14.6.16

Paixão Inesperada - Capitulo 30 - O Maior Dos Amores


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Joe
Dois meses depois...
— Como estão os preparativos, amor? — Seguro o celular entre o ombro e a orelha enquanto uso as duas mãos para fazer uma curva acentuada. — É? Ótimo! Você sabe que pode me passar mais coisas para fazer, não é? Não quero que você fique sobrecarregada com o casamento, o bebê, a faculdade e tudo o mais. Prometo fazer tudo direitinho e não estragar nada. — Rio com sua resposta.
— O que? Ah sim, já cuidei dos convites, pode ficar tranquila...Sinto muito, mas hoje não vai dar. Tenho um almoço com Charlie...Sim, sim, não se preocupe. Eu aviso se eles mudarem a data da audiência...Não, eu já disse que não quero você lá, amor...Não interessa, quero você e minha princesinha o mais longe possível daquela maluca...Tudo bem, nos falamos mais tarde. Te amo. — Encerro a ligação com a sensação que eu ainda vou ter algum trabalho para convencer Demi a não me acompanhar a audiência de Eva. Apesar de Demi insistir que seu testemunho é necessário, temos tantas provas contra Eva que Charlie acredita não ser necessária a sua presença. Decisão da qual eu assino embaixo.
Conseguimos juntar provas suficientes da chantagem de Eva, além do dossiê recheado que Will me entregou e que por sua vez, entreguei a Charlie que o anexou nas acusações contra Eva. Acontece que na investigação muito bem realizada por meu amigo, muitas coisas sujas do passado de Eva foram desenterradas, além das coisas mais recentes, como por exemplo, o fato dela estar fraudando documentos e desviando dinheiro da empresa do marido. Depois de dois meses de enrolações, a justiça finalmente será feita e ainda essa semana Eva será julgada, e segundo Charlie, condenada a pagar pelo que fez. Mas de qualquer forma, ela já recebeu o que merecia. Depois da suspeita levantada contra ela, pelo o que eu fiquei sabendo, uma bela de uma investigação muito mais minuciosa do que a de Will, foi feita pelos acionistas da Thompson Reuters Company. Carlson pediu o divórcio e a deixou com uma mão na frente e outra atrás. Não sei se essa parte é verdade, mas parece que ele a humilhou e a expulsou de casa, sem deixar que ela levasse suas joias, roupas ou nada que fosse de valor. E agora além do meu processo contra ela, ainda há o da própria T. R. Company. É, a situação de Eva não é muito promissora.
Charlie – que é um excelente advogado por sinal – conseguiu uma ordem na justiça para apreender todas as cópias da filmagem, e graças a Deus, os pais de Demi não sabem de sua existência, muito menos outras pessoas.
Chego a Townsend e vou direto para meu escritório, tenho que me esforçar para me concentrar em meus afazeres e não no almoço que terei com Charlie para esclarecer algumas últimas coisas antes da audiência.
Entrelaço meus dedos nos de Demi e entramos no consultório. Como nas outras vezes, falamos com a recepcionista, Demi lhe entrega um papel que ela destaca e depois carimba e vamos nos sentar na sala de espera.
Essas cadeiras desconfortáveis e estreitas são perfeitas apenas por um motivo; Demi tem que praticamente sentar em meu colo para não invadir o espaço da pessoa que senta no seu outro lado.
Passo meu braço por seus ombros e a abraço, enfio meu nariz em seus cabelos e inalo o familiar e reconfortante perfume. Ela já tem cheiro de lar, meu lar.
Espalmo minha mão em seu estômago e faço movimentos circulares e gentis. Depois de vários e vários minutos que pareciam não passar nunca, o nome de Demi foi chamado e nós entramos para falar com a médica.
Como sempre eu não entendo nada, Demi balança a cabeça concordando e eu apenas fico olhando para a médica me pergunta o que diabos ela quer dizer. Ela examina Demi, faz perguntas de como ela tem estado desde a última consulta e enfia aquele negocia dentro dela. Meu Deus, já começo a ter calafrios quando ela pede que Demi coloque o avental e deite com as pernas abertas, quando ela pega aquele negocio e coloca uma camisinha e um gel e enfia no meio das pernas da minha mulher, eu juro que posso desmaiar, toda vez.
— Como você espera assistir o parto se não consegue nem assistir a um exame de ultrassom transvaginal, papai? — A médica pergunta com um sorriso brincalhão nos lábios. Essa mulher tem zombado de mim desde a primeira vez que eu vim aqui com Demi.
“Quem é que disse que eu vou assistir o parto? Gritaria mais que Demi quando a hora chegasse.”
Ela continua o exame e não parece ter nada fora do normal, nem com Demi nem com o bebê. Não consigo segurar minha ansiedade, apesar de Demi já ter tentado me explicar que vai demorar algumas semanas ainda, mas quero ouvir o que a médica tem a dizer, por isso lhe pergunto:
— Doutora, você não pode ver se é menino ou menina com esse aparelho aí? — Pergunto apontando para a enorme coisa que ela retira de dentro da minha futura esposa.
— Ainda é cedo demais, papai. Existe procedimentos para descobrir o sexo da criança já com 8 semanas de gravidez, mas o mais recomendado é esperar até a 16ª semana.
— Então vamos ter que esperar quase dois meses? — Demi intervém.
— Se vocês quiserem ter certeza, então sim.
— Não precisamos desse procedimento, já sabemos que é uma menininha. — Digo me aproximando de Demi e lhe fazendo um carinho na testa.
— Ah, mais um pai vidente, que divertido. — A médica diz. Estou falando, ela não perde uma oportunidade de zombar de mim.
Demi tem permissão para se vestir e voltamos a nos sentar na mesa de frente para a doutora, que agora escreve algo em alguns papeis de receita.
— Aqui está, querida. Tudo está normal, mas gostaria que você tomasse essas vitaminas. — Ela entrega as receitas. — Uma é logo quando você acorda e outra uma hora antes do jantar. Não há necessidade de você voltar antes que daqui um mês, mas caso aconteça qualquer coisa nesse período, sinta-se a vontade para me ligar ou vir aqui.
— Muito obrigada, doutora. — Demi levanta-se e elas trocam um aperto de mão.
Nos despedimos e seguimos para o carro. Pego as receitas da mão de Demi e tento me lembrar qual a farmácia mais perto.
Demi
Sei que Joe não deve estar nada feliz, e apesar de estar apreensiva, acho que o certo a fazer é ir assistir essa audiência.
Não sei muito bem que roupa usar nesse tipo de ocasião, então coloco uma calça preta, uma blusa de seda e um blazer.
Demorei para conseguir convencer Joe a me levar junto, foi necessário uma boa tática de persuasão, mas finalmente, meio de mau humor, ele cedeu.
No horário combinado, desço e encontro Joe dentro de sua caminhonete me esperando. Quando ele me vê, sai e abre a porta para mim.
— Oi, meu amor. — Digo dando-lhe um beijo. Pela expressão em seu rosto, posso dizer que ele não está nem um pouco confortável com essa situação.
— Oi. — Ele diz simplesmente.
— Ah Joe, não fique com essa cara.
— Que cara?
— Que cara? — Imito sua voz grossa e tento fazer graça, mas ele não sorri. — Essa cara que você está agora.
— Eu não queria que você fosse, eu já disse isso. — Ele diz ficando emburrado como uma criança.
— Mas acontece que eu vou, então trate de tirar essa carranca do rosto. — Digo entrando no carro e fechando a porta.
Ele entra no carro e dá a partida, o caminho todo até o Tribunal é feito em silêncio. Posso sentir a tensão que emana de Joe. Ele está nervoso por ver Eva novamente, e eu também estou, confesso.
Quando chegamos lá, a primeira pessoa que encontramos é Charlie, o advogado que está defendendo Joe nesse caso de chantagem.
— Joe.
— Charlie. — Eles trocam um aperto de mãos.
— Lembra-se da minha noiva, Demi?
— Ah sim, mas é claro, como esquecer uma jovem tão linda. — Ele diz beijando minha mão. — Como vai a gravidez?
— Muito bem, obrigada.
Joe e Charlie conversam e usam termos legais que eu desconheço, então logo estou por fora e deixo de prestar atenção ao que se está sendo dito. Observo o grande e elegante saguão onde aguardamos o julgamento, ele é todo decorado em cores escuras, os barulhos das solas dos sapatos que se chocam contra o mármore do piso parecem trovões.
Logo um homem na faixa dos 40 e poucos anos, bem apessoado, charmoso e com uma presença imponente entra no saguão acompanhado de três homens igualmente intimidantes.
— Aquele é Carlson Thompson, o ex marido de Eva e o dono da empresa na qual ela estava desviando dinheiro. — Joe me esclarece em tom sussurrado.
— E também o homem que fez a burrada de dispensar um contrato com vocês só porque a esposa o convenceu. — Complemento enquanto observo o Sr. Thompson de longe. Como um homem com um charme e uma aura de poder assim como ele, pode se deixar influência por uma mulher como Eva? Mesmo ela sendo sua esposa e advogada na época, ele deveria ter sido mais esperto e visto que ela estava errada.
— Exatamente...Amor, tem certeza que você não quer ir para casa com a Serena e descansar?
Olho-o com uma sobrancelha levantada e cruzo os braços.
— Serena?
— Sim. É que eu fiz uma lista de nomes de menina que eu acho bonito, aí resolvi começar a testar.
— Eu acho que além dessa criança começar desde cedo a desenvolver transtorno de personalidade múltipla, também vai desenvolver um trauma, porque você vai ficar chamando por nomes de meninas, sendo que nosso bebê é um menino. — Joe ri e envolve os braços em minha cintura.
