21.3.16

Paixão Inesperada - Capitulo 21 (1/2) - Despedida de Solteiro


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Demi
— Nós temos tão pouco tempo, logo vou ter que voltar para o escritório, não atenda. — Joe diz puxando meu corpo nu para junto do seu, me impedindo de chegar até meu celular que toca estridentemente.
Meus protestos são silenciados por seus lábios gentis. Suspiro de prazer e me perco em suas caricias, o celular e aquele que me liga logo esquecidos.
Quando a pessoa do outro lado insistentemente liga mais uma vez, Joe solta um suspiro exasperado e me solta.
— Atenda e depois desligue esse aparelho maldito.
Pego o celular e atendo sem olhar o visor.
— Alô?
— Aleluia, sis. Porque você não atendeu quando liguei a primeira vez? — A voz de Miley chega aos meus ouvidos com interferência.
— Oi, Miley... — Me deito na cama segurando o aparelho com uma mão e o lençol, cobrindo meus seios, com outra. — É que eu estava...Humm...Ocupada.
— Olha, te liguei por causa de Selena, ela está vindo para a cidade. Se você chegar até aqui nos próximos vinte minutos conseguiremos segui-la e...
— Sinto muito, mas eu não vou poder fazer isso hoje. — Sorrio e bato na mão de Joe quando ele tenta puxar meu lençol para deixar exposto meus seios. Ele não gosta que eu me cubra, diz que eu sou linda e que gosta de me observar, o que me deixa um pouco sem graça, é estranho ter ele olhando meu corpo o tempo todo.
— Miley, já estamos nisso há uma semana e não descobrimos nada, a não ser a frequência com que Selena vai ao supermercado e a farmácia. — Digo assim que minha irmã começa a protestar.
— Talvez você tenha razão, talvez não. Você não acha que ela percebeu que estamos a seguindo e vem nos despistando a semana inteira, acha? — Será? É possível, mas acho que não. — Respondo.
— Tudo bem, de qualquer forma, vou segui-la sozinha hoje, se não acontecer nada que indique o porquê do comportamento estranho de Selena, essa história de segui-la acaba aqui.
— Por mim tudo bem, apesar de me deixar triste que não tenhamos conseguindo descobrir nada para ajudar Nick.
— Eu sei, eu também. — Ela responde com uma voz triste. — Espero que se acertem sozinhos.
— Qualquer novidade me avisa, ok?
— Tudo bem, até mais sis.
— Até. — Encerro a chamada e devolvo o celular para o seu lugar.
— Que conversa estranha foi essa? — Joe me puxa para seus braços e eu descanso minha cabeça em seu peito.
— Você vai rir, ou não. Mas eu e Miley temos seguido Selena para tentar descobrir o que está acontecendo com ela.
— Sério isso?
— Muito sério. Eu te disse o quanto queria ajudar meu irmão, mas infelizmente não descobrimos nada seguindo Selena. E pelo que eu sei, as coisas não estão muito melhores entre ela e Nick. — Digo com pesar.
— Sinto muito por isso, linda. — Sorrio ao ouvi-lo me chamando de linda. Ah, como eu adoro quando ele me chama de linda, amor, princesa ou esses outros apelidos carinhosos. Joe tem se mostrado um namorado muito atencioso, carinhoso e romântico. Certa vez quando estávamos na cama, um nos braços do outro logo depois de fazermos amor, ele me confessou que estava muito inseguro e com medo de não saber me tratar como eu merecia, que devido a sua falta de experiência nesse quesito, não sabia como ser um bom namorado, mas estava mais que disposto a aprender se eu tivesse paciência com ele.
Difícil acreditar em suas palavras quando eu me sinto a mulher mais feliz e amada do mundo, para mim sua dedicação compensa sua falta de experiência em namoros, e ele tem se saído maravilhosamente bem em ser meu companheiro. Claro que Joe tem seus defeitos, e que às vezes provocam alguns atritos, mas todos somos assim.
— Espero que com o casamento da Dani e do Kevin, eles se acalmem o suficiente para resolverem os problemas sem brigar mais.
— Nossa, não acredito que o meu irmãozinho vai se casar. Estou tão feliz por ele. — Joe diz com orgulho na voz.
— Ele e a Dani formam um casal tão bonito, não é? Também estou muito feliz que eles finalmente vão se casar.
— Quando é mesmo que vocês vão buscar o pessoal no aeroporto?
— Amanhã. Gwen e Aiden e a tia Bárbara devem chegar no começo da tarde. Titio vai chegar um dia antes do casamento, junto com um amigo de Dani, Preston.
— Droga. — Joe diz ao ver que horas são. — Preciso voltar para o escritório.
Sinto falta do seu contato, do seu calor, no mesmo instante em que ele se levanta apressadamente da cama.
Observo com um sorriso travesso quando ele volta do banheiro, com o cabelo ainda molhado do banho, e se veste.
Joe tem um corpo maravilhoso, toda vez que ele começa a tirar as roupas na minha frente, meu coração bate mais rápido pelo desejo e pela necessidade de vê-lo em toda sua glória. Mas devo admitir, nunca achei que vê-lo se vestir fosse tão excitante quando vê-lo se despir. Joe é absolutamente sexy em tudo que faz, até mesmo quando está cobrindo aquele corpo feito para o pecado.
Joe
— Senhor, a Sra. Thompson está aqui e deseja vê-lo.
Era só o que me faltava agora. O que será que ela quer dessa vez? Pelo menos pior que aquele almoço maldito não pode ser, ainda não acredito que ela tenha me dito aquelas coisas.
— Tudo bem, pode deixa-la entrar. — Digo com muita má vontade.
Quando Eva entra, faço questão de mostrar meu aborrecimento por vê-la, deixando a expressão carrancuda.
Ela senta-se em uma das cadeiras a minha frente sem ser convidada, age como se fosse dona do lugar e isso me irrita pra caralho.
— O que você quer? — Digo sem rodeios e sem me preocupar se estou sendo grosseiro.
— Vim saber qual é a sua resposta, afinal você não me procurou ou me telefonou.
— Eu já te disse a minha resposta naquele almoço, onde você me fez aquela proposta infame.
— Sei disso, mas achei que talvez você quisesse reconsiderar, afinal é a sua carreira que está em jogo. — Ela diz com um sorriso satisfeito que embrulha meu estômago.
Não acredito que ela tenha vindo aqui para falar daquela proposta, não, chantagem é a palavra mais correta, depois de tudo o que eu disse naquela tarde.
— A minha resposta é a mesma.
— Você tem consciência que se sua resposta continua sendo não, eu vou persuadir Carlson a assinar o contrato com outra empresa, e não com a Townsend, não é?
— Você foi muito clara quando me chantageou na primeira vez, e como eu disse minha resposta continua sendo não. — Digo decidido.
— Você vai perder um dos maiores contratos, se não o maior, por causa desse seu orgulho bobo e daquela mulherzinha que...
— Não ouse falar nela, ok? — Digo com raiva quando ela coloca Demi no meio.
Como o meu relacionamento com Demi ainda é segredo, a única coisa que eu contei para Eva era que eu estava apaixonado e muito feliz com uma mulher só, claro que ela não aceitou a minha recusa a ceder a sua chantagem muito bem.
— Nossa, quanta disposição em defender a mulher misteriosa. Nunca achei que esse dia chegaria, você esta mesmo apaixonado, Joe? — Eva lança-me um olhar cético.
— Eu a amo com todas as minhas forças, é por isso que eu arriscaria tudo, inclusive um contrato milionário, por ela. — Digo com ferocidade.
— Você tem certeza disso? Aposto que seu chefe não vai gostar nada de você ter perdido o contrato para a concorrência.
— Nós não vamos perder. Você pode até tentar persuadir seu marido a assinar com outros, mas Carlson é um homem de negócios, ele sabe que nós somos a melhor escolha.
— Você não está mesmo levando a sério o meu poder de influencia-lo, não é? Muitos contratos já foram fechados por minha causa, assim como muitos não foram. Eu sou a advogada dele, e caso meus argumentos como profissional não consigam o que eu quero, você pode imaginar que eu tenho outros meios para persuadi-lo. Você mesmo já experimentou alguns deles, e devo dizer que eu melhorei muito com os anos.
Sinto meu estômago se revirar com as lembranças que suas palavras me trouxeram. Quem me dera eu pudesse tirar tudo de sórdido que eu fiz no passado, com ela e com todas as outras.
— Acho que vou arriscar. Se for só isso que você veio fazer aqui, pode ir. — Levanto-me de minha cadeira e aponto para a porta, num convite nada amistoso para que ela suma de uma vez.
Eva se levanta, mas não se encaminha para a porta, ao invés disso dá a volta na mesa e se aproxima, meu corpo fica tenso na hora e dou um passo para o lado oposto.
— Ela realmente vale tudo isso? Duvido que ela concorde em fazer todas as coisas que eu fazia e que eu sei que você adora. — Ela diz num ronronar sedutor, sua mão alisando minha gravata azul escuro que combina com meus olhos.
— Ela vale mais do que você possa imaginar, não tem nada que eu não faria por ela, e principalmente, não tem nenhuma chance de eu fazer algo que vá magoa-la e machuca-la.
— O que os olhos não veem, o coração não sente. — Ela diz com aquele sorriso predatório, que um dia, há muito tempo atrás, me excitava. Mas não mais. Seguro sua mão que agora começava a deslizar de minha gravata para meu peito.
— Eu a amo. Aceite isso e vá ser feliz com seu marido, e me deixe em paz.
— Ah Joe, você já se esqueceu como é estar comigo. Garanto que uma vez que você se lembre, não vai mais ficar fazendo declarações para essa mulher que você acha que ama, e vai voltar para mim rastejando, desesperado pelo tipo de prazer que só uma mulher como eu pode te oferecer.
— Isso não tem a menor chance de acontecer. Agora, faço o favor de se... — Não tenho tempo para terminar minha frase, porque Eva se atira em meus braços tão subitamente que meu tempo de reação é mínimo, dando-lhe uma brecha para juntar sua boca com a minha.
Seguro seus braços e tento afasta-la, mas suas mãos se entrelaçam em meu pescoço e a mantem firmemente colada a mim. Sendo assim, tento livrar meu pescoço de suas garras, mas até que consiga sua boca continua na minha, me provocando tanto nojo e repulsa que sinto que posso vomitar a qualquer instante.
Quando finalmente consigo me livrar dela, a empurro sem pensar nas consequências de uma possível queda, ela de fato se desequilibra mas se mantem em pé e não cai.
Esfrego minha boca com força tentando me livrar de qualquer resquício de Eva, havia prometido a mim mesmo quando me descobri apaixonado por Demi, que meus lábios – assim como eu por inteiro – seriam apenas da minha linda Little Nips. Sinto muita raiva de Eva por me fazer quebrar minha promessa.
— Saia daqui! Agora! — Grito tão alto que tenho certeza que todos no andar ouviram. Eva parece surpresa e por um momento, assustada com minha reação. É bom mesmo que ela sinta medo, que ela veja o quão sério estou falando.
Vendo que ela nem ao menos saiu do lugar, agarro-a pelo braço de uma forma rude e que deve estar machucando-a e a arrasto até a porta.
— Diga o que quiser ao seu marido, não me importo. Só não quero ter que ver sua cara novamente. — Esbravejo com fúria, quando abro a porta e a jogo para fora.
A surpresa inicial dá lugar a raiva, e Eva me fuzila com os olhos. Ainda mais por ter algumas pessoas no corredor e que acabaram de testemunhar sua expulsão, deixando-a humilhada e furiosa.
— Você vai se arrepender disso, Joe. — Ela diz com os dentes cerrados. — Esse contrato vai ser a primeira coisa que você vai perder. Depois será seu emprego, depois sua vadiazinha e por último sua dignidade, quando você vir me procurar rastejando e implorando para que eu o perdoe e aceite de volta. Você vai se arrepender amargamente por essa humilhação e por todas as outras que me fez passar no passado.
Se ela pretendia dizer algo mais, não sei, pois bati a porta com força em sua cara.
Fecho e abro os punhos repetidas vezes, sento-me novamente a mesa e tento com todas as minhas forças me acalmar, mas essa mulher conseguiu me fazer explodir.
Depois de alguns minutos, quando percebo que minha raiva não se abrandou, sei que só tem uma pessoa que pode me fazer esquecer de Eva e de minha raiva.
— Oi, meu amor. — A voz animada de Demi me recebe assim que ela atende a ligação. Um sorriso imediato se forma em meus lábios, e como se fosse milagre, sinto a raiva se apaziguando dentro de mim.
“Meu Deus, o que essa mulher faz comigo!”
— Oi, minha princesa. Pela sua recepção posso presumir que está sozinha?
