2.7.14

Stripped - Capitulo 4

 
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Eu vou para o funeral. Claro que sim. Devin me leva. Ela segura minha mão, envolve seu minúsculo braço em volta da minha cintura, e me segura quando baixam o caixão no chão. Durante a celebração me sento com Devin, longe do meu pai. Ele não olha para mim. Nem uma vez. Ele parece tão forte, como se ele fosse um dos pilares da fé divina e perfeita. Eu o odeio.

Eu choro novamente. Pensei que eu ia perder todas as minhas lágrimas, mas elas nunca param de sair. Eu puxo minha câmera flip da minha bolsa e filmo a primeira pá de terra atingir o topo em madeira de carvalho do caixão de Mama. Pessoas engasgam com minha ousadia. Eu não me importo. É a última cena de seu filme, a gravação final da vida de Dianna Hart Lovato.

Quando tudo acabou, eu me agarro ao braço de Devin e tento respirar enquanto nós escolhemos o nosso caminho cuidadosamente através da grama e entre as lápides. Meus saltos fincam no chão molhado de uma chuva recente.

— Demi, espere! — Eu ouço a voz do meu pai.

Eu paro e viro. Concordo com a cabeça para Dev, assim ela continua até seu carro. Eu espero por papai correr até mim. Ele está lutando contra as lágrimas enquanto para a minha frente.

Ele limpa o rosto com a palma da mão. — Eu odeio a maneira como as coisas estão. Você é tudo que me resta.

Seus pais morreram quando eu tinha nove anos, e os pais de Mama morreram antes de eu nascer. Ele é tudo que eu tenho também. — Eu odeio a maneira como as coisas estão também, papai.

— Então você vai ficar? — Ele soa tão esperançoso.

Eu rio/choro. — Não, eu não vou ficar. Eu poderia ficar se você pudesse me aceitar como eu sou. Apoiar as minhas decisões, mesmo que você não concorde com elas.

— Você realmente vai se mudar para Los Angeles, eu querendo ou não? 

— Sim, papai. Estou indo para Los Angeles, não importa o quê. Você é o meu pai, e eu quero te amar. Eu quero ter um relacionamento com você. Mas se você não consegue entender que eu vou viver a minha vida do meu jeito, por que se preocupar? Você nunca me entendeu e nunca quis tentar. Você nunca aprovou qualquer coisa que eu faça, qualquer coisa que eu gosto. Você não entende por que eu danço. Você não entende por que eu quero fazer filmes. E o pior é que você não tenta entender. — Eu mudo minha bolsa no meu ombro e encontro seus olhos, suplicando-lhe uma última vez.

Ele só olha para mim. — Demi, não podemos nos comprometer um pouco? 

— Nos comprometer como? Quer que eu desista da escola de cinema para fazer você feliz? 

Ele revira os ombros em dá um meio encolher de ombros. — Bem... não desistir do que você quer, apenas me encontrar no meio.

— Não há meio-termo nisso, papai. Vou, de uma maneira ou de outra. Não termos uma relação quando eu for, é com você. Nosso relacionamento é com você.

Seus olhos endurecem, e mexe as mãos no bolso. — Tudo bem, então. Seja um prodígio.

Eu rio. — Deus, você é tão dramático. Eu não sou um filho prodígio, eu estou fazendo o que é certo para mim. Você simplesmente não pode aceitar isso. — Eu endireito as costas e endureço meu coração. — Adeus, papai.

— Adeus, Demi.

Nenhum de nós diz "Eu te amo". Não há abraços. Esperava que ele mudasse de ideia. Ele não faz. Eu me viro então, entro no carro de Devin, no banco passageiro.

Devin pergunta: — Você está...

— Estou bem. — aperto meu queixo para não chorar de novo.

— Bem, isso é uma besteira, mas se isso te ajuda. — Devin olha para mim, os olhos preocupados.

— Ele não... ele só não consegue perder o controle. Nunca vai conseguir. — esfrego os olhos com as palmas das minhas mãos, tentando afastar a ardência. — Ele não vai aceitar o que eu quero fazer, e eu não vou deixá-lo ditar minha vida.

As lágrimas vêm em seguida. Eu não posso segurar. Apenas algumas escorrem, e eu não me incomodo de limpar. Eu não me importo se minha maquiagem está borrando.

— E agora? — Devin pergunta.

Eu dou de ombros. — Agora? Eu vou para L.A.

— Sozinha? 

Concordo com a cabeça. — Eu acho que sim.

O resto da viagem para a casa de Devin é tranquila. Ela não sabe o que dizer, e nem eu.

***

Devin me leva até o portão de segurança no aeroporto. Tudo o que tenho se encaixa em uma mala e uma mochila, que foram verificadas por dentro. Eu voei apenas uma vez antes, há dois anos, para a minha doce viagem de dezesseis para Nova York com Mama. Ela me ajudou com o processo. Eu abraço Devin, digo-lhe adeus. Estou sozinha agora.

Viro-me e aceno uma última vez para Devin, e depois me concentro na segurança. Um homem mais velho com óculos de lentes grossas está sentado em uma mesa, a camisa do uniforme azul brilhante. Na minha mão eu tenho o cartão de embarque impresso pelo pai de Devin para mim.

— Carteira de motorista? — ele diz, sem olhar para mim.

Eu vasculho minha bolsa, encontro a minha licença, e a mostro para ele. Ele olha para mim, para a identidade, rabisca algo no meu cartão de embarque, e , em seguida, me manda seguir. Ao meu redor , as pessoas parecem saber o que estão fazendo. Eu não. Eu assisto a mulher antes de mim sair de seus saltos, puxar um laptop preto grosso de sua bagagem de mão e colocar isso em um recipiente branco. Em outro recipiente separado passa a bolsa, carteira, cartão de embarque, e sapatos. Eu sigo o exemplo dela, saindo de minhas sapatilhas de dança e as coloco em um recipiente com meus outros pertences. Eu espero a minha vez de entrar em uma coisa que se parece com algo de Star Trek, uma parede girando em uma caixa de vidro circular. Disseram-me para levantar os braços acima da minha cabeça, e a máquina girou em torno de mim .

E se eles quiserem me revistar? Eu não tenho nada a esconder, mas eu estou ansiosa mesmo assim. Eles me passam sem um segundo olhar, e eu recupero minhas coisas. Todo o processo parece... embaraçoso, estranhamente íntimo. Empresários de terno caminham vestindo meias, as mulheres com os pés descalços, fazendo malabarismo com seus pertences e tentam juntar suas coisas, e ao mesmo tempo, homens e as mulheres com uniformes da Segurança os assistem apaticamente, gritando instruções e olhando para todos.

Acho meu portão de embarque depois de passar por livrarias, lojas duty-free, restaurantes e grupos de viajantes com mochilas e fones de ouvido, rolando a bagagem de mão com os punhos estendidos. Todo mundo está com outra pessoa. Eu vejo um outro viajante solitário no meu portão, um homem na casa dos trinta, com um cavanhaque cuidadosamente aparado e uma maleta de aparência cara. Ele tem três telefones celulares em seu cinto e o casaco do terno caído sobre seu braço, e está lendo um New York Times precisamente dobrado. Ele olha para mim, mas logo me ignora. Ninguém mais parece me ver.

Eu nunca na minha vida me senti tão sozinha. Eu tenho o meu iPod e uma cópia Breath, Eyes, Memory que Devin me deu. Eu não sei por que ela pensou que eu precisava deste livro, mas é algo para passar o tempo. Para a hora que eu espero, deixo de lado minha vida e perco-me na luta de outras pessoas.

O voo é longo e chato. Eu termino o livro no meio do voo e então eu estou presa sem nada para fazer, mas escuto meu iPod em ―repeat‖. Eu folheio um catálogo SkyMall. O pouso é áspero e com solavancos, e estou no enorme e confuso aeroporto de LA. Ainda sinto como se fosse um sonho, como se eu pudesse acordar em minha cama, em casa, e mamãe estaria lá, viva, e ela me faria o almoço. Por fim, acho a sala para pegar bagagem e espero por minhas malas. Há um novo rasgo do lado da minha mochila.

