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25.1.15

Epílogo

E aqui está o tão esperado epílogo!!!! abaixo eu já postei a sinopse da próxima fic que é maravilhosa tbm <3 Ah, a Juh havia me perguntado o nome desse livro e a autora, eu deveria colocar sempre nos últimos capítulos mas eu sempre esqueço... "Romance ás avessas de Theresa Ragan" ;)

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Nove meses depois

Demi e Joe não podiam ter escolhido um dia mais bonito para se casarem.

O sol brilhava forte, havia poucas nuvens e, apesar de estar incomumente quente para maio, uma brisa leve evitava que os convidados sentissem calor demais. O local pastoral da Fazenda de Pôneis Jonas oferecia uma atmosfera relaxada e despreocupada. Enquanto Demi percorria o corredor gramado usando um vestido de noiva que descia até os joelhos, segurava com força o braço de Phil Jonas. Ela estava grata por tê-lo ao lado dela, feliz por saber que podia chamá-lo de pai. Os pais dela, arrasados com a decisão de Laura de entrar para uma banda, ainda culpavam Demi e, portanto, recusaram todos os convites para comparecer ao casamento. Um rápido olhar para Phil antes que ele a entregasse ao filho revelou olhos rasos d'água e as feições suavizadas por décadas de muito amor.

Ela beijou o rosto dele e agradeceu por tudo. Em seguida, virou-se para Joe. Apesar de não ser parte do plano e não ter sido ensaiado daquela forma, ele a envolveu nos braços e beijou-a enquanto o pai dele se sentava ao lado da esposa.

Antes de se juntarem a Sandy e Aaron, que estavam esperando com o padre da família sob a treliça coberta de flores, Joe olhou nos olhos dela e perguntou: — Como você consegue ficar mais bonita a cada dia?

Ela respondeu com um sorriso e colocou as mãos no rosto dele. — Você não fugiu — brincou ela. — Obrigada por isso.

— Nem mesmo todos aqueles pôneis que você vê lá longe teriam conseguido me arrastar para longe daqui.

Ela sorriu. — Nada de pé frio nem joelhos tremendo?

— Meu joelho nunca esteve melhor — mentiu ele, pois ela já ficara sabendo que ele passara a manhã inteira com gelo sobre o joelho. — E você? — perguntou ele. — Está muito nervosa? Vai desmaiar e fazer com que eu a carregue pelo resto do caminho?

— Será que vocês dois podiam andar? — gritou Zoey de uma das

cadeiras dobráveis viradas para o arco onde diriam os votos.

— Deixe os dois em paz — disse Jake, tentando silenciar a irmã.

— Você está maluco? Vamos acabar ficando aqui o dia inteiro.

— Ignore aqueles dois — disse Joe. — Acho que devemos ir devagar.

— Só para irritar os seus irmãos?

— Não. Acho que devemos ir devagar para que eu possa saborear cada momento desse dia. Quando você olha em torno, o que vê, Demi?

Ela olhou na direção do pasto, onde os pôneis estavam, para Hank, que não estava feliz por ter que ficar preso o dia inteiro e para todos os convidados. Em seguida, olhou para ele novamente. — Eu vejo amor.

— Que cheiro você sente?

Ela fechou os olhos e respirou fundo. — Feno fresco e céu quente.

Ele fez o mesmo. — Eu sinto cheiro de pôneis e acho que a mamãe deu um jeito de colocar aquela receita de presunto na mesa da comida.

Demi riu e ele apertou as mãos dela, talvez porque estivesse nervoso, mas ela não achou que fosse esse o motivo. Joe Jonas parecia estar realmente saboreando o momento.

— Nós não estamos ouvindo vocês! — gritou Zoey logo antes que alguém tentasse calá-la.

O olhar de Joe não se afastou dos olhos dela e Demi teve que se beliscar para ter certeza de que não estava sonhando. O homem com que estava prestes a se casar estava deslumbrante naquele terno, apesar de ela saber que ele mal podia esperar para vestir algo mais confortável. Ela estava se casando com o pai do filho dela, com o homem que amava. As coisas não podiam ficar melhores do que aquilo. Eles teriam o resto da vida para ficarem juntos, amarem um ao outro e aprenderem juntos enquanto acompanhavam o crescimento de Ryan.

— Cada dia será uma aventura — disse ele. — E cada noite também — acrescentou com uma piscadela.

Ela riu novamente.

— Podemos ir, eu estou pronto — disse ele. — E você?

— Estou.

Eles se viraram em direção ao arco onde Sandy, a madrinha, estava de um lado e Aaron, o padrinho, do outro. Dez minutos depois, estava feito. A cerimônia fora curta e doce. Afastando-se da tradição, eles escreveram os próprios votos, jurando amar e confiar um no outro até o fim dos tempos.

Eles estavam oficialmente casados.

Joe e Demi estavam de mãos dadas no gramado da Fazenda de Pôneis

Jonas e viraram-se na direção da multidão, que crescera para incluir a maior parte de Arcadia.

— Senhoras e senhores — disse o padre —, apresento a vocês o sr. e a sra. Jonas.

Todos se levantaram, aplaudindo e gritando, enquanto os recém-casados passavam.

Demi passeou com o olhar por todos os rostos familiares. Olhou para Aaron e Maggie, que tinham se casado seis meses antes, e pareciam felizes. Olhou para Helen e Phil Jonas, para cada um dos irmãos e irmãs de Joe. Ela se sentia abençoada por fazer parte da família Jonas.

Parados lado a lado, Demi e Joe conversaram com os convidados enquanto todos se encaminhavam para a área onde seria a recepção. Doze longas mesas estavam cobertas com uma enorme variedade de comidas. Helen Jonas recebera ordens estritas de deixar a comida a cargo dos outros. Ela fora proibida de pisar na cozinha, principalmente devido ao fato de que nenhum dos filhos queria que a receita de presunto fosse servida em um dia tão especial.

Jogos ao ar livre, como arremesso de ferraduras e de sacos de feijão, tinham sido preparados para as crianças. Ouvia-se música saindo do celeiro, enquanto a banda se preparava. O lago fora completamente reabastecido e havia varas e iscas para quem quisesse pescar.

Um bolo de cinco andares, que incluía todos os sabores favoritos de Demi e Joe, estava sobre uma mesa especial protegida do sol. Havia também uma mesa separada de sobremesa que logo seria coberta por minissuflês de chocolate, bolinhos de cenoura com cobertura de queijo cremoso e sorvete de baunilha artesanal.

Garret e a esposa, Kris, ficaram de olho em Bailey e Ryan durante a cerimônia. Bailey estava de pé em um cercadinho e Ryan estava sentado, hipnotizado por Lexi, que distraía os dois fazendo com que Ken e Barbie dançassem.

Depois de receberem os parabéns dos convidados, Joe foi levado para longe por alguns dos irmãos, deixando Sandy e Demi sozinhas.

— Eu acho que agora posso dar os parabéns, já que não pode mais desistir — brincou Sandy.

Elas se abraçaram e, quando Demi se afastou, perguntou à amiga: — Onde está Connor?

— Não faço a menor ideia — disse Sandy, com a voz cheia de arrependimento. — A última vez que o vi foi há três dias e tenho quase certeza de que eu o espantei para sempre.

— Ele não veio ao casamento do próprio irmão?

— Parece que não — disse Sandy, dando de ombros, apesar de Demi perceber que ela ocultava uma dor imensa por trás do gesto.

— O que você fez?

— Cometi o erro de dizer a ele o que sinto. Eu disse a ele que o amava.

— Ah.

— É melhor assim, sabe. Melhor que tenha sido logo — disse Sandy —, especialmente porque Lexi estava começando a se apegar a ele.

Lexi não era a única, pensou Demi.

A namorada de Jake o arrastou até onde elas estavam e estendeu a mão para Demi. — Olá, meu nome é Candy. Estou com Jake. — Ela olhou para Sandy e levantou o nariz, mostrando que deveria manter distância de Jake.

— É um prazer conhecê-la — disse Demi.

— A cerimônia foi bonita — continuou Candy. — Eu estava justamente dizendo a Jake que, pessoalmente, prefiro que meu casamento não seja ao ar livre. — Ela usou a mão para se abanar. — Eu suo muito quando estou nervosa e isso poderia ser um desastre, se entende o que quero dizer.

Demi deu um sorriso educado e viu o rosto de Jake ficar vermelho.

— Se o calor aumentar, vou ter que tirar a calcinha e o sutiã.

— Por favor, não faça isso — disse Rachel ao se aproximar, salvando a todos de um momento constrangedor. — Tenho um maiô que você pode usar.

— Ah, não sei — disse Candy, estudando Rachel da cabeça aos pés. — Eu sou muito pequena. Normalmente preciso ir ao departamento de roupas para adolescentes para encontrar alguma coisa que me sirva.

Todos olharam ao mesmo tempo para os seios enormes de Candy.

Candy riu. — Eu sei o que estão pensando, mas acreditem, eles são de verdade.

Não era naquilo que estavam pensando. Estavam tentando imaginar como um maiô para adolescentes conseguiria cobri-los.

— Olhe só aquilo — disse Rachel, salvando-os pela segunda vez em menos de um minuto.

Todos se viraram para a direção em que Rachel apontava.

Afinal de contas, Connor aparecera. Ele parecia inquieto e determinado a colocar alguma coisa para fora ao olhar em volta, até que o olhar dele caiu sobre Sandy. Foram necessários apenas alguns passos largos para que ele chegasse onde estavam.

— Olá, Connor — disse Candy, parando na frente de Sandy.

— Olá — disse ele, sem olhar para ela. Ele só tinha olhos para uma

mulher. Dando a volta na namorada de Jake, ele entregou a Sandy um buquê de rosas vermelhas que segurava. — Eu queria conversar com você.

— Já se passaram três dias. Eu deixei duas mensagens para você. Já teve a sua chance.

— Eu sei. Sinto muito. Eu estraguei tudo. — Ele passou a mão pelos cabelos. — Sou um idiota.

— Talvez seja melhor que vocês dois fiquem sozinhos — disse Demi.

— Não — disse Sandy. — Ninguém se mexe.

Rachel olhou empolgada para Demi. Sendo parte de uma família tão grande, a irmã de Joe estava acostumada com dramas e, obviamente, estava contente pela oportunidade de assistir de camarote o que aconteceria.

Demi não gostava de conflitos, mas sabia que, se desse um passo para longe, a amizade com Sandy estaria gravemente comprometida.

Jake, por outro lado, não se importava nem um pouco e foi embora, deixando que Candy cuidasse de si própria.

— Se quiser me dizer alguma coisa — Sandy disse a Connor —, terá que dizer bem aqui, na frente de todo mundo.

— Acho que eu mereço isso — disse Connor.

Rachel assentiu veementemente e Sandy olhou em volta como se estivesse morrendo de tédio.

— Pode pelo menos olhar para mim?

Sandy arrastou o olhar para cima para encontrar o dele e Demi teve que tirar o chapéu para a capacidade de atuação da amiga, pois fez com que parecesse uma tarefa ingrata.

— Eu também amo você — disse Connor no momento em que os olhos dela encontraram os dele, o que aconteceu no mesmo instante em que Cliff e Brad se juntaram ao grupo.

O silêncio se estendeu. Até mesmo Candy ficou quieta.

— É isso? — perguntou Connor. — Você não tem nada a dizer?

— Ele acabou de dizer o que acho que disse? — perguntou Cliff a ninguém em particular.