— Estou, mas não por muito tempo, logo teremos que buscar o pessoal no aeroporto.
— Ah é verdade, não quero te atrapalhar, mas estava com saudades, precisando ouvir sua voz. — Digo recostando a cabeça na cadeira e fechando os olhos, imaginando ela segurando o celular e conversando comigo, com aquele sorriso lindo no rosto.
— Que bom que você ligou, também estava com saudades.
— Vamos nos ver hoje à noite? — Pergunto apesar de sempre nos vermos, por isso quando ela excita, pressinto que hoje a noite será diferente.
— Não sei, amor. Agora que a Gwen vai vir para cá, a Dani vai querer sair, ter uma noite de meninas ou sei-la. E ainda tem a despedida de solteiro amanhã. Falando nisso, você sabe o que os meninos pretendem fazer?
— Nada está definido ainda, que eu saiba.
— Você vai? — Ela diz com a voz menos animada.
— Bem, é a despedida do meu irmão, então vou sim. — De repente, quando percebo o que está por trás de sua pergunta, sinto um sorriso ainda maior se espalhar por meu rosto. — Porque, está com ciúmes?
— Humm, isso depende de onde será essa tal despedida. — Eu rio.
— Não se preocupe, não sei exatamente os planos de Kevin, mas duvido que seja algo que vá desagradar minha princesa ciumenta.
— Mitchie escutou uma conversa de Jason com Aaron, eles estavam falando sobre a despedida de Kevin ser num clube de stripers. E a Dani também acha que vocês vão aprontar. — Ela diz com certo desconforto na voz.
 — Acho muito difícil que Kevin vá concordar com isso de stripers, amor. Você e Dani não precisam se preocupar.
— É, na verdade isso tem mais a cara do Jason mesmo.
— Mas e vocês, tenho que me preocupar com essa despedida de solteiro?
— Eu não faço a mínima ideia do que a Dani pretende, ela foi muito vaga. Apenas disse que ela mesma iria organizar a despedida, porque se dependesse de nós tudo seria muito sem graça.
— Bem, se tratando da Dani, eu espero qualquer coisa. O que me deixa tranquilo, é que se ela quiser fazer qualquer coisa mais maluca, o Kevin vai botar um freio nela. Mas de qualquer forma, tenha juízo amanhã.
Ela ri e meu bom Deus, parece com a risada de um anjo, um som quase divino e que arrepia meu corpo. Será que algum dia isso vai mudar, vou me acostumar a ela e essas sensações?
— Você também, hein.
— Pode ficar tranquila, linda. Mas agora, vou desligar, tenho que trabalhar. Se você conseguir escapar de qualquer programa que a Dani tenha em mente para hoje à noite, apareça para me fazer uma surpresa.
— Infelizmente não tenho mais nenhuma lingerie nova com que te surpreender. Acho que vou ter que ir sem nada por baixo, então. — Ela diz com a voz baixa, e imagens de Demi nua invadem minha mente e eu gemo.
— Baby, não faça isso comigo. Como você espera que eu vá para a minha reunião com uma baita ereção?
— Se vire, bonitão. — Ela diz rindo. — Cuide disso você mesmo por agora, e eu prometo que na próxima vez que nos virmos, eu cuido para você.
Gemo de novo ao telefone. Como, como ela consegue ser essa mistura perfeita de uma mulher sensual e tímida? Isso me enlouquece!
— Você está me provocando, linda. Vou ter que cuidar de você mais tarde. — Digo maliciosamente.
— Estou contando com isso. — Ela diz e simplesmente desliga, e me deixa encarando o celular, me perguntando como é possível que a cada dia eu a ame mais.
Demi
— Lá estão eles. — Dani dá um grito animado e sai correndo em direção a sua melhor amiga, Gwendolyn, e seu marido, Aiden.
Eu já havia visto Gwen uma vez, mas seu marido é a primeira vez que vejo. Quanto mais me aproximo dele, mas percebo como ele é incrivelmente lindo. Loiro, olhos claros, e um corpo que pelo que dá para perceber, é forte e rijo.
Ele está usando uma calça jeans surrada, uma camisa social preta com as mangas dobradas, expondo algumas tatuagens, e um coturno. Sua postura é intimidante, diz claramente “não mexa comigo” e admito, é muito sexy esse estilo bad boy. Antes de Gwen se afastar dele para abraçar Dani, seu braço estava protetoramente ao redor da esposa.
Não a muito que dizer da melhor amiga da minha prima, ela é linda. Cabelos castanho escuro e traços lindos e suaves, como eu me lembrava. Gwen e Aiden formam um casal lindo, e somente pelo jeito que se portam perto do outro, posso dizer que são completamente apaixonados.
Miley se aproxima comigo do casal recém chegado, assim que Dani solta Gwen eu e Miley a cumprimentamos, e em seguida Aiden nos é apresentado. Contrastando com sua aparência intimidadora, ele nos dá um sorriso lindo e charmoso.
É, Gwen é uma garota de sorte.
Tia Bárbara diz algo sobre Dani ter corrido abraçar Gwen primeiro e não ela, Dani diz algo para sua mãe, parecendo provoca-la e então a abraça. Depois é a vez de Miley e então finalmente a minha.
Colocamos as malas no porta malas do carro e seguimos para a fazenda. Aiden e Gwen ficarão na casa dos Jonas, enquanto os pais de Dani ficarão lá em casa.
Quase uma hora depois, quando chegamos à fazenda, mal estacionamos o carro e mamãe sai correndo de casa e segura sua irmã em um abraço apertado.
Muita conversa, abraços e apresentações seguem. Mamãe havia preparado um verdadeiro café, com tudo que se tem direito, para nossos convidados.
No final da tarde Miley e eu nos despedimos de todos e pegamos o carro, guiando de volta para Dallas.
Ela parece muito diferente agora que estamos sozinhas e confinadas no ambiente pequeno do carro, ela está quieta demais e com um olhar preocupado.
— Algo errado, sis? — Pergunto depois de mais de meia hora de silêncio.
— Eu ainda não sei, talvez.
— Como assim? Você e o Miguel brigaram, é isso?
— Não, Miguel e eu estamos ótimos. O problema é a Selena.
— O que aconteceu, você finalmente descobriu algo? Fale logo. — Digo me empertigando no banco, minha voz soando urgente demais até para mim.
— Eu não sei se é relevante, se tem algo a ver com o problema entre ela e Nick, provavelmente não. Mas quando eu a estava seguindo ontem, bem, ela foi para o posto de saúde, e ficou um bom tempo lá dentro.
— Ela pode ter tido uma consulta médica rotineira, nada demais. — Comento.
— Poderia ser, se ela não tivesse saído de lá aos prantos. Não a segui até lá dentro, estacionei o carro perto o suficiente para ver quando ela saísse, mas para que ela não me enxergasse. Quando ela saiu do posto de saúde estava visivelmente abalada, chorando muito apesar de tentar disfarçar, e tremia também. Derrubou as chaves e mal conseguiu abrir o carro de tanto que tremia. Ela ficou uns bons vinte minutos dentro do carro chorando. Fique tão preocupada, Demi, queria ir até lá e falar com ela, perguntar o que estava acontecendo. Mas acabei não indo, então de repente ela se recompôs e seguiu o caminho de volta para Wills Point.
— Você acha que... — Engulo as palavras amargas, mas elas voltam e me obrigam a proferi-las. — Você acha que tem algo de errado com Selena? Que talvez ela esteja doente?
— Não faço ideia, mas algo aconteceu, com certeza. Mas sabe que faz sentindo, se ela está com algum problema grave de saúde, seria motivo suficiente para ela agir estranhamente. E as suas idas misteriosas até Dallas, talvez ela esteja indo em consultas médicas.
— Mas, porque não contar para Nick, para todos nós? Assim poderíamos apoia-la no que quer que seja. — Miley balança a cabeça tristemente e minha pergunta paira no ar, sem resposta.
Por favor, Deus, que não tenha nada de errado com Selena. Por favor.
— O que você acha que devemos fazer com essa informação? Confessar para Selena o que você viu e exigir uma explicação?
— Talvez? — Ela me lança um olhar questionador e percebo que ela não faz a mínima ideia do que devemos fazer agora.
— Acho que sim, devemos falar com ela. Nos metermos no casamento dos outros não é nada agradável e educado, mas talvez se conversarmos com ela e blefarmos, se dizermos que sabemos que tem algo de errado com sua saúde e que queremos ajuda-la, então talvez ela conte tudo de uma vez.
— Mas que merda, ela tinha que contar tudo para Nick, não para nós. Não quero ficar numa posição difícil com Selena, muito menos com Nick.
— Mas é o que temos que fazer, se ela não procura ajuda da família, então teremos que ajuda-la na marra. Seja o que for, ela não pode enfrentar isso sozinha.
— Concordo. E além do mais, pode ser que não seja nada disso, não é? Ela pode estar saudável como um cavalo e nós é que estamos vendo coisas. — Franzo a testa com sua comparação, e torço para que ela tenha razão, mas algo no meu coração diz que não é nada disso, que Selena está com algum problema de saúde e alguma noticia perturbadora a fez chorar escondida em seu carro ontem.
— Temos que falar com ela, logo depois do casamento de Kevin. — Digo com uma voz sombria, e com o coração pesado de preocupação.
— Isso seria divertido.
— Com certeza. — Dani concorda com Gwen enquanto descemos as escadas rindo. Denise e Paul organizaram um grande almoço para juntar as duas famílias antes do casamento, mais para um momento de descontração, e alguns amigos foram convidados também. Como Mitchie e o namorado Aaron, Jason – primo de Aaron – além de é claro, Gwen, Aiden e Miguel.
Miley, Mitchie, Dani, Gwen e eu fomos para cima depois do almoçar para fofocarmos e tentarmos arrancar de Dani, o que ela pretende para sua despedida de solteiro, hoje à noite. É claro que são as damas de honra que deveriam cuidar disso e fazer uma surpresa para a noiva, mas como com Dani nada é convencional, ela é quem nos surpreenderá.
Quando estamos chegamos ao pé da escada, escutamos a voz de um Jason muito indignado vindo da sala ao lado.
— Não acredito que vocês vão cortar meu barato. Qual é, isso é uma despedida de solteiro ou o que?
— Hey, o que está acontecendo? O que vocês fizeram para deixar esse menininho emburrado? — Dani curiosa entra na sala e pergunta, bagunçando o cabelo de Jason como se ele fosse uma criança. O que às vezes eu acho que ele é.
Kevin, sentado no sofá ao lado de Joe, estende a mão e quando Dani a segura, ele a puxa para sentar em seu colo.
Aaron puxa Mitchie para seus braços e Gwen se aproxima de Aiden, que também está na sala, e abraça sua cintura. Miley vai se sentar ao lado de Miguel, no outro sofá, e ele funga em seu pescoço, a fazendo rir e se encolher.
Não consigo me segurar e meu olhar se volta para Joe, ele me encara disfarçadamente e eu lhe dou um sorriso rápido e tímido. Olhando em seus lindos olhos azuis, posso até adivinhar o que ele está pensando agora, com todos esses casais e suas demostrações de afeto. Ele queria me puxar para si e me abraçar, ele queria poder demostrar nosso amor na frente de todos, como nossos amigos. Ao invés disso, temos que ficar separados, fingindo estarmos indiferentes com a presença um do outro.
“Em breve, em breve contaremos a todos.”
O casamento de Dani é amanhã, depois disso falaremos com Selena e tentaremos faze-la confessar qual é o problema, para tentarmos ajuda-la e ao meu irmão. E logo,logo mesmo, quando nossas famílias estiverem menos alvoroçadas com essa história de casamento e brigas conjugais, vamos contar para todos. Não vamos mais esconder nosso amor, e ele vai poder me abraçar em público sempre que quiser.
— Não é nada meu amor, é só o Jason...Bem, sendo Jason. — Kevin diz para Dani.
— Aposto que se eu conversasse com a Dani, ela seria muito mais compreensiva do que vocês, idiotas. — Jason diz e vejo a curiosidade nos olhos da minha prima.
— Então fale de uma vez. — Ela diz encarando Jason.
— Cara, não. Deixa para lá. — Kevin diz em um tom menos amistoso.
— É, Jason. Esquece, se você quer ir, vá sozinho. — Aaron diz.
— Ah meu Deus, fale logo. — Dani reclama.
— O negocio é o seguindo, gata. — Jason começa a dizer com aquele jeito tão característico dele. — Eu quero dar ao seu noivo, uma verdadeira despedida de solteiro, uma que ele nunca irá esquecer, acontece que esses perdedores estão barrando minha ideia. — Ele aponta para os “perdedores” na sala.
— E como seria uma verdadeira despedida de solteiro? — Dani pergunta com um sorriso divertido.
