8.3.15

Capitulo 16 - Amor Sem Limites

Mais um capitulo!!!  A fic está acabando infelizmente mas logo eu voltarei com outra que eu acho que vcs vão gostar! ♡


DEMI

–Ainda não consegui acreditar que você tocou violão e cantou para mim. Minha nossa,

Joe. Nossa. – Eu ainda estava encantada por ter olhado para Joe e visto que esperava por mim com um violão. E então, em vez de ouvir Jason Mraz nos alto-falantes, Joe cantara uma canção que havia composto para mim. Depois dos presentes e das cartas enviados ao meu quarto, achei que ele não conseguiria se superar. Estava enganada.

– Parei de cantar na faculdade. Decidi que estava cansado das garotas que se interessavam por mim por causa do Dean. Quando eu cantava, só piorava minha ligação com o Slacker Demon. Então parei. Mas, por você... Eu a queria subindo ao altar para mim com a minha voz cantando versos feitos para você. Não uma canção genérica tocada em um milhão de outros casamentos. – Joe beijou o ponto logo abaixo da minha orelha. – Não há nem nunca haverá outro casamento como este – sussurrou em meu ouvido.

Eu me aconcheguei mais em seus braços enquanto dançávamos a versão de Kiss Me, de Ed Sheeran, sendo interpretada pela nossa banda ao vivo. Dean havia se oferecido para contratar uma “banda de verdade”, mas eu não queria isso. Não queria que nosso casamento fosse mais do que uma reunião íntima. Não queria transformá-lo em um show. Joe concordara comigo e nós encontramos a melhor banda de festas que conhecíamos.

– Queria que não estivéssemos com a casa cheia de gente esta noite – disse eu, encostada em seu peito.

– Não importa. Nós não estaremos lá – respondeu Joe.

Eu me afastei e olhei para ele.

– Como assim?

Ele sorriu.

– Você realmente acha que eu vou dividir uma casa com todas aquelas pessoas na noite do meu casamento? O caramba que vou! Temos a cobertura do condomínio do clube à nossa espera quando sairmos daqui.

Fiquei feliz por ele ter planejado isso. Não queria pensar no pai dele e no meu pai na mesma casa que nós naquela noite.

– Que bom – falei.

Ele deu uma risada que fez seu peito vibrar. Olhei para os outros convidados. Todos os nossos amigos estavam ali. Todo mundo que amávamos. Exceto pela irmã... e pela mãe dele. Mas elas não teriam aprovado o casamento. As duas me odiavam. Ainda assim, por Joe, eu me sentia mal que elas tivessem perdido esse momento. Só esperava que um dia elas

fizessem parte das nossas vidas. Eu sabia que, embora não tivesse falado nelas, ele sentira falta.

– Onde você pôs aquele retalho de cetim? – perguntou ele.

Sorri e mordi o lábio inferior.

– Eu não tinha bolsos – respondi.

– Eu sei. E então, onde está?

– Enfiado no meu sutiã – admiti.

– Acho que ele vai ter um novo significado para mim a partir de agora – disse ele, provocando a parte de baixo dos meus seios com os polegares.

– Obrigada por tudo. O colar, a tornozeleira, o anel, e eu vou deixar você ficar com o cetim. Embora eu tenha adorado tê-lo aqui conosco. Saber que ela tocou a vida de nós dois. Foi perfeito.

Joe apertou o abraço.

– É, foi. – No instante em que o corpo dele ficou tenso, eu senti. Olhando para ele, vi-o focar em alguma coisa por cima do meu ombro. Virei a cabeça e avistei Cain parado nos olhando. – Eu provavelmente devia deixá-lo dançar com você. Estou tentando me convencer disso – disse Joe, ainda me segurando com força.

Sorri ao notar a hesitação em seu rosto.

– Se você não quer que eu dance com Cain, também não quero dançar com ele. Mas preciso ir falar com ele, e se você quiser ir junto e ficar abraçado comigo, tudo bem. Relaxe.

Eu sou Demi Jonas agora. A garota que ele amava era Demi Lovato.

Quando mencionei meu novo nome, o corpo todo dele relaxou, e ele me segurou com mais força.

– Diga isso de novo. Pelo menos a parte em que você diz o seu nome – pediu ele com a voz rouca.

– Demi Jonas – repeti.

– Caramba, como ficou bom – exclamou ele, dando um beijo na minha testa. – Vá falar com ele. Mas, se não se importa... não dance. Não quero as mãos dele em você.

– Então nada de abraço também? – perguntei, antes de ir na direção de Cain.

Joe franziu a testa e balançou a cabeça.

– Não se ele quiser continuar com os braços presos ao corpo – respondeu ele, fazendo-me rir. Meu marido possessivo.

Fui até Cain, que esperava por mim com as mãos enfiadas nos bolsos e uma expressão de sofrimento no rosto. Não devia ser fácil para ele. Na cabeça dele, nossa história era para sempre. Ele não achara realmente que Joe ficaria comigo no final. Ele estava errado.

– Que bom que você veio – falei, parando a alguns centímetros de distância, o bastante para deixar Joe confortável.

– Não vou mentir. Eu não queria vir. Vovó Q me obrigou – respondeu ele. – Mas você está linda. De tirar o fôlego, a ponto de doer olhar para você.

– Obrigada. Eu não sabia que Joe havia mandado as passagens e o convite para vocês até Vovó Q entrar no meu quarto hoje.

Cain fez que sim com a cabeça.

– É, eu imaginei. Já que foi o Joe quem nos convidou e não você. Vovó Q estava decidida a vir desde o momento que recebeu o convite.

– Eu estou feliz, Cain.

Ele me deu um sorriso triste e assentiu.

– Estou vendo. É difícil não notar. Ele está bem animado também.

Não havia muito mais a ser dito. Nossa história era passado. Ele havia sido meu melhor amigo um dia, mas agora Joe era meu tudo.

– Cuide-se – falei, sabendo que precisava voltar para Joe antes que ele decidisse que Cain e eu havíamos conversado demais.

– Você também, Demi. Mande fotos do bebê. Vovó Q vai querer vê-las – respondeu ele.

Eu me virei e voltei para o Joe, que estava parado na beira da pista de dança com os olhos fixos em mim.

JOE

Normalmente eu passava o Natal bebendo numa estação de esqui, na companhia da namorada da vez e de alguns amigos. Era assim que eu costumava passar as festas de fim de ano. Quando eu era criança, minha mãe não decorava a árvore nem fazia biscoitos. Eu só vira esse tipo de coisa na televisão.

O cheiro de pinheiros, maçã com canela e biscoitos enchia a nossa casa. A maior árvore de Natal que pude encontrar em Rosemary preenchia a nossa sala de estar, que estava toda decorada com enfeites coloridos e luzinhas brilhantes. Tínhamos guirlandas naturais e frutas sobre o consolo da lareira e, penduradas nele, três meias com a letra F bordada. Duas grandes guirlandas com laços de veludo vermelho decoravam as portas da frente e canções de Natal tocavam o tempo todo pelo sistema de som. Demi havia encontrado uma estação de músicas natalinas no rádio por satélite e me ameaçava caso eu tentasse trocar.

