23.2.15

Capitulo 7 - Amor Sem Limites

Amoresssss, desculpem-me por n ter postado antes! Hj teve aula e eu n to funcionando direito hj ansjdk eu esqueci de postar - shame on me - mas aqui está! Comentem e quando eu acordar amanha de manha cedinho, tento postar mais um p vcs ♥ Beijos, amo vcs ♡
Bruna

~

DEMI

Eu não tinha certeza se um jantar de família era boa ideia naquela casa. Joe, no entanto,

estava determinado a encontrar uma forma de ajudar Nan e Kiro a se entenderem. Eu havia passado o dia na piscina. Embora fosse final de novembro, a temperatura ainda estava em 26 graus. Eu estava acostumada com o estranho calor do inverno do Alabama, mas o sol parecia ainda mais quente aqui. Joe havia se deitado ao meu lado e feito um esforço tremendo para passar filtro solar em todo o meu corpo.

Depois do banho, eu estava me sentindo fresca e pronta para enfrentar aquela família maluca, pelo Joe. Havia gostado de Harlow, pelo menos durante o tempinho que tinha cado com ela. Ela não estava brincando quando disse que passava o tempo todo no quarto. Quase não saía. Eu me senti mal por ela. Parecia uma vida solitária. Imaginei como devia ser a vida dela na Carolina do Sul. Será que tinha amigos de quem sentia falta?

Joe entrou no quarto, mas parou no instante em que pôs os olhos em mim.

– Não. Demi, você está linda, gata. Incrível. Mas não pode usar esta roupa no jantar. Seus peitos estão me fazendo querer cancelar tudo e deixar você nua. E ainda tem as pernas de fora e o salto alto. Você não pode ir jantar assim. Kiro é um pervertido, e eu vou acabar matando ele. Por favor, vista alguma coisa que deixe menos peito e menos perna à mostra. Caramba, vista uma calça jeans, um suéter e um tênis.

Se ele não parecesse estar tão perturbado, eu teria cado puta. Eu adorava aquele vestido. Fazia eu me sentir sexy, apesar da barriga. Quanto maior o bebê cava, menos atraente eu me sentia. Minha cintura estava desaparecendo rapidamente.

– Nenhuma das minhas calças jeans me serve, e gosto deste vestido. Eu me sinto bonita com ele.

Joe suspirou e se aproximou de mim.

– Você está maravilhosa, do caralho! Bonita não é a palavra adequada para descrever você neste momento. Só que preciso que você pareça menos a gostosa provocadora de orgasmos e mais a noiva grávida. Não quero ouvir Kiro dizendo coisas grosseiras a seu respeito durante o jantar. Quero tentar conseguir uma trégua entre ele e Nan.

Tudo bem.

– Bom, já que colocou as coisas nesses termos, acho que eu posso me trocar – respondi.

– Sim, por favor. Por mim – implorou Joe.

– Você pode abrir o zíper, então? Já sofri muito para fechá-lo.

Joe levou a mão por trás de mim e abaixou o zíper, então puxou o vestido pelos meus

ombros até ele ficar ao redor da cintura. Eu não estava de sutiã porque as costas eram muito abertas, e meus seios nus pareceram chamar a atenção dele.

– E coloque o sutiã – disse ele num sussurro rouco. Então baixou a cabeça e pôs um dos mamilos na boca. O piercing de metal da língua dele roçou na pele sensível, e eu agarrei seus ombros e me segurei firme.

– Joe, nós temos um jantar daqui a pouco – lembrei a ele enquanto ele abaixava meu vestido até o chão.

– Neste momento não dou a mínima para isso – murmurou ele, passando para o outro mamilo. Deslizou a mão para a frente da minha calcinha e enfiou o dedo em mim com um único golpe suave. Meus joelhos estremeceram.

– Por favor, eu... por favor.

– Por favor o quê? – perguntou Joe, pegando-me no colo e pondo-me em cima da penteadeira atrás de mim. – Abra as pernas – ordenou.

Fiz o que ele queria. Ele então deslizou a mão pelo meu púbis, enfiando e tirando o dedo de mim num ritmo constante. Cada vez que tirava o dedo, espalhava a umidade pelo meu clitóris antes de metê-lo de novo. Eu estava muito perto de um orgasmo. Joe parecia saber me fazer atingi-los com facilidade.

– Está gostoso? Alguém está toda molhadinha – disse ele no meu ouvido, e eu estremeci quando seu dedo saiu e foi um pouco para trás, na direção da minha outra entrada.

Ele serpenteou ao redor e, surpreendentemente, isso me excitou. Achei que fosse me incomodar. O gemido que deixei escapar não passou despercebido.

– Está gostando? – perguntou ele e enfiou gentilmente o dedo na entrada. Senti a pressão no clitóris. Fechei bem os olhos e apenas assenti com a cabeça. – Caralho, gata. Não vou conseguir enfrentar esse maldito jantar pensando em você toda excitada enquanto eu brinco com o seu cuzinho.

Agora eu não queria ir jantar. Queria gozar.

Joe levou o dedo de volta ao meu clitóris e o circundou várias vezes, então o beliscou com o polegar e o indicador enquanto mantinha o anelar dentro de mim. Agarrei os braços dele e dei um grito quando o orgasmo que vinha se formando finalmente explodiu.

Fiquei jogada em seus braços, e ele me segurou forte contra seu corpo ao tirar a mão da minha calcinha. Começou a lamber os dedos, um por vez, e senti meu estômago se agitar ao vê-lo fazer aquilo. Um sorriso tomou conta dos lábios dele quando tirou o último dedo da boca.

– Acho que isso vai me conter até esse pesadelo terminar. Mas me faça um favor: que com esta calcinha. Quero descer sabendo que eu a deixei toda molhada.

As palavras dele zeram meus peitos doerem de excitação de novo. Se ele não parasse, nós jamais conseguiríamos descer para o jantar.