— Num bar de stripers, é óbvio. — Jason responde como se Dani fosse idiota.
— Mas nós já falamos para ele que não vai rolar, ele só não entendeu isso ainda. — Kevin se apressa em explicar.
— Porque não vai rolar? — Dani pergunta e Kevin a olha confuso, como se fosse óbvio e ela não precisasse perguntar.
— Hum, porque é um bar de stripers. — Ele diz a palavra lentamente, como se testando se Dani realmente sabe o significado. — Onde mulheres ficam nuas, algumas até se esfregando e você e, hum, outras coisas acontecem.
— Desde que seja só para olhar, não vejo problemas. — Dani diz naturalmente, e a reação que vem a seguir é de puro espanto, todos olham para ela parecendo por um momento em choque. Kevin a olha como se ela tivesse acabado de lhe dar um tapa.
— Você está dizendo que por você tudo bem irmos a um lugar para ver mulheres peladas? — Ele parece não acreditar na compreensão da noiva, na verdade nem eu.
— Desde que seja só para ver.
Kevin fica sem saber o que dizer, os meninos se olham com confusão e Jason começa a rir.
— É por isso, cara... — Ele aponta o dedo para Dani. — Que eu amo a sua noiva. É isso aí, essa noite será épica. — Ele diz dando um soco no ar com demasiada empolgação.
— Você está falando sério, Dani? — Joe pergunta, ainda surpreso pelo inesperado rumo daquela conversa.
— É claro, cunhadinho. Mas, bem, tem uma pequena condição.
— O que? — Kevin pergunta curioso.
— Ah não é nada demais, só que se vocês meninos vão se divertir, nós meninas também merecemos ter uma, como Jason disse, verdadeira despedida de solteiros. Vocês vão ver algumas stripers e eu e as meninas alguns gogo boys.
— É claro que não! — Joe praticamente grita e todos olhamos para ele surpresos com a veemência e ferocidade que ele diz essas palavras.
— Nossa irmão, você não acha que tinha que deixar essa reação para alguns de nós que de fato precisamos nos preocupar? Não é a sua namorada que está propondo ir ver caras pelados.
Joe me encara e eu o olho assustada. Ele está começando a ficar vermelho e me lança aquele olhar determinado, me dizendo sem precisar de palavras “sem chance”. Ele está dando bandeira, agindo como um namorado ciumento na frente dos outros.
“Droga, Joe. Pare de me encarar, agora.”

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Hey gente, olha quem deu as caras outra vez!
Como vocês estão? 
Estamos indo para o final da fic.
See you soon...

9.3.16

Paixão Inesperada - Capitulo 20 - Nosso Amor Vale a Pena


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Joe
— Eu te amo. — Digo pela milionésima vez, e digo de coração.
Não sei, mas sinto como se todos esses ‘eu te amo’ não ditos ao longo desses anos, estivessem desesperados para se libertarem. Estou bombardeando Demi com uma enxurrada de palavras e gestos carinhosos, e para minha felicidade, ela não parece se importar.
Depois da nossa declaração e de me livrar dos meus convidados na sexta à noite, eu “raptei” Demi e nós dois ficamos o final de semana inteiro juntos, trancados em meu apartamento.
— Eu também te amo. — Ela responde e dá um beijo em meu peito nu, depois volta a se deitar em meu braço e eu não consigo tirar esse sorriso bobo da minha cara, e não tenho certeza se eu ao menos quero. Estou me sentindo tão bem e tão feliz.
Aperto meus braços em volta do seu corpo quente e delicado e beijo seus cabelos. Ficamos em silêncio por vários minutos seguidos, mas não precisamos mais tanto de palavras, nossas caricias, beijos e sorrisos falam por si só.
Demi começa a rir sozinha e eu lhe pergunto o que é tão engraçado, ela me diz que não é nada.
— Conta, o que foi? — Pergunto quando ela ri de novo.
— É só que...Não era para eu me apaixonar, lembra? — Ela diz e eu posso sentir o sorriso em seus lábios.
Eu sorrio ao me lembrar daquela noite em que eu lhe fiz aquela proposta e deixei claro que nenhum sentimento amoroso poderia surgir da nossa relação casual, o que na época parecia algo absurdo para mim, e tenho certeza que para ela também. Ela garantiu com tamanha veemência que não corríamos esse risco, e eu sabia, ou pelo menos achava que sabia, que aquilo não era um problema para mim também.
Mas aqui estamos nós, ambos descumprimos nosso acordo, e eu não poderia estar mais feliz por isso.
— Fico contente que você tenha feito. — Digo acariciando levemente suas costas.
— O que acontece agora? — Ela pergunta com um tom mais sério, preocupado eu diria.
— O que você quer dizer? — Pergunto e ela levanta a cabeça, apoia o queixo em meu peito e me encara com seus lindos e hipnóticos olhos preciosos.
— O que acontece agora, com nós...
— Como assim o que acontece agora? Agora nós vamos ficar juntos, muito juntos. E vamos contar para todo mundo que estamos namorando.
— Você sabe que nossas famílias não vão reagir muito bem.
— Sei.
— E Nick provavelmente será o pior de todos. — Ela diz com pesar.
— Sei disso também, mas não importa, eu não posso mais ficar longe de você. Gostaria muito de ter a aprovação de todos, principalmente de Nick, mas eu não vou deixar nada atrapalhar essa felicidade que eu estou sentindo. Nem mesmo meu melhor amigo.
Ela fica quieta e com o olhar distante, então uma pergunta muito importante se forma em minha mente e eu a pergunto:
— E você, vai?
— Não, claro que não. Eu também quero muito ficar com você. Mas eu tenho medo da reação de todos, eu os amo muito e não queria desaponta-los.
Sinto um aperto no peito com suas palavras, o fato dela achar que me namorar vai desapontar sua família me magoa um pouco, mas no final ela está certa, se eu fosse Nick ou Paul, não iria querer um cara como eu para ser o namorado de alguém como Demi.
— Desculpe, eu não quis dizer assim... — Ela diz quando percebe minha reação. — Eu não acho que ficar com você seja motivo par desapontar meus pais, mas algo me diz que eles sim.
— Eu sei, eu não sou exatamente o melhor pretendente, alguém que eles iriam querer para você. Eu entendo isso.
— Mas não importa. Eu te amo e quero ficar com você, vai ser complicado, mas eles vão ter que acabar aceitando, porque eu não quero mais ninguém. — Ela sorri carinhosamente e me beija. Suas palavras me fazem sentir melhor, mas ainda sinto um certo desconforto e sei que dias difíceis estão a caminho.
— Mas tem uma coisa. — Ela diz mordendo o lábio inferior.
— O que?
— Acho que devemos esperar o casamento de Kevin e Dani e toda essa crise no casamento do meu irmão passar, para só então contarmos para eles sobre nós. — Ela diz com cautela, observando atentamente minha reação, que não poderia ser diferente. Fico indignado.
— Mas claro que não. Demi, eu quero contar para todo mundo sobre nós o mais rápido possível. Essa semana ainda. Quero que o mundo todo saiba que estamos juntos.
— Joe, não podemos jogar uma noticia dessas, que pode abalar a relação entre nossas famílias, semanas antes do casamento do seu irmão e quando o meu próprio irmão está passando por um momento delicado com Selena.
— Olha, eu entendo que você esteja preocupada com a reação de todos e também com o casamento de Nick e Selena, mas nós não podemos colocar as necessidades deles na frente das nossas.
— Mas não estamos fazendo isso, Joe. Não estou falando para mantermos nosso relacionamento em segredo para sempre, só por um tempo, só até as coisas não estarem tão complicadas.
Quero dizer-lhe que isso é uma ideia absurda e que não faz sentindo, quero convence-la que esperar é perda de tempo e que devíamos contar tudo agora, mas minha frustração é tão grande que não consigo dizer nada.
Demi fica me encarando com seus olhos grandes e pedintes e sinto todos os sentimentos ruins que nossa conversa me provocou irem embora. Olhando seu rosto lindo, sentindo seu corpo junto ao meu. Saber que ela me ama, bem, é isso que importa, eu sei que ela me ama e ela sabe que eu a amo, os outros não tem importância para mim, pelo menos por agora posso conviver com o fato de namorarmos em segredo, eu acho. Posso tentar.
— Tudo bem. Se é isso que você quer, então manteremos tudo em segredo.
— Obrigada. — Ela abre um sorriso largo.
— Mas... — Digo em um tom de alerta. — Não por muito tempo, ok?
— Ok.
— Agora vem cá. — Puxo seu corpo para cima do meu e junto nossas bocas para mais um beijo apaixonado.
Demi
— Sis, onde é que você esteve esse final de semana? Estou tentando falar com você e não te encontro. — Miley me diz e me dá um beijo no rosto, depois se senta na minha frente na mesa do barzinho.
— Aconteceu alguma coisa? — Pergunto encarando-a e tentando decifrar sua expressão.
— Aconteceu muita coisa. Eu fui passar o final de semana em Wills Point para finalmente conversar com papai e mamãe para que eles conheçam o Miguel, ele já está me enchendo com isso e quer conhecer nossos pais logo. Mamãe marcou um jantar lá em casa, amanhã, e eu quero que você vá, ok?
— Mas é claro que eu vou. — Digo um pouco magoada que ela tenha pensado que eu poderia me recusar a ir. — Mas você não está toda agitada desse jeito só porque queria me contar sobre o jantar, não é?
— Não, tem outra coisa, uma bem menos agradável.
— O que foi?
— É Nick e Selena. Eles foram almoçar lá em casa no sábado, o clima entre eles estava tenso, mas até aí tudo bem. Acontece que do nada eles começaram a brigar, tipo, brigar mesmo. Eles gritaram e Nick até quebrou algumas coisas. Mamãe ficou furiosa com ele.
— Meu Deus, isso é uma merda. — Sinto um aperto no coração pelos dois. O que será que está acontecendo, eles sempre foram tão carinhosos, amorosos e apaixonados.
— Foi um horror, nunca vi Nick tão bravo e revoltado. Mas o que mais me assustou foi Selena, nunca a vi daquele jeito, nem parecia ela. Quando Nick começou a gritar com ela, ela ficou descontrolada, começou a chorar e a gritar. Não sei não Demi, acho que algo muito sério está acontecendo com Selena e ela não está contando para ninguém, nem para Nick.
— Você acha que pode ser verdade, quero dizer, que ela está traindo ele? — Pergunto com medo. Apesar de eu acreditar com todas as minhas forças que isso é impossível, que Selena nunca faria isso, ainda tem aquela parte minúscula, aquela pontinha de duvida, que me faz pensar “mas e se...”.
— Não, não acredito nisso e não entendo como Nick pode pensar que isso seja uma opção. Ele jogou isso na cara dela durante a briga, ele disse que ela estava traindo ele e era por isso que estava agindo tão estranha. Ela parecia verdadeiramente indignada quando ele falou isso e disse que era um absurdo. Mas então mais uma vez, ele perguntou se não era isso, então porque todas as mentiras e os segredos sobre o que ela vem fazendo nas últimas semanas. E ela não disse nada, é por isso que eu acho que algo grave está acontecendo com Selena.
— Mas que droga, Miley. Não tem nada que possamos fazer para ajudar os dois? Estou muito preocupada com eles.
— Eu sei, eu também. Mas infelizmente não sei se podemos fazer alguma coisa, papai conversou com Nick e mamãe com Selena, mas não sei se vai resolver muita coisa.
— Queria tanto poder ajudar, me sinto tão impotente vendo Nick sofrendo e não podendo fazer nada.
— Talvez, deveríamos conversar com Selena, tentar descobrir o que está acontecendo com ela.
— Ou, talvez, devêssemos seguir ela numa dessas vezes que ela sai e não diz para onde realmente está indo. Assim podemos descobrir de uma vez por todas o que está acontecendo.
— Você acha? Seguir Selena, não é algo muito...Radical?
— Pode ser, mas se queremos mesmo ajudar...Não acho que se conversarmos com ela, Selena vai nos contar o que está acontecendo, ela não contou para ninguém, não vai contar para nós.
— Nisso você tem razão. Mas não sei, estaremos invadindo a privacidade dela.
— É o único jeito de nós fazermos algo. É isso ou ficar sentada esperando que os dois resolvam tudo sozinhos, mas aí pode ser tarde demais.
— Não, tudo bem, você tem razão. Vamos fazer isso, vamos seguir Selena. Pedimos uma bebida e alguns petiscos para comermos.
— Mas agora eu quero saber de você. Onde esteve o final de semana inteiro que não atendeu nenhuma das minhas ligações? Mamãe me perguntou o porquê você não foi para Wills Point comigo e eu não tinha ideia.