Sob nossa árvore havia uma pilha de presentes embrulhados em papéis coloridos com laçarotes cintilantes, e eu não conseguia me livrar dos amigos. Eles estavam sempre em casa. Comendo os doces que Demi não parava de fazer e bebendo a sidra que ela nunca deixava acabar. Era como se Papai Noel tivesse se estabelecido em nossa casa. Um ano antes, isso teria parecido um inferno para mim. Agora, eu não conseguia sequer imaginar um Natal diferente. Assim era o Natal ao estilo de Demi, e eu gostava dele. Não, eu adorava para cacete. Ela cantava desafinadamente as canções natalinas enquanto tirava biscoitos do forno e polvilhava açúcar nas bolinhas de manteiga de amendoim comigo ao lado, esperando que ela pusesse uma delas na minha boca.

Seria assim que meus lhos veriam o Natal, e eu adorava isso. Eu estava aninhado no sofá vendo filmes natalinos e bebendo chocolate quente, com a mão sobre a barriga de Demi, deliciando-me ao sentir meu lho. Era algo que o dinheiro não podia comprar. Não esse tipo de felicidade.

– Acha que vamos ver seu pai antes do Natal? – perguntou Demi, entrando na sala de estar onde eu estava admirando a árvore enquanto ouvia minha mulher cantar We Wish You a Merry Christmas.

– Duvido. Ele viajou na semana passada – lembrei-a.

Ela franziu a testa e assentiu.

– Está bem. Então acho que precisamos mandar o presente dele pelo correio. Comprei uma coisa que preciso enviar para Harlow também. Queria que você me ajudasse a pensar em alguma coisa para sua mãe e para Nan. Não sei o que comprar para elas. Não cheguei a

conhecê-las bem.

Minha mãe e Nan? Ela havia comprado um presente para meu pai? E para Harlow? Caramba! Tudo o que eu havia feito era comprar presentes para ela e o bebê. Não havia pensado em escolher nada para mais ninguém.

– Ahn, tá, ah, tudo bem, eu acho. Mas elas não esperam ganhar nada. Na verdade, nós nunca trocamos presentes. Não é uma festa que comemoramos em família.

Demi fez uma cara de decepcionada e me lançou um olhar triste. Eu não gostava de vê-la assim. Gostava da cantoria feliz e desafinada que ela estava entoando havia poucos minutos.

– Mas é Natal. A gente compra presentes para quem ama no Natal. Não precisa ser grande coisa. Só alguma coisa. É gostoso dar presentes.

Se ela queria dar alguma coisa para minha irmã e para minha mãe má, então eu compraria o que fosse e mandaria para elas com um sorriso.

– Está bem, gata. Vou encontrar alguma coisa para elas e podemos mandar pelo correio junto com os outros presentes.

Isso pareceu tranquilizá-la, e ela fez que sim com a cabeça.

– Ah, que bom. Está bem. – Ela começou a se virar e parou. – Comprei uma coisinha para Kiro também. Precisamos mandar junto com as outras coisas que vão para Los Angeles.

Não consegui deixar de dar risada. Ela havia comprado um presente para Kiro. Todo mundo ia achar que eu havia enlouquecido quando recebesse os pacotes.

– Para o Kiro também. Certo – respondi.

A única coisa boa nas intermináveis compras de Demi foi que elas me deram tempo para preparar sua surpresa. Ela cava dizendo que, depois do Natal, precisaríamos pensar no quarto do bebê. Eu só concordava. Mas também mantinha trancado o último quarto à esquerda, o que tinha a vista que ela amava.

7.3.15

Capitulo 15 - Amor Sem Limites

Oiii! Sempre esqueço de postar aqui. Me desculpem, voltou minhas aulas e eu tenho que estar bem focada nos estudos pq eu não posso perder em nenhuma disciplina. Então me desculpem se eu ficar sumida tanto aqui, tanto no outro blog. Ah falando do outro blog, eu postei um capitulo dia 28/02 caso vcs não tenham visto.  Beijooos ♥


DEMI

Bethy me deu um beijo no rosto e tirou algo que estava escondido atrás das costas.

Estendeu para mim um pequeno pacote prateado com a conhecida letra de Joe no bilhete.

– Joe queria que você tivesse algo antigo, para dar sorte – explicou.

Eu não havia pensado em nada daquilo. Havia me esquecido das tradições. Sorrindo, peguei o pacote e o abri. Dentro havia um anel de prata com uma pérola que parecia muito caro. Era elegante, com uma gravação. Levantei-a para ler o que dizia. Era “Meu amor”. A gravação também era velha. Não era algo que Joe tivesse mandado fazer.

Um bilhetinho estava enfiado ao lado do anel. Peguei-o e abri.

Demi,

Este anel era da minha avó, mãe do meu pai. Ela veio me visitar antes de falecer. Tenho boas lembranças de suas visitas e, quando ela morreu, deixou este anel para mim. Em seu testamento, disse que eu deveria dá-lo à mulher que me completasse. Ela contou que o anel foi dado a ela pelo meu avô, que morreu quando meu pai era apenas um bebê, mas que ela nunca amaria outro homem da forma como o amou. Ele estava em seu coração. Você é minha. Isto é a sua coisa antiga.

Amo você. Joe

Eu estava chorando – e Bethy também. Olhei para ela, ao meu lado, lendo o bilhete.

– Caramba, quem diria que Joe Jonas podia ser tão romântico – comentou ela, fungando.

Eu sabia. Ele me demonstrara isso mais de uma vez. Pus o anel no dedo, na mão direita, e serviu perfeitamente. Imaginei que não se tratasse de coincidência. Sorri e olhei para Bethy.

– Obrigada por tudo – falei.

Ela me abraçou e fez que sim com a cabeça.

– Eu é que deveria agradecer. Você é a melhor amiga que já tive. – Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ela saiu do quarto dando um último aceno.

Virei para me examinar no espelho. O vestido de cetim pérola sem alças se mantinha no lugar graças a meus peitos de grávida. A linha alta da cintura, marcada logo abaixo dos seios, era coberta por centenas de pérolas minúsculas. Sobre o cetim havia uma camada de chiffon que caía solto em forma de trapézio, até alguns centímetros acima dos joelhos. Eu havia decidido ficar descalça, já que iria caminhar pela areia. Pintara as unhas dos pés de um rosa clarinho para combinar com as pétalas de rosa espalhadas pelo chão.

Uma batida à porta me assustou, e eu me virei e vi Harlow entrar no quarto. Ela segurava uma caixinha pequena.

– Você parece uma princesa – disse, sorrindo.

– Obrigada – respondi. Estava me sentindo assim mesmo.

– Tenho uma coisa do Joe. Ele queria que você tivesse algo novo, para dar sorte – disse ela, entregando o presente. – Eu sairia, mas acho que vai precisar da minha ajuda.