— Ele acabou de dizer a ela que a ama — confirmou Candy. — Por que você nunca me olhou nos olhos daquele jeito e disse que me amava? — Candy olhou em torno procurando Jake e, ao perceber que ele não estava mais por perto, saiu para procurá-lo.

Enquanto Demi rezava para que Sandy não estragasse completamente o momento, pois o homem estava obviamente tentando, sentiu uma mão no ombro. Demi olhou para Joe e, apesar da tensão no ar, sorriu para ele.

— O que está acontecendo?

— Connor acabou de dizer a Sandy que a ama.

Connor pegou a mão de Sandy. — Quer que eu vá embora?

Sandy manteve o olhar dele, sem piscar. — Quero saber por que você me ama.

Os irmãos dele gemeram em uníssono.

— É uma pergunta perfeitamente razoável — repreendeu Rachel.

Connor passou o peso do corpo de um pé para o outro e disse: — Eu amo o seu cabelo e a forma como ele brilha no sol.

Os irmãos pareceram satisfeitos com aquela resposta.

Sandy fez uma careta.

— O que foi? — perguntou Connor. — Eu disse alguma coisa errada?

— Não é sobre o cabelo que ela quer saber — disse Joe, tentando ganhar tempo para o irmão. — É sobre o que você sente aqui dentro. — Ele colocou a mão sobre o coração, fazendo com que Demi o amasse um pouco mais.

Phil e Helen Jonas se aproximavam, com metade da vizinhança atrás deles.

— Quando sai do banho — Connor tentou novamente — e seu cabelo está uma bagunça, e está com pressa para ir a algum lugar, você faz essa cara adorável e...

Ele parou no meio da frase quando Brad fez um gesto como se estivesse cortando a garganta.

— Apague isso — disse Connor. — Quando você está me esperando e eu chego atrasado, sua sobrancelha fica franzida e...

Houve mais gestos cortando a garganta vindos da multidão cada vez maior.

— Ora, pelo amor de Deus — disse Connor, claramente frustrado. — Eu simplesmente amo você. Amo cada uma daquelas caras bobas que faz quando eu faço alguma coisa errada, que começo a perceber que acontece com mais frequência do que achava que aconteciam. Claramente, não mereço você. Sou mal humorado e quieto na maior parte do tempo e, mesmo assim, você nunca faz com que eu me sinta culpado ou inadequado de alguma forma. Você me mostra amor em tudo o que faz. Pode me bater por dizer isso, mas eu amo o seu cabelo, a cor, o brilho, o jeito como ele desliza pelos meus dedos. Não me importo se isso é algo que não deveria dizer. Eu amo o jeito como os seus olhos brilham quando eu apareço, menos hoje. Hoje, seus olhos não brilharam e isso me deixou triste. Quando você está irritada comigo e bate os dedos, fazendo sons de galope, sim,

bom, eu acho que isso é fofo. E também gosto do seu tagarelar constante.

Aquela declaração em particular arrancou todo tipo de resmungos e exclamações da multidão, mas Connor não prestava atenção em ninguém além de Sandy. — Eu amo a forma como você consegue ignorar todas essas pessoas nos olhando, ouvindo cada palavra, não porque eles me amam e importam-se com o que acontecerá, mas porque são as pessoas mais intrometidas do mundo. Apesar do fato de eu ser parente da maioria delas, você ainda me ama. Pelo menos, você me amava há três dias. E só posso torcer para que continue me amando porque, nos últimos três dias, eu fui o filho da puta mais solitário e intratável. E posso dizer, com sinceridade absoluta, que esses três dias sem você foram um inferno. Eu quero o céu, não o inferno. Quero você, Sandy. — Ele tirou um anel do bolso e ajoelhou-se na frente dela.

A multidão gritou em delírio, fazendo com que Demi suspirasse aliviada. Aquele não era mais um dia em que ela e Joe se uniram em matrimônio. Em vez disso, era um dia de perdão, de alegria e celebração, um dia em que todos eram bem-vindos à fazenda dos Jonas com braços abertos.

— Você quer se casar comigo? — Connor perguntou a Sandy.

As lágrimas escorriam pelo rosto e pelo queixo de Sandy, tornando impossível encontrar a voz.

— Sim! — gritou Lexi, atirando-se nos braços de Connor e fazendo com que ele deixasse o anel cair. Isso resultou em pelo menos uma dúzia de pessoas abaixando-se para procurar a joia.

— Eu AMO você! — gritou Lexi no ouvido de Connor. — Nós vamos casar com você. — Lexi olhou para Sandy. — Nós amamos Connor, não é, mamãe?

— Amamos, sim — disse Sandy com a voz alegre.

— Você ouviu isso? — perguntou Jake empolgado do fundo da multidão. — Lexi disse AMO, não ANO!

Pelos próximos minutos, metade da multidão abraçou Lexi, tecendo elogios pela recém-adquirida capacidade de falar corretamente, enquanto a outra metade continuava a procurar o anel perdido na grama.

— Aqui está! Achei! — gritou Phil Jonas, entregando o anel ao filho.

Enquanto Connor deslizava o anel no dedo de Sandy, um longo ganido de prazer se ouviu na fazenda Jonas.

— Ah, não! — gritou Joe.

Os olhos de todos se voltaram para o noivo quando ele cortou a multidão e correu atrás de Hank. Ele quase pegou o cachorro.

Foi perto, mas Hank escapou.

Hank adorava doce e estava em uma missão. Com um salto perfeito, ele caiu sobre a mesa onde estava o bolo que Demi planejara durante meses e que passara o dia anterior inteiro preparando. Joe participara de dezenas de provas e observara Demi atentamente enquanto ela fazia as flores comestíveis cristalizadas para o andar superior e que ele sabia que seriam saboreadas no primeiro aniversário de casamento, juntamente com as lembranças daquele dia especial.

Mas Hank era rápido e estava com fome e, quando Joe conseguiu alcançá-lo, já tinha devorado um quarto do andar de baixo do bolo. Em vez de tirar o cachorro de cima da mesa, Joe pegou o andar superior e segurou-o sobre a cabeça para protegê-lo. Os olhos dele brilhavam orgulhosos por ter salvado a melhor parte.

Aquele pequeno gesto podia não ter significado algum para as outras pessoas, mas significava o mundo para Demi. Joe sentira dores no joelho a semana inteira, mas acabara de atravessar o pátio correndo como se fosse um lince, como se a vida dele dependesse de salvar o andar superior do bolo de casamento, pois sabia que fora feito com amor apenas para eles dois.

Ela amava Joe Jonas. Ela o amava mais do que meras palavras poderiam expressar.

E, se havia uma coisa de que ela tinha certeza naquele momento, era que, algumas vezes, as ações realmente falam mais alto que as palavras.
 
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Sinopse nova fic...
 
"Demi não teve uma adolescência normal. Ela passou os últimos três anos cuidando da mãe doente. Após a sua morte, Demi foi obrigada a vender a casa da família no Alabama para arcar com as despesas médicas. Agora, aos 19 anos, está sozinha e sem lugar para ficar. Então não tem outra escolha senão pedir ajuda ao pai que as abandonara.

Ao chegar a Rosemary, na Flórida, ela se depara com uma mansão à beira-mar e um mundo de luxo completamente diferente do seu. Para piorar, o pai viajou com a nova esposa para Paris, deixando Demi ali sozinha com o filho dela, que não parece nada satisfeito com a chegada da irmã postiça.

Joe é filho da madrasta de Demi com um famoso astro do rock. Ele tem 24 anos, é lindo, rico, charmoso e parece ter o mundo inteiro a seus pés. Extremamente sexy, orgulha-se de levar várias garotas para a cama e dispensá-las no dia seguinte. Demi sabe que deve ficar longe dele, mas não consegue evitar a atração que sente, ainda mais quando ele começa a dar sinais de que sente a mesma coisa.

Convivendo sob o mesmo teto, eles acabam se entregando a uma paixão proibida, sobre a qual não têm nenhum controle. Mas Joe guarda um segredo que Demi não deve descobrir e que pode mudar para sempre as suas vidas."


24.1.15

Capitulo 25 - Último

Mais tarde postarei o epilogo ♡

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O avião de Joe pousara quarenta e cinco minutos antes e ele estava feliz por estar em casa. Era sexta-feira. Ele colocou as flores que comprara no aeroporto sobre o banco do passageiro, colocou a chave na ignição e encaminhou-se para Burbank. Quatro dias se passaram desde que ele deixara Demi e os advogados dela no tribunal. Ele passara todos aqueles dias na cidade de Nova Iorque fazendo entrevista para um emprego.

Depois do vexame da mediação, ele dirigira diretamente para a casa em Malibu. Dera a si mesmo vinte e quatro horas para liberar a frustração nadando e praticando tiro ao alvo. Joe ficara furioso com as táticas que os advogados de Demi usaram e frustrado com a recusa de Demi em ver que era melhor que ele participasse da vida do filho. Ele também estava furioso consigo mesmo por ter causado tanta dor à família, primeiro ao se intrometer entre Aaron e Maggie e, depois, ao ter a vida particular deles jogada aos lobos. Os pais dele tinham passado por coisas demais. E, mesmo assim, ele continuava causando mais problemas a eles. E o que eles fizeram como punição a ele? Algumas horas depois da mediação e de voltar à casa de Malibu, eles o encheram de cartões, telefonemas e mais amor do que qualquer homem merecia.

O fato de a carreira de jogador de futebol ter terminado também não ajudava em nada. Mas ele não demorou muito para se concentrar no lado bom, lembrar-se de como tinha sorte e, novamente, de se sentir grato por tudo o que tinha. Quando Gary Chamberlain telefonou, pedindo que ele voasse para o leste para fazer uma entrevista para o cargo de comentarista da televisão, ele encerrara o período de autocomiseração e estava pronto para continuar a vida.

Apesar da dor aguda que latejava no joelho não ser nada comparada à dor que sentia no peito, uma dor sem fim que sabia que não acabaria enquanto não encontrasse Demi novamente, precisava primeiro cuidar de negócios. Ele queria ter algo mais do que o coração para oferecer a Demi quando voltasse para casa. Queria oferecer um futuro a ela.

E, agora que chegara em casa novamente, estava pronto para isso.

~~~

Demi analisou a lista de artigos que estavam planejados para a edição do mês seguinte e, em seguida, passou para os anúncios e a campanha de marketing. Sandy fizera um trabalho incrível ao conseguir anunciantes empolgados com a edição daquele mês.

Chelsey já discutira os planos que tinha para o layout. Naquele momento, estava parada na cozinha e olhando para fora da janela sobre a pia. — Então, Joe se mudou do prédio?

— Não acho que ele tenha se mudado — disse Sandy. — Espiei pela janela dele e tudo parece do mesmo jeito.

— Você deveria telefonar para ele — Chelsey disse a Demi.

— Eu tentei, mas ele não retornou a ligação. E de que adianta? Estou começando a achar que não existe um homem no mundo que saiba realmente o que quer da vida.

Chelsey se sentou na cadeira em frente a Demi, franzindo a testa. — Achei que você tinha dito que ouviu uma gravação da voz de Joe dizendo à advogada dele que amava você.

— É isso mesmo, eu ouvi.

— Talvez você deva ir atrás dele.

— Por quê? Ele sabe onde me encontrar.

— Bem, você apareceu na mediação com três advogados que tentaram destruir a família dele, um membro de cada vez. Quero dizer, pense bem. Todas nós sabemos que a família dele é a coisa mais importante para Joe. E, se você realmente o amasse, iria atrás dele.

Demi fez uma careta. — Eu disse a ele, lá no tribunal, que não fazia ideia de que Thomas faria tal coisa. — Demi não gostava da sensação dolorosa que sentia por dentro e fez o melhor que pôde para ignorá-la. — Joe sabe que eu só estava tentando proteger Ryan. Além do mais, tenho certeza de que a família dele disse a ele que eu rasguei o contrato e chutei Thomas e os amigos dele para fora da sala. O que mais eu poderia ter feito?

Sandy suspirou. — Nada. Você fez tudo o que podia fazer.

— Não quero mais falar nesse assunto — disse Demi. — Tenho um encontro com Nate hoje à noite e não quero me sentir deprimida quando ele vier me buscar.

Chelsey ergueu a sobrancelha. — Você tem um encontro com o médico?

— Não é nada demais — garantiu Demi. — Nate sabe que estou passando por um momento difícil. Somos apenas amigos.

