10.10.15

Escolha - Capitulo 16


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JOE QUERIA estar em qualquer lugar, exceto no Canal Room. O lugar estava lotado com as mesmas pessoas que ele tinha visto no sábado à noite, e na quinta-feira, e na quarta-feira à noite. As mesmas câmeras e repórteres e puxa-sacos feitos dos mesmos ruídos. O jogo repetido indefinidamente, e a única coisa que mudava era o figurino.

Mia estava… em algum lugar. Ela pareceu surpresa quando Joe não a aninhou depois de sair do carro. Não importava o fato de não terem trocado uma palavra durante a viagem, mas quando as câmeras foram ligadas, havia expectativas. Exigências. Ele não poderia ter se importado menos.

A imprensa iria dizer o que queria, aí seria a vez dele, e ele iria fazer uma declaração mais ultrajante, e assim vai. Nem mesmo xadrez, mas damas. Seus pensamentos, enquanto ele estava bebericando um uísque perto da porta dos fundos, além de debater internamente uma fuga dali, estava nas duas mulheres que tinham vindo para o centro do palco de sua vida. Rebecca, que sempre tinha sido uma aliada, até mesmo quando eram crianças. Não havia nenhuma razão para acreditar, racionalmente, que ela havia mudado sua lealdade. Joe nunca fizera nada para machucá-la ou envergonhá-la. Eles não eram apenas parentes, eram amigos.

Considerando isso, talvez fosse hora de pensar no que ela estivera tentando dizer a ele. Ela não tinha nada a ganhar se ele reavaliasse sua relação com os pais, com seu trabalho, com Demi. Se ele fizesse uma reviravolta completa em todas as três áreas, ele e Rebecca iriam continuar como antes.

Do que ele tinha medo? Da ideia de mudança? Mudar sempre fora desconfortável, e ele construíra uma vida muito confortável para si. Digamos que ele estava disposto a sair de seus padrões. Nada era gravado em pedra, então e daí se ele analisasse isto?

Ele não tinha nenhuma obrigação de fazer qualquer coisa que seus pais lhe pedissem. Nunca tivera durante anos. A vida que levava era dele. Em troca, nada que ele fazia ou dizia ia influenciar seus pais, a não ser que eles quisessem ser influenciados.

Ele deu um gole no uísque, sentiu queimar o fundo da garganta. Ocorreu-lhe que a rivalidade tinha acabado anos atrás, mas Rebecca estava certa. Ele nunca parava de competir. E tinha ficado incrivelmente satisfeito com a reação horrorizada deles ao Naked New York, bem como a sua notoriedade. O portal representava tudo que eles evitavam como uma praga: interesses comuns, a exposição pessoal, visão progressista. Basicamente tudo o que não os representava. Joe continuava a aumentar as apostas, eles continuavam reagindo com choque, com ameaças, com subornos. Hum. Ele transformou aquela rodinha de hamster no projeto de sua vida.

Por que, dentre todas as coisas interessantes disponíveis para um homem de seus recursos, ele ainda estava jogando aquele jogo ridículo? Estrelas de cinema? Moda? Escândalos? Não que ele considerasse toda celebridade uma tolice… não era bem assim. Os humanos criaram a cultura das celebridades porque foram projetados dessa maneira. Fofocas existiam desde a invenção do discurso. A tecnologia só tornava tudo mais imediato. Era parte do mundo, mas apenas uma parte pequena e, no fim, não era uma parte que ele valorizasse particularmente, tirando pela receita gerada.

Joe pegou seu copo e saiu. Droga, tinha esquecido o casaco, estava um frio de matar, mas ele não estava disposto a voltar para dentro, agora não.

Caminhou rua abaixo, e até mesmo às 22h40 havia pessoas nas faixas de pedestres, pessoas tagarelando, luzes acesas, restaurantes e bares cheios até o talo. Deus, ele amava aquela cidade. Sua bagunça fantástica. Infinitamente fascinante, e ele era o filho da mãe mais sortudo que morava lá. Será que ele sabia mesmo o que fazer com este mundo ao seu alcance? Se ele se afastasse do Naked New York amanhã, nada de significativo aconteceria. Ele imaginava que ainda administraria o grupo de mídia. Isso era gratificante, e Joe tinha muito orgulho do que construíra. Mas se ele nunca mais fosse a outra festa, nunca comparecesse a outro lançamento de filme ou inauguração de boate, e daí? Manhattan encontraria outro rei . Ele ia ter que descobrir o que desejava fazer de sua vida. Seus pais parariam de ficar constrangidos por causa das mulheres com quem ele saía. Droga. Joe começou a gargalhar, em plena calçada, e um casal, caminhando atrás dele, atravessou a rua fora da faixa.

Ah, Rebecca ia ficar insuportável. Ninguém sabia ser tão presunçoso quanto Rebecca. Mas que inferno. Ele devia isso a ela.

Não que ele tivesse resolvido largar tudo. Ainda não. Era uma decisão muito grandiosa para ser tomada com a cabeça cheia de uísque e depois de uma noite confusa. Além disso, ele precisava pensar em sua equipe. Transições, alterações, repercussões financeiras.

Coisa que, na verdade, soava como uma diversão dos diabos.

Tremendo, Joe retornou para a entrada do clube. Não estava com vontade de entrar, mas devia isso a Mia para avisá-la que estava por conta própria. Então ele enfrentou a porta da frente, ignorou os olhares estranhos por sua reentrada. A única coisa que importava no momento era encontrar Mia. Porque, ao passo que sair dos holofotes do NNY era uma grande decisão, não era a mais importante a se cogitar. Fato que o levava então à segunda mulher.

Se ele ia saltar do precipício sem uma rede de segurança, tinha certeza de que não queria ir sozinho.

DEMI ESTAVA no closet. No closet dela. No divã que fazia às vezes de cama. Seu quarto provavelmente era do tamanho de uma torradeira, mas tinha uma porta, e ninguém de fora podia ouvi-la chorar.

Embora ela não estivesse chorando no momento, estava olhando para o telefone. Já havia resolvido que não pegaria o próximo avião para Ohio, no entanto, ainda não estava de volta ao modo guerreira amazona. Estava triste. Quase tão triste quanto uma pessoa que tinha tanta coisa poderia estar.

Aquele era o retrocesso. Era impossível chafurdar na lama, não quando havia tantas pessoas com problemas de verdade. A única coisa errada com a vida dela era que o garoto não gostava dela. Não era o fim do mundo, não era um caso único, e quem poderia saber se Joe era o grande amor de sua vida? Talvez ele servisse a um propósito completamente diferente. E se a atração de Demi por ele fosse um teste de sua coragem, seu compromisso com seu futuro? Ou um lembrete de que o coração dela estava funcionando, e que precisava ser muito mais cautelosa com suas emoções?

Vai ver não tinha nada a ver com amor. Ele era um príncipe de conto de fadas, e ela era humana. Ela crescera vendo filmes da Disney e recebendo noções românticas. Joe era mágico. Claro que ela ficara atraída.

O problema estava em fingir, fabricar, acreditar que ele também tinha ficado atraído.

Demi pegou o telefone, foi na pasta de contatos e analisou sua lista pessoal. Gostava demais de Rebecca, mas a amiga estava muito perto da dor. Lilly era ótima, mas elas não haviam alcançado o estágio da intimidade ainda.

