6.12.14

A Historia De Joe e Demi - Capitulo 3


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- Joe, ouça, por favor. - Demi começou a falar suavemente, tentando acalmá-lo ou quem sabe ate distraí-lo, não entendia realmente qual a sua intenção naquele momento. - Eu não sei o que está se passando com você ou o porquê de você simplesmente achar que pode agir como o meu irmão mais velho, mas como o Kevin é apenas o irmão mais velho de Selena, então decidi passar a noite com ela e...

Ele a cortou com aquela sua voz afiada e com as suas mãos lhe apertando o pulso cada vez mais forte. 

- Você passará a noite inteira com ela? Na casa do Kevin?

- Sim.

- Não, de forma alguma isso irá acontecer.

A cabeça de Demi estava começando a girar. – Como assim?

- Você não pode passar a noite com ela.

 - O que há de errado com você? Claro que irei passar a noite com ela.

 - Não está acontecendo nada comigo, princesa.

 Demi sentiu uma pontada de raiva incendiar-se dentro dela e o momento exato em que ela se misturou com uma grande onda de pânico.

 Ela sempre se sentia assim quando Joe estava próximo, só que recentemente a sensação era quase insuportável quando ele a chamava de "princesa". 

 Tentando suprimir o prazer e se concentrar apenas na sua raiva, estreitou os olhos para ele e falou. – Então me diga o porquê de tudo isso, Joe Jonas.

 - Você não entendeu ainda que o Kevin não é confiável?

 - Como assim não é confiável? Pensei que vocês fossem amigos? Selena já me contou varias vezes que você frequenta a casa constantemente.

 Será que ele estava com ciúmes? Sério? Como isso poderia ser? E se não fosse isso qual seria a outra razão para estar agindo daquela forma? Joe Jonas ciumento? 

 Inacreditável... Surpreendente... E totalmente, totalmente, inacreditável.

 - Esteve falando de mim com a sua irmã mais nova, não é mesmo? Sim, Kevin e eu somos amigos, na verdade, precisamos ficar amigos. Então, você precisa entender que o seu tempo de menina com Selena precisa acontecer apenas na sua casa e jamais na dela.

 - Selena passa várias noites na minha casa também, portanto não vou deixar de ir até a casa dela, por que... Porque mesmo? Ah, lembrei... Você acha que seu irmão pode olhar para mim da forma errada?

 - Confie em mim. O cara quer fazer mais do que apenas olhar para você e isso eu lhe prometo.

 - Você é louco. - Mesmo quando disse aquelas palavras, os olhares aquecidos de Kevin lhe repassaram pela sua memória mais uma vez, mas isso não queria dizer que era motivo suficiente para não continuar indo ate a casa de Selena novamente. 

 Joe estava louco se achava que seguiria este caminho determinado por ele.

 - Eu louco?

 - Kevin fugiu com aquela garota líder de torcida assim que a viu, nos deixando largadas na porta da frente o mais rápido que pode. Então tenho a certeza que ele não quer estar em torno de Selena ou de mim em nenhum lugar.

 - Isso é só porque ele é um tarado... - Joe parou de falar abruptamente, pois havia dito algo que não queria compartilhar com Demi.

 Ela não precisava saber que Kevin estava transando com Kayla a cada chance que tinha. E só porque seu amigo tinha uma "namorada com benefícios" no seu relacionamento com aquela chefe de torcida, não queria dizer que o babaca não iria tentar colocar as suas asinhas de fora com a Demi também. 

 Joe estava suficientemente familiarizado com método de operação de Kevin, para saber que ele tentaria entrar nas calças de Demi na primeira oportunidade. 

 E essa merda não ia acontecer.

 Droga, essa situação toda estava virando uma grande merda. 

 Mesmo agora, os olhos de Demi estavam enormes, ela apenas o olhava com uma pergunta irradiando dela. Ela seria a melhor na vida de qualquer cara. Sabia disso e lembraria para sempre que ela era uma garota que apenas uma semana atrás nem sabia como beijar. 

 Será que ela se lembrava de como era? Ou será que ele teria que lhe ensinar tudo de novo? 

 Ele tomou algumas respirações a fim de se estabilizar antes de continuar. 

 - Demi, vamos esquecer isso, por hora, irei te levar para casa, agora.

 - Casa... Como assim... Não irei de forma alguma para casa! Vou passar a noite toda do lado da Selena. Afinal os seus pais estão fora da cidade...

- Seus pais não estão em casa?- Sua voz tornou-se ainda mais dura e implacável. – Isso está cada vez pior, princesa. Você tem que ir agora mesmo para a sua casa.

- Você tem alguma ideia da forma como é o meu toque de recolher? Meus pais são simplesmente ridículos! Jamais terei uma chance como esta novamente na minha vida! Além disso, não posso deixar Selena aqui sozinha, pois prometemos que não abandonaríamos uma a outra... Agora, preciso entrar e encontrá-la.

Ele balançou a cabeça ao mesmo tempo em que afastava mais um pouco as suas pernas bloqueando a sua passagem e a olhava irredutível.

- Você não precisa ficar e também este não é lugar para você.

- Por quê? Porque não me encaixo? Ou porque a Rebecca está dentro daquela casa? - Demi perguntou, não sendo capaz de afastar o sinal de dor em sua voz devido aquela rejeição.

- Não, não que eu saiba. Mas mesmo que estivesse não mudaria em nada a minha opinião. - Seus dedos se afrouxaram apenas o suficiente para lhe permitir iniciar uma caricia sobre a pele do seu pulso. 

Demi sentiu a mudança nele tudo de uma vez, sentiu quando ele lentamente começou a se aproximar dela, fazendo tropeçar sobre ele, para em seguida seu torso ficar apoiado no dele, enquanto lançava seus braços em torno dela. 

Seus traços tensos se afrouxaram um pouco enquanto os seus dedos lhe acariciava a espinha. 

- Você não é velha o suficiente para ficar lá dentro, também há a questão das bebidas... Cigarros e outras coisas que você não precisa ter conhecimento neste momento da sua vida.

Suas palavras saiam dos seus lábios e giravam em torno da sua orelha direto para o seu interior, o que fez com que Demi começasse a derreter.

Borboletas decolaram em seu estômago quando os lábios de Joe tocou levemente o lado do seu rosto, lhe acariciando a pele suavemente e apesar de não fazer mais nenhum movimento para aprofundar o abraço, quanto mais o tempo passava, mais as suas pernas tremiam. 

Ela queria ir para dentro daquela festa, mas também queria desesperadamente ficar aqui fora com Joe o maior tempo possível.

Demi sentia-se puxada em duas direções diferentes, mas sabia no fundo do seu coração que deveria estar brava com ele, na verdade, deveria estar com raiva e andando para longe dele ao mesmo tempo lhe dizendo que não tinha o direito de dizer a ela o que fazer. 

Mas ela não estava brava com ele e não conseguia nem fingir que queria certa distancia dele. 

Tudo o que podia sentir era uma pequena emoção por ele ainda estar aqui com ela, e que depois de apenas um beijo na outra noite, por sinal uma noite muito incrível, ele ainda parecia querer ficar próximo a ela e ainda por cima, se achava no direito de dizer a ela o que fazer. 

Apesar de ser errado da parte dele pensar dessa forma, era ainda mais errado da parte dela gostar e permitir isso, mas sinceramente ela não se importava e tudo o que queria era que ele a abraçasse por toda a noite. 

Talvez ele estivesse errado à seu respeito, talvez fosse completamente superficial ou míope, mas por Deus, neste momento da sua vida a única coisa que martelava na sua cabeça e coração era que morreria uma garota feliz se pudesse ter os braços de Joe Jonas naquele momento sobre ela.

Mas o momento passou e ela começou a sentir novamente aqueles músculos tensos contra o dela. Então teve que quebrar o silêncio.

- Como... Como você sabe que não vi tudo isso antes?

Seus lábios se moveram para os dela e ele a beijou levemente, o que foi o suficiente para realizar várias explosões dentro de sua cabeça. 

- E você já viu? - Ele perguntou suavemente.

- Não, mas...

- Então, apenas não quero que você conheça isso agora.

- Por que... - Demi engoliu em seco, para em seguida continuar com aquele questionamento, apesar de não ser uma pessoa beligerante, ela falava baixinho e queria muito saber a sua resposta. 

- Por que você se importa tanto comigo? Por que do nada começou a me dizer o que tenho ou não que fazer? Saiba que há bastante gente me dizendo o que eu posso e não posso fazer, já tem a minha mãe, o meu pai, o meu irmão Zachary...

- Mas eles não estão aqui agora, não é?

- Não, mas...

- E alguém precisa cuidar de você princesa, e como sou o seu vizinho do lado.

- Meu vizinho. - Disse ela sem rodeios. – E essa é única razão para tanta preocupação?

Ele a estudou atentamente. - É a única razão que irei admitir no momento.

Se Joe não queria falar sobre isso, então iria deixar passar isso por enquanto, mas ela ainda queria muito ir para aquela festa. 

- E se... E se você me levar lá para dentro? E se a gente ficar juntos todo o tempo?

Assim, nada poderia acontecer comigo, certo?

- Nada pode acontecer com você enquanto estiver comigo... Mas, ainda assim, lá dentro você poderia ver algumas coisas... E não quero de forma alguma que você as presencie.

- Por favor, Joe.

Demi ficou chocada quando uma vibração baixa e aflitiva começou a vir de sua garganta, pois aquilo soava muito como um gemido de derrota, como se doesse nele profundamente ceder aquilo para ela.

- Se eu te levar lá para dentro comigo, você vai fazer apenas o que eu disser.

Compreende?

- Sim. 

Uma profunda onda de calor atravessou a sua barriga com aquela declaração. 

Oh. Meu. Deus. 

Será que ela gostava do fato dele ficar lhe dizendo o que fazer da sua vida? Será que isso era normal?

- Você vai ficar perto de mim o tempo todo, entendeu? Não pode ficar andando por lá sozinha. Vamos ficar apenas na sala de estar, sem sair de forma alguma para outro lugar.

- Tudo bem.

Ele virou a cabeça e começou a sacudi-la como se não concordasse com o que estava fazendo, mas mesmo assim, pegou a sua mão e começou a conduzi-la para a porta da frente. 

Demi estava num estado moderado de euforia enquanto seguia atrás dele, ao mesmo tempo em que se sentia espantada com o que estava acontecendo com ela.

Será que estava caminhando para uma festa de verdade?

Ela contava com pelo menos duas das pessoas dentro daquela casa como amigos (Kevin ainda contava como amigo certo?) e... E agora ela estava sendo levada para dentro por ninguém menos do que Joe Jonas, o cara que ela e todas as outras garotas do ensino médio na cidade de Redwood Falls queriam mais do que tudo nessa vida.

Nada no mundo poderia ser melhor do que isso.

A casa estava cheia a ponto de transbordar, ou pelo menos a sala de estar estava neste estado. Demi continuava ao lado de Joe, com a sua mão dentro daquele aperto possessivo, olhando apreensiva para todas aquelas pessoas ocupando qualquer espaço disponível existente. Ela notou que as pessoas olhavam de volta para eles descaradamente, quando um pensamento correu pela sua espinha como lava derretida, aquelas pessoas já tinham fofocado antes sobre eles e o que seria de agora em diante, já que neste momento Joe estava em pé na frente dela com os seus dedos atados aos dela?

Um barril estava ao lado da mesa da sala de jantar adjacente e copos vermelhos cheios de cerveja estavam sendo repassado e consumido o mais rápido possível, notou que havia vários casais se pegando ao mesmo tempo e para a sua grande surpresa ela viu dois caras juntos, que ela nem mesmo havia percebido que eram gays.

 Quando ela olhou em volta, sentiu um rubor subir em seu rosto ao notar o que um casal fazia num dos cantos da sala, ao mesmo tempo em que sentia as mãos de Joe se apertaram ao redor dela. Quando olhou para cima, o viu franzindo a testa enquanto olhava para a mesma direção, mudou um pouco a posição do seu corpo ao redor dela e Demi sabia que ele estava tentando bloquear aquela visão. 

 Demi começou a procurar por Selena, mas não à via em qualquer lugar próximo a eles.

 - Quem é esta que está com você, Jonas? – Uma voz grave e masculina veio do outro lado da sala e Demi automaticamente reconheceu Jesse Whitaker, ele trabalhava meio período para o seu pai por algumas semanas, apesar de não o conhecer pessoalmente, ela o viu ao redor de sua casa algumas vezes e sabia que estava no time de futebol.

 - Ninguém que você precisa se preocupar.  

