Provavelmente, foi fazer xixi, ela tem feito bastante ultimamente.

Em seguida, Deloris me dá um tapa.

Plaft.

Bem na orelha.

– Ai! – esfrego meu lóbulo dolorido.

Shamu solta um suspiro de frustração.

– Você pode dar um por mim também, Deloris? Acho que não consigo me levantar.

Plaft.

– Cacete! Que merda é essa?

Alexandra me enche o saco.

– Está pensando o quê? Você não pode dizer para uma mulher que ela está enorme quando está apenas a três dias da data do parto!

– Eu não disse. Ela disse. Eu apenas concordei.

– Deloris.

Plaft.

– Porra!

Se o zumbido indicar alguma coisa, tem uma grande chance de eu ter acabado de ficar surdo.

– Demi sabe que não quis ofendê-la.

Deloris cruza os braços, convencida.

– É lógico que ela sabe, imbecil. É por isso que ela está, agora, no banheiro, chorando igual a uma louca.

Faço um esforço para entender e olho no corredor. Pode ser que a Deloris esteja apenas me enchendo o saco. Ultimamente, este tem sido seu passatempo predileto, fazer eu me sentir culpado por toda a merda pela qual Demi já me perdoou. Deloris Warren é o Mickey Mantle do rancor guardado.

Alexandra se empurra do sofá.

– Por falar nisso, Steven, me leve pra casa. Mesmo que seja muito divertido assistir meu irmãozinho se humilhar, estou muito cansada para realmente curtir isso agora.

Deloris e Matthew também se levantam para ir embora, para que os quatro possam dividir um táxi. Apesar de que não sei como eles farão isso, já que a Alexandra vai precisar do banco de trás todo só para ela.

No entanto, não vou compartilhar este pequeno detalhe.

Além disso, tenho algo mais importante para cuidar. Preciso encontrar minha namorada.

Bato levemente na porta do banheiro.

– Demi?

Escuto algo se arrastando atrás da porta.

– Já estou saindo.

Merda. Seu tom de voz está abafado. Úmido. Deloris não estava brincando comigo. Levanto os braços para pegar a chave na parte de cima da moldura. Destranco a porta e a abro lentamente, e lá está ela. Parada na frente do espelho, com rastros de lágrimas nas bochechas.

Demi se vira para me olhar e soluça. Está com voz de choro. De tristeza.

– Não quero ficar gorda.

Ela cobre o rosto com as mãos e soluça.

Tento conter a risada. De verdade. Mas ela parece tão linda e triste que quase não consigo esconder isso. Abraço-a pelas costas.

– Você não está gorda, Demi.

Sua voz é abafada pelas mãos.

– Sim, estou. Não consegui colocar os sapatos ontem. Dee Dee teve que me ajudar, porque eu não conseguia alcançar.

Desta vez, não consigo controlar a gargalhada. Encosto meu queixo no ombro dela e tiro suas mãos do rosto. Nossos olhos se encontram no espelho.

– Você está grávida, não está gorda – penso por um instante e depois acrescento de propósito. – Alexandra está gorda.

Seus olhos úmidos semicerram:

– Ela está grávida.

– Não em suas coxas.

Demi mexe a cabeça.

– Você é tão mau.

– Não estou tentando ser. Estou apenas tentando te mostrar que você é linda – passo as mãos por cima e por baixo de seu quadril justo. – Que você é sexy pra caramba.

E não estou zombando da cara dela. Seu torso pode estar em capacidade máxima, mas suas pernas continuam finas. Torneadas. E ela ainda está carregando a bunda mais bonita e empinada deste lado do Rio Hudson.

É claro que, metade do tempo, ela está hormonal e irracional, mas na outra metade, ela está com tesão. Com mais tesão do que jamais a vi. Além disso, tem os seios. Não posso me esquecer deles. Estão quase tão grandes quanto a cabeça dela. Muito engraçado.

Não que haja algum problema com os seios normais da Demi, mas os peitos da gestação são como a Índia. Você não precisa ficar para sempre, mas é muito legal fazer uma visita.

Demi duvida da minha sinceridade.

– Sexy? Pelo amor de Deus. Não puxe o saco, Joe.

Sorrio com malícia.