Demi estava com muita vergonha de ligar para seu pessoal em Ohio. Ela sentira-se tão ridiculamente superior a eles e seus erros trágicos. Falando em cair do alto do próprio ego…

Não, só havia apenas uma pessoa para se telefonar esta noite, e era da família. Beth era dois anos mais velha e passou por um rompimento confuso antes de conhecer Max. Ela também era um ouvinte incrível, e cara, Demi precisava conversar.

Beth respondeu após um toque.

– Ai, graças a Deus. Sei que tem errado. Fale, pirralha insuportável. Demi fungou duas vezes, e começou do início.
JOE OLHOU para a lareira. Era tarde, ou para ser mais preciso, cedo. Estava morto de cansaço e precisava dormir, mas havia acontecido muita coisa desde que ele chegara em casa, e ele ainda estava atordoado com tudo.

No momento em que entrou, ele se dirigiu ao escritório. Atualizar o blog da manhã tinha sido fácil. Ele tinha trabalhado de verdade e falado sobre a festa e as fragrâncias, afinal estavam pagando uma boa grana para anunciar o perfume em todos os blogs dele, e assim ele também mantinha o diálogo de Demi ativo. Foi surpreendentemente satisfatório chamar Mia de velha amiga. Ela odiaria isso. Especialmente a parte “velha”. Mas ela nunca ficava brava por muito tempo. Claro, ele teve que comentar os últimos eventos relevantes, falar sobre os influentes de Manhattan. Em seguida, ele embrulhou todo o pacote em algo mais… pessoal.

Com toda essa conversa de Demi sobre objetivos e sonhos, ele retornara aos seus arquivos para reler seu plano de negócios original. Fora esclarecedor. Ele tinha ido tão longe desde então, no entanto, em alguns aspectos ele praticamente não evoluíra um centímetro. Junto ao arquivo havia textos sobre o escândalo que ele criara depois de ter sido aceito na faculdade de Direito de Harvard, para se certificar de que sua família nunca iria cogitá-lo para qualquer coisa importante.

Joe tinha ido para a cadeia de propósito por porte de drogas. Ele planejou tudo até os mínimos detalhes… ninguém tinha sido pego com drogas, exceto ele, e se certificara para que fosse tão circunstancial, que nunca seria levado a julgamento. O dano foi apenas em fofocas, deduções, e fotos nos tabloides.

Não importava quantos advogados tentassem tirar seu fundo fiduciário, eles não foram capazes de tocar em um centavo.

Sim. Provavelmente ele podia parar agora. Dar uma trégua ao seu pessoal e a toda sua família. Jesus, ele sabia ser um idiota quando queria. Por outro lado, tinha aprendido com os mestres.

Sendo assim, novo plano. Resultado? Ele estava numa posição na qual poderia fazer uma diferença real na vida das pessoas. Ele tinha dinheiro, acesso, algum poder. A política estava fora de questão. Nem mesmo uma cogitação. Solução criativa de problemas? Isso tinha muito apelo, mesmo que Joe não estivesse muito seguro de como seria.

Demi ao seu lado?

Ele parou de respirar quando uma imagem se formou, nada de nobre ou dramático, só os dois, deitados na cama, no escuro. Nus. E sim, tudo bem, depois do sexo. Mas a fantasia era realmente sobre o depois. Sobre conversar. Papo furado no meio da noite, sobre qualquer coisa. Tocá-la porque ele podia, e ela retribuir o toque.

Joe pensou naquela última tentativa por parte de Rebecca. A coisa sobre lutar para ser feliz em vez de estar certo. Faltar à estreia do filme? Fora a decisão mais fácil que ele tomara em anos. Ele ainda sentia o prazer de ter Demi dormindo no ombro dele, mesmo com o formigamento nos braços. Ele sentira-se mais relaxado, mais feliz do que tinha alguma razão de ser, e por quê? Não apenas porque ele tinha priorizado Demi, mas porque ele se colocara em primeiro lugar também.

Santo do…

Joe se afastou da lareira e atravessou a sala de estar, até o átrio, em seguida, foi ao escritório. O computador ainda estava ligado. Ele nunca desligava a maldita coisa, então foi fácil sentar-se em sua cadeira e abrir uma tela em branco.

Enquanto seus dedos voavam pelo teclado, ele se flagrava sorrindo. À medida que o céu de Manhattan clareava, ele ficava cada vez mais perto da borda do precipício, e não havia nenhuma rede à vista.

DEMI TINHA aprendido muito na semana anterior sobre fingir não apenas um sorriso, mas uma postura, e ela estava colocando suas habilidades à prova quando o porteiro a conduziu para dentro do prédio de Joe.

– Prazer em vê-la novamente, Srta. Kingston.

– Obrigada, George. – Ela cumprimentou o restante da equipe no lobby com um meneio de cabeça enquanto corria para o elevador. Ela de fato prendeu a respiração até que as portas se fechassem e estivesse sozinha. Ao pressionar o botão do 18º andar, seu dedo estava trêmulo, o que era inaceitável. Aquilo era trabalho. Joe já sabia o pior sobre ela, então esta noite não seria nada, senão mais uma festa, mais uma oportunidade extraordinária de aprender e de fazer contatos. Foi isso que ela dissera à irmã, e a si mesma, sem parar.

A mão trêmula voltou para os botões e ela apertou o 17 em cima da hora. O elevador parou com um tranco suave e Demi não conseguiu sair rápido o suficiente.

Ela estava em um corredor. Graças a Deus. Ainda não tinha cogitado que outros andares pudessem ser, sei lá, como residências privativas de Joe. Não, aquilo era um corredor, embora só desse para ver duas portas de onde ela estava.

O tapete era extremamente grosso, cor forte de berinjela, as paredes de um amarelo suave, e havia vários suportes de planta de ferro forjado ao longo da parede, com arranjos fantásticos de gladíolos vermelhos. Demi olhou por um momento, sem pensar em nada, apenas no quanto tudo era bonito e elegante e como em todos os anos ela nunca tinha imaginado estar em um corredor como aquele. Silencioso, sofisticado, e muito além de refinado. Não fazia sentido. Nada fazia sentido mais. Principalmente a ideia de que Joe Winslow poderia um dia desejar Demi Ellen Kingston, uma filha de Hicksville, Ohio, ex-membro da organização juvenil do Instituto Nacional de Alimentação e Agricultura do Departamento de Agricultura dos EUA, das escoteiras e do fã-clube de Aaron Carter. Parecia bobo, ridículo, que tivesse acalentado a ideia por um único instante. Ela pegou o celular fora e digitou para ler o único texto que recebera de Joe durante todo o dia.

18h? JW

A resposta dela foi expressiva:

Tudo bem

Demi havia lido o post de Joe sobre a festa do perfume no blog desta manhã. A maior parte era exatamente o esperado: quem tinha estado lá, fofocas, bandas, mais fofocas. Apenas uma palavra sobre Mia Cavendish.

Mas o último parágrafo…

Demi leu o último parágrafo novamente. Certamente dessa vez o coração dela não saltaria, ela não ficaria sem ar.

“A noite poderia ter sido melhor se os fumantes tivessem ficado lá dentro, mas isso não é novidade. As atualizações no Canal Room eram mínimas, porém importantes. O banheiro masculino, o salão no andar superior e o novo bartender valiam uma conferida. Imagino que o banheiro feminino também estivesse melhor, mas não tenho confirmação. Quanto ao motivo para a festa: o perfume Jazz and Cocktails parece tão sexy quanto seu nome e tem um cheiro muito bom. Não é como mel e o mar, mas ainda assim muito bom.”