 Demi sentiu o empurrão do braço de Joe quando ele se virou e seguiu na direção oposta, puxando-a com ele.

 Jesse não capturou a dica e os seguiu para o corredor que levava para longe da sala de estar. 

 - Ah... A Miss Lovato. O que a traz para fora da fazenda para se socializar com a ralé?

 Involuntariamente a mão de Demi apertou a de Joe assim que sentiu o inconfundível desprezo na voz de Jesse. 

 - Nada. - Ela se voltou na sua direção tão levemente, enquanto se agarrava a Joe.

 Os músculos de Joe se endureceram ao seu lado, ao mesmo tempo em que mostrava toda a sua estatura e sussurrava. - Deixe-a em paz.

 - Eu não estou fazendo nada com ela. - Jesse reagiu.

 Joe mostrou todos os seus dentes derramando antagonismo na sua forma mais pura quando rosnou novamente. - Basta deixá-la em paz.

 Demi respirou aquela aura de ameaça de repente em torno dela e apesar de já ter ouvido aquelas palavras antes, é claro, afinal as ouvia o tempo todo, ate mesmo Selena a usava direto, mas era a primeira vez que ela ouvia Joe dizê-las e não só tinha empregado simplesmente aquela sentença, mas seu tom de voz estava cheio de acusação e ameaça.

 Jesse olhou para longe dela e estreitou os olhos em Joe. – Que se foda, não dou a mínima para ela de qualquer maneira, agora me diga onde está a sua prima?

 Com essa pergunta, Joe pareceu se perder completamente pela primeira vez, ele soltou Demi quando foi para cima de Jesse tão rápido quanto uma impressionante cascavel. Joe agarrou a jaqueta de Jesse e a segurou em seu aperto feroz, puxando o material em seus punhos. 

 - Não se preocupe com a minha prima e deixe a Miley em paz, me entendeu? Se você machucá-la novamente, se você sequer chegar perto dela de novo, se você sequer falar mais uma vez o nome dela, eu vou te matar, seu grande filho da puta, entendeu?

 Demi ficou num silêncio congelado enquanto Joe sacudia Jesse, para logo em seguida o empurrar contra a parede. 

 - Talvez eu o mate agora. Como você quer morrer, Whitaker? Você quer que eu corte suas malditas bolas fora e as empurre garganta a baixo até se engasgar com elas, seu covarde? Não, isso jamais iria matá-lo, porque você não tem bolas, não é mesmo seu covarde?

 Jesse engasgava a procura de ar e Demi estava muito angustiada com aquela briga para fazer mais do que avançar para longe daqueles dois sem ser notada. 

 Joe empurrou Jesse contra a parede novamente, forçando a parte de trás de sua cabeça contra ela com um baque alto e depois recuando um pouco, mas apenas para lhe dar mais um aviso. 

 - É melhor você estar sempre se preocupando comigo, pois quando menos esperar, quando não tiver ninguém ao seu redor, eu vou estar lá e vou fazer você comer as suas malditas bolas, mas primeiro vou bater em você e tenha certeza que irá sangrar muito seu filho da puta. Confie em mim quando eu digo que será melhor andar olhando por cima do ombro, porque esse dia vai chegar.

 Demi ficou muda enquanto Joe parecia se transformar em uma pessoa diferente, seu liso e profundo sotaque sulista se tornando cheio de gírias coloquial devido a sua fúria, seus olhos brilhando com ódio e sua voz sibilante numa nota grossa e gutural.

 O rosto de Jesse estava branco de terror e Demi sabia que seu rosto estava pálido também. E pela primeira vez, quando Joe lhe agarrou novamente pelo pulso e começou a levá-la para fora de novo, sentiu uma flecha real de medo. 

 Será que deveria sair com ele naquele estado? Prezado Senhor, o que tinha feito Jesse para merecer isso? É isso o que você ganha quando deixa Joe Jonas chateado?

 Joe lutava arduamente contra demônios dentro de si. Ele desprezava Jesse Whitaker, para ser bem sincero, odiava com cada fibra do seu corpo aquele ser e estava lutando contra todos os ditames martelando dentro dele para não colocar tudo para fora agora. E isso não era tudo o que estava lhe rasgando por dentro. Ele sabia que não deveria ter levado Demi para dentro daquela casa e se soubesse que o Jesse estava lá dentro, jamais teria aceitado seu pedido, pois quando viu o sangue fugir do seu rosto, quando viu o medo que ficou evidente em seus olhos, soube que tinha fodido... E fodido grandiosamente tudo. E depois ainda por cima, ela começou a se afastar dele como se ele fosse o diabo encarnado, porém naquele momento tudo o que pôde pensar em fazer para consertar as coisas, era levá-la para fora e longe de Jesse e todas as outras tretas que estava acontecendo lá dentro. 

 Longe de tudo o que havia naquele lugar para se ver.

 Joe a puxou até o fim da fila de veículos estacionados e pela segunda vez em uma questão de semanas, Demi encontrou-se com as costas contra a porta do passageiro de seu caminhão enquanto seus braços a enjaulavam, a sua cabeça caiu sobre seu ombro e ele começou a tomar respirações profundas, arrastando oxigênio para seus pulmões como forma de se acalmar.

 Com dedos trêmulos Demi estendeu a sua mão e lentamente colocou os braços ao redor dele, segurando-o levemente, apenas o suficiente para mostrar a ele que estava lá e se precisasse dela estava à disposição, mas por dentro estava tremendo, sem saber se deveria ficar ali em seus braços ou gritando ameaças para fora e tentando se afastar dele.

 Depois de alguns instantes de silêncio encontrou a sua coragem e calmamente lhe perguntou. - O que ele fez com ela?

 Joe soltou um suspiro angustiado. - Você não vai querer ouvir isso.

 - Ele terminou com ela sem motivos? Será que ele quebrou o coração de Miley? - Demi não tinha conhecimento que os dois estavam namorando. Ela pensava que Miley Jonas estava saindo com outro cara há dois anos ou algo assim.

 - Não. Apenas esqueça isso.

 - Jesse me parecia uma boa pessoa e eu pensei...

 Joe cortou as palavras de Demi e seu processo de pensamento quando sua cabeça se ergueu e suas mãos se fundaram em seu couro cabeludo, levantando o seu rosto para ele, toda a sua gentileza havia desaparecido. 

 - Ele não é uma boa pessoa, agora apenas me escute e ouça bem. - Ele balançou a cabeça apenas uma vez, mas foi o suficiente para drenar o sangue de seu rosto quando ela percebeu o quão sério ele falava. - Fique longe dele. Muito longe, entendeu? Eu sei que disse isso anteriormente sobre Kevin não ser digno de confiança. - Ele respirou fundo e continuou. - Isso era apenas... Eu acho que... Meu ciúme vomitando fora, pois o Kevin joga rápido e não quero você perto dele, apesar de ter a certeza que ele jamais a machucaria intencionalmente. Mas Demi... - Seu aperto se intensificou e uma onda de choque sangrou por suas veias devido aquele seu olhar de intensidade. - Fique longe de Jesse Whitaker... Ele é mais perigoso do que eu... Não consigo enfatizar o suficiente... O cara é... Eu não posso lhe dizer o que ele fez com a minha prima, porque jurei segredo a ela, mas irei contar a você apenas o básico da historia. Ele gosta de machucar as meninas e eu... Vou o ver ser pêgo e punido por isso, um dia... Mas você precisa ficar bem longe dele...Se você vê-lo... Você precisa correr na direção oposta, entendeu?

 Demi não conseguia falar, mas balançou a cabeça. Apenas o pensamento do que Miley poderia ter passado foi o suficiente para encher os seus olhos de lágrimas, mesmo não conhecendo a menina mais velha muito bem. Mas Demi sabia de uma coisa. Miley nunca tinha sido má com ela, sempre havia falado com ela quando a via e era uma das poucas meninas na escola que a tratavam como outro ser humano decente faria.

 E agora Demi não estava mais sentindo medo de Joe. Ela compreendia o porquê dele ter feito e dito todas aquelas coisas para o Jesse. 

 E não só isso, a sua confissão forçada que estava com ciúmes de Kevin havia lhe enviado correntes loucas através de seu sangue, mas ainda assim, Demi estava hesitante em dizer à Joe o que precisava, então decidiu apenas cuspir para fora antes que seu medo a deixasse muda. 

 - Você já sabe que ele está trabalhando na fazenda?

 O rosto de Joe empalideceu de imediato. – No Bar M?

 - Sim.

 Joe começou a sacudir a cabeça para trás e para frente e Demi percebeu que ela tinha acabado de perturbá-lo ainda mais com essa informação. 

 Ele continuou a olhar diretamente em seus olhos, mas Demi tinha a sensação de que ele não a via, enxergava apenas um problema enorme que não sabia como lidar. E teve a certeza quando ele murmurou baixinho.

 - Vou ter que falar com o seu pai.

 Joe estava completamente rasgado em dois. Nunca em um milhão, melhor num bilhões de anos esperava reagir a Demi Lovato do jeito que havia feito na última semana. Era verdade que ele não a  tinha visto por um par de anos e que isso sem dúvida era a razão para este seu comportamento... A situação agora era outra e ele estava sendo levado pela tempestade. 

 Ela mudou muito desde que a viu. Ela era tão linda... E tão, mas tão doce. 

 Mas a relação, por falta de uma palavra melhor, entre sua família e a dela era totalmente hostil e tinha certeza que Demi não tinha a menor ideia do que estava acontecendo ao seu redor.

 Ela provavelmente não tinha uma maldita ideia de quão baixo era a sua vida, com um pai bêbado que estava dormindo com a esposa de seu irmão. 

 Joe sabia que Zachary Lovato era cerca de sete ou oito anos mais velho que a sua esposa Cindy, que deveria estar na casa dos trinta anos e que Cindy Lovato e a porra do seu pai estavam transando com todas as chances, ate mesmo porque eles não estavam sendo cuidadosos sobre isso, já haviam sido vistos juntos na cidade e é claro que toda a comunidade ficaria do lado dos Lovato, que eram mais ricos do que todos os outros juntos e acabariam culpando todos os Jonas desprezíveis por manchar a honra do Sr. Zachary Lovato.

 Mas a situação de emprego de Jesse Whitaker, no “Bar M” do rancho Lovato não poderia continuar. Não se Joe pudesse mudar esta situação. 

 E como diabos ele deveria falar com o padrasto de Demi? O que ele deveria dizer? O que poderia ele dizer? Joe estava sobre um juramento de segredo para com Miley. Então, como você explicar a um homem que já está predisposto a animosidade com você que a sua escolha de empregado está errada e que Joe não podia permitir que isso continuasse?

 De repente, Joe não estava mais tão chateado que Demi passaria a noite com os Gomez, depois de tudo. Porque ele sabia, com uma sensação de afundamento em seu estômago que não poderia deixar isso de lado, que não podia permitir que Demi estivesse na fazenda com Jesse em qualquer lugar em sua vizinhança, isso não era seguro e não podia permiti-lo. Isso significava que no minuto em que estivesse em casa novamente, o que seria amanhã, teria que falar com o seu pai.

 Joe colocou as suas mãos em seus ombros. - Demi terei que falar com o seu padrasto sobre Jesse, ok? - Joe estava vagamente consciente de que preferia pensar no Sr. Lovato como sendo apenas o seu padrasto em vez de seu verdadeiro pai, isso fazia com que ela parecesse um pouco acessível para ele, mesmo sabendo que não era verdade. Se não pelo sangue, então, certamente, pelo casamento, Demi era a princesa Lovato, e, portanto, fora do alcance de alguém como Joe para sempre. 

 Os Lovato tinham petróleo e uma terra muito rica, muito bem cuidada e próspera e em comparação com a família Jonas, que mal ganhava a vida a partir de sua fazenda, os Lovato eram quase como a realeza no município. Então, quando você adicionasse o fato de que Joe era um filho abusado e ainda por cima abandonado por Chris Jonas, que basicamente vivia da caridade de David Jonas, as diferenças entre Joe e Demi eram ainda mais díspares.

 Quando todos esses pensamentos passavam por sua cabeça, sentia os ombros leves de Demi tremendo sob suas mãos. Ela era tão jovem, tão malditamente jovem, totalmente séria, apenas lhe olhando de acordo.

 - Vamos falar sobre isso amanhã de manhã, ok? - Ele disse a ela.

 Ela assentiu com a cabeça. - Ok, eu sei que meu pai é muito ocupado, mas tenho certeza que não vai ser um...

 - Demi!