~~~

Pelo que pareceu a centésima vez, Joe parou na frente da porta do apartamento de Demi.

Ele vestia um terno com gravata e segurava um buquê com duas dúzias de rosas vermelhas. Dentro do bolso do casaco, havia um anel de diamantes, uma pedra perfeita de dois quilates com lapidação antiga que comprara depois de recusar o emprego em Nova Iorque e aceitar o da emissora de Los Angeles.

Ao bater na porta, ele notou que as mãos tremiam. Ele tentou rir para acalmar os nervos. Acreditando que as coisas não podiam ficar piores do que já estavam, ele viu Sandy abrir a porta.

Lexi gritou de alegria ao vê-lo, agarrando-se à perna dele com tanto amor que ele achou que o coração derreteria. A cada dia que passava, ele gostava mais dela.

Ele olhou por sobre o ombro de Sandy, tentando enxergar dentro do apartamento. — Demi está em casa?

— Não, não está. — Ela se inclinou para a frente, perto do ouvido dele, para que Lexi não ouvisse. — Por que diabos demorou tanto tempo?

— Acabei de descer de um avião que chegou de Nova Iorque a poucas horas. Vim o mais rápido possível.

— Você estava em Nova Iorque? Connor não me disse que você tinha ido a Nova Iorque.

— Ninguém sabia.

Sandy cruzou os braços. — Ela telefonou para você no dia seguinte àquele desastre da mediação.

Ele passou os dedos pelos cabelos. — Deve ter sido a chamada restrita que não atendi.

— O que tinha na cabeça ao não atender o telefone?

— Naquele momento, eu tinha passado por alguns dias bem ruins.

— Bem, foi ao ar, perdeu o lugar. Ela saiu com Nate.

— Eu achei que ela tinha dado o fora nele.

— Pelo jeito, eles são apenas amigos.

— Que ótimo.

— Hollywood — chamou Lexi, puxando a calça dele, determinada a chamar a atenção de Joe.

Ele passou a mão na cabeça dela. — O que foi, Lexi?

— Quer brincar de boneca?

Ele olhou para Sandy, que deu um passo para o lado para que pudesse

entrar.

— Claro — disse ele a Lexi. — Ryan está no quarto dele?

Sandy assentiu. — Ele deve acordar a qualquer momento.

— Por que não me deixa cuidar dele até ela voltar para casa? — perguntou Joe.

— Ah, eu não sei. — Sandy inclinou a cabeça. — A não ser que...

— A não ser que o quê?

— Eu pretendia sair com o seu irmão hoje à noite e você deveria ser a minha babá.

— É sexta-feira. Você tem razão. Sinto muito, eu esqueci completamente.

— Deixe-me pegar essas flores. — Sandy pegou as flores da mão dele e foi para a cozinha.

Enquanto Lexi ia buscar as bonecas, Sandy procurou um vaso para as flores. — Se você cuidar de Lexi — disse Sandy —, ainda terei tempo de correr até em casa, trocar de roupa e surpreender Connor.

— Eu não sei...

— Não vou deixar Ryan e arriscar a minha amizade por nada. Pela parte que me toca, você me deve.

Ele queria, ou melhor, precisava, passar algum tempo sozinho com Demi. Queria fazer uma oferta a ela que rezava para que não fosse recusada. — Está bem — disse ele. — Eu cuido dela também.

Lexi voltou correndo para a sala com uma mochila cheia de bonecas. Pernas e braços saíam por todos os buracos, fazendo com que ele se desse conta de que acabara de fechar um acordo com o demônio.

— Ótimo. — Sandy largou as flores sobre o balcão, deixando de lado a tarefa de procurar um vaso. Ela se abaixou para que ficasse na mesma altura da filha. — Joe vai cuidar de você até Demi voltar para casa. O que você acha?

— Viva!

— Mas chega de sorvete, está bem?

— Buu!

Sandy levou menos de dois minutos para pegar o casaco e a bolsa e chegar na porta. Ela olhou Joe da cabeça aos pés. — Você está muito bonito.

— Obrigado.

Ela não abriu a porta para sair. Em vez disso, ficou parada com a mão na maçaneta.

— O que foi?

— Uma parte de mim realmente prefere ficar para ver o que acontecerá entre você e Demi.

Ele franziu a testa. — Por quê? O que acha que acontecerá?

— Não faço a menor ideia. É por isso que estou tão curiosa.

Pela primeira vez desde que ele dissera a Sandy que cuidaria de Lexi, ela parou de sorrir, o que o deixou preocupado. — Ela está muito brava?

— Não acho que Demi tenha ficado brava em momento algum. Talvez um pouco triste porque nunca foi amada da forma como deseja ser amada. Ela certamente não acredita que você viria atrás dela.

— Ela não está sentada ao lado do telefone esperando.

— Não, ela não poderia fazer isso de novo. Ela não queria sair hoje à noite, mas precisava disso. Autopreservação e essas coisas todas.

O coração dele deu um salto. Ele se sentiu quente, tirou o casaco e pendurou-o no braço. — Eu precisava ir para a entrevista. Senão, não teria nada a oferecer a ela e a Ryan quando voltasse.

— Ela só quer você.

— Duvido que ela se importe com uma ajudinha para que Ryan vá para a faculdade mais tarde. — Ele respirou fundo. — A que horas ela deverá chegar em casa?

— Ela não disse.

— A que horas você chegará em casa?

— Depende de como as coisas acontecerem.

Joe não se lembrava da última vez em que Connor saíra com uma mulher. Seria uma longa noite. — Por que tenho a estranha sensação de que isso não será tão bom como pensei?

Ela riu dele, despediu-se de Lexi mais uma vez e saiu pela porta. Antes que ele pudesse fechá-la, Sandy sussurrou: — Você trouxe o anel?

Ele assentiu.

Os olhos dela brilharam. — Ótimo, então boa sorte. Você vai precisar.

— Obrigado.

~~~

Um pouco depois que Sandy saiu, Joe levou Ryan, Lexi e todos os brinquedos dela para o apartamento dele para que pudesse trocar de roupa e vestir algo mais confortável. Por mais de uma hora, ele observara Lexi saltando para cima e para baixo no sofá. A energia da garota não terminava.

Ele nunca vira nada parecido. Ficava cansado só de observar Lexi.

Era nove horas da noite.

Onde estava Demi?

Se ela e Nate fossem apenas amigos, já deveria ter chegado em casa.

— Hollywood?

— Sim, Lexi?

— Eu já posso tomar sorvete de novo?

— Nem pensar. Você já tomou sorvete e sua mãe falou que não podia tomar mais.

Ela parou de saltar por tempo suficiente para olhar para ele. Ela apontou um dedo acusador e estreitou os olhos. — Você está encrencado, moço.

— É a história da minha vida.

Ela se virou na direção da janela e começou a pular novamente.

— Demi já chegou em casa? — perguntou ele.

— Não — disse Lexi. — Quer brincar de Barbie de novo?

— Não, Ken está cansado. Ele saiu de férias, lembra?

Ela parou de pular e olhou para o teto. — Acho que eu ouvi ele voltando.

Joe também olhou para o teto. — Acho que não. Ele está no Havaí agora. Tenho quase certeza de que ele alugou uma daquelas gaiolas submarinas para olhar os tubarões nadando.

Ela abriu um sorriso travesso. Em seguida, saltou para fora do sofá e correu até o quarto. Quinze segundos depois, voltou com a Barbie e o Ken. Dessa vez, ela entregou a Barbie a ele e ficou com Ken. Ela pressionou o rosto de Ken contra o rosto de plástico de Barbie e disse: — Casa comigo!

Ele fez a melhor imitação que conseguiu da voz de uma garota. — De jeito nenhum.

— Por que não? Eu amo você.

— Para começar, você é muito magro. Acho que você come legumes demais.

— Eu gosto de brócolis — disse ela na voz de Ken.

— Dá para notar.

— Eu sou Ken — disse ela à Barbie logo depois. — Sou perfeito.

— Ninguém é perfeito.

— Se você não casar comigo, vou tomar mais sorvete.

— Se eu der mais sorvete a você, Ken — perguntou ele enquanto movia os braços da Barbie —, vai voltar para as férias e parar de me pedir em casamento?

— Sim — respondeu Lexi.

— Combinado. — Os dois largaram as bonecas e correram para a cozinha rindo.

~~~

Já era mais de meia-noite quando Joe finalmente ouviu a voz de Demi do lado de fora do apartamento dela. Ele se aproximou da janela, desapontado ao ver que Nate decidira levá-la até a porta.

A janela estava parcialmente aberta e ele ouviu Nate dizer alguma coisa.

Ele rangeu os dentes quando Demi riu e colocou a mão no braço dele. Nate se inclinou para a frente.

Joe se levantou imediatamente e correu para a porta. O homem pretendia atacar.

Ele abriu a porta a tempo de ver Nate pegar alguma coisa do chão.

— Olhe só isso — disse Nate. — Se você encontrar uma moeda e pegá-la, terá sorte o dia inteiro. — Ele olhou na direção da porta aberta de Joe. — Ele voltou. — Nate jogou a moeda de volta no chão.

Joe o ignorou. — Está frio aí fora — disse ele para Demi. — Onde está o seu casaco?

Demi apertou os olhos ao olhar para o apartamento dele. — É você, Joe?

— É claro que sou eu. Já passa da meia-noite — disse ele, caso ela não tivesse percebido.

Demi ficou na ponta dos pés e sussurrou algo no ouvido de Nate.

Nate deu um beijo no rosto dela, suspirou e deu meia-volta, descendo a escada silenciosamente antes de desaparecer na noite.

Demi se virou na direção de Joe. Mesmo no escuro, ele conseguiu ver os olhos dela brilhando como uma fera selvagem. — Você acabou de arruinar o meu encontro — disse ela.

— De acordo com Sandy, vocês dois são apenas amigos.

— Nossa, como ela tem a boca grande. — Ela vasculhou a bolsa em busca da chave.

— Ryan e Lexi estão dormindo no meu apartamento. Estão no quarto de Ryan.

— Onde está Sandy?

— Eu a subornei para deixar Ryan comigo. Se vai ficar brava com alguém, é comigo mesmo.

— Ok, então estou furiosa com você. Não tem o direito de aparecer na hora que tem vontade e levar o meu filho. Não gosto disso.

— Não vai acontecer de novo.

Ela cruzou o corredor e andou na direção dele.

Ele estava no lado de dentro e ela no lado de fora. Eles ficaram parados por um momento, frente a frente, sem dizer uma palavra.

— O que você quer, Joe?

Ele apoiou a mão no batente da porta. — Vou dizer a você o que não quero.

