10.6.16

Paixão Inesperada - Capitulo 28 - Vermont


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(DICA: PROCURE NO GOOGLE IMAGENS POR - MONTPELIER VERMONT IN FALL)
Demi
— Demi, baby...Você está me escutando? — A voz de Joe me trás de volta dos meus pensamentos.
— Hum, sim, estou. — Minto.
— Então, o que você acha?
— Sobre o que? — Ele solta um suspiro e quando me viro para ele, está me olhando com uma cara séria.
— Você não estava me escutando, não é? O que está acontecendo com você, faz uns três dias que você está agindo de uma forma estranha, parece sempre distante.
— Não é nada, está tudo bem.
— Então me diga, o que você acha de irmos passar aquele final de semana em Vermont amanhã?
— Amanhã? Mas é muito em cima da hora.
— Mas não é como se fosse uma viagem que precisa de semanas de preparo. Eu gostaria muito de estar bem longe daqui nesse final de semana. Podemos ir amanhã depois que você sair da aula e voltamos no domingo à noite.
— Mas e o seu trabalho, você não precisa trabalhar amanhã?
— Não se preocupe com isso, eu já resolvi tudo.
— Ah então já está decidido que vamos amanhã?
— Bem, não, se você não quiser não precisamos ir. Mas eu gostaria muito de ir.
— E tem que ser amanhã? — Pergunto notando que ele parece ansioso para ir logo para Vermont.
— Tem. Por favor, vamos?
Penso um pouco a respeito, eu não quero ir passar um final de semana romântico em uma cabana no humor em que eu tenho estado ultimamente, mas se for pensar bem, talvez essa possa ser uma ótima oportunidade para lhe contar sobre o bebê.
— Tudo bem, se é importante para você, podemos ir amanhã.
— Ótimo. — Ele parece aliviado. Acho estranho, mas não questiono, ele tem os seus motivos para querer ir parar Vermont e eu tenho os meus.
Depois de um voo de cinco horas, finalmente chegamos à cidade de Montpelier, em Vermont. O segundo estado menos populoso dos Estados Unidos.
No aeroporto Joe e eu pegamos um táxi que nos levou até uma loja de aluguel de carros. Lá, Joe me explicou que precisaríamos alugar uma caminhonete 4x4, porque é o único jeito de conseguirmos subir pelo caminho difícil que nos levará até a cabana. E sem um carro para podermos ir e volta da cidade quando quiséssemos, ficaríamos sem ter como voltar para Montpelier caso acontecesse alguma coisa.
Então colocamos nossas coisas no porta malas e Joe assume o volante. Para chegarmos ao caminho de acesso à cabana, temos que atravessar a pequena cidade de 7.850 pessoas.
O lugar é absolutamente adorável, as casas são construídas em um estilo clássico, há muito verde e poucos prédios. Possui o típico estilo calmo e pacato de uma cidade rural.
E as cores, ah as cores...Estamos no auge no outono, como em Dallas quase sempre parece que estamos no verão, já havia me esquecido como um lugar pode ficar lindo nessa época do ano. Muitas folhas secas amarelas, laranjas, vermelhas e algumas verdes enfeitam o chão e os galhos das árvores e arbustos.
Como já passa das sete horas da noite, a cidade está banhada com as luzes artificiais amarelas dos postes e das casas, dando um ar quase mágico para a cidade.
Observo as pessoas andando pelas causadas, algumas famílias, alguns casais, alguns grupos de amigos, algumas pessoas estão sentadas nos bancos com um copo de plástico de onde sai um vapor quentinho, que combina perfeitamente com o clima um pouco mais gelado.
Logo Joe sai da cidade e guia o carro por uma estrada com cercas de madeira em ambos os lados, com apenas alguns postes com fracas luzes. Seguimos por um caminho e logo chegamos à pequena estrada de chão que leva a cabana. Seguimos por essa estrada que logo começa a ficar íngreme, e logo percebo que graças a Deus estamos com uma caminhonete, caso contrário não conseguiríamos subir a montanha.
Cerca de meia hora depois, finalmente chegamos a um portão de ferro grande e imponente. Joe desce do carro para abrir o portão e seguimos viagem. Mais uns dez minutos seguindo por uma estrada, dessa vez sem chacoalhar tanto, e avistamos a cabana. Tudo bem, cabana não é o nome apropriado, mansão seria mais adequado.
Quando Joe estaciona na frente da casa, desço do carro rapidamente e olho para a construção impressionante.
A “cabana” tem três andares e é suficientemente larga para que um caminhão não consiga esconde-la. Ela é construída toda com uma madeira escura e tem muitas janelas.
— Uau, isso é bem mais do que eu esperava. — Joe comenta parando ao meu lado.
— Com certeza, esse lugar é incrível. — Digo com um sorriso empolgado.
— Vamos ver se é igualmente impressionante por dentro? — Ele pergunta com um sorriso tão animado quanto o meu.
Então seguimos para a grande porta da frente. Joe que tem a chave, destranca-a e a abre para mim. Quando entramos é simplesmente...Uau.
Acho que alguém – o caseiro ou algo do tipo – sabia que viríamos, então as luzes de fora e de dentro já estão acessas.
Joe fecha a porta e vem se juntar a mim para contemplar a luxuosa decoração.
— Venha, vamos fazer um tour. — Joe me puxa consigo.
Percorremos os três andares, cada cômodo nos deixando mais perplexos do que o último.
A mansão denominada erroneamente de cabana, possui quatro quartos e três suítes, cinco banheiros, uma cozinha enorme, uma sala de jantar e duas salas de estar, uma menor e outra maior, com lareira e um vidro enorme substituindo a madeira no lugar da parede. Além de uma sauna, uma piscina externa, uma pequena academia com três paredes inteiras de vidro com uma vista impressionante, uma sala de jogos e uma área grande de lazer nos fundos. Ah, e ainda tem o lustre. Meu Deus, quem coloca um lustre enorme de vidro numa “cabana”?
— Eu vou pegar nossas malas e depois que tal tomarmos um banho e jantarmos?
— Parece perfeito. — Respondo.
— Ótimo, pode escolher qual das suítes você quer que fiquemos, eu já volto.
Quando Joe volta com nossas malas, subimos até o quarto e ele nos prepara um banho. Depois de ficarmos pelo menos uma hora na banheira nos beijando e acariciando, saímos e fomos até a cozinha. A geladeira e os armários estavam cheios, e eu e Joe preparamos juntos nosso jantar.
A noite teria sido perfeita, se as duvidas e preocupações que eu trago comigo tivessem ficado em Dallas, e não enraizadas em meu coração.
Tão exaustos que estávamos por causa da viagem, dormirmos assim que deitamos na enorme cama de casal. Os primeiros raios de sol da manhã de sábado nos despertou. Durante toda a manhã Joe agiu um pouco estranho, parecendo tenso e nervoso. A hora mais estranha foi quando ele insistiu que eu desligasse meu celular, que incrivelmente tinha sinal aqui em cima, e ele também desligou o seu. Ele disse que não queria que ninguém nos incomodasse, mas senti que tinha um motivo oculto por detrás do pedido aparentemente normal.
Apesar de Joe alegar que queria passar o final de semana apenas ele e eu, isolados na montanha, não aguentamos e decidimos ir logo depois do almoço para Montpelier, a cidade é pequena e acolhedora demais para resistirmos.
Passamos a tarde toda conhecendo a cidadezinha, e me apaixonei por ela mais do que já havia ontem, quando passamos rapidamente por aqui.
Visitamos as pequenas lojinhas, comemos em um delicioso restaurante e tiramos fotos da igreja, da prefeitura e outras construções lindas.
A tarde foi tão agradável que por um momento eu esqueci tudo o que me preocupava e me concentrei apenas em Joe.
Quando voltamos para nossa cabana, Joe insistiu em me preparar um banho de banheira com sais enquanto ele – sozinho, que fique registrado – preparava o jantar. Claro que ele na cozinha não poderia acabar muito bem, mas ele estava sendo tão fofo que não disse nada e deixei que ele cuidasse de mim.
Tomei meu banho atenta a qualquer sinal de fumaça ou cheiro de comida queimada. Mas surpreendentemente quando sai do banheiro um cheiro muito bom me recebeu, me troquei rapidamente e quando cheguei à sala de jantar, Joe estava terminando de servir a mesa.
— Humm, que cheiro bom.
— Você parece surpresa, devo me sentir ofendido? — Ele pergunta com um sorriso brincalhão nos lábios.
— Não, é só que eu não sabia que você tinha tais dotes culinários.
— E eu não tenho, mas fiquei horas assistindo aqueles programas culinários da TV a cabo, queria cozinhar algo para você.
— Você assistiu aqueles programas chatos por minha causa? A maior prova de amor que pode existir. — Digo brincando e rimos.
— Vai rindo, vai...Você vai ver só quando provar da minha comida, acho que tenho jeito para a coisa.
Jantamos e admito, a comida estava deliciosa, talvez ele tenha jeito para a coisa mesmo. Depois do jantar tiramos a mesa e colocamos os pratos na máquina de lavar. Ainda na cozinha, Joe me agarrou e me beijou de um jeito que parecia querer tirar todo o ar dos meus pulmões, meus joelhos vacilaram e ele me segurou, me carregando até o quarto no colo.
Uma vez lá, tiramos as roupas um do outro e nos deitamos nus, nossos corpos entrelaçados, na cama.
Joe me penetrava com paixão, com desejo. Nossos corpos se encaixando perfeitamente, como se tivessem sido feitos um para o outro.
A uma certa altura, não conseguindo mais bloqueá-la, a voz de Eva volta a assombrar meus momentos com Joe.
“Ah, não me olhe assim, você sabe que é verdade. Joe é um tipo único de homem, ele merece muito mais do que você pode oferecer, ele precisa de muito mais do que você pode oferecer”.
Amaldiçoo-me por ser tão fraca e não conseguir impedir que as palavras de Eva ecoem em minha mente.
Elas sempre veem em momentos como esse, como que para me lembrar que eu nunca serei capaz de satisfazer Joe.
“Joe não gosta de mulherzinhas inocentes e que são extremamente entediantes na cama, ele gosta de ação”.
“...ele gosta de se enfiar em todos os buracos que você tem...”.
Será que sou capaz de fazer isso? Talvez eu devesse me esforçar mais para satisfaze-lo ao invés de julgar suas preferências, com certeza tem coisas que eu não posso fazer, por isso tenho que me esforçar para conseguir aquelas que estão ao meu alcance.
Eu vou provar para ele que eu posso fazer as coisas que ele gosta, que o sexo comigo não precisa ser sempre passional.
— Joe. — Seu nome sai junto com um gemido.
— Sim, meu amor.
— Posso te pedir uma coisa? — Digo as palavras com insegurança. Estou morrendo de medo, nunca fiz isso antes, nem sequer pensei em fazer.
— Você pode me pedir o que quiser, meu amor, qualquer coisa e eu faço por você. — Ele diz beijando meu pescoço e investindo contra mim, fazendo com que seja difícil pensar em qualquer outra coisa além de como é bom senti-lo dentro de mim.
— Me... — Fecho os olhos com vergonha das palavras que estou prestes a dizer. — Me come por trás. — Digo mais baixo que um sussurro. Ele para de se mexer imediatamente e levanta o corpo um pouco, me olhando confuso.
— Você quer dizer, de quatro?
— Eu quero dizer... — Ah meu Deus, porque é que ele já não entendeu? Ele vai mesmo me fazer dizer as palavras? Sinto meu rosto pegando fogo, desvio o olhar e digo com a voz fraca.
— Eu quero sentir você dentro de mim, mas no outro lugar, você sabe. — Ah meu Deus, que vergonha. Eu devo estar fazendo um papel ridículo. Você é tão estupida Demi.
Ele parece realmente muito surpreso com meu pedido, ele se levanta e sai de dentro de mim, me deixando com uma sensação de vazio.
— Você está falando sério, sexo anal? — Ele me olha incrédulo. Aposto que ele nunca esperava isso de mim, mas eu vou provar que posso me transformar, pelo menos um pouco, no tipo de mulher que ele gosta.
— Sim.
— Você tem certeza? — Algo estranho passa por seu olhar.
— Tenho. — Não. — Eu quero. — Não, você não quer.
— Hum...Tudo bem. Você já...Já fez isso antes? — Ele pergunta fazendo uma careta.
— Não, nunca fiz. Quero experimentar isso com você. — Ele parece aliviado com minha resposta.
— Tudo bem, então espere aqui. — Ele levanta e vai em direção ao banheiro, observo sua bunda linda e mordo o lábio. Os caras que acham que mulher também não repara na bunda estão redondamente enganados, e a de Joe é perfeita.
Quando ele volta, está carregando uma camisinha e um frasco.
— O que é isso? — Pergunto.
— Camisinha e um óleo, já que não temos lubrificante. — Ele diz colocando os objetos na mesinha ao lado da cama. — Você quer mesmo isso? — Ele pergunta uma última vez.
Eu não quero, estou com medo, mas eu tenho que fazer isso. Por ele. Talvez seja até gostoso.
— Sim, eu quero. — Digo tentando não deixar transparecer o medo em minha voz.