 Tanto Demi quanto Joe se viraram quando ouviram o nome de Demi gritado do outro lado do pátio. 

 Joe observou quando Selena marchou propositadamente em sua direção com os braços cruzados sobre o peito, com Nick pisando em seus calcanhares. Deslizando por trás de Demi, a puxou de volta contra o seu peito e ergueu as mãos em seus ombros, recusando-se a deixá-la ir, enquanto esperavam os outros dois se juntarem a eles.

 - Kevin simplesmente nos abandonou. - Selena anunciou a Demi num tom ofendido, depois parou e olhou para onde as mãos de Joe estavam segurando os ombros de Demi e levantou uma sobrancelha em sua direção. - Ei, Joe.

 - Selena. Será que você sempre vira as costas para Demi como fez na semana passada?

 Demi engasgou quando ele fez essa pergunta, mas Joe não se importou, pois se Selena queria ser amiga de Demi, precisava aprender a ser uma amiga de verdade.

 - Eu já pedi desculpas a ela por aquilo, não foi Demi? E isso foi há uma semana, Joe, caramba. - Selena disse.

 - Do que diabos vocês estão falando? - Nick perguntou, com a sua expressão já puta se fechando ainda mais.

 - Nada... Não é nada. - Disse Demi.

 Selena caminhou para o lado de Demi com um movimento que gritava um pedido de solidariedade e olhou para os dois caras que eram os melhores amigos de seu irmão. 

 - Kevin nos trocou pela Kayla e precisamos de uma carona para casa.

 As botas de Nick chutaram a poeira enquanto ele invadia o espaço de Selena novamente, enquanto Joe assistia tudo do lado de fora, afinal ele nunca havia visto Nick dar a irmãzinha de Kevin tanta atenção, de modo que isso era algo muito novo. 

 - Eu disse que ia levar vocês para casa, caramba. - Nick assobiou as palavras enquanto estendia a mão e cobria o braço de Selena com aquele seu punho forte, mas ela apenas deu um encolher de ombros para ele.

 Joe percebeu que este era um momento tão bom quanto qualquer outro para deixar as suas intenções conhecidas e claras para Nick. 

 - Pode deixar que as levo, ate mesmo porque irei ficar a noite toda por lá, de qualquer maneira.

 Todos os três pares de olhos voltaram para Joe quando ele disse isso, mas não foi uma das meninas que começou a protestar. 

 - Cavalheiro você, hein? - Nick falou em desacordo e com muita raiva.

 - Sim, sou muito cavalheiro, mas a verdade e que Kevin vai estar em casa em uma hora ou duas e seus pais não estão em casa. Eles estão fora da cidade. Você sabia disso, cara? Demi não pode ficar sob o mesmo teto com Kevin, sem seus pais estarem lá para controlar aquele filho da puta... Controlar aquele seu tesão... Isso não vai acontecer e também porque não confio nele. Ele pode ate estar com Kayla agora, mas ele vai ter que voltar para casa mais cedo ou mais tarde e você pode apostar que estarei lá quando ele chegar.

 - Então vou ficar lá também, pois não confio nessa sua bunda gorda em torno de Selena.

- Nick rosnou.

 Joe olhou para o amigo. - Eu não estou interessado em Selena, então você não tem com que se preocupar. - Joe se virou para Selena. - Sem ofensa.

 Ela revirou os olhos para ele. - Nenhuma.

 Joe olhou para trás, na direção de Nick novamente. - O que está rolando entre vocês dois, afinal?

 - Nada! - Selena e Nick gritaram simultaneamente.

 Joe estava se divertindo enquanto observava o seu amigo, pois daria para servir a bunda de Nick numa bandeja se ele ficasse preso à irmã mais nova de Kevin e com certeza Kevin iria arrancá-la fora quando descobrisse isso, apenas esperava que pudesse estar lá quando essa merda viesse à tona. 

 - Então, está combinado, vamos fazer uma boa e grande festa do pijama. Vamos, estamos perdendo tempo.

 Joe virou-se, manobrando Demi com ele e quando Selena começou a segui-los, Nick a agarrou pelo pulso e disse.

 - Você vem comigo. – E começou a puxá-la para longe ao mesmo tempo em que falava para Joe. - Nós encontraremos vocês lá.

 Joe puxou Demi de volta para o lado do motorista e abriu a porta do caminhão. Ela parou por um momento, como se estivesse perdida e ele finalmente teve pena de sua confusão e disse.

 - Vamos, eles estão nos esperando.

 Quando Demi se arrastou até a caminhonete de Joe tentou subir sozinha no banco do passageiro, mas com a sua mão presa por ele, parou quando estava apenas metade do caminho e no meio do banco. 

 - Assim é o suficiente.

 Quando Joe começou a amarrar o cinto de segurança no colo de Demi, ela tentou respirar uniformemente e desanuviar o seu cérebro, o que parecia ser completamente impossível. Ela nunca havia estado com um cara sozinho dentro de um carro antes, porque seus pais eram da Idade da Pedra, viviam num mundo habitado por dinossauro onde as meninas não podiam nada, até que tivessem dezesseis anos. E goste ou não, Demi teve que cumprir com todos os seus ditames. Então, quando Joe não a tinha ajudado a ir ate o lado do passageiro do caminhão, havia ficado um pouco confusa e agora, quando estava sentada ao lado dele, no meio do caminhão, ficou se indagando se isso era a normal. Não que eles estivessem num encontro, é claro, porque eles não estavam, mas isso era o mais próximo que ela já tinha estado.

 Eles já haviam se abraçado bastante esta noite e uma pequena voz insidiosa dentro de sua cabeça estava esperando, rezando e imaginando que eles provavelmente se beijariam de novo antes que a noite terminasse. 

 Uma noite especial, evidentemente que iriam passar juntos na mesma casa e sem qualquer supervisão de um adulto. 

 O máximo dos máximos! 

 Ela estava tão tensa que mal conseguia ficar parada, sem inquietações ou tremores a lhe percorrer o corpo e enquanto Joe dirigia para a casa dos Gomez, com o brilho dos faróis de Nick atrás deles, ela não lhe disse nada, porque ele estava silencioso e não queria dizer nada que pudesse fazê-la parecer mais jovem ou uma tola para ele.

 Joe estacionou o caminhão na rua e em seguida, pulou e estendeu a mão para ela. Enquanto esperavam na varanda da frente por Nick e Selena, que ainda estavam entrando na garagem, Joe pegou o seu telefone e Demi sorrateiramente ouviu, parada ao seu lado, uma conversa muito curta. 

 - Tia Di, eu não irei para casa esta noite. - Uma pausa. – Ficarei na casa dos Gomez com Kevin e Nick. - Outra pausa. – Irei... Eu também... Até amanhã.

  Demi ficou impressionada, talvez até um pouco intimidada por Joe não tentar esconder a conversa que estava tendo com sua tia. Ele era tão autoconfiante e apesar das suas palavras firmes e confiantes, ela sabia que ele se importava de verdade não só com ela, mas com todo mundo e sabia que ele estava apenas tranquilizando com aquela sua ligação à mulher mais velha.

 Quando ele empurrou o telefone de volta no bolso, se moveram para o lado enquanto Selena destrancou a porta da frente. Selena e Nick caminharam para dentro seguidos por Demi, enquanto Joe segurava a porta aberta para ela. Já havia passado muito de uma da manhã e Joe falou a todos com a voz alta, enquanto se afundava no sofá, na sala de estar.

 - Eu fico no sofá.

 Demi estava no meio da sala de estar quando ouviu a porta bater atrás de Selena, que estava no banheiro. Nick se arrastou atrás do seu amigo, esperando Selena sair, de pé no corredor nas imediações dos quartos. Ela olhou para Joe, que estava recostado casualmente no centro do sofá com as pernas abertas, como se fosse o rei de tudo o que havia no mundo enquanto olhava para ela atentamente. 

 Quando ela ficou indecisa no centro da sala, Joe começou a dar tapinhas no lugar ao lado dele no sofá.

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AQUI ESTÁ ♥ vcs comentaram bastante <3 Aparentemente tds os capítulos serão grandões! Agr vou indo! Comentem mais pra quando eu voltar eu posto outro ;) Beijos, amo vcs ♥
Bruna.

A Historia De Joe e Demi - Capitulo 2


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   - Quinze anos. - Demi respondeu a Joe, através de um sussurro.

 Ele se empurrou contra ela mais uma vez, pois mesmo esperando que a resposta fosse aquela, ele ainda podia sentir como um golpe no seu corpo.

 - Uma estudante do segundo ano?

 - Sim.

 Joe sabia que se ele fosse qualquer outra pessoa, provavelmente seria bom começar algo com ela. Sua consciência não o deixaria estragar uma menina tão jovem, mas se fosse qualquer outra pessoa, além do filho de seu pai, ele provavelmente poderia namorá-la. Inferno, o maldito quarterback do time de futebol estava no último ano e namorando uma das líderes de torcida calouras. Então, Joe com certeza deveria ser capaz de namorar uma estudante do segundo ano, se quisesse.

 Mas ele não seria capaz de namorar com ela e não haveria no inferno a porra de uma chance. Não com Jonas sendo o seu último nome. Não com o xerife sabendo exatamente que seu pai era a pior escória da cidade. 

 Seu pai era um caloteiro que ainda morava na fazenda da família, mas longe o suficiente, numa das dependências que Joe nunca tinha que ir vê-lo. Ele era um homem muito ocupado, estava sempre bêbado e dormindo com as esposas de outros homens para perceber que tinha um filho crescendo rapidamente e indo para a idade adulta e que este vivia nem mesmo metade de uma milha de distância.

 Joe disse a si mesmo que ele não se importava com o que seu pai fazia. Ele não se importava e tinha uma maldita certeza que não sentiria mais medo de ficar na presença daquele homem. 

 Aos dezoito anos, Joe era grande o suficiente agora para enfrentar o homem mais velho se ele ousasse levantar a mão para ele novamente. O filho da puta sabia melhor do que ninguém este fato. Seu pai, Chris Jonas, podia ser a escória, mas era inteligente o suficiente para saber que Joe podia cuidar de si mesmo nos dias de hoje. 

 Joe era alto, magro e forte, e ele não iria aturar desaforo de ninguém, nunca mais.

 Mas, apesar de toda a cidade saber que Joe vivia com a sua tia e o seu tio agora, isso não mudava o fato de que aos olhos de algumas pessoas ele ainda era filho de seu pai. E Joe sabia que ele não seria capaz de iniciar um namoro com uma menina de quinze anos de idade. 

 Especialmente Demi Lovato, que vinha da família mais rica e mais influente no município.

 Ele não estava nem um pouco feliz com isso e sabia que no seu rosto refletia o ressentimento da situação e enquanto continuava a lhe estudar em silêncio, ela disse.

 - Mas farei dezesseis em algumas semanas. - Havia uma pergunta esperançosa na sua voz que Joe não poderia deixar de perceber.

 - Merda. - Frustração pura não adulterou a dor atada as suas palavras e seus olhos procuraram os dela. - Eu já tenho dezoito anos, sou um sênior.

 Demi estudou aquelas emoções inumeráveis que passavam pelo rosto de Joe e tentou lhe responder da melhor forma. – Eu... Eu meio que percebi isso sozinha. 

 A voz dela estava trêmula e ele continuava a não lhe dar qualquer espaço. Não que ela realmente quisesse se afastar dele. Ela não se importava por que ele a beijou antes e naquele momento só queria que isso acontecesse novamente. 

 Mais uma vez.

 Seu corpo pressionou o dela mais uma vez, mas dessa vez mais duro, então Demi pensou por um momento que estava indo realizar o seu desejo.

 Ela conteve o seu fôlego quando sentiu a sua ereção contra ela. Ela ficou primorosamente e sedutoramente atordoada quando a reconheceu e sentiu que o seu olhar permanecia colado ao seu, como esperando este momento. 

 Suas mãos se emaranharam mais plenamente em seu cabelo e os seus dedos a agarraram ainda com força enquanto ele abria a boca para falar, mas para logo em seguida, fechá-la quando uma expressão de derrota cruzou o seu rosto. 

 Ele respirou fundo e finalmente falou. - Eu não posso ter você, pois é muito jovem para mim. Única e pura. E de jeito nenhum isso vai acontecer entre nós. - Suas palavras eram baixas, sua voz vibrava com tanta raiva que acabou soando como uma grande frustração.

 Ela sentiu o impacto de suas palavras no seu coração e cabeça, como ondas de decepção. Finalmente, em seu contínuo silêncio, empurrou o queixo para cima e seus olhos brilharam com conhecimento de causa. 