Peguei a caixinha e a abri rapidamente, empolgada para ver o que ele havia mandado para mim desta vez. Dentro da caixa havia uma delicada corrente de ouro com vários diamantes cortados exatamente no formato do meu anel, só que muito menores. Levantei a tornozeleira, e o sol que entrava pelas janelas dançou no quarto, refletido pelos diamantes.

– Eu coloco em você – ofereceu Harlow, e lhe entreguei a corrente, que ela prendeu em meu tornozelo.

Eu comentara com Joe que seria bom ter algo nos pés, mas que não conseguia me imaginar caminhando de sapatos na areia. Aquela era a resposta dele. Sorri e agradeci a Harlow.

– De nada. Ficou linda em você – disse ela antes de sair do quarto tão silenciosamente quanto entrara.

Enquanto admirava meu tornozelo no espelho, ouvi mais uma batida à porta. Um rosto familiar que eu não esperava de forma alguma sorriu para mim, e eu me apressei para abraçar Vovó Q. Eu não a havia convidado porque cara preocupada com que Joe não gostasse da presença de Cain. Eu sabia que seria ele quem traria a avó, e não poderia convidá-lo também. Senti meus olhos se encherem de lágrimas quando ela me abraçou.

– Não acredito que a senhora esteja aqui. Não acredito que tenha dirigido até aqui – disparei.

Ela deu um tapinha nas minhas costas e riu.

– Bem, eu não vim dirigindo. Seu noivo mandou passagens de avião para mim e para Cain. Primeira classe. Nunca fui tão mimada na vida. Uma experiência e tanto, vou lhe dizer.

Se eu já não amasse Joe Jonas com cada célula do meu corpo, eu o amaria ainda mais por isso. Mas ele já me tinha por inteiro.

– Agora não comece a chorar, para não estragar essa maquiagem. Você está parecendo sua mãe. Está igualzinha a ela. Não acho que seu pai poderia estar mais feliz do que está agora. Eu não vim aqui para fazê-la chorar. Estou aqui para lhe dar uma coisa do Joe. Ele queria que você usasse algo emprestado, para dar sorte.

Não consegui evitar o sorriso bobo no rosto. Ele estava me mandando mais um presente. Ela me entregou um embrulho igual ao que Harlow levara. Peguei-o e o abri rapidamente.

Aninhado numa caixinha de cetim, havia um bilhetinho. Peguei-o e, embaixo dele, havia um retalho de cetim cor-de-rosa antigo. Estava muito gasto, e evidentemente havia sido cortado de alguma outra coisa. Abri o bilhete.

Demi,

Esperei até hoje para lhe mostrar isso. Não foi fácil não dizer nada a respeito. Mas quando me lembrei de quem sua mãe era, também me lembrei deste pedaço de cetim. Eu havia me esquecido de onde ele viera fazia muito tempo, mas sabia que era especial, por isso o guardava comigo. O tempo todo. Quando era menino e me sentia assustado ou sozinho, eu o segurava nas mãos e esfregava em meu rosto. Era um segredo que eu não queria que ninguém descobrisse. Mas ele me tranquilizava. Quando seu pai me lembrou das panquecas de Mickey Mouse, todas as minhas recordações de sua mãe voltaram. Então me lembrei do dia em que ganhei este pedaço de cetim.

Sua mãe sempre usava um pijama de cetim cor-de-rosa para dormir. Ela costumava me ninar, porque era difícil eu me acalmar tempo suficiente para fechar os olhos. Eu adorava quando ela me abraçava. Minha própria mãe nunca fazia isso. Eu ia dormir à noite esfregando o nariz no braço dela e no pijama de cetim cor-de-rosa. Lembro que fiquei assustado no dia que ela foi embora. Eu não queria ficar com Georgianna. Sua mãe me abraçou com força e então enfiou nas minhas mãos este pedaço de cetim cortado do pijama dela, dizendo para usá-lo à noite quando eu fosse para a cama.

Eu adoraria dizer que essa lembrança voltou a mim sozinha, mas não foi o que aconteceu. Eu só sabia que o tecido tinha a ver com a mulher que fazia as panquecas para mim. Então perguntei a seu pai. Ele me contou a história, e me dei conta de que o sonho recorrente que eu tinha quando criança sobre a mulher de pijama de cetim cor-de-rosa era real. Não era um sonho.

É algo meu (a menos que você realmente queira, então será seu). Esta é a sua coisa emprestada.

Amo você. Joe

– Espero que não esteja usando muita maquiagem, porque, se estiver, acabou de tirar metade dela com essas lágrimas – murmurou Vovó Q.

Sorri, aceitei o lenço que ela estava estendendo para mim e sequei as lágrimas do meu rosto. Para desgosto de Bethy, eu não estava usando muita maquiagem. E, por sorte, o rímel era à prova d'água. Levei o cetim ao meu rosto e pensei na minha querida mãezinha deixando aquilo para Joe. Então dobrei o retalho e o enfiei no sutiã tomara que caia.

Guardei o bilhete na cômoda. Queria guardar aquilo também. Para sempre.

– Bem, preciso descer e pegar meu lugar. Vejo você em breve – disse Vovó Q, que me jogou um beijo e saiu.

Fui até o espelho para conferir a maquiagem. Veio outra batida rápida à porta. Meu pai entrou no quarto com um sorriso no rosto.

– Você é a mulher mais linda que eu já vi. Aquele cara lá embaixo é um sujeito de muita

sorte. É bom que ele não se esqueça disso.

– Obrigada, papai – respondi.

Ele enfiou a mão no bolso e tirou mais uma caixinha de presente, parecida com as que os outros haviam me levado.

– Trouxe algo de Joe para você. Ele queria que você tivesse algo azul, para dar sorte.

Eu não consegui tirar o sorriso bobo do rosto. Já havia imaginado que era por isso que ele estava ali. Papai me entregou a caixinha.

– Vou ficar. Você vai precisar da minha ajuda.

Abri a caixa, empolgada por ganhar mais uma coisa do Joe. Uma delicada corrente de ouro que combinava com a tornozeleira que ele havia me mandado estava aninhada no cetim. Eu a tirei da caixa e vi que tinha como pingente um topázio em forma de lágrima. Peguei o bilhete rapidamente e desdobrei.

Demi,

Esta lágrima representa muitas coisas. As lágrimas que sei que você derramou segurando o retalho de cetim da sua mãe. As lágrimas que derramou pelas perdas que sofreu. Mas também representa as lágrimas que nós dois derramamos quando sentimos uma pequena vida começar a se mexer dentro de você. As lágrimas que derramei por ganhar mais alguém como você para amar. Nunca imaginei que pudesse existir alguém como você, Demi. Toda vez que penso no futuro, fico emocionado por saber que você me escolheu para estar sempre ao seu lado.

Esta é a sua coisa azul.

Amo você. Joe

Sequei mais uma lágrima e ri. Ele tinha razão. Ambos havíamos derramado lágrimas de tristeza e de felicidade. Eu queria essa lembrança dos dois tipos de lágrimas comigo quando disséssemos nossos votos mais tarde.