— Então se vire. — Ele manda e eu me viro, deitando de barriga para baixo. — Levante um pouco o quadril. — Eu faço como ele me pede e ele enfia uma almofada em baixo do meu estômago.
— Por que isso? — Pergunto com a bunda levemente elevada por causa da almofada.
— Essa é a melhor posição para a primeira vez. — Ele explica. Não quero nem começar a pensar como meu namorado sabe qual a melhor posição para o sexo anal. Espanto as imagens inconvenientes e respiro fundo. Meu pulso está acelerado e sinto que estou tremendo.
— Relaxe, meu amor. — Ele diz com uma voz suave. — Feche os olhos e relaxe, eu vou te fazer uma massagem primeiro.
Fecho os olhos e tento controlar minha respiração. Você tem que fazer isso, Demi, não é para você é para ele, é para o Joe sentir prazer. Sinto o colchão afundar e Joe subir em cima de mim, uma perna em cada lado do meu corpo. Sinto sua ereção roçando em mim e pulso com o desejo.
Sinto algo gelado se derramando na base da minha coluna, e um cheiro gostoso tomar conta do ambiente. Joe espalha o óleo com ambas as mãos por minhas nádegas.
Ele pede que eu abra um pouco as pernas e eu faço, ele me massageia, arrancando suspiros de mim. Derrama mais óleo e continua sua massagem, suas mãos subindo por minhas costas. Eu gemo mais.
— Isso é tão bom. — Suspiro.
Ele me suja com mais óleo, e dessa vez suas mãos deslizam até o meio das minhas pernas, ele massageia meu clitóris e me penetra com dois dedos. Seguro os lençóis e fecho os olhos com força.
— Meu Deus, isso é muito sexy, meu amor. Estou tão duro.
Ele continua me massageando e me penetrando, até que eu não me importo com mais nada, tudo já esquecido devido o prazer que ele me proporciona.
Sinto meu orgasmo crescendo, ele começa a me penetrar mais rápido, acrescentando o terceiro dedo. Agarro-me aos lençóis e grito quando meu orgasmo me atinge com força.
Escuto o barulho de plástico sendo rasgado, olho por cima do ombro e vejo Joe colocando a camisinha.
É agora, meu coração volta a bater rápido e eu tremo, e isso não tem nada a ver com o orgasmo incrível que eu acabei de ter.
Joe derrama óleo em sua ereção e em mim, lambuçando ambos.
— Tudo bem, amor, apenas relaxe, ok?
— Ok. — Fecho os olhos e mordo o lábio.
Sinto sua ereção forçando entrada em um lugar que eu nunca imaginei ser invadida. Sinto uma pressão forte, sinto como se estivesse sendo rasgada, e dói muito mais do que eu imaginava. Mesmo estando toda lambuzada de óleo, o progresso na penetração é mínimo, e cada milímetro mais para dentro que Joe empurra, mais dói. É quase insuportável.
— Relaxe, minha linda, relaxa que vai mais fácil. — Mordo com força meu lábio e tento suportar a dor sem soltar grunhidos angustiados. Tento relaxar o corpo, mas é difícil quando estão te penetrando por trás. — Está doendo? — Ele pergunta preocupado.
— Bem pouquinho. — Minto. Eu não sou muito de falar palavrão, mas...Caralho, está doendo muito!
Sinto ele derramando mais óleo e empurrando mais para dentro. Não consigo segurar e gemo de dor, só espero que ele ache que é de prazer.
— Tem certeza que não está doendo?
— Tenho. — Respondo com a voz mais parecida com um choro. — Continue.
— Acho melhor não, se você quer mesmo isso, podemos comprar alguns plugs anais e começar com um bem pequeno.
— Não, não. Continue. — Ele não entende, eu preciso conseguir fazer isso, preciso provar que eu posso fazer isso.
Ele continua empurrando lentamente e a dor é dilacerante. Sinto lágrimas de dor escorrerem por meu rosto e a dor só vai aumentando até chegar em um nível que eu não aguento mais, mordo o lençol para não gritar para que ele pare.
— Amor, acho melhor parar. — Ele diz e eu balanço a cabeça em negativa. — Demi, eu vou parar.
— Não, Joe, não pare.
— Demi...
— Não, Joe, não. — Grito quando sinto ele retirando o pouco que havia penetrado em mim.
— Ah meu Deus, está sangrando, que droga, Demi. — Ele rapidamente sai de cima de mim. — Está saindo sangue, merda, merda... — Ele começa a xingar. — Merda, eu machuquei você. — Ele diz com desespero na voz.
Sinto uma dor horrível e me viro para ver a quantidade de sangue que está saindo.
— Não, não se mexa. — Joe diz parecendo não saber o que fazer. Ele pega a sua cueca box e some no banheiro, segundos depois ele volta – vestido com a cueca – e começa a me pegar no colo. Agarro-me ao seu pescoço e gemo com a dor provocada por sua invasão.
— Calma, amor, eu vou cuidar de você. — Ele me carrega ao banheiro e vejo que a torneira da banheira está aberta, enchendo-a.
Ele cuidadosamente me coloca na água quente e barulhos por causa da dor escapam da minha garganta.
— Isso deve ajudar. A água está muito quente?
— Não. — Ah meu Deus, está ardendo e doendo muito, e a água quente só parece piorar tudo.
Joe se afasta da banheira e passa a mão pelos cabelos, parecendo transtornado.
— Pelo amor de Deus, Demi, porque você não me pediu para parar? — Ele não está gritando, mas seu tom de voz é severo, me fazendo encolher na banheira.
— Eu não queria que você parasse.
— E você simplesmente ia aguentar a dor calada? Saiu sangue, Demi, você entende isso? Eu te machuquei pra caralho, porra. — Ele dá um soco na parede me assustando.
— Sinto muito. — Digo abraçando minhas pernas, meu lábio inferior começa a tremer e tento segurar o choro.
— Fique um pouco aí para ver se a dor passa, se continuar saindo sangue ou doendo muito, me chame. — Ele diz desligando a torneira, sua voz fria como gelo. Quando ele vai se afastar eu seguro seu braço.
— Joe. — Ele puxa o braço e não me olha nos olhos.
— Não. — É tudo o que diz e então se vira e sai, batendo a porta com força.
Apoio à testa em meus joelhos e choro. Eu sou uma inútil mesmo, eu deveria ter aguentado, Eva tem razão, eu não consigo ser o tipo de mulher que Joe quer.
Mesmo a água estando quente, sinto meu corpo tremendo, choro até soluçar.
Não sei quanto tempo fico sentada chorando na banheira, só sei que a água já está gelada e eu ainda não tenho coragem de sair daqui e enfrentar Joe. Ele parecia tão bravo.
Quando não aguento mais o frio, levanto-me e me enrolo na toalha. Dou alguns passos e a dor volta a me incomodar. Tenho que dar passos pequenos e lentos, porque mesmo a água quente tendo me ajudado um pouco, ainda dói.
Abro a porta do banheiro e vejo Joe de costas, só de cueca olhando através da janela. Quando ele me escuta se vira, sua expressão séria e dura. Ele pega um roupão de pano branco em cima da cama e caminha até mim.
Ele tira minha toalha e joga no chão, então começa a vestir o roupão em mim, ele dá um nó apertado e me pega no colo, me depositando na cama. Ele puxa as cobertas e me cobre.
— Aqui, um remédio para a dor. — Ele me entrega uma capsula e um copo d’água.
— Obrigada. — Digo e tomo o remédio. Ele deposita o copo na mesinha perto da cama e se senta na beirada. Ele me olha fixamente nos olhos pela primeira vez desde que brigou comigo no banheiro, fica em silêncio, parecendo me analisar.
— Como você está?
— Bem.
— Não minta para mim de novo, Demi. — Ele diz rapidamente e eu olho para baixo envergonhada.
— Está doendo um pouco, mas o banho ajudou. — Respondo com a voz fraca.
— Bom. Agora me diga, o que diabos você estava pensando quando insistiu para eu continuar mesmo quando você não estava mais aguentando a dor? — Seu tom ríspido de voz me dá vontade de chorar.
— Eu...Eu não sei...Eu só queria tentar isso.
— Não, tem algo mais, não é? Você estava desesperada pedindo para eu não parar, mesmo doendo. Por quê?
— Eu já disse, eu queria fazer isso com você. — Respondo abraçando minhas pernas em um modo protetor.
— Essa parte eu entendi, o que eu não entendi é o porquê você querer tanto isso ao ponto de suportar uma dor dessas?
— Eu só...Eu só... — Não consigo inventar nenhuma desculpa, minha voz vai sumindo e eu começo a chorar ruidosamente.
— O que está acontecendo, Demi?
— Eu só queria que você pudesse fazer comigo as coisas que você gosta. — Digo fungando e limpando o nariz no roupão. Quando ele assimila minhas palavras, fica branco como papel.
— De onde veio isso? — Fecho os olhos e respiro fundo, então olho para ele e lhe digo.
— Ela disse que eu precisava fazer essas coisas se eu quisesse que você continuasse comigo.
— Ela quem? — Ele pergunta confuso.
— Eva. — Digo baixinho, apoiando o queixo em meu joelho. Joe arregala os olhos e levanta da cama num pulo, como se tivesse acabado de levar um choque.
— Como assim, quando você falou com ela? — Ele pergunta furioso.
— Ela me abordou no banheiro, naquela noite no leilão. — Confesso.
— Então foi por isso que você demorou, e foi por isso que você estava estranha. — Ele coloca as mãos na cintura. — E ela te disse que se você não fizesse isso eu ia te deixar?
— Sim.
— Filha da...Urgh...Eu vou matar aquela mulher. — Joe começa a ficar descontrolado, ele passa as mãos pelos cabelos e anda de um lado para o outro. — Eu juro que se ela aparecesse na minha frente agora eu a matava. Vadia louca da porra. — Ele começa a gritar e de repente um vaso com flores se estilhaça na parede, me fazendo dar um pulo e me encolher mais embaixo das cobertas.
Joe começa a xingar como eu nunca havia ouvido antes,  nunca havia o visto tão nervoso.
— O que mais aquela coisa te disse? — Ele pergunta finalmente parando em um só lugar, em pé ao lado da cama, sua respiração irregular e seu olhar fulminante. — Me diga tudo e não omita nada, Demi. — Ele diz com autoridade. Então eu conto, suas palavras ainda estão muito bem gravadas em minha memória, então reproduzo fielmente nosso diálogo daquela noite, as reações de Joe são diversas. Raiva, indignação, vergonha – quando repito as palavras de Eva sobre o que eles faziam juntos – todo momento ele profere ameaças a Eva.
— Não acredito que você fez isso, não acredito que você achou que eu fosse te deixar caso você não fizesse essas coisas. Eu te amo, porra. Eu não vou te deixar nem que você queira, eu não posso mais viver sem você, não consigo, você não entende isso?
— Joe, ela disse outra coisa também. — Agora é a hora da verdade.
— O que?
— Que ela foi ao seu escritório e vocês se beijaram, e quase...Quase transaram.
— E você acreditou nela? — Ele pergunta com um tom acusatório.
— Não...Sei, talvez, sei lá.
— Isso é culpa minha, eu deveria ter te falado sobre a visita que ela me fez. — Ele vem se sentar na beirada da cama, estende o braço e segura minha mão. — Ela foi até meu escritório, queria que eu voltasse a me relacionar com ela, mas eu recusei. Ela partiu para cima de mim e me beijou, mas eu juro que não correspondi, meu amor. Eu a afastei e expulsei-a do escritório. Dei ordens para não deixarem mais ela entrar lá.
— Então é verdade, vocês se beijaram? — Pergunto sentindo uma dor no coração.
— Não, ela me beijou, eu não a beijei. Eu a afastei, a única que eu quero beijar é você, ninguém mais, acredite em mim.
— Ela disse que vocês só não transaram porque alguém os interrompeu.
— É mentira, aquela vadia louca está mentindo. Depois que eu a empurrei para longe, eu a arrastei para fora e a expulsei, foi nessa hora que ela ameaçou me tirar o contrato e disse que iria nos separar. É isso que ela quer, meu amor, nos separar, não deixe que ela faça isso, por favor.
— Porque você não me contou antes?
— Desculpa, eu devia ter contado, eu só não queria aborrece-la lhe contando sobre Eva, e eu estava com medo também, e vergonha. Por ter um dia me envolvido com uma pessoa como ela.
— Não minta mais para mim. — Peço engasgando com o choro.
— Eu prometo, nunca mais vou esconder nada de você. Prometo meu amor.
— Você está bravo comigo?
— Com você? Não, nunca. — Ele suaviza a voz e chega mais perto, me puxando para seus braços. — Mas por favor, nunca mais faça isso. Eu te amo, Demi, e quando estamos juntos, fazendo amor, é a melhor sensação da minha vida. Eu amo o que nós fazemos e amo o jeito que nós fazemos. Se algum dia você quiser fazer algo, pode me pedir, mas desde que seja porque você quer, e não porque você acha que tem que fazer. O sexo e para ser algo bom para nós dois, não só para um ou outro, eu cuido das suas necessidades e você das minhas, mas desde que as coisas que fazemos estejam boas para os dois. Prometa-me que você nunca mais vai mentir e me pedir para fazer algo que você não quer.
— Prometo.
— E prometa que você nunca mais vai dar ouvidos a Eva e que vai ficar longe dela.
— Prometo. — Digo me aconchegando em seus braços.
— Eu te amo, minha linda. Só você, e para sempre, o que você faz ou deixa de fazer na cama nunca vai mudar isso. Eu amo cada segundo que eu passo com você.