O mel e o mar. Deus.

Não. Não, sair no 17º andar não funcionou. O corredor não a havia curado, o momento de clareza não tinha sido suficiente para fazê-la enxergar o motivo. Ela ainda estava ferrada. Mas sobreviveria à noite, porque não tinha 13 anos mais. Havia vestido sua armadura, juntamente a sua maquiagem, e se mostraria muito grata, atenciosa e feliz.

Está bem, grata e atenciosa.

Demi teve que esperar pelo elevador, e quando finalmente entrou, estava vazio. O que era bom. Ela enfrentou a si no espelho. Costas retas, olhos bem abertos e expressivos, sorriso… cuidado, não muito. Pronto. Ela estava pronta. Mesmo o golpe no peito quando viu Joe não a fez desabar.

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Reta final meu povo
xoxo

8.10.15

Escolha - Capitulo 15


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JOE PEGOU o telefone, ostentando um sorriso em seu rosto antes de ouvir as palavras do segurança lá embaixo. Quando o nome de sua prima foi anunciado, ele almejava um convite para uma festa qualquer e deu o seu aval para ela subir.

Talvez a visita de Rebecca não fosse tão ruim. Era esquisita, mas não necessariamente uma coisa terrível. Ela era amiga de Demi. E como raramente visitava, devia estar ali por causa da amizade entre elas. Rebecca saberia qual era o problema com Demi, e isso iria ajudar. Ou talvez ela tivesse ficado sabendo que ele tinha cancelado sua reserva no Le Bernardin e quisesse que ele a levasse? Bem difícil, porque ele não estava mais com fome.

Joe se levantou da mesa da sala de jantar, sem se preocupar em recolher o convite ou qualquer outra bagunça acumulada.

Sua faxineira estaria de volta no dia seguinte. Só quando abriu a porta é que percebeu que não tinha colocado os sapatos. Apenas meias. Meias pretas. Ele estava usando calça jeans e sua camiseta dos Yankees. Tinha separado as roupas para seu encontro às 19h, mas dane-se.

Rebecca, como sempre, parecia tão polida quanto uma pérola cultivada. Joe pegou o casaco dela e o jogou sobre o pufe na entrada. Daí a ouviu bufar indignada, mas ignorou.

– Você quer café? Vinho? Vodca?

– São 14h30 – disse ela, os saltos estalando atrás dele.

– E?

– Você ao menos sabe fazer café?

– Você é uma desordeira, Becca.

Na cozinha, ela pegou o leite enquanto colocava grãos em seu moinho de café.

Quando a moagem terminou, ele colocou o pó na cafeteira e ficou na frente do balcão, com os braços cruzados. – Então?

– O que você fez, Joe?

– Em relação a quê?

– Não seja estúpido. Para Demi.

– Eu não fiz nada. Ela é a única que tem estado…

– Tem estado o quê?

Ele deu de ombros, se virando para vigiar enquanto a cafeteira borbulhava.

– Calada. Ausente. Sei lá.

– Quer me contar por que vocês perderam a estreia do filme?

– Não.

– Tudo bem. Café para viagem, então. Ah, e parabéns pelos 14 restantes, independentemente do quanto você envelhece. Excelente trabalho. Você deve estar muito orgulhoso.

– Do que você está falando? – Ele se virou de novo, de mau humor.

– Tudo bem, vamos lidar com as prioridades primeiro. Você acredita sinceramente que sua família precisa fazer propaganda em seus blogs para que Andrew vença esta eleição?

– Sim.

– Então seu ego passou oficialmente dos limites. A visita deles a você, Joseph, era a versão deles para uma oferta de paz.

– Como se eu fosse apoiar aquele idiota?

– Eles não estavam pedindo apoio. Você recebe dinheiro de publicidade de todos os tipos de lunáticos. Durante a campanha presidencial, você deu espaço aos dois partidos, que ficaram berrando uns com os outros constantemente. E sei que você não votou em ambos.

– Então você armou a vista dele. Diabo, eu te dei mais crédito do que era devido.

– O quê? – disse ela, dando dois passos em direção a ele.

– Você realmente disse a eles para se aproximarem de mim, não foi?

– Não. Eu não. Eu fiquei sabendo disso depois. Pelo tio Ford.

– Cristo. Esta família.

– É a sua família. – Ela tocou o braço dele. – Eu não sei o que aconteceu entre você e Demi, honestamente, mas sei que ela é diferente. E você… você não vai a seus correspondentes do blog. Eles vêm até você. Você não finge ter uma amante por tanto tempo. E você com certeza não se preocupa se um dos seus chamarizes está calado ou ausente.

Joe deu um passo para trás, se desvencilhando da mão de Becca. Ele pegou duas canecas e serviu café.

– Não é pessoal. Os números estão em alta. E têm estado desde a primeira noite. Suponho que eu deva lhe agradecer por isto.

– Não dou a mínima para seus números.

Ele bebericou um gole de café, o qual estava tão quente que lhe queimou o céu da boca.

– Isso é tudo que me interessa.

– Ah. Tá bom. – Rebecca pegou um dos agora famosos copos para viagem no armário e transferiu seu café, adicionando um pouco de leite antes de fechar com a tampa. – Não vai ser fácil voltar. Você vai ficar baqueado depois de Demi. Pelo menos, vamos esperar que sim. Acho que há um homem decente dentro de você, Joe. Conheço você há muito tempo para desistir da esperança.

– Quem morreu e transformou você no Yoda?

Ela sorriu.

– Eu sou capaz de despejar verdades. Provavelmente porque já fiz de tudo, mas me transformei em uma monja. Mas sabe de uma coisa? Quando eu encontrar alguém que ache que vale a pena, lhe darei minha total permissão para não se preocupar com meus sentimentos e falarei as verdades. Entendeu? – Ela se pôs bem diante dele e o encarou. – Brigue por mim, Joe. Brigue sujo. Brigue pesado. Não me deixe estar certa quando preciso ser feliz. – Ela o beijou no rosto, pegou sua bebida e deixou parado ali, de meias.

Até o momento em que ele se lembrou da própria caneca, o café estava frio. Mas ele havia tomado uma decisão.

JOE TELEFONOU para Demi às 13h10 na segunda-feira. Ela atendeu após o segundo toque.

– Joe? O que houve?

– Nada. Por quê?

– Você não está enviando torpedos.

– Ah – disse ele. – Não, está tudo bem. Como você está?

– Estou ótima. Ótima.

Ele fez uma careta. Dois “ótima” definitivamente significavam algo errado.

– Que bom. Porque, você sabe, temos a festa do perfume esta noite.

– Certo. Eu ia te mandar um torpedo. Que horas você quer que eu chegue a sua casa?

Ele girou a cadeira e olhou pela janela. A cidade inteira parecia cinza. Desanimada.

– Às 19h? Ou 18h, se você quiser comer. Nós não vamos ficar até tarde. É um lançamento de perfume. Prometi a um amigo, do contrário eu cancelaria. – Joe esperou que ela dissesse alguma coisa, e quando o silêncio se estendeu, ele já tinha um plano B pronto: – Você, por outro lado, não prometeu a ninguém. Esta noite não é grande coisa. Se quiser dispensar, tudo bem.

– Dispensar?

– Sim. Você teve uma semana ocupada, e festas às segundas à noite são sempre de segundo escalão. Vou criar alguma coisa boa sobre ela no blog, algo que vai fazer todo mundo ficar comentando. Se você quiser.