– Estou falando sério, querida, se eu quisesse puxar alguma coisa, não seria o saco.

Ela se joga em meus braços, sem se convencer.

– Como você poderia, algum dia, achar isso – ela aponta para o corpo – sexy?

Hesito. Passo a mão na nuca.

– Talvez você fique brava.

– Manda.

Encolho os ombros.

– Bom… eu fiz isso com você.

Este é um fato que tenho certeza de que ela não se esquecerá, quando estivermos na sala do parto.

– Te deixei assim, deixei minha marca. É a minha criança que você está carregando. É como se houvesse uma placa de neon bem grande, escrito: PROPRIEDADE DE JOE JONAS. Pode me chamar de homem das cavernas, mas isso me deixa muito excitado.

Ela fica quieta por um instante, depois olha para baixo para nossas mãos dadas.

– E se eu não conseguir perder peso depois que o bebê nascer?

– Você vai conseguir.

– Mas e se eu não conseguir?

Encolho os ombros novamente.

– Aí me tornarei um daqueles caras que adoram carne. Uma carne extra não faz mal a ninguém.

Ela vira os olhos, mas ri. Seguro o rosto dela com ambas as mãos e trago seus lábios para perto de mim. O beijo começa gentil e carinhoso.

E depois… não é mais.

Seus dentes mordem meus lábios. Forte e rapidamente. Implorando por mais. Minhas pernas tremem, querendo agradá-la.

Ainda me impressiona o poder que ela tem sobre mim. Essa pequena mulher consegue me deixar louco apenas com um olhar… um suspiro. Mas não poderia pensar diferente. Já estive do outro lado. Já vi o que a liberdade pode me oferecer.

Sofrimento.

Tragam as porcarias das correntes, aceito ser escravo a qualquer momento.

Demi se afasta, com olhos fechados. Ofegante.

– Joe… Joe, preciso…

Tiro o cabelo de seu rosto.

– O quê, amor, fala? O que precisa?

Seus olhos abrem.

– Você me quer, Joe?

Chupo seu lábio inferior e sibilo.

– Claro.

– Me mostre. Faça eu sentir isso. Não pense no bebê… apenas… me coma… como antes…

Minha Nossa Senhora.

Tudo bem, neste momento, a Demi está… alargada. Delicada. Como uma bexiga muito cheia de água.

Tive que fazer um esforço para levar as coisas com muita calma no departamento sexual. Devagar e gentil, apesar de algumas posições fantasticamente criativas. Mas agora, as coisas que ela diz, sua voz, caramba, isso é tudo que posso fazer para não incliná-la na pia e comê-la até desmaiarmos.

– Quero muito forte… por favor, Joe… como costumávamos fazer…

Caramba, acho que é assim que um gorila enlouquecido se sente logo após escapar de um zoológico.

– Não precisa olhar pra mim, se…

Como um pavio seco, estalo. Agarro seus braços mais forte do que deveria e a viro. Coloco a mão no cabelo dela, puxando sua cabeça para trás para que eu possa atacar seu pescoço. Meu furioso pau duro se esfrega na bunda dela. Demi geme. Minha outra mão sobe por sua barriga, pegando fortemente em seus seios. Eles sobram em minha mão. Nossas bocas se fundem juntas, com as línguas se batendo e lutando. Encaixo um braço por baixo dos joelhos dela e a levanto, levando-a diretamente ao quarto.

Demi empurra meu peito.

– Espera, Joe, estou muito pesada. Você vai se machucar.

Se eu não estivesse tão excitado, ficaria ofendido com isso. Interrompo-a com outro beijo profundo. Depois, a deito na cama.

Desabotoo a frente de seu vestido sem pressa, um botão por vez. Não para provocá-la, mas para mostrar a ela.

– Vai pro inferno com “Não me olhe”! Olhar pra você é a melhor parte de tudo.

Tudo bem, não é a melhor parte. Mas é uma parte muito boa.

Ela se mexe impaciente e abro seu sutiã. Ela o tira pelos braços. Paro por um instante para admirar minha obra, acariciando cada parte de seu corpo nu com meus olhos. Deslumbrante.

Em seguida, enfio o rosto entre seus seios, lambendo e chupando, elogiando cada colina.

Demi arqueia as costas e puxa meu cabelo. Se contorcendo. Arranco a minha camiseta pela cabeça.