— Estou ouvindo.

— A vida tem um jeito de deixar você para trás se não assumir o controle e fazer com que cada momento seja importante. Não quero que o meu filho bata na minha porta daqui a dezoito anos e pergunte por que diabos eu não me preocupei em participar da vida dele. Não quero que meu filho pense que o pai dele não o amava o suficiente para lutar por ele. Não quero brigar com você, Demi. Eu amo você. Estou feliz por ser a mãe de Ryan. Ele tem sorte de ter você. Principalmente, não quero ir a um tribunal, não vou a um tribunal. Não porque não queira Ryan tanto quanto você ou por causa do dinheiro ou do tempo que teria que gastar. Mas porque eu amo a minha família, incluindo você e Ryan, e não quero ver ninguém sair magoado.

— Você não conversou com a sua família depois que saiu do tribunal?

— Não tive tempo. Eu estava em Nova Iorque fazendo uma entrevista para um emprego.

Ela levantou ligeiramente o queixo e passou por baixo do braço dele, entrando no apartamento. Sem mais uma palavra, começou a juntar as coisas de Ryan.

Ele fechou a porta, trancou-a e observou Demi guardar as coisas para ir embora. — Aonde você foi? — perguntou ele.

Ela pegou a sacola de Ryan e jogou dentro dela as mamadeiras vazias, as toalhinhas e a chupeta. Deixando o saco de fraldas no chão, ela andou na direção da mesinha de centro. — O que quer dizer?

— Seu encontro. Aonde você foi?

Ela pegou a estatueta de bronze, com um arco vermelho, que estava no centro da mesa. — O que é isso?

— Eu sabia que você tinha gostado dela quando a viu no festival de artes e procurei a mulher quando estava em Nova Iorque.

— Você comprou isso para mim?

Ele assentiu.

— Você se lembrou do nome da artista e deu-se ao trabalho de encontrá-la?

A julgar pela expressão séria no rosto dela, ele não sabia ao certo qual era a resposta correta, mas decidiu seguir o instinto. — Sim.

Ela deu a volta na mesinha e andou na direção como se fosse uma tigresa que acabara de fugir do zoológico. Para cada passo que ele recuava, ela avançava outro passo, até que ele ficou com as costas contra a parede. — Você disse que me amava em algum momento daquele discurso que acabou de fazer?

— Acredito que sim.

— Então por que não me telefonou nem veio me ver antes de voar para Nova Iorque?

— Eu precisava cuidar de algumas coisas primeiro. Se eu pudesse voltar no tempo, viria vê-la antes de partir. Eu demoro a aprender.

— Você está cheirando a sorvete e Ryan.

— Obrigado.

Fez-se silêncio novamente. Silêncio em um momento daqueles o deixou nervoso. — O que quer que eu faça, Demi? Quero que as coisas se acertem entre nós. Eu amo você, sim. Na verdade, se você tivesse voltado para casa um pouco mais cedo, eu pretendia pedi-la em casamento. Eu estava usando terno e gravata, carregando rosas vermelhas, todas as coisas certas.

— Eu quero um homem que saiba exatamente o que ele quer. Um homem que entre em um aposento e que não consiga evitar de me pegar nos braços e de me beijar no momento em que me vir. É isso o que eu quero. Quero ser beijada sem motivo algum. — Ela enterrou o dedo no peito dele. — Eu mereço ser beijada.

— Eu sei que merece. — Ele gentilmente afastou os cabelos do rosto dela para que pudesse observá-lo longamente. As faces estavam afogueadas, os olhos brilhantes, os movimentos inquietos.

— Faz tempo demais desde que me pegou nos braços pela última vez.

— Tempo demais. — A mão dele passou pelo ombro dela e desceu pelo braço nu. Ele se inclinou para a frente e beijou-lhe o pescoço. — Você é linda. — Ele não estava pensando, analisando nem planejando. Estava simplesmente fazendo. A pele dela era macia sob os lábios dele.

— Eu quero me sentir desejada, amada e todas essas coisas que uma mulher deve sentir — disse ela.

— Eu também quero que você sinta isso. — Os lábios dele subiram pelo queixo dela até chegarem ao lado da boca. Eles tinham muito sobre o que conversar. Ele precisava parar de beijá-la para que pudessem discutir o que acontecera. Precisavam conversar sobre o futuro de Ryan e uma infinidade de outras coisas. Mas ele não podia parar, não ia parar, não queria parar. A forma como ela tremia nos braços dele o deixava louco. A forma como a pele dela se aquecia sob os lábios dele fazia com que quisesse mais.

— Isso é gostoso — disse ela.

A boca de Joe cobriu a dela e ele a beijou novamente, um beijo mais longo e mais profundo, com a palma da mão segurando-lhe a nuca. Depois, ele se afastou e olhou dentro dos olhos dela. — Você me ama também, Demi?

— Você sabe que sim.

— Você vai responder à minha pergunta?

— Fomos jantar no Yang Chow. Você sabe, o restaurante chinês. No meio do jantar, ele foi chamado ao hospital e eu fiquei sentada na lanchonete até que ele terminasse.

— Não essa pergunta, a outra.

— Não sei do que está falando.

— A pergunta sobre se quer casar comigo. — Ele pegou a caixa preta que estava sobre o balcão da cozinha e abriu-a.

— É um anel e tanto.

— Você é uma mulher e tanto. Eu me ajoelharia, se pudesse.

— Essa coisa de se ajoelhar já saiu de moda. Você quer mesmo se casar?

Ele deslizou o anel pelo dedo dela antes que pudesse responder. — Mais do que qualquer coisa no mundo, quero me casar com você. Quer se casar comigo?

Ela olhou para o anel por um longo momento e, depois, olhou dentro dos olhos deles.

— É tarde demais, Demi. O anel está no seu dedo.

Ela riu.

Ele a ergueu nos braços e ela se sentiu como se estivesse flutuando. Mesmo com o joelho machucado, ele conseguiria carregá-la por quilômetros se fosse preciso. Mas não a levou além do quarto. Depois de colocá-la sobre a cama, tirou lentamente a roupa dela, uma peça de cada vez, até que não havia mais nada a tirar, deixando apenas a pele clara e macia rodeada pelos lençóis de seda e pelo luar.

— Eu amo você, sim — disse ela ao ajudá-lo a tirar a camiseta.

— Eu também amo você. Só você. Mais ninguém.

— É bom saber disso.

Ele sorriu para ela enquanto tirava o restante da roupa. Em seguida, trancou a porta e subiu na cama ao lado dela, abraçando-a com força. Ele precisava de Demi muito mais do que ela precisava dele, mas decidiu guardar aquilo para depois. Não era necessário confessar tudo naquele momento. Poderia esperar até o dia seguinte para dizer que ficaria perdido sem ela. Por enquanto, decidiu ele, queria apenas aproveitar o momento e desfrutar da sensação de ter os braços dela em volta dele, sabendo que ela o amava

pelo que era e torcendo para que o amasse por muitos anos.

Ele, Demi e Ryan teriam muitas aventuras juntos.

Ele precisava levar Demi para nadar nua antes que Ryan tivesse idade suficiente para saber o que os pais estavam fazendo. Ele passaria o resto da vida provando as receitas dela e aprendendo a gostar de suflê de chocolate.

A vida não podia ser mais doce que isso.

23.1.15

Capitulo 24

Mais um para vcs *---* Beijooos Mari ♡

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Toda a esperança que Joe tivera de resolver facilmente a situação do filho desapareceu no momento em que Demi entrou pelas portas duplas acompanhada pelos pais e três advogados. Todos os três homens usavam ternos azuis-escuros com camisas brancas e gravatas de seda de cor sólida. Os advogados orbitavam Demi como se a vida deles dependesse da felicidade dela.

Os pais de Demi não fizeram contato visual ao passarem pela longa mesa retangular rodeada de cadeiras de encosto alto. Eles foram solicitados a se sentarem na primeira fileira de cadeiras que seriam oferecidas ao público em geral, caso fosse um julgamento de verdade.

A reunião aconteceria em uma sala de tribunal real. A mesa na qual Joe e Demi se reuniriam fora colocada entre a bancada onde o juiz normalmente se sentaria e as cadeiras onde os pais de Demi estavam sentados naquele momento.

A mediadora daquele dia era uma mulher. Ela se sentou na extremidade da longa mesa de conferência usando um terno meio amassado. A mulher parecia precisar de uma boa noite de sono. Ela gesticulou para que os quatro se sentassem do outro lado da mesa em frente a Joe.

Joe se levantou, inclinou-se sobre a mesa e apertou a mão de cada um dos advogados. Quando ele chegou a Demi, manteve o olhar no dela, apertou-lhe a mão e sorriu. Ela parecia nervosa. Muitos dias tinham se passado desde a última vez em que se falaram. Ele precisara de todas as forças para não bater na porta do apartamento dela para tentar conversar. As irmãs dele fizeram com que prometesse se manter afastado. Dê algum tempo a ela, disseram elas, dizendo que ele só pareceria desesperado se continuasse a bater na porta depois de Demi ter pedido que ficasse longe dela.

Mas aquele seria o último dia em que ele ficaria longe.

Não importa o que acontecesse no tribunal, vitória ou derrota, ele não pararia de bater na porta do apartamento dela até que o deixasse entrar. E, quando ela finalmente desistisse e abrisse a porta, ele contaria a ela toda a verdade e nada além da verdade. Estava apaixonado por ela, completamente apaixonado.

Não seria fácil convencê-la, mas ele não desistiria.

Sem chance.

Ele estragara tudo, mas pretendia consertar as coisas entre eles.

Demi puxou a mão que ele segurava. — Você está bem?

Ele assentiu. — Você não me disse que traria um exército hoje.

— Você não perguntou.

— Então é assim que as coisas serão?

— É assim que tem que ser. Ryan é meu filho. Eu quero o melhor para

ele.

— Queremos a mesma coisa. Nossa situação não precisa ser complicada.

O advogado mais próximo tocou no braço dela como se avisasse para que ela não dissesse mais uma palavra. Demi o ignorou. — Você tem razão. Nada disso precisa ser complicado. É por isso que pretendo que essa situação desagradável esteja resolvida até o fim do dia.

— É isso que é para você? Uma situação desagradável?

Ela ergueu ligeiramente o queixo. — Como você a chamaria, sr. Jonas?

De volta a sr. Jonas. Onde estava a mulher que o convidara a entrar na casa dela, que lhe dera o presente de segurar o filho, a mulher com quem conversara e rira, com quem fizera amor? — Eu chamaria isso do que é — disse Joe. — Um homem e uma mulher que se encontraram em circunstâncias incomuns. Duas pessoas que amam o filho e que querem o melhor para ele. Duas pessoas que, há um mês, nem sabiam que a outra existia. Mas que foram reunidas por um bebê inocente que precisa das duas.

— Muitas crianças são criadas por pais e mães solteiros.

Ele manteve o olhar dela, determinado a romper a barreira invisível que ela recentemente construíra só para ele. — Não precisa ser assim com Ryan. Ele tem um pai e uma mãe que o amam.

A porta se abriu, interrompendo a troca de palavras. Ele olhou na direção da porta e observou um jovem entrar com uma mensagem para a mediadora.

Onde estava Maggie? Ela dissera que viria. Pelo jeito das coisas, ele precisava dela mais do pensara no início.

— Parece que meu tempo aqui precisa ser mantido no mínimo possível — informou a mediadora a todos os presentes. — Precisamos começar. Gostaria de solicitar o adiamento da reunião até que consiga contratar um advogado para acompanhá-lo durante os procedimentos, sr. Jonas?