O silêncio foi quebrado pela respiração de Demi, e Joe tentou imaginar onde ela estava. Dentro de algum lugar, já que não havia nenhum som de tráfego. Em seu cubículo do escritório? Um restaurante? Ele se perguntou se ela estava usando uma fita no cabelo hoje, e desejava ter ido falar com ela pessoalmente. Apenas a voz dela não era suficiente.

– Isso seria ótimo – disse ela.

– Tudo bem então. Sem problemas. Descanse um pouco. Recupere o sono atrasado porque vai ter muita coisa para fazer a partir de terça-feira. – Ele fez uma careta, lembrando que na terça-feira à tarde ele tinha concordado em participar de um desfile para a caridade, mas isso não era problema de Demi. Ela estaria no trabalho.

– Tudo bem – disse ela com a voz muito baixa. – Vou descansar um pouco. Eu… obrigada, Joe. Mas se você mudar de ideia. Se você achar que seria melhor… para o blog, minha presença lá…

– Não. Há gente para me cobrir. Você vai poder ler tudo sobre isso no NNY de amanhã.

Demi suspirou. Parecia triste. Joe havia lhe dado muito no que pensar na noite anterior. Tudo bem, ele sentira saudade dela. Mas não havia nenhuma razão para pensar que aquele clima era outra coisa senão o que ela justificara, apesar do draminha de Rebecca. Demi estava longe de casa por conta própria. Ela era golpeada com momentos brutais e toneladas de pressão. O compromisso desta noite realmente era sem importância, e ao mesmo tempo que Joe preferia estar com Demi, ele também queria que ela levasse o tempo que precisasse para se recuperar. Ele gostava de vê-la feliz. Gostava de vê-la animada. Gostava dela.

ERAM 6H15 de segunda-feira e Demi estava em um elevador, e era bem possível que ela tivesse perdido a consciência entre o quinto e o sexto andar.

Ou talvez aquele lapso fosse resultado direto da noite não dormida. Ela tentara chá, ioga, meditação, esta última rende uma algazarra de risadas, um banho quente, leite quente. Em vez de dormir, ela ficou lendo o equivalente a um ano de conteúdo do Naked New York, todos os artigos que encontrou em uma pesquisa na internet sobre Joe e sobre todas as pessoas com quem ele já havia saído, começou um novo plano de cinco anos meia dúzia de vezes e, em geral, ficou enlouquecida. As coisas estavam uma bagunça no emprego. Se ela não fosse demitida esta semana, seria por pura intervenção divina, pois honrava seu salário. Independentemente do que acontecesse em seguida, aquilo ia mudar. Ela precisaria da BBDA mais do que nunca depois daquela visita imprudente.

Demi não tinha telefonado com antecedência. George, da recepção, não se preocupou em avisar Joe sobre a chegada dela, mas perguntou se ela estava se sentindo bem, porque não havia aparecido no domingo. George não trabalhava aos domingos. Então ficara sabendo através de outros funcionários da recepção que Demi tinha perdido uma noite com Joe. O que significava que não era só ela… todos pensavam que Joe e ela eram… algo que não eram. Ela não tinha certeza se isso a fazia sentir-se melhor ou pior.

Quando o elevador se aproximou do andar de Joe, Demi precisou lutar contra o pânico total, afinal… o que ela estava fazendo ali mesmo? Ela não fazia ideia do que ia dizer. Ela, sendo muito franca, não queria ir à festa do perfume. Demi nunca havia imaginado um mundo onde isso seria verdade.

De qualquer forma, não ir à festa era pior. Que Deus a ajudasse, ela sentia muita saudade dele. Sabendo tudo que sabia, Demi o desejava como um viciado deseja crack. A falta esta noite devia ter sido utilizada para recuperar as energias, reorientar os objetivos, fazer aquele novo plano de cinco anos. Ou dormir. Dormir teria sido bom.

O elevador parou de forma tão suave que Demi levou um segundo para notar que tinha chegado. No segundo que as portas se abriram, entrou em pânico e apertou o botão para descer. Duas vezes.

Quando as portas estavam prestes a fechar, ela esticou o braço. Eis ali um resumo da vida dela. Presa. Insegura. Com medo de encontrar o próprio olhar no espelho. Apavorada demais para andar para frente, sem vontade de voltar.

Ela não tinha um plano, e isso era a coisa mais assustadora de todas. Mas ela resolveu sair do elevador, pronta para enfrentar o que tinha se convencido a vir fazer.

Joe abriu a porta antes de Demi bater. Quando ele a viu, arregalou os belos olhos castanhos, e o sorriso foi tão reluzente e tão genuíno que algo dentro dela mudou para sempre.

– Demi – disse ele com aquela maldita voz característica.

– Oi.

– Eu pensei que…

– Eu sei. Eu não…

– Entre. A equipe não está aqui, mas podemos fazer isso. Podemos resolver isso. – Ele deu um passo para trás, com o olhar e o sorriso constantes e satisfeitos. – Eu estava pegando o jantar. Pizza. Queijo e champignon. Posso pedir outra coisa se você não gostar de pizza. Tem aquele lugar indiano do qual falei…

– Estou bem. Está tudo bem. Pizza é ótimo. – Eles entraram. Ela estava usando casaco. E um vestido de trabalho, botas, nada de especial, apenas roupas porque nunca imaginara que chegaria tão longe.

Ele estava de jeans. Uma camisa roxa escura com mangas arregaçadas. Meias, sem sapatos. O cabelo estava bagunçado, mas não do jeito legal de sempre. Um bom pedaço estava todo amassado e fez a garganta de Demi apertar e a deixou prestes a chorar, coisa que não fazia sentido algum.

Joe foi até ela, braços estendidos, enquanto ela se contorcia para se livrar do casaco, mas daí ele a abraçou, prendendo os braços dela junto às laterais do corpo. “Estranho”, não chegava nem perto de definir o que estava acontecendo dentro dela. As lágrimas estavam prestes a cair, e havia uma enxurrada de borboletas no estômago, junto a um rubor de proporções épicas e o cheiro da pele dele, tanto excitante quanto reconfortante.

Ela sentiu-se um pouco melhor quando o flagrou fungando em seu pescoço. Melhor ainda quando a rigidez dele e a respiração ofegante deixaram bem claro que ele sentia-se tão esquisito quanto ela.

Joe deu um passo para trás, e, ai, Deus, o rubor dele. Lindo. E horrível. Porque não era assim que ela queria que as coisas fossem. Não era. Como ela não era capaz de enfiar isso em sua cabecinha dura? Ela deixou o casaco cair. Era tudo que podia fazer para não cair junto.

JOE VIU Demi vacilando, e não tinha certeza se deveria agarrá-la ou o quê.

– É o seguinte – disse ela com a voz tão instável quanto as pernas.

Joe percebeu o quanto ela estava corada e tremendo, e ao passo que não estava usando nenhuma fita, Demi tinha um pregadorzinho de borboleta puxando uma mechinha do cabelo curto e escuro para trás.

– Eu sei não misturar as coisas. – Ela se inclinou um pouco para frente. – Trabalho, prazer. Esse tipo de coisa. Eu sei disso. Você não tem sido nada senão incrível, e mudou minha vida completamente. Meu plano de cinco anos? Foi adiantado para dois, talvez três agora, mas, na verdade, estou repensando a coisa toda, porque eu… isso… estou diferente. Porque você permitiu que eu escrevesse para você. Você me deu carta branca para o mundo com o qual eu tinha sonhado, e sonhos que se tornam realidade se transformam em algo mais. Não é ruim, só não é o que imaginei. Mas isso não é um problema.