Seus braços agarram minhas costas, me apertando forte, me puxando para mais perto. Gemo e mordisco um caminho até sua garganta para dar outro longo beijo em sua boca. Não quero que ela pense no bebê agora, mas não posso passar pela barriga sem reverenciá-lo. Aperto meus lábios nela uma vez, respeitando-o.

Depois, me levanto. Tiro o cinto e deslizo a calça e a cueca até o chão. Demi está respirando rapidamente. Seus lábios estão abertos e inchados. Seus olhos estão queimando para mim.

Pego seus tornozelos e os levo até a ponta da cama, colocando suas pernas em volta do meu quadril.

Deslizo meu pau por cima e por baixo de seus lábios, cobrindo a cabeça com o molhado.

E m seguida, paro e nossos olhos travam. Sei que ela quer ter uma boa gozada e eu quero agradá-la, mas antes:

– Caso te machuque, caso esteja desconfortável, me fala.

Ela acena rapidamente. E é a única confirmação que preciso antes de bater dentro dela. Porra. Gememos juntos, durante um tempo e bem devagar. Minha cabeça vira e impulsiono de novo.

Ela está mais apertada agora. Não sei se é o bebê que está juntando tudo ou Deus é que é bom, mas sua boceta me aperta como uma planta carnívora saboreando sua última refeição. Meu quadril bate contra ela, colidindo e se esfregando, o mais agressivo possível.

Parece algo primitivo. Puro. É tão intensamente delicado, impossível de se acreditar. Seus sólidos seios pulam depois de cada pressão. Ela está arquejando e gemendo, está amando cada segundo. Demi procura meu quadril, mas está muito longe de seu alcance. Ela agarra os lençóis da cama no lugar e os aperta.

Mantendo um ritmo rápido e regular, deslizo minha mão entre nós e esfrego seu clitóris do jeito que ela gosta. Depois, faço movimentos mais rápidos, belisco aqueles mamilos escuros lindos. Os seios da Demi sempre foram um ponto bem gostoso, mas ultimamente parece que eles estão muito mais sensíveis.

Ela abre a boca, mas saem apenas gemidinhos. E isso é inaceitável.

– Fala sério, amor, você consegue se sair melhor do que isso.

Dou um bom e longo puxão em cada mamilo pontudo. E ela grita:

– Joe… Joe… isso…

Muito melhor.

Coloco as mãos em seus joelhos para me apoiar. Puxo-a para dentro de mim conforme empurro mais forte. Pele batendo na pele.

– Cacete… Demi…

Não vou conseguir aguentar por muito tempo. A esta altura, não esperava muito. Meu queixo cai no meu peito e procuro e agarro sua bunda. Levantando-a, enfiando profundamente. Me mexendo mais rápido.

Demi aperta as pernas em mim e sei que ela também está quase gozando. E está gemendo… sussurrando… é algo lindo. Aí ela fica rígida por baixo de mim. Se estica ao meu lado. Me leva com ela. Pego na sua cintura, segurando-a perto de mim ao gozarmos juntos.

Mais tarde, quando nossas respirações finalmente voltam ao normal, caio na cama ao seu lado:

– Caramba. Isso nunca cansa.

Ela ri.

– É. Tava precisando disso.

Ela morde o lábio inferior e me olha de relance. Tímida.

– Quer fazer de novo?

Como se ela precisasse perguntar.
 
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Eu não iria postar esse capitulo tão cedo pq eu ainda estava esperando vocês comentarem mais, sério mesmo, tantas visualizações no capitulo e só 4 comentários?? eu poderia ter postado esse no mesmo dia que eu postei o outro se vocês tivessem comentado, mas não... então, a segunda parte e ultima do epilogo e o fim dessa fic só irei postar se vocês realmente comentarem... :/



11.9.14

Enroscado - Capitulo 17 - Último

 
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Na manhã seguinte, quando abro os olhos, é cedo. Uma luz cinzenta passa pelas cortinas, mas o sol ainda não saiu.

E o espaço entre nós está vazio. Estou sozinha.

Por um momento horrível e irracional, acho que tudo foi só um sonho. A vinda de Joe até Greenville, nossa reconciliação, apenas um engano vívido trazido à tona por muitas minisséries na televisão e por muitas novelas.