Acordo sentindo o corpo de Joe entrelaçado com o meu. Levanto-me e deixo-o dormindo. Vou tomar um banho de chuveiro bem rápido e quando saio do banheiro ele já está acordado.
— Bom dia. — Ele diz e eu respondo, ainda estou envergonhado pelo que aconteceu ontem.
— Vou tomar um banho. — Ele diz indo até o banheiro, parando para me dar um beijo na testa. Escuto a água do chuveiro e me visto. Vou escovar os dentes e pentear o cabelo, tento não ficar observando Joe ensaboar aquele corpo perfeito, se não é capaz de eu voltar para dentro do box.
Deixo Joe tomando banho e me dirijo para a sala, a enorme com lareira e a parede de vidro. Sento-me no sofá e a dor me faz lembrar o quão eu fui ridícula ontem à noite. Insistir para que ele continuasse, mesmo quando eu não estava mais aguentando a dor, foi estúpido. Mas o pior foi o motivo, não acredito que eu deixei mesmo que Eva entrasse em minha cabeça desse jeito. Por causa dela Joe ficou chateado comigo, e com ele também, apesar de que o que aconteceu ontem não foi sua culpa, apenas minha. Mas ele está mal por ter me machucado.
Agora eu entendo o porquê o sofá de couro marrom está posicionado de frente a essa parede, mesmo que isso faça com que a sala fique parecendo desorganizada, é simplesmente porque a vista dessa grande parede feita inteiramente de vidro é de tirar o fôlego. Imagino que de todas as estações do ano, Montpelier fique mais linda no outono.
Observo as montanhas no horizonte e as árvores com suas folhas frágeis caindo devido à época do ano. Essa paisagem me passa uma sensação de serenidade, de paz, de conforto. Permito-me absorver cada detalhe dessa paisagem natural digna de uma pintura.
Levo um pequeno susto ao sentir uma mão deslizando por meu ombro até meu pescoço, levanto a cabeça e vejo Joe me olhando fixamente, mas não mais sério como ontem, apenas intensamente. Ele contorna o sofá e senta-se, deixando o espaço de um assento entre nós.
— Tenho duas coisas que eu gostaria de lhe dizer. — Ele diz olhando para frente. Viro-me para ele, encolhendo as pernas e puxando-as para debaixo de mim.
— Diga.
— Prometi nunca mais mentir para você, então devo te contar sobre o que aconteceu entre Eva e eu, alguns dias atrás, e como isso tem a ver com a minha pressa em vir para cá.
Olho-o confusa, com um vinco na testa, mas deixo que continue sem interrupções.
— Eu sei que preciso te dizer, e eu pretendia fazer isso, só não sabia quando. Mas acho que não devemos guardar segredos um do outro, eu me arrependi por não ter te contado sobre o beijo e não quero cometer esse erro de novo. — Ele faz uma pausa, respira profundamente e então se vira, seu olhar encontrando com o meu.
— Nossa vinda para cá, justo nesse final de semana, tem dois motivos. O primeiro, eu lhe digo mais tarde, o segundo, é porque Eva foi até a Townsend me chantagear. Como eu já te disse, ela é louca e ela me perseguiu por muito tempo anos atrás, quando eu decidi que não queria mais nada com ela. Ela tentou me obrigar a voltar a me envolver com ela, e ela usou um...Um vídeo para isso. Uma filmagem na qual eu faço coisas que gostaria de não entrar em detalhes, mas que é da época da faculdade, quando eu e ela ainda nos envolvíamos. Ela me disse que se eu não a encontrasse em um quarto de hotel, sexta feira, ela mostraria o vídeo para você e para sua família. — Ele abaixa o olhar, parecendo envergonhado.
Tento digerir suas palavras. Tudo bem, Eva possui um vídeo de Joe, um com o conteúdo que pelo que ele deu a entender, é íntimo.
E ela tentou chantageá-lo, tentou obriga-lo a dormir com ela para que não vazasse o tal vídeo. Apesar do desconforto de saber que Eva tem um vídeo íntimo do meu namorado, não posso evitar que um pequeno sorriso surja em meus lábios. Porque no dia em que ele deveria se encontrar com ela, ele estava viajando comigo. Ele não cedeu à chantagem, e ele está me contando, está sendo honesto mesmo que isso o envergonhe.
Ele teve a chance de me trair, eu provavelmente nunca iria descobrir – a menos que Eva viesse se vangloriar como ela fez com o beijo – mas ele não o fez, ele escolheu me contar, mesmo correndo o risco dela liberar um vídeo constrangedor. Ele escolheu ser fiel a mim.
— Então você decidiu fugir para cá, comigo.
— Sim. Só queria te tirar de lá, onde ela pudesse lhe mostrar aquele... — Ele faz uma careta de nojo e não termina a frase.
— Qual o segundo motivo para você querer vir para cá? — Pergunto curiosa.
— Ainda não, baby. — Ele me olha com um sorriso fraco nos lábios. — Precisamos conversar sobre a ameaça de Eva.
— Tudo bem.
— Obviamente eu não cedi à chantagem, isso significa que ela vai ficar muito brava. Provavelmente ela deve estar me procurando ou te procurando para mostrar a filmagem agora mesmo. Eu tinha que te alertar sobre isso, porque meu amor...Quando voltarmos para Dallas, é provável que sua família já tenha visto, e ela vai querer te mostrar também, talvez ela até coloque na internet, não sei. Eu tinha que te contar para que você esteja preparada. — Ele diz com uma voz triste.
Só de imaginar meus pais vendo o tal vídeo...Será que isso vai faze-los mudar de ideia com relação a aprovar meu namoro? Realmente espero que não.
— Não veja, por favor, não veja o vídeo. — Ele pede com um tom torturado. — Não quero que você fique com aquelas imagens gravadas na memória para sempre. Ignore-a, não olhe para o vídeo, por favor, me prometa que você não vai assistir. — Ele está quase implorando, a angustia em seu olhar está me matando.
— Não vou, eu prometo que não vou ver. — Tento tranquiliza-lo. Ele fecha os olhos e solta um suspiro aliviado. Quando ele me olha novamente, o mar antes revolto de seus lindo olhos azuis, está calmo. Ele se aproxima, quebrando a distância antes imposta por ele mesmo. Segura minha mão, e o calor que passa para o meu corpo através do seu é reconfortante.
— Sinto muito, eu não faço ideia do que nos espera quando voltarmos a Dallas. Desculpa por toda a vergonha que você vai passar com sua família, e com os outros se ela resolver compartilhar o vídeo online. Eu queria não ter sido quem eu fui, queria ter sido capaz de ver o que eu vejo agora. Desculpa por tudo o que ela te disse no leilão, desculpa por não ter te passado confiança o suficiente para que você não acreditasse nas palavras dela. Desculpa por ter feito você acreditar que precisava fazer o que você fez ontem para que eu ficasse com você. Desculpa não ser alguém de quem você tem orgulho em apresentar para seus pais, desculpa ter feito você brigar com seu irmão. Desculpa pelo modo que eu te tratei no começo, por ter te feito aquela proposta, eu não deveria, você é especial e merecia muito mais do que eu te ofereci. — É com um aperto no coração que eu vejo as lágrimas escorrerem por suas bochechas.
Levo minha mão até seu rosto e limpo-o.
— Não me peça desculpas, nada disso que você disse importa. O que importa, é quem você é agora, as atitudes que você tem hoje, o homem que você é quando está comigo. E tenha certeza, esse homem me dá muitos motivos para que eu tenha orgulho dele. Eu te amo, Joe, e sou eu quem deve lhe pedir desculpas por ter deixado Eva fazer minha cabeça e por não ter confiado em nós dois.
— Eu te amo, Little Nips. — Sorrio ao ouvir o apelido, ele me chamava assim quando eu era criança. Quem diria que anos depois daquelas tardes onde ele brincava comigo e com Miley, estaríamos aqui, ambos perdidamente apaixonados um pelo outro.
— Eu também te amo, meu amor. — Joe se aproxima mais, fazendo nossos narizes roçarem um no outro.
— Não deixe mais que Eva te faça duvidar de mim, por favor. — Ele pede em um sussurro.
— Não vou.
— Eu te amo, Demi, e pelo amor de Deus, nunca duvide disso, nunca pense, nem por um segundo sequer, que isso possa mudar. — Não consigo dizer nada, não consigo lhe prometer coisa alguma, porque eu sei que as coisas estão prestes a mudar. Joe diz isso agora, mas e quando souber sobre nosso filho? Como ele vai se sentir sobre isso?
Minhas duvidas são deixadas momentaneamente de lado, quando seus lábios macios encontram com os meus. Meus medos com relação à chantagem são esquecidos quando sua língua se encontra com a minha. Minhas inseguranças com relação a sua reação a chegado do bebê se desfazem quando ele me puxa para seu colo e nossos corpos se encaixam com perfeição.
Meu mundo se desfaz quando ficamos nus e ele começa a fazer amor comigo, lenta e apaixonadamente.
— Qual era a segunda coisa que você queria falar comigo? — Pergunto e Joe ri. Ainda estamos deitados preguiçosamente nos braços um do outro depois de fazermos amor.
— Você é realmente muito curiosa, hum? Mas para satisfazer sua curiosidade, precisamos nos vestir e ir lá para fora. — Levanto a cabeça que descansava em seu peito e olho-o curiosa.
— Não dá para falar aqui e agora?
— Não.
— Tudo bem, então. — Levanto-me e começo a me vestir. Joe ri com minha pressa. Ele pede que eu lhe espere do lado de fora, na entrada para o bosque nos fundos da cabana, então é para lá que eu vou. Alguns instantes depois ele aparece. Vestido com uma calça jeans e bota marrom, uma camisa de flanela xadrez azul e um cachecol de caxemira cinza pendendo do seu pescoço. Avalio-o e mordo o lábio inferior, talvez eu não esteja tão curiosa assim e prefira voltar lá para dentro e arrancar suas roupas, de novo.
Ele sorri ao me ver avaliando-o e segura minha mão, entrelaçando nossos dedos. A situação tensa por causa do episódio de ontem totalmente esquecida.
— Vamos? — Ele pergunta com um sorriso largo.
— O que você quer me falar precisa ser dentro do bosque? — Pergunto levantando uma sobrancelha. O que será que ele está aprontando?
— Sem perguntas, apenas relaxe e vamos passear um pouco. Há dois quilômetros daqui, tem um lago muito bonito. — Ele diz e começa a caminhar, me puxando consigo.
Então entramos no bosque, um vento gélido sopra em nossos rostos e eu me aconchego nos braços de Joe, mesmo estando de casaco.
— Isso aqui está lindo demais. — Exclamo olhando a paisagem e encantada com as altas árvores de troncos grossos e arbustos, todos com as folhas amarelas e laranjas.
A cada passo dado em cima das folhas secas, o chão farfalha. Graças ao outono, forma-se um lindo tapete de folhas de um amarelo queimado.
— Adoro o silêncio daqui. Só o barulho do vento e dos animais. — Joe diz parecendo muito feliz em contato com o ar fresco e puro da montanha.
— Também, adoraria ter uma casinha em um lugar como esse, onde eu pudesse passar os feriados e os finais de semana. — Comento.
— É mesmo?
— Aham. — Respondo.
— Eu também, estou adorando esse lugar. Não me importaria de ter uma cabana aqui.
— É um ótimo lugar, e Montpelier é uma cidadezinha tão, mas tão linda.
Continuamos nossa caminhada lentamente, aproveitando do contato com a natureza e conversando sobre diversas coisas.
Joe me guia por um caminho que logo nos leva até uma pequena, rústica e adorável ponte de madeira escura que nos permite atravessar um córrego cheio de pedras verdes de limo.
Depois do córrego, andamos por cerca de mais uns 20 minutos, até que Joe anuncia que estamos chegando.
Conforme andamos, percebo que ele fica mais quieto e mais tenso ao meu lado. Parece nervoso.
Assim que tenho o primeiro vislumbre do lago, descubro o porquê. Um sorriso lentamente se espreguiça por meu rosto e eu corro para ver tudo de perto.
A beira do lago está igualmente cheia de folhas caídas, as águas estão calmas e parecem com um grande manto azul, que reflete a cor do céu.
Em baixo de uma árvore grande há alguns poucos metros da margem, está uma toalha estendida no chão, com algumas almofadas e uma cesta de vime repousando nela. Várias pétalas de rosa vermelha estão jogadas no chão ao redor da toalha, contrastando com a cor das folhas.
— Joe, como você...Quando você...Ah meu Deus, é lindo. — Digo encarando o cenário digno de um filme de romance.
— Surpresa. — Ele sussurra em meu pescoço, seus braços me envolvendo por trás. — Esse era o outro motivo pelo qual eu queria te trazer aqui. Eu queria um tempo só para nós, longe de tudo e de todos, longe de Nick e de quem mais quisesse atrapalhar nosso amor.
— E qual é a segunda coisa que você quer falar comigo? — Pergunto ansiosa.
— Ainda não. — Sinto o sorriso em sua voz. — Venha.
— Como você preparou tudo isso? Quando?
— Eu tenho meus contatos. — Ele diz e pisca para mim.
Sento-me em uma almofada macia e de um tecido azul escuro, Joe se senta na minha frente, a cesta entre nós. Ele a abre e começa a tirar o seu conteúdo e deposita-los em cima da toalha.
Uvas, morangos, amoras, queijo, geleia, pão, biscoitos, bolo e por fim, uma garrafa de vinho e duas taças enroladas em guardanapos de pano.
— Meu Deus... — Digo me esticando para olhar para dentro da cesta. — Isso aí é como aquela bolsa da Hermione. — Digo e ele ri.
— Gostou das minhas escolhas?
— Amei, tudo parece delicioso. — Digo sem conseguir tirar esse sorriso bobo do rosto.
— Que bom. — Ele diz me entregando as duas taças. Joe abre o vinho tinto e despeja em ambas as taças até a metade, deixando a garrafa de lado pega a sua bebida e a levanta no ar. — Um brinde a mim, você e esse lugar onde podemos fingir estarmos em nosso próprio mundo e nos amarmos em paz.
— Um brinde a nós, meu amor. — Digo encostando nossas taças de leve. Disfarço e dou apenas um gole bem pequeno em meu vinho, mas é o suficiente para saborear o gosto delicioso.
Começamos a comer todas as coisas deliciosas que ele trouxe, estou com uma fome monstro, mas tenho a desculpa de estar comendo por dois. Isso me faz lembrar que tenho algo muito importante para lhe contar, mas não agora, depois.
Passo geleia em mais um pão e como. Tudo está tão perfeito, não quero correr o risco de estragar contando para Joe sobre o bebê e ele sair correndo. Então decido fazer isso depois de comermos.
Passamos agradáveis momentos, nos deliciando com a comida e conversando sobre amenidades, nos permitindo esquecer todos os problemas que nos cercam. Permitindo-nos a fantasiar com um mundo só nosso, num lugar lindo e isolado como esse, apenas Joe e eu...Bem, e o nosso filho também.
Depois de comermos e acharmos padrões nas nuvens enquanto estávamos deitados nas almofadas, Joe se levanta e me estende a mão.
— Já quer ir embora? — Pergunto deixando que ele me ajude a levantar.
— Não, quero conversar a tal segunda coisa com você.
— Oh...Tudo bem. — Não sei porque fico nervosa, talvez seja pela seriedade com que ele profere essas palavras e a forma intensa com que me encara.
— Eu também tenho algo sobre o qual gostaria de conversar com você. — Digo sem pensar duas vezes, para não perder a coragem. É agora, eu vou contar.