Eu sigo as indicações para a saída, e quando as portas de vidro se abrem, sou recebida por uma onda de calor seco. De repente, tudo parece mais real. Eu tenho quatrocentos dólares em minha bolsa, metade disso é meu, que guardei da minha mesada. O resto é um presente dos pais de Devin. É tudo o que tenho. Quatrocentos dólares. Uma corrida de táxi do aeroporto LAX para USC custa $ 40, e eu fico com $ 360 dólares. Eu não comi desde que deixei a casa de Devin, então meu estômago ronca. Estou muito nervosa e com medo de comer. O motorista de táxi é um grande e corpulento homem negro, silencioso, com dreadlocks finos pendurados nos ombros. Ele não diz uma palavra. Quando chegamos a USC, ele simplesmente aponta para o medidor de tarifa e aguarda. Eu pago, me desfazendo do dinheiro com relutância.

A USC é enorme. Eu sigo as outras pessoas de aparência jovem da minha idade, alguns igualmente tão assustados. A maioria deles tem suas mães ou pais com eles, alguns tem ambos. Ninguém me percebe. Eu sigo a multidão para um escritório cheio de pessoas. Há uma orientação, uma visita ao campus. Os mapas são entregues junto com dia planejado. Meu quarto é uma coisinha pequena com um beliche de um lado, um pequeno armário, e uma pequena mesa de computador, que eu suponho que pertence a minha companheira de quarto. É tudo branco, e há uma janela fina em um canto com cortinas brancas sujas inclinadas para um lado, deixando entrar um brilho opaco de fora.

Minha companheira de quarto já está lá, sentada na cama de baixo, folheando uma edição da revista Vanity Fair. Ela é alguns centímetros mais baixa do que eu, vários tamanhos menores, e linda. Sua maquiagem está perfeita. Seu cabelo loiro platinado é elegante e polido e perfeitamente penteado em um toque francês. Suas roupas são caras, e perfeitas. Suas unhas são bem cuidadas, e uma bolsa
Dooney & Burke está na cama perto dela, um iPhone espreita para fora. Ela sorri para mim, olha em minha roupa, sem marca, saia na altura do joelho, uma modesta T-shirt com decote em V, e sapatilhas de dança muito desgastados. Seu sorriso ofusca um pouco. Ela está claramente impressionada.

— Então, você é uma atriz? — Ela pergunta. Ela soa como uma das garotinhas ricas da versão cinematográfica de The Valley.

— Não. Eu estou indo para a produção.

— Oh, tipo aquelas pessoas por trás das câmeras? — Ela exala desdém quando diz isso.

— Sim, eu acho.

— Você é do Sul. — ressalta.

— Sim. Eu sou de Macon.

— É no Alabama?

Eu fico olhando para ela, e eu me pergunto se ela está brincando. — Não, é na Georgia.

— Oh. Eu sou Lizzie Davis. — Ela não oferece um aperto de mão.

— Demi Lovato.

Ela sorri hipocritamente e volta a dedilhar seu violão. Seu telefone toca, e ela baixa o violão de lado, cruzando as pernas e tocando seu telefone. Isso acontece o tempo todo que eu estou desfazendo minha mala. Eu não tenho cartazes, nem nenhuma decoração, exceto a fotografia de Mama e eu em Nova Iorque. Eu não tenho um laptop ou um telefone. Eu vejo um laptop sobre a mesa de Lizzie, um grande MacBook prata.

Quando eu estou desarrumando, me sinto perdida. Lizzie ainda está mandando mensagens de texto ou o que quer que ela esteja fazendo. São quatro horas da tarde de quarta-feira, e as aulas não começam até sexta-feira, e depois temos o fim de semana antes do semestre começar realmente. Subo a escada, em seguida, deito de lado e olho para a parede, sentindo falta da minha mãe. Ela me diria para parar de ficar deprimida e encontrar algo para fazer. Explorar a cidade, dançar. Fazer um filme.

Em vez disso, eu deito na cama de cima e me pergunto se eu cometi um erro vindo aqui.


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Mais um capitulo da mini-fic, como eu disse antes, ela pode estar um pouco chata agora, mas quando o gostoso do Joseph aparecer vai esquentar e já esta perto dele aparecer sim... vcs querem maratona??? comentem <3

1.7.14

Stripped - Capitulo 3

 
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Sento-me com as mãos cruzadas sobre meu colo, os olhos baixos. Eu não posso olhar para ela. A máquina emite um bip constantemente, monitorando algo. Meus olhos ardem, mas eles estão secos. Eu chorei todas as minhas lágrimas ao longo dos últimos meses. Ela ia de mal a pior, e agora ela está um esqueleto envolta de pele em uma cama de hospital. O cabelo dela está desaparecido. Suas bochechas são fundas, e seus ossos afiados estão aparecendo. Seus dedos estão moles, frágeis e pequenos. Ela mal está respirando. Eu chorei e chorei, e agora eu nem sei se posso chorar mais.

Pedi a Deus para poupá-la. Eu fiquei acordada noite após noite, suplicando, de joelhos. E mesmo assim, Mama está morrendo.

Mama. Eu não a chamei ou pensava nela como "Mama" desde que eu tinha dez anos e Ally Henderson zombou de mim na frente de toda a classe. Ela tem sido "mãe" desde então. Mas agora... ela é: Mama novamente.

Destemido, papai permanece firme em sua fé de que Deus tem um plano. 

Deus tem um plano.

Essas quatro palavras poderosas que resolvem tudo por ele.

Eu não acho que Ele tenha um plano. Acho que às vezes as pessoas simplesmente morrem. Mamãe está morrendo. Ela só tem mais alguns dias.

Dois dias antes, eu estava fora do quarto do hospital, enquanto Dr. Pathak disse ao meu pai para se preparar para o pior.

Papai apenas repetiu seu mantra. — A vontade do Senhor não pode ser subvertida.

Dr. Pathak resmungou, irritado. — Eu respeito a sua fé, Sr. Lovato. Eu realmente respeito. Eu também sou um homem de fé profunda, embora eu saiba que você não concorda com o que eu acredito. Então entendo a sua fé. Às vezes, temos de estar preparados para o plano de Deus, mesmo não sendo como gostaríamos que fosse. Talvez Deus não opere um milagre. Talvez sim. Espero por você e por sua filha que Ele faça um grande milagre e cure sua esposa como eu tenho visto acontecendo. Eu também oro, à minha maneira, milagres aconteçam. Mas às vezes não acontecem. Isso é simplesmente um fato da vida.

Agora eu seguro a mão de minha mãe com a sua pele de papel de pergaminho na minha, e eu a vejo respirar. Cada respiração é um processo lento. Ela se esforça para sugar o ar durante longos segundos e, finalmente, ela solta tão lentamente quanto antes. Algo chacoalha no peito. Seu corpo está desistindo. Ela não, mas seu corpo sim. Mamãe lutou. Deus, ela lutou. Quimioterapia, radioterapia, cirurgia. Há cicatrizes e linhas de pontos em seu couro cabeludo, onde foi perfurado e cortado. Ela queria que o tumor saísse. Ela queria viver. Para o papai. Para mim.

Ela fez-me viver minha vida. Fez-me continuar indo para a escola, continuar estudando. Fez-me candidatar às faculdades. Ela até enviou um pedido para a USC, a University of Southern California. Uma das principais escolas de cinema do mundo. Ela me ajudou a conseguir bolsas de estudo. Ela manteve papai à par do meu caso e convenceu-o a deixar tudo ir. Ela não quer que a gente discuta, então não o fizemos. Papai nunca concordou, nunca aprovou. Mas quando recebi a carta de aceitação da USC e até mesmo quando fingi olhar para todas as outras faculdades, ele percebeu que era de verdade. Estava acontecendo. Talvez ele pensou que com Mama doente eu iria mudar de ideia. Talvez ele pensou que depois poderia apenas colocar meu pé no caminho e eu desistiria, independentemente do que eu queria. Eu não sei.

Mas agora... ela está perdendo a luta.