Ela respirou fundo, e cara, ela precisava mesmo tomar fôlego porque praticamente dissera tudo em uma frase.

Joe a compreendia no entanto, apesar de estar completamente atraído pelos lábios rosados e pelo jeito que ela jogou a mão direita para o lado quando enfatizou alguma palavra. Ele sabia que ainda estava sorrindo. Pensou em parar. Não o fez.

– Então o problema não é você – disse ela . – É que eu quebrei a única regra. A regra mais importante. A regra que pode arruinar tudo. Eu não sabia que ia quebrá-la. Eu com certeza não planejava. Eu tinha feito uma promessa. Para mim mesma. Que eu não iria me envolver. Que eu não iria me permitir. Porque… minhas amigas? Todas as minhas colegas de quarto de faculdade e todas os minhas melhores amigas do colégio…? Todas se apaixonaram por um cara e em seguida os sonhos delas… enfraqueceram. E, sim, eu sei que uma coisa não precisa necessariamente levar à outra, mas eu me conheço, e sei como eu posso ser obsessiva, e isso é uma ótima característica quando estou trabalhando pelo meu futuro, mas não tão boa assim quando significa ser totalmente engolida pelo amor. Não é que eu não ache que o amor seja bom… porque é bom… é ótimo… mas meus objetivos… eles são importantes. Quero provar meu valor no mundo antes de sossegar. Olhe só para você! Você saiu e fez exatamente isso. Em nenhum minuto permitiu que nada nem ninguém entrasse em seu caminho e, uau, você conseguiu. Você é o homem mais bem-sucedido que conheço, e você não se tornou um filho da mãe por isso, e você tem moral, e tem sido tão bom para mim que eu nem mesmo…

Meu bom Deus. Joe piscou, e seu sorriso estava rachado. Não completamente, mas o suficiente. Amor? É mesmo? Amor?

Não. Não, não, não. Não era isso que estava acontecendo ali. Ele gostava dela. Muito. Mais do que da maioria das pessoas. Muito mais. O sexo com ela era fora de série, e por mais fantástico que fosse, passar tempo com ela era ainda melhor, mas amor?

Não mesmo. Não abertamente. Não estava aberto a discussões, então o que ela estava… Joe tinha certeza de que um coração não deveria bater tão depressa.

– Mas acho que isso é só por causa dela, você sabe, Cinderela e tal – disse ela com a voz um pouco mais lenta, os olhos não tão enérgicos. – Apesar de eu ter esperado esse tipo de final feliz. Isso é conversa de malucos. Quer dizer, você é Joe Winslow. Você é o garoto-propaganda dos solteiros. Eu sou o chamariz. Sério, eu tenho consciência de tudo isso. Está tudo bem comigo. Eu entrei nessa sabendo. Eu tinha tudo planejado, veja só, como guiar minha vida, esta parte da minha vida, e então fui e fiz algo estúpido. Não que eu esteja exatamente apaixonada, mas estou indo nessa direção, e se eu não tomar cuidado… – Ela engoliu em seco. – Isso não vai afetar você de jeito nenhum. E falo totalmente sério. Se isso fizer você se sentir desconfortável, bem, então…

Demi contraiu os lábios por um segundo quando um lampejo de dor cruzou seu rosto. Ou de confusão?

– Bem, então eu vou me retirar de cena. Tudo bem. Mas se você ainda estiver com índices favoráveis no blog, então vou honrar meu acordo. Eu vou ser o melhor chamariz que puder, e não vou constranger você, eu juro. Eu prometo. O problema é meu, não seu. Sério. É que você tem sido tão bom, e eu devia isso a você, dizer o que realmente estava acontecendo. Você realmente tem sido ótimo.

Estava levando um bom tempo para o cérebro de Joe absorver as palavras dela, e ele provavelmente perdera algum pedaço aqui ou ali. Estava achando que Demi havia falado que tinha se apaixonado? Por ele? Ou talvez que ela estava com medo de se apaixonar. Por ele. Mas ela não queria porque era contra as regras, e ele era um garoto-propaganda, e ela era um chamariz. Ou Cinderela.

Ele tinha certeza que Demi havia mencionado que o problema era dela, e não dele, mas podia haver uma discussão ali sobre a veracidade de tal declaração. Se pensasse bem no assunto, ele seria capaz de resolver isso, dar sentido ao que ela dissera, ou melhor, ainda estava dizendo.

– Você parece apavorado – disse ela. – Desculpe. Não fique. Eu não… eu não… eu não sou como uma fã louca ou uma maníaca perseguidora ou qualquer coisa assim.

Ela estremeceu, e Joe já tinha visto aquele olhar antes. Ele entendeu então aquele rosto contraído. Contraído e bonito, e, ai, droga.

– Hum – disse ela, em voz baixa. – Isso deve ter saído um pouco do controle.

Joe precisou pigarrear.

– Demi, talvez devêssemos comer alguma coisa. Você sabe, desacelerar. Conversar.

A batida à porta não foi percebida até Demi olhar além das costas de Joe. Mas que diabos? A equipe inteira tinha saído de férias ou coisa assim?

– Só um segundo – desculpou-se Joe, em seguida foi até a porta.

A porta foi aberta e lá estava Mia Cavendish, em um casaco de pele sintética imenso, cabelo e maquiagem perfeitos e um olhar de tal tédio que Joe pensou que ela poderia simplesmente derreter em uma poça no meio do átrio.

Mia olhou para Demi, em seguida para seu relógio de pulso, e depois para Joe.

– Cheguei cedo? Naomi disse para eu estar aqui no máximo às 18h30.

FOI COMO ser esfaqueada no peito. Como um terremoto. Como um toque de despertar. Demi tentava se lembrar de como respirar enquanto rezava para a terra engoli-la inteira, para ter forças para mover seus malditos pés antes de o elevador retornar para o saguão. Ela era uma idiota. E uma mentirosa, uma mentirosa completa.

– Naomi – perguntou Joe. – O quê?

– Para a festa de hoje à noite – disse Mia enquanto caminhava pelo apartamento como se morasse lá. Ela sorriu para Demi, embora estivesse claro que ela não podia ser incomodada. – Acho que é isso que vou usar, mas vou dar uma olhada nas prateleiras – disse ela, deixando o casaco cair em uma poltrona. – Eu mataria por um pouco de champanhe. – Ela olhou para Demi novamente.

– Onde está Anna? Ah, ela provavelmente foi embora. Joe?

– Mia, quando você falou com Naomi?

– Esta tarde. Por volta de 13h30. Por quê?

Demi ficou ouvindo-os conversar, mas as vozes estavam abafadas. Ela precisava pegar o casaco. Vesti-lo. Ir embora. Agora.

Antes que Joe a notasse novamente.

No entanto, por que ele notaria? Uma das mulheres mais bonitas do mundo estava de pé a menos de dez centímetros de distância. Alta, esguia, o rosto incrivelmente lindo, ela era o tipo de mulher que deveria estar com Joe Winslow.

– Dê-nos um minuto, Mia. Há champanhe na geladeira.

A modelo não pareceu contente com isso, porém se afastou, confiante em suas botas insanamente altas.

Aquilo fez Demi se movimentar para ir embora. Ela flexionou o joelho, do jeitinho que sua mãe havia lhe ensinado, para pegar o casaco, cujo tato foi frio em seus braços, pesado sobre seus ombros, mas era grosso, e quando ela colocou os braços ao redor da cintura, soou como proteção.