— Você não acredita mesmo no meu sexto sentido de pai, não é?
— Hey, são as mulheres que tem sexto sentido.
— Vai ser menina. — Ele diz confiante.
— Vai seu um menino. — Digo.
— Quer saber, não importa. De qualquer forma, seja o que for, teremos que rapidamente fazer outro bebezinho para aquele que errar o sexo. Aí você fica com um menino e eu com uma menina.
— Ah é? E quantos outros filhos você pretende fazer comigo? — Pergunto laçando seu pescoço e puxando sua boca para perto.
— Pelo menos cinco. — Ele responde me pegando de surpresa.
— Cinco? Não, três está bom.
— Quatro. — Ele tenta negociar.
— Três. — Digo balançando a cabeça.
— Tudo bem, três. — Ele diz revirando os olhos e fingindo estar bravo. Eu rio dele e Joe me dá um beijo. Quando começo a me esquecer de onde estamos e o beijo começa a se aprofundar, um limpar de garganta no separa.
— Vai começar. — Charlie diz desconfortavelmente, sem nos encarar nos olhos.
— Tudo bem, obrigado.
— Chegou a hora. — Digo com um misto de ansiedade e medo.
— Tem certeza que você não...
— Joe...Não. — Ele revira os olhos, dessa vez de verdade, e seguimos Charlie para a sala onde testemunharemos qual será o destino de Eva.
Um pouco hesitante eu entro na sala, até que Joe me tranquiliza dizendo que Eva ainda não está presente.
Joe se recusa a sentar ao lado do seu advogado e de Carlson e seus homens, vamos nós dois nos sentar nas cadeiras reservadas ao público, como essa não é uma sessão aberta não há mais ninguém presente, nem mesmo a imprensa. Aposto que Carlson fez tudo em seu poder para que essa história não vazasse na mídia.
Não precisei nem vê-la, para saber que ela havia entrado na sala. De repente o ar ficou mais pesado, meu coração começou a bater rapidamente e um calafrio percorreu meu corpo. Logo em seguida, Eva passou com um homem – que suponho ser seu advogado – a ladeando. Impecável como sempre, ela usa um terninho preto com lapelas de seda, que combina com seus longos e sedosos cabelos negros. Ela parece uma viúva negra, pronta para injetar seu veneno.
Um brilho de surpresa passa em seus olhos azuis claros quando ela me vê sentada ao lado de Joe, mas logo é substituído por divertimento, como se ela estivesse achando tudo isso muito engraçado. Um teatro, um circo, uma palhaçada.
Um sorriso lento desliza em seus lábios e ela se dirige para seu lugar. Não sem antes eu perceber o olhar que ela e Carlson trocam. As coisas não estão em um estado amigável entre eles, e imagino que não tinha como ser diferente, depois do que ela fez.
Não demora muito para que a audiência comece. As próximas duas horas passam lentamente e são extremamente exaustivas, mas tento acompanhar tudo o que se está sendo dito.
Depois de um intervalo de meia hora, onde podemos esticar as pernas e comer algo rapidamente, voltamos para escutar a sentença.
O promotor se pronuncia e enrola um monte até dizer qual é a decisão final. Quando ele profere a palavra ‘culpada’ Eva parece realmente surpresa. Ela achou mesmo que iria se safar dessa? Mesmo com o melhor dos advogados, era uma causa perdida, depois de todas as provas...
Seu advogado lhe segura pelo braço e sussurra lhe algo que imagino que seja um alerta para que se controle.
Eva é condenada há passar sete anos na cadeia, podendo fazer um terço dessa pena em liberdade, caso haja bom comportamento, e realizando trabalhos comunitários.
Eu achei uma pena leve, mas Eva não parece compartilhar da minha opinião, pois ela se levanta dando um tapa na mesa e começa e gritar, indignada por ter que ir para a cadeia. Carlson também se manifesta, expressando seu descontentamento com o que ele chamou de “absurdo”. Pela raiva em seus olhos, Eva passaria a vida toda presa.
Seu advogado tenta acalma-la e logo os seguranças são chamados para conte-la. Depois de agredir um dos seguranças, ela é algemada e arrastada para fora da sala.
Joe e eu nos levantamos quando os dois homens puxam-na pelo mesmo corredor no qual ela entrou com aquele sorriso prepotente e o queixo erguido em superioridade.
Procuro pela mão de Joe atrás de conforto, e ele envolve seus braços em minha cintura.
— Você vai me pagar, Joe. Você vai me pagar. — Ela grita, parecendo mais do que nunca, louca. Os seguranças tentam arrasta-la para fora, mas ela resiste com uma força e determinação impressionantes. — Vocês dois, você e essa sua vadia. Guarde bem minhas palavras, putinha, você vai me pagar. — Instintivamente minha mão vai protetoralmente até minha barriga, que com um pouco mais de oito semanas, está levemente saliente.
Eva segue com os olhos o meu movimento, ela olha com choque o pequeno volume em meu estômago e depois olha diretamente em meus olhos.
— Vocês dois vão se arrepender. Você vai se arrepender, eu vou acabar com a felicidade de vocês, eu vou destruí-los. — O olhar cego por vingança e a expressão diabólica que ela carrega em seu rosto me fazem tremer e Joe me abraça mais apertado. — Eu vou me vingar... — Essas são suas últimas palavras antes que Eva seja arrastada para fora, e seus gritos não passem de ecos de um mau presságio.
Minhas aulas de hoje terminaram e decido almoçar em casa mesmo, Aletta nunca está nesse horário por lá então devo ter um pouco de sossego.
Faz uma semana desde o julgamento de Eva, e eu ainda não consigo tirar da cabeça os seus gritos histéricos jurando vingança. Joe tentou me tranquilizar, disse que ela nada pode fazer detrás das grades, mas acho que só agora estou começando a me sentir mais tranquila.
Abro a porta do apartamento e a primeira coisa que vejo é a bolsa da minha insuportável colega de quarto jogada no chão.
O que diabos ela faz aqui? Aletta nunca para em casa, um dos motivos de ter sido consideravelmente fácil continuar vivendo no campus.
Assim que fecho a porta ela surge do nada atrás de mim, me dando um susto.
— Até que enfim você chegou. — Ela diz cruzando os braços na frente do corpo e com um brilho estranho no olhar.
— O que você está fazendo aqui? — Pergunto.
— Eu moro aqui também, sabia? — Ela diz sarcasticamente.
— Você sabe o que eu quis dizer. Você nunca está em casa para o almoço. — Digo passando por ela, deposito minhas chaves no balcão e retiro meu casaco.
— Eu sei, mas eu estava querendo muito falar com você.
— Alguma coisa com relação ao apartamento? Não me diga que você vai sair daqui! — Digo com animação e uma pontada de esperança.
— Não é isso. — Ela revira os olhos e faz um som grotesco com a garganta.
— Então fale logo, não tenho o dia todo. — Descanso as mãos na cintura.
— Me diga uma coisa, o seu noivo se chama Joe Jonas, não é?
— Sim, por quê?
— Ah, eu só queria ter certeza. Sabe, tá rolando um vídeo muito...Revelador dele na internet. — Ela pega seu celular do bolso da calça, clica na tela e vira o aparelho para mim.
Gemidos sexuais enchem a sala vindos do pequeno aparelho em suas mãos. Não tenho nem tempo de alertar a mim mesma para virar o rosto, meus olhos parecem ser puxados para a tela onde o vídeo que Eva fez de Joe está passando.
Levo a mão até a boca para impedir que um grunhido de dor me escape por entre os lábios. Claramente é Joe, muito mais novo, mas é ele. Meu noivo está de joelhos em uma cama com mais um homem e três mulheres. Ele investe contra uma mulher de quatro enquanto ela faz sexo oral em outra.  
Os gemidos são altos, frenéticos, obscenos, pura luxúria.
— Desligue isso. — Digo apertando os olhos com força e virando a cabeça.
— Pela sua reação você ainda não tinha visto, eu presumo. — Os gemidos continuam a chegar até meus ouvidos. Tampo-os com ambas as mãos tentando inutilmente não escuta-los.
— Desligue isso, agora. — Grito para ela, mas Aletta não para o vídeo. Um gemido em particular fica mais alto e desesperado. Uma das mulheres deve estar chegando ao orgasmo.
“Ah meu Deus!”
Corro até meu quarto e fecho a porta com força, mas ela bate no pé de Aletta e volta para trás, batendo na parede com força.
— Me deixe em paz. — O vídeo ainda está passando em seu celular e não quero nem imaginar o que eles estão fazendo agora, mas os gemidos são muito sugestivos.
— Eu não consigo parar de ver esse vídeo, e aposto que muita gente também. Agora sim eu entendo o porquê você dispensou Vince para ficar com esse cara, ele é demais. Deve ser tão melhor que Vince na cama. Como eu gostaria de passar uma noite com ele...
— Cala a boca. — Grito para ela. — Cala essa maldita boca, sua vadia. — Arranco o celular de sua mão e jogo com toda a minha força na parede. Ele se choca contra a parede e depois se desmonta no chão.
Aletta me olha chocada e fica furiosa.
— Sua idiota, meu celular. — Ela vai ajuntar o aparelho quebrado do chão. — Você vai me comprar um novo.
— Eu disse para você parar. — Me defendo.
— Você é louca mesmo. Bem feito que esse vídeo tenha vazado, e sabe o pior? Ele está bombando na internet. Já tem mais de 600 mil visualizações, e olha que foi postado somente há 6 horas.
“Oh não! Cem mil visualizações por hora? Não acredito, isso não pode estar acontecendo. Como?”
— Eu já achava que ele era homem demais para você, mas depois de vê-lo em ação? Agora tenho certeza. Ele merece uma mulher como eu, ah sim, eu saberia dar um trato nele, pegar gostoso...