– Vista alguma coisa que vá me deixar calmo e vamos enfrentar o inferno que está nos esperando – sussurrou Joe, pondo-me de pé. – A menos que queira ficar aqui. Trago

comida para você, se preferir não ir.

De jeito nenhum eu iria ficar escondida lá em cima enquanto ele descia para lidar com Nan. Eu iria também. Pretendia manter a boca fechada, mas estaria lá para dar apoio moral. – Eu vou com você. Me dê um segundo. Estou um pouco fraca e sem ar.

Joe sorriu.

– Exatamente como eu gosto de deixá-la.

Recolhi meu vestido do chão e o joguei nele. Então fui até o closet, onde havia pendurado minhas roupas, e peguei outro vestido, que tinha um decote mais discreto e terminava abaixo dos joelhos. Se usasse minhas botas de cano longo, caria bem bonitinha.

Pus o vestido e me virei para pegar as botas.

– Você vai de botas? Essas botas? – perguntou Joe ao me ver calçar o primeiro pé.

– Vou – respondi.

Joe soltou um grunhido e balançou a cabeça.

– Essas malditas botas fazem um homem imaginar que você não está usando nada além delas.

– Joe! Precisa parar com isso. Você acha que todo mundo quer me ver nua. Caso não tenha percebido, estou com barriga de grávida. Homem nenhum quer me ver nua... exceto você.

Joe ergueu as duas sobrancelhas.

– Você realmente acha isso, não acha?

– Eu não acho, tenho certeza.

Joe soltou um suspiro derrotado.

– E este é um dos motivos pelos quais você é tão terrivelmente irresistível. Venha, minha doce Demi. Vamos jantar.

JOE

Com Demi ao meu lado durante o jantar, não ia conseguir me concentrar em Nan. Eu

cava querendo proteger Demi. Quando Nan despertara do coma e soubera do bebê, quase parecera se render um pouco a Demi. Então descobrira que seu pai não era Abe, mas Kiro.

Desde então, Nan afundava cada vez mais, fora de controle. Eu compreendia seu desejo de ter um pai que a amasse. Eu odiara Abe Lovato durante anos pelo fato de minha irmã ser tão frágil. Mas não fora culpa dele. Minha mãe deveria ter sido honesta e a porra do Kiro devia ter se apresentado, como o meu pai, e feito alguma coisa.

Demi apertou minha mão com força quando entramos na sala de jantar. Olhei ao redor e fiquei aliviado ao ver que Nan ainda não chegara. Queria que Demi estivesse sentada e tranquila antes que minha irmã aparecesse.

– Você convoca esta reunião familiar e se atrasa – comentou Kiro com a voz arrastada, reclinando-se na cadeira e observando Demi. Eu estava começando a odiar o cara. Por diversos motivos.

– Nan ainda não chegou. Não estamos atrasados – respondi, levando Demi para a outra ponta da mesa e acomodando-a entre mim e Dean.

– Está calibrado que só. Começou com o rum cedo – explicou Dean a Demi. O olhar constrangido do meu pai me lembrou de que ele não era tão insensível quanto o amigo. Eu já sabia disso. Ele não havia me ignorado. Mas Kiro também não zera isso com Harlow. No entanto, eu me perguntava se ela teria tido o mesmo destino de Nan se a avó não a tivesse acolhido. Kiro apenas mandara dinheiro. Fora a avó quem a criara. Ele só aparecia com pôneis e promessas que nunca cumpria.

– Só estou sendo eu mesmo – alegou Kiro em voz alta da sua ponta da mesa comprida. – Você vai manter essa sua menina bonita bem longe de mim, não vai? – provocou, dando uma risada. – Só estou olhando, garoto. Não vou tocar. Ela está carregando um lho seu. Fico longe das grávidas. Não quero mais ser responsabilizado por filho nenhum.

Demi ficou tensa ao meu lado, então pousei a mão em sua perna. Não precisava ficar incomodada com aquilo. Era uma boa notícia. Ainda que eu também quisesse que ele parasse de olhar para ela.

– Papai, deixe Joe e Demi em paz. Sua provocação só está deixando todo mundo desconfortável – falou Harlow. Ela estava sentada em silêncio à esquerda de Kiro. Como quase nunca falava, eu não estava acostumado com sua voz suave. Ainda me espantava que aquele sujeito a houvesse gerado. Ela não tinha nada a ver com Kiro. Era também a única pessoa capaz de acalmá-lo. Sua voz parecia tranquilizá-lo.

– Tudo bem, querida. Não quero estragar seu jantar. Eu só estava brincando.

– Chega de brincadeiras – respondeu ela, dando uma ordem gentil.

Demi baixou a cabeça ao meu lado.

– Gostei dela – sussurrou, tão baixinho que quase não escutei. Sorri. Eu não estava errado a respeito de Harlow, se Demi gostava dela. Era realmente uma boa moça. Nan ia infernizá-la.

Todos ouvimos o estrondo de sapatos batendo no piso de mármore que levava à sala de jantar. Fiquei tenso e me preparei para Nan. Ela adentrou a sala de jantar usando um vestido azul curto rodado e salto agulha, com os longos cabelos ruivos presos no alto de forma que os cachos emolduravam seu rosto. Cuidara de estar bonita para a ocasião. Essa era Nan. Fiquei observando enquanto ela encarava cada um da mesa com uma expressão arrogante no rosto.

O brilho irritado em seus olhos quando notou Demi não foi nada comparado à expressão de ódio que lançou para Harlow. Esperei para ver se ela ia dizer alguma coisa que eu precisasse abafar. Harlow manteve o olhar baixo, brincando com o guardanapo no colo. A tensão no ambiente era imensa, e detestei pensar que Nan achasse necessário fazer isso para conseguir atenção.