– Eu tenho que ir – disse ela, olhando para qualquer lugar, menos para Joe.

Ele entrou na visão periférica de Demi e ela se afastou, o mais depressa possível.

– Sabe o que é engraçado? – questionou ela enquanto se afastava.

– Demi, espere.

– Sabe o que é histericamente engraçado? Eu sou de Hicksville. Essa é a verdadeira cidade de onde vim. Hicksville, Ohio. Fui para o colégio Hicksville High, e nada no mundo jamais foi mais apropriado do que isso.

– O quê? – Joe piscou para ela, olhou para a cozinha, depois de volta para Demi. – Espere, isso tudo está indo muito rápido. Não vá embora. Está bem?

Ela balançou a cabeça.

– Você precisa se arrumar para a festa. Você fez uma promessa, e não pode deixar de comparecer aos compromissos. Eu já te tirei da sua rotina, e isso é ruim o suficiente, mas eles estão esperando por você. E Mia Cavendish! Isso vai impressionar algumas pessoas, não é? Espere até algum site de fofoca receber um carregamento de material de vocês dois juntos. As redes sociais vão enlouquecer.

Ela correu para longe dele, vacilante, assim como tinha feito na manhã seguinte à primeira vez deles.

– Por favor – disse Joe. – Eu não…

– Está tudo bem. Vamos decidir o que fazer depois. Eu realmente preciso… – E então ela saiu, apertando enlouquecidamente o maldito botão do elevador, e por que ele não podia morar no primeiro andar? Isso o teria matado? Se esse fosse o caso, ela já estaria num táxi.

O elevador apitou, e Demi nunca ficou tão grata em sua vida. Ela deu um passo para dentro assim que a porta se abriu, então Joe saiu.

Demi encontrou o botão para fechar as portas na primeira tentativa, e Joe não esticou o braço para segurar a porta. Por que deveria? Joe Winslow sabia exatamente qual era o lugar dela.

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Sigo todos de volta >.<
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6.10.15

Escolha - Capitulo 14


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JOE FICOU irritado depois do telefonema com Naomi. Ele não estava bravo com ela, não exatamente, mas ela sabia que não era bom pressioná-lo quando ele claramente não queria isso. Que a mulher organizava a vida dele muito bem, isso era fato incontestável. Ele provavelmente sobreviveria sem ela, mas até mesmo essa ideia incomodava. Nada o deixava mais ciente da importância de sua rotina do que a ideia de ver sua rede se desfragmentando.

Sua equipe, formada por Naomi, os técnicos do servidor que supervisionavam o equipamento e os editores do blog, era como seu sistema pulmonar, e Naomi era o coração. O que tornava muito difícil para Joe mentir para ela.

Ele já havia feito isso antes, principalmente para ter tranquilidade. Assuntos triviais. O fato de ter perdido a estreia, de ter ficado com Demi durante um período tão longo, e de gostar dela, não era nem um pouco trivial.

Joe estava olhando para o monitor por alguns minutos, sem absorver todos os dados, mas, em vez de voltar aos negócios, fechou os olhos quando a lembrança do corpo de Demi debaixo do dele foi diretamente de seu cérebro a seu membro.

Provavelmente ela ainda estava dormindo, pois ainda não eram 8h, muito menos “8h e pouca”. Seria legal deixá-la relaxar. Estava exausta, e o que eles tinham feito na noite anterior não ajudava nesse sentido. No entanto, Joe queria ir para o quarto agora e fazer tudo de novo. Que diabos estava acontecendo? Ele tinha concordado que o sexo podia ter sido alucinante, mas não era inteligente. Era um erro de principiante permitir que seus sentimentos se misturassem à coisa toda. Ele ia acabar como apenas mais um blogueiro se não fosse cuidadoso. Alguém que costumava ser alguém.

Ele devia acordá-la. Talvez com uma xícara de chá?

Joe movimentou a cadeira até o outro lado da sala, xingando a si de tudo que era coisa. Café era a coisa educada a se fazer. Hoje ia ser tudo profissional, como sempre. Sem sexo. Sem o maldito chá.

Desta vez, ele daria a ela duas notas de 20, certificando-se de que ela as aceitaria. Explicaria que aquilo era uma amortização. Isso colocaria os dois nos trilhos de novo.

Demi tinha trabalho a fazer, eles tinham a inauguração da boate hoje à noite, e Joe precisava escrever algo sobre a estreia de ontem à noite que iria superar os acessos.

Quando ele foi à cozinha para pegar o café, viu o bilhete. Pegou, reconheceu a letra de Demi, mas não acreditava que ela havia ido embora sem dizer nada a ele. Que, em vez disso, deixara um bilhete. Que diabos… aquilo não combinava com Demi.

Será que a noite passada tinha sido tão ruim assim?

Mas, droga, faltar à estreia também não combinava com ele. Talvez Naomi estivesse certa. Talvez ele estivesse tão desnorteado que desse para perceber. Ele olhou para o bilhete e uma onda de decepção lhe revirou o estômago, deixando Joe mais determinado do que nunca. Demi era uma coadjuvante em um longa-metragem, e que era melhor começar a pensar nela só desse jeito.

HAVIA SEIS outras pessoas no andar de Demi no trabalho, e nesse caso seis era demais. Infelizmente, ela já não era a novata invisível mais. Agora ela era a namorada de Joe Winslow. Aquele cuja assinatura estava na primeira página de Naked New York. Ela queria ser notada, e realizara seu desejo. Se pudesse, teria dado meia-volta e ido direto para casa. Mas ela não podia arriscar seu emprego. Mais ainda.

Quando afundou em sua cadeira, Demi estava incrivelmente grata pelas paredes dos cubículos. Sabia que estava um bagaço, com os olhos inchados e a pele manchada de vermelho, mas quem se importava? Que diferença fazia, agora que ela compreendia tudo? O despertar tinha sido inevitável. Pelo menos ela conseguira boas noites de sexo, certo?

Não, ela não ia chorar de novo. Em vez disso, pegou o texto preliminar de uma de suas contas menores. Estava piscando para conter as lágrimas, e mesmo assim uma caiu sobre a palavra amasso e as letras no meio perderam a definição, borrando e turvando para algo que se parecia fracasso.

O texto estava horrível de qualquer maneira. Ela fez uma bolinha com a folha de papel e atirou na lixeira sob a mesa. Naturalmente, errou. O carpete era de um azul escuro, com padrão ondulado para disfarçar, para enganar o olho e fazer você achar que estava limpo quando não estava. Demi não se deu ao trabalho de recolher o papel.

O celular tocou antes que ela pudesse voltar ao teclado. Um torpedo de Rebecca.

Ligue pra mim. LOGO!

Demi o ignorou; a perspectiva de falar com Rebecca a deixava enjoada. Não era culpa da amiga; não era. Ela havia feito um favor inacreditável a Demi. Não era culpa de ninguém, mas dela mesma. Tinha lido as regras, entrado no jogo com olhos bem abertos.

A tarefa de reescrever o texto era demais para ela suportar e Demi pensou em ir embora e voltar para seu quarto minúsculo e despretensioso, se encolher debaixo das cobertas por um tempo, mas não conseguiu. Ela arquivaria a peça por ora, se daria tempo para se acalmar, para parar de pensar que sua vida era uma espécie de tragédia quando não era. Deus, ela poderia ser uma rainha do drama.