Antes que eu possa assimilar o que estou prestes a fazer, minha mão levanta e então desce com toda a força no rosto de Aletta, fazendo sua cabeça virar com violência e provocando um estalo alto.
Ela imediatamente esconde a marca vermelha da minha mão em seu rosto e me olha horrorizada. Ela não esperava esse tipo de reação de mim, confesso que eu também fiquei surpresa com a minha explosão.
— Cretina, você me paga... — Não fico para escutar o resto, saio correndo em direção à saída. Mas Aletta vem atrás de mim, ela está bufando de raiva. Ela agarra meus cabelos e sua mão vai em direção ao meu pescoço, consigo me desvencilhar, mas não sem antes receber um arranhão, que me faz gemer de dor.
Pego minha bolsa, quase derrubando o seu conteúdo na pressa de sair daqui. Desço as escadas correndo e me afasto o mais de pressa possível do prédio, olho para trás mas Aletta não me segue.
Percebo que estou soluçando e tremendo, mal consigo enxergar de tantas lágrimas que escorrem de meus olhos.
Agarro meu celular e ligo para Miley, tenho que digitar duas vezes porque tremo tanto que aperto o numero errado.
— Oi, sis. Como vai? — Ela atende animada.
— Miley... — Minha voz se quebra e ela assume um tom preocupado na hora.
— Demi, você está chorando? O que aconteceu?
— Ah Miley... — Choro e não consigo lhe dizer coisa alguma.
— Calma, sis. Respire. Me diga onde você está que eu vou te encontrar.
— Por favor, eu preciso de você... — Digo tampando a boca tentando conter os soluços.
Joe
Assim que saio da reunião ligo o celular e vejo que tem quinze chamadas perdidas de Miley e duas mensagens. Estranho.
Abro a primeira mensagem e está escrito:
Miley: Joe, onde vc está? Te liguei várias vezes, me ligue assim que puder!!
A outra tinha sido enviada sete minutos depois da primeira.
Miley: Joe, me ligue agora!!! É a Demi!!
Meu corpo todo gela e sinto um nó no estômago. A segunda mensagem foi enviada a mais de meia hora atrás.
“Merda, merda, merda! O que será que aconteceu com Demi?”
Vou apressadamente para minha sala e chamo Miley. Ela atende no segundo toque.
— Alô, Miley? Sou eu, o que houve? Demi está bem? É o bebê? — Minhas perguntas saem atropeladas.
— Calma, Joe. Ela está bem, por enquanto pelo menos.
— O que aconteceu? Quero falar com ela, passe o celular.
— Ela está dormindo agora, eu lhe dei um calmante.
— Porque diabos você lhe deu um calmante? Ela está grávida, não pode ficar tomando essas coisas. — Sei que Miley não tem culpa de eu estar nervoso, mas mesmo sem merecer grito com ela.
— Porque eu não sabia mais o que fazer, você não atendia o celular...Fiquei perdida aqui.
— O que aconteceu, Miley? — Pergunto andando de um lado para o outro da minha sala.
— Não sei ao certo. Demi me ligou chorando e muito nervosa, fui busca-la e ela estava chorando muito e com um arranhão...
— Um arranhão? Como assim um arranhão? Onde? Quem fez?
— Calma, Joe. É na lateral do pescoço, não sei quem fez, ela não disse coisa com coisa. Quando eu perguntei o que aconteceu, ela só ficou falando sobre um tal vídeo que foi parar na internet e “como ela conseguiu fazer isso?” — Suas palavras me fazem congelar no lugar, sinto algo estranho, uma tontura e enjoo. — Você sabe do que ela está falando?
— Miley, ela disse se viu o vídeo? — Pergunto com medo na voz.
— Ela não disse nada, mas acho que para ficar daquele jeito deve ter visto, não sei...O que está acontecendo, Joe?
— Por favor, Miley, fique com ela. Não a deixe sozinha, ok? E qualquer coisa me ligue, meu celular vai ficar ligado o tempo todo. Quando ela acordar me avise.
— Tudo bem, mas o que... — Desligo em sua cara.
“Deus, não! Demi viu o vídeo, ela tinha prometido, caralho! O que eu faço agora, ela me viu fodendo outras mulheres...Ao mesmo tempo.” Cubro a boca com medo que a bile suba.
“Foi ela...Foi Eva, aquela vadia desgraçada! Mas como?”
Uma raiva descomunal se acende dentro de mim. Meu vídeo está na internet, para todos verem. E o pior, Demi o viu.
“É tudo culpa daquela mulher. Maldita, maldita, maldita, mil vezes maldita!”
Começo a tremer de ódio e vejo vermelho. Vermelho de vingança, de sangue, quero estrangular Eva com minhas próprias mãos. Ela deu um jeito de colocar o maldito vídeo na internet, mesmo presa.
Sinto vontade de gritar, então grito. Sinto vontade de destruir tudo, então destruo. Jogo todo o conteúdo de minha mesa no chão; Papeis, telefone, pastas, meu computador, até mesmo o porta retrato de Demi. Pego a luminária e jogo contra o vidro da janela. Atiro as almofadas do sofá na parede, atingindo os quadros e os derrubando. Pego todas as decorações da estante e jogo no chão, na parede, em todas as direções. Quebro tudo, e minha raiva não diminui o suficiente.
— Maldita. — Grito com todas as minhas forças.
Quando não tem mais nada para que eu possa quebrar, me acalmo, respiro fundo e tento recuperar o fôlego.
— Por quê? Por que meu Deus? Eu só quero paz, só isso. Só quero ser feliz. — Sinto o desespero tomando conta e começo a chorar.
E agora? O que Demi vai dizer? Ela vai ficar com nojo de mim, eu sei que ela disse que nunca iria me abandonar...Mas e se ela tiver ficado muito chocada?
A porta da minha sala abre subitamente e minha secretária entra, parando assustada enquanto olha para todo o estrago que fiz.
— Senhor...
— Chame Will, e coloque Charlie Spencer no telefone...Agora! — Grito, fazendo-a dar um pulo.
— Sim, senhor. — Ela fecha a porta apressadamente com uma cara de medo.
Imagino que eu deva estar de dar medo mesmo.
Demi
Volto à consciência preguiçosamente. Sinto uma mão acariciando minha testa e meus cabelos, meus olhos tremem e estão pesados demais para abrirem.
— Demi, acorde. — Uma voz carinhosa me chama. — Acorde, minha linda.
Com algum esforço abro os olhos e vejo Joe sentado na beirada da cama, ao meu lado. As caricias que eu senti ao acordar vinham dele.
— Joe? — Pergunto meio grogue.
— Como você está, amor?
— Bem, eu... — Levanto-me e sento-me, tentando clarear minha mente confusa. Aos poucos minhas memórias vão voltando. — Joe, o vídeo... — Digo, minha voz saindo esganiçada pelo desespero.
— Eu sei, amor, eu sei.
— Ela disse que ia se vingar, ela disse...Oh Joe, já foi visto por muita gente, muita gente mesmo. — Sinto meus olhos marejarem.
— Eu sei, linda. Charlie já está tomando as providências para tentar rastrear a fonte e tirar o vídeo do ar.
— Ah meu Deus, minha cabeça. — Sinto uma dor no lado esquerdo. Escondo o rosto nas mãos procurando alivio para a dor.
— Demi... — Joe me chama com uma voz fraca. — Você viu, não viu? O vídeo. — A tristeza em sua voz esmaga meu coração. Olho para ele, mas não consigo responder, apenas balanço a cabeça. Aquelas imagens se repassando em minha mente, juro que ainda posso ouvir os gemidos. — Não. — Ele desvia o olhar e aperta o nariz, fechando os olhos com força. — Me perdoa, meu amor. — Ele balança a cabeça, inconformado.
— Sinto muito, eu não queria ver, mas...Aletta me pegou desprevenida, ela simplesmente me mostrou e eu fui incapaz de desviar o olhar. Mas não assisti até o final.
— Pelo menos isso. — Ela parece um pouco – bem pouco – aliviado. Me pergunto o que será que ele faz no final do vídeo? As coisas só devem ter ficado piores.
— Aquele pedaço de merda que você chama de colega de quarto é quem te mostrou o vídeo?
— Sim, eu fiquei sabendo que estava na internet por ela.
— Quem fez isso no seu pescoço? — Ele pergunta apontando para o meu lado direito, levo a mão e me encolho na hora que toco minha pele rasgada e dolorida.
— Foi ela, nós discutimos. Eu quebrei seu celular e lhe dei um tapa, ela puxou meus cabelos e me arranhou.
Joe levanta da cama e dá um soco na parede.
— Ela vai se arrepender. — Ele ameaça, sombrio.
— Não, Joe, é melhor...
— Você está bem?
— Sim.
— Tem certeza?
— Tenho.
— E Ivy? — Dou-lhe um sorriso triste, devido as circunstâncias, ao ouvir o outro nome que ele está testando para nosso bebê.
— Tudo bem com nosso bebê. — Acaricio minha barriga.
— Que bom. Vou pegar algo para cuidar do seu pescoço. Quer algo mais?
— Água, por favor.
— Claro. — Ele sai e dentro de poucos minutos está de volta.
Enquanto ele limpa meu arranhão com algo que arde, tento convence-lo de que estou bem e que não deve se preocupar.
— Estou bem, de verdade. Nós duas estamos.
— Ela vai pagar, isso não vai ficar assim...Mulher nojenta.
— Não. Deixe para lá.
— Como? Ela te bateu. — Ele diz indignado.
— Mas eu bati primeiro, eu perdi a razão quando levantei minha mão para ela. Vamos esquecer isso.