Meu pai pegou a corrente das minhas mãos e a pôs em meu pescoço. Eu a arrumei para que casse encostada em meu peito. Eu estava pronta. Ele cuidara para que eu tivesse algo antigo, algo novo, algo emprestado e algo azul.

– Está na hora de descermos – disse meu pai, e abriu a porta. Fui atrás dele, que então me guiou escada abaixo e porta afora. Eu iria passar por baixo da casa e sair por um arco de rosas cor-de-rosa e luzinhas brancas.

De braço dado com o meu pai, deixei que ele me conduzisse.

JOE

Eu havia cado esperando ao pé da escada até que cada pessoa descesse depois de entregar

os presentes que eu havia enviado. Quando o pai dela subiu, percebi que não podia mais ficar ali. Tinha que sair. Queria ter sido eu mesmo a levar os presentes, mas ela havia sido irredutível quanto a eu não vê-la pronta antes da cerimônia.

Parado embaixo da pérgola coberta de hera e rosas brancas na areia entre a minha casa e o golfo, esperei com o pastor de um lado e Grant do outro.

– Está nervoso? – perguntou Grant.

– Com medo de ela decidir não subir ao altar? Sim – respondi.

Grant riu e balançou a cabeça.

– Não foi isso que eu quis dizer.

– Um dia você vai entender. E, quando isso acontecer, eu vou morrer de tanto rir.

– Não há a menor chance de isso acontecer – respondeu ele.

Bethy apareceu embaixo das rosas cor-de-rosa, o que significava que Demi esperava atrás dela. Peguei o microfone sem o escondido que pedira ao cara do som que deixasse estrategicamente instalado para mim e o pus na lapela. Então peguei meu violão de trás das ores. Fazia anos que ninguém me via tocar. Podia até imaginar o que estava passando pelas cabeças deles. Apenas meu pai sabia o que estava acontecendo, porque ele havia me ajudado com os acordes.

– O que você está fazendo? – sussurrou Grant. A descrença na voz dele ao descobrir a resposta sozinho ficou evidente. Não precisei dizer a ele. Assim que Bethy se posicionou, eu me pus na frente do pastor e olhei para o corredor. Quando Demi aparecesse, a música iria começar. Eu havia repassado tudo cuidadosamente com a equipe de som.

Quando ela deu um passo adiante de braços dados com o pai, seus olhos se fixaram nos meus e se arregalaram de surpresa. Ela planejara subir ao altar ao som de I Won’t Give up , de Jason Mraz. Mas eu não queria outro homem cantando para ela. Não hoje. Queria que ela viesse para mim comigo cantando os versos escritos especialmente para quando ela subisse ao altar para me presentear com meu mundo.

– Bem, hã, eu nunca fui muito de cantar... bem, você sabe, na frente de muita gente... mas achei que depois de tudo o que passamos... este seria um bom momento para dizer o que eu sempre quis. Demi, eu amo você... até a lua, ida e volta. – Fiquei olhando para ela, que me encarava, paralisada. Tudo em volta desapareceu; eu só via Demi.

Quando você olhou para mim pela primeira vez

Eu me esqueci de respirar

Aquele instante marcou meu coração endurecido

Eu prometi nunca me afastar.

E o toque da sua pele curou algo dentro de mim

Que me deixou querendo mais de você

Quanto menos eu tinha, mais o desejo crescia

Ah, eu não consegui deixar de cair de amor por você

Então estou aqui agora, sabe, garota

Depois de tudo o que enfrentamos, não poderíamos deixar passar

E, enquanto eu viver, vou olhar nos seus olhos abraçando-a junto a mim

Jurarei solenemente que caí de amor, sem limites

Caí de amor, sem limites,

Sem limites por você sem limites

Por você, por você

Quando finalmente encontrei você

Encontrei a mim mesmo não me esquecerei tão cedo daquele dia

O motivo de tudo

Vou lhe dar meu nome nada na vida será igual

A história agora está completa

Nossa vida e nosso amor são tudo de que precisamos

Porque não consegui deixar de cair de amor

Cair de amor por você

Então estou aqui agora, sabe, garota

Depois de tudo o que enfrentamos, não poderíamos deixar passar

E, enquanto eu viver, vou olhar nos seus olhos abraçando-a junto a mim

Jurarei solenemente que caí de amor, sem limites

Caí de amor, sem limites, sem limites por você

Sem limites por você

Por você

Meu coração está batendo implorando por você

Esta noite será a realização de um sonho então caia, caia, caia nos meus braços

Então estou aqui agora, sabe, garota

Depois de tudo o que enfrentamos, não poderíamos deixar passar

Porque caí de amor, sem limites

Caí de amor, sem limites

Caí de amor, sem limites

Sem limites por você, yeah

Por você...”

Quando toquei o último verso, tirei rapidamente a alça do violão do pescoço e o entreguei a Grant. Demi não esperou nenhuma orientação do pastor antes de se atirar em meus braços soluçando.

– Que lindo – disse ela, encostada em meu peito.

– Não tão lindo quanto você – respondi, segurando-a forte.

Ela deu uma risadinha.

– Eu não sabia que você sabia fazer isso – disse ela, afastando-se um pouco para olhar para mim.

– Sou cheio de surpresas emocionantes – garanti, dando uma piscadela.

– Muito bem, vocês dois. Deixe-me dar a mão da garota primeiro – disse Abe, pegando o braço de Demi e puxando-a de volta para o lado dele, com um sorriso divertido nos lábios.

Abe beijou o rosto da filha e olhou para mim.

– Eu lhe diria quanto ela é especial, mas você já sabe. E o fato de saber é o único motivo pelo qual eu posso entregá-la a você. Pedi que você fosse o homem que não pude ser e você atendeu meu pedido. Não por mim, mas por ela. Eu não poderia sentir mais orgulho da mulher que ela se tornou e do homem com quem ela escolheu passar o resto da vida. – Ele pegou a mão de Demi e a pôs na minha. Então virou-se para sentar em seu lugar.

Encaixei a mão dela em meu braço ao nos virarmos de frente para o pastor. Ela deu um pulinho ao meu lado e olhou para a barriga com um sorriso. Passei o braço ao redor de sua cintura e pus a mão em sua barriga enquanto nosso filho se mexia. Aquilo era meu.




HARLOW

(Sim, você leu certo de novo.)

Pude senti-lo olhando para mim de novo. Desejei que parasse com aquilo. Desde que ele

saíra pisando fundo e xingando e me deixara em meu esconderijo na festa do ensaio do casamento, tudo o que fazia era me encarar. Eu detestava que me encarassem. Estava pronta para ir embora, mas sabia que Dean estava se divertindo. Tentaria conseguir um voo mais cedo. Não queria ficar até o dia seguinte.

Cruzei as pernas de novo e fiquei olhando para as minhas mãos. Ninguém viera conversar comigo, e eu não podia culpá-los. Eu era chata. Nunca sabia o que dizer. Tinha medo de falar o que quer que fosse. Sempre tive. Aprendi que era melhor ficar quieta do que dizer bobagens.