Pobre Demi, tendo a chance de conhecer estilistas famosos e ir para as melhores festas em Nova York. Que coisa horrível.

Seu suspiro fez com que algumas páginas no topo da pilha de arquivamento se agitassem como pequenas saias. Ela pegou um punhado de relatórios. Chatos para diabo, coisas como despesas de manutenção, inventário e horas trabalhadas, mas eles tinham que ser concluídos antes de serem enfiados nos arquivos, e o que tinha acontecido ao escritório mítico sem papel? Provavelmente estava bem ali, ao lado de carros voadores e macacões prateados para todos.

A imagem de Joe deslizando na cadeira pelo escritório fez Demi congelar. Ela piscou para afastá-la, mas a imagem permanecia, lhe causando aperto no peito.

O telefone, de novo, e dessa vez era Lilly.

Pode sair pra jantar? Ou JW vai levar vc num lugar fabuloso?

Os relatórios de despesas foram colocados no canto da mesa, definindo o limite da linha de montagem. Havia sete pilhas distintas, e Demi colocou cada grama de sua concentração em cada item, ajeitando meticulosamente cada pilha que terminava, o tap tap do papel contra a mesa em alto e bom som no cubículo cinza com o calendário ao lado da foto de seus pais e os recortes de jornais e revistas, tudo preso com pinos azuis que combinavam com o tapete e com o cinza.

O celular. Um torpedo. De novo. Só que dessa vez…

Ei, Demi. Lembra d mim? SUA IRMÃ?? Atende. Atendeatendeatendeatendeatende. Liga pra mim. Beth. Aquela q sente saudade de vc, pirralha.

Demi fechou os olhos com tanta força que viu manchinhas sob as pálpebras, pequenos flashes em branco que deveriam ter sido bonitos, deveriam ter sido fogos de artifício. A pressão em seu peito se transformou em uma saudade de casa tão profunda que era como o Grand Canyon da dor, a Fossa das Marianas do desespero. Ela queria estar sentada à mesa da pequena cozinha, ou aquela que sua família usava para o café da manhã quando todos os filhos e netos não estavam lá.

Ela queria os biscoitos da mãe com mel de abelhas do comércio local, e queria grossas fatias de bacon com ovos mexidos, e ouvir seu pai cantarolando desafinado enquanto preparava o prato.

Queria que a música estivesse tocando tão alto do quarto de Beth a ponto de abalar as vigas, e Willow latindo como um demônio do lado de fora porque as galinhas não estavam se comportando, e ela queria ser criança novamente. Segura. Cheia de sonhos isentos de espinhos.

Quando Joe mandou uma mensagem, Demi deixou os papéis em suas mãos caírem.

Senti sua falta de manhã. Qto a esta noite. 19h OK? Jantar 1º. Chá? JW

Ela se preparou para responder, mas a tela continuava em branco, seus polegares em riste. Não conseguia. Tudo que tinha para dizer era OK. Nada mais. Porque, claro, ela iria. Tinha assinado um contrato. Tinha uma responsabilidade. Era seu maldito sonho virando realidade.

Demi desligou o telefone. Só por um tempinho. Até finalizar seu trabalho.

DEMI BEBEU um gole do copo de uísque que tinha pegado na festa e se perguntava por que não tinha pedido uma garrafa. Olhou para Demi e lhe ofereceu um sorriso, embora ela tivesse resolvido sentar-se o mais longe possível dele, do mesmo jeito que fizera a caminho da festa.

Por sua vez, ela lhe ofereceu o arremedo patético de um sorriso.

O que estava acontecendo? Demi havia mandado um único torpedo para ele durante o dia todo, só para dizer que não ia dar para jantar. Joe mal a vira quando estava se arrumando na sala de imprensa. Ele queria manter as coisas focadas, sem mencionar o bilhete ou a noite anterior. A atitude distante dela deveria ser exatamente o que ele esperava, mas Joe estava odiando aquilo. Ele ainda estava chateado com o bilhete estúpido. Ela poderia ter dito alguma coisa, mesmo que tivessem cometido um erro. Ele não gostava de ser pego de surpresa.

Assim que entraram na boate, Demi se animou, encantou a todos com quem conversara. Tiraram fotos dela, ela dançou com homens, mulheres, grupos de homens. Mas com Joe não. Ele não dançava. Todo mundo sabia disso.

Claro, as pessoas perguntaram sobre a ausência dele na estreia, e ele não respondeu. Nem Demi. Os dois até mesmo se tocaram e se beijaram, mas na bochecha. Queriam se certificar de que a multidão acreditaria no que Joe queria que acreditassem. O único problema foi que aquele toque, e mesmo o beijo sem graça, o deixaram excitado sob a calça do terno, e ele teve que esperar do lado de fora com os fumantes até se acalmar.

Quaisquer que fossem as consequências, aquela porcaria não podia continuar. Demi não estava cansada; cansaço era diferente. Mesmo com os sorrisos, as fofocas, as fotos e o barulho retumbante, ela parecia entorpecida, calada. A faísca que a fazia iluminar um ambiente tinha sido abafada, e isso acontecera em algum momento entre o melhor sexo da vida de Joe e um bilhete nas costas de uma nota fiscal de restaurante. Toda vez que ele olhava para ela, ele desejava tanto saber o que tinha acontecido.

– Você está calada – disse ele, finalmente, rumo à transgressão.

Ela fez um gesto com a boca que deveria tranquilizá-lo, mas causou o oposto.

– Trabalhei muito mais do que eu planejava, mal consegui tirar um cochilo, e então eu acordei em pânico…

Ele assentiu, mas não acreditava nela.

– Desculpe por estar mantendo você acordada até tarde. Não teremos nenhum evento amanhã. Isso é uma vantagem.

– Sim, é – disse ela, olhando para as próprias mãos.

– Demi. Eu fiz alguma coisa que não deveria? Eu sei que posso ser um canalha insensível.

Ela encontrou o olhar dele diretamente.

– Não. Você não fez nada errado. De jeito nenhum. Nadinha. Você tem sido exatamente o que você disse que iria ser, e isso é ótimo. Isso é… ótimo.

– Ótimo – repetiu ele baixinho, porque aquele pequeno discurso o fez sentir um aperto por dentro.

– Desculpe. Sabe o que é? Recebi um telefonema de casa hoje. Família e outras coisas. Com tão poucas horas de sono, acho que não sou muito boa companhia.

Pela primeira vez, desde às 8h, Joe relaxou. Não completamente, mas ele compreendia problemas familiares. Deus sabia, toda vez que ele interagia com sua família, ficava de mau humor durante umas quatro horas, se não mais.

– Há alguma coisa que eu possa fazer?

Ela balançou a cabeça.

– Obrigada, mas não. Ninguém pode fazer nada, senão aceitar. Na segunda-feira já estarei bem. Temos aquela festa do perfume, certo?

Ele concordou com a cabeça.

– Isso. Eu não sei mesmo como uma celebridade começa a pesquisar um perfume. Com certeza eu não tenho o cheiro de especiarias exóticas ou cítricos, pelo amor de Deus. E eles ganham milhões com isso. As pessoas realmente acham que, se tivessem o cheiro do qual alguém supostamente possui, vão ficar mais sensuais? Vai ser mais provável que elas mesmas fiquem famosas?

Demi gargalhou; melhor som da noite. Mesmo com o burburinho da festa ressoando nos ouvidos dele. Finalmente, um pouco de relaxamento, ainda que um pouco frio. Ela ainda estava muito distante.