— Não sei se posso. — Ele solta um suspiro frustrado.
— Tente...Por mim. — Acaricio seu rosto.
— Tudo bem, vou tentar. Mas você não pode continuar mais morando com ela. — Ele diz irritado.
— Mas onde eu vou morar, Joe?
— Comigo, é claro. Logo vamos nos casar mesmo.
— Você está falando sério? — Só de pensar em trocar a companhia diária de Aletta por Joe, faz um sorriso brotar em meus lábios.
— Sim, a menos que...A menos que você tenha mudado de ideia, ou esteja repensando sobre nós...Você sabe, por causa do que você viu. — Ele abaixa a cabeça tristemente.
— Claro que não, eu te amo, nunca vou mudar de ideia. Se você estiver mesmo falando sério, eu aceito morar com você.
— Ah meu amor, isso vai ser perfeito. — Ele me dá um sorriso fraco, mas sincero, e me abraça.
— Eles tentam e tentam, mas nunca vão conseguir nos separar. Sua mãe tinha razão, nosso amor é o maior dos amores, Joe. Nada pode destruí-lo. — Sussurro com minha boca a apenas um suspiro de distância da sua.
— Deus, eu te amo tanto, você não faz ideia.
— Faço sim, porque eu te amo igual.
— Ah Demi...
— Me beije, Joe. — Ordeno e ele não demora em obedecer, junta seus lábios aos meus e por esse breve momento, enquanto nossas línguas se acariciam, esqueço de todos os problemas.  Imagino que ele e eu estamos na cabana nas montanhas, em Vermont. Que estamos à beira no lago, nos beijando, nos amando. Com apenas o céu e a natureza como testemunhas do nosso amor, que irá durar para sempre.


12.6.16

Paixão Inesperada - Capitulo 29 - Retaliação


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Demi
Nunca vi Joe tão animado como agora. Estamos arrumando as malas para – infelizmente – deixarmos Montpelier e retornarmos a Dallas, e enquanto ele coloca suas coisas dentro da grande e retangular mala, não para de falar excitadamente sobre contar as novidades para nossas famílias, sobre marcar logo uma data para o casamento, sobre ir comigo na minha próxima consulta, etc. Ele parece estar a um passo de sair saltitando como uma gazela pelo quarto...Tudo bem, essa imagem me faz soltar uma gargalhada, meu Deus, não sou nada romântica.
— Você está rindo de mim, futura Sra. Jonas? — Ele para o que estava fazendo e me olha com a sobrancelha levantada.
— Oh não, eu não ousaria. Só estou feliz que você esteja tão animado.
Quando nos afastamos do lago e decidimos voltar para a cabana, Joe me carregou nas costas o caminho todo, ele falava mais euforicamente sobre nossos planos para o futuro do que agora. Eu estava radiante com a sincera e evidente felicidade em seu rosto e no seu modo de falar. Passei tanto tempo sentindo medo da sua reação, cheguei até a conjecturar hipóteses absurdas, mas que para mim, naquela hora, pareciam razoáveis. E quando eu finalmente contei o que vinha me angustiando, sua reação não poderia ter sido melhor. O peso que foi tirado de cima de mim era esmagador.
Voltamos para a cabana e Joe imediatamente nos levou para cima, deitou-me na cama e fez amor comigo. É difícil acreditar quando ele diz nunca ter feito isso antes – amor eu quero dizer – pois ele consegue misturar perfeitamente o fazer amor com fazer sexo. Foi suave e ao mesmo tempo rude, foi selvagem e ao mesmo tempo passional.
Passamos algumas horas nos braços um do outro, ele me fazendo contar sobre quando eu descobri que estava grávida, quem estava comigo, como eu me senti, tudo. Me abri com ele e conversamos sobre as minhas inseguranças. É claro que essa conversa só serviu para eu me sentir mais ridícula ainda sobre em algum momento ter pensado que Joe fugiria ou se casaria forçado comigo. Felizmente ele não se magoou por eu ter pensado dessa forma, ou pelo menos não demostrou estar magoado.
Quando eu cheguei aqui, somente há dois dias, eu estava com medo, insegura e me sentindo triste. Agora estamos fazendo as malas e planos para o futuro, sem conseguir manter as mãos longe um do outro por mais de cinco minutos. Parece que eu fui transportada direto de um pesadelo para o melhor dos sonhos.
— Então, o que você acha? Como vamos chegar a Dallas amanhã bem de manhã, podíamos contar as novidades para eles na hora do almoço, ou talvez no jantar. 
— Acho que um jantar seria ótimo, mas...Não acha que estamos esquecendo de algo? — Pergunto hesitante, o assunto é delicado.
— O que?
— O vídeo de Eva. — Seu sorriso some na hora e eu me sinto mal por estar estragando sua alegria. Mas é um assunto que precisa ser discutido.
— Eu até tinha me esquecido disso. — Ele responde abaixando a cabeça.
— Será que eles já viram? — Pergunto com traços de medo na voz.
— Não sei. Estamos isolados aqui, não sabemos o que esta acontecendo na fazenda. Talvez ela já tenha mostrado, talvez não. Ela é maluca e eu não sei como ela pretende agir.
Dobro minha blusa e guardo com as outras, me sinto culpada pelo clima pesado que se instaurou no quarto.
— Você acha que isso pode fazer os seus pais reagirem mal a noticia do nosso casamento?
— Talvez. — Respondo sinceramente.
— Eu consegui conquistar a confiança deles, eles me deram uma chance, e agora aquela vadia vai estragar tudo. — Ele diz irritado.
— Eu vou conversar com papai e mamãe, eles vão entender que o Joe da filmagem não é o mesmo que vai se casar comigo. Vai ficar tudo bem, meu amor. — Digo indo abraça-lo.
— Promete? — Ele pergunta envolvendo seus braços em mim.
— Prometo. Nós prometemos não deixar nada nos atrapalhar, lembra? Não vai ser isso que vai nos fazer descumprir a promessa. E tenho certeza que depois que eles ouvirem a palavra ‘avós’ vão esquecer qualquer outra coisa.
Sinto um sorriso se formando em seus lábios, a alegria de volta em sua voz quando ele diz:
— Minha mãe vai ficar louca, ela sempre quis tanto um netinho. — Sorrio ao imaginar a cara de Denise quando contarmos, imagino a cara de todos.
Com exceção de Nick, imagino que todos vão ficar felizes por nós. Pensar em Nick me entristece um pouco, mas o nosso afastamento não é culpa de ninguém além dele mesmo. Só espero que com a noticia do casamento, ele perceba o quão injusto tem sido com Joe e peça perdão.
Terminamos de fazer as malas e as colocamos no chão. Uma de Joe e uma minha. Vamos tomar banho e fazemos amor novamente, embaixo da água quente do chuveiro.
Procuramos deixar à cabana tão em ordem como a encontramos, apesar de certamente ter alguém que vá vir limpa-la assim que sairmos.
Enquanto Joe leva as malas para o carro, encaro meu celular. Estou com medo de liga-lo. Será que Eva me mandou o vídeo como mensagem? Será que se eu ligar o aparelho vou receber inúmeras mensagens de Miley dizendo que nossos pais estão loucos atrás de Joe e mim porque ele viram o tal vídeo?
Decido que o melhor é que o celular continue desligado, vou deixar para lidar com tudo pessoalmente.
Vou até a grande parede de vidro da sala admirar a bela paisagem uma última vez. Mas logo minha atenção é prendida por algo mais belo. Meu anel de noivado.
Elevo a mão na altura dos meus ombros e observo o anel. É maravilhoso, deve ter custado uma fortuna. Fico feliz e agradecida pela consideração de Joe em me comprar algo assim, mas se ele tivesse me pedido em casamento com um barbante amarrado no lugar, teria sido perfeito do mesmo modo.
Tão distraída que estou admirando a joia que simboliza nosso compromisso, que não escuto Joe se aproximando, tomo consciência da sua presença apenas quando ele envolve seus braços em minha cintura e me abraça por trás.
— Não me diga que está reconsiderando. Porque eu não vou permitir que você me escape, você é minha. — Como se para confirmar suas palavras, ele me puxa para mais perto e me abraça mais apertado.
— E eu não gostaria que fosse diferente, meu amor. Estou admirando, de forma alguma reconsiderando.
— Vou sentir falta dessa vista. — Joe diz depois de alguns minutos de silêncio. Ambos olhamos admirados para as enormes montanhas banhadas pelo escuro e denso manto da noite.
Por mim ficaríamos mais uma semana, apenas um final de semana é muito pouco para desfrutar de uma cidadezinha tão adorável como essa. Mas infelizmente temos responsabilidades, uma vida, problemas que necessitam de nossa atenção.
Falando em problemas...A imagem de Vince surge em minha mente imediatamente. Joe foi tão corajoso em me contar sobre a chantagem de Eva, deve ter sido difícil e muito vergonhoso, mas ele honrou nosso acordo de sem mais omitir nada um do outro. Eu devo honra-lo também. Tenho que lhe contar sobre o que aconteceu entre Vince e eu, não quero estragar mais ainda o seu humor, mas infelizmente falar sobre Vince e Eva é necessário.
— Amor... — Chamo-o apreensiva, não sei como ele reagirá.
— Sim, linda?
— O fato de você ter sido honesto comigo sobre o que te fez vir correndo para cá, significa muito para mim. Acho que eu te devo o mesmo, tenho que ser honesta com você.
— Tem algo acontecendo?
— Não é nada realmente, mas quero que você fique sabendo sobre o que aconteceu por mim, e quero que você entenda que não significou nada.
— Estou com a sensação que não vou gostar disso. — Ele diz se afastando e me virando para me olhar nos olhos.