— Tudo bem, mas eu posso falar primeiro? — Ele segura minha mão e me arrasta em sua caminhada. Deixo que ele me guie e caminho na margem do lago junto com ele.
— É que o que eu tenho para te falar é muito importante. — Digo.
— Eu também. — Ele me olha de uma forma tão séria, como ele nunca havia me olhado antes, então decido o deixar falar primeiro.
— Tudo bem, fale.
— Sinceramente, nem sei por onde começar. — Ele respira fundo e seguimos caminhando lentamente. Alguns momentos passam e quando eu acho que ele desistiu de falar, ele começa:
— Acho que não tem como fazer você entender a grandiosidade da paz e da alegria que você me faz sentir, porque você não sabe como eu me sentia antes de você. Então vou tentar lhe explicar de uma forma bem simples. Eu não sentia nada... — Ele diz olhando para frente e eu sigo olhando o seu rosto de perfil. — Eu sempre amei meus pais, meus irmãos, meus avós, até mesmo alguns poucos amigos, mas mesmo assim, eu sentia que faltava algo. O amor que eu sentia por eles era meio que mecânico, como se fosse algo que tivesse que sentir, entende? É meio difícil de explicar e imagino que seja mais ainda de entender, mas a questão é que eu na maioria da minha vida, me sentia vazio, sentia como se algo estivesse faltando. É um sentimento horrível esse, sabe...Eu olhava o mundo a minha volta e via que apesar dos pesares, todos pareciam acabar encontrando o seu rumo, menos eu. Eu sentia como se fosse um barco à deriva, tinha uma força que me empurrava e empurrava mas que nunca me levava a lugar algum. O mar estava feroz, me balançando, me golpeando com suas fortes ondas, como se quisesse me afundar, me carregar para baixo, e eu resistia, mas com muito medo dele conseguir. Eu me sentia desesperado para chegar até terra firme, para achar um lugar seguro, uma salvação, uma redenção...Você consegue imaginar o tamanho da minha agonia? — Ele olha para mim com um olhar torturado, não deve ser fácil para ele falar sobre isso.
Balanço a cabeça em sinal positivo, sim, eu posso imaginar. Meu Deus, só pelo jeito dele falar já me sinto sufocada, para ele que de fato passou anos se sentindo assim, deve ter sido um inferno.
— Nunca imaginei que você se sentia assim, você sempre pareceu uma pessoa...Feliz.
— E em certos momentos eu até era, mas em outros esse vazio que eu sentia era grande demais para ignorar. Nos primeiros anos da minha adolescência essas sensações sombrias eram mínimas, mas o tempo foi passando e eu fui crescendo. Fui vendo meus amigos se apaixonarem, começarem a namorar, e eu simplesmente não conseguia sentir o que eles me descreviam. Imaginei que era porque eu não havia encontrado a pessoa certa, passeia a imaginar que talvez aquele vazio fosse a falta dessa pessoa especial. Que quando eu a encontrasse, tudo ficaria bem. Mas eu nunca a encontrava, eu nunca nem sequer me interessava por uma garota além de sexualmente, pensar em ficar com uma mesma garota, ter que agir como os meus colegas apaixonados? Não, aquilo me dava pânico. Comecei a perceber os sinais e cheguei à conclusão que alguma coisa deveria estar errada comigo, quanto mais os anos se passavam e eu só conseguia olhar para as mulheres como meros objetos sexuais, fui chegando a conclusão que o problema era com os outros. É muito mais fácil admitir que os outros é quem tem problemas e não você. Conclui que todos a minha volta eram idiotas iludidos, acreditando em algo como amor, monogamia, relacionamentos, e eu era o único que conseguia enxergar que essas coisas não existiam. Afinal, devia eu acreditar em algo que eu nunca havia sentindo e só ouvido falar? O problema é que, todos a minha volta acreditavam nesse sentimento, todos estavam vivendo ele, e ao mesmo tempo em que eu agradecia por não ser mais um idiota apaixonado...Eu queria ser um idiota apaixonado, eu ainda precisava de alguma coisa para preencher esse vazio que eu sentia. Eu queria sentir aquilo que todos diziam sentir, o frio na barriga, a vontade louca e incontrolável de querer ficar com aquela pessoal especial, os sorrisos bobos e a risada frouxa, eu queria muito saber como era sentir isso, mas eu não...Simplesmente não conseguia.
— Então você escolheu ignorar esse sentimento e preencher o vazio com o seu estilo de vida...Hum...Não muito ortodoxo.
— Exatamente.
— E funcionava? Quero dizer, o vazio ia embora?
— Na hora sim, mas depois ele voltava, com mais força. Em algum momento do caminho, eu simplesmente me perdi, Demi. Já não sabia mais o que estava fazendo. Não sabia o porquê era do jeito que eu era. Eu cresci em um lar carinhoso, com pais amorosos, com família e amigos também amorosos. Eu tinha tudo para ser um romântico incorrigível.
Sem que eu me desse conta, acabamos nos afastando muito do lugar onde havíamos feito nosso piquenique, olhei para trás e não conseguia mais ver a toalha onde havíamos sentado. O lago, então percebi, era muito maior do que eu imaginava. De repente eu reparei em algo que não havia visto antes, estava tão absorvida pela confissão angustiante de Joe, que não havia visto que há poucos metros de onde estávamos, havia um pequeno cais de madeira em forma de “T”.
— Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. — Digo, mas ele permanece em silêncio. Joe parece também ter reparado no pequeno cais, porque ele nos guia em sua direção.
Chegamos lá e subimos, a madeira escura e velha rangendo sobre nossos pés. A água calma, apenas com ocasionais ondulações. Fico na beira, caso caindo na água, e observo o horizonte. Posso ver as diversas montanhas ao longe, e a vegetação variada que se estende dessa montanha até as outras. O sol está se pondo atrás de uma delas, banhando-me com os últimos raios quentes antes da escuridão da noite chegar.
— Foi você. — Escuto a voz sussurrada de Joe.
— O que? — Olho para meu lado esquerdo, onde ele está parado de olhos fechados e cabeça erguida, também saboreando o conforto que o calor do sol proporciona.
— Foi você... — Ele vira o rosto e me olha. — Você é a minha terra firme, foi você quem me livrou da agonia de ser uma pessoa constantemente com algo faltando. Você é a minha pessoa especial. — Sinto meus olhos se enxerem rapidamente d’água.
— Joe... — Minha voz sai rouca pela emoção. — Isso é a coisa mais linda que alguém já me disse.
— Demi... — Ele vira o corpo e eu imito o movimento, ficando cara a cara com ele, o sol iluminando apenas um lado dos nossos rostos agora. — Você é tudo para mim, meu amor. Eu não sei o que eu faria se te perdesse, nunca vou poder te agradecer o suficiente pela alegria que você me faz sentir. Eu morro de medo de te perder, eu nunca senti tanto medo em toda a minha vida. Imaginar um futuro sem você é como imaginar a terra sem o sol, tudo se tornaria frio, sombrio e sem vida. — Ele segura minhas mãos na sua e as aperta. — Eu me arrependo de como as coisas entre nós começaram, porque você merecia muito mais do que aquela proposta, mas ao mesmo tempo não consigo me arrepender totalmente, porque foi por causa daquela proposta que começamos há passar mais tempo juntos e acabamos nos apaixonando. Uma vez minha mãe me disse que a gente não pode tentar se apaixonar, que isso simplesmente acontece, e que muitas vezes é quando e com quem menos se espera. E que se isso não tinha acontecido comigo ainda, era porque o destino estava me guardando o maior dos amores... O que eu posso dizer? As mães sempre estão certas, não é? — Eu rio. — Ela tinha razão, e agora eu sei o porquê eu nunca me apaixonei antes, era porque eu estava esperando você. — Ouvir suas palavras e ver uma lágrima escorrendo do seu rosto é demais para mim, começo a chorar. Quero dizer algo, preciso dizer algo depois de tudo o que ele me disse, mas não consigo, a emoção fechou minha garganta e eu fico igual a uma boba chorando e encarando-o nos olhos.
— Gostaria de lhe pedir algo, meu amor. Lembra quando eu lhe pedi apenas uma noite? Bem, eu vou ser mais ganancioso agora, e vou lhe pedir todas as noites, pelo resto de nossas vidas. — Ele leva a mão até o bolso da calça e pega algo, observo incrédula ele se abaixando e ficando de joelhos. Levo a mão até a boca e sinto as lágrimas jorrando por meus olhos. — Demi Lovato, você me daria à honra de ser minha esposa? — Ele pergunta segurando um anel lindo, com três pedras ovais de diamante. É perfeito.
Olho-o ainda sem acreditar que isso está acontecendo. Eu não suspeitei de nada, não achei que ele estivesse pronto para dar um passo desses, estamos juntos há pouco tempo e...De repente percebo uma coisa. Isso está indo rápido demais, o Joe que eu conheço, mesmo estando apaixonado, não iria me pedir em casamento apenas alguns meses depois de começarmos a namorar, a não ser que...Mas como, como é que ele descobriu? Miley lhe contou?
— Como é que você descobriu? — Pergunto-lhe, a imensa felicidade que eu sentia indo embora pelo fato de descobrir que ele só está me pedindo em casamento por causa do bebê.
— Descobri o que? — Ele pergunta franzindo a testa.
— O que eu ia te contar hoje. — Digo quase histérica.
— Amor, do que você está falando? — Ele continua de joelhos, mas abaixa a mão estendida que segurava o anel.
— Você está me pedindo em casamento porque você descobriu o que eu iria te contar hoje, não foi? Foi a Miley que lhe contou?
— A Miley...Mas do que você está falando? Ela não me contou nada, eu não faço a mínima ideia do que você pretende me contar. — Vejo a sincera confusão em seus olhos.
“Oh merda, acho que eu acabei de estragar o meu pedido de casamento”. — Não?
— Não. Mas agora estou curioso... — Ele diz se levantando. — O que é que você tem para me contar que você acha ter o poder de me fazer te pedir em casamento?
“Merda, merda, merda! Agora é a hora”.
— Hum...É que...Humm... — Fico balbuciando e não consigo lhe dizer. É muita informação passando em minha cabeça.
Se Joe não sabe sobre a criança, então isso quer dizer que ele realmente quis me pedir em casamento. E eu estraguei o momento mais romântico da minha vida, parabéns Demi.
E ainda por cima, ele vai ficar bravo quando perceber que eu insinuei que ele se casaria comigo só por causa do nosso filho. E não vamos esquecer a sua reação ao fato de ser pai, ele estar pronto para casar significa que ele não vai reagir tão mal assim a noticia da gravidez?
— Demi, fale de uma vez porque você está me deixando assustado. O que está acontecendo, o que você tem para me contar?
— Joe, você...Você vai... — Deus, porque isso é tão difícil? Eu sou tão covarde!
— Eu vou... — Ele me incentiva a continuar.
— Você vai ser...Pai. — Digo baixinho, quase em um tom de desculpas. Encolho-me prevendo sua explosão, mas os gritos não vêm, ele apenas fica parado como uma estátua. Sua única reação perceptível foi os olhos arregalados, e talvez e leve palidez que tomou conta do seu rosto.
Ele fica vários segundos sem se mexer ou falar algo, e eu com medo de deixa-lo mais nervoso, fico quieta, apenas desejando que um buraco se abra e me engula.
— Eu...Eu vou ser...Pai? — Sua voz sai rouca, mas com nenhum sinal de que ele está bravo comigo.
— Sim.
— Ah meu Deus, não acredito nisso. — Ele diz se curvando e apoiando as mãos no joelho, respirando com dificuldade.
— Sinto muito, Joe, eu estava tomando pílula e...Por favor, não brigue comigo, eu sei que você não deve querer um filho agora, desculpa mas...
— Como assim, desculpa? Você está me dizendo que sente muito por me dar a noticia mais maravilhosa da minha vida? — Ele endireita a postura e parece respirar mais uniformemente agora. Um sorriso largo se espalha por seu rosto e seus olhos se enchem de lágrimas.
— Demi, meu amor...Meu Deus, você está mesmo grávida?
— Estou. — Respondo olhando confusa com sua reação. Ele está em choque?
— Ah meu Deus. — Ele esconde o rosto nas mãos e começa a chorar.
— Você está...Feliz? — Pergunto hesitante. Ele enxuga o rosto na blusa e me olha confuso, mas ainda com um sorriso no rosto.
— Você não? Meu amor, nós vamos ter um filhinho, meu Deus do céu, feliz é pouco para descrever o que eu estou sentindo. — Ele ri e chora mais. Ele se ajoelha novamente, mas dessa vez é para beijar minha barriga.
Ele abraça minha cintura e espalma a mão em meu estômago, por baixo de minhas roupas.
— Um filho...Oh meu deus, ou uma filha, pode ser uma menina. A minha princesinha. É isso, nós vamos ter uma princesa, meu amor, tenho certeza, é uma menina.
— Joe, não tem como saber ainda. — Respondo sorrindo aliviada e emocionada com seu jeito carinhoso.
— Eu sei, eu sinto...Tem uma princesinha crescendo aqui. — Ele levanta minha blusa e beija minha barriga várias vezes. — Nós vamos ter uma filhinha, meu amor, e ela vai ser linda como você. — Ele levanta o olhar, encontrando-o com o meu, ambos sorrimos e choramos.
Acaricio seus cabelos enquanto ele beija e acaricia minha barriga. Rio quando ele começa a se apresentar como sendo o pai, é estranho ter ele assim de joelhos e se apresentando para a minha barriga.
— Eu sou seu pai, minha princesa. E eu vou cuidar de você para sempre, nunca vou deixar ninguém te fazer mal. — Joe fica muitos minutos assim, ajoelhado, abraçando e beijando minha barriga.
Quando ele finalmente se levanta, me puxa para um abraço e me beija com tanto amor e adoração, que sinto meu coração inflar e bater descompassado.
— Meu amor, ah meu amor... — Ele enche meu rosto de beijos. — Obrigado por me fazer o homem mais feliz do mundo. Eu prometo que vou cuidar de vocês duas para sempre, não vou deixar que nada de mal aconteça com a minha família. Vocês são todo o meu mundo, eu te amo, e já amo essa criança com todo o meu coração. Obrigado, Demi, obrigado.
Envolvo meus braços bem apertados envolta dele e beijo o homem da minha vida. Estou tão feliz com a reação de Joe, depois disso, estou me sentindo tão boba por ter ficado paranoica com como ele reagiria.
— Eu te amo, Joe. Desculpa ter estragado o seu pedido de casamento.
— Eu também te amo, meu amor. Não precisa pedir desculpas, você me deu a melhor noticia do mundo, eu estou radiante. — Ele se afasta um pouco e me olha com o seu sorriso de gato Cheshire. — Mas você não me respondeu, então vou pedir de novo.
— Você quer se casar comigo, meu amor? — Ele pergunta se ajoelhando pela terceira vez, estendendo mais uma vez o anel.
Sorrio e balanço a cabeça. É claro que eu quero me casar com Joe, ele é o homem da minha vida, aquele que eu quero ao meu lado para sempre.
— Sim, eu quero mais que tudo me casar com você, Joe. — Ele solta uma exclamação aliviada e eu rio, ele se levanta e coloca o anel em meu dedo, não tenho tempo para observar como ficou em minha mão, pois Joe mais uma vez me enlaça e me puxa para um beijo apaixonado.
Deus, eu posso jurar que de uma hora para a outra eu fui transportada para o paraíso. Não quero que esse momento acabe nunca.