A menção do final de semana meus lábios se abrem em um sorriso involuntário, só de lembrar das palavras de Joe e do jeito carinhoso e apaixonado que ele me tratou sinto um calor em meu peito.
— Pelo sorriso bobo no rosto, tem homem no meio. Deixe-me adivinhar, Vince? — Ela pergunta e assim que escuto o nome de Vince, meu sorriso morre e uma carranca se forma em meu rosto.
— Claro que não, porque você acha que é ele? — Pergunto emburrada e Miley parece momentaneamente surpresa por minha reação.
— Eu só achei que...Deixa para lá. Mas você passou o final de semana com alguém, e se não é ele, quem é?
Sei que Joe e eu combinamos segredo sobre nosso relacionamento, mas Miley já sabe sobre nós, que tivemos um lance de sexo casual. Ela ficou furiosa e preocupada, porque temia que eu me machucasse, talvez se eu contar para ela que meus sentimentos são correspondidos, ela mude de opinião e nos apoie. Seu apoio ajudaria muito na hora em que formos contar para nossas famílias.
— Miley, não surte ok? Mas eu passei o final de semana com Joe. — Assim que digo seu nome sua expressão muda e percebo a raiva começando a irradiar dela, ela me fuzila com os olhos e aponta o dedo na minha cara.
— Você prometeu, você disse que iria ficar longe dele. Não acredito, Demi, porque você está fazendo isso consigo mesma? Você não vê que ele...
— Ele me ama. — Digo bruscamente e ela para seu sermão e me olha confusa.
— O que você disse?
— Ele me ama, Miley. Ele se declarou para mim, e as coisas que ele disse... — Um sorriso apaixonado surge em meus lábios. — Ele se apaixonou por mim, sis.
— Joe se apaixonou por você? — Ela pergunta levantando uma sobrancelha e soando descrente. Eu apenas balanço a cabeça.
— Joe? Joe Jonas? Esse Joe?
— Que outro seria? — Pergunto rindo com sua reação.
— E ele disse com todas as letras que está apaixonado...Por você? — Sua falta de fé que até então era engraçada, agora está me irritando profundamente.
— Porque você acha tão difícil acreditar que ele se apaixonou por mim? — Pergunto na defensiva.
— Não é isso, o que eu realmente acho muito difícil de acreditar é que ele tenha se apaixonado, ponto.
De repente o mau humor vai embora, e a lembrança das palavras de Joe naquela noite trazem o sorriso de volta aos meus lábios.
— Você tinha que ter visto como ele agiu comigo o final de semana inteiro...
— Não tenho certeza que seja algo que eu gostaria de ter visto. — Ela diz fazendo uma careta.
— Estou falando sério, Miley. Aquele não era o Joe que achávamos que conhecíamos. Ele foi romântico, carinhoso e não parava de falar que me amava. — Digo quase saltando em cima de Miley de tanta felicidade.
  Ela me olha com várias emoções confusas e demora até dizer algo novamente.
— Me desculpa, mas eu não faço a mínima ideia do que pensar sobre isso.
— Sei que é inusitado, mas eu estou tão apaixonado por ele, Miley. E eu vi nesse final de semana que ele sente o mesmo. Estamos namorando e eu realmente gostaria do seu apoio.
— E o Vince? — Ela diz como se ele fosse sua última esperança. — Eu odiava ele, mas com a perspectiva de você e Joe juntos...Bem, Vince não parece tão ruim agora. — Meu queixo cai e a olho espantada.
— Você não pode estar falando sério.
— Entre as famas ruins que os dois tem, a de Vince é menor, além do mais, acho que ele gosta mesmo de você.
Meu queixo cai de novo. Como ela pode falar isso?
— Não acredito que você está me falando isso. Vince é um canalha, Miley. — Minha voz sai estridente.
— Joe também. E não me olhe com essa cara, sinto muito dizer isso, mas você sabe que é verdade. Eu amo o Joe, como um irmão, mas ele definitivamente não é o cara que eu gostaria para você, sis. Na verdade, nem Vince...Já o Ben é outra história, ele é lindo, inteligente, do tipo fiel e romântico e ele já perguntou sobre você várias vezes e...
— Não. Ben de novo, não. Por favor.
— Demi, ele é um fofo e eu sei que ele ficou muito impressionado com você. Você devia parar de ignorar ele.
— Você deveria parar de me ignorar. Miley, você não ouviu uma palavra do que eu disse? Eu amo Joe, ele me ama e nós começamos a namorar. Quer você, Nick ou qualquer outro goste ou não.
— Que seja, eu só estou preocupada com você. Mas pelo visto não existe nada que vá fazer você enxergar as coisas como elas são, uma pena. Como sua irmã, é meu papel te alertar quando eu acho que você está fazendo uma burrada, assim como é meu papel te apoiar se você não me der ouvidos. Então, eu só posso desejar que ele esteja sendo sincero, e que não vá te magoar. — Ela faz seu discurso impaciente, se reclinando na cadeira e parecendo frustrada, como se estivesse falando com uma criança.
— Muito obrigada, sis. —Digo, sentindo como se um peso tivesse sido retirado de meus ombros. Alcanço sua mão por cima da mesa e a seguro, lhe dando um sorriso agradecido.
— Como é que você pretende contar?
— Na verdade, você será a única a saber por uns tempos. Decidimos não falar nada, por causa do casamento da Dani e desse problema com Nick e Selena.
— Sei, isso foi ideia dele? — Ela pergunta e posso ver as desconfianças e as acusações se formando em sua mente.
— Não, foi ideia minha. Por ele, gravaríamos uma mensagem falando sobre nosso namoro e tocaríamos pela cidade toda no alto falante de um carro. — Me lembro da sua reação a minha ideia de manter tudo escondido por um tempo. Ele parecia tão afoito em contar tudo, como se com medo de explodir com a pressão do nosso segredo.
— Sério isso?
— Sim, é isso que eu estou tentando te falar, sis. Quando você ver o jeito dele, você vai acreditar, não tem como ele estar mentindo sobre o que sente por mim. Estou tão feliz. — Minhas bochechas doem de tanto sorrir, mas não consigo parar.
— Bem, acho que vou ter que ver esse milagre com os meus próprios olhos. Mas eu realmente espero que você esteja certa e eu errada. Quero tanto que você seja feliz, sis.
Ela diz mas eu vejo a desconfiança e incredulidade brilhando em seu olhar. Ela vai ver. Ela vai ver que Joe está sendo sincero.
Ele me ama. Eu senti isso em seus beijos e no jeito que ele me olhou. Eu vi as lágrimas escorrerem por seu rosto enquanto ele abriu seu coração para mim.
“Ele me ama, ele me ama e ele me ama.”
Ai que vontade de sair pulando e cantando por aí.
Joe
— Bom dia.
— Bom dia, Sr. Jonas.
— Bom dia, Diana.
— Bom dia, Sr Jonas.
Entro no elevador e assim que saio no andar do meu escritório vejo Mia, minha secretária, trabalhando em sua mesa.
— Bom dia, Mia. — Digo com o mesmo sorriso de orelha a orelha com o qual eu cumprimentei qualquer pessoa que passou por mim hoje.
Mia me olha surpresa, mas logo faz questão de disfarçar. Eu nunca fui um chefe ruim, mas também nunca fui daqueles caras sorridentes que parecem sempre de bem com a vida e de bom humor. Com certeza eu estou parecendo ser um deles hoje.
Mas como poderia ser diferente? Estou mais feliz do que em toda a minha vida.
— Bom dia, Sr. Jonas. Como está?
— Estou ótimo, perfeito. E você? — Ela parece ser pega de surpresa de novo pela minha resposta animada.
— Tudo ótimo. — Ela me dá um sorriso tímido. — Esses são seus recados dessa manhã. — Ela me entrega alguns papeis com nomes e números de telefone para que eu retorne as ligações.
— Muito obrigado, vou cuidar disso agora mesmo. — Digo e vou até minha sala.
Retiro meu paletó e penduro na cadeira, sento-me a frente de minha mesa e o sorriso continua em meu rosto.
Demi. É tudo por causa dela. Meu Deus, como é bom estar apaixonado, eu não fazia ideia que o sentimento de gostar de alguém e ser correspondido fosse tão descomunalmente grande e capaz de fazer alguém se sentir assim, a sensação é tão boa que pode ser comparada a se estar drogado.
Sinto-me bem, feliz, eufórico, agitado, com o coração batendo rápido toda vez que eu penso nela.
Quer saber, preciso falar com ela, ouvir sua voz. Pego meu celular e ligo para Demi.
— Alô?
— Oi, linda. — Me reclino na cadeira sentindo meu corpo todo se arrepiar com o simples som de sua voz.
— Ah, oi...Hum...Rebeca. — Ela diz com a voz estranha.
“Rebeca?”
— Ah, você está com alguém conhecido por perto, não é? — Digo entendendo a situação.
— Isso mesmo, estou com Dani e Miley experimentando pela última vez o vestido de dama de honra.  
— Ah entendi. Será que podemos almoçar juntos hoje?
— Sinto muito, Rebeca, mas acho que vou acabar almoçando com as meninas. — Posso sentir por sua voz que Demi está desconfortável.
— Ah, tudo bem. — Digo e não escondo meu desânimo. — Mas nos vemos hoje a noite, não é?
— Claro.
— Ótimo, porque já estou com saudades.
— Eu também.
— Tudo bem, vou ir trabalhar e deixar você experimentar seu vestido. Até mais tarde, te amo.
— Sim, até mais tarde, um beijo.
Desligo e jogo o celular em cima da mesa. O sorriso, ao pensar me Demi, ainda está em meu rosto, o sentimento maravilhoso ainda aquece meu peito, mas esse súbito desespero de querer estar perto dela está me consumindo, me provocando uma sensação ruim de urgência. É tão estranho, nunca tive tanta vontade de ver e estar com alguém, acho que é uma sensação boa e ruim ao mesmo tempo.
Passo pela manhã de trabalho com um único desejo em minha mente e coração; Que a noite chegue logo e eu possa ver Demi.
Apesar da ansiedade que eu venho sentindo, consigo me concentrar nas obrigações que tenho e até consigo passar pelas partes chatas e burocráticas sem estragar o meu humor.
Bem, isso até Mia me dar uma noticia que acabaria com o bom humor de qualquer homem sensato.
— Sr. a senhora Thompson está aqui e gostaria de vê-lo. — Mia diz ao telefone.
Sinto o meu bom humor me escapando pelos dedos e solto um xingamento depois de desligar o telefone e autorizar a entrada de Eva.
Segundo depois, Mia abre a porta e Eva, vestida em um terninho feito sobre medida, entra com sua presença prepotente de sempre. Acho que certas coisas nunca mudam.
Faço um maneio de cabeça para que Mia nos deixe a sós, ela fecha a porta deixando apenas Eva e eu.
— Sra. Thompson. — Digo e não podia me sentir mais desconfortável. Não sei se devo levar em consideração nossa intimidade do passado e chama-la de Eva ou não, então opto pela formalidade. E pela sua gargalhada foi a opção errada.
— É bom saber que você ainda consegue me fazer rir depois de tantos anos. — Ela diz vindo em direção as duas cadeiras em frente a minha mesa, e se senta em uma delas.
— Como tem passado, docinho? — Pergunta cruzando as pernas.
— O que você quer, Eva? — Pergunto desistindo do tratamento formal.
— Vim convida-lo para almoçar hoje, para falarmos de negócios.
— Seu marido vai também? — Pergunto desconfiado.
— Carlson está ocupado hoje, então será somente eu e você. — Ela diz com um sorriso sugestivo.
— Obrigado, mas creio que terei que recusar sua oferta. Não acho uma boa ideia ficarmos sozinhos.
— Porque, tem medo de não resistir a mim? — Pergunta empinando o nariz e é minha vez de gargalhar.
Ela continua maravilhosa, é verdade, mas não me atraí como quando eu era novo e irresponsável. Agora eu tenho Demi, muito mais linda e perfeita.
— Não se preocupe, tenho um bom controle sobre mim mesmo.
— Então venha almoçar comigo. Precisamos conversar sobre sua proposta, você precisa me convencer, porque Carlson não vai fechar contrato nenhum sem a minha aprovação.
— Você está brincando, não é?
— Não, falo muito sério. Além de ser sua advogado sou sua esposa, ele sempre pede minha opinião, tanto profissional como pessoal, sobre seus negócios.
— Não dá para acreditar. — Digo encarando-a incrédulo.
— Nunca ouviu falar que atrás de um grande homem sempre há uma grande mulher?
— Não quero almoçar com você, mas se é para falar sobre essa parceria acho que não tenho escolha.
— E não tem mesmo. — Um sorriso lento e vitorioso surge em seus lábios.
— Muito bem, então vamos. — Digo. Meu bom humor todo indo para o ralo.