– Sente, garota, e pare de ficar aí fazendo cara feia. Nós queremos comer – falou Kiro num tom de desdém, e os olhos de Nan foram tomados pela raiva. Ela olhou para a outra cadeira ao lado dele, mas passou direto por ela e sentou ao lado de Dean. A garotinha que havia dentro dela ainda temia ser rejeitada. Ela sabia que meu pai não faria isso.

– Eu não sabia que você a tinha trazido – disparou Nan.

Demi estava tão tensa ao meu lado que senti vontade de abraçá-la até que relaxasse. – É claro que trouxe. Ela vai aonde eu vou.

Nan revirou os olhos.

– Sinto falta do velho Joe.

– Eu, não – rebati.

– Isto é um assunto de família. Você acha que consegue passar alguns instantes longe ou está planejando sufocá-lo pelo resto da vida?

A mágoa de Nan estava se transformando em amargura. Mas eu não a deixaria descontá-la em Demi. Inclinei-me sobre a mesa e a encarei com firmeza.

– Nunca mais fale assim com ela. Se Demi não tivesse concordado em vir comigo, eu não estaria aqui. Não subestime a importância dela. Ela está comigo. Respeite isso.

Nan se empertigou, mas se recostou na cadeira. Eu detestava falar com ela desse jeito quando sabia que ela estava sofrendo. Só que Demi vinha primeiro. Sempre.

– Estou morrendo de fome. Onde está a porcaria da comida? – gritou Kiro.

Duas mulheres de 20 e poucos anos entraram apressados trazendo bandejas. Normalmente, não havia garçons para servir as refeições na casa. Dean e Kiro não eram muito chegados a refeições formais. Mas Dean havia chamado um bufê para cuidar do jantar daquela noite. As mulheres pareciam fãs deslumbradas enquanto serviam os aperitivos e ofereciam as bebidas.

– Olhe só você – falou Kiro, deslizando a mão pela perna de uma das mulheres.

– Papai, não – sussurrou Harlow.

Kiro soltou uma risada e piscou para a atendente.

– Mais tarde.

– Meu Deus. Não acredito que minha mãe tenha dormido com esse homem – disse Nan um pouco alto demais.

– Não comece, Nannette – alertou Dean.

Tarde demais. Pude ver o ar de divertimento e tédio nos olhos de Kiro.

– Por que não, garotinha? Sou um deus do rock, porra. Um. Deus. Do. Rock. – Ele tomou um gole de sua bebida e sorriu. – Todas as mulheres querem uma provinha. Com sua mãe não foi diferente.

– Papai, por favor – pediu Harlow, estendendo a mão e tocando o braço dele gentilmente.

– Minha mãe era jovem demais para saber no que estava se metendo – replicou Nan.

– Ela não era tão jovem assim. Só estava fazendo o possível para dormir com todos nós. Acho que ela leva o título de “ter dado para todos os integrantes do Slacker Demon”, e isto não é um feito qualquer. Dean é mais exigente do que a maioria.

O rosto de Nan empalideceu, e eu sabia que precisava intervir antes que a situação saísse do controle.

– Obrigada, Kiro, por garantir que soubéssemos dos hábitos sexuais da nossa mãe quando ela era jovem. Agora, podemos seguir em frente e tentar nos dar bem?

Kiro assentiu.

– Claro. Vamos comer um pouco disto aqui.

As atendentes se apressaram ao redor da mesa com as bandejas de comida, perguntando o que queríamos.

Demi rejeitou a maior parte dos aperitivos. Aceitou apenas uma fatia de pão.

– Por que você vai comer só isso? – perguntei, preocupado.

Ela se inclinou para perto de mim, para que ninguém pudesse ouvi-la.

– Porque não posso comer carnes cruas nem queijos não pasteurizados durante a gravidez.

Merda. Mais uma coisa que eu não sabia. Empurrei a cadeira para trás e segui para a cozinha. Tinham que preparar algo que ela pudesse comer.

22.2.15

Capitulo 6 - Amor Sem Limites

Ooooi! Tudo bem? Eu n postei antes por causa do número de comentários... mas aqui está! Maratona eu acho q n vou conseguir fazer... vou me programar aqui e ver! Mas relaxem, vai ter maratona! Comentem! Beijoa, amo vcs ♥

Bruna

~

DEMI

A boca de Joe traçou um caminho de beijos pelo meu pescoço com a água caindo da

ducha acima das nossas cabeças como se estivesse chovendo. Desejei ter uma ducha daquelas na nossa casa. As mãos de Joe deslizaram ao redor da minha cintura, cobrindo minha barriga. Ele não conseguia tirá-las da minha barriga desde que sentira o bebê chutando, como se precisasse mostrar que era dele. Se não fosse tão fofo em tudo o que fazia para me proteger, aquilo me daria nos nervos.

Antes que eu tivesse chance de aproveitar por completo o fato de as mãos de Joe estarem em mim e de seu corpo estar tocando todo o meu, um berro furioso e agudo nos fez parar. Senti Joe ficar tenso atrás de mim.

– Nan? – perguntei, já sabendo a resposta.

– É. Acho que já descobriu que estou aqui – falou ele, dando mais um beijo em meu pescoço. – Termine o seu banho. Preciso resolver isso. Ela e meu pai não se dão bem.

Fiz que sim com a cabeça e continuei sob a água quente. Ele saiu do boxe e pegou uma das toalhas grandes e felpudas que estavam dobradas em cima de uma grande mesa de mármore com pedestal. Eu queria ir junto, mas ele não me pedira para acompanhá-lo. Nem pediria. Não queria que ninguém me aborrecesse.

Uma voz masculina grave começou a gritar, respondendo aos berros de Nan. Quem era esse? Eu havia passado pouco tempo com Dean, mas não achava que qualquer coisa no mundo algum dia tivesse conseguido irritá-lo a ponto de ele levantar a voz. Desliguei o chuveiro, peguei uma toalha e segui Joe até o quarto.