 - Quem você está tentando convencer? Você? Ou a mim? - Ela corajosamente jogou para fora o seu desafio, enquanto tremia suavemente.

 Joe estava atordoado pela intensidade daquele seu olhar, do cheiro dela em suas narinas e todos os pontos que levava naquele momento a razão deixar de existir no seu cérebro. Seu corpo bombeou contra o dela novamente e ele segurou firmemente sua carne enquanto rosnava.

 - A mim. Estou tentando me convencer.

 E então abaixou a cabeça, mas acabou cometendo um erro simples, pois o beijo que deu era muito carnal, de forma demasiada para Demi processar e percebeu isso quando ela se endureceu contra ele.

 Choque sangrou pelas veias de Demi, pois os sentimentos que a estavam inundando naquele instante eram novos, de vários tipos e de uma única vez, e como queria absorver ainda mais, se empurrou contra ele e sentiu quando o seu aperto se tornou mais possessivo por alguns segundos e quando ele rosnou baixo em sua garganta, mas antes que tivesse tempo para se decidir se deveria ficar com medo ou se aprofundar ainda mais naquele beijo, ele expulsou um silvo, a soltou e se afastou dela bruscamente.

 Joe quebrou todo o contato com seu corpo quando levantou as mãos para cima, palmas das mãos voltadas para fora, numa posição que tentou transmitir que ele não era uma ameaça. 

 - O que estamos fazendo aqui.

 Ele olhou ao redor do semi-iluminado estacionamento e sabia que ela ficaria a salvo, quando ele partisse. Havia apenas uma pessoa em toda a cidade, que poderia representar uma ameaça a ela e essa pessoa estava jogando no ataque no campo de futebol, neste exato momento. Então Joe sabia que ela ficaria de maneira mais segura sozinha aqui do que com ele. 

 Seu corpo estava amarrado e rígido pelos nós de frustração, mas seu pau já estava se rebelando com a idéia de encontrar uma substituta para a menina loura, pequena e requintada que ele não podia ter.

 Ele deu a volta para o outro lado do caminhão e disse. – Vejo você por aí, princesa.

 Demi sacudiu-se da inércia que controlava seu corpo. - Joe espera.

 Ele olhou para o capô do caminhão enquanto abriu a porta e esperou que ela continuasse.

 Demi hesitou apenas um segundo. – Obrigada... Pelo que você fez lá atrás. - Ela fez uma pausa, mas em seguida, finalizou com o que queria dizer. – Foi... Tão legal. Você... Você é um cara muito legal.

 Eles olharam um para o outro por um longo momento, fazendo com que fervesse o interior de Demi e iluminasse tudo a partir da intensidade de seu olhar.

 Joe rangeu os dentes e acenou para ela brevemente em reconhecimento de suas graças, dando-lhe um último olhar aquecido entrou no caminhão e foi embora.

****

 Demi ficou sob o brilho de um poste de luz e observou as luzes traseiras da caminhonete de Joe desaparecer. 

 Teria sido tudo um sonho? Será que Joe Jonas realmente a tinha beijado, como se sua própria vida dependesse disso?  

 Ela ficou ali de pé, talvez dois ou três minutos em transe até que ouviu Selena gritando o nome dela do outro lado do estacionamento. Demi se virou e começou a caminhar na direção da sua amiga, sua mente flutuando através de um branco felpudo, enquanto apenas conseguia colocar um pé na frente do outro.

 Quando se encontrava há cerca de vinte metros de distância, Demi viu imediatamente que Selena estava chorando. 

 - O que há de errado?

 - Eu sinto muito, por ter te deixado assim, Demi. Eu não deveria ter feito isso.

 O mundo de Demi ainda estava girando em torno de Joe Jonas e ela teve dificuldade para se concentrar em qualquer outra coisa, mas mesmo assim tentou dar a sua amiga toda a sua atenção. 

 - Está tudo bem e também não sou louca, agora me fale, será que as bruxas a dispensaram?

 - Sim. - Respondeu Selena entre uma fungada. - Eu me sinto mal pelo que fiz quando te deixei e no segundo que você saiu com Joe, elas me largaram. Foi horrível.

 Demi considerou brevemente algumas das muitas maneiras que Rebecca e suas amigas a tinham machucado no passado.  - Sim, bem, você tem que aprender a ignorá-las e não vale a pena perder o sono por causa delas, confie em mim.

 O olhar no rosto de sua amiga estava desolado. - Você ainda vai passar a noite comigo? - Selena perguntou.

  - Eu gostaria muito, afinal não era esse o plano?

 - Você é quase boa demais, Demi. Eu não mereço o seu perdão assim tão facilmente.

 Em qualquer outro momento, Demi poderia ter dito pelo menos algumas coisas para Selena sobre o que ela tinha feito, mas, neste momento, ela não poderia se importar menos com nada disso e por isso ela só balançou a cabeça e Selena perguntou.

 - O que aconteceu com Joe? Não posso acreditar no que aconteceu.

 - Ele me beijou.

 - Sim, eu sei. Todo mundo viu, mas o que aconteceu quando vocês deixaram todos ali?

 As garotas se viraram na outra direção e começaram a caminhar para a casa de Selena, que era apenas uma rua de distância da escola e campo de futebol.

 - Ele me beijou mais um pouco e depois me disse que sou muito jovem para ele.

 - De jeito nenhum. Isso é uma porcaria. Ele é apenas dois anos mais velho do que você.

 Demi pensou ter ouvido alguma coisa na voz de Selena, algo além da comiseração que estava lhe oferecendo, mas não conseguiu identificar o que era, de modo que abandonou aquele pensamento. 

 - Joe está fora do meu alcance e nós sabemos disso. Mas caramba, foi incrível!

 Selena parecia pensativa. - Eu não tenho tanta certeza de que ele está fora de seu alcance, Demi. Você deu uma boa olhada em si mesma desde que retirou o seu aparelho? Sério, sem ofensa, mas é quase como a história do patinho feio se transformando no belo cisne. Não que você fosse feia antes, não é isso que eu quis dizer. Merda, mas agora... Rebecca e sua banda de cadelas vão tornar sua vida um inferno, no entanto o Joe deveria ter pensado nisso antes de mijar sobre você, para em seguida, lhe jogar para os lobos.

 Demi demorou um pouco com a outra menina diante da porta dos fundos da casa de Selena. 

 - Eu não me importo com elas. Posso tomar qualquer abuso verbal que atirarem em mim e realmente acho que nenhuma delas seria capaz de fazer algo físico, não é verdade?

 - Se fizessem você ficaria toda cheia de hematomas.

 - Isso é verdade, afinal sou um zero a esquerda neste assunto de luta e espero nunca ter que aprender.

***

 Demi passou toda a semana seguinte à procura de Joe, mas ele era totalmente invisível. Ela disse a si mesma que tudo o que ela queria era dar uma espiada nele, para ver se sua memória estava lhe fazendo justiça. 

 Ele não podia ser tão impressionantemente quente como ela pensou que ele era na última sexta-feira à noite. Não havia nenhuma maneira... Que não podia ser... Não cara, realmente não poderia. 

 Os dias de aula eram tortuosos para ela, sabendo que eles estavam no mesmo edifício, mas tão distantes um do outro que nem sequer podia gerir um vislumbre dele. A escola era dividida em três alas, cada uma contendo um nível de grau diferente. É claro que a ala do segundo ano era o mais distante da ala sênior. Demi procurava no seu cérebro por qualquer desculpa que poderia usar para se encontrar perto do corredor sênior. Às vezes, ela ia lá sem uma razão. Ela estava tão desesperada para vê-lo. Sua mente nem sequer ia tão longe para pensar em tentar falar com ele, no entanto.

 Ela sempre planejou passar a maior parte do seu tempo perto dos mais velhos, antes mesmo de realmente ter um motivo para ir ate lá. Ela então, sempre ia a outra ala durante os minutos entre as aulas, com o cuidado de verificar sempre o tempo da sua próxima aula, para estar lá dentro na hora certa. 

 Após o primeiro dia, ela rapidamente descobriu que vadiar nos corredores levava dedicação e tempo. Perseguição dava muito trabalho, mas ela se recusava a aceitar que isso era o que estava fazendo. É claro que não estava perseguindo Joe em qualquer sentido ruim, afinal não queria machucá-lo, ela só queria vê-lo. Ela sempre estava muito preparada e no segundo que dobrava a esquina do corredor, esquadrinhava os alunos em torno de uma mesa para ver se ela podia vê-lo. Ela sabia onde os banheiros das meninas estavam localizados e sempre fingia que era para onde estava indo.

 Ela tinha uma desculpa pronta, se ela fosse questionada sobre por que ela estava lá. Sua classe de trigonometria avançada estava localizada no final do corredor júnior e o banheiro mais próximo estava ao virar a esquina no corredor sênior. Ela achava que era tão bom como uma desculpa qualquer, e era tudo o que ela poderia usar sem levantar suspeitas. Então ela foi todos os dias depois da aula de matemática. Porem a semana passou rapidamente e ela nunca mais o viu.

 Mas na quinta-feira, alguém a viu.

 E não era o Joe.

 Ela não percebeu que ainda estava de pé no meio do corredor procurando por ele, até que colidiu com alguém que vinha de trás. Ela tropeçou, mas antes que ela pudesse cair, uma mão macia agarrou seu cotovelo e a firmou.

 Olhos verdes escuro, muito bonitos por sinal, olharam para ela. 

 Os olhos de Joe, mas não estavam em Joe. Eles eram o equivalente feminino do seu e que pertenciam a sua prima, Miley. 

 - Você está perdida?

 Demi olhou para o belo rosto de Miley Jonas, tão parecido com Joe que poderiam ter sido irmãos em vez de primos e sacudiu a cabeça. - Não.

 A outra garota largou o seu cotovelo e sorriu. - Ok, mas você me parecia um pouco fora do lugar.

 - Não, estou bem, obrigada. Estou indo para o banheiro.

 - Você é Demi, certo?

 - Sim. 

 Desde que Joe e Miley tinham a mesma idade, deixavam as duas meninas com dois anos de intervalo, apesar de suas fazendas serem adjacentes numa área pequena, elas realmente não tinham se visto muito. Demi tinha falado com a outra menina apenas uma ou duas vezes, mas apenas isso.

 - Eu não posso acreditar que você é...

- Velha o suficiente para estar aqui? - Demi disse com uma risada.

 - Eu não quis dizer isso, mas sim.

 Demi estava prestes a começar uma conversa, quando olhou por trás de Miley e lá estava ele. 

 Joe estava a uns trinta metros de distância, olhando para ela enquanto falava com a sua prima. Seus olhos foram capturados e detidos pelos seus e Miley foi obrigada a virar a cabeça para ver o que Demi estava olhando tão embasbacada. 

 Miley deve ter visto o seu primo, porque ela se virou e olhou para Demi com uma nova expressão em seus olhos. - Eu acho que você já está sabendo que há rumores circulando por aí sobre você e Joe.

 Demi forçou seu olhar sair de Joe de volta para Miley quando o comentário da outra garota foi registrado. Demi não tinha ideia do que as pessoas estavam falando. 

 - De jeito nenhum.

 Miley estudou Demi por um momento, a preocupação era óbvia brilhando nos seus olhos. - Eu não prestei muita atenção a nada disso, porque eu não achei que isso era verdade. Isso é verdade? Será que Joe te beijou no jogo na semana passada?

 Demi se assustou com a pergunta direta e realmente não quis responder, então ela tentou ser apenas evasiva. - Ele estava apenas sendo bom para mim, você sabe que há algumas meninas que gostam de ser más?

 - Rebecca Sutty?

 Demi não disse nada, mas acenou com a cabeça enquanto olhava novamente através de Miley e percebia que Joe tinha ido embora.

 - Você tem que aprender a ignorá-la, mas ficará tudo bem Demi. Ela terá o que merece e também há várias pessoas assim nesta escola que você vai ter que aprender a evitar.

 - Tudo bem.

 Simpatia surgia na expressão da outra garota. - E Demi, espero que não se importe de te falar para não cair na do Joe. Ele é um grande cara... Não me leve a mal, eu o amo, mais do que qualquer pessoa no mundo que não seja os meus pais Mas... Joe é um solitário, sabe? Quero dizer, ele tem seus amigos, Kevin e Nick, mas por alguma razão, ele não parece se aproximar das garotas. Estou com medo de você se machucar, sabe? Sei que não nos conhecemos muito bem, mas você sempre esteve por perto e eu penso em você como a menina da casa vizinha, mesmo assim, espero que você não fique chateada por lhe dizer isso.