Mas aí vejo um bilhete na mesinha.

Não se desespere. Fui lá embaixo buscar o café da manhã. Volto o mais rápido possível. Fique na cama.

Aliviada, viro de costas e fecho os olhos. Sei, por já ter passado por isso, que se eu levantar muito rápido, o enjoo irá me bater como vingança. Não me importo muito com os enjoos matinais. É lógico que ninguém curte ficar botando tudo pra fora, mas, de um modo estranho, é confortante. Como se meu corpo estivesse falando “estamos bem”. Está tudo pronto.

Dez minutos depois, me levanto devagar e coloco meu roupão. Aí desço, seguindo o cheiro de café recém-feito.

Do lado de fora da entrada da cozinha dos fundos, escuto a voz de Joe. Em vez de entrar, espio pela rachadura ao lado da junta da porta. Joe está no balcão, batendo farinha em uma tigela de aço inoxidável. Minha mãe está sentada, rígida, na mesa do canto. Analisando contas, apertando sem dó os botões de uma grande calculadora. Ela está com cara de brava, uma expressão rígida, com certeza ignorando a outra pessoa que está no local.

Escuto e observo, conseguindo pegar o final da história do Joe.

– E eu disse “dois milhões? Não posso propor isso para meu cliente. Volte quando estiver falando sério”.

Ele olha para minha mãe, mas não há reação alguma. Ele volta a mexer e diz:

– É como eu tava contando para a Demi algumas semanas atrás, alguns caras precisam aprender a perder.

Minha mãe bate uma conta na mesa e pega a próxima na pilha.

Joe suspira. Em seguida, coloca a tigela no balcão e senta na frente da minha mãe. Ela não percebe que ele está lá.

Ele pensa por um instante, coçando seu queixo. Depois, se abaixa para a minha mãe e diz:

– Eu amo sua filha, Carol. Daquele jeito que aceitaria levar um tiro por ela.

Minha mãe bufa.

Joe acena.

– Ok, entendi. Isso provavelmente não significa nada pra você. Mas… é a verdade. Não posso te prometer que não vou fazer merda de novo. Mas se eu fizer, não será tão épica quanto a mais recente porcaria que fiz. Te prometo que farei de tudo para compensar isso para a Demi… para deixar tudo isso bem.

Minha mãe continua olhando para a conta em sua mão, como se tivesse a cura do câncer lá.

Joe senta, olha em direção à janela, e dá um sorrisinho.

– Quando eu era criança, queria ser meu pai. Ele usava aqueles ternos legais e trabalhava no andar mais alto de um prédio enorme. E ele sempre arrumava tudo, como se o mundo todo estivesse na ponta de seus dedos. Quando conheci Demi… não… quando percebi que a Demi significava isso para mim, tudo o que queria era ser o cara que a faria feliz. Que a surpreenderia, que a faria sorrir.

Pela primeira vez, minha mãe olha para Joe. Ele a olha de volta e diz com uma voz determinada:

– Eu ainda quero ser aquele cara, Carol. Eu ainda acho que posso ser. Espero que, um dia, você ache isso também.

Após um instante, Joe levanta e volta a fazer o café da manhã no balcão.

Espero, observando, enquanto minha mãe continua sentada na mesa, em silêncio e sem se mexer. Não é isso que todos os pais querem escutar? Que o único objetivo da pessoa que sua filha ama é fazê-la feliz? Não consigo acreditar que ela não se emocionou com o que Joe disse.

Ela diz:

– Está fazendo errado.

Joe para de mexer e vira para minha mãe:

– Estou?

Ela levanta e pega a tigela da mão dele.

– Sim. Se você mexer muito, as panquecas ficarão pesadas. Muito grossas. Você precisa mexer apenas o suficiente para misturar os ingredientes – ela abre um sorrisinho para ele, mas só isso. – Vou te ajudar.

Devagar, Joe sorri de volta.

– Que ótimo. Obrigado.

É, aí vem a ternura e a confusão. Meu coração se derrete um pouquinho. Porque toda garota quer que sua mãe veja a bondade do homem que ela ama.

Chego, tranquila, na cozinha.

– Bom dia.

– Bom dia, meu amor. Como está? – pergunta minha mãe.