– Quem mais está aqui? – perguntei enquanto ele vestia uma calça jeans, sem botar qualquer cueca, e pegava uma blusa.

– Eu chutaria que é o Kiro. Pelo jeito, eles estão tendo um momento “pai e lha” – respondeu ele, num tom de voz frustrado.

Kiro. Eu só vira aquele astro do rock em fotos. Agora estava ali, na mesma casa que eu.

– Fique aqui. Foi por isso que viemos. Para que eu pudesse lidar com Nan. Ela está infernizando a vida de todo mundo e Kiro não sabe o que fazer. Assim que eu acalmá-la e ela estiver sob controle, poderemos voltar para Rosemary.

Assenti, segurando forte a toalha em que me enrolara. Joe saiu correndo em direção à porta, então se virou. Deu um sorriso e veio rapidamente até mim. Passou as mãos pelos meus cabelos molhados e segurou meu rosto entre as mãos, olhando para mim. – Queria ficar aqui com você – sussurrou ele e baixou os lábios até os meus.

Agarrei os dois braços dele e os segurei enquanto sua boca roçava suavemente na minha antes que ele desse uma lambidinha no meu lábio inferior. Abri a boca para que ele pudesse sentir um pouco mais, só que outro berro agudo soou no andar de baixo. Joe deu um passo para trás e suspirou.

– Merda de família maluca – resmungou ele.

– Vá lá. Vou ficar bem aqui.

Fui surpreendida por uma batida na porta e apertei ainda mais a toalha ao meu redor. Joe parou na minha frente para bloquear a visão de quem quer que fosse.

– O que foi? – perguntou ele.

Espiei por trás dele enquanto a porta se abria devagar. Estava me preparando para Nan invadir o quarto. Em vez disso, havia uma garota mais ou menos da minha idade parada no corredor. Ela não se parecia com ninguém que eu poderia imaginar morando naquela casa. Seus longos cabelos castanhos cacheados batiam na cintura e estavam repartidos de lado. Ela não usava franja. O cabelo tinha um corte reto. Seus olhos cinzentos e intensos eram emoldurados por cílios escuros e espessos, mas ela não usava maquiagem. Vestia uma bermuda reta que ia até os joelhos e uma blusa cor-de-rosa clara de botões. Era um visual simples e elegante.

– Oi, Harlow – cumprimentou-a Joe, o que me surpreendeu ainda mais. – Estou descendo. Já a escutei.

A garota arqueou uma das sobrancelhas perfeitamente esculpidas.

– Vim pedir para me esconder aqui com vocês. Você vai mesmo descer lá para lidar com a situação? – O forte sotaque sulista me espantou. Quem era ela e por que falava daquele jeito? Estávamos em Beverly Hills.

– Foi para isso que eu vim, para ajudar na situação – respondeu Joe.

A garota assentiu e desviou o olhar para mim.

– Você deve ser Demi.

– Sou – confirmei, olhando para Joe.

Joe me puxou para mais perto, ao lado dele.

– Demi, esta é Harlow. Ela é a outra filha do Kiro. Harlow, esta é a minha noiva, Demi.

– Eu sei tudo sobre Demi. Dean já me contou. Você se importa se eu ficar aqui em cima com você? Nan não é muito minha fã, e prefiro ficar longe de gente furiosa.

– Ela precisa se vestir, e não sei se...

– É claro que sim, seria ótimo. Só vou pegar uma roupa da mala para vestir. Vai ser rapidinho – respondi, interrompendo Joe. Eu costumava ser boa em julgar o caráter das pessoas, e tinha gostado de Harlow. Ela parecia quase tímida. Tinha fala suave e nenhuma malícia no olhar. Também não olhara de modo provocante para Joe. Isso contava muitos pontos comigo.

– Tem certeza? Eu ia pedir para trazerem comida para você e...

– A ideia da comida é maravilhosa. Peça para mandarem algo para Harlow também, por

favor – solicitei, antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa.

A risada de Harlow me espantou, e eu olhei para ela.

– Desculpe. É só que ele está sendo tão diferente do Joe que eu conheço. É divertido vê-lo assim.

É, eu gostava dela.

– Deixe eu me vestir e, você, vá cuidar da Nan antes que ela venha buscá-lo. Não quero vê-la ainda.

Isso pareceu tirar da cabeça de Joe a ideia de me manter na cama, debaixo das cobertas, feito uma inválida. Ele também não iria querer Nan perto de mim com aquele humor. Fez que sim com a cabeça e seguiu em direção à porta.

Depois que ele saiu do quarto, fiz um sinal para Harlow entrar.

– Vou só vestir alguma coisa. Fique à vontade.

– Obrigada. Nunca estive no quarto do Joe antes. Normalmente co lendo no meu. Mas fiquei curiosa quando Dean me falou sobre você – admitiu ela, dando um sorriso tímido.

– Também fiquei curiosa sobre você. Não sabia que Kiro tinha outra lha. A que eu conheço não é muito legal. Você não parece nem um pouco com Nan.

Harlow pareceu triste por um instante.

– Tive uma criação diferente. Minha avó teria me enchido de palmadas se eu algum dia agisse como Nan. Não fui uma criança que pudesse ficar fazendo exigências ou dando chiliques. Minha avó fazia questão de que eu me comportasse. Acho que era por isso que o papai gostava de me pegar. Eu não atrapalhava quando estava aqui. Ficava no meu quarto lendo a maior parte do tempo. Quando ele tinha tempo para mim, me levava ao cinema ou a um parque de diversões. Mas, tirando isso, minha vida era com a minha avó, na Carolina do Sul.

Então era por isso que ela tinha aquele sotaque.

– Eu cresci no Alabama. Estava me perguntando sobre seu sotaque – confessei.