Era mais fácil passar despercebida quando caras com a aparência de Grant Carter não cavam me encarando. Não conseguia entender por que ele estava me encarando. Que doideira. Eu sabia por que ele estava chateado. Quando somos quietos, as pessoas se esquecem da nossa presença e falam sobre coisas na nossa frente que não são da nossa conta. Ouvi Nan conversando ao telefone com Grant diversas vezes. Eu também sabia que, por mais que Joe fosse um cara legal, seu quase irmão não era. Qualquer cara que namorasse alguém como Nan devia ser igualmente ruim da cabeça.

Eu só queria que ele não fosse tão absurdamente gostoso. Isso era algo que eu deveria ter esperado. Nan era espetacular e, embora fosse louca, atraía todos os homens. Qualquer cara com quem ela houvesse tido um relacionamento precisava ser tão lindo quanto ela. E, minha nossa, como ele era gato. Muito. Mesmo os cabelos compridos presos atrás das orelhas eram atraentes. Aqueles olhos azuis eram muito intensos.

Bastaram duas palavras dele para eu me perder completamente. O que não era nada difícil de acontecer. Eu fazia isso com frequência. A cadeira do lado da minha raspou no chão, e eu ergui o olhar para ver Grant sentando bem perto de mim. Nada bom. Totalmente ruim. Qual era a dele?

– Desculpe por ontem à noite – disparou para mim. Fiquei tensa e só consegui acenar com a cabeça.

Tudo bem, ele estava pedindo desculpas. Ótimo. Agora podia ir embora e parar de olhar para mim.

– Vamos lá, Harlow, diga alguma coisa. Me dê algo mais do que um aceno de cabeça –

disse ele, parecendo exasperado.

Eu não sabia ao certo por que o deixara assim. Não tinha feito nada para ele. Havia tentado me manter longe dele e ignorar seus olhares constantes. Mesmo durante a cerimônia, ele havia me localizado em meio aos demais convidados e não desviara o olhar de mim o tempo todo.

– É só comigo ou você não fala com ninguém? Não a vi conversando com os outros convidados.

Embora eu não gostasse dele e certamente não aprovasse seu gosto para mulheres, também não queria que ele pensasse que eu era uma idiota. Ele contaria a Nan, e ela teria mais uma coisa para tirar sarro de mim.

– Não sou boa no meio de muita gente – expliquei.

Ele pareceu relaxar um pouco quando falei.

– Este povo é opressivo. Não dá para culpá-la.

Forcei um sorriso. Não foi um sorriso largo, mas foi o melhor que eu consegui. Não sabia fingir direito. Nunca soube.

– Você não gosta de mim, não é? – Ele obviamente também era bastante observador.

Eu poderia mentir para ser educada. Minha avó havia me ensinado que, quando não se tinha nada de bom a dizer, era melhor não dizer nada.

– Eu não gosto de Nan – respondi sinceramente. Não foi educado da minha parte, mas era verdade.

Em vez de ficar na defensiva, Grant explodiu numa gargalhada. Não foi uma risada divertida, mas uma gargalhada de verdade, como se eu fosse uma ótima comediante. Fiquei olhando para ele e o odiei ainda mais por ficar atraente dando risada. Não era justo. Eu não queria pensar que qualquer coisa nele fosse atraente.

– Desculpe – disse ele, secando os olhos e sorrindo para mim. – Mas não era o que eu esperava ouvir dessa sua boquinha doce. Caramba, como foi engraçado.

Eu não achei nem um pouco engraçado. Será que ele tinha achado que era brincadeira?

– Não acho que você seja a única, linda. A maioria das pessoas concordaria com você.

Principalmente as pessoas que vieram a este casamento.

Fiquei quieta. Ele obviamente gostava dela.

– Como você não vai dizer mais nada, vou deduzir que você não está falando comigo porque namorei Nan e você não gosta dela.

Dei de ombros. Não exatamente. Era mais do que isso. Dizer a verdade para ele seria outra grosseria, e eu não queria ser mal-educada. Mas as opções eram ser mal-educada ou deixá-lo pensar que eu era muda. Não queria que ele tirasse sarro de mim com Nan. Já suportava muita coisa dela.

– Qualquer um que namore Nan não pode ter quaisquer qualidades que compensem isso. Ou quaisquer qualidades que eu estaria interessada em conhecer melhor. Não gosto de perder meu tempo com quem eu nunca mais voltarei a falar. – Aquilo saiu mais duro do que

eu queria. Maldita sinceridade.

Grant se encolheu. Eu estava sendo uma escrota. Eu acusava Nan de ser escrota, e estava me comportando tão mal quanto ela. Eu não podia fazer isso. Não queria ser daquele jeito.

– Olhe, isso não saiu direito. Desculpe. O que eu quis dizer é que não gosto de Nan. Nem um pouco. Não consigo entender por que alguém que não seja parente dela sequer a suportaria. O fato de que você não apenas a suportava, como a namorava me leva a acreditar que nós dois jamais seríamos amigos. Desculpe. Não quero parecer escrota; sou uma pessoa legal. Só que tento me manter longe de pessoas más. Nan é pura maldade, o que me leva a crer que você seja ruim também. Pessoas más andam juntas.

Parei de falar, porque estava piorando as coisas. Levantei com um sorriso constrangido – que desta vez não precisou ser forçado, porque eu realmente estava me sentindo mal por ter dito tudo aquilo. Eu tendia a fazer isso quando falava demais. Antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, eu me mandei. Ia me despedir de Joe e Demi e seguiria para o aeroporto para tentar pegar um voo mais cedo. Passaria a noite lá, se fosse preciso. Pelo menos assim Grant Carter não conseguiria me encontrar.

3.3.15

Capitulo 14 - Amor Sem Limites

Olá! Desculpa não ter postado antes. A Bru tinha me pedido para postar mas acabou que coma a agonia da volta às aulas eu me esqueci. Eu volto para fazer uma maratona para vcs ♡


DEMI

Joe havia marcado a data do nosso casamento. Ele me deu uma semana. Nem tentei

discutir. A determinação em seu olhar deixou claro que não adiantaria. Eu estava mais do que pronta para me casar com ele, mas tinha a sensação de que ele tinha medo de que eu pudesse desistir. Principalmente depois do que havia acontecido com Nan na casa do pai dele.

Nós iríamos nos casar doze dias antes do Natal. O plano era passarmos as festas de fim de ano em casa e partir no dia primeiro para uma longa lua de mel. Ele havia cado dividido entre me levar para conhecer o mundo e não querer que eu viajasse muito. Estava preocupado com que me cansasse demais. O que também dificultava os preparativos do casamento. Acabei convencendo-o de que o que eu queria mesmo era ficar na cobertura dele em Manhattan. Como nunca fora a Nova York, seria uma aventura para mim. Também teríamos o conforto da casa dele, e meu obstetra iria me indicar um colega que pudesse me atender enquanto estivéssemos lá.