Ele olhou para o relógio e sentou-se novamente. — Não. — Ele tocou na

pasta à frente sobre a mesa. — Podemos continuar.

A porta se abriu novamente e, dessa vez, era Maggie. Ele soltou um suspiro de alívio.

— Lamento o atraso — disse ela a todos na sala e colocou a pasta no chão perto de Joe.

Ele se levantou e puxou a cadeira para ela. — Obrigado por vir. Agradeço muito mais do que pode imaginar.

— O estouro de uma boiada não conseguiria me manter longe daqui. Você sabe disso. Seu rosto está muito melhor.

— Obrigado. Maggie — disse Joe —, tenho certeza de que você se lembra de Demi Lovato, do churrasco na casa da mamãe.

— É claro. — As duas mulheres apertaram as mãos.

O homem sentado ao lado de Demi se levantou e estendeu o braço sobre a mesa para apertar a mão de Maggie. — Thomas Fletcher — disse ele e virou-se para apresentar os outros advogados.

Joe olhou de Thomas para Demi e ficou imaginando se era o mesmo Thomas que ela mencionara depois de beijá-lo no banco de trás do carro. O mesmo Thomas que a abandonara no altar. A julgar pela forma como ela evitava o olhar dele, era definitivamente o mesmo Thomas.

— Se você concordar — disse Maggie à mediadora —, eu gostaria de convidar a família de Joe Jonas para assistir à reunião. — Ela gesticulou na direção de Demi e dos três advogados. — É claro, somente se a srta. Lovato concordar.

Thomas falou por ela. — Eu não acho que seja apropriado ter membros da família assistindo.

Demi sacudiu a cabeça, ignorando o desejo do advogado. — Meus pais estão aqui. É claro que eles podem entrar.

A mediadora olhou para Demi. — A não ser que queira pedir às pessoas que trouxe para que fiquem do lado de fora com a família dele. É altamente incomum ter familiares participando dessas reuniões.

— Eu não tenho problema algum com a participação da família do sr. Jonas — disse Demi.

Maggie foi até a porta e abriu-a, gesticulando para que a família de

Joe entrasse. Os pais dele foram seguidos de Zoey, Rachel, Cliff, Lucas, Brad, Jake e Aaron, que deu a Joe um aceno de apoio. Eles se sentaram no lado oposto ao dos pais de Demi.

— Vamos começar — disse a mediadora. Depois de explicar o processo de mediação e as regras, ela empurrou os óculos mais para cima no nariz, olhando de um lado a outro da mesa. — Sob as circunstâncias — disse ela,

referindo-se aos familiares e aos advogados —, eu gostaria de manter a atmosfera não ameaçadora. Eu li as declarações do sr. Jonas sobre o que aconteceu e, para começar, gostaria de pedir a ele que nos diga exatamente o que gostaria que acontecesse em relação a Ryan Michael Lovato.

Todos olharam para Joe e esperaram.

O silêncio na sala era constrangedor. Ele olhou para Demi. — Como os documentos provam, o teste de DNA confirma a paternidade. O que quero é uma chance de conhecer o meu filho. Tenho uma família afetuosa que inclui meus pais, sete irmãos e duas irmãs. Somos todos especialmente próximos uns dos outros. Família é algo importante para mim. Depois que Ryan nasceu, Demi Lovato me deu a chance de segurar meu filho, uma chance de cuidar dele e ver como nosso filho é um verdadeiro milagre. Demi não me queria na vida dela, mas permitiu que eu entrasse em seu lar apesar das apreensões que tinha no início. Sou grato por isso e espero que ela tenha o coração para permitir que eu veja Ryan regularmente.

— E o que você considera "regularmente"?

— Na melhor das hipóteses — respondeu Joe —, seria um certo período todos os dias. — Todos os dias, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, era o que ele queria dizer. Mas Demi parecia tão distante e fria que ele achou melhor deixar as coisas formais e dar um passo de cada vez até que pudesse encontrá-la sozinha e dizer como realmente se sentia sobre ela, sobre Ryan e sobre aquela coisa ridícula de tribunal. — Depois que o treinamento iniciar, espero que Demi considere deixar que eu veja meu filho sempre que possível, especialmente antes do início da temporada.

Todos os três advogados escreveram alguma coisa nos cadernos que tinham.

A mediadora juntou as mãos. — O que espera que aconteça quando viajar para outras cidades para jogar futebol?

— Eu normalmente volto para casa entre um jogo e outro. Espero que possamos concordar com alguma coisa que encaixe na minha agenda e na dela. Nunca se sabe — acrescentou ele, piscando para Demi, pois não conseguiu resistir —, talvez você passe a gostar de futebol. — Ele olhou novamente para a mediadora. — Ela pode viajar comigo e eu posso cuidar de Ryan à noite, enquanto Demi dá telefonemas, escreve artigos e cuida de todos os negócios de que tem que cuidar diariamente para manter a revista.

— Absurdo — disse Thomas em voz alta.

A mediadora folheou alguns papéis. — Você mora a uma hora da residência da srta. Lovato. Espera que a srta. Lovato leve Ryan até a sua

casa para que possa vê-lo?

— Claro que não. Eu tenho um apartamento alugado no mesmo condomínio onde a srta. Lovato reside. Somos vizinhos e pretendo continuar assim pelo tempo que for necessário.

— Ele é seu vizinho? — perguntou Thomas.

Demi fez um sinal para que ele se calasse.

— Há mais alguma coisa que gostaria de acrescentar? — a mediadora perguntou a Joe.

Joe olhou para Maggie, que deslizou o caderno na frente dele e usou o lápis para apontar para a linha que queria que ele lesse. — Sim — disse Joe. — Gostaria de pedir que, pelo menos um dia por mês, eu possa levar Ryan para passar algum tempo com os meus pais e meus irmãos em Arcadia.

Demi segurou o braço de Thomas e sussurrou no ouvido dele. Apesar de Joe preferir Demi vestindo moletom e camiseta, ela estava incrível naquele vestido preto sem mangas. Com os cabelos presos para trás e usando um batom escuro, ela parecia sofisticada.

— Isso é tudo? — perguntou a mediadora.

Maggie apontou para a última linha do caderno.

Joe leu o que estava escrito e olhou para Maggie, querendo se certificar de que aquilo era realmente necessário. A expressão no rosto dela disse a ele que prosseguisse. Que opção ele tinha? Maggie fora lá apesar de todos os problemas que ele lhe causara. Sentia-se obrigado a seguir o conselho dela. — Há mais uma coisa — disse Joe em tom alto o suficiente para que todos ouvissem. Ele manteve os olhos no papel enquanto lia. — Quando eu for forçado a ficar longe, gostaria de uma atualização semanal do que estiver acontecendo na vida de Ryan, incluindo fotografias. Terei o maior prazer em comprar uma câmera digital de última geração para Demi usar.

— Isso é ridículo — disse Thomas.

Joe olhou para Demi.

— Deixe-o terminar — disse Demi, com a mão sobre o braço de Thomas.

Joe não gostou de vê-la tocando no homem. — Isso é tudo — disse Joe. — Acabei.

Thomas sorriu e apertou o braço de Demi. — Maravilhoso — disse ele. — Como a srta. Lovato está visivelmente aflita, eu gostaria de falar em nome dela, se nossa estimada mediadora concordar.

A mediadora mordeu a isca, corando e batendo os cílios para o homem de quem Joe já decidira que não gostava.

— Contra os meus conselhos — disse Thomas —, a srta. Lovato veio aqui hoje esperando que pudéssemos resolver essa situação desconfortável fornecendo ao sr. Jonas um acordo assinado, garantindo que ele receberia uma atualização anual do progresso de Ryan Michael... incluindo fotografias.

Thomas lançou um sorriso irritante para Joe, fazendo com que ele tivesse vontade de arrancar o sorriso da cara do homem. Em vez disso, Joe rangeu os dentes enquanto Thomas Fletcher continuava.

Em seguida, Thomas deslizou um contrato pela mesa na direção da mediadora. — Fontes me disseram que o sr. Jonas usa remédios controlados há pelo menos seis meses.

Joe riu. — Isso não é verdade. De fato, ainda tenho o mesmo frasco de pílulas que o médico me prescreveu há seis meses. — Joe olhou para Demi. — Eu gostaria muito de saber quem são essas suas "fontes".

Ela desviou o olhar.

— De acordo com o registro público — continuou Thomas —, o irmão do sr. Jonas, Jake, teve a carteira de motorista cassada em duas ocasiões.

Joe olhou para Maggie e novamente para Tommy Boy. — O que isso tem a ver com Ryan?

— Tudo a ver — disse Thomas.

— O irmão dele, Jake, também foi levado ao tribunal de pequenas causas há dois anos por agressão física.

— Isso é ridículo. Jake foi inocentado. Ele pode ser cabeça quente às vezes, todos sabem disso, mas foi um simples desentendimento.

Thomas olhou diretamente nos olhos de Joe. — Devo continuar?

— Por favor, continue. Eu não tenho nada a esconder.

— Sua cunhada recebeu duas infrações por dirigir sob o efeito de entorpecentes e...

A mediadora ergueu a mão para interrompê-lo.

— E agora ela está morta — disse Joe. — Está feliz agora? — Joe olhou para Demi. O rosto dela estava completamente sem cor, mas ela permaneceu em silêncio. — O que aconteceu com você? — perguntou ele. — Em um minuto, você é um doce de pessoa, com os braços abertos. E, no momento em que esse homem volta à sua vida, o mesmo homem que a abandonou no altar, deixando-a sozinha para enfrentar a humilhação, subitamente você esquece que tem voz?

Demi estava obviamente desconfortável. Ela fechou os olhos, mas ainda assim não disse nada.

O coração dele batia depressa, o sangue nas veias pulsava furiosamente com a ideia de que a família dele fora arrastada para aquela tentativa de humilhação pública. Joe se virou para a mediadora. — Não vejo como as ações do meu irmão ou da minha cunhada morta sejam relevantes para o fato de eu querer ver Ryan.

A mediadora pegou o martelo e bateu no bloco de madeira, mas o som caiu em ouvidos surdos.

Os lábios de Thomas se curvaram para cima. — Que tipo de homem persegue a noiva do irmão sem remorso nem vergonha? É esse tipo de homem que você quer que passe o dia com o seu filho? Um homem sem moral? Um homem que doa esperma por dinheiro e mente no formulário? Um homem cujos parentes estão continuamente dispostos a arriscar a vida de outro ser humano porque não parecem compreender a diferença entre certo e...

Joe se levantou tão depressa que a cadeira caiu atrás dele. As mãos estavam cerradas em punhos nos lados do corpo.

Thomas também se levantou. — Isso mesmo, mostre ao tribunal que tipo de homem você é, que tipo de pai seria para Ryan.

— Pare com isso! — disse Demi. Ela olhou para Joe. — Eu não dei a ele permissão para questionar o seu caráter nem o dos membros da sua família. Eu pedi a ele que não fizesse isso.

Joe olhou por sobre o ombro e viu a confusão nos olhos da mãe. Era o bastante e ele se virou, andando na direção da porta. Não podia fazer aquilo com eles, não aguentava a ideia de Demi e os amigos dela fazendo com que a família dele passasse por algo que só aconteceria se levasse o caso a julgamento.

— Já vai embora? — perguntou Thomas. — Nem mesmo quebramos o gelo ainda, sr. Jonas.