E tudo que eu sei é que eu estou indo para a USC. Mamãe entendeu minha paixão, antes que o câncer levasse sua alma. Eu usei a minha mesada para comprar uma câmera Flip e comecei a fazer meus próprios filmes, peças artísticas sobre mim, sobre a vida. Fiz amizade com um morador de rua que vive em Macon e fiz uma matéria sobre ele. O Sr. Rokowski me ajudou a editá-lo e colocar uma trilha sonora usando alguns programas profissionais.

Eu mostrei para papai. Ele disse que minhas intenções eram boas, mas se eu fosse para Los Angeles, minhas intenções não importariam. Eu seria sugada para o estilo de vida pecaminoso de Los Angeles. Deixei ele reclamar, e depois se afastar. Cinema é minha arte, tanto quanto a dança. Eu não preciso de sua aprovação.

Eu tenho filmado a luta de Mama contra o câncer. Ela me deixou filmar cada momento. Eu ignorei algumas aulas para ir filmar as sessões de quimioterapia dela. Ela disse que era o seu legado, que iria vencê-lo, e meu filme iria gravar sua vitória.

Minha Flip está no tripé no canto, filmando-a morrer agora. Gravando luta para respirar. Ela gravou suas últimas palavras, há dois dias: "Eu te amo, Demi". Estou gravando cada bip da máquina que está monitorando seu batimento cardíaco.

Eles disseram que ela vai morrer a qualquer momento. Eles não entendem por que ela ainda não desistiu. Eu sei, no entanto. Acho que ela ainda está lutando. Por nós.

Papai foi tomar café e comer alguma coisa. Eu olho para a porta fechada, mas há uma rachadura que deixar uma fina corrente de luz fluorescente do corredor e do guincho ocasional de tênis. Há o grito distorcido nos alto-falantes: — Dr. Harris, sala sete... Dr. Harris, sala sete, por favor...

Eu aperto delicadamente a mão de Mama. Ela aperta a minha mão de volta, com uma pressão mínima. Seus olhos vibram, mas não os abre. Ela está ouvindo.

— Mama? — Eu fungo e luto para respirar. — Está tudo bem, mamãe. Vou ficar bem. Vou sentir saudades todos os dias. Mas... você lutou tanto. Eu sei que você lutou. Sei o quanto você me ama e à papai. Vou cuidar dele, ok? Você... Você pode ir agora. Está tudo bem. Você não tem que lutar mais.

Isso é uma mentira: eu não vou cuidar de papai. Mas ela precisa da mentira, por isso eu digo a ela. Um soluço se liberta dos meus lábios. Eu descanso meu rosto em seu peito frágil, ouço o fraco thumpthump... thumpthump, de seu coração batendo.

   — Eu te amo, mamãe. Eu te amo. Papai te ama. — Eu ouço a batida fraca parecer mais fraca, mais lenta. Poucos segundos entre as batidas, depois quase um minuto. — Eu te amo. Adeus, mamãe. Vá estar com Deus.

Essas palavras são a pior mentira. Eu não acredito nelas. Eu não acredito em Deus.

Não mais.

Alguém está chorando alto, e eu percebo que sou eu. Eu engasgo. Eu tenho que ser forte para Mama.

O barulho fraco de seu coração, o peito sobe... desce. Uma lufada de pressão na minha mão, uma, duas, uma terceira vez, com força. Então, nada. Silêncio por debaixo da minha orelha. Quietude.

Eu desligo o monitor. Ele pisca sem sinal‘. Uma equipe de enfermeiros entra em rajadas, começando a corrida de reanimação.

— PAREM! — Eu grito no topo dos meus pulmões. Eu nem sequer levanto da minha cadeira. — Apenas... parem. Ela se foi. Por favor... deixe-a descansar. Ela se foi.

Papai está na porta, um copo de isopor branco com café na mão. Ele vê a comoção, vê a linha reta no monitor, vê as lágrimas em meu rosto, e ouve as minhas palavras. O copo escorrega de seus dedos e bate no chão. Escaldante café salpica para cima das pernas da calça jeans caras e sapatos de couro brilhantes.

— Dianna? — Sua voz rachas na última sílaba.

Estou brava com ele ainda. Mas ele é meu pai e esta é a sua esposa, e ele está perdido agora. — Ela se foi, papai. — eu digo.

— Não. — Ele balança a cabeça, empurra os enfermeiros em uniformes vermelhos. — Não. Ela não... Dianna? Amor? Não. Não. Não. — Ele distribui beijos em sua testa, também em seus lábios silenciosos.

Ela não beija volta, e ele desaba. Escorrega para o chão de linóleo, segurando as barras de metal da grade cama. Seus ombros demostram em um terremoto, mas ele permanece em silêncio enquanto chora.

Sua dor é terrível de testemunhar. Como se algo dentro dele tivesse quebrado. Despedaçado. Cortado em pedaços pela faca de um Deus indiferente.

— Por que Ele a deixou morrer, papai? — Eu não posso parar as palavras que escapam dos meus lábios.

São palavras cruéis, porque eu sei que ele não tem uma resposta. Eu sempre soube a realidade: seu Deus é uma farsa .

Ele está de joelhos ao lado da cama. Os enfermeiros estão em silêncio e respeitosamente assistem. Esta é a ala de oncologia, e já viram essa cena uma e outra vez.

— Deus... meu Deus, por que me abandonaste? Eli eli lama sabachthani? — Ele se afasta de mim, cobre o rosto com as mãos.

Sério? Ele está falando em aramaico agora? Ele está fazendo esse show piedoso para os enfermeiros? Ele está realmente sofrendo, eu percebo isso. Mas por que ele tem que agir no modo malditamente santo o tempo todo? Dirijo-me para longe dele. Eu me inclino para Mama e beijo sua bochecha.

— Adeus, mamãe. Eu te amo. — sussurro as palavras baixo o suficiente para que ninguém possa ouvir.

Eu saio do quarto. É o número 1176. Eu poderia fazer o caminho até os elevadores de olhos fechados agora: vire à direita da sala 1176, pelo longo corredor até o beco sem saída. Vire à esquerda. Outro corredor longo. Passe o posto de enfermagem, através das portas que se abrem em direções opostas, uma oposta a você e a outra em direção a você. Os elevadores estão no final desse corredor curto, com portas duplas cor prata. O botão acende-se de cor amarela pálida, as setas para cima e para baixo desfocadas por causa dos milhares de polegares pressionados contra eles. Não observo o elevador descer, ou quando saio do hospital, apenas tropeço para fora na luz solar. É um lindo dia. Há uma ausência de nuvens, apenas agora, céu azul infinito e um sol amarelo brilhante e ar fresco de outubro.

Como pode ser um belo dia quando minha mãe morreu? Devia ser um dia horrível, negro. Em vez disso, é o tipo de dia que eu deveria estar passeando no centro de Sebring no conversível de Devin, ouvindo Guster.

Eu me encontro com minhas mãos e joelhos na grama, cercada pelos carros estacionados. Eu estou chorando. Pensei que tinha chorado todas as minhas lágrimas, mas não. Nem perto disso.

Sinto a presença do papai na grama ao meu lado. Pela primeira vez em toda a minha vida, ele é algo real. Ele se senta na grama ao meu lado, sem se importar com a umidade de uma hora atrás. É de manhã cedo, logo após o amanhecer. Eu estive ao lado de sua cama por 48 horas, esperando. Eu não tinha me movido, nem uma vez. Não comi, não bebi, não fiz xixi.

Mama... Mama está morta. Eu ignoro o meu pai e choro. Eventualmente, ele me levanta da grama, me leva para o carro, e me põe no banco de trás de seu BMW, onde eu me deito. O cheiro de couro enche meu nariz, picante e úmido de minhas roupas. Ele dirige lentamente, e eu o ouço fungar e bufar. Eu ouço o barulho suave de sua mão passando sobre a barba de uma semana enquanto ele enxuga seu rosto, limpando as lágrimas, abrindo espaço para a próxima onda de tristeza salgada e quente.