Demi
— Estou me sentindo a personagem principal em um filme de espionagem muito ruim. — Digo para Miley.
— Uma das personagens principais você quis dizer, não é?
— Estou com medo do que vamos descobrir. — Confesso enquanto esperamos escondidas dentro do carro, que Selena saia do mercado.
— A essa altura, eu só quero é descobrir o que está acontecendo. Se for coisa boa ou não, depois a gente lida com isso, só sei que não podemos deixar que eles continuem brigando e se afastando cada vez mais.
— Eu sei, mas...Olha, a Selena está saindo. — Digo quando a vejo saindo do mercado com várias sacolas de compras.
Miley liga o carro e esperamos alguns segundos até sair do estacionamento e continuar seguindo Selena.
— Tem certeza que ela não vai ver o nosso carro indo trás dela, não é?
— Não se preocupe, estou mantendo uma boa distância.
Além do mercado, Selena parou na farmácia e em algumas lojas, não se encontrou e nem falou com ninguém. Quando pegou a única estrada que liga Dallas a Wills Point, concluímos que ela estava voltando para casa e paramos de segui-la.
— Acho que teria sido fácil demais se tivéssemos descoberto o segredo logo no primeiro dia. — Miley diz como um consolo para nosso fracasso.
— É. — Digo desanimada. Estou tão ansiosa para descobrir qual é o problema de Selena, sei que não deveríamos estar nos metendo na vida dela e de Nick, mas eu sinto que algo grave está fazendo Selena agir dessa forma que não lhe é característica.
— Não desanime, sis. Vamos continuar de olho, e ei, talvez nem precisemos nos envolver, vamos torcer para que eles acabem resolvendo isso por conta própria. — Miley diz, mas ambas sabemos, sentimos, que a coisa é muito mais complexa do que isso.
Miley guia o carro pelo campus até o estacionamento perto do seu dormitório. Nos despedimos quando me afasto de seu carro.
— Não se esqueça do jantar para apresentar Miguel amanhã à noite.
— Pode deixar, estarei lá. — Digo e me viro completamente para o outro lado, indo em direção ao meu próprio dormitório.
Chegando perto do familiar prédio de pedra com estilo gótico, vejo Vince e na mesma hora me viro e começo a fazer o caminho oposto, torcendo para que ele não perceba minha presença.
— Pequena. — Não, não tenho sorte. Nunca pensei que fosse sentir isso, mas já está me irritando essa perseguição de Vince, o cara está se transformando em um verdadeiro stalker.
— Espera, Pequena. — Escuto seus passos apressados e caminho mais rápido, fingindo que não é comigo.
— Hey, espera. — Ele entra na minha frente, me fazendo parar abruptamente para não trombar nele.
— Me deixe em paz, Vince, eu já disse que aquele lance de tentarmos ser amigos já era. Me esquece. — Digo sem receio de ferir seus sentimentos, isso é, se ele de fato sente algo por mim, o que eu duvido, se não ele teria dado mais valor ao nosso relacionamento ao invés de sair me traindo por aí.
— Eu já disse que não consigo. — Ele diz tentando parecer apaixonado, mas só conseguindo me deixar mais impaciente ainda. Reviro os olhos e passo por ele, mas ele segura meu braço me fazendo parar.
— Você não foi ao jogo, você disse que iria mas não foi. Nós perdemos.
— Eu fiquei sabendo. — Digo friamente.
— Eu disse que sua presença me dava sorte.
— Agora é culpa minha que vocês perderam, é? — Digo me virando para ele e cruzando os braços.
— Não, claro que não. Eu só...É que...Olha, Pequena, eu te amo, ok? Não sei mais o que eu posso fazer ou falar para te provar isso.
— Ah, você já fez demais, pode ter certeza. — Digo sarcasticamente. Vejo magoa em seus olhos, e por um segundo apenas, sinto pena. Mas ela logo vai embora.
— O que eu posso fazer, me diga, eu faço qualquer coisa para ter você de volta...Qualquer coisa.
— Vince, olha...Eu estou namorando, ok? Eu segui em frente, e acho que você deveria fazer o mesmo. — Vejo magoa, tristeza, ciúmes e raiva passarem por seu rosto.
— Namorando? Com quem? — Ele assume uma postura que até me dá um pouquinho de medo.
— Com... — Tudo bem, meu namoro com Joe era para ser segredo. Merda, você e essa boca grande, Demi. — Não te interessa com quem.
— Não precisa dizer nada, eu já faço ideia de quem seja...Parece que aquela cara não ouviu meu conselho, não é? Acho que vou ter que dar uma surra nele de novo. — Vince diz ameaçador.
— Ah, me poupe. Você o pegou desprevenido. — Repito o que Joe havia defendido com tamanha veemência naquela noite. Ele garantiu que se não fosse o elemento surpresa, ele teria acabado com Vince. — Esse é o único motivo de você ter conseguido acerta-lo. Agora, me deixe em paz, ok? Eu e o Joe. Estou falando muito sério, Vince. — Digo fazendo a cara mais seria que consigo e vou embora, dessa vez para meu alívio, ele não me segue ou tenta me impedir.
“Meu Deus, esse cara precisa de uma namorada. E rápido.”
Mal digo oi quando a porta se abre, e Joe me agarra e me puxa para dentro. Sua boca vem desesperada de encontro com a minha, como se não nos beijássemos há semanas.
— Meu Deus, o que é isso? — Pergunto sem fôlego quando ele finalmente dá uma trégua a minha boca e começa a depositar seus beijos apaixonados por toda a extensão de meu pescoço.
— Senti sua falta. Preciso de você para salvar meu dia.
— O que aconteceu? — Pergunto aproveitando de suas caricias e envolvendo seu corpo com meus braços.
— Problemas na empresa. Uma certa pessoa querendo ferrar com meu contrato com a Thompson Reuters Company. — Sua voz sai estranha e abafada por que sua cabeça está enterrada em meu pescoço.
— Qual o proble... — Começo a perguntar, mas sua boca volta a atacar a minha.
— Não quero falar disso agora, não quando tenho você em meus braços e uma utilidade muito melhor para minha boca.
Joe me arrasta em direção ao sofá da sua sala, sem nunca quebrar o contato entre nossos corpos e nossa boca.
Suas mãos viajam freneticamente pelo meu corpo, me apalpando, me acariciando e me apertando.
Minhas mãos também viajam por seu corpo, sinto os músculos do seu peito forte e os gominhos do seu abdômen sarado, depois escorrego minhas mãos até sua bunda perfeita e aperto com força, o que faz com que Joe solte um grunhido primitivo e cheio de desejo.
Ele me joga no sofá e agarra minhas pernas, num movimento tão rápido que parece ensaiado, Joe tira minha calça e minha calcinha.
Quando o vejo se ajoelhando diante do sofá, começo a tremer em antecipação. Ele segura minhas coxas e me obriga a abrir minhas pernas o máximo possível.
Normalmente ele gosta de me provocar, começando suas caricias com a boca bem devagar, mas não dessa vez. Ele enterra sua cabeça entre minhas pernas e assim que sinto o primeiro contato de sua língua contra meu sexo, solto um grito misturado com gemido.
“Isso é bom demais.”
Como tudo que Joe faz, ele é o melhor. Ele faz os movimentos certos, na velocidade certa e nos pontos certos, não podendo me provocar outra reação se não me agarrar ao sofá e gemer sem pudor algum.
Enfio meus dedos em seus cabelos escuros e macios e os puxo diante da intensidade do meu prazer. Os barulhos provenientes do que sua boca está fazendo comigo são tão eróticos, tão excitantes, que juntamente com as caricias de sua língua morna, me levam até a borda. — Joe...Vou gozar. — Gemo para ele.
Joe intensifica as lambidas e os chupões e sinto meu orgasmo desabrochando lindamente como uma flor na primavera, e me atingindo com força suficiente para me deixar sem ar.
Arqueio as costas, abro a boca em uma suplica gloriosa e silenciosa e vejo tudo ao meu redor fora de foco. Meu corpo treme e meu coração bate acelerado, logo aquele bem estar pós-orgástico domina meu corpo e sinto todos os meus músculos relaxando.
Fecho os olhos e tento fazer o ar voltar a entrar normalmente em meus pulmões.
“Caramba, esse foi dos bons!”
Claro que com Joe, todos os meus orgasmos são de me fazer querer subir pelas paredes, mas tem vezes que eu acho que ele consegue se superar.
Quando escuto o barulho de um zíper se abrindo, espio com um olho e vejo Joe já completamente nu vindo para cima de mim.
Seu corpo se encontra com o meu, me cobrindo como um cobertor quente e muito gostoso. Sua boca captura a minha e a ponta de sua ereção se encaixa em minha entrada.
— Eu te amo, Demi. — Ele sussurra para mim e então me penetra, mas apenas um pouco.
— Eu te amo. — Ele repete e me penetra mais um pouco. Sua ereção me invadindo dolorosamente devagar.
— Eu te amo, eu te amo, eu te amo... — Quando ele está todo dentro de mim, Joe fecha os olhos com força e solta um gemido.
— Deus, eu queria ficar aqui para sempre. Você é o paraíso, o meu paraíso. — Seus olhos azuis tão lindos se abrem e me encaram com tanto amor que sinto um arrepio percorrer meu corpo e uma sensação estranha, porém gostosa, se acomodar em meu estômago.
— Eu te amo, Joe. — Digo e percebo que minha voz sai rouca pela emoção. O que está acontecendo aqui é tão simples, mas eu juro que sinto o amor de Joe irradiando até mim, e ele é tão poderoso. Sinto algo em meu coração que me faz ter vontade de chorar.
É como se algo dentro de mim estivesse despertado pela primeira vez. A percepção assustadora do que eu sinto por Joe é algo além da minha capacidade de compreensão, algo além do que se é possível exprimir em palavras, e mesmo assim, diante de algo tão grande a apavorante, me sinto leve, em paz.
Sentindo Joe me penetrando lentamente, percebo o que ele está querendo me dizer, mesmo sem as palavras exatas.
Não estamos transando, fazendo sexo ou qualquer outro nome que você queira chamar. E também não estamos só fazendo amor, é muito além. Estamos nos conectando, fundindo nossos corpos e nossos corações para nos tornarmos um só.
Sentindo as investidas de Joe contra mim e os beijos apaixonados ao longo do meu pescoço e meu rosto, e depois de perceber algo tão importante sobre nossos sentimentos, não consigo mais controlar e permito que algumas lágrimas escorram pelo meu rosto.
— O que foi, meu amor? — Joe pergunta suavemente quando percebe que estou chorando.
— Eu nunca achei que fosse me sentir tão feliz como agora. — Digo, minha voz parecendo o sopro fraco do vento.
— Eu nunca achei que fosse amar alguém, obrigado por me mostrar que eu estava errado. Obrigado por me amar de volta. — Ele diz e percebo que está falando sério e de fato me agradecendo por retribuir seus sentimentos.
— Joe. — Seu nome sai de meus lábios em um sussurro um segundo antes dele me beijar.
Eu nunca tive tanta certeza antes na minha vida como a que eu amo Joe. E tenho certeza agora também, que eu vou enfrentar quem quer que seja que for contra nosso amor.
Não vou deixar ninguém me tirar dos braços de Joe e vou lutar por nós dois, mesmo que seja contra minha família.
Nosso amor vale a pena. 

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Ufah! Depois de muito tempo aqui estou eu.
Desculpem a super demora pra postar, mas é que realmente esse ano ta bem corrido pra mim. Formatura, mudança, vestibular... é muita coisa pra minha cabeça.
Sempre que der, posto aqui pra vocês.
Espero que compreendem.
xoxo

20.2.16

Paixão Inesperada - Capitulo 19 - Eu Amo, Tú Amas, Nós Amamos


~

Joe
Oito anos atrás...
Deixo meu corpo exaurido cair na cama, e assim como o cansaço, o arrependimento toma conta de mim e me deixa sem reação.
Eu prometi para mim mesmo que isso não iria mais acontecer, e eu estava indo tão bem, tinha até conseguido recusa-la na minha festa de aniversário. Ah, se Eva não fosse tão gostosa...
— Docinho, você é incrível, sabia? — Ela diz se apoiando nos cotovelos, não se preocupando em cobrir seus peitos com o lençol.
— Sim, eu sei. — Digo de forma arrogante, e ela solta uma gargalhada.
— Por isso que eu gosto de você. Somos tão parecidos.
— Acho que não, baby, não somos nada parecidos.
— Você que se engana, somos mais parecidos do que você pensa, e é exatamente por isso que devemos ficar juntos.
— Você é maluca, não é? Só pode. Eu já disse que eu não me comprometo com nenhuma mulher, nunca. E eu já havia dito que todo esse lance de fazermos sexo toda hora e sairmos estava acabado.