Por sorte, Joe tinha dinheiro suficiente para que o casamento fosse organizado às pressas e, ainda assim, casse lindo. Eu queria uma cerimônia simples, na nossa casa. Surpreendentemente, as coisas simples também demandavam muita preparação. Eu não teria conseguido fazer nada sem Bethy. Jimmy também ajudou muito, mas os dois quase se mataram mais de uma vez. Estavam disputando o controle.

Joe havia contratado Henrietta para ficar conosco durante toda a semana antes do casamento. Vê-la entrando na despensa todas as noites para ir a seu quarto sob a escada sempre me fazia sorrir. Eu tinha boas lembranças daquele quarto.

Quando a campainha tocou depois do café da manhã, corri para abrir a porta. Imaginei que fossem meu pai e Capitão. De noite seria o ensaio do casamento, e eu precisava do meu pai para ensaiar minha entrada. Ao abrir a porta, fui surpreendida por Dean e Harlow. Não os esperava até o dia seguinte.

– Surpresa! Chegamos um dia antes. Eu não queria perder nenhuma das festividades – falou Dean, dando um sorriso e entrando na casa com sua mala, enquanto Harlow vinha atrás, em silêncio, com a dela. – Onde está o meu garoto? – perguntou Dean, olhando ao redor.

– Joe foi buscar os smokings com Grant – expliquei. – Eles estarão de volta logo. Vamos subir. Vou levá-la ao seu quarto, Harlow. Dean, imagino que saiba onde fica o seu.

– Sim, já vou subir para o meu. Preciso beber alguma coisa e tomar um pouco de sol.

Sorri para Harlow.

– Escolhi meu quarto preferido para você. É o que tem a melhor vista. Costumava ser o meu quarto – disse a ela.

– Obrigada. Mas não preciso ficar em um dos melhores quartos. Eu caria tranquilamente no menor. Sei que sua família vem também – disse ela, parando no último degrau da escada.

– Meu pai e meu... hã... meu irmão moram em velhos barcos de pesca. Eles vão preferir o menor quarto que temos aqui, pode acreditar. Espero que goste. É o mais afastado também.

Assim, você terá mais privacidade.

Harlow deu um sorriso tímido e assentiu. Eu a levei até o cômodo que ocupei por um breve período antes de me mudar para o andar de cima.

– O voo foi bom? – perguntei, quando o que eu queria realmente saber era como estavam as coisas na casa dela.

– Foi bom. Vi Orgulho e preconceito de novo. Ajudou a viagem a passar mais rápido.

– Eu adoro esse filme – admiti. – E então, como estão as coisas... sem a Nan? – Joe não havia falado em Nan uma vez sequer desde que voltamos para casa. Eu sabia que ela não fora convidada para o casamento, e isso me fazia sentir muito culpada. Mas o medo de que ela armasse uma cena e acabasse com nosso dia era real.

– Tudo tranquilo de novo. Meu pai faz as coisas dele. Eu faço as minhas. O Dean, as dele. Eles vão sair em turnê daqui a uns dois meses, e daí as coisas carão tranquilas de verdade.

Me senti mal por ela. Harlow não tinha ninguém, na verdade. Devia ser solitário morar naquela casa com um pai como Kiro. E, sem ele, ela cava lá sozinha. Isso não era vida. O dinheiro não compra tudo. Harlow era prova disso.

– Por que você não pede para o Kiro comprar uma casa para você aqui? É lindo e tem gente da nossa idade em todo lugar. Caras bonitinhos... – Dei um sorriso provocador. Por mais que Harlow fosse linda, eu não conseguia imaginá-la com um cara. Ela era tímida demais. Como chegaria a conhecer alguém e se abrir com ele?

– Não posso pedir isso ao papai. Estou na UCLA com bolsa integral. Ele teria de pagar se eu fosse para outra universidade. E eu saio, vou às aulas – desconversou. Mas eu sabia do tempo que passei lá que, embora fosse às aulas, ela não tinha amigos.

– Acho que ele pode bancar isso – garanti.

Ela deu de ombros, mas não respondeu. Eu não iria importuná-la com isso naquele momento. Talvez mais tarde.

– Preciso me arrumar. Tenho horário marcado para fazer as unhas em uma hora. Quer ir comigo?

Ela balançou a cabeça.

– Não, obrigada. Acho que vou tirar um cochilo. Saímos muito cedo, e não dormi nada no avião.

Assenti com a cabeça. Tinha entendido que ela preferia ficar sozinha.

Era final de tarde quando meu pai e Capitão chegaram. Eu estava acabando de me arrumar para o ensaio e a festa que se seguiria. Faríamos uma festa pré-casamento no salão do clube. Eu não queria uma despedida de solteira, nem Joe queria que eu fizesse uma. Ficara preocupado com aonde Bethy poderia me levar. E, quando Grant falara em fazer uma despedida para ele, Joe descartara a ideia. Então, em vez de uma despedida para cada um de nós, teríamos uma festa juntos. Decidimos comemorar com todos os nossos amigos. Woods havia oferecido o salão e a equipe de cozinha e de garçons do clube.

O ensaio começaria em trinta minutos, e as pessoas chegariam logo. Joe desceu a escada usando calça bege e camisa de linho branca, e meu coração bateu mais forte. Ele estava lindo. Estava com os cabelos estilosamente desalinhados. A camisa branca deixava seus olhos prateados mais brilhantes e a pele mais bronzeada.

– Você está incrível – sussurrei quando ele parou no primeiro degrau da escada.

– Ei, sou eu que digo isso a você – brincou ele, puxando-me e dando-me um beijo nos lábios. – Você está de tirar o fôlego – emendou ele.

– Hum, você também – murmurei em seus lábios.

GRANT

(Sim, você leu certo.)

Meu irmão ia mesmo se casar. Eu sabia que isso ia acontecer no instante que o vi cair de quatro pela Demi, mas, caramba, vê-los ensaiando o casamento tornou a coisa toda real. Real demais. Senti como se o estivesse perdendo um pouco. Não que não estivesse feliz por ele, porque estava. Era só que ele era meu parceiro de crime desde que eu podia me lembrar. Agora, seria parceiro de Demi.

Peguei uma taça de champanhe de uma bandeja quando um garçom passou por mim. Era melhor tomar aquela porcaria borbulhante até conseguir alguma bebida de verdade no bar dali a uns minutos. Olhando para os convidados, pensei em Nan e em como eu deixara as coisas irem longe demais. Precisava de algo para me ajudar a esquecê-la. Não que eu ainda quisesse algo com ela. Era impossível querer. Escrota, maluca.

O par de olhos mais sexy que eu já encontrara na vida se fixou nos meus, e eu congelei e a avaliei. Nunca a vira antes. Nunca. Eu jamais me esqueceria daqueles olhos. Não foi a tonalidade deles que me atraiu, porque de onde eu estava não conseguia ver de que cor eram. Foi o desenho deles e os cílios pesados que os emolduravam. As mulheres pagavam caro por cílios postiços que jamais chegariam aos pés daqueles. Esquadrinhei seu rosto até parar naquela boca enorme. MERDA. Meu pau ganhou vida. Eram lábios grandes e carnudos pra caramba. Uma garota com uma boca daquelas era a fantasia sexual de qualquer homem.