8.6.16

Paixão Inesperada - Capitulo 27 - Isso Não Estava em Meus Planos


~

Joe
— Com licença Sr. Jonas. — A recepcionista do prédio onde trabalho me chama quando passo por ela logo no começo da manhã.
— Sim, Marilu?
— Hum...Tem uma mulher aqui que gostaria de falar com o senhor.
— Quem?
— Eva Thompson, senhor. Ela tentou subir no seu andar, mas foi impedida pelos seguranças porque sua secretária disse que tinha ordens para não deixa-la subir, porém, não podemos impedi-la de ficar lhe esperando no saguão. — Ela me diz com um sorriso de desculpas.
— Entendi. Obrigada, Marilu. — Dou lhe um sorriso desanimado, meu dia já azedou.
Viro-me na direção do saguão onde vejo algumas pessoas em pé e algumas outras sentadas nos sofás de couro. Não demora muito e eu reconheço os cabelos negros de Eva, solto um suspiro impaciente e vou em sua direção.
— O que você está fazendo aqui? — Paro na sua frente e tento perguntar com uma voz contida, mas é difícil disfarçar a raiva que sinto.
Ela levanta o olhar e um sorriso venenoso se espalha por seus lábios, ela levanta-se do sofá, deixando seu corpo muito próximo do meu. Dou um passo para trás, o que parece diverti-la ainda mais.
— Vim falar com você, docinho. — Deus, meu estômago embrulha toda vez que ela me chama assim. É impressionante como as coisas mudam, no passado ela costumava me excitar como nenhuma outra, agora ela me enoja como muitas outras.
— Você já se esqueceu da conversa que tivemos aquele dia no meu escritório? Eu não quero te ver nunca mais, Eva.
— Como eu poderia me esquecer daquele dia? Do nosso beijo... — Ela diz com um sorriso dengoso, sua mão alisando meu terno.
— Não existe isso de ‘nosso’ beijo. Você me beijou a força e foi horrível.
— Você gostava tanto dos meus beijos antes. Principalmente quando eu te beijava aqui embaixo... — Ela diz escorregando sua mão em direção à braguilha da minha calça. Seguro sua mão com força e a afasto de mim. Olho para os lados para ver se alguém percebeu seu movimento ousado.
— Pare com isso, Eva.
— Docinho, não precisa fingir que você não gosta disso.
— É mais do que não gostar, eu odeio isso, e eu te odeio. Você me lembra de um passado que eu luto diariamente para esquecer. — Por um breve momento vejo magoa passar por seus olhos, mas logo ela disfarça e aquele brilho impertinente retoma seu lugar.
— Muito bem, você definitivamente quer isso do jeito difícil, não é? Eu te dei todas as chances possíveis, Joe, mas você insiste em me recusar, em me humilhar, como naquele dia no seu escritório. É, eu me lembro bem daquele dia, me lembro também que eu lhe fiz uma promessa, e eu sempre cumpro com o que eu prometo.
— Você já teve a sua vingança infantil, você prejudicou minha carreira, agora me deixe em paz.
— Agora quem parece que não se lembra daquele dia é você. Já se esqueceu do que eu te disse? Isso apenas começou Joe, aquele contrato foi a primeira coisa que você perdeu.
— Você não pode mais me prejudicar. — Digo confiante, mas é apenas uma fachada, a verdade é que eu estou com medo. Medo porque Eva está com aquele olhar determinado de quando ela quer algo e não há ninguém que possa impedi-la.
— Vamos ver o que eu posso fazer quanto a isso... — Ela diz remexendo em sua bolsa, olho curioso para ver o que ela procura. Ela sorri parecendo empolgada quando retira um celular da bolsa enorme que pende do seu antebraço.
Fico mais curioso ainda, descanso as mãos na cintura e olho impacientemente para Eva.
— Diga-me Joe, o que você acha que a sua namoradinha irá pensar quando ela ver... — Ela vira o celular na minha direção. — Isso. — Ela parece se deliciar com as palavras.
Olho a tela do celular, uma filmagem está passando.  O ambiente é escuro e não consigo ver muita coisa, mas consigo distinguir vários corpos nus. Uma musica, tão alta que chega até meus ouvidos completamente distorcida, sai do aparelho que Eva segura na altura do meu peito.
Quem está filmando está andando pelo que parece ser uma festa de swing, não sei por que meu corpo todo se arrepia, sinto meu coração batendo rapidamente e um nó em meu estômago se forma.
Algumas das pessoas dançam e outras fazem sexo, no sofá, no chão, em todo lugar. Começo a sentir um mal estar e sinto que estou suando frio.
A pessoa que filma anda, parece seguir por um caminho restrito, ela para em frente a uma porta e a abre, entra em um ambiente claro o suficiente para que eu veja que é um quarto. Com o barulho da musica alta abafada no quarto, os gemidos são audíveis. Uma sinfonia de gemidos sai do celular, estou tão horrorizado que não me importo se as pessoas mais próximas de nós também estão escutando o que parece o áudio de um filme porno.
Ao se aproximar de uma cama, a filmagem mostra claramente dois homens e três mulheres. Quando reconheço o homem de joelhos na cama, comendo uma das mulheres que está de quatro com a cabeça enfiada no meio das pernas de uma segunda mulher, levo à mão a boca como se isso pudesse impelir a bile de subir.
Sou eu nessa filmagem. Sou eu fodendo aquela mulher de quatro. De repente sinto um medo terrível, o que mesmo que Eva disse, mostrar isso para Demi?
Oh Deus não, ela não pode ver isso.
As coisas no vídeo começam a ficar mais ‘pesadas’, mas não consigo desviar o olhar, é como em um acidente de carro.
Quando eu começo a fazer algo que eu não tenho coragem nem ao menos de falar, arranco o celular da mão de Eva e pauso o vídeo. Olho para os lados e vejo algumas pessoas nos olhando com vergonha, curiosidade ou choque. É, acho que elas escutaram os gemidos obscenos 
Pela expressão triunfante de Eva, a minha reação era a que ela estava esperando.
— Como você conseguiu isso? — Minha voz não sai tão irritada quanto eu queria porque ainda estou muito abalado com a ideia de Demi ver esse vídeo.
— Uma das festinhas que frequentávamos. Eu sabia que filmar você me serviria para alguma coisa algum dia.
Raiva, vergonha e medo começam a queimar dentro de mim, provocando uma chama muito perigosa. Aperto no botão de deletar, nunca mais quero ver essa filmagem na minha vida.
— Pode deletar, é claro que eu tenho outras copias. — Ela diz pegando o seu celular de volta.
— O que você quer? — Pergunto com os dentes cerrados, tenho medo de abrir a boca e acabar gritando com todas as minhas forças.
— Você ainda precisa perguntar? — Ela ri. — Eu quero você.
— Não acredito que você guardou durante todos esses anos esse vídeo, você é uma vadia louca, sabia?
— Eu sabia que me seria útil em algum momento. E esse é o momento perfeito.
— Porque agora? Se você tinha isso com você todo esse tempo, porque me chantagear só agora?
— Porque antes não teria adiantado nada. Diga-me, se eu tivesse aparecido com esse vídeo alguns anos atrás, e tivesse ameaçado de mostrar para a sua família ou colocar na internet se você não ficasse comigo, o que você teria feito?
— Teria rido da sua cara. — Respondo sem pensar.
— Exatamente. Porque você não se importava com que os outros pensavam de você. Mas agora, você se importa, não é? Agora você está apaixonado e não quer que sua namoradinha veja com seus próprios olhos como você é pervertido, não quer que os pais dela vejam, estou certa ou não, Joe? — Juro por Deus que o que eu mais quero no momento é tirar seu sorriso de vitória aos socos. Mas calma, Joe, você não bate em mulheres, mesmo nas vadias como Eva. E você está no seu emprego, se acalme.
Fecho os olhos e respiro fundo, tentando controlar esse mar de diferentes emoções que se agita dentro de mim.
— Eu não sei o que você quer que eu diga. — Digo sentindo aquele sentimento horrível de impotência. Ela está certa, não posso conceber a ideia de Demi ver esse vídeo. Uma coisa é falarem para ela o que eu fazia, outra bem diferente é ela ver com seus próprios olhos.
Eu não suportaria se ela desistisse de mim, se decidisse que eu não valho a pena, se ela percebesse que o meu passado é um fardo pesado demais para se carregar.
— Eu quero... — Ela guarda o celular e pega um pedaço de papel. — Que você me encontre nesse endereço, sexta às 21 horas.
Ela me entrega o papel, que vejo se tratar de um dos seus cartões de visita, com um endereço rabiscado em sua letra.
— Se você não estiver lá às 21 horas em ponto, eu vou fazer com que Demi e toda a sua família vejam aquele filmagem. A decisão é sua. Até logo, docinho. — Ela se inclina e beija meu rosto. Estou tão aturdido que não reajo a sua aproximação, encaro-a fixamente enquanto se afasta e vai embora. Quando ela está fora do meu campo de visão sinto como se uma tonelada estivesse sobre meus ombros, me empurrando para baixo, sento-me no sofá e esfrego meu rosto com força onde ela me beijou. Sinto tanto nojo, como eu nunca senti antes em toda a minha vida.
“Deus, como eu pude me envolver com alguém como ela? Onde eu estava com a cabeça?”
Observo com pesar o cartão em minha mão. Não posso ceder e ir encontrar com Eva, mas também não posso deixar Demi ver aquelas cenas nojentas.
Ela é tão inocente, tão pura, tão delicada, não posso a expor a esse tipo de coisa. Ah meu Deus, o que eu faço?
Descanso a cabeça no sofá, encarando o teto decorado a cima de mim e tentando controlar o embrulho em meu estômago.
Demi
— Não sei qual comprar.
— Leve um de cada, sis.
— Tudo bem. — Pego um teste de gravidez de cada marca e coloco na cesta de plástico azul.
Eu vou fazer todos eles, mas somente para provar para Miley que ela está errada, porque é óbvio que eu não estou grávida. Eu não posso estar grávida.
Ela se fixou nessa ideia desde que eu comentei que estava tendo alguns sintomas estranhos nas últimas semanas.
As coisas começaram naquela noite do jantar beneficente, depois das ameaças e revelações de Eva me senti muito mal, a ponto de vomitar todo o jantar. Achei que tivesse ficado enojada com as coisas que ela me disse. Mas então me senti mal no dia seguinte também, e no outro, estranhei, afinal, fazia tempo que não ficava doente. Depois de alguns dias sem enjoos e me sentindo ótima, cheguei à conclusão que o meu mal estar tinha se dado graças a algum vírus.
Mas então em uma certa manhã, subitamente um enjoo fortíssimo me atingiu ao sentir o cheiro de café da manhã enquanto eu passava por uma padaria. E foi nesse dia que os enjoos voltaram com força total, junto com tontura e sonolência. Achei que talvez fosse o estresse, afinal estava acontecendo tanta coisa; Os problemas de Nick com meu namoro, a presença de Eva, a cirurgia de Selena – que aliás, foi um sucesso, agora ela só precisa se cuidar – e também as provas na faculdade.
Estava tão preocupada com essas coisas, que não havia notado que eu estava atrasada uma semana. Juntando todos os pontos, Miley anunciou com grande certeza que eu estava grávida, mas apesar de todos os sintomas apontarem para a confirmação dessa suspeita, eu me recuso a perder as esperanças. Eu não posso estar grávida.
Chego ao caixa e a moça me lança um olhar estranho ao ver as cinco caixas de teste de gravidez, ela tenta me dar um sorriso reconfortante, mas não adianta, meus nervos estão à flor da pele.
Pago pelos testes e ando apressadamente para o carro.
— Podemos fazer isso no seu apartamento? — Pergunto.
— Aletta?
— Exatamente, não quero correr o risco de ela estar lá.
— Tudo bem, vamos.
Miley liga o carro e seguimos para seu dormitório. Ambas em silêncio, ela dirigindo e eu rezando, tem que ser um alarme falso.
“Por favor, meu Deus, eu prometo que se eu não estiver grávida, eu nunca mais vou transar sem camisinha.”
— Demi, pare com isso. — Miley diz retirando minha mão da boca. — Desse jeito você não vai mais ter unha para roer daqui a pouco.
— Estou nervosa, nunca imaginei que cinco minutos pudessem demorar tanto. — Digo balançando minha perna impacientemente.
— Calma, não adianta nada ficar nervosa agora.
— Miley, não acredito que isso está acontecendo comigo. — Digo esfregando o rosto com as mãos.
— Você e o Joe não usam camisinha?
— Não, eu disse para ele que não tinha problema, eu estou tomando pílula.
— Ah Demi, você sabe muito bem que pílula e camisinha não são completamente seguros, por isso tem que usar os dois juntos, sem falar nas doenças sexualmente transmissíveis...
— O Joe está limpo, com isso você não precisa se preocupar. Ele disse sempre fazer os exames a cada dois meses, quando começamos a nos envolver, ele tinha acabado de fazer um.
— Bom, pelo menos ele não era um prostituto irresponsável...Oh, desculpe. — Ela diz ao ver a minha reação à palavra ‘prostituto’.
— Tudo bem. — Digo tristemente. Ele meio que era mesmo, a única diferença é que ele não cobrava.  
— Foi mal mesmo, sei que você não gosta dessa palavra. O Joe mudou, eu acredito nisso agora, sinto muito ter chamado ele assim.
Apenas lhe ofereço um sorriso fraco e volto a roer minhas unhas. Olho o relógio, e pelo amor de Deus, ainda falta dois minutos. Levanto-me da cama e começo a andar pelo quarto de Miley, de um lado ao outro. Depois do que pareceu uma eternidade, ela diz:
— Cinco minutos, sis.
— Ah meu Deus. — Estava tão ansiosa para ver o resultado, e agora que está lá, não consigo ter coragem para ir ver quantos malditos risquinhos tem no maldito palito branco.
Sinto uma náusea no estômago, aquele mal estar típico de quando se está sobre grande pressão, sinto as palmas da minha mão suando. Não consigo fazer isso, definitivamente não consigo.
— Quer que eu veja? — Miley pergunta ao ver o meu olhar de pânico. Apenas balanço a cabeça em sinal afirmativo.
Ela se vira e vai na direção do banheiro, tendo um segundo pensamento, eu seguro-lhe o braço e a paro. Tenho que ser corajosa, eu é que tenho que ver.
— Não, espera. Eu tenho que fazer isso. — Digo, ela me dá um sorriso de incentivo, respiro fundo e vou em direção ao banheiro.
Chegando lá fecho a porta atrás de mim e encaro os potinhos com urina e os palitinhos que repousam dentro. Cinco testes, cinco resultados, os cinco vão conter apenas um risco e então eu vou poder respirar aliviada e rir disso mais tarde.
Acho que é melhor fazer isso rápido, simplesmente pegar o teste e olhar. Mas não consigo, eu o pego, mas não consigo encara-lo, fico observando o meu reflexo no espelho.
Não vou conseguir forçar meus olhos a olhar para baixo, então viro o teste para o espelho e vejo o resultado pelo reflexo.
Sinto que meu coração parou uma batida, então ele começa a bater mais rápido que as asas de um beija-flor. Por um segundo sinto como se o chão tivesse se abrido aos meus pés e eu estivesse caindo. Sinto um frio na barriga, sinto aquela familiar sensação que sempre acontece pelo menos uma vez na vida de todos, a sensação que você está em um mundo paralelo e que aquilo que está acontecendo não está de fato acontecendo.
Meus olhos viajam rapidamente para baixo, e eu confirmo o que eu vi pelo espelho...Dois risquinhos.
“Não! Não pode ser”.
Jogo o resultado na pia, como se ele tivesse me queimado. Com medo e hesitante, pego o segundo, dois risquinhos. Pego o terceiro teste, também dois risquinhos, pego o quarto, um risco, vejo o quinto e último...Dois risquinhos.
Apoio-me na beirada na pia, acho que estou entrando em pânico. Não consigo respirar, ah meu Deus, não consigo respirar.
Respiro profundamente e solto o ar lentamente, mas não está ajudando em nada, o ar continua entrando preguiçosamente em meus pulmões, me sufocando.
Minha visão está ficando embasada, minhas pernas estão fraquejando, acho que vou desmaiar.
— Miley. — Chamo por minha irmã, mas minha voz não sai nada mais do que um sussurro. — Miley. — Tento de novo, dessa vez minha voz sai alta o suficiente para ela escutar, porém trêmula, o que deve ter denunciado meu estado, pois Miley abre a porta com um olhar preocupado.
Ela não pergunta nada, eu não digo nada. Ela vê em meus olhos tudo o que precisa saber, ela leva a mão até a boca.
— Ah meu Deus, eu vou ser tia? — Ela pergunta com um sorriso enorme se formando nos lábios.
Ela está rindo? Por acaso isso parece engraçado?
Balanço a cabeça negativamente várias vezes, agravando a minha tontura. Quase caio, mas Miley me ajuda a tempo e me ajuda a ir sentar no vaso sanitário.
— Como assim, você está grávida ou não? — Ela pergunta ansiosa. Não consigo parar de olhar para o azulejo a minha frente. Será que estou em estado de choque? Ainda não consigo respirar direito. Sinto meus olhos se encherem d’água, não foi assim que eu imaginei, quando acontecesse era para eu estar formada, casada, não na situação em que eu me encontro agora.
— Um deu negativo. — Digo com a voz baixa.
— Um? Mas e os outros quatro?