— Mesmo assim, aqui estamos. Na sua cama, no seu quarto, no apartamento que você divide com seu amigo. Acabamos de fazer sexo delicioso e selvagem, mesmo você tento me chamado de louca perseguidora e dito que não queria mais me ver.
— Isso é porque eu sou fraco quando se trata de mulheres como você, e você sabe disso. Mas essa foi a última vez. — Ela solta outra gargalhada.
— Foi isso que você disse na vez passada, e na outra, e na outra e na outra...
— Tudo bem, eu já entendi que autocontrole e força de vontade não são o meu forte. Mas estou falando sério dessa vez.
— Claro que está. Porque você não vê de uma vez por todas que nós fomos feitos um para o outro e devemos ficar juntos para sempre, docinho?
Ótimo, tudo de novo. Porque é que eu tive que ceder a tentação? Essa mulher nunca vai me deixar em paz, que saco! Mesmo o sexo sendo sensacional, ela é maluca e eu tenho que ser mais forte na próxima vez que ela começar a arrancar as roupas fora e se esfregar em mim.
— Olha, Eva, se tem alguém aqui que tem que ver alguma coisa, é você. Eu não sinto nada por você além de tesão, bom, na verdade, depois que você começou a me perseguir e bancar a louca, também sinto um pouco de raiva. Mas é só isso. Não te amo, não quero ter um relacionamento com você e não quero mais te ver. Vá embora agora.
— Mas eu te amo, docinho. E eu amo o suficiente por nós dois. — Ela começa a beijar meu peito, seguro-a e a jogo para o lado.
Levanto-me e visto minha calça, então pego suas roupas e joga para ela. — Vista-se e de o fora, rápido.
Ela solta um suspiro, mas levanta-se e começa a se vestir como eu mandei.
— Você vai acabar percebendo que eu tenho razão, e vamos ficar juntos no final. É só uma questão de tempo, você vai ver. — Nem me dou ao trabalho de respondê-la. Toda vez é a mesma merda, a mesma ladainha maluca.
— A gente se vê depois, não precisa me acompanhar até a porta.  — Ela me dá um beijo rápido nos lábios e se encaminha para a porta.
— Eu não ia mesmo.
Deus do céu, que mulher maluca, gostosa, mas muito maluca. Porque ela não aceita que não tem nada entre nós e parte para outra?
A última coisa que eu preciso ou quero é uma mulher grudada no meu pé.
— O que foi? Parece que viu um fantasma, docinho. — Eva diz com evidente satisfação por sua súbita aparição ter me deixado sem fala.
— Eva...O que você está fazendo aqui? Faz tanto tempo.
— Seis anos, quase sete. Eu sei. Senti sua falta, Joe. Você sentiu a minha? — Ela pergunta sugestivamente.
Eu ainda a olho sem conseguir acreditar que ela está mesmo na minha frente, depois de todos esses anos.
Meus olhos viajam por seu corpo, ela não mudou nada. A não ser que agora está muito mais elegante, com ar e uma postura refinados, e com um enorme anel de diamantes no dedo.
— Você é casada? — Pergunto incrédulo encarando seu anel.
— Muito bem casada, por sinal. Não vai ficar com ciúmes, não é? Você teve a sua chance.
Deus do céu, isso é algo que eu nunca imaginaria. Eva casada! Quem será o pobre coitado?
— Ah, Joe, vejo que já conheceu minha esposa. — Carlson Thompson surge atrás de Eva vindo de Deus sabe onde.
Observo abismado seu braço ir até a cintura de Eva e permanecer lá. Isso não pode ser verdade, eu devo estar sonhando.
Eva McKenna é a esposa de Carlson Thompson? Esse mundo é mesmo muito pequeno.
Sabendo que tenho que manter a postura profissional, me recomponho e coloco um sorriso no rosto.
— Ah sim, Sr. Thompson. Acabei de conhecer sua esposa, é um prazer senhora. — Digo voltando meu olhar para Eva e sorrindo.
— O prazer é todo meu, acredite. — Ela diz sugestivamente, e na hora olho para seu marido, mas ele parece alheio aos olhares de sua esposa para mim e sua forma provocadora de falar.
Nesse instante um funcionário do restaurante vem nos dizer que nossa mesa está pronta.
— Com licença, senhores, senhora. A mesa está pronta, queiram me acompanhar, por favor.
Seguimos o funcionário e nesse momento vejo Will chegando, bem a tempo.
— Desculpe o atraso, o trânsito está uma loucura. — Will diz ao se aproximar.
— Sem problemas. Sr. Thompson, esse é Will Stuart, um dos advogados da Townsend, o melhor devo acrescentar.
— Muito prazer, Sr Thompson. — Ele e Will trocam um aperto educado de mãos.
— Muito prazer. Essa é Eva McKenna Thompson, minha esposa e minha advogada.
Will cumprimenta Eva, mas vejo seu sorriso presunçoso quando ela percebe minha reação ao descobrir que ela é a advogada.
Tudo bem, esse dia está muito bizarro. Eva ter se casado já é algo espantoso, com o dono da Thompson Reuters Company é mais ainda, agora, ela ser a advogada dele? Quando eu a conheci ela já tinha idade para ter se formado, mas ela não estava nem na faculdade e gritava para quem quisesse ouvir que nunca iria atender as expectativas da sua família e fazer direito.
— Bom, vamos nos sentar?
Todos concordamos e voltamos a seguir o homem que estava pacientemente no canto esperando as apresentações para poder nos guiar até nossa mesa.
Não sei não, mas essa aparição de Eva não está me cheirando bem. É melhor eu ficar de olhos bem abertos, porque se ela ainda for pelo menos um pouco tão louca como era alguns anos atrás, vai me causar muita dor de cabeça.
Demi
Ainda me sentindo um pouco eufórica, mas sobretudo relaxada, depois dos orgasmos maravilhosos, deito no peito nu de Joe e deixo que seu calor me reconforte.
Acho que ficar em seus braços é uma das dez melhores coisas na vida, e das outras nove, pelo menos seis tem a ver com Joe.
É incrível como ele conseguiu se infiltrar para dentro de mim, sobre minha pele.
Joe é uma grande parte da minha vida agora, e ele nem sabe. Ele tem uma importância, que chega a ser patética, se você parar para pensar na nossa “relação”. Ele é tudo para mim, e eu sou nada para ele.
E podem falar o que for, Joe não é só um rostinho bonito, eu já sabia isso, mas depois do modo que ele agiu comigo quando eu estava deprimida, tive certeza. Ele foi tão fofo, na hora eu o tratei mal, mas depois que ele se foi e eu parei para pensar no seu modo carinhoso, meu coração se aqueceu. Eu sei que ele não é assim com todo mundo, por isso seu gesto significou mais ainda.
Eu meio que entrei em um lugar escuro depois da minha conversa com Vince. Eu fiquei tão magoada, tão dolorida por dentro, foi horrível. Não porque eu ainda sinto algo por Vince, a cada dia que passa eu tenho mais certeza que ele não está mais em meu coração, mas foi muito dolorido descobrir que ele tinha feito aquilo enquanto eu ainda o amava. Eu senti uma dor enorme por saber que enquanto eu o amava com todo o meu coração, ele me traia.
Eu sofri não por amar ele, mas pelo amor que um dia eu senti, porque só eu sei o quanto ele significou para mim.
Mas depois de Joe ir me salvar e me puxar para fora daquele buraco escuro no qual eu estava, eu percebi que Joe tinha razão, eu não podia deixar Vince fazer aquilo comigo.
— Você está quieta hoje. — Joe comenta enquanto acaricia meu ombro nu.
— Isso tem a ver com...Com aquele cara? Você ainda está assim por causa dele?
— Não.
— É só isso que eu recebo? Um ‘não’? — Sorrio. Apoio-me em meu braço e levanto a cabeça.
— Isso não tem nada a ver com Vince. Isso tem a ver com a minha família.
— Como assim, aconteceu alguma coisa? — Ele pergunta preocupado.
— Ah Joe, eu não sei ao certo. Parece que as coisas não estão indo nada bem para Selena e Nick.
— Ainda aquela história da Selena não querer ter filhos?
— Acho que é mais complicado que isso. Não era para eu ou Miley ficarmos sabendo, mas ela escutou uma conversa e me contou. Parece que Selena anda muito estranha ultimamente.
— Estranha como, baby?
— Ela começou a vir para Dallas com muito mais frequência, e quando Nick lhe perguntou sobre isso ela lhe deu uma desculpa que depois Nick descobriu ser uma mentira. Ela anda irritadiça e meio distante.
— Será que ela está com algum problema? Nick tentou falar com ela?
— Parece que sim, mas não adiantou nada. Na conversa entre Nick e mamãe que Miley ouviu, Nick disse algo que...Ele disse que acha que Selena está tendo um caso. — Digo tristemente e a reação de Joe foi igual a minha reação quando Miley me contou. Espanto.
Incredulidade.
— Não. Selena não faria isso, não posso acreditar que seu irmão realmente pense que Selena o trairia. Eles se amam tanto, me recuso a acreditar nisso.
— Nick não comentou nada com você?
— Não, nós nos falamos por telefone algumas vezes depois daquela vez que ele veio aqui, mas ele não me falou nada sobre isso.
— Achei que talvez ele tivesse falado, ou pelo menos comentado alguma coisa, afinal vocês são melhores amigos.
— Talvez seja algo que ele queira manter só entre vocês.
— Estou tão preocupada, Joe. Nem por um segundo eu achei que Selena pudesse estar traindo meu irmão, mas ela tem estado estranha mesmo.
— Linda, não se preocupe com isso. Sei que Nick e Selena vão resolver isso tudo, eles se amam demais.
— Espero, não gosto de ver meu irmão triste e infeliz. — Deito-me novamente em seu peito e envolvo sua cintura com meu braço.
Em momentos como esse, é tão fácil fingir que Joe sente o mesmo que eu. Que ele me ama.
— O que você vai fazer amanhã? — Ele pergunta.
— Eu falei com Dani hoje, amanhã passaremos o dia todo em Austin a procura do vestido de noiva perfeito.
— Ela ainda não comprou um vestido? Mas eles vão se casar em semanas.
— Eu sei. — Rio. — E isso a está deixando maluca. Acho que, sem brincadeira, ela já deve ter provado uns 40 vestidos, e não gostou de nenhum.
— Quem vai com vocês?
— Miley, Mitchie, sua mãe e a minha.
— Mas vocês voltam ainda amanhã?
— Não sei, Dani disse que se precisar, dormiremos lá, porque ela não vai sair daquela cidade sem um vestido.
— Nesse caso, já que possivelmente eu não vou te ver amanhã, vou ter que começar a matar a saudades agora. — Ele diz com uma voz sexy e me vira na cama, me deixando de costas, e sobe em cima de mim. Eu rio enquanto ele beija várias vezes meu rosto. Ele finalmente chega a minha boca e me beija com tanto desejo, que me aquece instantaneamente.
— Joe. — Seu nome me escapa por entre os lábios em forma de suspiro.
Suas mãos viajam por meu corpo e sua essência se mistura com a minha. É como se fossemos um só.
Infelizmente aquela loja da qual eu havia recebido um e-mail não agradou Dani. Ela experimentou vários vestidos e não gostou de nenhum. Ou tinha renda demais, ou era espalhafatoso demais ou simples demais.
E depois de passarmos a manhã toda caçando o vestido perfeito e só recebermos negativas em troca, eu e as meninas começamos a ficar frustradas.
— Nunca imaginei que seria tão difícil, queria que minha mãe estivesse aqui. — Dani diz meio chorosa quando nos sentamos na mesa do Perla’s para almoçarmos.
— Calma Dani, nós vamos encontrar o vestido perfeito, não se preocupe. — Denise tenta reconforta-la e segura à mão de Dani.
— Estamos todas aqui a sua disposição, vamos encontrar esse vestido, nem que tenhamos que rodar Austin inteira, não é meninas? — Mamãe diz e todas concordamos.
Dani faz um sinal com as mãos e balança a cabeça.
— Não quero mais falar sobre vestidos agora. Mitchie, Aaron te falou alguma coisa sobre o que os meninos planejam fazer na despedida de solteiro?
— Não, ele não comentou nada comigo. — Mitchie responde.
— Mas você perguntou para ele? — Mitchie balança a cabeça negativamente.
— Ah Mitchie, mais atitude menina. Você está encarregada de descobrir o que os meninos vão aprontar.
— Como você sabe que eles vão aprontar alguma coisa? — Denise pergunta rindo.
— Desculpa, Denise, mas você conhece seus filhos. Principalmente o
Joe... — A menção do nome dele meu corpo todo se arrepia. —
Aposto que ele e o tarado do primo do Aaron, Jason, vão querer levar todos em algum clube duvidoso.