Quase tive medo de deixar meus olhos seguirem em frente. Se a cena continuasse melhorando, eu acabaria gozando nas minhas calças. Mas não tive tempo de pensar nisso, porque ela se virou e, como um sopro de ar, foi embora. Longos cabelos castanhos ondulavam ao seu movimento, logo acima da cintura. Minha mãe do céu, seus cabelos caíam até uma bundinha perfeita. Saí atrás dela. Não sabia quem diabos ela era, mas não a deixaria escapar. Eu precisava experimentar aquela boca e ver seus olhos acendendo de prazer enquanto eu puxava aqueles cabelos para trás e a comia.

E eu querendo encontrar uma distração. Ela era a única distração que qualquer homem precisava. Caramba, ela poderia me fazer esquecer o próprio nome. Ela saiu do salão e foi para o saguão do clube. Caminhava rapidamente, mas de forma tão discreta que ninguém parecia notá-la. Como as pessoas não a notavam? Será que eu estava alucinando?

Que homem com um pau não cava fissurado em cada movimento dela depois de vê-la uma vez?

Cheguei ao saguão segundos depois dela e olhei ao redor. Primeiro, achei que a havia perdido de vista, mas então vislumbrei à direta o movimento de longos cabelos castanhos num canto. Ela não me viu, mas eu estava certo de que vira seus cabelos. Caminhei o mais silenciosamente que consegui em sua direção.

– Fique calma. Era só um cara. Um cara muito, muito gato, mas só um cara – ouvi a voz dela dizendo baixinho enquanto me aproximava.

Que porra era aquela?

– Respire fundo. Você é uma mulher adulta. Consegue lidar com um cara olhando para você – disse ela no mesmo sussurro.

Parei antes de chegar perto o bastante para que ela me visse. Ela estava falando sozinha. Eu a deixara nervosa. Como? Uma mulher linda daquelas devia estar acostumada com caras devorando-a com os olhos. Ela começou a repetir que eu era só um cara, e eu não consegui tirar o sorriso dos lábios. Aquilo era simplesmente encantador.

– Ele poderia ser um alienígena. Aí você precisaria se preocupar. Talvez seja melhor irmos conferir para ter certeza – falei casualmente.

Seu corpo todo ficou tenso, e ela não mexeu um músculo. Nem se virou e olhou para mim. Continuou com as costas apertadas contra a parede atrás da qual havia se escondido. A única coisa que se mexeu foi sua mão, que ela parecia ter usado para cobrir a boca. Ela cava mais encantadora a cada instante.

– Mas provavelmente está tudo bem. Joe e Demi não gostam muito de alienígenas. Têm preconceito – continuei, esperando que minha conversa ridícula a fizesse sorrir e relaxar. Pelo menos o bastante para eu conseguir prová-la.

Ela continuou imóvel. Sua mão ainda cobria a boca, e ela estava paralisada no mesmo lugar. Dei a volta e entrei no pequeno cubículo que ela havia encontrado entre dois pilares na parede. Mesmo com as minhas costas contra a outra parede, nossos corpos quase se tocavam. Seus olhos se arregalaram de surpresa quando entrei no esconderijo dela.

– Acho que não dá para falar direito com a mão sobre a boca assim. Como exatamente você está pensando em conversar comigo? – perguntei, sorrindo de maneira encorajadora. Não queria que ela pensasse que eu era perigoso.

Ela tirou a mão da boca bem devagar e deixou-a cair ao longo do corpo, mas continuou colada na outra parede, como se quisesse ficar o mais longe de possível mim.

– Assim está melhor. Gosto de olhar para sua boca. Você estava atrapalhando a vista – disse, piscando em seguida.

Ela se comprimiu ainda mais contra a parede. Aquela devia ser a experiência mais estranha que eu tivera com uma garota na vida. A maioria se atirava em mim e era muito fácil. Eu gostava disso. Dava menos trabalho. Mas, caramba, estava gostando daquela ali com seu comportamento arredio. Era revigorante e diferente.

– Sou Grant. Irmão do noivo – expliquei, esperando que isso fosse acalmá-la um pouco.

Funcionou. Ela franziu a testa, exibindo uma ruguinha entre as sobrancelhas que fez seu

rosto perfeito ficar mais humano. Mais acessível. Gostei daquilo. Muito. Talvez eu pudesse fazê-la franzir a testa com mais frequência.

– Joe não tem irmão – respondeu ela sem rodeios.

Então ela conhecia Joe. Interessante. Eu nunca a vira, ou com certeza me lembraria. Imaginei que estivesse com algum convidado ou fosse amiga de Demi. Havia poucas pessoas ali que eu não conhecia.

– Bom, só que você está errada nisso, linda. Joe e eu nos tornamos irmãos quando éramos crianças e nossos pais se casaram. Só porque não deu certo para eles, não quer dizer que não tenha dado certo para a gente.

Ela piscou, compreendendo a situação. Ela sabia quem eu era. Estava na hora de jogar limpo. Eu queria saber quem ela era.

– Quer me dizer quem você é? Já que evidentemente descobriu quem eu sou.

Ela desviou o olhar do meu e ficou encarando o chão.

– Acho que preciso entrar – sussurrou. Sua voz ficou ainda mais suave no sussurro. Fiquei me perguntando se ela era tão quieta e educada quando gozava. Naquele momento, era só nisso que eu conseguia pensar. Era tudo o que eu queria saber.

– Você não pode me deixar agora. Se voltar lá para dentro, vou persegui-la a noite toda – avisei, torcendo para que minhas palavras não me fizessem parecer um psicopata.

Ela ficou boquiaberta, e isso me deixou doido. Eu não costumava me sentir atraído por mulheres rígidas, mas aquela atitude formal e certinha vinda de uma fantasia sexual ambulante estava funcionando comigo.

– Por quê? – perguntou ela, e o tom musical de sua voz me lembrou o tilintar de um carrilhão, que, com sua beleza simples, muitas vezes não era notado nas músicas.

– Quer saber a verdade? – perguntei, inclinando-me para mais perto dela e invadindo o espaço pessoal que ela estava fazendo tanto esforço para preservar.

– Por favor – respondeu ela, tão baixinho que quase não escutei.

– Porque tudo em que estou conseguindo pensar é sobre como esses seus olhos cariam cheios de desejo e como a sua boca linda para cacete caria com você gritando de prazer. E estes cabelos – respondi, tocando-os gentilmente. – Caralho, gata, estes seus cabelos são uma indecência.

Eu havia chegado perto demais, e a respiração dela estava rápida e superficial. E, puta que pariu, ela tinha um cheiro incrível. De morango com creme.

– Ah – respondeu ela, encarando-me com olhos que eu agora podia ver que eram castanho-claros. De um tom tão exótico quanto ela própria. Também não havia uma gota de rímel em seus cílios. Eles eram naturais. Completamente naturais.