Abro a boca mas não consigo emitir nenhum som, não consigo dizer em voz alta que eu estou...Que eu estou...Oh Deus, eu não consigo nem pensar nas palavras.
— Fale logo, Demi. — Ela pede com urgência, mas eu simplesmente não consigo lhe dizer.
Ela se irrita com o meu silêncio e vai até a pia, olhando os resultados por si só.
— Ah meu Deus, sis...Você está grávida. — Miley diz com uma voz emocionada.
— Não! — Digo categoricamente. — Um deu negativo. — Digo como se o fato de apenas um resultado ter dado negativo anulasse os outros quatro positivos.
— E quatro deram positivo, é claro que você vai ter que fazer o exame de sangue para ter certeza, mas...Exames de farmácia são bem seguros, sis. Não acredito que eu vou ser titia. — Ela diz dando pulinhos de alegria.
Será que ela perdeu o pouco juízo que tinha? Porque ela está feliz, ela não vê que isso é uma tragédia?
— Porque você está com essa cara, sis? Você está grávida, deveria estar feliz. — Ela diz ficando de joelhos na minha frente, um sorriso bobo em seus lábios.
— Isso é uma tragédia. — Ela parece pessoalmente ofendida com as minhas palavras.
— Como você pode falar isso, Demi? Tem um bebezinho aí dentro, seu filho e do Joe, é uma benção, não uma tragédia.
— Você não entende, Miley. — Digo ainda em um estado meio catatônico.
— Não entendo mesmo, achei que você sempre quis ter filhos.
— E eu queria, eu quero...Mas não agora, eu tenho 20 anos, ainda não me formei, não estou casada e...Meu Deus, não posso contar isso para o Joe.
— Como não? Ele é o pai, ele tem que saber.
— Ele vai surtar, Miley. Ele vai me culpar, porque eu disse que tudo bem não usarmos camisinha. Será que ele vai achar que eu fiz isso de propósito?
— Tudo bem, agora você está começando a falar muita besteira, sis. Primeiro que você não fez essa criança sozinha, Joe não é burro e sabe muito bem os riscos de transar sem camisinha, mesmo com você tomando pílula. E é claro que ele não vai achar que você fez isso de propósito, que ideia maluca é essa?
— Ah Miley, ele vai surtar, ele vai sair correndo no momento em que contar.
— Claro que não, ele te ama.
— Como eu vou contar para ele que ele vai ser pai? Até ontem ele tinha medo de apenas namorar, não posso chegar e jogar uma bomba dessas nele. Ele vai sair correndo e me deixar. — Apoio a cabeça nas mãos e começo a chorar. Sinto a mão de Miley acariciando minhas costas e isso me dá algum conforto.
— Ele não vai te deixar. Isso pode ter sido um pouco inesperado, mas Joe nunca te deixaria grávida e sozinha. Ele está tão mudado, que acho que é até capaz dele te pedir em casamento quando souber da criança. Ele amadureceu e é um homem de verdade agora, todo mundo viu as mudanças em seu comportamento.
— Ah meu Deus, você acha que ele faria isso, me pediria em casamento? Eu não quero isso, não quero que ele se sinta obrigado a se casar comigo só porque estou grávida.
— Eu não quis dizer...
— Se ele pedir, eu não vou aceitar. Não quero me casar só porque fiquei grávida. — Deus, essas palavras ainda saem tão estranhamente de meus lábios, sinto como se não fosse comigo, como se eu tivesse assistindo a cena de longe, e outra pessoa fosse a protagonista.
— Calma, Demi, eu não quis dizer isso...Droga. Você tem que se acalmar, e depois temos que marcar uma consulta para você, o médico vai pedir um exame de sangue para confirmar e se você estiver mesmo grávida, ele vai nos dizer o que devemos fazer.
— Você vai à consulta comigo?
— Mas é claro, se você quiser eu vou.
— Eu quero, não posso fazer isso sozinha.
— Você não precisa, conte para o Joe amanhã mesmo e ele pode ir ao médico com você.
— Não! Não vou contar para ele, não vou contar para ninguém, você tem que me prometer que não vai falar nada. — Digo me levantando rapidamente e me afastando de Miley.
— Demi, você tem que contar. Joe é o pai, ele tem que saber para estar ao seu lado quando precisar, e nossos pais...Você não acha que eles vão fica felizes em saber que serão avós?
— Não posso contar agora. Joe acabou de começar a aceitar a ideia de estar um relacionamento, e nossa família...Não posso contar agora, não depois do que aconteceu com Nick e Selena.
— O que eles tem a ver com isso?
— Selena acabou de fazer uma cirurgia para retirar um tumor, ela pode nunca conseguir ter filhos e isso é o que ela mais quer, como você acha que ela e Nick vão se sentir quando eu falar que estou grávida? Não posso contar nada agora.
— Demi, Nick e Selena vão ter que aceitar, você não pode viver sua vida em função do que os outros vão pensar, do que eles vão sentir. Você tem que contar para Joe o mais rápido possível, e depois para papai e mamãe.
— Não.
— Demi... — Ela me chama com aquele tom reprovatório.
— Não, Miley. Não posso dizer nada por enquanto, não até ter certeza absoluta. Depois do exame de sangue, se eu estiver realmente grávida, eu conto.
— Mas...
— Sem mas, é assim que vai ser. — Digo decidida.
— Tudo bem, se é isso que você quer. — Ela diz, claramente não concordando com minha decisão.
Como eu vou contar para Joe que ele será pai? Ele vai se sentir sufocado, assustado, vai sair correndo direto para o seu antigo estilo de vida. Todas aquelas coisas que Eva disse. Ele ainda está se acostumando com a ideia de um relacionamento, levou anos até que ele conseguisse ter coragem para se envolver seriamente com alguém, se eu disser agora que estou grávida, todo o seu progresso vai por água abaixo. Ele vai se sentir preso e vai fugir, mesmo Miley dizendo que ele não me abandonaria, eu sei que ele vai se sentir assustado o suficiente para correr para bem longe. Mesmo que depois o seu senso de dever lhe devolva a razão e ele volte, mas vai ser por causa da criança e não por minha causa, ele vai querer continuar comigo por causa do bebê e eu não posso permitir isso. Não posso permitir que ele se sinta obrigado a ficar comigo, não quero que ele se sinta infeliz e preso a mim, sempre desejando estar em qualquer outro lugar.
— Então, o que diz aí, doutor? — Pergunto ansiosa para o homem de cabelos grisalhos sentado do outro lado da mesa.
— Parabéns, você está grávida. — Ele diz dobrando os papeis do exame de sangue que eu fiz e me dando um sorriso verdadeiro.
Então é isso, eu estou mesmo grávida. Sinto a mão de Miley apertando a minha, olho para o lado e ela me lança um daqueles seus sorrisos de apoio.
Sinto meus olhos se enxerem d’água, meus pensamentos giram como um redemoinho, confusos, dentro de minha cabeça.
Agora é real, agora é certeza, isso está mesmo acontecendo.
— Você tem o apoio do pai da criança, querida? — O doutor me pergunta observando meu rosto machado pelas lágrimas.
— Ele não sabe ainda, eu não contei. — Digo com a voz fraca.
— Entendo, caso você precise de ajuda, nós temos ótimos programas para mães solteiras. — Ele diz me entregando alguns folhetos. — Essas mulheres são maravilhosas, você sempre encontrará alguém para apoia-la nesses grupos.
— Ela tem quem apoia-la. — Miley diz de repente, soando ofendida. — Nossos pais vão apoia-la e eu também. E o Joe também vai, tenho certeza, Demi. — Ela diz essa última parte se dirigindo a mim.
— Obrigada. — Sorrio para ela e enxugo as lágrimas.
O doutor começa a nos explicar quais deverão ser meus passos a partir de agora. Tenho que marcar uma consulta e começar a fazer o pré-natal imediatamente, para garantir que tudo está bem com meu filho.
Meu filho...Isso ainda é tão estranho de pensar. Não acredito que estou mesmo grávida, que eu vou ser mãe. Isso tudo é muito surreal.
Deixo que Miley preste atenção nas recomendações do doutor e fico imaginando em minha mente as diversas reações de Joe quando eu lhe contar.
Ele vai gritar? Vai sair correndo sem dizer nada? Vai me culpar? Ou vai enfrentar tudo como um homem, porém nem um pouco feliz? Não quero ser a causa da infelicidade de Joe, eu sei que ele não está pronto para ser pai ainda, nem sei se algum dia estará.
Mas agora não tem mais volta, a criança já está aqui dentro, a sementinha já está crescendo dentro de mim. Uma criação de Joe e minha, algo que fizemos juntos. Se as circunstâncias fosse outras, eu estaria chorando de emoção, de felicidade, se eu tivesse certeza que é isso o que Joe quer, eu seria a pessoa mais feliz do mundo.
Coloco a mão em minha barriga e a acaricio. O filho de Joe está aqui dentro, mesmo que ele me deixe, mesmo que tudo o que Eva me disse for verdade, eu vou para sempre ter um pedaço do homem que amo comigo.
Essa ideia é o suficiente para colocar um sorriso em meu rosto.
Após ficar uns bons minutos convencendo Miley de que estou bem e não preciso mais de sua companhia, ela finalmente me deixa sozinha em frente ao meu dormitório.
Sei que o doutor disse que todo esse cansaço é normal, mas me sinto exausta tanto fisicamente como emocionalmente, e preciso urgentemente da minha cama.
Subo as escadas até meu andar quase me arrastando, um sono vindo do nada de repente tomou conta de mim e não paro de bocejar.
Abro a bolsa e procuro por minhas chaves, ao virar em meu corredor sou surpreendida por ver que tem alguém sentado no chão, ao lado da minha porta.
Os cabelos ruivos não me deixam errar, penso em dar meia volta e fugir, mas Vince levanta o olhar e me vê parada no começo das escadas. Ele rapidamente se levanta e vêm até mim, ignorando-o passo por ele e vou abrir minha porta.
— Pequena.
— Por favor, hoje não, Vince. Não estou legal. — Digo colocando a chave na fechadura e destrancando a porta.
— O que você tem, está bem? — Ele pergunta, a preocupação genuína em sua voz não me deixa dispensa-lo com aspereza.
— Estou sim, apenas cansada, obrigada. — Digo olhando-o nos olhos e dando-lhe um sorriso gentil. Abro a porta e entro no apartamento, quando me viro vejo Vince entrando sem ser convidado.
— Vince, eu já disse, por favor, não estou com paciência para você hoje. Vá embora.
— Você diz que está bem, mas sua carinha diz o contrário. — Ele diz segurando meu queixo e analisando meu rosto.
— Eu estou bem, já disse.
— Aquele cara não te fez nada, não é? — A essa altura já sei muito bem a quem ele se refere sempre que diz ‘aquele cara’.
— Não, Joe não me fez nada. Vá embora, por favor. — Aponto para a saída.
— Você não está com uma cara boa, acho melhor não te deixar sozinha. — Ah ótimo, me livrei de Miley apenas para que Vince ocupasse seu lugar, o que eu tenho que fazer para ficar sozinha com meus pensamentos? Pior é que eu não estou nem com forças de discutir com ele e expulsa-lo daqui.
— Vince, quando você vai entender que eu não te quero mais na minha vida? Você está me exaurindo com essa sua insistência.
— Ótimo, assim fica mais fácil de você ceder. — Ele diz fechando a porta.
Solto um suspiro cansado e logo em seguida um bocejo.
— Você parece bem cansada mesmo, porque não se senta confortável no sofá e eu te preparo um chá? — Ele pergunta com um sorriso inocente no rosto. Vince se ofereceu mesmo para me fazer um chá? Tem como esse dia ficar mais surreal? Descubro que estou mesmo grávida e meu ex namorado obsessivo quer me fazer um chá, a vida tem um senso de humor estranho.
— Obrigada, mas acho melhor você ir embora. — Respondo me jogando nas almofadas macias.
— Por quê?
— Humpf, você ainda pergunta? Nós não somos namorados e não somos amigos, Vince. Sei que você está tentando reatar nosso namoro, mas agora mais do que nunca isso é impossível.
— O que você quer dizer com agora mais do que nunca? — Ele pergunta se aproximando.
— Nada, eu só quis dizer que agora eu me apaixonei por outro, sinto muito, mas essa sua perseguição tem que parar. Se Joe descobrir que você está aqui ele vai...
— Foda-se ele. — Vince me interrompe e vem se sentar ao meu lado no sofá. — Foda-se o seu namorado, eu não vou desistir de você, Pequena.
— A questão aqui não é só ele, é eu também. Eu de verdade não quero mais nada com você, Vince. Não tem nada que você possa fazer para mudar isso.
— Tem que ter alguma coisa, tem que ter algo que eu possa fazer.
— Sinto muito, mas não há nada. Acabou, para sempre.
— Eu te amo.
— Engraçado, porque será que esse amor todo só apareceu depois que você me perdeu?
— Eu sempre te amei. — Ele responde magoado.
— Se isso é verdade, então porque você fez o que fez? — Ele abre a boca, parece pronto para responder, mas então se detém. — Acho que isso que você pensa ser amor, é apenas uma obsessão. Você devia parar com isso, para o seu próprio bem. — Meus olhos estão cada vez mais pesados, encosto a cabeça no sofá e fecho os olhos.
— Você deve ir agora. — Digo no meio de um bocejo. — Feche a porta quando sair.
Sinto o sofá se mexendo quando Vince se levanta, o esgotamento emocional e o sono vão me vencendo e finalmente adormeço.
Minha consciência desperta, mas está tão gostoso aqui que me recuso a abrir os olhos. Estou deitada, mas pelo que eu me lembro, eu dormi sentada no sofá. Estou sentindo uma coberta em cima de mim, quem foi que me cobriu? 4
Mexo-me e sinto uma mão em minha cintura, abro os olhos assustada e dou de cara com o rosto de Vince me observando. Solto um grito de susto e se não fosse por seu braço me segurar, teria caído do sofá.
— Hey, calminha, sou eu.
— O que diabos você está fazendo aqui? — Pergunto analisando a situação.
Estou deitada no sofá com Vince deitado ao meu lado, perto demais. Percebo que estou deitada em seu braço direito e o outro ainda está em minha cintura.
A luz que entra pela janela da sala é fraca e não ilumina nada, deixando-nos em um ambiente escuro. Meu Deus, já deve estar escurecendo, quanto tempo eu dormi?
Faço menção de me levantar, mas Vince me abraça, me segurando no lugar.
— Não quis deixar você sozinha, você não parecia bem. Só queria cuidar de você.
— Então você me deitou, me cobriu e depois veio dormir comigo? — Digo deixando-o ouvir em minha voz que eu não gostei nada disso.
— Foi.
— Me solte Vince, quero levantar. Você não deveria ter ficado, vá embora agora. — Ele não me escuta e continua me segurando em seus braços.
— É tão bom ficar com você assim, tão pertinho de mim.
— Me solte, Vince.
— Você lembra quando costumávamos ficar assim na minha cama, abraçados logo depois de fazermos amor?
— Vince...
— Sinto falta disso. — Ele diz em um sussurro, sua boca se aproxima e ele me rouba um beijo. Na tentativa de me desvencilhar dele, acabo caindo no chão.
— Ai, que droga. — Digo sentindo a dor do meu tombo.
— Pequena, você está bem? — Ele se levanta do sofá rapidamente e me estende a mão, eu dou um tapa nela e me levanto sozinha.
— Você é tão idiota, Vince. E burro, qual a parte de eu não te quero mais que você não entendeu? Que coisa, me deixe em paz. Você fica me perseguindo implorando para voltarmos, tenha um pouco mais de amor próprio. Vá procurar outra e me deixe em paz. — Despejo minha frustração em cima dele, tento ignorar a dor na minha bunda.
Ele fica parado sem dizer nada, então vou até a porta e a abro.
— Saia agora, e se você voltar a me procurar, eu juro por Deus que eu vou pedir um mandado de restrição na justiça. — Encaro-o com a porta aberta.
— Eu só queria cuidar de você. —Ele diz bravo.
Ele pega sua jaqueta no encosto do sofá e sai do apartamento rápido e destrutivo como um furacão.
Bato a porta com força e me dirijo à cozinha para beber um como d’água. Tenho tantas coisas em que pensar agora, a última coisa que eu preciso é me preocupar se magoei os sentimentos de Vince, principalmente depois que ele foi tão leviano com os meus. Espero que ele tenha entendido agora, de uma vez por todas, que eu não quero mais nenhum tipo de relação com ele.
Bebo minha água, agarro minha bolsa em cima do balcão e vou para meu quarto. Apesar de o cochilo ter renovado minhas forças, ainda me sinto um pouco cansada.
Sento-me na cama e procuro pelo papel dentro da bolsa. Quando o encontro desdobro-o e leio mais uma vez o resultado.
Tenho que começar a refazer meus planos, essa criança vai mudar tudo, nada vai ser como era antes. E apesar de saber que eu tenho pessoas que me apoiarão, sinto medo.
Queria que meu primeiro filho chegasse alguns anos depois de já estar casada com um homem carinhoso e que me amasse, não quando estou namorando com um cara tão assustadiço e escorregadio como Joe.
Eu acredito que ele realmente me ama, esse não é o problema, mas...Será que ele ama o suficiente?
É isso que em breve eu vou descobrir, porque agora que eu tenho a certeza, eu vou ter que contar para ele. Contar que nós fizemos um outro ser humano juntos, criamos uma vida que irá alterar o curso da nossa própria para sempre.