— Aconteceu uma coisa... — Começo. — Foi no dia em que eu fui ao médico ver o resultado do meu exame de sangue e tive a certeza que estava grávida. Quando voltei para meu dormitório Vince estava lá me esperando. Nós conversamos brevemente, mas eu estava tão cansada, emocional e fisicamente, que acabei adormecendo no sofá. Eu achei que ele tinha ido embora, mas quando eu acordei ele estava...Bem, ele estava deitado no sofá, comigo.
A expressão brava que surgiu em seu rosto assim que mencionei o nome do meu ex namorado, agora se tornou não apenas brava, mas sim furiosa.
— Você está me dizendo que aquele filho da puta aproveitou que você estava dormindo e se deitou ao seu lado? — Ele claramente está tentando conter a voz.
— Sim.
— Então vocês dormirão juntos. Abraçados? — Posso ver o controle tentando fugir do seu poder, mas ele resiste e claramente luta contra a vontade de explodir.
— Sim. — Respondo.
Ele balança a cabeça e permanece em silêncio, encarando um ponto fixo no horizonte, além da janela atrás de mim.
— Tem mais. — Digo e ele me olha com os olhos semicerrados.
— O que?
— Ele me beijou. — Conto me lembrando de quando Vince me apertou contra seu corpo e juntou sua boca com a minha.
Vejo um fogo muito diferente daquele de quando ele está com desejo passar por seus olhos. Ele repousa as mãos na cintura e não me olha nos olhos quando pergunta:
— Você sentiu algo, por menor que seja? — Sua voz treme.
— Senti. Eu senti raiva, me afastei e o mandei embora.
— Nada de coração acelerado? Nada de frio na barriga? — Ele pergunta e eu tenho que rir.
— Eu só sinto essas coisas com você, meu amor. — Seguro seu queixo e faço-o olhar para mim. — O que eu sentia por Vince não existe mais há um bom tempo. Agora só existe você em minha mente e em meu coração. Eu te amo.
Joe me puxa para si e me abraça, encaixando a cabeça em meu pescoço e puxando uma lufada de ar profunda.
— Pensei naquela vez que você chorou em meus braços por causa dele, o quanto você disse que o amava e o queria.
— Aquilo já passou, está tão distante do que eu sinto agora, que parece que foi em outra vida.
— Tenho muito medo de te perder. — Ele admite.
— Você acha mesmo que corre esse risco? Quem tem medo de ser abandonada aqui sou eu. Eu te amo e nunca te trocaria por nenhum outro homem.
— E eu não te trocaria por nada nesse mundo, não existe nada que eu queira mais do que ficar com você e nossa princesinha. Não vou ficar parado enquanto Eva, Vince e até mesmo Nick tentam nos separar. Assim que voltarmos a Dallas, vou tomar providências contra todos que desejam nos ver longe um do outro.
— Joe, o que você pretende fazer? — Pergunto olhando-o com a testa franzida e com um pouco de medo do que ele tem em mente.
— Tudo o que for necessário. — Ele responde.
Joe
Entro no prédio com passadas largas e determinadas. Olho para meu celular pela terceira vez em um intervalo de tempo de dez minutos. Demi iria faltar aula e ir até a fazenda para conferir quais foram os estragos de Eva, ela disse que me ligaria assim que pudesse para me manter informado.
Enquanto isso, pretendo começar o meu plano de retaliação. Passo pelo saguão e olho para o lugar onde, poucos dias antes, Eva me mostrou aquele vídeo nojento e tentou me chantagear. Não tive nenhuma noticia dela até agora, ela não me ligou ou deixou mensagem, mas sei que deve estar furiosa por eu não ter cedido e ido encontra-la sexta, não sou ingênuo o suficiente para achar que as coisas vão ficar por isso mesmo. Vem chumbo grosso por aí, por isso mesmo eu pretendo dessa vez estar preparado para enfrenta-la.
Desço no meu andar e pego os recados com minha secretária, entro em minha sala e me tranco lá dentro.
Observo o porta retrato com uma foto de Demi que enfeita minha mesa. Pai, eu vou ser pai. Essa mulher maravilhosa me deu dois presentes inestimáveis. Uma filha – não importa o que ela diga, eu sei que é menina – e uma resposta afirmativa ao meu pedido. Eu vou me casar com a mulher que eu mais amo e nos vamos ser pais.
Não consigo nem começar a descrever o tamanho da alegria que estou sentindo desde do momento em que ela me deu essas duas coisas.
É pensando nela e na minha filha, que pego o telefone e chamo Will até minha sala.
Poucos minutos depois escuto uma batida em minha porta e a cabeça sorridente de Will aparece.
— Hey, Joe. Que bom que já está de volta, achei que não viria trabalhar hoje. — Ele diz se aproximando de minha mesa.
— Nem sei se estou com cabeça para trabalhar hoje, mas precisava falar com você urgente.
— Aconteceu algo? — Ele se senta na cadeira a minha frente.
— Sim. Primeiro de tudo, eu vou me casar. — Digo e uma risada me escapa quando vejo a cara engraçada que Will faz.
— Como assim? Ah meu Deus, é sério isso?
— Muito sério. Pedi Demi em casamento esse final de semana e ela aceitou.
— Cara, uau...Parabéns. É uma pena que você não fará mais parte do nosso grupo de solteiros, mas também, não acho que você vá sair perdendo, com uma mulher igual a que você tem, o que mais você poderia querer, não é? — Ele pisca e me lança um sorriso travesso.
— Exatamente, eu já tenho tudo o que eu possa querer. E tem mais...Ela está grávida, eu vou ser pai, cara. — Meu sorriso se alarga e Will parece mais surpreso ainda.
— O que? Cara...Nossa, deixa eu te dar os parabéns direito. — Ele se levanta e eu faço o mesmo, ele me dá um abraço e uns tapas nas costas.
— Estou muito feliz por você, cara. Sei que essa mulher te mudou, todo mundo aqui viu como você ficou mais feliz e menos ranzinza. — Reviro os olhos e volto a me sentar em minha cadeira.
— Obrigado...Eu acho.
— Era esse o assunto urgente?
— Não. O que eu tenho para falar com você é algo extremamente desagradável e que requer muita discrição.
— Pode falar. — Sua expressão fica séria depois de ouvir a urgência em minha voz.
— É uma situação delicada, mas eu sei que posso contar com você. — Ele balança a cabeça concordando. — Uma mulher com quem eu me envolvi alguns anos atrás ressurgiu em minha vida para atormentar o meu relacionamento, ela está me chantageando e eu gostaria de fazer algo a respeito.
— Claro, no que eu puder ajudar...Só preciso que você me coloque a par da situação. Quem é ela?
— Aí é que entra a parte mais complicada. Ela é a esposa do Carlson Thompson. — Assim que digo essas palavras e Will as assimila, seus olhos quase saltam para fora e seu queixo cai.
— Você se envolveu com a esposa gostosona do poderoso dono das companhias Thompson?
— Muito tempo atrás, Will. Antes dela ser casada com ele.
— Puta merda, cara. Conta mais, isso vai ficar cada vez mais interessante, não é? — Ele se empertiga na cadeira e parece mais animado do que uma criança prestes a ouvir uma história que adora.
— Ela é maluca cara, pirada. Me perseguiu durante meses anos atrás e agora que nos reencontramos ela voltou a fazer isso. Ela possui um vídeo, não adianta me peguntar que eu não vou dar detalhes, e ameaçou envia-lo para Demi e a família dela se eu não dormisse com ela. O prazo acabou e eu não cedi a sua ameaça, não sei se ela pretende mostrar só para eles ou se para o mundo todo.
— Colocar na internet? Isso não é nada bom.
— Eu sei. Por isso preciso da sua ajuda, quero neutralizar essa ameaça e garantir que Eva nunca mais ameasse eu ou Demi. Hoje em dia existe leis contra esse tipo de coisa, não é? Você é o advogado aqui, me dê alguma luz.
— Minha área não é a criminalística, mas posso te indicar vários colegas excelentes.
— Ótimo, por favor, faça isso. Mas tem outra coisa que eu gostaria de te pedir.
— Só falar.
— Eu preciso que você monte um dossiê sobre Eva para mim. Eu quero saber todos os podres dela, desde a época em que estávamos juntos até hoje, preferencialmente as coisas ilegais que ela fez.
— Tudo bem. Mas o que você pretende com isso?
— Ela causou dor a pessoa mais importante da minha vida, e por causa disso, eu pretendo acabar com ela.
Demi
— Alguém em casa? — Chamo assim que abro a porta. O fato de eu não ter recebido nenhuma mensagem durante o final de semana não significa nada, mas confesso que me deu uma certa esperança que Eva não tenha agido ainda e dê tempo de Joe e eu tentarmos contornar a situação.
— Filha. — Mamãe aparece com um sorriso no rosto e os braços abertos.
— Como foi seu final de semana?
— Foi ótimo. E por aqui, alguma novidade? — Pergunto apreensiva.
— Não, nada de interessante. Tudo tranquilo como sempre.
— Mesmo?
— Sim. Porque, deveria ter acontecido algo?
— Não, não. Só querendo saber, mas me diga... — Tento mudar de assunto e não deixar transparecer o tamanho do alívio que eu sinto ao constatar que pelo menos por enquanto, eles ainda não sabem da existência da filmagem. — Como está Selena?
— Ah, ela está ótima. Ela e o seu irmão estão muito otimistas depois que falaram com a médica.
— Que bom, torço muito por eles.
— Demi, quando você e Nick vão voltar a se falar? — Mamãe pergunta com uma expressão triste, sei que essa briga entre meu irmão e eu não afeta apenas nós dois.
— Isso só depende dele. Quando Nick parar de ser um idiota e pedir desculpas a mim e Joe, aí talvez eu volte a falar com ele.