Eu não posso respirar sobre os soluços, o peso bruto do luto. Mamãe está morta. Ela era a única pessoa que me entendia. Ela era a intercessora entre mim e papai. Quando ele não queria ouvir, era ela quem falava com ele para mim. Às vezes me pergunto se meu pai ainda gosta de mim. Quero dizer, ele é o meu pai, então eu sei que ele sente a emoção patriarcal de amor protetor, mas ele gosta de mim? Do jeito que eu sou? Será que ele me conhece? Ele já tentou me conhecer?

E agora a única pessoa que me entendia está morta. Se foi para sempre.

— Pare, por favor. — estou lutando para ficar sentada, arranhando no botão da janela, na porta trancada. — Eu vou vomitar. 

Ele abranda o suficiente para que eu possa saltar para fora do carro ainda em movimento e caio no capim na beira da estrada. Vômito derrama de mim como uma inundação quente, queimando minha garganta, convulsionando meu estômago. Meus olhos lacrimejam onda após onda jorradas através de mim, e meu nariz pinga. Papai não me ajuda, não segura meu cabelo. Ele só me olha do banco do motorista, o motor em marcha lenta. A canção de Michael W. Smith toca suavemente nos alto-falantes, flutuando para mim pela porta aberta. ―A Entrega‖. Eu odeio essa música. Eu sempre odiei essa música. Ele sabe que eu odeio essa música.

Eu me ajoelho no cascalho e na grama, arfando. Eu olho por cima do ombro dele. A dor em seus olhos são como facas. Mas é a dor solitária. Ele está em seu próprio mundo.

Assim como eu.

Eu cuspo bile, limpo o rosto na minha manga, e chuto a porta traseira. Eu deslizo para o banco do passageiro da frente, prendo meu cinto de segurança no local, e em seguida, com raiva desligo o rádio.

— Demi, eu estava ouvindo isso.

— Eu odeio essa música. Você sabe que eu odeio essa música.

Ele calmamente liga o CD player novamente e aperta o botão de pular a música. — É o meu carro. Vou ouvir o que quiser. — Ele não pulou a música, ao que parece. Ele a voltou. Ela está começando de novo. Mesmo em meio à dor, ele ainda tem que estar totalmente no controle.  

O carro ainda está parado, então eu solto meu cinto e abro a porta. — Tudo bem. Então eu vou a pé.

— São mais de 8km, Demi. Entra...

Algo explode dentro de mim. Viro-me para ele e grunhindo, é animalesco, gutural, rosno sem palavras. — Vá se foder. — eu digo.

Ele realmente suspira. — Demetria Devonne Lovato.

Eu o ignoro e começo a andar. Um carro passa com um alto assobio e uma rajada de vento frio tardio. Ele sai e grita seus comandos. Em seguida, ele tenta me arrastar para o carro. Seu braço gira em torno da minha cintura, e ele me arrasta para a porta do passageiro. Eu piso no peito do seu pé, me livrando de suas garras, e então antes que eu sabia o que pretendo fazer, eu soco sua mandíbula. Meu punho aperta e se conecta com sua bochecha. Ele tropeça para trás, mais surpreso do que ferido. Minha mão dói. Eu não me importo.

— Qual é o plano de Deus agora, papai? Por quê? Por que Ele deixou isso acontecer? Diga-me, pai! Fala! — Estou batendo meus punhos nele.

Ele pega as minhas mãos nas dele. — Pare, Demi. Pare. PARE! Não sei! Eu não... eu não sei. Basta entrar no carro e vamos falar sobre isso.

Eu baixo minhas mãos livres. —Eu não quero falar sobre isso. Apenas me deixe em paz. — Eu digo isso com calma. Muita calma. — Só... me deixe em paz.

E... ele deixa. Ele vai embora, deixando-me ao lado de uma estrada, a quilômetros de qualquer lugar. Naquele momento, eu o odeio. Eu não achei que ele me deixaria aqui. Outro soluço escapa de mim, e depois outro, e depois estou chorando novamente. Quilômetros passam debaixo dos meus pés lentamente, muito lentamente. Eventualmente eu ligo para Devin, minha melhor amiga, e ela vem me pegar.

Ela é minha melhor amiga, depois de mamãe.

Que está morta. A realidade me bate mais uma vez.

Eu deslizo no carro de Devin e caio para frente contra o painel. — Ela... Ela se foi, Devin. Ela morreu. Mama morreu.

— Sinto muito, querida. Sinto muito, Demi. — Ela liga o rádio e se afasta do meu ombro, voltando para a rodovia para onde vivemos, ficando cada vez mais longe do Centro Médico da Georgia.

Devin me deixa chorar por um longo tempo antes de falar. — Por que você estava andando na beira da estrada? — Devin tem o perfeito sotaque do sul. Ela o cultiva, eu acho. Estou sempre tentando soar menos como uma caipira da Georgia, mas o sotaque se insinua às vezes.

— Eu entrei em uma briga com meu pai. Ele... ele sempre tem que estar no comando. Sabe? Sobre tudo, o tempo todo. Eu não aguento mais. Eu não posso. Tudo é da conta dele. Mesmo quando estávamos brigando, ele tinha que controlar o que eu fazia, o que eu dizia e o que eu sentia. — Eu fungo. — Eu... eu acho que o odeio, Dev. Eu realmente acho. Sei que ele é meu pai e eu deveria amá-lo, mas ele é... ele é um idiota.

— Eu não sei o que te dizer, Demi. Por tudo que você me conta, ele é mesmo uma espécie de idiota. — Ela olha por cima do ombro enquanto muda de faixa, e me lança um sorriso simpático. — Você quer ficar comigo por um tempo? Mamãe e papai não vão se importar.

— Posso? 

— Vamos pegar as suas coisas. — Devin diz, tentando ser alegre.

Papai está em sua sala de estudo com a porta fechada. O que me diz muito, papai nunca, nunca fecha a porta, a menos que ele esteja realmente chateado, ou profundamente em uma oração.

Eu carrego um monte de roupas e os meus produtos de higiene pessoal em um saco, pego minha mochila que levo para as aulas de dança, meu estoque de dinheiro da gaveta da minha mesa. Eu olho em volta do meu quarto, e sinto como se fosse a última vez. Num impulso, eu pego o meu iPod da mesa, juntamente com o carregador do meu telefone. Eu volto para o meu armário e enfio todas as minhas roupas na mala, sutiãs, calcinhas, vestidos, saias, blusas, saltos, sandálias, tudo isso empurrado até que está tudo transbordando, e eu tenho que sentar-me sobre ela para obtê-la fechada. Eu tinha planejado embalar tudo mais cuidadosamente, mas por algum motivo, eu apenas sei. É isso. O fim.

Olho para os cartazes de vários bailarinos em minhas paredes, os playbills Broadway da viagem que fiz aos dezesseis com mamãe para Nova York... tudo parece juvenil. O quarto de uma criança. Uma garotinha. Há até uma prateleira em um canto cheia de bonecas da minha infância, todas vestidas e sentadas em uma fileira.

Um último olhar. Minha foto emoldurada de mamãe e eu na Times Square vai na minha bolsa. Ela parecia tão feliz lá, e assim eu também. Essa viagem é o que inspirou o meu amor pela dança.

Meu saco de dança está pendurado no meu ombro enquanto eu puxo a mala pelas escadas. As rodas fazem baques passo a passo até que eu esteja no patamar. A porta da frente está diante de mim e as portas francesas fechadas do estudo de papai à minha esquerda. Uma delas se abre e papai enche o espaço, com os olhos avermelhados, rosto desfigurado.

— Onde você está indo, Demi? — Sua voz é rouca.

— Devin. — Eu ergo a carta de aceitação para USC, o envelope onde explica onde é o meu dormitório, informações sobre minha colega de quarto, check-in. — E depois LA. Estou indo para a faculdade na próxima semana.

— Não, você não está. Nós somos uma família. Precisamos ficar juntos durante este momento difícil. — Ele tenta dar um passo mais perto de mim, e eu recuo. — Sua mãe acaba de morrer, Demi. Você não pode sair agora.

Eu dou uma risada incrédula. — Eu sei que ela morreu. Eu estava lá! Eu a vi morrer. Tenho que ir, tenho que sair daqui. Eu não posso ficar aqui. Não pertenço a este lugar.