– Você, por outro lado – disse ele, deslizando para mais perto dela –, renderia um perfume maravilhoso.

Ela o espiou e, em vez de tocá-la como havia planejado, Joe simplesmente baixou a voz.

– Você cheira a mel e mar. Quanto mais perto fico, mais intenso se torna. E o cheiro está sempre aí, não importa o que aconteça, por isso, ou é o melhor perfume de todos os tempos ou, conforme já desconfio, é só você.

– Eu não uso perfume – disse ela. – E não há mel em qualquer cosmético que eu tenha. E nem tenho certeza do cheiro do mar.

Ele fechou os olhos quando inalou. Pronto. Não estava inventando.

– É maravilhoso – disse ele. – Assim como você.

Demi gemeu baixinho, gesto que fez Joe abrir os olhos, e o sorriso. Mas ela não estava olhando para ele. Ela estava olhando para a janela. A sensação de retidão desaparecera novamente. – Demi…

– Desculpe. Não é você. Juro.

– Tudo bem – falou ele, desconfortável por não saber o que fazer. – Você gostaria de subir?

Ela parou, com a respiração quase imperceptível, e depois balançou a cabeça.

– Hoje não, mas obrigada pelo convite.

Joe se remexeu um pouco, dando espaço a ela. Então pegou o copo meio vazio, planejando acabar com o restinho da bebida antes de chegarem ao prédio dele.

DEMI JOGOU a cautela ao vento quando pediu ovos Benedict e maçãs, com panquecas e xarope de bordo. As outras, Rebecca, Shannon e Lilly, assentiram em aprovação, e até mesmo ergueram seus drinques num brinde, e em seguida pediram ovos ou mingau de aveia. Elas estavam no brunch de domingo no Elephant & Castle, e Demi estava morrendo de fome depois de uma hora de espera para conseguir uma mesa. Sua mão tremia quando ergueu o café.

– Ele era legal – disse Shannon, e Demi sorriu quando Shannon jogou o cabelo ruivo atrás do ombro. Shannon se comunicava com seu corpo. Seus olhos se iluminavam de alegria, a decepção na verdade estava nos ombros e no arquear irônico da testa, e quando ficava com raiva, projetava seu quadril direito e colocava a mão na cintura.

Na linguagem de Shannon, a jogadinha de cabelo era mais sobre inevitabilidade do que decepção. Uma conclusão precipitada. Demi não tinha cabelo suficiente para copiar o movimento, nem a capacidade de aceitação. Ainda não.

– Era para ter existido alguma química entre a gente – continuou Shannon, após terminar de beber seu primeiro coquetel. – Deus sabe que ele era gostoso. Eu quase fui para casa com ele, mas parecia injusto. Com o cartãozinho dele, sabe? Ele queria algo a longo prazo. Infelizmente, não houve faíscas. – Ela olhou ao redor do restaurante, o burburinho do lugar não era intrusivo, mas definitivamente estava lá. – É, realmente, só a biologia? Um projeto de química? Isso não parece justo.

– Bem – disse Lilly, pegando um cartãozinho de troca na bolsa. – Aqui está o meu. Não importa o que aconteça, você vai aproveitar a noite. Ele é um cara doce e extremamente brilhante. E também tem dinheiro.

Shannon pegou o cartão e deu o seu a Lilly.

– Eis o meu, para você e John terem uma química louca.

Ambas avaliaram suas novas perspectivas. Demi bebeu um gole de café e, quando seu olhar se desviou para Rebecca, esta sequer fingiu que não estava olhando, olhando de maneira bem óbvia.

– O quê? – disse Demi, com petulância o suficiente para esperar que Rebecca entendesse.

– O que está acontecendo?

– Nada. Está tudo bem.

Rebecca pegou seu drinque, mas Demi ouviu um “mentirosa” sendo sussurrado antes de a amiga bebericar um gole. – Rebecca, por favor.

– Se ele fez alguma coisa horrível, você tem que me contar.

– Ele não fez…

– Então…

– Não é nada. Estou dizendo. Nós estamos bem. Vamos a uma festa de lançamento de um perfume amanhã à noite. Eu não tenho dormido pelo que parecem, sei lá, anos, e gostaria de estar na cama agora se vocês malvadas não tivessem me arrastado para sair.

– Você tem estado ausente sem se justificar para a gente há muito tempo – reclamou Shannon –, e tudo que sabemos é só o que lemos na internet. Tenho 50 palpites dos bons a respeito do que você e Joe Winslow estavam fazendo em vez de comparecer à estreia.

O rosto de Demi pegou fogo, pelo menos era essa a sensação. Ela trocou o café por água gelada na tentativa de esfriar e empalidecer.

– Nada importante – justificou ela.

As três trocaram olhares descrentes e em mais um segundo Demi iria pegar sua bolsa e sair do restaurante. Sair do grupo de pratos congelados, nunca mais olhar para um cartão de troca e começar a verificar tarifas de passagem aérea para Ohio.

Demi corou de novo, mas não por causa do comentário de Shannon. Podia até ter cometido um erro ao permitir que seus sentimentos saíssem do controle com Joe, mas ela não abandonaria a mesa, ou o estado. Ela não era aquela pessoa, e caramba, isso não importa quantas lágrimas precisasse derramar até superar o coração partido, não ia desistir. Ela não tinha chegado tão longe só para escapulir para o colinho da mamãe.

– Sério – disse Demi, sentando-se ereta na cadeira. – Não aconteceu nada de mais. Estava fora da nossa programação. Joe explorou positivamente transformando em fofoca e funcionou. Éramos um ponto cego no New York Post de hoje, na coluna de fofocas. É tudo parte do plano. O NNY vive para as visitas únicas. É uma grande fórmula matemática que determina o quanto ele pode cobrar por espaço publicitário. Tudo relacionado às vezes que uma determinada pessoa clica no blog em qualquer computador individual.

– É isso? – perguntou Lilly com ceticismo. – Mas vocês são tão fofos juntos.

Demi se virou de Lilly para Rebecca, encarando-as.

– Nós temos que parecer fofos juntos. Desculpe por estragar isso para vocês, meninas, mas juro, é profissional. Na verdade, assim que os números caírem, deixarei de ser útil para o blog e eu mesma estarei trocando os cartõezinhos.

– Você vai jogar Joe de volta no ringue? – perguntou Shannon.

– Acredite, ele não faz seu tipo. Ah, ele é legal e tudo, mas não está buscando encontros.

Rebecca tentou intimidar Demi com o olhar, como se pudesse fazer Demi retirar o que disse com telepatia. Demi tocou a mão dela.

– Nós vamos conversar, mas não agora – disse baixinho o suficiente para que as outras não pudessem ouvir, e então a comida chegou, a distração da qual Demi necessitava. Ela relaxou, confiante de que havia cruzado um marco importante.

Daí o celular tocou. Ela quase ignorou. Quando o tirou da bolsa, sabia antes mesmo de apertar qualquer tecla que era Joe. Só que não era sobre o lançamento do perfume na noite seguinte.

Jantar hj? Na mesa do chef do Le Bernardin? JW

Demi notou o nome do melhor restaurante da cidade. O convite era mais que incrível. Por sua carreira, seu futuro, ela não deveria hesitar. Haveria fotos e ainda mais fofocas quando saíssem para jantar sem um caçador de evento. Mas, por sua sanidade, ela digitou:

Adoraria. Nas não posso. Outros planos. Até amanhã!

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Minhas divas onde vocês estão?
Cadê vocês comentando?
xoxo