Maggie seguiu Joe até a porta. — Não deixe que ele o atinja — disse ela baixinho o suficiente para que ninguém mais pudesse ouvir. — Ele está tentando intimidar você, o truque mais antigo que existe. Claramente, não estão interessados em levar o caso para um juiz. Ele está jogando duro.

— Eu acabei. Para mim, chega.

— Mas, Joe...

— Lamento. Acabou. Nós tentamos. — A porta se abriu e, em seguida, fechou-se atrás dele.

Maggie voltou ao lugar na mesa. Ela fechou o caderno e guardou-o na pasta.

— Nós gostaríamos de definir uma data para levar o caso a julgamento

— disse Thomas.

— Isso não será necessário — disse Maggie. — O sr. Jonas está preparado para assinar o que a srta. Lovato e os advogados dela trouxeram para nós hoje. Vocês venceram.

~~~

Demi se sentia enjoada. Não era assim que as coisas deveriam ter se desenrolado.

— Se adianta alguma coisa — disse o pai de Joe ao se aproximar da mesa —, eu gostaria de deixar isso com o tribunal. — Ele ergueu um pacote grosso. — São cartas e e-mails que coletamos de centenas de pessoas que podem atestar sobre o bom caráter do nosso filho.

Demi queria explicar ao pai de Joe que aquilo não era coisa dela, mas não conseguiu encontrar as palavras para desfazer a dor que Thomas já causara.

A mediadora pegou os papéis que o pai de Joe segurava e colocou-os sobre a pasta.

Thomas pegou o contrato que ele preparara meticulosamente, mas, antes que conseguisse entregá-lo a Maggie, Demi o arrancou da mão dele e rasgou-o no meio.

— O que está fazendo? — perguntou Thomas. — Não seja infantil.

— Eu quero que o tribunal saiba — disse Demi para a mediadora, ignorando Thomas — que Joe Jonas é um homem bom e um pai maravilhoso. Todos os membros da família me acolheram na vida deles, sem qualquer julgamento ou questionamento. — Ela se virou na direção da família de Joe. — Eu não planejei nada disso. — Ela acenou com a mão em direção a Thomas. — Eu não tinha a menor ideia de que o sr. Fletcher e os advogados dele desceriam tão baixo. Eu lamento muito.

— Demi! — disse o pai dela. — Você não precisa se desculpar por querer o melhor para o seu filho... nosso neto.

— Você está errado — Demi disse ao pai. — Eu estava errada. Ser parte da família Jonas é o melhor para Ryan. Meu filho tem muita sorte de ter uma família tão compassiva e amorosa. Essas pessoas já amam Ryan tanto quanto amam umas às outras. Eu não sei o que tinha na cabeça para vir aqui hoje. — As lágrimas escorriam pelo rosto dela. — Eu quero que Ryan tenha o apoio e o amor das duas famílias. — Ela olhou para a mãe, que parecia dividida entre ficar do lado da filha ou do marido. O pai dela se levantou, sem querer participar do discurso emocionado de Demi. — Por

algum motivo — continuou ela —, o destino agiu e colocou essas pessoas adoráveis na minha vida e, mais importante, na vida de Ryan. Eu só espero que a família de Joe possa me perdoar por tê-los feito escutar um ataque tão grosseiro e desnecessário. — Ela endireitou o corpo e virou-se para Thomas. — Eu gostaria que você e os seus amigos advogados saíssem agora.

Menos de dez minutos depois, do lado de fora do tribunal, com o trânsito intenso à frente, Maggie se aproximou de Demi, parando-a antes que entrasse na garagem do prédio.

— Belo discurso — disse Maggie.

Demi respondeu com um sorriso rígido e desconfortável.

Maggie colocou a mão dentro da bolsa, retirou um gravador e apertou o botão de reprodução.

Demi não fazia ideia do que Maggie pretendia. Em seguida, ouviu a voz de Maggie saindo do gravador. "Eu amo você. Quero ficar com você para sempre. Fuja comigo, Joe. Hoje. Agora." Demi ouviu Joe rindo no gravador.

"Você está rindo?" , perguntou Maggie.

"Desculpe. É só que você não podia ter escolhido um momento melhor. Eu não amo você, Maggie."

"Então não disse aquilo só porque Aaron estava lá na noite passada?"

"Não. Eu falei a verdade. Acho que precisei que alguma coisa me fizesse cair em mim para perceber que não gostava da ideia de perder você para Aaron."

"Ei, o que está fazendo?"

Houve alguns sons estranhos no fundo e, em seguida, a voz de Maggie novamente. "Então, está dizendo que me procurou sempre que podia, arruinou o meu relacionamento, e fez isso tudo por nada? Só porque é um cara valentão acostumado a ter as coisas do seu jeito? Porque gosta de vencer?"

"Eu sei que foi ruim, Maggie. Quisera eu poder apagar tudo. Quisera eu ter visto o que todos viram há muito tempo. Gosto de você como uma irmã e a verdade é que amo Demi. Eu não sabia o que era amor até conhecê-la."

Maggie apertou o botão para desligar o gravador. — Só para constar — disse ela a Demi —, eu não queria fugir e casar com Joe, mas sabia que estava se apaixonando por você muito antes que ele mesmo percebesse. Também sabia que a única forma de fazê-lo enxergar a verdade era oferecer o que ele achava que queria. Foi um golpe baixo, mas gravei a conversa. — Ela ergueu o gravador. — Fiz isso porque queria uma prova

para Aaron. Não queria passar o resto da minha vida tentando convencer Aaron de que Joe não me amava do mesmo jeito como Aaron me ama. Eu amo Aaron, sempre amei. — Ela guardou o gravador na bolsa. — Você deve achar que sou maluca por descer tão baixo. — Maggie suspirou. — Eu só precisava que todos soubessem a verdade de uma vez por todas.

— Não acho que você seja maluca — disse Demi. – Agradeço por tudo o que fez. — Ela sacudiu a cabeça. — Devo dizer que não sei o que dizer.

— É compreensível — disse Maggie. — Mas há mais uma coisa.

Demi aguardou.

— Joe não estava pronto para contar a todos no tribunal. Mas ele conversou com o treinador dele ontem e não vai mais jogar futebol. Acho que o joelho dele está pior do que todos nós percebemos. Ele está se retirando da NFL.

— O que ele vai fazer?

— Não tenho certeza. Mas achei que você gostaria de saber disso.

Demi não sabia exatamente o que Maggie esperava dela, mas tinha a impressão de que ela estava tentando brincar de cupido. — Obrigada por me dizer... e por me deixar ouvir a fita.

— Sem problemas. — Maggie colocou a mão dentro da bolsa novamente e, dessa vez, entregou a Demi um cartão de visitas. — Se algum dia precisar de uma boa advogada, ou apenas uma amiga, pode me telefonar.

Capitulo 23

RETA FINAL!!!!!!! MAIS TARDE POSTO MAIS ♡

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Joe subiu a escada mancando. O apartamento de Demi estava escuro. Ele destrancou a porta do apartamento dele, ligou as luzes e foi diretamente ao banheiro para ver o estrago no rosto. Colocou um dedo no lábio superior e tentou ver o dente.

O médico no hospital dissera que ele lascara um dos dentes. Pelo menos, os dentes da frente pareciam estar inteiros. Havia um pequeno curativo em forma de borboleta sobre o corte na sobrancelha esquerda. O olho estava roxo e inchado. Ótimo. Que maravilha.

Em seguida, ele foi até o quarto e vestiu calças e camiseta limpas, jogando as roupas ensopadas de sangue na lata do lixo.

Aquela noite se tornara mais amarga do que doce, mas, ainda assim, tinha um toque doce.

Mais do que tudo, ele quisera encontrar Demi naquela noite. Conversar com ela, saber como estava. Desde que eles fizeram amor, ela estivera presente em todos os pensamentos dele. Joe nunca se sentira assim com ninguém antes, nem mesmo Maggie, e fora isso que percebera no jantar mais cedo. Ele quisera correr para casa, pegar Demi nos braços, olhar bem dentro dos olhos dela e dizer que sentira saudades dela. Mais importante do que isso, dizer que a amava, somente ela, e mais ninguém. Ele só tinha uma semana antes que o treinamento começasse. Planejava aproveitar o tempo ao máximo, passando cada minuto com Demi e Ryan. Faria o que fosse preciso para convencê-la de que ela era a única mulher da vida dele.

Quanto mais ele tentara voltar para Demi naquela noite, mais difícil se tornara a tarefa. Pela primeira vez desde que se mudara para o apartamento, sentia-se frio e solitário. Ele pegou um saco de ervilhas congeladas e colocou-o sobre o olho. Com um olho bom, olhou pela janela sobre a pia da cozinha para ver se as luzes do apartamento de Demi já estavam ligadas. Ryan normalmente acordava para mamar naquele horário. Finalmente, ele tomou dois comprimidos de analgésico e foi até o sofá. Colocando a cabeça sobre uma almofada, fechou os olhos.

Apesar da dor, ele se sentia como se um peso enorme tivesse sido

erguido do coração. Durante todos aqueles anos, ele achara que estivera apaixonado por Maggie. Agora, percebia que só estivera obcecado com a ideia de estar apaixonado por ela. Amar Maggie significava competir e "ganhá-la" no final. Era só isso, uma competição. Ele merecera tudo o que lhe acontecera naquela noite. Tinha muitas desculpas a pedir antes que Aaron e Maggie pudessem perdoá-lo. Não era de se espantar que a família não conseguira entendê-lo, especialmente nos últimos meses. Nem ele mesmo conseguia se entender.

~~~

Joe se sentou subitamente. O sol entrava pela janela, aquecendo o rosto e deixando-o cego. Ele levou um momento para perceber que pegara no sono no sofá. Esfregando a nuca, ele colocou os pés no chão. Sentia-se totalmente destruído. Não havia um músculo que não doía.

Já era meio-dia.

Ele olhou pela janela para o apartamento de Demi e percebeu que ela provavelmente saíra para a consulta de Ryan horas antes.

Com cuidado para não fazer nenhum movimento brusco, ele foi até o banheiro. Escovou os dentes, o que não foi nada fácil, considerando o lábio inchado. Em seguida, jogou água fria no rosto e olhou para o reflexo no espelho. O olho parecia um pouco melhor do que o lábio.

Uma batida soou na porta e ele foi até lá, animado com a possibilidade de finalmente conseguir falar com Demi.

Mas era Maggie que estava do outro lado da porta, vestindo bermudas jeans e uma camiseta cor-de-rosa. Tentando ocultar o desapontamento ao vê-la parada lá, em vez de Demi, ele a cumprimentou com um sorriso torto.

— Ah, olha só, coitado de você — disse ela, passando por ele, entrando no apartamento e fechando a porta atrás de si.

— O que está fazendo aqui? — perguntou ele.

— Precisamos conversar.

Por algum motivo, aquela frase o deixou nervoso.

— Está tudo bem — disse ela, obviamente notando a apreensão no rosto dele. — Eu vim aqui porque não vou conseguir descansar até termos uma conversa final. Tenho algumas perguntas importantes a fazer. — Ok — disse ele, engolindo o nó da garganta. — Vá em frente.

— Você está com uma aparência horrível.

— Obrigado.

— Aaron tem uma direita poderosa, hein?

— Tem mesmo.

— Quem diria?

— Eu não teria dito.

Ela colocou a mão no rosto dele. Ele ficou parado, com o corpo rígido, deixando que Maggie o tocasse, pois parecia que, obviamente, tinha algo muito sério que queria dizer. Em seguida, ele notou um olhar estranho no rosto dela e entendeu. — Não diga isso — pediu ele.