— Demi. Você é minha filha. Eu te amo. Por favor... Não vá. — Seus olhos estão molhados. Vê-lo chorar dói, mas não muda o fato de que eu o odeio.

— Se você me ama tanto, por que me deixou na rodovia sozinha? — Eu sei que não é justo, mas não me importo.

— Você se recusou a entrar no carro! O que eu deveria fazer? Você me deu um soco! — Ele cai para o lado contra a porta fechada, descansando a cabeça na madeira. Uma lágrima desliza para baixo de sua bochecha. — Ela era minha esposa, Demi. Estive com ela desde que eu tinha dezessete anos. Perdi a minha esposa.

Eu jogo a cabeça para trás, tentando não chorar. — Eu sei, papai. Eu entendo.

— Então fique. Por favor, fique.

— Eu... não posso. Simplesmente não posso. — Eu seguro a alça da minha bolsa roxa com estampas Vera Bradley em minhas mãos e torço.

— Por que não? 

Eu balanço minha cabeça. — Eu simplesmente não posso. Você não me entende. Você não sabe nada sobre mim. Sei que ela era sua esposa, e eu sei que você está sofrendo tanto quanto eu. Mas... sem ela, eu não sei o que fazer. Era ela que fazia esta família funcionar. Sem ela... nós somos apenas duas pessoas que não se conhecem.

Ele parece tão confuso. — Mas... Demi... você é minha filha. Claro que eu te conheço.

— Então por que eu gosto de dançar? 

Ele parece intrigado com a pergunta. — Porque você é uma menina. Meninas gostam de dançar. É apenas uma fase.

Eu tenho que rir em voz alta. — Deus, papai. Você é um idiota. Porque eu sou uma garota. Sério? — Eu gemo em desgosto e coloco meu saco de dança de volta no meu ombro. — Isso é exatamente o que quero dizer. Você não conhece nada sobre mim. Eu sou exatamente como mamãe costumava ser antes de casar com você. Você sabe disso. E é isso que te incomoda sobre mim. Ela era uma dançarina, livre, então ela se casou com você e mudou por você e eu não vou fazer isso. Essa foi a escolha dela, e tudo bem. Ela é quem quis. Mas não é a minha escolha. Eu não quero ser a esposa de um pastor, pai. Eu não quero ir para a reunião de oração toda quarta-feira, dois cultos nas manhãs de domingo e pequenos grupos às segundas-feiras e estudo da Bíblia das mulheres às quintas-feiras. Essa não é a minha vida. Eu nem mesmo gosto de ir à igreja. Nunca gostei. — Eu respiro e então solto a verdadeira bomba: — Eu não acredito em Deus.

Os lábios de papai caem em horror. — Demi, você não sabe o que está dizendo. Você está chateada. É compreensível, mas você não pode dizer essas coisas.

Eu quero gritar em frustração. — Papai, sim, eu estou chateada, mas eu sei exatamente o que estou dizendo. Isso é uma coisa que eu queria dizer há anos. Só não disse antes porque não queria aborrecer a mamãe. Eu não quero brigar. Sou basicamente uma adulta agora, e eu... eu não tenho mais nada a perder.

— Demi, você tem dezoito anos. Você acha que você é adulta, mas não é. Você nunca trabalhou um dia em sua vida. Suas roupas, suas manicures, as aulas de dança, tudo, tudo pago pela generosidade da congregação... A igreja que eu construí sozinho. Comecei com seis pessoas na parte de trás de um restaurante em 1975. Você não duraria um dia por conta própria.

Coisa errada a dizer. 

— Vamos ver se não. — Eu pego minha mala e estendo o punho, puxo a mala sobre suas rodas, grunhindo como o peso que quase me tomba.

Papai se move em frente da porta. — Você não está indo embora, Demi.

— Saia do caminho, papai.

— Não. — Ele cruza os braços sobre o peito.

Ponho a mala na posição vertical e esfrego a testa com as costas de meu pulso. — Apenas me deixe ir.

— Não. — Ele parece inchar, tomando força para me desafiar. — Você não está indo para a Babilônia. Los Angeles é a casa de... de... prostitutas e homossexuais. Você não vai lá. Você não está indo embora.

— Papai, seja razoável. — Eu tento o método de persuasão. — Por favor. Você sabe que eu queria isso antes de Mama ficar doente.

— Você não vai e ponto final.

Eu grito em seguida, um uivo furioso. — Deus. Você é um filho da puta teimoso! — Eu quero chocá-lo com a minha vulgaridade, eu não gosto de palavrões, mas quero fazê-lo ficar com raiva. — Basta sair do meu caminho!

Eu o empurro e ele se move. Eu sou uma garota alta, forte por causa da dança. Ele tropeça para o lado e eu escancaro a porta com tanta força que ela bate na parede, quebra o gesso e derruba um retrato de mamãe e papai quando eles eram jovens, antes de mim.

Ele pega o quadro da porta da frente aberta, e o aperta contra ele. — Demi... por favor. Não me deixe.

Eu quero amá-lo. Eu quero que ele seja o pai que eu preciso, o tipo que me abraça e me segura. O tipo que me conforta. Minha mãe, sua esposa, está morta. Nós dois perdemos. Mas em vez de nos unir, isto nos quebra.

Devin está lá horrorizada, do lado de fora da porta. Ela pega a minha mala e corre para o carro, ergue a mala preta pesada e a põe no carro. Sigo atrás dela, parando quando estou na porta aberta, entro e olho de volta para o meu pai sobre o tecido azul do teto conversível. Ele fica na porta, parecendo perdido. Eu quase volto.

Quase.

— Adeus, papai. — É a última tentativa.

Ele dá um passo em minha direção, endurecendo seus olhos. — Demi, por favor. Não nos quebre assim. Não faça isso com a gente.

— Como você pode virar o jogo para mim desse jeito? Eu não estou indo embora para sempre. Estou indo para a faculdade, papai. Eu... Eu só estou fazendo o que é certo para mim. Por favor, tente entender.

— Se você deixar esta casa, você já fez a sua escolha. Se você sair, você vai deliberadamente escolher o pecado. 

— Não é pecado! É a minha vida. Por que você não pode ser razoável? 

Ele cerra os punhos, endireita as costas. — Eu estou sendo razoável. Volte e vamos discutir as suas opções.  

— Tenho que ir, pai. Eu tenho. — volto, fico na frente dele. — Eu te amo. Sei... eu sei que temos nossas diferenças, mas... Eu te amo. 

— Você vai ficar, então? — Ele pega a minha mão, a dureza em seu olhar suavizando ligeiramente. Puxo minha mão. 

— Não. Eu tenho que ir. 

— Então, você já fez a sua escolha. Adeus, Demi. — Ele se afasta de mim e fecha a porta sem olhar para trás. E assim, eu estou sozinha no mundo.
 
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Oiii!!! esta tensa essa mini-fic não é??? ela vai esquentar e melhorar no momento em que o gostosão do Joseph aparecer, e digo a vcs que os hots vem com tudo nessa mini-fic, deixa os hots das outras mini-fics no chão... #Adoro!!

Beijoos e não se esqueçam de comentar!! <3

Stripped - Capitulo 2

 
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O último do ano escolar passa sem incidentes. As dores de cabeça da mamãe diminuíram ou ela as esconde. Eu dancei em diversos recitais, com mamãe e papai no público. Papai ainda não chega a aprovar, e ele definitivamente lança olhares para as outras meninas — que fazem solos mais abertamente sensuais. Ele sabe que eu sou talentosa, porém, e isso lhe agrada. Eu danço durante o verão, e eu chego a conhecer Devin, Lisa e algumas outras garotas do estúdio. Papai me deixa sair com elas, enquanto eu respeito o cheque-in regularmente. Para a maior parte, nós não fazemos nada além de sair no shopping e assistir TV na casa de Devin. Alguns meninos vem algumas vezes, mas nenhum de nós diz nada para os adultos. Devin é um duende, mal tem um metro e meio e pesa cerca de 45kg. Ela tem cabelo castanho e olhos castanhos e é uma cabeça quente, ardente, enérgica e franca. Ela praticamente tem a casa só para ela desde que seus pais trabalham o tempo todo. Tanto quanto o papai sabe, é só eu, Devin e Lisa e um saco de queijo, e filmes como Flashdance, Footloose e Girls Just Wanna Have Fun.
 