 Mesmo enquanto Demi pensava que a Miley era um doce por se preocupar, ela não podia deixar de ficar horrorizada com o que a outra garota estava pensando. 

 O que toda a escola provavelmente estava pensando. 

 Ela admitiu para si mesma naquele momento que tinha uma queda por Joe Jonas. E ele, e provavelmente todo mundo, sabia disso.

 Mas ela ainda podia negar e foi isso que fez agora. - Não, eu não me importo e fique tranquila que não estou a fim dele, ate mesmo porque seria uma loucura, estou bem com tudo isso e também, tenho a certeza que ele só fez o que fez no jogo, porque é um cara legal, sei que ele não tem nada a ver comigo e que teria feito o mesmo por qualquer uma naquela circunstancia.

 Miley pareceu estudá-la por um momento, como se verificando aquela sua declaração, tentando descobrir se Demi estava dizendo a verdade. 

 - Ok, fico contente em saber disso, agora tenho que ir para a aula. Vejo você mais tarde.

 - Ok, tchau.

 Demi expeliu uma respiração lentamente e se afastou.

****

 Na sexta-feira à noite, o jogo de futebol seria fora, numa outra cidade cerca de 60 milhas ao sul. Demi e Selena não iriam, mas mesmo assim ela foi passar aquela noite na casa da sua amiga. 

 O jogo havia terminado cerca de uma hora antes ou coisa assim, mas as meninas já sabiam que Redwood Falls tinha ganhado o jogo, mais uma vez. 

 Elas estavam pintando as unhas no quarto de Selena enquanto ela questionava Demi incessantemente sobre o beijo que havia acontecido na semana anterior, ate que o irmão de Selena enfiou a cabeça na porta do quarto e Selena, sem perder nenhum segundo, enviou um travesseiro na sua direção. 

 - O que eu te disse sobre bater antes na porta?

 - Cala a boca, Selena. - Ele olhou na direção de Demi e sorriu. - Oi, Demi.

 Demi tinha apenas falado com ele algumas vezes antes e não pôde fazer nada para evitar corar quando seus olhos ficaram colados aos dela. 

 - Ei, Kevin.

 Seu olhar demorou sobre ela mais do que o habitual, o que há deixou um pouco mais do que um pouco confusa, Demi olhou para o lado e mergulhou o pincel de volta no esmalte. 

 Ela tentou manter o foco enquanto os irmãos começavam a gracejar.

 - Tem dinheiro, Selena?

 O retorno da sua amiga foi imediato. - Nenhum que você não possa ter.

 - Vamos não me venha com essa agora, afinal você sabe que irei te pagar de volta.

 - Então peça a mamãe.

 - Ela não está aqui.

 Demi sentiu a cabeça de Selena levantar a partir da atenção que ela estava dando as unhas. - Onde ela está?

 - É seu aniversário, lembra? Papai a levou para Fort Worth e eles ficarão fora até amanhã.

 Demi olhou para cima e encontrou os olhos de Selena com um frisson de excitação misturado com pânico, aquilo fez algo deslizar por sua espinha, pois ela certamente não sabia que eles não teriam qualquer supervisão dos pais esta noite. Não que elas precisavam de alguma. Certo? 

 Teria Selena esquecido este fato? 

 Depois de verificar o tamanho dos olhos da amiga tão grande e redondo como pires, Demi não achava que ela tinha conhecimento do fato ou pelo menos que ela não se lembrava.

 Kevin continuou. - Vamos, eu preciso de dinheiro para a gasolina.

 - Para quê? Já está muito tarde.

 - Ganhamos o jogo, vamos fazer uma festa, mas estou totalmente duro.

 - Haverá uma festa? - Selena olhou do seu irmão para Demi e depois de volta para ele novamente. - Podemos ir?

 Os olhos de Kevin se estreitaram na sua irmã com nojo e em seguida, com a mesma rapidez sua expressão ficou pensativa. 

 – Levar vocês? - Kevin olhou para sua irmã e depois para Demi e seus olhos perfuraram os dela.

 - Sim, a Demi irá passar a noite comigo.

 - Você quer ir a uma festa, Demi? - Ele perguntou seus olhos caindo para os seus lábios antes de olhar novamente para cima.

 Demi olhou de Kevin para Selena, que estava balançando a cabeça freneticamente, tentando levá-la a concordar.

 - Eu acho que, talvez. Onde é esta festa? - Demi sabia que deveria declinar. Não havia nenhuma maneira no inferno de seus pais gostarem da ideia dela correndo por todo o campo com Selena e seu irmão. 

 Mas eles nunca saberiam.

 E ela realmente queria ir. 

 Quando é que elas teriam outra chance como essa de novo? 

 A maioria das meninas na escola odiava Demi e Selena não estava numa posição muito melhor que a dela também. 

 E o fato de que elas poderiam ir para uma festa com um dos jogadores de futebol? 

 Era realmente uma oportunidade boa demais para deixar passar.

 - Na casa de Nathaniel, na Rua County 165. Seus pais estão viajando, fazendo compras em San Antonio. Vai ser um inferno. Nós temos um barril de cerveja e tudo mais.

 Emoção e apreensão em medidas iguais gritavam pelo cérebro de Demi. Selena já estava pulando para fora da cama e puxando as gavetas abertas, jogando coisas para esquerda e para direita enquanto procurava por algo. 

 - Estamos dentro, Demi? - A outra menina não deu a Demi tempo para responder enquanto mandava seu irmão para fora do seu quarto. - Dê-nos 15 minutos para ficar prontas e respondendo a sua pergunta tenho o dinheiro para a gasolina.

 - Dê-me o dinheiro agora para que possa encher o tanque, e em seguida volto para pegar vocês.

 - De jeito nenhum! Você acha que eu sou idiota? Você iria pegar o dinheiro e nós não o veríamos novamente, ate amanhã!

 Demi ouviu a mímica verbal entre os irmãos com os olhos de Kevin focados nela, mesmo quando ele respondeu à sua irmã. 

 - Eu vou voltar para pegar vocês, Selena. Apenas me dê o dinheiro.

 - Não. - Selena estava inflexível.

 Demi se sentiu abalada a partir do calor proveniente dos olhos de Kevin. Ele era bonito, não havia dúvidas sobre isso. Ele não era Joe Jonas, ninguém neste mundo era, mas de repente e surpreendentemente Demi percebeu que ela seria a razão para começarem a freqüentar as festas. 

 E o dinheiro da gasolina, é claro. 

 Ela não queria que ele ficasse com alguma ideia errada, mas até agora, tudo o que ele tinha feito era lançar alguns olhares na sua direção. 

 Ela tragou profundamente. - Eu acho que ele vai voltar para nós, Selena. Vá em frente e lhe dê o dinheiro.

 Selena ergueu os olhos da pilha de camisas e Demi sabia que ela percebeu a expressão no rosto de seu irmão. Voltando-se para a sua gaveta de cima, ela pegou algumas notas a partir de uma pilha de dinheiro e jogou no peito do seu irmão. 

 - Se você não voltar, irei fazer da sua vida um inferno, irmão mais velho.

 Ele apenas sorriu e se virou.

****

 Uma hora depois, Demi seguia atrás de Kevin e Selena enquanto caminhavam do carro para a porta da frente da casa, onde a festa estava acontecendo. Seu interior tremeu quando ela cruzou os braços sobre o peito. De longe Demi podia ouvir música alta derramando de dentro da casa, sangrando no negrume da noite e sentiu que aquilo tudo era tão fora do seu elemento. 

 - Você não vai me deixar sozinha de novo, Selena!

 Ela sussurrou alto com um toque de brincadeira, mas as suas inseguranças se elevaram acima do tom.

Selena virou-se para esperar por ela e Demi podia ver claramente a emoção brilhando nos olhos da sua amiga, assim como o remorso pelo que ela havia feito com Demi na semana anterior. 

 - Eu não irei e também não me troque por qualquer um.

 - Não há nenhuma chance de que isso aconteça. - Demi murmurou, tentando respirar uniformemente enquanto a casa com todas aqueles jovens dentro se aproximava.

 - Certo. Você diz isso agora, mas eu aposto com você 10 dólares que se Joe Jonas estiver dentro daquela casa, você ira me deixar. - Disse Selena.

 Esse era o único pensamento estridente no cérebro de Demi, como uma batida de tiro rápido. Ela queria que Joe estivesse lá, mas não tinha ideia de como deveria agir ou o que deveria dizer a ele, mesmo se teria uma chance de falar com ele depois de tudo.

 Quando as meninas chegaram à porta da frente, Kevin já estava com um copo de cerveja numa mão e segurando a mão de outro sênior com a outra, aquele que Demi reconheceu como sendo um membro da equipe de futebol, estava evidentemente olhando para a sua direção. 

 Ele olhou para longe delas por um momento e estabeleceu seu olhar ferozmente em Kevin.

 - Que diabos, Gomez? Você trouxe a sua irmã?

 Demi estava tão perto de Selena que ela sentiu quando sua amiga congelou, seu corpo se transformou em pedra quando parou na entrada sem conseguir ir mais longe para dentro da casa.

 Kevin engoliu um gole de cerveja. – Fui obrigado cara. Precisava de dinheiro para a gasolina.

 O cara que guardava a porta estava franzindo a testa para Selena. - Não, acho que isso não é uma boa ideia.

 - O que diabos você enfiou na sua bunda, Nick? - Kevin perguntou quando olhou para a mão de seu amigo que estava colada no meio de seu peito, impedindo-o de avançar.

 Demi ficou congelada atrás de seu amigo quando os olhos de Nick romperam com o olhar intenso que ele deu para Selena e caia sobre ela agora. 

 - E quem é você?

 - Demi.

 - Esta é uma festa para os velhos, Demi. Você é uma velha? - Ele rosnou sarcasticamente.

 Demi sabia muito bem que era uma pergunta retórica porque Nick tinha que saber que ela não estava no último ano. 

 - Não. Eu sou uma estudante do segundo ano. - Ela confessou.

 Nick olhou de Demi de volta para Selena, seus olhos parando e percorrendo o corpo de Selena antes de explodir seu olhar aquecido de volta para Kevin. 

 - Certo. Elas são alunas do segundo ano, Kevin. Você tem um cérebro maldito nesta sua cabeça?

 - Cale a boca, pois elas irão sobreviver. 

 Um grito feminino alto chamou o nome de Kevin e ele sacudiu a cabeça. Demi observou do seu lugar, ainda na porta, quando uma menina mais velha, ainda equipada com seu uniforme de líder de torcida, jogou-se nos braços de Kevin e o abraçou.

 Ele sorriu para a outra menina e, em seguida, virou-se para trás e olhou na direção de Demi com uma expressão que ela não conseguia identificar completamente, mas parecia arrependimento, mas como a menina mais velha estava se empurrando contra ele, acabou passando o braço em volta da cintura dela. 

 Ele emitiu um último aviso para Demi e Selena. 

 - Fiquem juntas. Não fiquem com ninguém além de mim e só podem tomar uma cerveja cada uma. Entenderam? Não estou com vontade de limpar vômito de meninas esta noite.

 Com isso ele lançou uma última olhada para a irmã e disse. - Seja boazinha. - E então passou por Nick, entrando na festa com a líder de torcida pendurada no seu braço.

 O coração de Demi batia alto em seu peito e os seus pés ficaram presos ao chão, mas Selena não estava tão intimidada e encarando Nick perguntou. - Você vai nos deixar entrar?

 Nick continuou a olhar para baixo, na direção de Selena com uma raiva escaldante e fumegante em cima dela, mas não falou mais nada. 

 De sua posição atrás de Selena, Demi estava prestes a dizer algo para tentar aliviar a atmosfera escura quando ela avistou Joe Jonas andando atrás de Nick. Qualquer coisa que ela tinha estado a ponto de dizer morreu em sua garganta, enquanto seu sangue começou a bombear em um ritmo tão acelerado que pode ouvi-lo tocando em seus ouvidos. 

 A mão de Joe parou nas costas de Nick e Demi sabia que ele não a tinha visto ainda. Mesmo com a altura de Joe, Nick era quase tão alto quanto o seu amigo e musculoso também já que era o primeiro homem de base no time, então ele facilmente bloqueava ainda mais a sua visão de Joe.

 - Qual é o problema?

 Quando Joe fez a pergunta a Nick com aquela sua voz suave escuro, enviou uma ondulação através de barriga de Demi, causando calor diretamente entre as suas pernas, o que foi totalmente desconcertante e a pegou de surpresa, o que a fez tentar se equilibrar em seus próprios pés.