— Ah filha. — Mamãe acaricia meu rosto e me dói ver a tristeza em seus olhos. Só me faz ter mais raiva de Nick.
— Queria conversar com a senhora sobre uma coisa importante.
— Pois fale.
— Gostaria de organizar um jantar com toda a nossa família e os Jonas. Joe e eu temos algo para contar para todos. — Um sorriso começa a se formar nos lábios de mamãe.
— Ah meu Deus, vocês vão...
— Nada disso, sem mais informações por enquanto. Vai ter que esperar até a hora do jantar. Será que você pode, por favor, preparar algo especial e avisar a todos que ele e eu queremos comunicar algo a todos.
— Eu já posso imaginar o que seja, oh Deus. Por favor, me diga agora, filha. Ele pediu você em casa...
— Psiu, mãe. Não estrague a surpresa, você vai saber junto com os outros. — Digo dando-lhe um sorriso travesso. Sabia que assim que eu falasse algo, minha mãe iria desconfiar sobre casamento, por isso vai ser muito mais divertido quando contarmos sobre o bebê. Ela nunca vai suspeitar.
— Oh céus, vou começar a preparar as coisas. Preciso ver se tenho tudo, se não você terá que ir até Wills Point e comprar algumas coisas para mim...Ah, e tenho que ligar para Denise. — Mamãe diz se encaminhando para a cozinha. Só ela para querer começar a preparar o jantar às 9 horas da manhã.
Sorrio com o seu evidente entusiasmo e me sinto um pouco diabólica por armar para que ela se concentre na possibilidade de Joe ter me pedido em casamento, e não que eu possa estar grávida.
Será uma grande surpresa para todos. Bem, menos para Miley.
Vou atrás dela na cozinha e uma pilha de cartas em cima do balcão do corredor chama minha atenção.  
— Mãe, essas cartas são as correspondências que chegaram hoje? — Grito para ela observando o envelope pardo junto com os outros envelopes brancos.
— É sim. Porque, está esperando algo? — Ignoro sua pergunta e pego o envelope que me chamou a atenção e me trouxe uma sensação ruim.
Não a nada escrito, além de “Família Lovato” em uma letra cursiva elegante e feminina. Sinto um arrepio na espinha.
O envelope ainda está lacrado, então abro-o e retiro seu conteúdo. Um DVD e um papel dobrado que diz o seguinte:
Tenho certeza que esse não é o homem que vocês querem para a sua adorável Demi. Assistam esse DVD e vejam quem Joe Jonas realmente é.           E.M.T.
Eles não sabem de nada não porque ela não enviou a filmagem, mas apenas porque eles ainda não abriram o envelope. Meu Deus, ainda bem que eu vi isso antes de papai e mamãe.
Rapidamente guardo tudo dentro da bolsa e tento me recompor para ir falar com mamãe sem que ela perceba que algo aconteceu.
Mas antes, envio uma rápida mensagem para Joe.
Demi: Eles não viram. Interceptei o dvd antes deles, está seguro. Por enquanto está tudo normal, mas tenho a sensação que ela não deixará por isso mesmo. Precisamos fazer algo. Sua D.
Quase que imediatamente recebo uma resposta.
Joe: Já estou fazendo algo a respeito. Falou para eles sobre o jantar?
Demi: Oq vc quer dizer com isso? Sim, mamãe desconfiou na hora que estamos noivos, mesmo eu não estando com o anel. Mas a outra noticia, ela nunca desconfiará, vamos pegar todos de surpresa ;)
Joe: Apenas confie em mim, quando chegar a hora eu te conto tudo, ok? Como assim não está com o anel??? Não quero vê-la sem ele nunca!!
Demi: Eu confio. Usar um anel de noivado seria óbvio demais, não acha?? Queremos fazer uma SURPRESA, lembra? Depois disso prometo não tira-lo mais.
Joe: Bom ponto, entendi. Vc pode trazer o dvd para mim?? Vou precisar dele para oq estou planejando.
Demi: Tudo bem. Chego aí daqui duas horas, pode ser?
Joe: Perfeito...Lembre da sua promessa, não assista, mesmo que você queira muito.
Demi: Não vou, pode confiar. Nos vemos logo, te amoo!!!
Joe: Eu amo mais. Você e nossa princesa!!
Demi: Ou príncipe...
Joe: Não, é princesa mesmo!! Te amo, bjos!!
Rio ao ler sua mensagem. Joe tem uma certeza irritante que nosso bebê é uma menina, não tem como ele saber e mesmo assim ele age como se estivesse certo. Só quero ver sua cara quando o médico nos falar que é um menino. Sim, eu aposto que é um menino.
Vou até a cozinha para me despedir de mamãe, se eu ficar muito tempo por aqui, ela vai conseguir me irritar o suficiente para que eu lhe confirme que o motivo do jantar é o meu noivado com Joe.
Além do mais, preciso entregar esse DVD para Joe. Só Deus sabe o que ele está planejando, mas eu confio nele e sei que na hora certa ele vai me contar.
Joe e eu chegamos juntos para o jantar, não sei por que, mas estou muito nervosa.
— Relaxe, meu amor. — Joe diz quando percebe minha tensão.
— Eu estou relaxada. — Minto, mas é mais para que eu mesma acredite do que ele.
— Ah é mesmo? Então porque você está esmagando minha mão? — Ele diz com um sorriso divertido no rosto. Olho para baixo, para nossas mãos entrelaçadas. Não havia percebido que apertava sua mão com tanta força, afrouxo o aperto e lhe dou um sorriso de desculpas.
— Está tudo bem, tudo vai ficar bem. Eles vão ficar felizes por nós. — Ele diz com tanta confiança que me tranquiliza. Ele tem razão, provavelmente é besteira que eu esteja tão nervosa. Eu tenho essa tendência a pensar o pior das reações das pessoas.
— Você tem razão, vamos.
Entramos na casa dos meus pais e assim que fazemos isso, um cheiro maravilhoso vindo da cozinha nos recebe.
— Chegamos. — Joe anuncia. Andamos em direção as vozes que escutamos, vindas da sala de estar. Quando chegamos a porta, mamãe já estava fazendo seu caminho para nos receber.
— Que bom que vocês chegaram, meus amores. — Mamãe me abraça e depois Joe.
Olho para a sala e vejo todos ali; Denise, Paul, Kevin, Dani, Miley, Miguel e papai.
Os únicos que faltam são Holly, Selena e Nick. Holly provavelmente não pode vir, já que ela mora em Austin e esse jantar foi organizado em cima da hora, mas quanto ao meu irmão?
Depois de dar um abraço e um beijo em todos, pergunto para ninguém especial:
— Onde está Nick e Selena?
— Eles não chegaram ainda. — Mamãe diz tentando fingir um sorriso.
Nos sentamos na sala com todos para conversarmos até que o jantar esteja pronto. Ninguém toca no assunto, mas a ansiedade é perceptível no ar. Apesar de desconfiarem, eles estão esperando a nossa confirmação, é até engraçado ver suas expressões inquietas e o evidente esforço para não perguntarem nada. Eles sabem que quando chegar a hora, nós falaremos. De todos os presentes, quem parece mais prestes a explodir e nos chacoalhar procurando por respostas é Denise, a mãe de Joe.
Ela sim, eu tenho certeza que ficará feliz com ambas as noticias.
Quando mamãe anuncia que o jantar está pronto, todos nos dirigimos para a mesa posta.
— Não podemos começar sem Nick. — Digo apreensiva por ele não ter chegado ainda.
— Vou ligar para ele e perguntar o porquê da demora. — Mamãe diz e some pela porta.
Todos nos sentamos no lugar. Olho para minha mão nua, meu anel está escondido seguramente em minha bolsa, depois de contar-lhes as novidades, vou coloca-lo e deixar que admirem. Miley com certeza ficará louca.
Mamãe retorna com um misto de tristeza e vergonha no rosto.
— Hum...Ele e Selena não veem. — Assim que ela diz essas palavras um silêncio pesado e constrangedor se instala no ambiente.
— Eu falei para aquele garoto que isso era importante. Que Demi e Joe tinham algo importante para nos contar. — Papai diz evidentemente irritado com Nick.
— Foi por isso mesmo que ele não veio. — Joe diz sem emoção.
O clima pesado continua até que mamãe se esforça para mudar a situação. Ela serve a comida na mesa junto com uma garrafa de vinho.
Comemos, conversamos e rimos durante pelo menos uma hora, depois disso mamãe serve a sobremesa. Que são as suas famosas tortas, é claro.
Estou levando mais uma garfada a boca, quando de repente mamãe explode e bate da mesa.
— Tudo bem, vocês já nos torturam o suficiente. Confirmem logo o que todos aqui já suspeitam. — Ela diz impaciente. Todos se calam e olham para mim e para Joe com expectativa.
Sorrio para meu noivo e ele sorri para mim, segura minha mão por debaixo da mesa e entrelaçamos nossos dedos.
— Demi e eu quisemos reunir todos os que nós amamos nesse jantar para contar que...Sim, estamos noivos. — Assim que Joe diz essas palavras, Denise, Miley, Dani e mamãe soltam um grito em uníssono que me obriga a largar a mão de Joe e tampar meus ouvidos.
Os homens a mesa são mais contidos, mas todos se levantam com sorrisos nos rostos e vem nos cumprimentar. Denise sai apressadamente na frente de todos e me dá um abraço que quase leva nos duas ao chão.
Logo mamãe se junta a ela e as duas me abraçam e falam ao mesmo tempo coisas que eu não compreendo muito bem.
— Calma, calma...Vocês estão me sufocando. — Digo rindo.