Ele não sabe sobre as ocasionais festas de Devin nos fins de semana enquanto seus pais estão em Atlanta ou em outro lugar para algum negócio. Em comparação com as histórias que eu ouço na Central High School, estas festas são geralmente muito dóceis, é basicamente o mesmo, mais ou menos vinte pessoas, algumas meninas do estúdio da Sra. LeRoux, alguns caras do time de futebol, e algumas meninas do programa de dança do Central. Alguns tomam um pouco de cerveja ou uísque, mas eu não. Papai sentiria cheiro de álcool em mim antes mesmo que eu entrasse em casa. Tentei beber cerveja uma vez, mas é desagradável. Tomei um pequeno gole de uísque e quase engasguei. Eu bebo Coca-Cola e me divirto assistindo os outros agirem como idiotas.

Em uma dessas festas, perto do fim do verão, eu me vejo sentada no deck atrás da casa de Devin, observando como seis ou sete rapazes bêbados jogam uma partida turbulenta de futebol, meninas torcendo e ficando no caminho. Uma das meninas da Central de Dança está sem a sua camisa, o sutiã rosa brilhante no final da noite. Estou envergonhada por ela. Como ela poderia estar bem assim, seminua, sabendo que cada indivíduo daqui está olhando para ela? Quero cobri-la. Vários caras chegam a ela, tentam levá-la com eles para dentro, mas ela consegue sem esforço algum expulsá-los sem ferir quaisquer sentimentos. Ela está claramente embriagada, dançando a música tocando nos alto-falantes portáteis do iPod de Devin. Ela tem as mãos em seu cabelo, junta-as na parte de trás de sua cabeça. Ela está contorcendo os quadris ao ritmo da música, rodando ao redor lentamente, girando os quadris, pele bronzeada piscando sob a luz da lua e o brilho amarelo pálido da casa. Todo mundo está olhando para ela. Todos. Ela é uma dançarina, ela sabe o que está fazendo. Ela sabe que tem atenção. Ela desliza as mãos sobre a barriga, sobre seus quadris, empurrando o cós de sua calça jeans apertados. Sua dança assumiu uma vida própria, girando no lugar, jogando seu cabelo em volta, empurrando para fora e balançando os quadris. Cada movimento é provocativo. Os caras estão congelados, e eu vejo como os garotos estão ajeitando suas partes de baixo. Mesmo que eu esteja na escuridão, ainda estou corando.

A voz baixa e rouca vem da minha esquerda. — Você pode dançar daquele jeito? 

Eu pulo, assustada. Procuro nas sombras e vejo um menino que vem com frequência as festas de Devin, um jogador de futebol chamado Craig. — Não, — eu disse, balançando a cabeça. — Definitivamente, não.

Ele ri, apoiando-se no corrimão. — Claro que você pode. — Seus dedos tocam sobre meu ombro, e eu tremo. — Você deveria tentar. Você seria quente. Ela é bem bonita, mas você? Você é bonita pra caralho, garota.

Eu coro tanto que meu rosto fico quente. E rio nervosamente. — Você é louco.

— Não, eu não sou. Só sei o que eu gosto. — Seu tom indica que ele está se referindo a mim.

Eu ainda não consigo vê-lo. Ele está nas sombras, na grama além do deck. Eu já o vi antes. Ele é alto e loiro, o tipo de cara que a maioria das meninas gaguejam ao falar com ele. Ele está vestindo uma blusa vermelha que mostra seus braços musculosos e um par de shorts pendurados baixo. Ele é bonito, isso é certo. Meu estômago faz flip-flops. Ele gosta de mim. Ele está inclinando-se para me ver melhor, com os olhos pálidos e amplos na escuridão.

Abruptamente, ele planta as mãos no corrimão do deck e ele está bem na minha frente. Eu dou um grito silencioso de surpresa e recuo para longe dele. Ele anda até mim. Ele é tão alto, e eu estou com medo do que eu vejo em seus olhos. Desejo. Fome.

Eu não sei como lidar com isso, com ele. Este é um novo território. Sei que eu sou bonita, então os meninos estão sempre interessados. Eu sou alta para uma menina, de 1,72 m com os pés descalços. Tenho cabelo loiro-mel que é longo, fino e reto. Meus olhos são cinza, a cor de ferro escuro de uma tempestade que se aproxima, ou então é o que Devin diz. Eu tenho o corpo de uma dançarina: curvas, coxas poderosas, quadris mais largos do que eu gostaria, uma cintura bastante fina, e seios generosos. Por ―generoso‖, quero dizer que eles são enormes, mesmo para a minha altura e constituição, o que é uma espécie de desafio, quando eu estou dançando. Eu costumo usar sutiãs esportivos porque eles se balançam muito, mesmo quando eu não estou dançando.

É lá que os olhos de Craig estão colados agora. Eu estou usando uma camiseta solta azul e uma saia até o chão cinza. Completamente conservadora. Sem pele a mostra, apenas meus braços e um aro fino acima da gola alta de minha camisa. Mesmo assim, Craig não pode tirar os olhos do meu peito. De repente estou irritada com isso. Mas, então, ele dá mais um passo, e ele está perto o suficiente para que eu possa sentir o cheiro da cerveja em seu hálito e ver a luxúria em seus olhos.

— Vamos lá, Demi, me mostre como você dança. — Ele coloca as mãos nos meus quadris, baixos, e se esfrega contra mim.

Estou congelada, porque ninguém jamais me tocou assim. Devo reagir? Parte de mim gosta, mas essa parte é pecaminosa. A pecadora sensual em mim gosta.

Com uma ingestão aguda de respiração, puxo-me para fora de seu aperto. — Acho que não, Craig.

Ele apenas ri, como se eu estivesse jogando um jogo. Seguindo-me, ele pressiona seu corpo duro contra mim, ele não permite que uma polegada esteja entre nós. Antes que eu saiba o que está acontecendo, sua boca está na minha, a respiração azeda pela cerveja e seu odor corporal leve. É uma fração de segundo de contato, mas estou revoltada. Eu o afasto e tropeço para trás, em seguida, bato nele com força. Eu não me incomodo de falar, e vou para dentro da casa, fechando o vidro da porta do pátio atrás de mim.

Através de uma janela aberta, ouço a voz de Devin o chamando para fora do quintal. — Ela não é assim, Craig. Você não pode vim com essa merda para cima de Demi Lovato. Você não sabe quem é o pai dela? 

— Quem? Eu deveria saber? — Eu o ouço responder.

— Eddie Lovato. Pastor da Igreja Batista Macon Contemporânea.

— Não é a enorme igreja na 75? 

— Sim. Esse é o seu pai. Ela é filha de um pastor, C. Ela não é o tipo de garota que vai fazer uma festa com você. Então, esqueça. Esqueça-a.

— Puta merda, — Craig murmura. — Ela é quente como o inferno.

— Bem, ela está fora dos limites. Vai dar em cima da Amanda.

Craig ri. — Sim, certo. Cada indivíduo em Macon com idade inferior a vinte e cinco anos já deu em cima da Amanda. Eu não quero subir nesse trem.

Devin ri com ele. — O que significa que ela é uma aposta certa, não é? 

— Aposta certa para herpes, você quer dizer. — Eu ouço uma mudança na voz de Craig. — E você, Dev? Que tipo de garota é você?

Devin não responde imediatamente. Eu não posso acreditar que ela vai cair em uma cantada assim, mas sua voz é baixa e ofegante. — Pegue-me outra bebida, e você certamente poderia descobrir.

Recuo para dentro da casa, sem querer ouvir mais nada.