— Dani! — Mamãe a repreende.
— Tudo bem, Dianna. Você tem razão, Dani. Mas o Kevin não vai aceitar isso, e o Joe, por incrível que pareça, está mais comportado agora. — Ela diz rindo e um leve sorriso no canto dos meus lábios me escapa.
Ela não falaria isso se soubesse o que o Joe anda fazendo e com quem. Como se sabendo que estamos falando dele, recebo uma mensagem:
Joe: Como vai a caça ao vestido perfeito? Acha que consegue voltar a tempo de dormir aqui? Minha cama fica tão vazia sem você!!
Sorrio ao ler sua mensagem e respondo-o imediatamente.
Demi: Infelizmente as noticias não são boas, sem sorte na nossa caçada. Não sei se voltaremos para Dallas hoje :/
— Demi, você está me escutando? — A voz de Dani me traz de volta dos meus pensamentos sobre Joe.
— Oi?
— O que você vai querer, menina distraída. — Mamãe diz e só agora percebo que tem uma moça ao lado da nossa mesa anotando os pedidos.
— Ah sim, eu vou querer... — Pego o menu e peço o primeiro prato que vejo. — Esse Perla’s Bouillabaisse.
Depois do almoço fomos a mais três lojas e agora estamos na quarta. Dani já está provando seu terceiro vestido, estou começando a pensar que teremos que partir para uma quinta loja quando Denise pede que Dani experimente um modelo que ela particularmente achou lindo.
Dani faz uma careta como se não gostando muito do vestido, mas Denise insiste e ela cede.
— Ah meu Deus. — Escutamos a voz de Dani vinda de dentro do provador e todas paramos de conversar na hora.
— Dani, querida, está tudo bem? — Mamãe pergunta, mas não obtém uma resposta. Alguns instantes depois Dani aparece e seu rosto está cheio de lágrimas.
Todas nós nos levantamos quando vemos Dani com o vestido. Ela está linda.
Está tão perfeita e radiante, que ficamos em silêncio por um momento, apenas a encarando.
— Acho que é esse. — Dani diz emocionada. Vejo mamãe e Denise enxugando suas próprias lágrimas.
— Dani, você está linda. — Mamãe diz com admiração na voz.
— Perfeita, minha querida. — Denise complementa o elogio.
O vestido não tem nada demais, na verdade é bem simples, mas é lindo em toda a sua simplicidade e combina perfeitamente com Dani e o estilo do casamento. Ao ar livre e sem muita pompa.
O vestido é longo e tem uma pequena calda, mas não é armado, o tecido cai livremente perto do corpo. Na frente tem algumas flores rendadas e a renda se estende até a parte que cobre os seios, com um decote modesto e tiras que sobem e se mesclam com o detalhe em renda dos ombros.
Dani se vira e eu posso ver que a parte de trás tem um enorme e ousado decote em “v” que termina em um laço, expondo uma grande quantidade da pela clara de suas costas.
— É perfeito, prima. — Digo sorrindo para ela.
— Pela sua reação, é esse mesmo?
— Sim, ele é simples, mas perfeito. É lindo e é como eu queria. — Dani diz com um sorriso enorme.
— Então a caçada ao vestido de noiva perfeito está oficialmente encerada? — Miley pergunta parecendo um pouco mais animada do que deveria.
— Sim, é esse. Tenho certeza. — Ela diz e todas nossas aplaudimos e a abraçamos, rimos e choramos.
Esse casamento vai ser tão lindo. Kevin e Dani se amam tanto e vai ser maravilhoso presenciar a união desses dois.
O dia foi divertido, mas estou exausta e feliz por não ter precisado dormir em Austin e estar de volta ao meu pequeno apartamento em Dallas. Mas feliz ainda por chegar aqui e Aletta não estar presente empesteando o ar com sua presença fétida.
Depois que achamos o vestido, decidimos ficar mais algumas horas na cidade e fazer algumas outras compras. Fomos ao shopping e apesar de Dani já ter comprado lingerie suficiente para umas quatro luas de mel, ela quis comprar mais, o que foi uma experiência meio estranha se levando em consideração que Denise, mãe de Kevin, estava junto.
Aproveitei um momento de distração das meninas e escolhi algumas lingeries sexys para mim. Joe vai pirar quando ver o que eu comprei.
Batemos perna no shopping mais um pouco e compramos algumas outras coisas. Levamos menos tempo nas compras do que havíamos pensado anteriormente, então cheguei em casa por volta das 19 horas.
E assim que cheguei em casa uma ideia me veio a mente. Joe acha que eu vou dormir em Austin hoje, ou então chegar tão tarde que não poderemos nos ver, mas ainda é cedo e eu sei que ele vai gostar se eu aparecer no seu apartamento para lhe fazer uma surpresa.
E eu posso fazer aquilo que eu estava querendo mas sempre me esquecia. Perfeito.
Vou até a cozinha e verifico se tenho todos os ingredientes necessários. Em uma das nossas conversas Joe admitiu que comera os meus biscoitos mesmo sendo horríveis, claro que eu era só uma criança e não sabia cozinhar, mas eu prometi recompensa-lo por isso, e como agora, modéstia a parte, eu cozinho muito bem...Isso vai ser perfeito.
Vou aparecer em sua casa com uma fornada de biscoitos quentinhos e deliciosos e com uma lingerie sexy por baixo das roupas. Uma bela opção para quem passaria a noite sozinho.
Sorrio animada e separo todos os ingredientes para fazer a fornada de biscoitos, depois que os coloco no forno e aciono o timer vou tomar um banho.
“Joe vai ter uma surpresa bem gostosa hoje à noite.” Penso maliciosamente.
Joe
Escuto alguém a porta e vou atender. Quando abro vejo Patrick e Suzana parados com um sorriso animado no rosto.
— Patrick.
— Joe, quanto tempo, cara. — Nos abraçamos animadamente.
— E essa é a pequena Suzana? Nossa, como você cresceu. — Digo lhe cumprimentando com um beijo no rosto.
— Entrem, por favor. — Peço e abro caminho para que um dos meus grandes amigos da época da faculdade e sua irmã mais nova entrem.
— Quanto tempo, cara. — Patrick comenta.
— Pois é. Venham se sentar, fiquem a vontade. — Digo encaminhando-os para o sofá. — Como estão as coisas em Washington?
— Maravilhosas. Mas sabe como é, uma vez cowboy sempre cowboy, sinto muita falta desse lugar.
— Você que quis se mudar assim que se formou. — Lembro-o.
— E me levou junto. — Suzana comenta com ar divertido.
— Você adora Washington, não finja que não.
— Eu adoro mesmo.
— Aceitam algo para beber? Vinho, uísque, cerveja?
— Eu aceito um uísque. Suzana não bebe, não tem idade para isso. — Patrick diz protetor e vejo sua irmã revirando os olhos.
— Um suco então? — Pergunto.
— Não, mas obrigada. — Ela diz sorrindo amigavelmente.
Levanto-me e busco dois copos com uísque, um para ele e outro para mim.
— Vou te falar Patrick... — Digo lhe entregando o copo e sentando-me novamente. — Quando você me ligou hoje dizendo que estava em Dallas e perguntando se poderíamos jantar, fiquei muito surpreso. Reencontrei outra pessoa daquela época uns dias atrás, mas devo dizer que você é uma companhia muito mais agradável. — Digo e ele ri.
— Então, o que te trás de volta?
— Negócios. E aproveitei para trazer Suzana, ela estava com saudades de alguns velhos amigos.
— Fico feliz que você tenha me ligado. Você tem noticias de algum dos rapazes de antigamente?
— Tenho o telefone do Peter e do Derek, mas raramente nos falamos, o que é uma pena. Nick ainda está por aqui?
— Está sim, ele e a esposa, Selena.
— Ainda casados?
— Ainda casados e mais apaixonados do que nunca. — Digo mas então me lembro do que Demi me contou. Não. Tenho certeza que eles vão conseguir passar por isso, o amor deles é forte o suficiente. O amor deles é daqueles que são raros de se encontrar, seja o que for que estiver acontecendo com Selena, eles vão superar isso, juntos.
— Quem diria, não é que esse namoro de ensino médio durou? Que sorte ele tem. Eu me divorciei recentemente. — Ele diz e vejo um pouco de tristeza brilhar em seus olhos.
— Que pena, sinto muito. — Digo.
— Tudo bem, não era para ser. Mas e você, ainda o mesmo Joe que morre de medo de relacionamentos que eu me lembro? — Pergunta divertido e bebe o uísque.
Na hora penso em Demi e em como eu gostaria de ter um relacionamento sério com ela, e um sorriso me vêm aos lábios.
— Hum, devo deduzir que esse sorriso bobo é um não?
— O que eu posso dizer, as pessoas mudam. — Digo sorrindo de canto.
— Mas olha, por essa eu não esperava. Como é o nome da operadora de milagres? Porque fazer Joe Jonas se apaixonar é um verdadeiro milagre, com certeza.
— É segredo.
— Mistério, não é? Gostei, apimenta a relação. — Ele diz com um olhar conspiratório e uma voz malandra.
— Patrick! Estou bem aqui. — Suzana diz. Ela estava tão quieta que por um momento até havia me esquecido que estava presente.
Patrick apenas ri e dá de ombros.
— Espero que estejam famintos, pedi para a Sra. Bennet caprichar porque teríamos convidados muito especiais. Vou ver se está tudo pronto, só um minuto.
— Sra, Bennet, está tudo pronto? — Pergunto enfiando minha cabeça pela porta da cozinha.
— Ah sim, está tudo pronto. — Aquela senhora de meia idade, que me lembra aquelas vovós corujas, me responde.
— Ótimo, obrigado.
— O jantar está pronto. — Digo ao voltar para a sala.
Vamos até a mesa de jantar e o cheiro delicioso proveniente da cozinha atiça meus convidados.
— Hum, que cheiro maravilhoso. — Suzana comenta.
— Muito, se o gosto for pele menos a metade que é o cheiro, a comida estará divina. — Patrick diz.
— Acredite, o gosto estará melhor. A Sra. Bennet é uma cozinheira de mão cheia.
Então o jantar é servido e Patrick e Suzana podem comprovar que eu falava muito sério. A comida estava espetacular como sempre.
— Ah Patrick, deixe-a tomar um gole de vinho. — Digo ao meu amigo quando ele não deixa sua irmã experimentar o excelente vinho que escolhi para o jantar.
— Sim, só uma taça. — Suzana pede.
— Meia taça, e só. — Ele diz lhe dando aquele olhar severo de irmão mais velho e por um momento sinto uma saudade enorme de Holly. Mamãe está certa, tenho que visita-la com mais frequência.
Suzana prova o vinho e sorri.
— Delicioso. — Ela toma todo o conteúdo de sua taça e eu a reabasteço antes que Patrick possa dizer algo.
— Se não fosse por sua mulher misteriosa, diria que está tentando embebedar minha irmãzinha. — Patrick diz e ri.
Estou pronto para lhe dar uma resposta à altura, mas sou interrompido quando Suzana sem querer deixa derramar quase todo o vinho em seu vestido claro.
— Ah droga, meu vestido novo! — Ela exclama se levantando rapidamente e tentando limpar a mancha com o guardanapo, o que só deixa-a pior.
— Não tente limpar, se não vai ficar pior. — Digo.
— Não acredito, esse vestido é novo e muito caro, agora é inútil. — Ela diz tristemente.
— Calma, se agirmos rápido pode ser que tenha salvação. Tire o vestido que eu peço para a Sra. Bennet tentar dar um jeito nisso, ela conhece vários truques domésticos para tirar manchas. Uma vez derrubei vinho no tapete, e ela tirou facilmente.
— Tirar o vestido? E você quer o que, que ela fique nua? — Patrick pergunta levantando a sobrancelha, me questionando.
— Claro que não. Venha, Suzana. Vou lhe emprestar alguma roupa minha enquanto a Sra. Bennet cuida do seu vestido. — Digo levantando-me e ela timidamente me segue.
— Sinto muito mesmo, Joe. Sou uma atrapalhada. — Ela diz com as bochechas coradas de vergonha.
— Não se preocupe. — Dou-lhe um sorriso simpático. — Acidentes acontecem.
Levo-a até meu quarto e por um segundo me pergunto se Demi se importaria se eu emprestasse alguma roupa sua para Suzana, mas decido que é melhor não, afinal são suas roupas e ela não está aqui para consentir, então pego uma calça de moletom com elástico e uma camisa minha e entrego para ela.
— Pode vestir isso, é meu e provavelmente ficará grande, mas é só até limparmos seu vestido.
— Muito obrigada, Joe. E desculpe, de novo.