– Quem é você? – perguntei, espantado com a perfeição diante de mim.

Ela piscou várias vezes, como se não tivesse entendido a pergunta. Com ou sem nome, eu estava prestes a pegá-la no colo e arrastá-la para minha caminhonete.

– Harlow – respondeu ela.

Lentamente, a verdade se derramou sobre mim como um balde de água gelada. PUTA QUE PARIU! Era a irmã de Nan.

JOE

Estava observando Demi dançar com o pai quando vi Grant entrar pisando fundo no salão

como se fugisse de um demônio. Qual seria o problema dele? Olhei para Demi, e ela estava sorrindo feliz para o pai. Então deixei nossa mesa para descobrir o que estava havendo com Grant. Ele era um cara tranquilo. Aquele comportamento não era normal.

Eu o encontrei pegando a dose de uísque puro que o barman serviu. Ele a virou de uma só vez, devolveu o copo e pediu mais. Alguma coisa definitivamente o estava perturbando.

– Por que você não me contou, caralho? – resmungou Grant sem olhar pra mim.

– Do que você está falando? – perguntei, vendo-o virar outra bebida e pedir mais.

Ele voltou o olhar furioso para mim.

– Harlow. Eu conheci a porra da Harlow. Você poderia ter mencionado que a irmã de Nan é uma deusa. Teria me preparado para não comê-la mentalmente de todas as formas imagináveis e não convencer meu pau de que ia pegá-la, porque depois ia descobrir que era impossível. – Ele tomou mais um gole e bateu com o copo no balcão. – Agora estou melhor – suspirou.

– Então você conheceu Harlow? – perguntei, ainda sem entender o que ele estava dizendo. Por que estava tão puto? Eu dissera a ele sobre Harlow.

– É, eu conheci Harlow. Puta merda, Joe, você precisa avisar as pessoas.

Eu ainda estava completamente desnorteado. Ele não estava falando coisa com coisa. – Vou ser sincero. Não sei por que diabos você está tão perturbado.

Grant desabafou com uma risada.

– Porra, você realmente está amarrado pelas bolas – murmurou. – Já que não consegue mais tirar seus óculos cor de Demi e ver outras mulheres, deixe eu dar uma pista. Harlow é a perfeição em pessoa. Caramba, Joe, o que é aquela boca? – Ele estremeceu e balançou a cabeça. – Meu Deus, o que ela seria capaz de fazer com aquela boca. E os olhos dela. Juro que nunca vi nada parecido.

Então ele ia ficar falando sem parar sobre o corpo de Harlow?

– Tudo bem. E isso deixou você puto por quê? – perguntei, pensando que talvez eu precisasse beber alguma coisa para ter aquela conversa.

– Porque eu não posso tocá-la. E, puta merda, eu quero muito tocá-la. De muitas, muitas maneiras. Nunca fiquei tão excitado tão rápido na minha vida. E aí descubro que nunca poderei tocá-la. Que merda! – grunhiu de novo.

Ah. Então Harlow era o brinquedo com que Grant não poderia brincar. Ótimo. Que bom

que ela voltaria para casa em dois dias. Eu não precisava desse tipo de drama. Harlow não era para Grant. Era inocente demais para o meu irmão.

– É, bem, isso é bom, porque a Harlow não vai acompanhar o seu ritmo. Você a magoaria.

Grant fez uma careta para mim.

– O que você quer dizer?

– Quero dizer que ela é muito quieta e tímida. Ela não namora. Não faz nada além de estudar. Não foi contaminada pelo mundo de Kiro. Ela é educada e não gosta de chamar atenção. Mesmo com Nan berrando com ela e xingando-a de coisas injustas, ela engole tudo em silêncio e se afasta. Simplesmente não faz o seu tipo. Você pode ter adorado sua boca, mas, cara, ela não saberia usá-la do jeito que você quer. E nem iria querer. Ela simplesmente não é assim.

Demi terminou a dança com o pai e seus olhos foram na mesma hora para minha cadeira vazia. Ela estava procurando por mim. Eu precisava ir. Dei um tapinha nas costas de Grant.

– Esta noite, procure alguém que não seja mais virginal do que uma freira – disse e voltei para Demi.

Ela me viu e sorriu enquanto eu caminhava na sua direção. A música mudou, e I Will Wait For You, de Bruno Mars, começou a tocar. Puxei-a para mim e sorri. Eu adorava aquela música. Compreendia cada verso da letra, porque era exatamente como eu me sentia. Eu nunca a havia cantado para Demi antes e fiquei tentado a cantá-la em seu ouvido, mas queria esperar. Ainda não. Eu cantaria para ela... mas não agora.

– Gostou de dançar com seu pai? – perguntei, apenas para poder ouvir sua voz.

– Gostei. Conversamos sobre mamãe. Ela teria adorado estar aqui. Ela adoraria você. Sempre me dizia que Cain não era o cara certo para mim. Ele era fraco demais. Que algum dia alguém brigaria por mim e iria me querer mais do que qualquer outra coisa. Você a teria deixado muito feliz.

Senti um aperto no peito. Nunca uma garota havia me dito que a mãe iria gostar de mim. Saber que Demi achava que sua mãe me aprovaria significava mais do que ela podia imaginar. Eu me lembrava da mãe dela. Não com clareza, mas me lembrava. Eu me lembrava do sorriso e da risada dela. Ela costumava me deixar feliz quando eu era pequeno. O cheiro de suas panquecas fazia com que eu me sentisse seguro. Saber que meu lho ia ter uma mãe como aquela encheu meus olhos de lágrimas. Ele teria o que eu não tive. Algo que eu apenas provara.

– O que foi que eu disse? – perguntou Demi, fazendo uma pausa ao perceber as lágrimas que eu não consegui controlar. Caramba.

– Eu só estava pensando que meu lho vai ter a mãe que eu nunca tive. Sua mãe foi tão especial que sua lembrança ficou comigo – admiti.

Os olhos de Demi se encheram de lágrimas, e ela segurou meu rosto e me beijou. Seus

lábios macios se abriram e sua língua entrou faminta na minha boca. Ali mesmo, na frente de todo mundo. Não era típico dela, mas eu aceitei. Comecei a beijá-la com a mesma intensidade, então ela se afastou o suficiente para que pudesse olhar para mim. Ainda segurava meu rosto entre as mãos.

– Eu amo você, Joe Jonas. Você vai ser o melhor marido e o melhor pai do mundo. Um dia, a esposa do nosso lho vai agradecer por o marido ter você como modelo. Ela terá sorte por sua causa. Porque você terá criado nosso lho para ser o homem que você é. Ele vai amá-la completamente, porque vai saber como. – Ela engasgou num soluço e apertou os lábios nos meus de novo, e eu a aninhei em meus braços e me deliciei em tê-la tão determinada em me assegurar que eu era um bom homem. Nada na vida era tão precioso como aquela mulher. Jamais seria. Eu havia encontrado a felicidade.