Eu pulo a próxima festa de Devin, e acho que ela percebe. Aquela conversa atravessa minha cabeça pelo resto do verão, no entanto. Eu sou a garota que está fora dos limites. Eu sou a filha do pastor. Não sou fora dos limites porque respeitam as minhas crenças sobre o casamento, ou por causa de quem eu sou, mas por causa do papai. Devin estava certa de que eu não sou esse tipo de garota, mas isso não significa que eu odiei totalmente o avanço de Craig, ao menos não até que ele me agrediu com a boca. Eu gostei de me sentir desejada.

***

Eu tomei um monte de aulas avançadas nos meus primeiros três anos do ensino médio, por isso meus horários no último ano tem algumas grandes janelas, onde eu posso pegar algumas optativas. Estou tentando escolher algumas aulas que me interessem, mas não há nada. Eu já fiz fotografia, teatro, jornalismo e dança. Eu não quero repetir nenhum deles, exceto talvez a aula de teatro. Foi divertido ficar em cima do palco, fingir, e agir. Foi ainda mais divertido assistir os outros. Nós ainda tivemos nossa própria cena, e foi onde eu brilhava.

Resolvi por pegar uma aula de introdução ao cinema, ministrada pelo Sr. Rokowski, que havia trabalhado em Hollywood como cinegrafista durante a maior parte de sua vida antes de ir para Macon com sua esposa. Ele é um homem baixo, com uma barriga redonda e cabelo grisalho longo preso para trás em um rabo de cavalo.

O semestre voa. A maioria das minhas aulas são chatas, difíceis e maçantes. Todas, exceto a de cinema. Nós assistimos filmes, estudamos, falamos sobre fotografia, ângulos de câmera, a razão para uma dúzia de tomadas para cada cena. Algo sobre o processo me prende. Ouvir o Sr. Rokowski falar sobre estar por trás da câmera durante as filmagens de filmes como Ghost ou Dirty Dancing, ser uma
parte de algo tão duradouro, tão icônico... Eu amo isso, eu amo cada história que ele conta. Gosto de ver as coisas diferentes que um filme pode fazer você sentir, apenas a música em segundo plano ou o ângulo de um close-up, ou como uma cena passa de um lugar para outro. A manipulação da luz, som e emoção. Cada filme é uma obra de magia. É como a dança é para mim. Quando eu danço, eu me perco. Eu posso ser qualquer pessoa, fazer qualquer coisa. Eu posso dizer o que penso, o que sinto. Com filmes, posso ficar perdida em um outro mundo, nas vidas de outras pessoas com problemas diferentes dos meus.

No final do último dia do semestre, o Sr. Rokowski me puxa para o lado. — Demi, eu só queria dizer que foi um prazer tê-la em minha sala de aula neste semestre. Algumas raras vezes, esta aula trás algo de bom para um aluno, são por essas vezes que eu vivo. Leciono Cinema porque é o que eu sei e o que eu amo, mas quando sou capaz de mostrar a um estudante a magia nos filmes, essa é a melhor parte. — Ele puxa um folheto de sua pasta. — Eu ensino na The Film Connection. É um instituto de cinema com uma filial aqui em Macon. É um programa incrível que realmente ensina os truques da indústria. Você atravessa o processo de produção de seu próprio filme, e ainda se conecta com executivos de Hollywood. Acho que você pode ser uma grande candidata para o programa. É algo para se pensar. Você poderia até mesmo entrar como uma cooperada. E eu poderia fazer a recomendação para você.

Eu sinto algo como esperança florescendo dentro de mim. — É um instituto de filme de verdade?

— Absolutamente. É uma ótima maneira de adquirir experiência e fazer alguns contatos na indústria.

— Eu aprendendo a como realmente fazer um filme? Tipo, de verdade? — quero tanto isso que posso até sentir o gosto, até que eu me lembro de papai. — Meu pai não vai deixar. — ouço-me dizer ao Sr. Rokowski.

   — Por que não? 

Dou de ombros, pois não queria ter que explicar. — Ele é... muito rigoroso. Ele não aprova Hollywood. 

— Mas é isso o que você quer? Quero dizer, e se você conseguir uma bolsa? É inteiramente possível. Conheço pessoas. Você realmente mostrou uma paixão pelo cinema neste semestre, Demi. Acho que você poderia realmente chegar a algum lugar.

Eu balancei minha cabeça. — Vou pensar sobre isso. Gostaria de poder, eu realmente gostaria. Mas... Eu conheço meu pai.

Sr. Rokowski enxuga o rosto com a mão, os olhos castanhos olhando para mim e depois se distancia. — Seu relacionamento com seu pai é uma coisa que só você pode lidar. Basta pensar nisso, ok? Eu odiaria ver tanto talento indo para o lixo.

Eu penso sobre isso... oh meu, eu queria tanto. Estou sentada na cozinha, girando um lápis em meus dedos. Estou trabalhando em uma ideia para um filme, escrevendo o roteiro e pensando sobre o script. Eu tento falar com a mamãe sobre isso, mas ela não acha que é uma ideia muito boa.  

— Você sabe como o seu pai é, Demi. Hollywood é imoral e toda a indústria do cinema está cheia de tubarões. Você ficaria exposta a tantas coisas impuras. É uma glorificação de tudo o que é pecaminoso sobre a nossa sociedade.

Ela está falando por papai.

— Eu não acho que você realmente pensou sobre o que estaria se metendo, querida. Continue com a dança. Encontre um homem bom e piedoso.

— Você quer dizer um pastor, para que eu possa ser como você.

— Há algo de errado com isso? — A voz da minha mãe é afiada.

— Não, mas não é o que eu quero. Adoro filmes. Eu amo a dança, e eu adoro isso para mim. Não quero dançar profissionalmente, porque isso tiraria toda a diversão. Quero uma carreira no cinema. — Não quero ser a esposa de um pastor. Eu penso nisso, mas eu não digo.

— Eu só não acho que isso é uma possibilidade, querida. — Ela empurra cuidadosamente o cabelo loiro do rosto. Dois dedos apertam a ponta do seu nariz, e ela respira lentamente. — Basta pensar sobre isso novamente, meu bem. Vale a pena fazer seu pai recuar novamente? Ele ficaria tão decepcionado.

Ela tropeça, então, como se estivesse tonta ou desorientada. Eu salto fora do banco e a seguro contra mim. — Mãe? Você está bem? 

— Estou bem, querida. Acabei ficando tonta por um instante. Não tive muito apetite ultimamente, então eu só posso estar com fome.

Isso não faz qualquer sentido para mim. — Mãe, sério. Suas dores de cabeça voltaram?

— Elas nunca realmente acabaram, honestamente. — Ela se inclina para trás contra o balcão da cozinha. — Eu vou ficar bem. Vou tomar um Tylenol, e vou ficar bem.

Eu a deixo ir, mas a preocupação está de volta.

Na semana seguinte, eu me aproximo de papai durante seu estudo. É uma terça-feira, o que significa que ele está apenas começando seu sermão para a semana, que é o melhor momento para falar com ele. Depois de quarta-feira ele fica irritado quando é interrompido.

Eu me sento na cadeira de couro do lado oposto da mesa de carvalho enorme. — Oi, papai. Como está o sermão? 

Ele se senta novamente, tirando seus óculos. Ele passa a mão pelo cabelo. — Olá, Demi. Vai muito bem. É um discurso sobre praticar o bem em um mundo onde não há bondade. — Ele me olha.

— Eu sinto um ―Pai, eu posso...? chegando.

Eu sorrio o mais encantadoramente possível. — Talvez.

Ele sorri para mim e toma um gole de seu chá doce. O gelo bate no copo, e uma gota de suor escorre pelo lado do vidro, enquanto abaixa o copo. — Bem? Diga o que você quer.

— Então, eu fiz uma aula de cinema neste último semestre. Eu realmente, realmente gostei, papai. Foi muito divertido. Aprendemos muito sobre filmes. O instrutor era um camêra-man, e ele trabalhou em "Ghost", você sabe, o filme com Patrick Swayze e Demi Moore? 

 — Você quer dizer aquele sobre o homem que assombra sua esposa? Fantasmas são servos do diabo, Demi. Ferramentas do Maligno. Não é assunto para o entretenimento.