— Não diga o quê?

— Não me diga que lamenta, porque eu sou o único que precisa pedir desculpas. Nós dois podemos pedir desculpas até ficarmos roxos por falta de ar, mas não vai adiantar nada.

— Você tem razão.

Ele continuava olhando de vez em quando pela janela em direção ao apartamento de Demi. Parecia que se passaram meses desde que a vira pela última vez. — Então, o que quer, Maggie?

Ela deixou o braço cair ao lado do corpo, repousando a mão sobre a bolsa pendurada no ombro. — É sobre eu e você.

Ele não gostou do rumo que a conversa tomava. Duas semanas antes, ora, dois dias antes, teria dado o braço direito para passar algum tempo sozinho com ela. Mas, agora, só conseguia pensar em Demi. Ele olhou por cima da cabeça de Maggie novamente para o apartamento de Demi. Ela já deveria ter chegado em casa.

Onde ela estava?

Subitamente, ele se sentiu muito desconfortável tendo Maggie parada diante dele, os dois sozinhos. — O que é, Maggie?

— Tive muito tempo recentemente para pensar nas coisas... para pensar sobre nós.

Fez-se uma longa pausa desconfortável entre eles. Ele foi até a cozinha e serviu um copo d'água. A dor na cabeça estava se tornando intolerável e Joe tomou mais dois comprimidos. — Quer alguma coisa?

— Não, obrigada.

— Ok — disse ele. — Bote para fora, Maggie. O suspense está me matando. O que exatamente está tentando me dizer?

— Eu amo você — disse ela. — Quero ficar com você para sempre. Fuja comigo, Joe. Hoje. Agora.

Ele engasgou e a água ameaçou sair pelo nariz.

Maggie franziu a testa. — Você está rindo?

— Desculpe. É só que você não podia ter escolhido um momento melhor. Eu não amo você, Maggie.

— Então não disse aquilo só porque Aaron estava lá na noite passada?

— Não. Eu falei a verdade. Acho que precisei que alguma coisa me fizesse cair em mim para perceber que não gostava da ideia de perder você para Aaron.

Ela colocou as palmas das mãos no peito dele e empurrou-o com força.

— Ei, o que está fazendo?

Ela o empurrou novamente e bateu no ombro dele com o punho fechado.

Ela era minúscula e ele não sentiu nada, é claro, mas deu alguns passos para trás caso ela decidisse pegar a mesinha de café e jogar nele.

O rosto dela continha todos os tons de vermelho naquele instante. — Então, está dizendo que me procurou sempre que podia, arruinou o meu relacionamento, e fez isso tudo por nada? Só porque é um cara valentão acostumado a ter as coisas do seu jeito? Porque gosta de vencer?

Ela atravessou a sala com passos duros e abriu a porta. Ele a seguiu até o lado de fora. — Eu sei que foi ruim, Maggie. — Ele se aproximou o máximo possível, mas sem ficar ao alcance do punho dela. — Quisera eu poder apagar tudo — continuou. — Quisera eu ter visto o que todos viram há muito tempo. Gosto de você como uma irmã e a verdade é que amo Demi.

Eu não sabia o que era amor até conhecê-la.

Maggie não parecia convencida.

— É loucura, mas é verdade. Acho que amei Demi desde a primeira vez em que coloquei os olhos nela.

Maggie ergueu os braços, fazendo com que ele desse mais um passo atrás. Ela sorriu e deu um passo à frente. Em seguida, colocou as mãos no rosto dele, ficou na ponta dos pés e beijou-lhe de leve o rosto. Antes que entendesse o que ela pretendia, Maggie tirou as mãos do rosto dele e simplesmente o abraçou, apertando-o com tanta força que ele achou que quebraria no meio. Ao terminar, empurrou a alça da bolsa um pouco mais para cima no ombro, parecendo feliz e, talvez, um pouco divertida, como se nunca tivesse esperado que ele realmente fosse concordar em fugir com ela. — Obrigada, Joe. Vejo você no tribunal na segunda-feira.

Ele coçou a cabeça. — Você estará lá? Depois de tudo pelo que fiz você passar? — Nada mais fazia sentido.

— Isso mesmo — disse ela. — Eu não perderia isso por nada.

Maggie desceu a escada e Joe, sentindo que alguém o observava, olhou por sobre o ombro da direção do apartamento de Demi, vendo-a pela janela da cozinha.

~~~

No caminho para casa, voltando da consulta de Ryan com o dr. Lerner, Demi abriu a janela e deixou que o ar quente de Los Angeles esvoaçasse os cabelos ao passar pelos prédios do Warner Brothers Studio e da NBC.

O dr. Nate Lerner expressara prazer ao ver como o filho dela estava progredindo bem. Depois que Nate terminara o exame, ela agradecera as flores e disse a ele que estava com a vida um tanto caótica no momento, que precisava colocar as coisas em ordem antes de sair com ele ou qualquer outra pessoa. Ele fora mais do que compreensivo, pedindo a ela que o avisasse quando estivesse pronta para sair novamente. Prometeu que seria em uma noite em que não estivesse de plantão.

Demi odiava admitir, mas esperara que Joe aparecesse na porta do apartamento dela na noite passada, como dissera que faria, para que pudessem conversar. Ela definitivamente se apaixonara por ele. Não sabia como nem por quê. Apesar de Joe não ter aparecido, ela conseguira dormir a noite inteira. Ryan já tinha mais de um mês de idade e dormira até às cinco horas da manhã. Ela se sentira descansada e ansiosa para começar o dia.

Era quinta-feira e a mediação estava marcada para a manhã de segunda-feira. Depois disso, tudo estaria resolvido, preto no branco, e ela poderia continuar a vida. Não haveria mais joguinhos de adivinhação. Saber que não teria que se preocupar com Ryan ser tirado dela retiraria um peso enorme dos ombros.

Demi estacionou o caro e viu que o carro de Joe ainda estava lá. O coração dela bateu mais forte com a ideia de vê-lo. Não podia evitar.

Com Ryan no carrinho e a sacola pendurada no ombro, ela subiu a escada. Uma brisa leve refrescou-lhe o rosto. Um beija-flor bebia água do lado de fora da janela do vizinho.

Depois de entrar no apartamento, ela tirou Ryan do carrinho e carregou-o para o quarto, sorrindo enquanto ele remexia as pernas e esticava os braços. Deixando-o no berço, ela foi para a cozinha pegar a mamadeira. Enquanto enchia uma panela com um pouco de água para esquentar a mamadeira, ela viu a porta do apartamento de Joe aberta.

E viu Joe e Maggie. Eles estavam conversando, ambos com a expressão séria, até que Maggie pegou o rosto dele e beijou-o. Depois que o beijo terminou, eles ficaram abraçados pelo que pareceu uma eternidade.

O coração dela afundou e a respiração parou. No dia anterior, ela começara a achar que talvez estivesse sendo dura demais com Joe.

Talvez, apesar de tudo o que vira com os próprios olhos, eles ainda tivessem uma chance.

Minha nossa, será que não conseguia enxergar? Ela fora tão idiota. Tentara ignorar a óbvia paixão dele pela mulher, mas, agora, algo lhe dizia que a história era muito maior do que isso. Como se a sentisse observando-o, Joe olhou para cima e viu-a pela janela. Ele não perdeu tempo e foi até o apartamento de Demi.

Ela abriu a porta antes que ele pudesse bater e ficou de queixo caído no momento em que viu o rosto dele de perto. — O que aconteceu com você?

— É uma longa história.

Ele tentou entrar, mas ela bloqueou a porta. — Responda a algumas perguntas e depois poderemos conversar.

— Ok, se é sobre o que acabou de ver...

— Na semana passada, quando levou Hank para a sua casa em Malibu — começou ela, interrompendo-o sem rodeios — e só voltou depois da meia-noite, onde você estava?

As mãos dele se afundaram nos bolsos da frente da calça. — Por toda parte — disse ele. — Se eu me lembro corretamente, foi um dia meio louco. — Os olhos dele se estreitaram e os lábios se apertaram, como se fossem ajudá-lo a se lembrar. — O carro da minha irmão quebrou — disse ele. — Disso eu me lembro.

— Você encontrou Maggie naquela noite? Sabe, antes de vir aqui? — Antes do beijo, pensou ela. Antes de me beijar louca e apaixonadamente, de fazer amor comigo e de virar o meu mundo de cabeça para baixo.

Ele assentiu. — Creio que sim.

— Sim ou não?

— Sim.

— E de novo na noite passada...

— Foi uma coincidência, nada mais que isso.

— Você encontrou Maggie na casa dela na noite passada?

Ele assentiu.

Exatamente o que ela receava. — Vejo você no tribunal na segunda-feira de manhã.

Ela tentou fechar a porta, mas ele manteve a mão no batente.

Ele franziu o rosto. — Você disse que poderíamos conversar.

— Isso foi antes de responder às minhas perguntas.

Novamente, ela tentou fechar a porta.

Ele não se moveu. — Não faça isso, Demi. Não é o que parece.

— Você não entende — disse ela. — Não estou brava com você. Só estou

desapontada. Você não me deve nada e eu não devo nada a você. Se formos pensar bem, nem mesmo nos conhecemos direito.

— Isso não é verdade. Eu sei que você é responsável e trabalha muito. Você é uma mãe incrível e uma pessoa atenciosa. Eu sei que você gosta de sushi e de suflê de chocolate com a crosta firme e o meio mole. Diário de uma Paixão é um de seus filmes favoritos, você prefere gatos a cachorros, e foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida em muito, muito tempo.

Ele parecia e soava sincero, mas nada disso importava. Ela não queria ficar com um homem que talvez estivesse olhando para ela, mas pensando em outra. Sabia que ele estava confuso e que a reação dela ao vê-lo com Maggie talvez fosse injusta. Mas ele não a amava e isso, no mínimo, ela merecia. Depois de tudo pelo que passara, ela realmente merecia isso.

— E você é linda — continuou ele, com a voz rouca, o tom beirando o desespero. — Você é exatamente o que aparenta. Não finge ser alguém que não é. E isso é uma das coisas que mais gosto em você.

Lá estava aquela palavra novamente. Gosto. Ele gostava dela. Ele realmente gostava dela. Ela suspirou. Exatamente por isso, ela não poderia deixá-lo passar pela porta. Isso não tinha nada a ver com Maggie e tudo a ver com a forma como ela queria ser tratada. Depois de sete anos, Thomas também não soubera o que queria. Ela sabia muito bem como escolher homens assim. — Lamento, mas não quero um homem que não sabe resolver o que quer. Não sou mais a mulher ingênua que eu era. Mereço coisa melhor.

~~~

A última vez em que Demi vira Joe fora três dias antes. No dia seguinte, ela o veria no tribunal. Ela suspirou. Aquela não era a verdade completa. A última vez em que o vira fora uma hora antes, quando espiara por uma fresta da cortina da janela da sala e observara enquanto ele andava até o estacionamento. Como sempre, ele estava incrivelmente bonito, com uma camisa branca de botões com as mangas arregaçadas e calças que ficavam justas nas coxas. Ela ficou imaginando onde ele iria e o que faria.

Tentando afastar o pensamento dele, ela levou Ryan para o banheiro para dar-lhe um banho. Quando a temperatura da água estava no ponto, ela o colocou dentro da banheira.