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Hey babes como estão?
Bem, passei aqui pra avisar vocês que estamos nos capítulos finais, e em ocorrência disso, eu vou deixar programado para os capítulos saírem a cada dois dias. Por isso não sumam viu!
xoxo

25.5.16

Paixão Inesperada - Capitulo 26 (2/2) - Seu Passado Nos Condena


~

Quando chegamos ao seu prédio, Joe vem abrir a porta para mim e me ajuda a descer do carro. Subimos até seu apartamento, no elevador Joe me agarra e me espreme com seu corpo, sua boca desce até meu pescoço e me provoca arrepios.

— Que tal você me deixar curar essa sua dor de cabeça? — Ele sussurra com a sua voz rouca e sexy.

— Tudo bem. — Eu cedo.

Quando paramos no seu andar, ele me puxa para fora do elevador com pressa. Entramos em seu apartamento e imediatamente sua boca ataca a minha.

— Finalmente vou poder arrancar esse vestido de você. — Ele diz, suas mãos abrindo o zíper da minha roupa. Ainda no corredor a caminho do quarto, eu perco meu vestido e Joe seu paletó. Chagando no quarto, Joe tira a camisa e os sapatos. Depois tira meu sutiã. Ele me joga na cama e suas mãos vão até o botão de sua calça. Quando ele a abaixa, sua ereção salta livre, me fazendo pulsar com desejo.

Ele deita-se em cima de mim e me beija apaixonadamente, sua mão desliza por minha barriga e entra em minha calcinha, ele começa a me acariciar com seus dedos habilidosos e eu gemo.

“Ah sim, eu adorava quando ele me comia por trás. Mas nada supera o prazer que eu sentia quando participávamos de uma orgia.”

A voz de Eva ecoa em minha cabeça e eu a mando para longe.

— Meu Deus, como eu te amo. — Ele diz, me beijando, me acariciando.

“Ele gosta de sentir prazer sem pudor, sem restrições, ele gosta de algemar, amarrar, bater, dividir, ele gosta de sexo na sua forma mais suja, mais impura, ele gosta de se enfiar em todos os buracos que você tem e não de fazer amor.”

Saia da minha cabeça, Eva. Saia!

“Joe sempre teve uma certa inclinação se tratando de sexo, uma inclinação muito forte, é algo que faz parte dele e nunca irá embora.”

Nunca irá embora, nunca irá embora, nunca irá embora. As palavras se repetem em minha mente.

“Só para o caso de você achar mesmo que ele te ama...Eu e Joe nos beijamos mês passado, no escritório dele.”

Não é verdade, não pode ser verdade. Joe não faria isso comigo.

Ele começa a puxar minha calcinha para baixo, sua boca se fecha em meu seio.

“Diga-me, você não adora os sons que Joe faz quando você está chupando ele?”

Eu não sei os sons que ele faz, eu nunca fiz isso por ele. Mas ela sabe, muitas e muitas mulheres sabem, muitas já viram ele gozando. Como ele fica lindo quando está gozando, várias mulheres já lhe deram prazer, chuparam ele. Eu não.

— Joe... — Chamo seu nome.

— Eu sei, amor. — Ele diz se encaminhando para o meio das minhas pernas.

— Não. Eu quero...Não, espere. Pare, Joe. — Digo e ele para na hora, encontra com meu olhar e me olha confuso.

— O que? O que foi?

— Não faça isso. É a minha vez. — Ele se levanta e eu o empurro para o colchão, ele cai de costas e eu monto em cima dele.

Eu não posso oferecer tudo o que ele gosta, não posso dividir ele com nenhuma outra mulher, não suportaria. Mas isso eu posso fazer.

Começo a beijar seu peito, passo a língua por seus mamilos, Joe geme.

Vou descendo cada vez mais, beijando a região de suas costelas, lambendo e mordendo-o. Cada vez que eu deslizo minha boca mais para baixo, mais sua respiração fica irregular.

— Demi. — Ele geme meu nome.

Seguro sua ereção em minha mão, fazendo um movimento de vai e vem. Aproximo-a de meus lábios, fechando minha boca na ponta de sua excitação.

— Ah meu Deus...Isso.

Chupo-o e levo-o mais fundo, brincando com a minha língua por todo o seu comprimento.

Sempre que eu chupava Vince, ele parecia ficar louco, sempre me dizendo como eu era boa nisso, como ele foi o meu primeiro, foi ele quem me ensinou tudo o que eu sei. No começo ele foi me instruindo, dizendo o que gostava e o que não, até que eu aprendi tudo o que ele gostava. Não sei como Joe gostaria que eu fizesse com ele, mas ajo por instinto, chupando-o e lambendo-o, e ele parece estar gostando. Suas mãos estão agarradas ao lençol, sua respiração está acelerada e ele faz sons muito eróticos. Sem contar que ele está duro como uma pedra, então acho que devo estar fazendo isso certo.

— Demi...Meu amor...

— Você gosta disso? — Pergunto prendendo seu olhar no meu, lambendo-o da base até a ponta.

— Ah Deus, sim, sim eu gosto, muito.

Chupo-o avidamente até que ele me impede.

— Não quero gozar agora. — Ele diz quando eu protesto e tento leva-lo novamente em minha boca.

Ele me puxa e me deita na cama.

— Isso foi uma delícia, meu amor. Essa sua boca linda parece o paraíso, você toda parece. — Suas mãos começam a percorrer todo o meu corpo. — Você é tão linda, tão gostosa, eu te quero mais que qualquer coisa, Demi.

— Eu também te quero, Joe. — Suspiro enquanto suas mãos me acariciam.

Ele segura minhas pernas e as abre ao máximo, então abaixa a cabeça no meio delas e quando sinto sua língua meu mundo todo se desfaz. Só sobrou o prazer, puro e concentrado, e eu me perco completamente nele.

Joe

Não tem como meu humor estar melhor hoje. Vou admitir sem vergonha alguma que eu estava completamente errado, se apaixonar é algo extraordinário, maravilhoso.

Eu amo tanto Demi e esse amor me dá forças para todo. Sinto-me mais feliz, mais leve, mais capaz de enfrentar os problemas, sinto que finalmente tenho um propósito na vida. Um rumo, uma direção.

Demi é a minha bússola, sem ela estaria perdido. Nunca serei capaz de deixar de ama-la, e espero que ela sinta o mesmo.

Estaciono o carro na frente da Bachendorf’s. Entro na joalheria e vou direto falar com uma moça atrás do balcão de vidro.

— Olá, senhor. Como posso ajuda-lo?

— Eu vim buscar um relógio que eu havia deixando aqui para que concertassem.

— Qual o seu nome?

— Joe Jonas.

— Só um momento, Sr. Jonas.

— Obrigado. — A moça sorri e some em uma porta no fundo da loja.

Enquanto espero que a moça volte com meu relógio, algumas peças na vitrine chamam minha atenção. Há uns colares e pulseiras muito bonitos, passo os olhos por eles, mas um item em especial chama minha atenção. Um anel princesa com vários pequenos diamantes.

— Aqui está, senhor. — A moça volta e me entrega uma caixa de veludo negro.

— Obrigado.

— Gostaria de vê-lo de perto? — Ela percebe que estou olhando o anel e pergunta.

Não sei, eu gostaria de ver o anel de perto? É um anel de noivado, mas só ver não faz mal, não é?

— Sim, eu gostaria, por favor. — A vendedora sorri e vai buscar o anel. Ela pega uma chave, destrancando a vitrine e pegando o anel que eu admirava.

— Esse é um clássico anel com corte princesa, de 2.5 quilates. — Ela informa enquanto me entrega o anel.

— É muito bonito. — Digo admirando-o.

— Nós temos alguns outros modelos que acabaram de chegar, se o Sr. quiser ver. — Ela oferece.

— Eu gostaria de ver alguns, por favor.

A vendedora se vai por alguns instantes e volta carregando uma caixa aveludada. Ela deposita a caixa no balcão e a abre, retira um anel de dentro e me entrega.

— Temos esse. O diamante maior é de 2 quilates, a faixa de platina também possui diamantes menores, é outro clássico de lapidação princesa.

Analiso o anel e o devolvo. É lindo, mas não consigo imaginar Demi usando-o, não combina com ela. Então a vendedora me mostra outro modelo, e depois outro, e mais outro.

— Temos esse daqui. Possui 3 quilates e...

— É esse. — Interrompo-a no meio da frase e arranco o anel de sua mão, ávido para olha-lo mais de perto.

— É perfeito. — Sussurro para mim mesmo.

Admiro o lindo anel. Ele possui três pedras de diamante em formato oval. A maior está no centro, e nos dois lados há mais duas pedras menores. Ficaria perfeito na mão delicada de Demi.

— É esse, é perfeito. Vou levar.

A vendedora abre um sorriso largo, com certeza muito contente com a comissão que vai ganhar por essa venda.

— Pois não, vou guarda-lo para o Sr.

Ela guarda o anel dentro de uma caixa quadrada de veludo azul escuro e coloca dentro de uma pequena sacola, assim como a caixa com meu relógio. Ela me entrega o certificado de autenticidade do anel e eu lhe entrego meu cartão de crédito.

Depois de pegar meu cartão me despeço da vendedora e volto para meu carro. Uma vez lá dentro, pego a caixinha com o anel e a abro.

Eu não pretendia comprar um anel de noivado quando vim aqui, comprei-o meio que por impulso. Não é só porque eu o comprei que eu tenho que pedi-la em casamento, posso esperar se eu quiser. Posso deixar o anel guardado até que a hora certa chegue.

Guardo o anel e ligo o carro, guio de volta para meu apartamento, só imaginando a cara de Demi quando a hora chegar e eu pedi-la em casamento.

Demi

Termino de almoçar e me encaminho para meu dormitório. Tenho uma prova difícil daqui a dois dias e tenho que usar todo o tempo vago que tenho para estudar para ela.

Caminho pelo campus distraidamente. Chego ao meu prédio e subo as escadas lentamente, quando viro em meu corredor, levo um susto com a quantidade de flores que estão na frente da minha porta.

Chego bem na hora em que Joe está amarrando vários balões em formato de coração na maçaneta da minha porta.

— Joe? — Ele se assusta quando o chamo, mas sorri assim que me vê.

— Ah, oi amor. Como foram as aulas essa manhã?

— Bem, obrigada...hum, Joe, porque o meu corredor está parecendo uma floricultura? — Pergunto me aproximando dele, ainda encarando os diversos vasos e buquês de flores espalhados pelo chão.

Têm rosas brancas e vermelhas, margaridas, tulipas coloridas e flores do campo. Sorrio ao perceber um ursinho grande no meio de todas essas flores, ele segura um coração que diz “eu só tenho olhos para você”.

Joe se aproxima e laça minha cintura, me puxando para junto de si. Ele segura meu pescoço e junta sua boca com a minha. Me dá um beijo tão apaixonado, tão cheio de amor que eu me esqueço de tudo o que vem me atormentando desde aquele jantar maldito. Esqueço-me sobre o tal beijo entre ele e Eva – o qual eu ainda não tive coragem de questiona-lo – esqueço-me de todas as mulheres com quem ele já esteve, esqueço-me de tudo que é ruim. Nesse momento só existe Joe e eu.

Quando ele se afasta estou ofegante e com os joelhos fracos. Só ele para ser capaz de me fazer sentir isso apenas com um beijo.

— Uma vez eu te disse que nunca poderia te dar flores e balões. Eu só queria que...Queria que você soubesse que eu mudei. — Ele diz e eu sinto meu coração inchar, tanto que eu acho que vai explodir.

— Ah, Joe. — Digo sorrindo e acariciando seu rosto.

— Eu te amo, Demi, e pretendo me comportar como o idiota apaixonado que sou. Vou te dar flores, balões, ursinhos e tudo o que você quiser. Qualquer coisa para te provar que eu mudei e que eu te amo com todas as minhas forças.

Ele segura a mão que acariciava seu rosto e lhe dá um beijo.

— Joe, por favor, me leve para dentro daquele apartamento e faça amor comigo. — Peço em um sussurro.

— Tudo o que você quiser, minha linda, tudo o que você quiser.

— Demi, você pode levar isso lá para fora e colocar na mesa? — Mamãe pede.

— Claro. — Pego a travessa de vidro e me encaminho para a grande mesa com bancos de madeira que foi colocada atrás da casa, ao ar livre.