– Bem. Muito bem.

Vou até Joe, que me beija suavemente e coloca os braços em volta de mim.

– Por que levantou? Não leu meu bilhete?

– Li. Mas queria ver o que estava aprontando. Como está indo?

Ele pisca.

– Estamos quase lá.

Ficamos em Greenville por mais um dia, antes de pegarmos um voo noturno de volta à Nova York. A primeira coisa que fazemos na manhã do sábado é passar pela soleira da porta e entrar no nosso apartamento juntos.

Dou uma olhada na sala de estar, enquanto Joe coloca nossas malas no canto. O apartamento parece ter acabado de ser limpo, está brilhando, e tem cheiro de lustra-móveis de limão. Está exatamente do mesmo jeito que deixei há uma semana. Nada mudou.

Como se estivesse lendo minha mente, Joe diz:

– O pessoal da limpeza deu uma passada.

Olho pelo corredor em direção ao banheiro:

– E a fogueira?

Já tínhamos conversado sobre o ataque de piromania do Joe. Ele disse que queimou algumas fotos, mas ainda tem algumas cópias. Tudo o que foi perdido pode ser substituído.

Não acham meio poético?

Falo, séria:

– Joe, precisamos conversar.

Ele me responde com cautela.

– Nenhuma conversa na história da humanidade que começou com esta frase terminou bem. Vamos nos sentar.

Sento no sofá. Ele pega a cadeira reclinável e a vira para me ver.

Vou direto ao ponto:

– Quero me mudar.

Ele tenta entender o que eu disse, enquanto me preparo para a discussão prestes a começar.

No entanto, ele apenas acena levemente:

– Você está certa.

– Estou?

– Claro, é lógico – ele olha pela sala – Devia ter pensado nisso antes. Foi aqui que seu maior pesadelo se tornou realidade. Igual àquela casa de Horror em Amityville, quem seria o idiota que gostaria de continuar vivendo lá?

Ele está reagindo melhor do que esperava. Até que continua:

– Minha irmã conhece um ótimo corretor de imóveis. Vou ligar para ela. Podemos ficar no Waldorf se quiser, até encontrarmos uma nova casa. Neste mercado, acho que não deve demorar muito.

– Não, Joe, eu disse que eu quero me mudar. Sozinha. Quero ter meu próprio apartamento.

Sua sobrancelha se enruga.

– Por que você gostaria de fazer isso?

Provavelmente, você deve estar se perguntando a mesma coisa. Estive pensando nisso, planejando tudo na minha mente, desde que decidi que queria ficar com o bebê, com ou sem o Joe. Porque há tipos diferentes de dependência. Sempre quis ter segurança financeira, e agora tenho. Mas nunca fui independente no sentido emocional. Por conta própria. E, nesta época da minha vida, é algo que quero.

Mesmo que seja apenas para provar a mim mesma que consigo fazer isso.

– Nunca vivi sozinha, sabia?

Ainda confuso, ele diz:

– Tá ce-r-to?

– No primeiro ano da faculdade, morei em residência. Em seguida, eu, a Dee, o Billy e outras pessoas alugamos um lugar fora do campus. Aí depois, eu e o Billy ou eu, a Dee e o Billy sempre dividíamos uma casa ou um apartamento. Mais tarde, me mudei para cá com você.

Joe se curva para frente, encostando seus cotovelos nos joelhos:

– Aonde quer chegar, Demi?

– O que estou querendo dizer é que eu nunca voltei pra casa e não tive alguém me esperando. Eu nunca decorei ou comprei algum móvel sem consultar uma pessoa. Tenho 27 anos e, praticamente, nunca dormi sozinha.

Ele abre a boca para argumentar, mas continuo:

– E… e acho que você disse algo bem válido sobre acelerar as coisas. Nós partimos de uma noite de amor, em um final de semana, para morarmos juntos da noite para o dia.

– E veja como tudo deu certo! Sei o que quero, quero você. Não tinha nenhuma razão para esperar, pois…

– Mas talvez houvesse alguma razão para esperar, Joe. Talvez a gente pudesse ter criado uma base mais sólida para nosso relacionamento se tivéssemos apenas… saído… por um tempo antes de morarmos juntos. Talvez, se tivéssemos ido mais devagar, nada disso teria acontecido.