— É romântico, papai. Ele a amava. Ele não queria deixá-la sozinha.

— Ele não podia aceitar o plano de Deus para sua vida.

Eu suspiro. — Bem, de qualquer maneira, eu gostei do filme, e amei as aulas. O Sr. Rokowski pensou que eu poderia ser uma boa candidata para o The Film Connection.

Eu mostro-lhe o folheto e ele folheia-o lentamente, lê a explicação e os depoimentos.

— Eu adoraria, adoraria, adoraria fazer isso. Seria uma oportunidade de realmente aprender sobre a indústria. O Sr. Rokowski acha que ele poderia até me ajudar a conseguir uma bolsa de estudos para que você não tenha que pagar muito, ou nada, para isso.

Papai desliza os óculos e lê o folheto de frente para trás, em seguida, liga seu computador e digita o endereço do site. Sento-me em silêncio, esperançosa. Após longos minutos, em silêncio, ele tira os óculos novamente e se inclina para trás. — Você está falando sério? 

Concordo com a cabeça vigorosamente. Eu pensei muito sobre as melhores táticas para apresentar isso. Eu tinha que fazê-lo pensar que era sobre o ministério. Eu tinha que mostrar a ele como eu poderia fazer a diferença em Hollywood. — Absolutamente. Isso é o que eu quero fazer com a minha vida. Eu não quero ser uma atriz ou algo assim. Quero contar histórias. Há tantas maneiras de contar uma boa história, de mover as pessoas, e no cinema é uma dessas maneiras. Poderia ser a minha missão. Assim como Kirk Cameron em "Fireproof". 

Ele sopra um longo suspiro. — Eu esperava mais de você, Demi. — Sua voz de repente é dura, como um chicote, e eu recuo. — Eu realmente esperava. Escola de cinema? Isso é pior do que qualquer dança sensual. Você estaria trabalhando com a escória da terra. Pessoas que pensam que está tudo bem glorificar assassinato, desonestidade e perversão sexual.

— Mas papai, não tem que ser assim...

— Seria, no entanto. Eles iriam se aproveitar de você. Uma bela garota inocente como você em Hollywood? Eles vão comê-la viva.

 — Mas essa é a melhor parte sobre este programa. Ele está aqui em Macon. Eu não teria que me mudar para Los Angeles para fazer isso.

Ele não responde por um longo momento. Quando ele faz, seus olhos são duros como pedra. — Essa conversa acabou. Você não vai ser uma parte dessa indústria. — Ele gira sua cadeira para longe de mim, em direção a tela de seu computador, me evitando com clareza.

Eu puxo uma fungada. — Você não entende.

— Eu entendo sim, muito bem, aliás. — Ele não está olhando para mim, agora. Ignorando-me. — Você é a única que não entende. Como as pessoas são, o que elas vão fazer. Eles vão perverter você. É o meu trabalho como seu pai te proteger, te manter longe desse caminho.

Meus punhos apertam e tremem, minha garganta fecha como se bebesse água quente, sinto a raiva impotente. — Mas isso é tudo que você faz! Proteger-me. Você não me entende! Em nada. Você nunca tenta entender. Isto é o que eu quero. Só porque você é um pastor não significa que eu não posso viver minha própria vida com as minhas coisas. Nem tudo é pecaminoso, e é assim que você age, como se cada coisa que não é um estudo bíblico ou uma reunião de oração fosse pecado! 

Eu estou de pé, chorando e gritando. — Deus, você é tão... tão mente fechada sobre tudo!

Vermelho de raiva, papai se levanta e derruba um porta canetas. — Não se atreva a tomar o nome do Senhor em vão dessa forma, Demetria Devonne Lovato. — Ele aponta o dedo para mim, e agora ele está em modo de pregador total. — Sou seu pai, e Deus me deu a responsabilidade de cuidar de você. Eu sou responsável por sua alma.

— Não, você não é! Vou ter dezoito anos em breve. Posso tomar minhas próprias decisões. — Estou dividida entre o medo e o orgulho.

Eu nunca, nunca respondi para papai antes.

Neste momento tudo muda, de alguma forma.

— Enquanto você morar em minha casa vai seguir as minhas regras e fazer o que eu digo. E eu digo que você não vai fazer esse programa. — Ele se senta e arruma o porta canetas. — Por sua atitude rebelde e por me responder, todos os privilégios de dança serão revogados.

Eu afundo na cadeira. — Não, papai. Sinto muito... Farei uma apresentação na segunda-feira. Se eu não dançar, eles terão que reformular toda a peça.

— Então, eles terão que reformulá-la. — Ele não olha para mim novamente depois disso.

Deixo seu estudo em lágrimas, vou para o meu quarto. Eventualmente mamãe entra e se senta na cama. Eu olho em sua direção, e sento imediatamente. Ela parece pálida e magra, o rosto comprimido. — Mãe? Você está bem? 

Ela encolhe os ombros. — Eu estou bem, querida. — Ela acaricia minha mão. — Eu lhe disse para não pressioná-lo, querida. Vou falar com seu pai e ver se consigo convencê-lo a deixá-la se apresentar na segunda-feira. Mas... você realmente deve deixar de lado essa coisa de cinema. Sei... Eu sei que você pode não querer ser a esposa de um pastor, e eu entendo isso. Mas o cinema? Não é para você.

Eu não respondo. Sei que ela não vai entender, nem mesmo a minha mãe. Quando está claro que eu terminei de falar com ela sobre isso, ela se levanta, batendo na minha mão novamente. — Eu vou falar com ele. Apenas... pense sobre suas escolhas, ok? Pense sobre o plano de Deus para sua vida. Será que esta súbita obsessão com filmes pecaminosos o glorificaram? 

Eu só suspiro, percebendo a futilidade de discutir com ela sobre a diferença entre as suas ideias do plano de Deus para minha vida e o meu plano para a minha vida. Ela sai, e eu estou sozinha novamente. Eu deito na minha cama e olho para o teto, honestamente tentando pensar através dele. Eu poderia entender sua reação se eu dissesse que queria me mudar para Los Angeles e ser uma atriz, ou para Nashville para ser cantora. Mas eu estou propondo que eu fique perto de casa e em seu círculo de influência após o ensino médio. Papai só se preocupa com a sua própria ideia do que é certo e errado. Tudo é em preto e branco para ele, e a maioria das coisas são negras. Existe mais do que é pecaminoso e errado do que coisas boas.

Eu me pergunto como ele sabe que Deus desaprova todas as minhas reivindicações. Eu sei que ele teria versículos da Bíblia para apoiar tudo o que ele acredita. Eu só... Eu simplesmente não posso deixar de me perguntar se isso não é manipular as Escrituras para encaixar o que ele não gosta ou não está disposto a entender. E, honestamente, ele nunca deixou a Georgia. Ele cresceu aqui em Macon, se formou em teologia pela Trinity Baptist Seminary, em Jackson, uma hora ao norte. Ele não pode saber tudo.

Quanto mais penso nisso, mais furiosa eu fico.

Começo a imaginar todos os argumentos inteligentes e espirituosos que eu poderia ter feito para o papai. Eu nunca vou dizer qualquer um deles, mas esse é o jeito que eu sou. Vou mastigar um argumento durante dias, pensando no que eu poderia ter dito, o que eu deveria ter feito, e como eu poderia ter feito para sair de forma diferente.

Fico surpresa quando minha porta se abre e papai aparece. Eu esperava que fosse mamãe, mas ao invés disso ele está ali parecendo assustado.

— Papai? Que há de errado? 

— Sua mãe, ela... Ela desmaiou. Uma ambulância está a caminho. É essas dores de cabeça que ela está tendo. Ela apenas caiu, Demi. Bateu à beirada do fogão e quebrou o pulso. Ore por ela, Demi. Ore para que o Senhor a proteja.

Eu tremo, as lágrimas não derramadas fechando minha garganta. Isso é ruim. Muito ruim.
 
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Oiii!!! mais um capitulo, eu acho que poucas pessoas gostaram da fic, mas no começo é assim meio chata, mas logo vai melhorando, continuem lendo... Beijoos <3