Hoje é domingo e decidimos fazer um grande almoço em família. Os Lovato e os Jonas, todos reunidos para um farto almoço junto das pessoas que amamos.

Papai está sentado na varanda bebendo cerveja com Nick. Miley está com Miguel – já o consideramos parta da família – e eu, mamãe e Selena estamos terminando de arrumar a mesa.

Denise, Paul, Joe, Kevin e Dani ainda não chegaram.

Estou colocando a travessa de salada de batatas na mesa quando escuto o barulho de rodas nos cascalhos na frente da casa.

Joe.

Sorrio e saio correndo para recebê-lo.

Quando chego à frente da casa e vejo Vince saindo do carro, congelo no lugar. Não pode ser, eu devo estar imaginando. Que diabo ele está fazendo aqui?

— Vince, o que você pensa que está fazendo aqui? — Pergunto furiosa enquanto me aproximo de seu carro. Não acredito que ele teve a cara de pau de vir até a minha casa. — Você deve ir embora, agora. — Digo olhando-o severamente.

— Ele não vai a lugar algum, ele é meu convidado. — Escuto a voz de Nick atrás de mim.

— Como é que é? — Viro-me olhando chocada. Eu só posso ter entendido errado.

— Eu o convidei. — Nick repete.

— Como assim você o convidou, você está louco? — Nick se aproxima sem se deixar abalar pelo olhar fulminante que estou lançando para ele.

— Vocês me obrigam a ter que aceitar que aquele filho da mãe que você chama de namorado se sente na mesma mesa que eu. Então ele vai ter que aceitar que o meu convidado se sente nela também.

— Você não pode fazer isso. Isso aqui é um almoço de família. — Digo histérica.

— Eu tinha pedido para papai e mamãe se eu podia convidar um amigo, eles permitiram.

— Mas aposto que eles não sabiam que era Vince, não é? E desde quando você o considera um amigo? Você sempre o odiou, você só está fazendo isso para provocar Joe. — Digo dando com o dedo em seu peito.

— Não importa meus motivos, ele é meu convidado e ele fica. — Ele volta seu olhar para Vince, que assiste nossa discussão quieto. — O pessoal está lá atrás, pode ir até lá Vince, sirva-se de cerveja e o que você quiser, fique à vontade.

— Obrigado, Nick. — Vince diz e se dirige para a parte dos fundos da casa, eu apenas o olho se afastar com a boca aberta, ainda não acreditando no que Nick está fazendo.

Não posso acreditar que ele esteja agindo dessa maneira. Meu Deus, alguém abduziu meu irmão e colocou esse clone incrivelmente idiota no lugar?

— Você tem que falar para ele ir embora, agora. — Emprego o máximo de autoridade na voz que consigo.

— Não. Ele fica.

— Porque você está agindo dessa maneira? Você não acha que deveria estar mais preocupado com a cirurgia da sua mulher do que agir como uma criança?

— Eu estou preocupada com ela, e estou cuidando para que ela tenha tudo o que precisa. Não precisa se preocupar.

— Nick, por favor. Você sempre odiou Vince.

— Eu não vou mudar de ideia, Demi. — Ele diz se afastando.

— Vince me traiu. — Digo e ele para. — Foi por isso que eu terminei com ele, porque eu o peguei na cama com a minha colega de quarto. — Vejo raiva passar por seus olhos. — E ele já tinha me traído antes disso também. Eu odeio ele, Nick. Você convidou um cara que me fez sofrer, para perturbar um cara que me ama de verdade e só tem me feito feliz.

Ele me olha, mas não diz nada.

— Por favor, faça Vince ir embora antes que Joe chegue. Pare de ser tão hostil, tão teimoso e tão infantil. Todos têm agido como adultos com relação à Joe e eu, menos você. Você tem agido como uma criança mimada que está emburrada porque as coisas não saíram como queria.

— Ele fica. — Ele diz teimosamente.

— Eu vou falar com papai, ele vai fazer Vince ir embora. — Ameaço.

— Ele não vai expulsar um convidado meu.

— Eu não vou mais falar com você, você já magoou demais Joe. Ele é seu amigo e está sofrendo com todo esse seu ódio, aí você pega e convida aquele cara para uma reunião de família, uma tarde que era para ser cheia de alegria, só porque você é egoísta e quer machucar o homem que eu amo. Eu não vou te perdoar por isso, esse não é o Nick que eu amo e admiro. — Digo magoada com sua atitude irracional e vou em direção aos fundos da casa.

Chegando lá vejo Vince com uma cerveja na mão, sozinho em um canto, olhando para os lados parecendo desconfortável.

Papai me olha com um olhar de desculpas, mamãe e Selena estão fingindo que tudo está perfeitamente bem e Miley me olha confusa assim que entro em seu campo de visão.

Caminho determinada até Vince.

— Você tem que ir embora. Agora.

— Seu irmão me convidou, tenho o direito de estar aqui.

— Você não tem direito nenhum. — Digo elevando a voz. — Você sabe que ninguém te quer aqui, nem mesmo Nick, ele te convidou só para provocar Joe.

— Sabe, eu não gostava do seu irmão tanto quanto ele não gostava de mim, mas depois que eu fiquei sabendo que ele deu uma bela de uma surra no seu namoradinho, acho que ele até que é um cara bem legal.

— Como é que você...Esquece. Você é um idiota, não acredito que eu cheguei mesmo a amar você. — Vejo seu rosto murchar e magoa passar pelo seu olhar. Poderia até sentir pena dele, se ele não fosse um idiota traidor. — Você quer mesmo ficar em um lugar que você sabe não ser bem vindo?

— Eu quero ficar no mesmo lugar que você, não importa onde isso seja. — Ele diz dando um passo em minha direção e colocando sua mão em meu rosto, que eu rapidamente retiro.

— Vince, só vai embora, por favor.

— Eu te amo, Pequena.

— Eu não te amo mais, Vince.

— Eu posso fazer você voltar a amar.

— Não, não pode. Entenda isso de uma vez por todos e pare de agir como um perseguidor, vá viver sua vida.

— Eu não consigo tirar você da minha cabeça, eu penso em você o tempo todo. Eu sei o quanto eu te machuquei, eu sei o quanto eu fui um filho da puta, mas se você pudesse me dar só mais uma chance...

— Não, Vince não dá. Eu amo o Joe, estou completamente apaixonada por ele, não quero mais ninguém além dele. E se você me ama tanto quanto você diz, você vai embora agora.

Ele me olha tristemente, leva sua mão até meus cabelos e os acaricia.

— Você não está sendo justa, você sabe que eu te amo de verdade.

— Então vá embora, agora.

Ele toma um gole da sua cerveja e deixa a garrafa na mesa.

— Tudo bem, eu vou, para mostrar que eu te amo. Me leve até o meu carro.

— Tudo bem. — Digo revirando os olhos e o acompanho de má vontade.

— Tchau. — Digo quando chegamos ao seu carro e me viro para voltar para minha família.

— Espera. — Ele segura meu braço.

— O que foi?

— Pelo menos me de um beijo de despedida.

— Então você vai parar de enrolar e vai embora? — Pergunto.

— Vou, prometo. — Solto um grunhido impaciente. Minha intenção é lhe dar apenas um beijo rápido na bochecha, mas quando meus lábios encostam-se na sua pele, ele me abraça e segura minha nuca. Vira o rosto e faz com que nossos lábios se encontrem, tudo em um movimento rápido demais para que eu possa reagir.

Sua língua tenta invadir minha boca e eu a mordo, fazendo-o me soltar e falar um palavrão enquanto leva a mão até a boca.

— Seu idiota, vá embora e não me procure mais. — Suas mãos seguram meus braços e ele me puxa com força para junto de si, nossas bocas separadas por poucos centímetros.

— Você não pode fazer ou dizer nada para que eu desista de você.

— Mas eu posso. — Escuto a voz grave de Joe e me viro em sua direção. Ele está a poucos metros de nós e escutou tudo, Kevin e Dani estão logo atrás dele.

— Largue a minha namorada, agora. — Ele diz com uma voz assustadora. Vince me solta e encara Joe com um olhar arrogante.

— Sua por pouco tempo. — Ele diz sorrindo. Joe quebra a distância com dois passos largos e agarra Vince pela camisa.

“Oh não! Meu Deus, porque Joe tem sempre que se meter em alguma briga?”

— Se você chegar perto dela de novo, se você falar com ela ou olhar para ela, eu vou atrás de você, entendeu? — Joe diz numa voz sombria. Kevin se aproxima do irmão cauteloso, pronto para apartar uma briga se necessário.

— E eu vou estar te esperando.

— Joe. — Chamo-o e coloco uma mão em seu braço, ele me olha e suaviza a expressão imediatamente. — Solte-o. — Peço e ele larga Vince no mesmo instante, dando um passo para trás e me puxando para perto de si, envolvendo meus ombros com seu braço.

— Saia daqui, antes que eu perca a paciência com você.

— Tudo bem, já estou de saída, mas por que ela pediu e não porque você quer. — Vince abre a porta do carro, mas antes de entrar se vira para mim. — O que nós tínhamos era especial demais para você me esquecer tão facilmente...

— Humpf. — Bufo e solto uma risada sem humor nenhum. — Esquecer você foi tudo, menos fácil.

— Eu sei que em algum lugar aí no fundo você ainda me ama. Você vai voltar a ser minha, nossa história não acabou, Pequena.

— Filho da... — Joe parte para cima de Vince, mas eu o seguro a tempo.

— Por favor, Joe. Não aqui. — Ele me ouve e recua, Vince entra no carro.

— Até depois, minha linda. — Vince diz e arranca com o carro.

— Filho da mãe. Quem ele pensa que é para te chamar de Pequena, de minha linda? Deus, eu quero matar esse pedaço de merda. — Joe diz vermelho de raiva.

— Calma, cara. — Kevin diz colocando a mão em seu ombro.

— Calma nada, eu vou acabar com ele isso sim. O que ele estava fazendo aqui? Porque você deixou ele chegar tão perto? — Joe diz redirecionando sua raiva para mim.

— Hey, calma. Foi Nick quem convidou Vince.

— Nick? — Dani pergunta confusa.

— É, ele o convidou só para provocar Joe.

— Mas Nick não odiava Vince?

— Pelo jeito ele me odeia mais. — Joe diz encarando o chão, a raiva em sua voz sumiu e foi substituída por magoa.

Ele não olha para ninguém e vai em direção a casa, sumindo pela porta da frente.

— Droga, eu vou atrás dele. — Digo e saio correndo para dentro.

— Joe, espere. — Ele para e se vira, com as mãos na cintura.

— O que foi?

— Não fique assim, por favor.

— Como você quer que eu fique? Eu chego aqui e vejo a minha namorada nos braços do ex e ainda por cima descubro que o meu melhor amigo me odeia ao ponto de convida-lo apenas para me atingir.

— Eu não estava nos braços de Vince.

— Estava sim, vocês estavam quase se beijando. — Obviamente agora não é uma boa hora para admitir que Vince me beijou.

— Amor...

— Acho melhor eu ir embora. — Ele diz.

— Não, não fale besteira. Não deixe que os idiotas do Vince e do Nick estraguem nosso dia. Vamos mostrar para Nick que não há nada que possa nos separar, que estamos felizes juntos e que nos amamos.

— Não posso acreditar que ele me odeie tanto assim. — Joe diz passando a mão pelos cabelos.

— Uma hora ou outra ela vai acabar entendendo. E mesmo que ele não entenda, isso não vai nos separar. Eu não vou permitir que Nick nos atrapalhe, a partir de hoje não vou mais falar com ele, agora sou eu quem vou ignora-lo.

— Não quero que você se afaste do seu irmão por minha causa.

— Não é por sua causa, é por causa dele mesmo. Ele que tem agido como um idiota.

— Chamar Vince não foi a primeira coisa que ele fez, foi? Ele tem feito outras coisas que você não me contou, não é?

— Joe...Deixa isso para lá, não importa.

— Importa para mim, o que ele tem feito? Ele tem te tratado mal?

— Não exatamente.

— Então o que é?

— Ele tem tentado me convencer a te deixar, ele tem...Ele fica me contanto coisas.

— Que tipo de coisas? — Ele pergunta com um leve tom de desespero na voz.

— Coisas que você fez no passado, com outras mulheres. Ele fica me dizendo que você é nojento e que eu mereço coisa melhor. Ele me contou sobre as festas de troca de casais que você deu no apartamento que vocês dividiam na faculdade, sobre as vezes que ele pegou você com mais de uma mulher transando na sala, das vezes que ele não conseguia dormir por causa dos gemidos. E da vez que...Da vez que você transou com um homem. — Assim que digo isso Joe fica branco como papel e rapidamente desvia o olhar, com vergonha. Ele se vira, ficando de costas para mim.

— Eu estava bêbado, foi só uma vez.

— Eu não estou julgando, Joe.

— Eu sinto muito que tudo isso seja verdade.

— Joe, olhe para mim. — Peço e ele balança a cabeça em negativa.

— Tenho muita vergonha de tudo o que eu fiz.

— Não tenha, por favor, olhe para mim. — Ele lentamente se vira, quando vejo as lágrimas escorrendo de seus lindos olhos azuis, sinto uma vontade enorme de chutar a bunda de Nick. Definitivamente eu não estou mais falando com ele.

— Ele tem razão, você merece coisa melhor.

— Hey, não fale uma coisa dessas. — Digo abraçando-o. — Eu não gosto nem um pouco do seu passado, não vou mentir. Odeio que você tenha estado com tantas outras pessoas, mas seu passado faz parte de quem você é agora, e eu te amo. — Ele me abraça forte.

— Se eu soubesse...Se eu soubesse que iria encontrar esse sentimento tão puro e bonito, o nosso amor, eu teria feito tudo diferente. Não teria encostado em nenhuma outra mulher, teria esperado por você.

— Queria ter esperado por você também. — Digo.

— Só de imaginar que você já dormiu com outro homem, me deixa cego de ciúmes, mesmo tendo sido apenas um. Não posso nem imaginar como você se sente sabendo de tudo o que eu fiz. Sinto muito meu amor, que você tenha que aguentar isso.

— Não quero mais falar sobre isso, por favor. Vamos esquecer tudo isso, pelo menos por hoje, vamos fingir que nada disso com Vince aconteceu e vamos aproveitar o dia juntos.

— O que você quiser, meu amor. Mas eu não vou me esquecer dele, se Vince chegar perto de você de novo, não vai ter nada que vá conseguir me impedir de dar uma lição nele. E com relação à Nick, eu também não vou permitir que ele continue te envenenando contra mim. Ele não quer aceitar nosso namoro, muito bem então, mas ele não tem o direito de tentar atrapalha-lo.

— Não vamos deixar ele nos atrapalhar. — Digo.

— Não vamos deixar ninguém nos atrapalhar, promete?

— Prometo. — Respondo.

— Ótimo, eu prometo também. Vamos permanecer firmes, meu amor, e juntos. Haja o que houver.