— Temos outra novidade. — A voz de Joe soa mais alta do que os gritinhos e falatório da minha mãe e sogra.
Elas se afastam e nos olham extáticas. Os homens também com aquele olhar e sorriso bobo nos lábios.
Joe se aproxima de mim e me envolve com um braço e repousa sua mão em meu estômago.
— Vocês vão ser vovós. — Ele e eu falamos ao mesmo tempo, como tínhamos combinado.
O queixo de todos caem, Denise coloca a mão no coração e ela e mamãe começam a chorar. Paul e papai se olham com emoção e se abraçam.
Kevin vem e dá um abraço de urso no irmão. Uma confusão se segue, todos querem nos abraçar e dar os parabéns ao mesmo tempo.
Papai me abraça e começa a chorar, me fazendo chorar também.
Todos estão em êxtase e junto com a emoção e choradeira vem as perguntas; Como foi o pedido, quando descobrimos sobre o bebê, qual a data do casamento, cadê o anel de noivado e assim por diante.
Pego meu anel e coloco no dedo, mostrando para todos. Passamos as horas seguintes num estado de extrema excitação e alegria pura.
— Viu, eu disse que não tinha com que se preocupar. Todos estão muito felizes por nós.
— Eu sei, fiquei tão feliz que tivemos o apoio de todos. — Digo para Joe enquanto ele nos leva de volta para Dallas. — Só queria que Nick tivesse vindo. — Complemento com tristeza.
— Seu irmão é o maior cabeça dura que eu já vi na vida. — Joe diz soltando um suspiro. Eu sei que ele sente falta do melhor amigo.
— Talvez depois que ele saiba sobre o casamento e o bebê, ele finalmente veja que você mudou e que nós nos amamos.
— Sobre isso...Eu gostaria de contar para Nick, sozinho. — Ele diz e eu o olho confusa.
— Como assim? Não acha que isso é algo que devemos fazer juntos?
— Eu sei, por isso se você não concordar eu não vou fazer nada, mas é que...Eu não me esqueci do que ele fez. De quão idiota ele foi ao lhe contar sobre minha antiga vida e chamar aquilo filho da mãe do seu ex para o nosso almoço em família. Estou com isso entalado na minha garganta até agora. Quero de uma vez por todas ter uma conversa muito séria com seu irmão, vou deixar claro que nada que ele possa fazer vai nos separar.
— Não sei se eu gosto muito dessa ideia, amor. Você lembra o que ele fez com você, Joe, você foi parar no hospital. Tenho medo que...
— Não tenha. — Ele me corta e segura minha mão. — Confie em mim, meu amor.
— Você sabe que eu confio. Se é isso que você quer, tudo bem, vá em frente. Mas tome cuidado, não deixe Nick lhe bater, se não eu juro que eu vou acabar com ele.
Joe
Estaciono minha caminhonete em frente à casa onde meu ex melhor amigo mora. Ontem foi o cumulo da idiotice ele não aparecer no jantar. Eu vi o olhar de tristeza nos olhinhos de Demi, e aquilo acabou comigo. Saber que ela ama tanto o irmão, mas mesmo assim se afastou dele por minha causa, faz meu coração pesar com culpa.
Eu voltei da viagem a Vermont decidido a neutralizar todas as possíveis ameaças ao meu relacionamento com Demi. Já comecei a fazer isso com relação a Eva, espero que até o final dessa semana o dossiê esteja pronto, também vou marcar uma reunião com o advogado especializado em crimes dessa espécie.
Subo na varanda e bato a porta. Uma Selena surpresa me recebe, aposto que de todas as pessoas do mundo, eu seria a última que ela esperaria ver batendo a sua porta, devido as circunstâncias.
— Joe, aconteceu algo? O que você está fazendo aqui? Se Nick te ver ele...
— Eu vim para falar com ele. Onde aquele idiota está?
— Ele foi procurar uma ovelha que escapou, logo deve estar de volta. Quer entrar?
— Obrigado. — Entro e a sigo até a sala. — Como você tem estado, Selena?
— Muito bem obrigada. — Ela remexe as mãos nervosamente. — Desculpe, não quero ser rude, mas...Não acho que você estar aqui seja uma boa ideia.
— Eu entendo sua preocupação, mas vou lhe dizer o mesmo que disse para Demi. Não precisa se preocupar, eu vim em paz, apenas para conversar.
— O problema é que pode ser que Nick não veja dessa forma, ele pode encarar sua vinda até aqui como uma provocação.
— Eu só vim para lhe contar algo que ele deveria ter ouvido no jantar de ontem, se vocês tivesse ido. — Lanço-lhe um olhar acusatório, mesmo sabendo que ela não tem culpa. Selena desvia o olhar para o chão e parece envergonhada. Aposto que ela queria ir, mas Nick deve ter impedido-a.
— Sinto muito. Você pode me dizer agora se desejar. — Ela me dá um sorriso simpático.
— Demi e eu vamos nos casar. — Digo com um sorriso largo no rosto.
— Oh meu Deus, Joe. — Ela leva as mãos até a boca. — Isso é maravilhoso, parabéns. — Selena se levanta e vem me abraçar.
— Obrigado. E tem mais uma coisa também.
— E o que é?
— Demi está grávida, eu vou ser pai. — Não profiro as palavras tão animadamente quanto gostaria, pois sei da situação delicada de Selena após a cirurgia.
— Oh...Isso é...Isso é fantástico. — Ela diz com um sorriso vacilante e que não chega aos olhos. — Isso é fantástico mesmo. — Ela diz e me abraça. — Parabéns. — Sua voz sai chorosa.
Me sinto horrível quando vejo seus olhos cheios d’água. Pobre Selena, ela não merece passar pelo que está passando. Talvez eu não devesse ter lhe contado.
— Sinto muito, Selena. Eu sei que...
— Oh não, eu é que sinto muito. Estou feliz por vocês, de verdade, é só que...É difícil. — Ela diz limpando as lágrimas do rosto.
— Sinto muito mesmo. Espero que tudo de certo para vocês.
— Obrigada, Joe.
— Amor, você não vai acredita onde... — A voz de Nick se aproxima e ele se cala, assim que me vê parado perto de sua esposa. Sua expressão muda imediatamente para uma carranca.
— O que diabos você está fazendo aqui? — Ele olha para Selena e vê seus olhos vermelhos pelo choro. — O que você fez para minha mulher, seu filho da mãe?
— Joe não fez nada, amor. — Selena se apressa em esclarecer. — Ele veio te contar algo muito importante, acho melhor você ouvi-lo.
— Nem fodendo. — Ele grunhe.
— Nick, por favor, escute o que Joe tem a dizer. Vou deixa-los a sós. Com licença. — Quando ela passa por Nick, ele lhe dá um beijo rápido e carinhoso nos lábios, e então Selena some deixando apenas nós dois.
— Não tem absolutamente nada que você possa dizer que me interesse. A não ser que você tenha resolvido criar vergonha na cara e acabar com essa palhaçada que você chama de relacionamento. — Ele diz ríspido.
— Não, na verdade o que eu tenho para te dizer é justamente o contrário.
— Como assim? — Ele franze a testa e cruza os braços. Vejo os músculos dos seus braços se apertarem na camisa e me lembro da dor de sentir toda a força deles investida contra meu rosto.
— Nick...Sua irmã e eu vamos nos casar.
Seus braços caem ao lado do corpo, seus olhos se arregalam e primeiro uma expressão de surpresa, depois de horror, se instala em suas feições.
— Você está mentindo, não pode ser. — Ele diz incrédulo.
— E tem mais...Ela está grávida de um filho meu. — Assim que digo essas palavras, Nick faz um barulho semelhante como se tivesse acabado de levar um soco no estômago. Ele dá alguns passos desnorteados para trás até bater na parede, onde se apoia, visivelmente abalado pela noticia.
— Não pode ser verdade... — Ele diz balançando a cabeça. — Não acredito.
— Nós anunciamos para todos ontem, no jantar.
— E como ele reagiram?
— Muito bem, todos ficaram muito felizes.
— Bando de cegos. Será que só eu vejo que isso é um desastre? — Ele faz uma pergunta retórica, mas não posso deixar de responde-la.
— Isso não tem nada de desastre. Sua irmã e eu nos amamos e...
— Cala a boca. Chega, não aguento mais ouvir essas palavras saindo dessa sua boca suja. — Ele me olha com nojo.
— É a verdade.
— Você é o pior ser humano que eu conheço. Não posso acreditar que você engravidou minha irmã. Você vai casar com ela só por causa da criança, não é? Vai condena-la a uma vida infeliz.
— Claro que não. Eu a pedi em casamento antes de saber sobre o bebê. Você acreditando ou não, gostando ou não, eu amo a sua irmã com todas as minhas forças. — Digo, mas é como se não tivesse, Nick parece não me escutar.
— Você é mais baixo do que eu jamais poderia imaginar. Você é doente, sabia?
— E você é teimoso, cego, idiota e a lista continua. — Digo cruzando os braços.
— Você veio até a minha casa para me insultar, quem você pensa que é?
— Não, eu vim até a sua casa para lhe contar que você será tio e que em breve, muito em breve, Demi e eu vamos nos casar, e se você quiser receber um convite, é melhor você pedir perdão a ela e mudar sua atitude.
— Sua cara de pau me assusta ao mesmo tempo que me enoja. Eu nunca vou mudar de opinião sobre você, eu nunca vou apoiar a maior besteira que minha irmã poderia fazer na vida.
— Porque você é tão cego? De onde está vindo toda essa estupidez, essa raiva cega e essa teimosia? Você não enxerga que estou sendo sincero? — Digo indignado com como ele pode ser burro.
— A única coisa que eu enxergo, é que você é um bom mentiroso.