Ela sorriu.

– Muita gente estranha. Ninguém espera que a filha de Kiro seja uma garota do campo.

Assenti, porque Harlow tinha razão. Ninguém espera por isso. Com aquele nome e um pai famoso, eu achava que ela seria mimada e esnobe. Ela não era nem uma coisa nem outra. Tirei um vestido da mala. Vinha usando mais vestidos agora que minha barriga estava grande demais para as calças jeans.

– Já volto – disse a ela, e fui me vestir no banheiro.

JOE

Kiro estava sem camisa, sacudindo os braços tatuados com um cigarro entre os dedos e

uma garrafa de rum na outra mão.

– Qual é o seu problema, caralho? Cacete, se você tem problemas com a sua mãe, vá torrar o saco da porra da Georgianna. Por que eu que preciso lidar com essas suas maluquices? – gritava Kiro para Nan quando entrei na sala de jogos.

Havia uma calcinha de renda preta em cima da mesa de bilhar, mas a garota com quem eu o havia deixado algumas horas antes não estava por perto. Pelo menos isso.

– Joe! Ouviu o que ele disse? Ele não dá a mínima para mim. Não se importa com o fato de ter me ignorado a minha vida toda. E sabia que ele tem uma lha? Uma vaca toda certinha que nem olha para mim – gritou Nan.

Eu me aproximei dela e segurei suas mãos.

– Respire fundo, Nan. Você precisa se acalmar para que nós todos possamos conversar.

Ficar gritando não vai resolver nada.

Ela me olhou com raiva, mas fez o que eu pedi. Esperei que ela respirasse fundo algumas vezes e soltei suas mãos.

– Ótimo. Agora, sente-se lá naquele sofá e não fale nada. Deixe eu falar. Está bem?

Ela franziu a testa, mas fez que sim com a cabeça e foi até o sofá branco que contornava duas das quatro paredes da sala. Depois que ela se sentou, eu me virei para Kiro. Ele tomava mais um longo gole de rum. O cara precisava parar de beber e ir comer alguma coisa. Dava para ver as costelas dele. Sua tara por couro ia além da mobília e se estendia às roupas. Sua calça de couro estava folgada no quadril magro e tatuado.

– Nem acredito que você conseguiu fazê-la calar a boca por um minuto inteiro – resmungou Kiro e pôs o cigarro de volta nos lábios.

Olhei para Nan e balancei a cabeça. Eles eram muito parecidos. Ambos gostavam de ter a última palavra.

– Ela está chateada. Por favor, pense bem no que vai dizer e lembre-se de que ela é sua lha. A que você abandonou com a pior mãe que uma criança poderia ter. Agora – me dirigi para Nan –, você não pode odiar Harlow por ele ter decidido cuidar dela. Você odiava Demi pelo mesmo motivo. Ela nunca fez nada contra você, mas você a odiava ainda assim. Existem apenas duas pessoas que podem ser culpadas pela forma como as coisas acabaram: Kiro e a nossa mãe. É deles que você pode ter raiva, não de todo mundo ao redor.

– Ela fez você me odiar. Você nunca me xingava. Eu a odeio porque ela tirou você de

mim. Disso eu posso culpá-la. Ela tirou a única pessoa que me amava na família. Tudo o que você faz agora é me corrigir e me dar bronca. Você nem me telefonou quando saí do hospital – disparou ela e se levantou. – Cansei de tentar fazer vocês todos me amarem. Não devia ter que me esforçar tanto. Espero que estejam todos felizes! – Ela saiu correndo da sala e seguiu batendo os saltos pelo corredor e os degraus da escada. Não entendi se ela ia realmente sair ou só dar um chilique e ver se eu iria atrás dela. Eu fora atrás dela mais vezes do que deveria.

Era um dos motivos de ela ser desse jeito.

– Caralho. Eu precisava ter você por aqui o tempo todo. Você consegue se livrar dela sem problemas. Caramba, como foi fácil – falou Kiro, afundando no sofá e cruzando as pernas na altura dos tornozelos. Ainda estava agarrado à garrafa de rum e tinha o cigarro pendurado na boca. – Sente-se e me conte sobre a garota que eu ainda não conheci. Você saiu daqui correndo quando Princesa tirou a blusa.

O nome da mulher não era Princesa. Era assim que ele chamava todas as mulheres que comia. Quando eu era mais novo, ele me dissera que se chamássemos todas do mesmo jeito, não correríamos o risco de gemer o nome errado na cama. Na época, eu o achei um gênio. Talvez ele fosse mesmo, na música, mas com as mulheres ele era um idiota. Era um milagre que ainda tivesse um pau. Ele o enfiara em tantos lugares que eu estaria com medo de que caísse.

– Princesa também tem uma bocetinha linda. Você devia ter visto. Toda rosadinha e depilada. Acho que ela até passou óleo para mim.

– Não quero saber disso. Não levando em conta o motivo de eu estar aqui – interrompi-o antes que ele pudesse prosseguir.

Kiro riu e tomou outro gole da garrafa.

– Ela chupava feito um aspirador de pó – comentou ele.

– Papai, por favor. Eu não preciso ficar com essa imagem na cabeça. – A voz de Harlow me fez virar rapidamente à procura de Demi. Ela estava parada ao lado de Harlow usando um vestido listrado azul-claro e branco de mangas compridas. O decote era grande demais, exibindo os seios, que estavam mais bonitos a cada dia da gravidez. O vestido também cava muitos centímetros acima dos joelhos, e ela estava descalça.

– Puxa vida, quem diria, ela é uma gatinha de dar água na boca. Eu ofereceria meu colo, querida, mas acho que o cara aqui poderia me castrar se eu chegasse perto demais.

– Eu faria mais do que isso – rosnei, lançando um olhar furioso para Kiro antes de me aproximar de Demi.