Ele está irritado. E um pouco em pânico. Ele está tentando esconder isso, mas dá para perceber.

– Você disse que me perdoou.

– Eu perdoei. Mas… não me esqueci.

Ele mexe a cabeça.

– Isso é apenas uma desculpinha de mulher para você me jogar na cara pelo resto das nossas vidas!

Ele tem um pouco de razão. Estaria mentindo se dissesse que não estou tentando convencê-lo de que ele está errado, de que não pode me tratar do jeito que bem entender. Que há consequências para seus atos.

De que se ele fizer algo errado de novo, eu posso – e irei – deixá-lo.

Mas não é apenas isso.

– Você quer mudar a decoração? – pergunta ele. – Fique à vontade. Quer pintar as paredes de rosa e colocar malditos lençóis de unicórnios na cama? Não vou falar nada.

Agora, estou mexendo a cabeça.

– Preciso saber que consigo fazer isso, Joe. Por mim. E… para que, quando nosso filho ou filha sair de casa, possa entender como é isso, para poder ajudar.

Neste momento, espero que Joe concorde com quase tudo o que quero.

As mulheres sabem quando estão no controle da situação. Você sabe do que estou falando. Os dias depois que seu marido se esqueceu do aniversário de casamento, ou seu namorado passou horas demais no bar com os amigos assistindo ao jogo. Nos dias depois de uma discussão, quando as mulheres ganham a briga, tudo fica pacífico. Adorável. Os homens fazem de tudo para serem atenciosos e corteses. Eles guardam os sapatos no armário, tiram o lixo sem ao menos precisar pedir e se lembram de levantar a tampa antes de fazerem xixi.

Então, apesar de saber que Joe não ficará feliz com meu raciocínio, imagino que ele continuará sendo compreensível e prestativo.

– Bom, isso é uma porra de uma idiotice!

Não foi bem o que imaginei.

Cruzo os braços sobre o peito.

– Não. Para mim, isso não é.

Ele se concentra.

– Então, você está louca! – ele coloca uma mão no cabelo e recupera seu autocontrole.

Ao falar, as palavras saem calmas, moderadas, como um empresário com bom senso usando sua lábia.

– Tudo bem… vamos concordar que os últimos dias foram muito emotivos. E você está grávida… você não está pensando direito. Quando a Alexandra estava grávida, ela queria raspar o cabelo igual ao da Miley Cyrus. O cabeleireiro conseguiu convencê-la do contrário e, no final das contas, ela ficou feliz. Então, vamos deixar essa ideia de lado… e pensar nela novamente mais tarde.

Suspiro.

– Isso será bom para nós. Ainda vamos continuar nos vendo alguns dias, mas com um pouco de tempo separados, um pouco de espaço…

– Você falou para sua mãe que não precisa de espaço. Que precisávamos estar juntos para resolver isso.

– Isso foi naquele momento – digo, encolhendo os ombros. Depois, falo o antigo ditado: – Se você ama alguém, solte-o. Se ele voltar para você, é porque era seu.

Ele belisca a ponta do nariz.

– Então… você vai me provar que nunca vai me deixar… me deixando?

– Não. Vou te provar que nunca vou te deixar… voltando pra você.

Joe puxa a calça da cintura e olha para baixo.

– Não, ainda tenho um pinto. O que explica muita coisa, porque o que você está dizendo só faz sentido na cabeça de uma mulher.

Viro os olhos. Joe segue em frente:

– Você está grávida, porra, Demi! Vamos ter um filho. Agora não é hora de dar um passo para trás e ficar pensando se quer estar em um relacionamento!

Pego na mão dele e o sento perto de mim no sofá.

– Você se lembra de tudo o que fez antes de eu me mudar para cá? As flores, as bexigas, a conversa com a Irmã B, ter redecorado o escritório em casa. Foram gestos lindos. Eles me mostraram o quanto você me queria e o quanto você estava disposto a mudar sua vida por mim.

Olho para nossas mãos dadas.

– Mas, eles também fizeram uma oferta que eu não podia recusar. Nenhuma mulher pode. E acho que uma parte sua acredita ter me persuadido a morar com você. Que se você não tivesse me amolado e ficado tanto no meu pé, eu nunca teria te escolhido.