— E pensar que Demi achou que a noticia do nosso casamento fosse fazer você mudar de ideia. — Digo balançando a cabeça tristemente. Coitada do meu amor, vai sofrer quando souber que seu irmão talvez não tenha mais concerto.
— Só espero que ela veja quem você realmente é antes do casamento. Mas infelizmente o mal já está feito, e está crescendo na barriga dela.
Em um mero segundo minha visão escurece e sinto meu sangue ferver. Atravesso a sala com dois passos longos e agarro Nick pela camisa.
— Nunca, ouça bem, nunca mais ouse falar assim da minha filha, ou eu vou acabar com você. — Digo com os dentes cerrados, meu nariz a poucos centímetros de encostar no seu.
— Vá embora daqui agora. — Ela retira minha mão com violência e arruma a camisa.
— Eu vou, não tem mais nada que eu queira fazer aqui. Agora eu vejo que nossa amizade acabou e não tem mais salvação, tentei ser condescendente com você, mas chega. Agora quem não quer mais saber de você sou eu. Sua teimosia e ignorância estão machucando a pessoa que eu mais amo no mundo, e eu não vou te perdoar por isso.
— Bom, porque eu nunca vou te perdoar pelo que você está fazendo com a minha família.
— Eu não quero ver você perto de Demi novamente.
— Você não pode me impedir de ver minha irmã se eu quiser. — Ele diz petulantemente.
— Posso sim, mas não será preciso, pois basta eu dizer sobre como você falou da nossa filha, para que ela nunca mais queira te ver.
— Filho da puta, é isso que você quer? Fazer minha própria irmã me odiar?
— Você já está fazendo isso muito bem sozinho. — Minhas palavras parecem pegar em algum ponto fraco dele, fazendo-o engolir suas próximas palavras. — Só vou lhe dizer uma última coisa, Nick. Nunca mais tente fazer ou dizer algo para nos separar, ou eu juro por Deus que eu vou esquecer tudo o que passamos juntos, e vou acabar com você com minhas próprias mãos. Você não tem ideia do tamanho do amor que eu sinto por Demi, e eu vou fazer o que for necessário para que ninguém nos separe. Adeus.
Afasto-me e vou embora.
— Você está morto para mim. Você e ela, os dois. — Sua voz fria faz com que eu congele no lugar.
Não posso acreditar que ele disse isso. Meu Deus, como ele tem coragem? A raiva se reascende dentro de mim ao ouvir suas palavras. Como poderei dizer isso para, Demi? Ela ficará de uma maneira que eu não serei capaz de suportar vê-la. Ela sofrerá além do suportável, não posso contar sobre as palavras cruéis do irmão.
Fecho os olhos e me permito por um breve segundo, sentir a dor que suas palavras me causam. “Você está morto para mim...”. Essas palavras calam profundamente dentro do meu coração, mas não há tempo para permitir que elas me dilacerem. O que está perdido está perdido. Tenho que me concentrar na minha futura esposa e na família que vamos formar. Tenho que protege-las a qualquer custo, não tenho tempo para usufruir da dor de uma amizade perdida.
Caminho para fora da casa, querendo fugir do ar pesado. Sinto o vento e o ar fresco em meu rosto, que me fazem sentir melhor.
As providências contra Eva já estão sendo tomadas. Nick já foi. Agora falta Vince.
Não foi tão difícil assim descobrir onde Vince estaria antes do almoço. A Universidade deveria proteger melhor os dados dos seus alunos.
Estaciono há alguns metros do prédio onde ele deve estar terminando sua última aula de hoje e espero.
O prédio de Demi fica longe o suficiente daqui para que eu não me preocupe dela aparecer, mas caso eu seja pego, tenho a desculpa que vim encontra-la, pois combinamos de almoçar juntos hoje, para conversar sobre como Nick reagiu a noticia do casamento. Ainda não sei como serei capaz de  mentir para ela, na verdade não sei se deveria, eu prometi nunca mais esconder nada dela, mas será que vale a pena cumprir essa promessa se isso for quebrar seu coração? Como posso dizer que Nick disse que para ele, ela está morta? Que nós dois estamos. Isso foi pesado e cruel demais. Cada vez tenho mais certeza que, assim como eu mudei, Nick também mudou. Infelizmente para pior. Não quero nem pensar que essa mudança possa ser culpa minha, talvez se eu tivesse sido honesto desde o começo...
Minhas duvidas e autocondenação são interrompidos pela visão de uma cabeça ruiva e uma jaqueta do time de futebol americano da Universidade. É ele. Vince sai do prédio com mais dois caras, eles estão conversando e rindo.
A visão dele me causa nojo e acima de tudo, raiva. Ele a abraçou, a beijou. Saio do carro e bato a porta com mais força que a necessária. Aproximo-me dele com passos determinados, os punhos cerrados ao lado do corpo.
— Vince. — Chamo. Minha voz sai grossa e ameaçadora. Bom.
Ele e seus amigos se viram para mim, vejo um sorriso impertinente surgir em seus lábios.
— O que você quer? — Ele cruza os braços e seus amigos me olham desconfiados, com certeza já sentiram a tensão no ar.
— Conversar sobre Demi. — Digo simplesmente. Ele olha para seus amigos e faz um movimento de cabeça, eles se entreolham e então vão.
— Aqui não. — Ele diz e caminha até a lateral do prédio. Pela sua postura posso dizer que ele já deve ter percebido o que eu quis dizer com ‘conversar’. Pelo menos o filho da mãe não é burro. — Pelo visto ela contou sobre o beijo. — Vince para de andar e se vira para mim, deixando sua mochila cair no chão. — Estava ansioso por esse momento. — Ele diz com um sorriso convencido no rosto.
— Eu também. — Digo e parto para cima dele.
Toda a minha raiva, toda a minha frustração, me dominam de uma só vez. Disfiro um soco em sua direção com toda a minha força e o mais rápido que consigo.
Vince parece não esperar essa agilidade de minha parte e nada pode fazer para impedir que meu punho acerte seu queixo. Ele cambaleia para trás e eu deixo que se recomponha. Esse soco deve diminuir uma boa parte da sua arrogância.
Ele me olha surpreso e com a mão no queixo. A petulância deixa seu rosto e dá lugar ao ódio. Ele solta um grunhido e vem para cima de mim, com velocidade e vontade, como se eu fosse um dos seus adversários em um jogo de futebol.
Seus braços prendem minha cintura e ele me derruba no chão, disferindo logo que imediatamente um soco em meu rosto.
Mas ele não tem a menor chance. A raiva que eu sinto por saber que ele beijou a minha mulher me impulsiona e sinto que sou capaz de brigar com o seu time inteiro e sair vitorioso. Ele beijou os lábios errados, abraçou o corpo que me pertence. E eu sou um louco ciumento da porra.
Rapidamente e sem muito esforço, inverto a situação, bato suas costas com força no chão e fico em cima dele, acertando diversos socos em seu rosto. Com um golpe que ele deve ter aprendido em alguma aula de luta profissional, ele me joga para o lado e se levanta rapidamente.
Esperto. Sabe que se continuar no chão suas chances são quase nulas.
Ele levanta os punhos na altura no queixo e eu me jogo contra ele, nossos corpos se chocando com violência. Meu punho acertando seu rosto e o seu passando longe de mim, desvio com habilidade todas as suas investidas, e acerto todas as minhas em seu rosto ou estômago.
Ele já aparenta cansaço, e me aproveito disso para recuperar o fôlego também.
— Fique longe dela. — Ameaço.
— Será necessário mais do que isso para me afastar dela.
— Estou avisando, isso pode parar aqui. Nunca mais chegue perto de Demi e eu vou embora agora.
— O que, não aguenta mais? — Ele me provoca. Parto para cima dele de novo. Dou-lhe uma rasteira ao mesmo tempo que agarro seu braço e o torço dolorosamente para trás de suas costas.
Ele cai de cara no chão e eu subo em suas costas, na primeira tentativa dele de se livrar de mim, estico seu braço e empurro para frente. Ele grita de dor.
Apoio meu joelho com força em suas costas bem em cima das costelas e faço pressão.
— Você nunca mais vai chegar perto dela, entendeu? — Digo, ameaçador.
— Você não pode me impedir... — Empurro seu braço esticado mais para frente e ele grita novamente.
— Estou perdendo minha paciência com você. Essa é sua última chance, não quero que você fale, olhe ou pense nela, entendeu?
— Eu a amo e eu sei que ela... — Empurro mais seu braço em direção a cabeça, deixando-o numa posição não natural e que deve estar doendo pra caralho.
— Será que vou ter que quebrar seu braço para que você entenda? — Digo forçando-o mais.
— Não, não, não cara, eu entendi, eu juro que entendi...Por favor, esse é o braço que eu arremesso, por favor.
— Então diga, quero ouvir você. — Ele demora para falar algo então eu forço mais seu braço. Basta um bom empurrão para frente e seu braço estará quebrado. Vince começa a chorar de dor e esconde o rosto.
— Eu não vou chegar perto dela, ok? Não vou mais procura-la. Agora larga meu braço, porra.
— Não estou blefando, se você aparecer em nossas vidas de novo, um braço quebrado será o menor dos seus problemas. — Digo e largo seu braço. Retiro meu joelho de suas costas e levanto-me. Vince permanece no chão, envergonhado ou dolorido demais para se levantar.
Pela primeira vez me preocupo se alguém testemunhou o que aconteceu, mas parece que ninguém viu ou ouviu nada.
Arrumo minha camisa e os cabelos e me dirijo para minha caminhonete, a satisfação de ter batido nesse filho da puta é indescritível.
— Eu disse que ele tinha me pego desprevenido. — Digo com um sorriso vitorioso e satisfeito no rosto.