– Vocês não mandaram nada para comer, então descemos para pegar alguma coisa.

Como a casa estava em silêncio, imaginamos que Nan tivesse ido embora – explicou Harlow.

Merda. Eu havia me esquecido da comida.

– Desculpe, gata. Nan estava gritando e eu esqueci. Venha, vou conseguir algo para você comer.

– Já pedi ao novo cozinheiro, o Sr. Branders, para nos preparar uma salada de frango –

respondeu Harlow.

Demi apertou meu braço.

– Eu estou bem. Não fique chateado.

Lidar com a minha família não era algo de que eu precisasse naquele momento. Eu tinha Demi e nosso lho para cuidar. Por que eu concordara em vir? Ela não combinava com aquele estilo de vida. Senti cheiro de cigarro e virei Demi na direção da porta.

– Vamos tirar você daqui. Ele está fumando – expliquei.

– Você vai mesmo fazê-la sair só porque eu estou fumando? – perguntou Kiro num tom divertido.

Nem me dei o trabalho de responder. Só continuei guiando Demi para a porta. Fiquei tentado a lhe pedir que prendesse a respiração até chegar ao ar fresco. Eu tinha que resolver logo toda a confusão de Nan. Demi precisava do ar fresco e limpo de Rosemary, não daquele lugar infestado de nicotina.

– Deixe-o em paz – ralhou Harlow baixinho com Kiro.

– Dean não estava brincando. O garoto arrumou uma boceta – falou Kiro e deu uma gargalhada.

Cerrei os dentes e continuei levando Demi para a cozinha.

– Ele parece interessante. Não fui apresentada a ele – disse Demi.

– Você não quer ser apresentada a ele. Não é alguém que eu queira perto de você. Demi olhou para mim e franziu a testa.

– Por quê?

– Porque ele não tem moral. Nenhuma. Nada. E limites são uma língua estrangeira que ele não compreende. As mulheres se atiram em cima dele, e ele as come e passa para a seguinte. Não o quero olhando para você.

– Eu só queria poder confirmar a ele que, na verdade, você tem um pênis. Um pênis muito grande e bonito – sussurrou Demi.

Eu me encolhi.

– Por favor, só chame de grande. Não chame de bonito. Isso o magoa.

Demi riu e se apressou à minha frente.

21.2.15

Capitulo 5 - Amor Sem Limites

Amores, desculpem-me por n ter postado mais cedo! Eu tive q sair, fazer compra para minha vó e só voltei agr. Além da compra tive q correr atras de um remedio dela q acabou e ela tem q tomar todo dia e ela só avisou quando eu tava indo embora... ai deu q cheguei agr!  Comentem e eu posto mais um quando eu acordar! Beijos, amo vcs ♥
Bruna

~

DEMI

Despedir-me do meu pai não foi tão fácil quanto deveria. Tê-lo aqui ajudava a cicatrizar

muitas mágoas. Eu o acompanhei até o lado de fora e desci a escada com ele, que estava com a mala na mão a caminho do sul da Flórida, para o barco em que agora morava.

– É bom ver você feliz. Vai ser mais fácil dormir sabendo que você está sendo amada e bem cuidada. Não acho que aquele garoto algum dia tenha imaginado ficar tão preso a você, mas ele está, e eu não poderia ficar mais satisfeito por isso.

– Você volta para o casamento e quando o bebê nascer? Quero você aqui.

Meu pai assentiu.

– Eu não perderia isso por nada no mundo.

Prendi o choro. Não seria justo. Ele já estava sozinho, não precisava ficar ainda mais atordoado por causa das minhas emoções.

– Vá pensando em como vai querer ser chamado. Dean já disse que quer ser Vô Dean.

Você precisa escolher um nome também.

Meu pai sorriu. Gostava de vê-lo empolgado com alguma coisa.

– Vou pensar nisso e falo com você. Precisa ser mais legal do que o nome do Dean. Passei meus braços ao redor dele e o abracei.

– Obrigada por vir. Senti sua falta.

– Eu também senti sua falta, minha ursinha, mas a culpa foi minha. Fiquei feliz por Joe ter me ligado.

Eu também tinha cado feliz. Joe estava no centro de tudo de bom que acontecia comigo. Eu acreditava que ele sempre estaria. O que era estranho, considerando como tudo havia começado tão diferente.

– Tenha uma boa viagem e ligue quando chegar, para dizer que está tudo bem.

Meu pai assentiu e eu me afastei dele.

– Eu amo você – disse ele, com os olhos cansados cheios de lágrimas.

– Também amo você, papai.

Ele abriu a porta do carro alugado e fiquei parada na frente de casa enquanto ele se afastava. Desta vez, eu não estava com o coração partido. Só esperava que ele conseguisse encontrar a felicidade de novo. Estava na hora.

A porta de casa se abriu, e eu me virei e vi Joe parado na varanda, olhando para mim.

Percebi que ele estava preocupado comigo por causa da partida do meu pai. Comecei a seguir na direção dele, e ele desceu a escada para me encontrar no meio do caminho.

– Está tudo bem? – perguntou ele no instante em que estava perto o bastante para me tocar.

– Está, sim. Obrigada de novo. Foi mais importante do que você imagina – assegurei a ele.

– Sempre que quiser vê-lo, basta me dizer. Eu o trarei de novo. É só dizer.

– Quero que ele venha para o casamento e quando o bebê nascer. Quero que conheça o neto. Ele não tem mais ninguém na vida além de mim. Nosso lho será parte da família dele também.

– Pode deixar. Vou comprar uma passagem para ele vir assim que for a hora.

Fiquei ali parada olhando para Joe. Na primeira vez que o vi, fiquei impressionada com a beleza dele. Nunca teria imaginado que aquele playboy temperamental pudesse ter um coração tão grande por baixo de toda aquela arrogância.