 Nick continuou a olhar para baixo na direção de Selena. 

 - Gomez trouxe sua irmã mais nova, este é o problema.

 Mesmo quando Demi continuou a ficar atrás de Selena, ela ainda poderia ver claramente a reação divertida no rosto de Joe quando seus olhos pousaram na sua amiga. 

 - Ela não é pouca coisa, cara, e não seja tão rude. Tenho certeza de que ela pode lidar com isso.

Após esta fria declaração, Demi tinha uma visão perfeita de como Nick e Selena continuavam a olhar de um para o outro e então ela viu o movimento do olhar de Joe passar de Selena para ela. 

 Demi respirou fundo quando percebeu a forma com que o seu belo rosto azedou imediatamente em linhas de desaprovação e tornou-se ameaçador. 

Aquela reação de Joe estava completamente diferente agora que havia notado Demi em pé, logo atrás de Selena e então falou entre dentes. 

- Oh, inferno, isso não.

Pontadas de pânico corriam através de Demi quando Joe abriu caminho entre Selena e Nick e depois lhe agarrou o pulso com força, a afastando um pouco da presença dos demais. Demi não tinha escolha a não ser segui-lo enquanto ele a arrastava junto com ele, através daquele seu aperto de ferro. 

A lua era apenas uma pequena lua crescente no céu noturno e Demi mal podia ver para onde estava indo enquanto ele continuava a lhe puxar para trás até que estava a aproximadamente cinquenta metros longe da casa e a única luz disponível era a vinda da lua e das estrelas. 

Joe se virou para ela, com a sua mão nunca deixando de lado o aperto em seu pulso. 

- Você está aqui por minha causa?

- Lógico que não. - Ela negou. 

Ele a segurou com força como se tivesse todo o direito sobre ela e Demi só agora conseguia formular uma resposta coerente devido à sensação dos dedos longos e calejados agarrando a sua carne e causando estragos sérios nas suas células cerebrais.

- Então por que você está aqui? - Ele rosnou a pergunta, olhando para ela com os olhos cheios de lascas de gelo brilhantes durante a noite.

- Kevin precisava de dinheiro para a gasolina e disse que nós poderíamos vir se Selena desse o dinheiro para ele.

Ele ficou em silêncio por dois ou três segundos, mas mantendo o seu foco direcionado totalmente a ela. 

Era uma sensação muito irritante para Demi que estava tão perto de seu corpo que podia sentir a sua raiva mercurial e além de tudo, sentir seu cheiro masculino irresistível. 

- Isso não soa muito verdadeiro, princesa e, além disso, Kevin não gosta de ter a sua irmã mais nova ao seu redor... - Ele cortou as suas próprias palavras, manteve uma de suas mãos ainda agarrada ao seu pulso e com a outra estendeu seus dedos e os passou pelo seu cabelo, mas sem parar de olhar para Demi com puro desgosto. 

- Ah, tudo bem, entendi tudo agora.

- Entendeu o que? - Perguntou ela, porque não havia outro comentário a ser feito sob aquela circunstância. 

Ela não estava tentando jogar com Joe, realmente essa não era a sua intenção, mas também não era tão ingênua quanto ele pensava, afinal seria uma completa perdedora em qualquer jogo que se passasse entre eles. 

Ah, mas ela entendeu aquela sua indireta e sabia muito bem sobre o que Joe estava dizendo, afinal tinha sido alvo de estreita especulação de Kevin mais de uma vez apenas esta noite.

- Ele queria você aqui.

- Acho que ele queria mesmo era o dinheiro da gasolina. - Disse ela em voz baixa.

- Tanto faz, isso não importa mais, pois você não irá para dentro daquela casa de forma alguma. Ele tocou em você?

- Pare. Você não é meu chefe... Sinto muito... O quê você perguntou? - Demi estava tendo problemas para acompanhar a mudança rápida de Joe naquela conversa estranha e ficou totalmente chocada com o teor da pergunta que ele lhe fez.

- Será que ele... Tocou em você?

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Mais um p vcs, mores ♥ Essa história ta me deixando louquinha, haha' Comentem para o próximo! Beijos, amo vcs ♥
Bruna

5.12.14

A Historia De Joe e Demi - Capitulo 1


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Redwood Falls, Texas

 Joe Jonas inclinou-se contra o muro que ficava em volta das arquibancadas escolares e observou todo o movimento em torno dele. Ele sabia que para um observador casual, pareceria apenas extremamente entediado e esta era exatamente a atitude que ele tentava transmitir... E sim, isso era parcialmente verdadeiro. 

 A noite de sexta era o dia escolhido para jogos de futebol escolares e isso era o maior pico de emoção que ele poderia encontrar nesta cidade esquecida por Deus. 

 Ele sabia que deveria estar relaxado quando passou por cima do muro e observou a multidão que estava amontoada nas arquibancadas. Mas ele não estava relaxado, ao contrário, estava no limite. 

 Mas ele estava sempre no limite e sabia que o motivo pelo qual não conseguia relaxar era porque tinha um grande problema de confiança e era um grande problema de confiança com toda a raça humana. Inferno, isso era muito complicado para ele, principalmente porque ele tinha sido abusado fisicamente e mentalmente nos primeiros 13 anos de sua vida por seu pai, a única pessoa na vida, que esperava tê-lo protegido a todo custo.

 Quando se encostou à cerca, Joe ficou esperando o início do jogo, mas, isso era apenas uma desculpa, pois estava ali para que pudesse se encontrar com Kevin e Nick, que eram seus amigos e estavam naquele momento no time de futebol, assim, convenceram Joe a ir assistir ao jogo para que logo depois da partida todos pudessem sair juntos. 

 Quando olhou em volta, Joe podia sentir a barreira invisível que sempre parecia estar entre ele e todos os outros e quando encarava de uma pessoa para a outra percebia que a sua vida doméstica passada lhe tinha dado um tipo de notoriedade entre o povo de Redwood Falls, não que ele particularmente gostasse dessa distinção, mas não havia absolutamente nada que ele pudesse fazer a este respeito.

 Cerca de metade dos adultos na cidade olhava para ele como se ele estivesse prestes a roubar alguma coisa, principalmente porque deduziam que ele era igual ao lixo tóxico do seu pai, sem ao menos conhecê-lo. Isso era chato, mas não tão ruim quanto o resto das pessoas que sentiam pena dele e sempre lhe encaravam com piedade, esses daí, tinham pena dele por causa de quem era seu pai e porque nunca teve uma mãe. Mas aquilo só acontecia com os adultos, às crianças sempre o enxergavam de uma forma diferente. 

 Joe sabia que com aquelas cicatrizes que seu pai tinha lhe infligido tanto em seu rosto como no seu corpo, ele não se parecia mais com um adolescente normal e as crianças pareciam sempre estar muito ciente desse fato. Os meninos olhavam para ele com respeito e a maioria deles não conseguia parar de lhe encarar. E as meninas, também... As meninas apenas o olhavam com admiração.

 Joe mudou o seu foco para o grupo de meninas que estavam ao invés do jogo, estavam assistindo a ele agora. Algumas delas coraram e/ou desviaram o olhar quando seus olhos caíram sobre elas, outras corajosamente sustentaram o olhar. 

 Ele apenas manteve seu olhar uma a uma, seus olhos lentamente rastreando tudo o que era possível de uma para a outra.

 Apesar de não ter ferrado nenhuma delas ainda e provavelmente não iria fazer isso em momento algum, tinha dentro de si uma maldita certeza, que não tinha nada na vida sem a qual ele não poderia viver.

 Ele normalmente dirigia o caminhão da exploração agrícola para a próxima cidade, nos fins de semana e percorria de cima a baixo da rua principal, até que encontrasse uma menina disponível. A sua reputação, justificada ou não, tinha se espalhado e apesar de ter que percorrer quase trinta quilômetros de distância até chegar lá, era sempre recompensado, pois havia várias meninas na próxima cidade que estavam sempre dispostas a entrar no caminhão com ele. 

 Não tinha um tipo favorito, nunca catalogou suas saídas, mas sabia que já havia batido a maioria delas mais de uma vez, o que o tornava muito feliz já que como sempre tinha meninas ali disponíveis, poderia ficar longe das meninas de Redwood Falls. 

 Ele não queria que qualquer fofoca chegasse até a sua tia e pudesse perturbá-la, e com certeza não queria nenhuma daquelas meninas mexendo com a sua prima Miley por causa de algo que ele poderia ter feito.

 As meninas com quem ele dormia nada significavam para ele, o que lhe importava até agora era o fato de que tinha sido ridiculamente fácil pegar qualquer uma.

 Ele pode ter sido gerado a partir de uma semente ruim, mas, evidentemente, de acordo com a reação das meninas, ele tinha muito boa aparência. Hoje estava com mais de 1,80 de altura, seu cabelo escuro era quase preto e os seus olhos eram totalmente verdes. As cicatrizes em seu rosto, que ele lutava todos os dias para ignorar, só pareciam adicionar ainda mais fascínio sobre ele, apesar dele não entender o por quê. Sempre foi um garoto magro, mas agora, depois de ajudar seu tio na fazenda por anos, estava com a constituição alta e musculosa a qual era necessária muitas vezes durante uma exposição ou quando saia correndo à noite.

 Havia uma trilha que dava em torno do campo de futebol da escola e as meninas começaram de uma hora para a outra a aparecer à noite, sempre em dupla e ele sabia, sem nenhum tipo de presunção, que era por sua causa. Ele nunca teve tempo para esportes de equipe ou atividades extracurriculares, como os seus amigos, pois estava sempre muito ocupado trabalhando, seja na loja de alimentação ou lado a lado com seu tio, numa tentativa de conquistar uma vida decente a partir da pequena fazenda que seu tio e seu pai tinham herdado, mas mesmo não tendo tempo para o futebol, ele era um atleta condicionado e amava o treinamento de força ou especialmente a corrida.

 Isso o fazia se sentir forte... Isso o fazia se sentir no controle... 

 E o controle era agora uma necessidade básica que ele não poderia perder. 

 Devido a sua dedicação a esses treinos ganhou muita resistência e músculos de aço, apenas uma garantia para si de que ninguém nunca mais ousaria foder com ele... Nunca mais.

 E as meninas eram apenas um bônus.

 Ele olhou ao seu redor mais uma vez e pela milionésima vez desejou sentir algo diferente do que tédio em sua vida.

****

 Demi Smith-Lovato olhava em volta das arquibancadas lotadas, com um arrepio de excitação a lhe percorrer o corpo, afinal este era o primeiro jogo em casa do seu grupo do segundo ano. O primeiro jogo de futebol que assistiria sem os seus pais a reboque, afinal ela estava finalmente no colégio. 

 Um colégio de verdade. 

 Ninguém podia contar os anos anteriores do ensino médio em Redwood Falls, porque o distrito escolar mantinha os calouros separados em campus menores. Então, agora que ela estava, finalmente, numa escola de verdade se sentia incrível, completamente livre.

 Seus pais eram ridiculamente protetores e em vez de arrastá-los em todos os lugares com ela, que tinha sido a única opção que havia lhe dado até agora, Demi tinha escolhido ficar em casa a maior parte do tempo. Mas agora ela estava finalmente aqui e achava simplesmente que a liberdade era incrível. Com certeza, não tinha um monte de amigos para se divertir, mas realmente não precisava disso, pois tinha a sua melhor amiga Selena e isso era o suficiente.

 Os pais de Demi havia finalmente saído uma semana antes, graças a Deus, então hoje ela ajeitou o cabelo e experimentou um pouco mais de maquiagem do que normalmente usava, porque pela primeira vez teria uma chance de se misturar com as pessoas mais velhas... Talvez até mesmo ser notada, ela achava que a sua aparência era razoavelmente boa e agora que a sua prisão tão odiada tinha ido embora, talvez pudesse fazer alguns amigos ou realmente falar com alguns dos caras da escola.

 Ela e Selena assistiram ao primeiro tempo do jogo e em seguida começaram lentamente a descer os degraus em direção às lanchonetes, parando um pouco apenas para olhar ao seu redor, olhar para todos aqueles adolescentes. Todo mundo sabia que todos estavam na cidade, mas ela rapidamente aprendeu que as crianças eram muitas vezes bem mais espontâneas para reconhecer esse fato.

 Seus olhos foram atraídos imediatamente sobre Joe Jonas, quando ele se inclinou contra o muro há uma pequena distância da multidão, mas rapidamente seu olhar deslizou para longe. 