– Você não teria.

– Viu o que quis dizer? Isso não é verdade. Pode ter demorado pra eu confiar em você novamente, pra acreditar que estava pronto para um relacionamento, mas eu teria te escolhido. Eu teria continuado apaixonada por você e querendo uma vida ao seu lado, por causa de quem você é. Não é por causa das coisas que você fez para mim. Temos que consertar isso, Joe. Desse jeito, você nunca duvidará da razão de eu estar com você.

Ele tira a mão e a passa no rosto.

– Então, você quer pagar por um apartamento, empacotar todas suas coisas, comprar móveis, ter todo o trabalho de se mudar… apenas para provar a mim e a você que consegue isso? Sabendo que, em algum momento, vai acabar voltando a morar comigo?

– Bom, quando você fala desse jeito, isso tudo parece ridículo.

– Isso! Obrigado. Se deixarmos toda a baboseira psicológica sobre o lado emocional de fora, tudo é ridículo!

– Não, não é. Porque, mais tarde, quando decidirmos morar juntos novamente, estaremos na mesma página. Não será você que abrirá espaço na sua vida para mim, seremos nós dois tomando uma decisão juntos. Pelas melhores razões.

Ele olha para longe em direção à porta, pensativo. Depois, vira para mim novamente:

– Não. Me desculpe, Demi. Quero te fazer feliz, eu quero. Mas não posso concordar com algo tão sem sentido. Não vou concordar com isso. Não vou. Apenas não irei.

Ele cruza os braços e faz beiço. Como uma criança de dois anos que recusa se mexer até a hora que quiser.

Teve uma época, há pouco tempo, que esta recusa teria me abalado. Que eu deixaria sua opinião se tornar a minha. Que eu teria cedido pelo amor que tenho por nosso relacionamento e pela minha sanidade.

Mas não mais.

Levanto.

– Vou fazer isso, Joe, com ou sem você. Eu, realmente, espero que possa ser com você.

Em seguida, ando pelo corredor até o quarto.

Fico parada no meio do quarto durante alguns minutos, me lembrando. Alguns dos momentos mais lindos e românticos da minha vida aconteceram aqui.

Estaria mentindo se dissesse que não vou sentir falta disso.

Mas tenho convicção de que esta mudança nos fará bem. De que, em algum momento, isso fará a diferença entre nos ruirmos sob o peso de nossa paixão e teimosia ou nos tornarmos um casal ainda mais forte do que éramos.

Só queria que Joe conseguisse enxergar isso também.

Com um suspiro, vou até o armário para pegar minha mala. Quando saí daqui uma semana atrás, levei comigo apenas uma malinha, então ainda tem muita roupa para ser empacotada. Vejo a mala de couro bege grande na prateleira de cima.

As prateleiras de closet realmente não foram projetadas para as baixinhas. Fico na ponta dos pés, tentando alcançar a alça. Penso em pegar uma cadeira no outro quarto, mas pulo para tentar pegar antes.

Ao dobrar os joelhos para tentar novamente, escuto Joe vindo atrás de mim. Ele alcança sobre minha cabeça, e pega a mala facilmente, colocando-a no chão.

– Você não devia esticar tanto seus braços sobre a cabeça. Não é bom para você… para o bebê – ele sai do closet e coloca a mala na cama.

– Como você sabe disso? – pergunto ao segui-lo.

Ele encolhe os ombros.

– Quando Alexandra ficou grávida, eu li bastante. Queria estar preparado caso ela entrasse em trabalho de parto durante alguma reunião de família, ou se ficássemos presos juntos num táxi durante a hora do rush.

Ele abre o zíper da mala e acrescenta:

– Eu, com certeza, teria que arrancar meus olhos depois daquilo, mas teria valido a pena.

Sorrio.

Ele me pega nos ombros e me coloca sentada na ponta da cama.

– Apenas… coloque seus pés para cima. Relaxe.

Ele, então, vira para a cômoda e tira uma pilha das minhas camisetas da gaveta, colocando-as organizadamente na mala. Ele não olha para mim ao fazer isso.

– Está me ajudando a fazer as malas?

Ele acena firmemente.

– Sim.

– Mas você ainda não quer que eu mude?

– Não.