– O que mudou você? Você está tão diferente daquele cara que conheci em junho – falei, sorrindo para o rosto confuso dele.

Joe estendeu o braço e passou a mão pelos meus cabelos, enroscando os dedos nas mechas.

– Uma loira doce, determinada e gostosa pra caramba entrou na minha vida e me deu motivo para viver.

Senti o peito apertar e comecei a lhe dizer de novo quanto o amava... e então senti... o bebê.

Estendi a mão e agarrei o braço de Joe.

– Joe, ele está chutando – contei, encantada.

Já fazia algumas semanas que eu me perguntava se os pequenos tremores que eu sentia na barriga eram ele se mexendo. Queria acreditar que fosse. Mas agora eu realmente conseguia senti-lo. Não restava dúvida.

Joe largou meus cabelos e segurou minha barriga entre as mãos, olhando fixamente para baixo com uma expressão de espanto.

– Estou sentindo – sussurrou ele baixinho, como se temesse que o bebê fosse parar de se mexer. Em vez disso, ao som da voz dele, o bebê chutou de novo.

– Converse com ele, Joe – falei, contemplando a cena mais linda da minha vida. Ele se ajoelhou para ficar mais perto da minha barriga.

– Oi, lho – começou, e o bebê se mexeu imediatamente embaixo da mão de Joe. Ele levantou a cabeça e olhou para mim com um sorriso empolgado. – Ele está me ouvindo – disse, maravilhado.

Assenti.

– Está, sim. Converse com ele.

– E aí, como está aí dentro? A barriga da mamãe é tão bonitinha por dentro quanto é por fora?

Eu ri, e ele chutou.

– Imaginei que fosse. Você teve sorte: a mamãe é linda. Mas você vai ver isso em breve.

Nós dois vamos ser os caras mais sortudos do planeta.

Ele se mexeu de novo, desta vez mais devagar.

– Fique bonzinho aí dentro. Estamos preparando as coisas para você aqui fora. Aproveite esse cantinho confortável por enquanto.

Joe passou as mãos pela minha barriga e olhou para mim.

– Ele está aqui de verdade. E consegue nos ouvir.

Dei risada e fiz que sim com a cabeça.

– Eu achava que vinha sentindo o movimento dele há algum tempo, mas nada parecido com isso.

– Meu Deus, Demi, isso é incrível! – exclamou Joe, dando um beijo na minha barriga para se levantar.

– É mesmo, não é? – respondi, ainda maravilhada de pensar que tudo aquilo era meu. O homem diante de mim e a vida dentro de mim.

– Me avise quando ele se mexer de novo. Eu quero sentir – pediu Joe, pegando a minha mão.

Subimos a escada juntos, de mãos dadas.

JOE

Fazia um tempo desde que eu estivera na casa do meu pai em Beverly Hills. Na última vez,

passei a maior parte do tempo bêbado e na farra com ele. Esta seria uma visita muito diferente. Eu não era mais aquele cara. Larguei a mala de Demi no quarto que meu pai dizia ser o meu. Era onde eu sempre dormia quando ia visitá-lo.

– Isto aqui é simplesmente... Nossa! – exclamou Demi ao entrar, logo atrás de mim. Ela vinha parando e olhando para tudo desde que tínhamos passado pela porta da frente. Por sorte, Nan e Kiro não estavam em casa para nos receber. Queria um tempo para acomodar Demi. A viagem de avião havia sido longa, dava para ver o cansaço no rosto dela.

– Você vai descobrir que as lendas do rock são um pouco exibidas. Elas gostam de ostentar o sucesso com coisas – expliquei.

– Dá para ver. Certamente zeram um bom trabalho de ostentação nesta casa – comentou ela, indo até a cama e então percebendo que era alta demais para ela. Olhando por cima do ombro, franziu a testa para mim. – Como é que eu vou conseguir subir nesta coisa?

Tive que rir. Ela parecia perplexa.

– Vou arrumar um banquinho para você.

Demi sorriu e balançou a cabeça.

– Que maluquice! E se eu quisesse deitar agora... como ia fazer?

Fui até ela, pus as duas mãos na sua cintura cada vez mais larga, levantei-a e coloquei-a em cima da cama.

– Assim – respondi, sentando-me ao lado dela antes de jogar uma perna por cima das pernas dela e fazê-la se deitar. – Se você não estivesse com uma carinha tão cansada, a gente ia testar esta cama – provoquei.

Ela cobriu a boca ao bocejar e me deu um sorriso sonolento.

– Eu consigo ficar acordada – garantiu, virando o peito na direção do meu.

Foi tentador, mas eu sabia que seu corpo precisava de descanso. Dei um beijo em seu nariz.

– Tenho certeza de que consegue, minha doce Demi. Mas, agora, o que vou fazer é massagear seus pés e suas pernas enquanto você relaxa e cai no sono.

Seus olhos brilharam de satisfação.

– Ah, vai mesmo? Eles estão muito inchados por causa do voo.

– Deite a cabeça no travesseiro e eu vou tirar seus sapatos, que, por sinal, não são bem os

calçados mais adequados para uma grávida. Você devia ter usado tênis, não salto.

Demi bocejou de novo e deitou no travesseiro com um suspiro.

– Eu sei. Só não queria chegar ao aeroporto de Los Angeles parecendo desleixada. Ela jamais pareceria desleixada.

– Isso seria impossível.

Demi sorriu e fechou os olhos quando comecei a massagear seus pés.

– Está dizendo isso porque me ama.

– Mais do que a vida. Mas isso não me deixa cego. Você caria gostosa até usando um saco de batatas.

Ela não respondeu nada. Estava com os olhos fechados e mantinha o sorriso nos lábios. Dediquei minha atenção a massagear seus pés cansados, subindo até as panturrilhas.

Quando terminei, ela respirava lenta e tranquilamente. Pus o cobertor sobre ela e deixei-a descansando.