 Seu pulso e batimento cardíaco aceleraram imediatamente apenas com aquela simples proximidade. Ele era a única pessoa capaz de fazê-la tremer simplesmente ao vê-lo e sempre foi assim. Desde que tinha cerca de treze anos e o viu pela primeira vez, seus joelhos ficaram fracos e seu coração começou a bater fora de compasso.

 Ele era de longe o cara mais bonito que Demi já tinha visto, até mesmo considerando os caras da televisão ou do cinema. Ele era alto e seu corpo estava repleto de músculos que direcionavam seus olhos para ele como um imã. Ele não tinha um grama de gordura sobre ele e ela sabia por que tinha tido a sorte de vê-lo no trator de seu tio, sem camisa, aquela sua pele estava sempre bronzeada, tinha um lindo cabelo marrom escuro e seus olhos eram brilhantes e de um verde escuro penetrante.

 Ele quase podia ser chamado de perfeito, só que tinha várias cicatrizes no rosto que atrapalhavam a obra e não eram cicatrizes de acne. Não, estas eram intrigantes marcas que por alguma razão não deveria estar lá. Uma de suas sobrancelhas tinha uma linha irregular que corria por ela, separando-a e arrastando-a para baixo ate próximo da sua pálpebra, dando-lhe um olhar permanentemente ameaçador e também o seu lábio superior era marcado com uma coloração pálida que parecia nunca ir embora, o seu nariz, provavelmente, tinha sido quebrado antes, porque ele era um pouco torto no rosto. 

 Provavelmente tinha várias outras marcas, mas seriam marcas que Demi não poderia jamais identificar.

 Nada disso dissuadia a sua beleza. Na mente de Demi as cicatrizes só a aumentavam, fazendo dele a pessoa que ele era não que ela realmente o conhecia como pessoa. Não, as cicatrizes não tiravam nada da sua boa aparência e por alguma razão, elas faziam Demi querer colocar seus braços em volta dele e abraçá-lo. Aquelas marcas eram incrivelmente convincentes e faziam com que sentisse coisas por ele que não podia explicar para si mesma. 

 Sentia muita necessidade de mantê-lo perto dela, uma grande necessidade de ser a sua amiga.

 Ele era um par de anos mais velho que ela e estava apenas parado ali em silêncio, com a mente longe, mas ao mesmo tempo percebia que ele via e sabia tudo o que acontecia ao seu redor. Sua família, que vivia da terra, eram seus vizinhos ao norte da área plantada pelos seus pais. 

 Desta forma, sempre o tinha visto em torno de toda a sua vida, mas nunca tinha falado com ele. Não que ela não quisesse. Ela nunca teve uma razão, além disso, ele estava fora da sua “turma” e também não era um segredo na escola que toda garota queria sair com ele.

 Quando Demi olhou ao redor, viu o grupo de meninas populares, principalmente XI e XII, que estavam do outro lado do posto de concessão. As meninas estavam tão perto de Joe que até poderiam agir como se não estivessem tentando atrair sua atenção, o que tão obviamente elas estavam.

 Selena estava num período de alta de açúcar e queria muito outra Coca-Cola, o que levou a ela e Demi se aproximarem dos outros e a entrar na fila atrás de um grupo de estudantes do ensino médio júnior. Enquanto esperavam, Demi percebeu que as meninas mais velhas olhavam diretamente para elas, com desprezo. 

 Seu estômago se apertou de apreensão e pânico. 

 Porque todo mundo me odeia? O que eu fiz contra elas?

 Selena pagou a sua Coca-Cola e quando se virou para sair Rebecca Sutty, que era a garota mais alta e mais bonita do grupo, olhou para Demi com desprezo e em seguida chamou.

 - Selena, por que você não sai com a gente hoje à noite?

 Os nervos de Demi se apertaram e ela sentiu uma reviravolta no estômago. 

 Porcaria. 

 Será que Selena estava prestes a cair fora e deixá-la em pé ali sozinha? 

 Por alguma razão, Rebecca estava tentando tornar a vida de Demi miserável naqueles últimos par de anos. Demi sabia que a menina mais velha continuaria a antagonizá-la até que ela se formasse e talvez depois disso Demi fosse deixada em paz. 

 Rebecca era rancorosa e ciumenta e Demi não tinha idéia do que fazer com ela, além de suportar e tentar ignorá-la.

 Demi sabia que Rebecca vinha de um lar desfeito e ela provavelmente pensava que Demi tinha tudo o que ela não tinha. Demi tinha dois pais amorosos, um irmão mais velho que a adorava, mais terras da família e dinheiro do que ela poderia precisar. Não importava o fato de que seu pai era apenas seu pai adotivo e seu irmão não estava relacionado a ela pelo sangue. Mesmo que as pessoas da cidade ainda se lembrassem da mãe de Demi, como uma jovem mãe solteira, que veio para a região com sua filha de seis meses de idade e logo chamou a atenção do jovem rico, viúvo e elegível, isso não importava mais, porque também muitos anos se passaram. 

 Demi e sua mãe estavam em Redwood Falls por tantos anos que agora estavam totalmente entrincheiradas na família Lovato. E do lado de fora, olhando para dentro, Demi sabia que devia parecer que ela tinha tudo. E quando chegasse o momento para a faculdade, com as suas boas notas e o dinheiro da sua família, ela provavelmente começaria a escolher a universidade que queria participar. 

 Sim, Rebecca Sutty era rancorosa e Demi sabia com uma sensação de afundamento que ela estava prestes a ser ferida e humilhada bem onde estava.

 Demi viu a expressão melancólica no rosto de Selena e ela não culpou a amiga por querer sair com as garotas populares. 

 Ela se recusou a culpar Selena por isso, pois ela era a única e verdadeira amiga de Demi e sempre esteve lá para Demi quando queria ou precisava falar sobre tudo e qualquer coisa. 

 Demi decidiu ali mesmo que perdoaria Selena, mesmo se ela se afastasse dela agora.

 Demi só queria que a humilhação que estava prestes a experimentar ficasse por trás dela, então ela se virou e sussurrou:

 - Vá em frente, Selena. Que vou ficar bem. 

 Selena deu a Demi um olhar interrogativo e hesitou por um momento, sua expressão era dilacerada enquanto olhava entre Demi e as outras meninas e como Demi queria que ela se divertisse, ela disse novamente: 

 - Está tudo bem.

 Selena deu a Demi um último olhar, mas em seguida virou-se lentamente e se afastou da amiga.

 Sozinha agora e com um sentimento de afundamento na boca do estômago, Demi olhou para longe do grupo de meninas e mais uma vez o seu olhar colidiu violentamente com o de Joe Jonas.

****

 Joe vagamente reconheceu a garota loira, mas não se recordava de onde, tinha certeza que a menina que tinha acabado de se afastar dela era Selena Gomez, a irmã mais nova de Kevin, a tinha visto na casa de Kevin ao longo dos anos e chegou ate mesmo a conhecê-la um pouco, desta forma ficou mais que um pouco surpreso por ela ter se afastado da sua amiga daquela forma. Não, esta não era uma atitude de Selena e ele sabia que também, deveria ignorar toda aquela situação, já que não conhecia muito bem a outra menina.

 Mas ele não conseguia identificar onde tinha visto aquela menina loira, que não fosse da escola... Talvez. Mas isso não era tudo, sentia que a conhecia de algum outro lugar. 

 Ela estava sozinha agora e totalmente sem jeito, mesmo que fosse excepcionalmente bonita. 

 Sua mente começou a assinalar através das pessoas da cidade, enquanto tentava descobrir quem ela era.

 Ele continuou pensando até que de repente, uma lembrança de uma menina pequena com tranças pulando na parte traseira do caminhão de seu pai para obter o seu e-mail bateu no cérebro. 

 Demi Lovato. 

 Merda! Mesmo sendo tecnicamente a sua vizinha, pois mais de uma milha separavam as suas casas, ele não a tinha visto em anos e ficou totalmente surpreso por ela já estar no ensino médio e como sempre foi tão pequena, naquele momento dava a impressão de ser ainda mais jovem do que realmente era. 

 Demi Lovato era a princesinha da cidade, que tinha tudo.

 Tudo, menos amigos. 

 Ele ouviu aquela vagabunda da Rebecca há poucos minutos lhe roubando o que parecia ser a sua única amiga e isso o irritou muito. 

 Demi estava sozinha e obviamente chateada, foi quando um instinto de proteção que não sabia que possuía correu através dele, parou um pouco apenas para observar mais profundamente à beleza loira do seu cabelo, a estatura de seu pequeno corpo, a pureza saudável em seu rosto, mais uma vez um forte desejo de defendê-la alimentou o sangue em suas veias.

 Rebecca tinha vindo ate ele há meses se oferecendo em cima de uma travessa, tentando levá-lo para o banco traseiro do carro de sua mãe a todo custo, mas ele se recusou por achá-la barata e vulgar. Agora reconheceu num piscar de olhos que ela estava apenas tentando ferir e humilhar Demi, para mostrar para ele do que era capaz.

 Como se ele pensasse que humilhar outro ser humano fosse algo muito legal.

 Rebecca era um nada para ele, mas ao mesmo tempo para os demais era uma cadela destrutiva e manipuladora, com uma forte onda de testosterona Joe se empurrou por cima do muro em toda a sua altura e preparou-se para proteger a menina mais nova de mais dor e humilhação.

****

 Demi ficou parada, tentando recuperar forças o suficiente para virar e ir embora, quando viu Joe pular por cima do muro e começar a andar na sua direção. Engoliu em seco e apenas o observou passar pelo grupo de meninas, agora com a Selena incluída, sem um olhar, apenas continuando a andar na sua direção.

 Ela esqueceu tudo sobre as outras meninas quando subitamente seu mundo imediatamente se estreitou em Joe Jonas. Ela olhou ao redor para ver se ele realmente estava vindo na sua direção, para se certificar de que não era apenas sua imaginação excessivamente otimista.

 Não, não era.

 Quando estava a apenas três metros dela, falou com uma voz alta o suficiente para que todos pudessem ouvir, mas baixo o suficiente para que pudesse ser apenas para ela. 

 - Oi, baby. Eu pensei que você não chegaria nunca.

 Sua voz era profunda e áspera, mas deslizou macia através de seu sistema e ficou reverberando para frente e para trás na sua cabeça, enquanto tentava absorver suas palavras através do bater de sangue em suas veias. 

 Oh meu Deus, apenas respire, Demi! 

 Ela teve que morder o seu lábio inferior devido ao seu tremor enquanto ele avançava os seus últimos passos. De pé em frente a ela e de costas para o grupo de meninas, ele levantou as suas mãos com uma corrente subjacente de confiança masculina suprema, que ela não podia deixar de reconhecer e fez uma grande produção de entrelaçamento dos dedos, puxando-os para longe de seu corpo, de modo que todo mundo podia ver suas mãos entrelaçada, então ele se inclinou e sussurrou em seu ouvido:

 - Ela realmente vai te odiar agora.

 Imediatamente um calor incendiário derramou pelas suas veias por causa daquele seu toque misturado com as vibrações de sua voz, atingindo todo o seu interior e chiando através de seu sistema como um sorvete em um dia quente de verão. 

 Minha vida mudou para sempre! 

 Joe Jonas estava segurando a minha mão e sussurrando no meu ouvido, definitivamente nada seria mais importante na sua vida depois desse dia, ela guardaria essa memória para sempre.

 Seus polegares acariciavam as costas da sua mão, os seus olhos, brilhavam sobre os dela e a sua voz suave e profunda fluiu como um riu pelo seu corpo. 

 - Você se importa?

 Demi visivelmente tremeu diante daquele aperto áspero de suas mãos e da questão que ela percebeu que era para infundir-lhe com coragem e determinação. 

 Endurecendo a sua espinha, respondeu-lhe numa voz baixa, mas com firmeza: 

 - Não. 

 E ela não se importava, mesmo que aquelas cadelas lhe odiassem para sempre, valeria a pena, afinal... Joe Jonas estava segurando a sua mão!

 Ela continuou a ficar toda atordoada enquanto ele se inclinava para longe dela e a estudava por um momento antes de dar um mergulho de aprovação com o seu queixo. 

 - Você está pronta para isso, Demi?

 Absolutamente muda pelo fato de que ele sabia o nome dela, Demi começou a assentir sem parar com a cabeça, ate que sentiu uma pressão no seu aperto e ele disse: 

 - Então sorria para mim, princesa e vamos fazer disso algo que vai ser difícil de não acreditar.

 O corpo de Demi tremeu e através do seu choque, ela registrou que ele queria algo dela naquele momento. 

 Respire Demi, respire e trave seus joelhos para que você não caia no chão na frente dele, pelo amor de Deus. 