— Sem problemas. Fique a vontade. Mas troque-se rápido para ter mais chances de salvar seu vestido.
— Tudo bem. — Ela diz.
Fecho a porta do quarto e volto para a companhia de Patrick. Assim que me sento na mesa de jantar, escuto uma batida na porta.
“Quem será?”
— Só um minuto, Patrick. Com licença. — Digo e vou receber a pessoa inesperada.
Quando abro a porta, me pegando desprevenido pois não esperava vê-la essa noite, Demi me encara com um sorriso largo e um pouco safado no rosto. Seus olhos brilham com excitação, e por um momento, a visão do seu belo rosto me deixa sem palavras.
— Oi, Joe.
— Demi? O que você está fazendo aqui? — Pergunto confuso pois achei que ela ficaria até tarde em Austin fazendo compras.
— Voltamos mais cedo. Isso é para você. — Ela diz e só agora percebo que carrega um prato envolto em papel filme e cheio de biscoitos com gotas de chocolate e que parecem deliciosos.
— Eu disse que iria te compensar por você ter comido aqueles biscoitos horríveis anos atrás. Queria lhe fazer uma surpresa, está surpreso? — Ela pergunta ainda sorrindo como se estivesse tramando algo.
— Bem, estou. Não esperava vê-la hoje à noite. — Mas não estou reclamando, de forma alguma.
— E eu tenho outra surpresinha para você, embaixo da minha rou... — Demi se interrompe bruscamente e olha para além de mim, seu sorriso morrendo nos lábios e o brilho do seu olhar se apagando.
Olho para trás e vejo Suzana vinda da direção do meu quarto, usando minha calça e minha camisa, que ficam enormes nela, e seu vestido manchado nas mãos.
— Ah, pelo visto você já tem companhia. — Ela diz com rancor, sua voz trêmula.
Olho novamente para ela para pergunta-lhe o que ela quis dizer com isso, e me deparo com seus olhos cheios de lágrimas.
— Bom, não quero atrapalhar a sua diversão. Adeus. — Ela empurra o prato na minha direção, e se eu não tivesse bons reflexões ele teria se espatifado no chão, se vira e sai andando tão rápido que praticamente está correndo.
Depois de um segundo tentando entender o que acabou de acontecer aqui, minha ficha caia. Olho para Suzana vestida com as minhas roupas, vinda do meu quarto e que me olha com confusão no olhar.
“Ah merda, Demi achou que eu e Suzana...Porra”.
— Segura aqui. — Dou o prato com os biscoitos que Demi fez para mim para Suzana e saio correndo do apartamento.
Não posso deixar Demi pensar que alguma coisa estava acontecendo entre Suzana e eu. De repente a ideia de ela achar que eu estava dormindo com outra me causa náuseas. E medo.
Se ela soubesse que eu só tenho olhos para ela. Olhos e todo o resto, tudo é só dela.
— Demi, espera, eu posso explicar. — Grito, mas é tarde demais. As portas do elevador se fecham com ela dentro, só tive tempo de ter um vislumbre de seu rosto manchado por lágrimas. Caralho.
Quase quebro o botão chamando o elevador, quando ele finalmente vem, aperto o botão do térreo e juro por Deus, esse elevador nunca pareceu tão lento. Por sorte ele não parou em nenhum andar.
Saio para a recepção e procuro por ela, mas não consigo acha-la. Um desespero angustiante começa a tomar conta de mim, como aqueles que precedem algo de muito ruim.
Preciso acha Demi e dizer que ela entendeu tudo errado.
Percebendo que ela não está mais por aqui, saio correndo para fora do prédio. Graças a Deus consigo acha-la. Ela está tentando colocar as chaves na porta do carro, mas posso ver que suas mãos tremem.
Vou correndo até ela, desesperado para esclarecer o mal entendido.
— Demi, espere, por favor.
Quando ela escuta minha voz, se vira imediatamente, e sua expressão é um misto de raiva e magoa.
— O que você está fazendo aqui? Devia estar lá em cima com sua...Amiga. — Ela diz fazendo uma careta.
Paro na sua frente e me corta o coração ver seu rosto manchado pelas lágrimas.
— Você entendeu tudo errado, me deixe explicar. — Imploro com o coração batendo a mil por hora em meu peito.
— Eu entendi tudo perfeitamente. Eu não estaria na cidade para te divertir então você achou outra, não é? Tudo bem, se é isso que você quer, vá em frente. — Ela diz com magoa e percebo que tenta se controlar para não chorar mais, mas seu lábio treme e seus olhos se enchem com mais lágrimas não derramadas.
— Não, Demi. Não é nada disso que você está pensando. Suzana e eu não...
— Quer saber? — Ela me corta, parecendo muito furiosa agora. — Eu achei que a gente tinha combinado que seriamos exclusivos, mas acho que eu fui muito idiota de achar que você se contentaria em ficar só comigo.
— O que? Não, não Demi. Me deixe explicar.
— Não tem nada para ser explicado. Eu cansei disso, Joe. Eu cansei desse nosso lance, cansei de aceitar as migalhas da sua atenção, cansei de me machucar e me iludir achando que algum dia você pudesse mudar, e eu definitivamente cansei de sentir o que eu sinto por alguém como você, que nunca vai corresponder aos meus sentimentos. — Ela está praticamente berrado. Ela se vira para entrar em seu carro, mas eu a seguro pelo braço ainda me sentindo tonto com suas palavras.
Ela disse o que eu acho que disse? Eu imaginei a parte em que ela gritou e admitiu que tem sentimentos por mim?
Ah meu Deus, acho que não consigo respirar.
— O que você disse? — Pergunto desesperado para que ela repita, mas ela não diz nada.
Seguro seu outro braço e a puxo para perto de mim, aproximo meu rosto do seu e luto para controlar essa onda de sentimentos que bate fortemente em mim, vinda de todos os lados.
— O que você disse, Demi? — Minha voz sai mais aguda devido ao desespero.
— Que eu estou cansada do nosso lance. — Ela responde, apesar da raiva e da magoa ainda estarem lá, sua voz vacila.
— Não, a outra coisa, sobre sentimento. O que você quis dizer? — Falo rápido, minhas palavras atropelando umas as outras. Preciso que ela repita, preciso saber se eu imaginei aquilo, se eu interpretei mal suas palavras, ou se ela realmente quis dizer o que eu acho que ela disse.
— Nada, não foi nada. Agora não importa mais. — Ela diz aparentando estar um pouco mais calma, mas as lágrimas escorrem livremente pelo seu rosto.
— Ah Demi... — Sinto meus próprios olhos lacrimejarem e o peso do meu amor por ela esmagar meu coração. Assim tão perto dela, a única coisa que eu quero é beija-la e abraça-la tão apertado e nunca mais solta-la. Eu não aguento mais isso. — Se você não tem nada a me dizer sobre sentimentos, eu tenho. Eu estou cansado também, sabe? Cansado de mentir, de guardar esse segredo. Eu não me importo mais se você não sente o mesmo, não me importo com seu irmão ou nossas famílias. Eu simplesmente não aguento mais guardar algo tão grande e poderoso dentro de mim, isso está me consumindo, eu tenho vontade de gritar para o mundo todo ouvir.
— Do que você está falando? — Ela me olha confusa.
— Eu te amo. — Falo de uma vez. Seus olhos se arregalam e sua boca abre em espanto. Sinto um alivio tão grande por finalmente admitir isso em voz alta, que um sorriso se forma em meus lábios.
Afrouxo um pouco o meu aperto em seus braços, já que ela não está mais se debatendo, e puxo-a para mais perto, nossos corpos pressionados um contra o outro.
— Eu te amo com todo o meu coração, com toda a minha alma. Eu te amo com todas as forças do meu ser, com cada suspiro, com cada pensamento, com cada fôlego. Cada pedacinho de você, eu amo por inteiro. Eu amo tudo o que você toca, tudo o que você ama, tudo o que você pensa, tudo o que você é, eu amo o mundo só porque você está nele. Eu amo você, Demi, e não quero ninguém além de você. — Sinto uma lágrima escorrendo por minha bochecha. —Tudo o que está em meu coração e em meus pensamentos é você, você meu amor, você e mais ninguém. E não quero que sejamos amigos com benefícios, que tenhamos um lance ou nada disso. Eu quero você para mim e só para mim, eu quero que você seja minha, quero ter um relacionamento sério com você como eu nunca quis nada em toda a minha vida. Eu quero você, eu preciso de você. — Minha voz falha, quase não consigo ver Demi e sua reação devido as lágrimas que agora escorrem livremente de meus olhos. Mas ela parece chocada, isso eu posso garantir.
— Mas...Mas eu...Eu achei que você não sentia esse tipo de coisa, e aquela mulher lá em cima...Ela estava...
— Não é nada disso que você está pensando. Suzana é a irmã de um amigo meu, amigo que aliás está lá em cima também, ele veio me visitar e estávamos jantando. Ela derramou vinho em seu vestido e eu lhe emprestei algumas roupas, só isso. — Limpo as lágrimas de meu rosto com uma mão, mas continuo segurando-a por perto com a outra, e então limpo suas lágrimas e aproveito para acariciar seu lindo rosto.
— E você está certa, eu não sentia esse tipo de coisa. Não até pouco tempo atrás, não até começarmos a nos envolver e eu me apaixonar perdidamente por você.
Ela começa a balançar a cabeça e posso ver que está se esforçando para entender tudo o que eu lhe disse.
— Eu sei que você ainda ama Vince, mas ele não presta Demi, e se você me der uma chance eu juro que eu...
— Eu não amo Vince. — Ela me corta e diz com confiança.
— Não? — Pergunto. Agora eu que estou confuso. É claro que ela o ama, eu vi como ela ainda se importa com ele.
— Não, eu não o amo, Joe.
— Mas...E aquela noite, eu vi você sofrendo por ele, eu achei que...Você estava tão mal e eu achei que... — Agora é a minha vez de não conseguir formular uma frase decente devido à confusão.
— Não. Aquilo que aconteceu, o modo como eu me comportei...Não teve nada a ver com o que eu sinto por Vince, tinha a ver com o que eu sentia. É complicado e não tem importância, o que importa agora é que, eu não amo Vince, eu amo você, Joe.
Tudo bem, esse deve ser mais um daqueles meus sonhos super realistas em que ela diz que me ama. Não posso acreditar que seja real, tudo o que eu tenho sonhado há semanas é ouvi-la dizer que me ama.
Ela realmente disse isso? Meu Deus, não consigo falar, não consigo me mover, não consigo nem respirar.
Tenho medo de fazer qualquer coisa que possa me acordar desse sonho. Eu não quero acordar, quero ficar nesse lugar para sempre, um mundo de sonhos onde Demi acabou de confessar que me ama.
— Você ouviu o que eu disse? Você está me ouvindo, Joe?
— Diga de novo. Diga, por favor. — Seguro seu rosto com ambas as mãos e imploro com lágrimas de felicidade transbordando de meus olhos. — Diga que você ama, por favor.
— Eu te amo, Joe. Eu estou completamente, perdidamente e irrevogavelmente apaixonada por você. E eu quero ser sua tanto quando você quer que eu seja.
Ah meu Deus! Sinto uma descarga tão grande de alivio, euforia e pura felicidade que sinto meus joelhos vacilarem por um segundo.
— Ah Demi. Você não sabe o quanto eu sonhei em te ouvir dizendo isso, baby. Eu também te amo, muito, muito, muito. — Digo-lhe e sem demora aproximo nossos rostos e junto nossos lábios.
Deixo que toda a alegria e amor que estou sentindo passem de mim para ela, através de nossos lábios.  
Sinto tanta paixão emanando dela quanto de mim mesmo. É tão mágico, tão puro, tão verdadeiro.
Eu nunca me senti tão bem e tão feliz em toda a minha vida. Sinto como se tivesse passado todos esses 29 anos em um martírio, e agora estivesse finalmente livre. Finalmente vivo.
Agarro Demi e a espremo contra mim, agarro-a, acaricio-a e a beijo freneticamente. E ela, tão igualmente desesperada, me abraça forte e devora minha boca com paixão.
Quando ficamos sem fôlego, nos afastamos somente o suficiente para deixarmos um pouco de ar entrar em nosso pulmões e voltamos a nos beijar ferozmente.
E ficamos assim não sei por mais quanto tempo, e sinceramente não me importo com mais nada, nem com Patrick e Suzana me esperando lá em cima, nem com as pessoas na rua, nem com as pessoas que não aprovarão nosso amor, nem com Vince e nem com ninguém.
A única pessoa que importa é ela. Ela, e somente ela.
“Demi me ama, ela realmente me ama!”

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Gente desculpa a demora, minhas aulas estão voltando e to mega ocupada, mas sempre vou postar assim que der.
xoxo