— Você é o garoto mais querido do mundo, não é? — Ele era um milagre. Ryan não chorava mais sempre que ela o segurava. Na verdade,

Nate sugerira que o motivo de ele chorar tanto no início talvez fosse porque podia sentir a apreensão de Demi. Mas, em pouco tempo, ela se tornara confiante da capacidade de tomar conta dele. Pelo jeito, os bebês conseguiam sentir quando a mãe estava nervosa.

Ela encheu a palma da mão com água morna da banheira e retirou o sabonete. Em seguida, secou o bebê e enrolou-o em um cobertor quente. Ao se encaminhar para a sala, viu de relance uma silhueta do outro lado da cortina. Alguém estava parado do outro lado da porta. Sandy dissera que talvez passasse lá com alguns dos artigos que escrevera para a nova edição da Culinária para Todos. A revista tivera sucesso no mês anterior e, no mês seguinte, esperavam dobrar as vendas. Chelsey creditava o aumento nas vendas a Joe Jonas, mas Demi preferia acreditar que isso devia às excelentes receitas e aos artigos informativos que a revista continha.

Ela abriu a porta. Nunca, nem em um milhão de anos, esperaria ver Thomas parado sobre o tapete em frente à porta.

— Olá, Demi.

Ela não disse uma palavra. Em vez disso, parou um momento para estudá-lo. Ela sempre gostara dos ternos escuros, das camisas brancas engomadas e do cabelo perfeitamente penteado, mas, por algum motivo, a aparência rígida não ficava mais bem nele. Ou talvez a aparência não mais correspondesse ao que ela gostava, não sabia ao certo. Ele era alto, mas não tinha os ombros largos, como ela se lembrava dos estranhos sonhos que tinha nos últimos tempos. A julgar pela palidez no rosto dele, passara horas demais dentro do escritório, em vez de jogando golfe.

Ele tentou lhe entregar um buquê de tulipas vermelhas, mas as mãos dela estavam ocupadas. Portanto, ela gesticulou em direção à cozinha e seguiu-o até lá. As flores favoritas dela eram lírios, mas Thomas nunca se lembrava de detalhes, nem mesmo depois de passarem sete anos juntos. — Obrigada — disse ela. — São lindas.

— Não tão lindas quanto você.

Ela o observou atentamente, tentando imaginar o que pretendia, pois nunca fora de usar elogios.

— Pegue — disse ela, entregando Ryan a ele para que pudesse colocar as flores em um vaso.

— Ah, não, não acho que seja uma boa ideia.

Tarde demais, ele já estava com Ryan nos braços. Thomas torceu o nariz, como se estivesse segurando um gambá em vez de um bebê. Ela ignorou o olhar de horror dele e procurou um vaso calmamente.

A ideia de que Thomas estava dentro do apartamento dela segurando

Ryan nos braços era totalmente esquisita. Apesar de os pais terem mencionado Thomas mais de uma vez, ela nunca achou de verdade que o veria novamente. Olhando para ele de novo, ficou imaginando se a decisão de visitá-la fora realmente dele. Ela se ocupou cortando os caules e arrumando as flores cuidadosamente no vaso enquanto tentava aceitar o fato de que ele estava lá.

Quando Demi se virou, ficou surpresa ao vê-lo tão próximo. — Sobre o que queria conversar comigo?

— Não é óbvio?

O olhar familiar de cachorrinho que ele lhe lançou sempre funcionara. Mas, daquela vez, ele parecia apenas ridículo. Ela teve que se segurar para não rir. — Você mal disse duas palavras para mim desde que me abandonou no altar. Para ser bem sincera, não faço a menor ideia do motivo pelo qual está aqui.

— Eu nunca deixei de amar você, Demi.

Ela ficou de boca aberta. — Você está brincando? Levou meses para me telefonar depois que eu me mudei. Se realmente me amasse, teria vindo para a Califórnia meses atrás.

— Seus pais me pediram para lhe dar um tempo. Disseram que você voltaria antes do fim do verão. Na outra vez que perguntei sobre você, fiquei sabendo que estava grávida.

Ela sacudiu o dedo para ele.

Ele apertou Ryan um pouco mais contra o peito para se proteger.

— Por que você me largou na igreja, Thomas? Como pôde fazer isso comigo?

— Porque eu sou um idiota.

— Devolva o meu filho. — Ela retirou Ryan dos braços dele.

Thomas olhou para baixo, para a mancha molhada na camisa.

— Parece que ele fez xixi em você. Vou trocar a fralda dele e já volto.

Ela voltou alguns momentos depois segurando o bebê com a fralda limpa. Thomas estava parado na frente da pia, usando uma toalha de papel para passar água fria na mancha da camisa.

— Você tem um berço ou coisa parecida onde possa colocá-lo enquanto conversamos?

— Não. Não está na hora do cochilo dele e ele gosta de ficar no colo.

Thomas gesticulou em direção ao sofá. — Vamos sentar?

Relutantemente, ela se sentou na cadeira em frente ao sofá.

Ele se sentou no sofá e esfregou as mãos nos joelhos, algo que sempre fazia quando estava nervoso. Não importava quantas vezes olhasse para

ele, Demi ainda não conseguia acreditar que, depois desse tempo todo, Thomas estava sentado à frente dela.

Finalmente ele aparecera.

Ela passara meses sonhando com aquele momento e lá estava ele. Mas ela não sabia se gostava da ideia.

— Lembra-se da briga que tivemos na noite anterior ao casamento? — perguntou ele.

Ela assentiu, apesar de não fazer a menor ideia do motivo da briga daquela noite. Os dois estavam nervosos e estressados depois de meses de planejamento para o grande dia.

— Depois que saí da sua casa, entrei no carro e fiquei vagando. Dirigi por muito tempo e nem sabia mais em que cidade estava. Encontrei um hotel, fui diretamente para o bar e bebi até desmaiar. — Ele fez uma pausa e olhou para ela, com os olhos cheios d'água. — Você sabe que não costumo beber. Quando acordei na manhã seguinte, era tarde demais. O casamento já tinha passado. Quando cheguei na sua casa, você se recusou a falar comigo.

Ela esperou que alguma acontecesse dentro de si, achando que sentiria um frio na barriga ou algum rasgo de desejo, mas não sentiu absolutamente nada.

Ele saiu do sofá, parou em frente a ela e apoiou-se em um joelho. Em seguida, colocou a mão na perna dela, pois ela tinha as mãos ocupadas com o bebê. — Eu nunca deixei de amar você, Demi. Volte para Nova Iorque comigo. Eu imploro.

Ela desejou que Sandy estivesse lá com uma câmera de vídeo. Por mais de um ano, fantasiara sobre aquele exato momento, sobre Thomas implorando para que voltasse para ele. Nos sonhos, eles se abraçavam e choravam antes que ele a levasse a uma capela para que finalmente se tornassem marido e mulher. Apesar do que fizera, ela ainda sentia alguma coisa por ele, sentimentos de amor fraternal. Pela primeira vez em muitos meses, soube sem a menor sombra de dúvida que fizera a coisa certa ao se mudar para a Califórnia.

Ela não pôde evitar um sorriso.

Pela primeira vez na vida, ela estava fazendo todas as coisas com as quais sonhara. Era responsável pela própria revista. Tinha um filho, um garoto que era dela. Gostava do apartamento onde morava e não tinha dúvida alguma de que seria uma boa mãe para Ryan. Apesar de ter tido uma decepção amorosa, ela se abrira novamente e nunca se arrependeria do tempo que passara com Joe. Pela primeira vez na vida, ela se sentia

capaz de tomar decisões por conta própria, sem precisar perguntar aos amigos ou à família o que achavam. Além de usar os instintos, seguia os sonhos que sempre tivera e sentia-se bem com isso.

Thomas devia ter tomado o sorriso no rosto dela como um sinal positivo, pois os olhos dele brilharam com esperança. — Lembra-se da casa que eu falei que tinha escolhido para nós dois?

Ela assentiu.

— Eu a comprei. Espere até ver o que fiz no escritório. É todo seu. Você pode contratar uma babá e escrever artigos para a sua revistazinha se tiver tempo. Mais importante do que isso, quero que edite o livro que estou escrevendo. Eu incluirei o seu nome na página de agradecimentos.

Ela precisou de todas as forças para não revirar os olhos nem rosnar pra ele.

— As coisas serão diferentes dessa vez, Demi. Só preciso que me dê uma chance.

Ela ergueu Ryan para que Thomas o visse. — Essa é a minha vida agora, Thomas. Olhe para ele. Olhe para ele com bastante atenção. Ele é a minha vida, o meu amor, é tudo para mim.

Thomas suspirou. — Não é saudável para uma criança ser coberta de amor, sabia?

— Eu sei, mas não posso evitar. — Ela sorriu novamente. — Olhe para ele. É irresistível, não acha?

Thomas olhou para Ryan longamente e coçou a nuca.

— Você quer segurá-lo de novo? Ele está com fraldas limpas.

— Dispenso, obrigado.

O sorriso dela aumentou, pois soubera exatamente o que ele diria. — Eu nunca poderia viver com um homem que não amasse Ryan tanto quanto eu.

— Tenho certeza de que, com o tempo, eu sentiria pelo bebê a mesma coisa que você.

— Eu tenho certeza de que não sentiria, mas esse não é o motivo pelo qual terei que recusar a sua oferta. Eu não amo você. — Ela segurou Ryan perto do peito. — Nossa, isso é incrível.

— O que é?

— Eu poder sentar aqui, olhá-los bem nos olhos e dizer com cem por cento de certeza que não amo você. É libertador, Thomas, tão libertador!

Thomas se levantou e brincou com a gravata. — Acho que está na hora de eu ir embora.

Ela se levantou e, por um momento, eles ficaram parados olhando um para o outro. Mas ela teve uma ideia. Levantou o queixo, fechou os olhos e

espichou os lábios.

— O que está fazendo, Demi?

— Beije-me. — Segurando Ryan com uma das mãos, ela usou a outra para bater com o dedo nos lábios. — Rápido, Thomas, antes que seja tarde demais.

Ele se inclinou para a frente e beijou-a. Aproveitou o beijo por tempo demais e ela gentilmente o empurrou para longe. — Nada. Eu não senti absolutamente nada.

Balançando a cabeça, Thomas andou em direção à porta.

— Eu sinto muito — disse ela, seguindo-o de perto. — Mas realmente aprecio você ter vindo até aqui.

— Tenho certeza disso. — Ele abriu a porta e virou-se para ela. — Eu estarei no tribunal amanhã. Sua mãe e seu pai também estarão lá. Ele mandou dois dos melhores advogados dele comigo. Quando tudo terminar, você terá a guarda total do seu filho.

Então, o pai dela tinha mandado Thomas lá. — E como pretende fazer isso?

— Será bem fácil, na verdade — disse ele. — Será uma questão de abrir e fechar o caso. Confie em mim.

— Bem, não quero ferir os sentimentos de ninguém. Não é preciso que as coisas sejam feias.

— Quer ou não a guarda total do seu filho?

Ela mordeu o lábio inferior. — Bem, sim, mas...

— Então deixe comigo, Demi. Não preocupe mais a sua cabecinha com isso.

Ignorando a menção à "cabecinha", ela se lembrou claramente o motivo pelo qual ele a irritava. — Só estou pedindo que você e seus amigos não exagerem — disse ela. — Eu sei como os advogados do papai podem ser terríveis, como um bando de tubarões frenéticos. Isso não é necessário.

— Eu serei tão gentil que talvez você mude de ideia sobre voltar para casa comigo.

— Adeus, Thomas. Vejo você no tribunal.