Dean estava reclinado no sofá modular de couro preto que ocupava a maior parte da sala de jogos. As músicas do último álbum da banda saíam dos alto-falantes enquanto ele jogava Halo no Xbox, com um cigarro pendurado no canto da boca.

– Enquanto estivermos aqui, por favor, não fume perto da Demi – pedi ao entrar na sala.

Dean olhou por cima do ombro e sorriu.

– Pode deixar. Não quero fazer mal ao bebê.

Ele pausou o jogo, largou o controle em cima da longa mesa vermelha que cava na frente do sofá e pegou seu copo. Não precisei perguntar para saber que era uísque puro.

– Nossa garota está tirando uma soneca? – perguntou ele, pondo os pés em cima da mesa.

O fato de ele chamar Demi de “nossa garota” me incomodou. Ela não era a garota de ninguém além de mim. Mas esse era o jeito de o meu pai falar. Ele agia como se fôssemos um conjunto. Sempre fizera isso.

– A minha garota está dormindo. Ela estava exausta – respondi, sentando na outra ponta do sofá.

Dean riu, tomou um gole do uísque e deu uma tragada no cigarro.

– Você é um homenzinho das cavernas possessivo em relação a ela, não é? Não puxou ao seu velho nisso.

Eu não puxara a ele em muitas coisas, mas não disse isso.

– Vou fazer tudo o que for preciso para fazê-la feliz. Mas vou ser eu que vou fazê-la feliz.

Sempre. Só eu.

Dean soltou um assovio baixo e balançou a cabeça, tirando o cigarro da boca e batendo-o num cinzeiro.

– Promessa difícil de cumprir. Mas boa sorte. As mulheres podem ser umas escrotas às vezes, só por diversão. Ninguém consegue fazer uma mulher feliz quando ela está bancando a escrota.

Aquela conversa não fazia sentido. Ele nunca tivera uma Demi na vida. Não fazia ideia de como ela era. Eu tinha um motivo para estar ali, queria apenas resolver o problema e ir para casa.

– Onde está Nan?

Dean suspirou e revirou os olhos.

– Não está aqui agora, felizmente. Ela é uma maluca.

– E onde está Kiro? – perguntei, decidindo ignorar a opinião dele sobre Nan.

– Estou bem aqui, porra! Aí está o cara! Olhe só para você, todo crescido e parecendo um homem. Como isso aconteceu em tão poucos meses, caramba? – A voz alta de Kiro era inconfundível.

Ele entrou na sala agarrado por uma mulher que parecia ter a minha idade. Os peitos dela estavam prestes a saltar da blusa justa que parecia um espartilho. Ela piscou para mim. Os cílios eram obviamente falsos. Ninguém tinha cílios tão longos.

– Vim dar um jeito na Nan – respondi, olhando para meu pai, que dava outra longa tragada no cigarro e avaliava a mulher que Kiro trouxera. Eu sabia que os dois dividiam às vezes. Não queria que Demi ficasse perto dessas sacanagens.

– Puta merda, vou ficar lhe devendo minha bola esquerda. Ela está me deixando de cabelo em pé. Por favor, acalme aquela maluca e me ajude a encontrar um jeito de conversar com ela. Ela sempre foi louca assim?

Eu sabia que Nan tinha seus problemas, mas ouvir o homem que era a principal causa deles falar desse jeito me deixou puto. Eu me levantei e olhei furioso para ele.

– Se ela tivesse tido um pai que desse a mínima para ela, talvez fosse tão normal quanto a Harlow. Mas não teve. Você a deixou sozinha com a minha mãe. NENHUMA criança deveria passar por isso. Pelo menos meu pai foi atrás de mim. Passou tempo comigo. Fez com que me sentisse querido. Você nunca fez isso pela Nan. É por sua causa que ela é toda problemática. – Eu não queria ter estourado com ele no instante em que ele entrou em casa, mas ele havia falado merda sobre a minha irmã.

– É a irmã dele, Kiro. Cuidado com o que fala – alertou Dean.

Meu pai vinha falando merda sobre Nan também, só que não era culpa dele ela ter ficado daquele jeito.

A garota se aproximou mais de Kiro.

– Você disse que ia ser divertido. Eu quero me divertir, gato. Você deixou a minha bocetinha toda molhada na limusine. Ela está pronta para ser comida – ronronou.

Eis algo que eu não queria que Demi visse e ouvisse. Sexo para eles era algo barato e sujo. Eu só queria que Demi visse o sexo como era com nós dois. Não aquela perversão.

– Seja uma boa menina e vá tirando a roupa enquanto eu converso com o garoto aqui. Seja boazinha, e talvez eu o deixe beijar essa sua bocetinha quente e molhadinha também.

– Aaaaah, que delícia. Dois em vez de um. – Ela riu e puxou a faixa do top, que caiu no chão e deixou seu peito à mostra bem ali, na frente de todos. Cenas assim eram normais

quando eu visitava meu pai, mas as coisas estavam diferentes agora.

– Hum... Ela colocou piercing nos mamilos – disse meu pai antes de virar o resto do uísque e se levantar.

– Vou voltar para o meu quarto e dar uma olhada em Demi. Converso com você depois que ela for embora – avisei, enojado, e saí pela porta.

– O que foi que deu nele? – perguntou Kiro enquanto eu saía. – Ele costumava aproveitar essas bocetinhas gostosas.

Voltei logo para Demi. Ela ainda estava enroscada na cama. Tirei os sapatos e me deitei ao seu lado, aconchegando-me nela. Eu gostava de tê-la perto de mim. Aquilo significava muito mais do que qualquer coisa que meu pai tivera na vida. A superficialidade dos relacionamentos dele me dava pena. Eu sabia o que ele estava perdendo. Mesmo com todo o sucesso que alcançara, ele não havia conseguido aquilo. Tantos anos desperdiçados.