 Através do sangue batendo vicioso ao longo de suas veias, ela tentou seguir a sua direção, mas tudo o que ela conseguiu foi um sorriso fraco. Seus olhos verdes estavam vincados nas laterais e ele soltou uma pitada de riso e Demi sentiu seu prazer todo o caminho até seus ossos. Quando ela percebeu que ele estava sorrindo para ela, como se fossem conspiradores em um plano secreto, ela sentiu o tremor de um pequeno sorriso se tornar real.

 Demi sentiu um pouco de seu choque retroceder quando uma animação tomou o seu lugar, mas no momento que o seu sorriso se tornou real, Joe franziu a testa e lentamente o seu sorriso desapareceu enquanto a estudava.

 Seu olhar deixou o seu sorriso e foi para os olhos e, em seguida, lentamente desceu para os seus lábios novamente.

 Demi sentiu sua intensidade por todo o seu corpo até os dedos dos pés.

 Enquanto ela ainda estava tremendo, ele abaixou a cabeça lentamente ao longo da dela e Demi experimentou o que estava escrito em seus livros sobre a memória de como seria o primeiro beijo real. Bem na frente de Deus e com todos a olhando. 

 Quando sua mão esquerda a cercou completamente, ela se agarrou aos seus braços para que não caísse no chão e se desmanchasse sob seus pés. 

 Ela podia sentir os seus bíceps fortes e rígidos sob seu toque e os seus lábios quentes e firmes sobre os dela, mas quando ele colocou uma mão em sua bunda para levantá-la e alinhar seu corpo contra o dele, forçando-a a ficar na ponta dos pés, ela se engasgou e sua boca se abriu, o qual ele apenas aproveitou para deslizar a sua língua e entrelaçar com a dela.

 Com aquela sensação de sua língua no interior de sua boca, seu cérebro se desligou e a sanidade a deixou completamente sozinha.

****

 Joe ficou atordoado quando o seu beijo de compaixão se descarrilou e contra a sua vontade  tornou-se um beijo de fome e necessidade. 

 Ele nunca havia dado um beijo que fosse real ou significativo. 

 Ele nunca teve a intenção de beijá-la com a língua. Mas quando seus lábios se separaram num suspiro de choque, sua língua tinha deslizado dentro daquela boca gostosa por vontade própria. E, assim tão rápido que o atordoou ainda mais, começou a perceber que aquele pequeno corpo, mas cheio de curvas, que ele segurava em seus braços tinha toda a suavidade e feminilidade que tinha sonhado durante toda a sua vida. 

 Seu perfume doce se infiltrou através do seu subconsciente e a sua inocência era um fascínio que não esperava ou mesmo remotamente pensava que existisse.

 Ele percebeu algo muito rapidamente... Ela não sabia beijar.

 E isso foi tão emocionante que arrancou o diabo fora dele.

 O mundo exterior desapareceu e seu estômago se apertou quando moveu uma mão para segurar o seu rosto. Levantou primeiramente o seu queixo para um melhor acesso, fazendo com que a respiração roubada dos seus pulmões e a motivação inicial para o beijo desaparecesse. 

 Tudo o que restava era ele e ela... E essa coisa entre eles que nunca tinha esperado.

 Ele levou alguns segundos a mais para beijá-la mais profundamente, saboreando-a totalmente, registrando que a sua respiração estava se tornando cada vez mais irregular. 

 Quando ele assimilou o gosto e o ajuste perfeito dela em seus braços, lembrou-se vagamente de que estavam em público, o que era exatamente o que pretendia quando o beijo tinha começado, mas agora, tudo o que ele queria era que o mundo desaparecesse e ser capaz de beijá-la da maneira que o seu corpo estava gritando para fazer.

 Por alguns segundos, mas surpreendente curto se deixou fazer exatamente isso. 

 Ele acariciou a sua língua sobre a dela, posicionando a cabeça para o ajuste exato que queria, foi gratificado por um pequeno gemido suave que escapou da sua boca e que fez vibrar todo o seu corpo até se instalar na sua virilha.

 Ele queria inclinar a sua boca mais completa sobre a dela e voltar para mais, mas já havia endurecido demais suas entranhas com a necessidade e o pouco de controle que lhe restava sinalizava que aquele programa precisava acabar agora. 

 Ele levantou a boca da dela, mas não a soltou de imediato dos seus braços, ficou apenas lhe segurando firmemente até que ela finalmente ergueu os cílios e com um olhar confuso se concentrou nele. 

 - Eu quero que você olhe mais uma vez para aquelas meninas e diga ‘adeus’ a sua amiga, fingindo que não dá a mínima para o ocorrido. Entendeu?

 Sua mão se fechou como duas algemas sobre o seu punho e ela pode perceber toda a sua possessividade enquanto ele começava a lhe puxar em direção ao portão.

 Demi virou bruscamente para as meninas e falou suavemente. - Tchau, Selena.

 Joe puxou Demi atrás dele sem pensar nas consequências ao ficar sozinha com ela e longe daquelas cadelas destrutivas que só iriam machucá-la ainda mais, se a deixasse naquele lugar. Ele a puxou pelo labirinto de carros e caminhões no estacionamento escuro, só parando ao lado do caminhão velho da fazenda que dirigia. 

 Ele a colocou contra a porta do passageiro e a enjaulou dentro do seu círculo de braços, não se importando com nada no momento ou apenas a afastando dele a fim de ter um minuto para analisar o que diabos tinha apenas desandado tão rápido.

 - Isso não era para acontecer.

 Ele estava com raiva de si mesmo pelo passo em falso que tinha dado e por isso não pôde evitar que a sua voz fosse amarga e áspera, mas aquilo ainda não significava que estava pronto para libertá-la dele.

 Demi agarrou-se ao círculo formado pelos braços de Joe, chocada além da compreensão pela forma como o seu mundo de repente mudara da água para o vinho. Não havia ficado surpresa com o que tinha acontecido com as meninas mais velhas, não, ela sabia que ele a havia usado apenas para depois tratá-la como um lixo. Mas o que a estava deixando completamente tonta era apenas o fato de que alguns momentos atrás a língua de Joe Jonas tinha estado em sua boca e as suas mãos na bunda dela. 

 Na bunda dela! 

 Mesmo agora, com aqueles braços feito uma gaiola em volta dela e aquele olhar no seu rosto, sentia-se apenas num sonho e não conseguia processar tudo na sua cabeça. Ela não conseguia nem desviar o olhar do dele. 

 Naquele instante seus olhos estavam colados ao seu e ela estava vagamente consciente de que sua respiração era apenas superficial. 

 Ela foi obrigada a chupar outra respiração assustada quando ele se empurrou grosseiramente contra o seu torso, era um empurrão afiado e forte, apoiando seus antebraços em cada lado do rosto dela, dominando completamente qualquer espaço pessoal que ela poderia ter tido ate agora e lhe permitindo apenas um pequeno espaço para até mesmo poder respirar.

 Querido Jesus, isso estava realmente acontecendo com ela?

 Nunca se sentira mais emocionada em toda sua vida, então tentou se concentrar, trabalhar duro para conseguir o retorno das suas últimas células cerebrais a cooperar.

 Ela respirou fundo e tentou encontrar a menina que estava se escondendo atrás da rodopiante e atordoada reviravolta que estava acontecendo dentro de sua cabeça e que desta forma ela pudesse lhe responder a altura. 

 - Então, por que tenho a sensação de que está prestes a acontecer de novo? - Ela ergueu o queixo, exibindo para ele uma bravata que não condizia verdadeiramente o estado dos seus nervos. 

 Uau, mas você tem um longo caminho a percorrer, Demi. 

 Ela finalmente conseguiu falar a sua primeira frase completa para ele. Incrível, depois do beijo que haviam compartilhado.

 Ele ficou em silêncio, enquanto seu corpo se empurrava contra o dela mais um pouco enquanto tudo o que ele fazia era continuar a estudar os seus olhos.

 Joe estava arrebatado pela inocência irradiando daquele rosto, mas totalmente excitado e tentado pela observação espertinha que saiu daquela sua boca. 

 Ela era como um quebra-cabeça... Um jogo que ele queria jogar... O qual já estava viciado. 

 - Quantos anos você tem? - Ele finalmente conseguiu perguntar quando uma tensão se instalou entre eles. 

 Ele sabia que ela era mais jovem do que ele, mas para o momento, ele queria desesperadamente permanecer em negação sobre a sua juventude, para que ele pudesse continuar a tocar nela. Ela abriu a boca para falar e ele abruptamente percebeu que não queria a resposta a essa pergunta ainda. Então, apenas levantou uma das mãos que estavam ao lado de sua cabeça e cobriu os lábios dela com a palma. 

 - Não responda ainda.

 Seus olhos viraram chamas quando ele cobriu a sua boca novamente, para prolongar o momento ele estudou primeiro passando suavemente os dedos sobre a sua boca e, em seguida, a outra mão se entrelaçou através da suavidade de seu cabelo loiro. Era como se estivesse tendo uma experiência fora do corpo que não tinha controle. Tirando a mão da sua boca a permitiu deslizar para baixo e ao redor de sua espinha ate parar sobre a sua bunda. A suavidade de sua carne feminina sob o tecido da calça jeans estava prestes a explodir a sua mente, então ele a apertou com força, imediatamente tentou amenizar o aperto, mas não conseguiu fazê-lo, a única coisa que conseguia era segurar com força a bunda dela, mantendo assim os seus dedos apertando ao redor dela.

 Levantou-a em seu corpo mais uma vez e a sua boca desceu sobre a dela com uma demanda intransigente. Sua língua tomou a dela em um beijo profundo e feroz, um beijo a qual estava com muito medo e tinha ate mesmo um toque de desespero, bem como a necessidade de todos os seus consumidores internos correndo por sua espinha. 

 Mas era um beijo que seria o único... Tinha que ser o único assim. 

 Ele percebeu quando ela se desligou em seus braços, podia sentir através daquele tremor suave...  Seu corpo todo tremia e a sua respiração estava descontrolada, mas ainda assim não era o suficiente. Ele podia sentir a sua resposta, mas queria mais que tudo a sua participação. 

 Por Deus e tudo o que era santo, se isso era tudo o que ele jamais poderia ter dela, então ele queria esse beijo de verdade. 

 Afinal, ele não poderia tê-la nunca mais depois de hoje à noite... Ele tinha certeza disso. Ela era muito jovem e ele... Ele era um Jonas. 

 Ele sabia que a verdade sempre iria separá-los e com isso sentiu quando um gosto ácido e corrosivo correu através das suas entranhas. Mas antes que ela lhe confirmasse a sua idade e lhe enviasse ainda mais culpa a se estabelecer em seu estômago, ele teria a maldita certeza de conseguir o beijo que ele tanto queria, então só lhe restava levantar a boca da dela e ordenar.

 - Beije-me de volta. - Ele exigiu. 

 Seus dedos agarraram o queixo dela para manter a sua boca aberta. - Dê-me a sua língua. - Ele falava enquanto se empurrava dentro dela novamente e rodava a sua língua em torno da dela.

 Atordoada com essa nova intimidade, Demi empurrou a sua língua ainda mais plenamente na direção dele e quando o fez, ele gemeu no fundo de seu diafragma e o beijo se tornou ainda mais selvagem. 

 Suas línguas se acariciavam e as respirações de ambos se misturavam enquanto suas mãos corriam para cima e para baixo no seu corpo, tocando-a em todos os lugares ao mesmo tempo. Finalmente, colocou as mãos em volta do seu rosto, afundando os dedos em seus cabelos, mas sem jamais se separar da sua boca ou parar de chupar a sua língua e todas essas novas sensações começou a lhe enviar uma seta de prazer através dos seus seios ate se reunir entre suas coxas, o que era uma novidade para ela.

 Joe beijou durante vários minutos, bebendo de sua boca, tentando tirar algo dela que iria sustentá-lo por um longo... Um longo tempo. Por fim, contra tudo o que ele realmente queria, acabou levantando a cabeça.

 Ele limpou a garganta, as mãos ainda a segurando pelo couro cabeludo, sentindo todos os seus músculos como um fio elétrico, lhe perguntou mais uma vez.

 - Quantos anos você tem? - Sua voz era áspera e cheia de excitação quando fez aquela pergunta que já sabia a resposta antes dela pronuncia-la.

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Capítulo gigantão, dessa eu n sabia, haha! Tudo bem, amores? Desculpe postar agr, tive q sair hj e voltei nesse momento... Espero q gostem! Comentem, ok? Amo vcs ♥
Bruna