– E… você ainda acha que é uma ideia besta?

– Sim. Você não tem muitas ideias bestas, mas, mesmo se tivesse, esta seria a mais idiota de todas.

Ele pega outra pilha da gaveta, enquanto eu pergunto:

– Então por que está me ajudando?

Ele joga a pilha na mala e faz contato visual. Seu rosto diz tudo o que ele está sentindo: frustração, resignação… devoção.

– Nos últimos dois anos, disse uma dúzia de vezes que faria qualquer coisa por você – ele encolhe os ombros. – Este é o momento de eu entrar com tudo ou calar a minha boca.

E é… é por isso que eu o amo. Acho que é por isso que você o ama também.

Pois, apesar de seus defeitos e erros, Joe é corajoso o bastante para me dar tudo o que tem. De colocar seu coração na mira e me dar a faca.

Ele faria coisas que odeia, apenas por ter pedido a ele. Ele iria contra seus instintos e bom senso, se fosse necessário para mim. Ele me colocaria na frente de seu bem-estar, da sua felicidade.

Levanto, coloco os braços em volta do seu pescoço e beijo seus lábios. Um pouco depois, meus pés saem do chão e sua mão está enterrada em meu cabelo.

Sua boca captura meu gemido, ao me puxar para mais perto.

Eu o afasto e digo:

– Você é maravilhoso.

Ele me dá um sorriso fraco:

– É o que dizem.

Sorrio.

– E eu te amo.

Ele me coloca no chão, mas continua com os braços na minha cintura.

– Que bom. Então, você vai me deixar colocar três cadeados no apartamento em que decidir morar. E uma corrente. E uma fechadura.

Abro um sorriso grande.

– Ok.

Joe lentamente se aproxima, me levando para mais perto da cama.

– E você não vai reclamar quando eu instalar um sistema de segurança.

– Nem sonharia em fazer isso.

Damos outro passo juntos, como se estivéssemos dançando.

– Estou pensando em comprar pra você um daqueles colares que dizem “eu caí e não consigo levantar” também.

Meus olhos se apertam ao fingir que estou pensando sobre essa ideia.

– Podemos conversar sobre isso.

– E…você terá que me deixar te levar pra casa depois do trabalho toda noite.

– Sim.

A parte de trás das minhas pernas encosta na cama.

– Vou com você a todas as consultas médicas.

– Em nenhum momento achei que você não faria isso.

Joe segura meu rosto em suas mãos.

– E, um dia, vou te pedir em casamento. E você saberá que não é porque está grávida ou por alguma tentativa desesperada para te ter.

Lágrimas escorrem dos meus olhos ao nos olharmos.

Com uma voz rouca, ele continua:

– Você saberá que estou te pedindo porque nada me deixaria mais orgulhoso do que poder dizer: “Esta é minha esposa, Demi”. E, quando eu te pedir, você responderá que sim.

Ao acenar, uma lágrima se arrasta pela minha bochecha. Joe a seca com o polegar enquanto eu prometo:

– É claro que sim.

Aí ele me beija, com toda a paixão e desejo que ele conteve durante os últimos dois dias. Joe faz carinho na minha cabeça ao cairmos na cama, juntos. Em seguida, me arqueio e, ao me esfregar nele em um lugar que já está duro e preparado, sinto um calor passar do estômago até as coxas.

Encostando seus cotovelos na cama sobre meus ombros, Joe levanta a cabeça e ofega:

– Então… estamos fazendo sexo de reconciliação… ou de término? Porque tenho ideias fantásticas para os dois.

Abro minhas pernas, aninhando o Joe entre elas:

– É lógico que é sexo de reconciliação, talvez seja um pouquinho de término. Mas é muito mais sexo de último dia no apartamento. É muita coisa para se fazer, então acho que vai demorar um bom, bom tempo.

Joe sorri. Ele dá aquele sorriso encantador de garotão, um dos meus favoritos, que aparece apenas em ocasiões especiais.

– Adoro como você pensa.

E não saímos da cama pelo resto do dia.


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E aí? apoiam a decisão que a Demi teve de ir morar sozinha??? será que ela volta antes do bebê nascer?? Hum... esse é o ultimo capitulo, mas o epilogo é dividido em 2 partes... Beijooos <3